My Dark Word
6 06 - Dessert
Notas iniciais
Quando recupero minha sanidade, abro os olhos e vejo o rosto da mulher que amo. A expressão de Quinn é suave, leve. Ela esfrega o nariz no meu, apoiando-se sobre os cotovelos, as mãos segurando as minhas ao lado da minha cabeça. Infelizmente, suspeito que seja uma forma de impedir que eu a toque. Ela me dá um beijo delicado nos lábios ficando em cima de mim.
– Senti falta disso – ofega.
– Eu também – sussurro.
Ela me segura pelo queixo e me beija com força. Um beijo apaixonado e suplicante, mas pedindo o quê? Não sei. Fico sem fôlego.
– Não me deixe de novo – implora ela, olhando fundo nos meus olhos, a expressão séria.
– Está bem – sussurro e sorrio para ela. Seu sorriso de resposta é deslumbrante: alivio, júbilo e uma alegria juvenil combinados em um olhar encantador, capaz de derreter o mais frio dos corações. – Obrigada pelo iPad.
– Não há de quê, Rachel?
– Qual é a sua música preferida lá?
– Isso já seria revelar demais. – Ela sorri. – Agora venha, minha serviçal, preparar uma refeição para mim. Estou morrendo de fome – acrescenta ela, sentando-se de repente e me puxando.
– Serviçal? – Dou uma risadinha irônica.
– Serviçal. Comida, agora, por favor.
– Já que me pede de forma tão educada, senhorita, é para já.
Ao me arrastar para fora da cama, tiro o travesseiro do lugar, revelando o balão vazio em forma de helicóptero que guardo debaixo dele. Quinn o pega nas mãos e me olha, intrigada.
– É o meu balão – digo, com ar de prioridade, enquanto pego o roupão e me cubro. Ah, merda... por que ela tinha que ver isso?
– Na sua cama? – murmura.
– É. – Fico vermelha. – Ele me faz companhia.
– Sortudo esse Charlie Tango – diz ela, surpresa.
Sim, sou sentimental, Fabray, por que amo você.
– Meu balão – digo novamente e me viro em direção à cozinha, deixando-a com um sorriso de orelha a orelha.
QUINN E EU nos sentamos no tapete persa de Santana, comendo frango xadrez e macarrão chinês em tigelas brancas de porcelana com hashis e bebendo um Pinot Grigio branco gelado. Quinn encosta no sofá, as longas pernas esticadas à sua frente. Está com uma calça jeans minha e camisa e com o cabelo de quem acabou de transar, e isso é tudo. Ao fundo, vindo do iPod dela, Buena Vista Social Club preenche suavemente o ambiente.
– Está gostoso – elogia ela, devorando a comida.
Estou sentada de pernas cruzadas a seu lado, comendo avidamente, morrendo de fome e admirando seus pés nus.
– Normalmente sou eu que faço comida aqui em casa. Sant não é muito boa na cozinha.
– Foi sua mãe quem lhe ensinou?
– Na verdade, não. – Faço uma careta. – Na época em que eu estava interessada em aprender a cozinhar, minha mãe já morava com o marido número três em Mansfiel, no Texas. E ele teria vivido à base de torrada e comida de restaurante se não fosse eu.
– Por que você não ficou no Texas com sua mãe? – Quinn me olha.
– Eu não me entendia com o marido dela. E sentia falta de Leroy. O casamento da minha mãe com o marido número três não durou muito. Ela caiu em si, acho. Nunca fala dele. – Acrescento em voz baixa. Acho que é uma parte sombria da vida dela, algo que nunca chegamos a discutir.
– Então você ficou em Washington com seu padrasto.
– Morei durante um período muito curto no Texas. Depois voltei para ficar com Leroy e o marido dele Hiram.
– Parece que você cuidava dele – diz Quinn com ternura.
– Acho que sim. – Dou de ombros.
– Você está acostumada a cuidar das pessoas. – O tom de sua voz atrai minha atenção, e olho para ela.
– O que foi? – pergunto, espantada por sua expressão cautelosa.
– Quero cuidar de você. – Seus olhos brilham, refletindo uma emoção que não consigo identificar.
Meu coração acelera.
– Já percebi – sussurro. – Só que você faz isso de um jeito estranho.
Ela franze a testa.
– É o único que conheço.
– Ainda estou brava com você por ter comprado a SIP.
– EU sei, só que não é isso que vai me impedir, baby. – Ela sorri.
– O que eu vou falar para os meus colegas de trabalho, para Biff?
Ela estreita os olhos.
– É melhor esse filha da puta se cuidar.
– Quinn! – reclamo. – Ele é meu chefe.
Quinn contrai os lábios. Parece uma criança teimosa.
– Não conte a eles – diz.
– Não conta o quê?
– Que eu sou a dona. O negócio foi fechado ontem. A notícia não vai poder ser divulgada por umas quatros semanas até que o setor administrativo da SIP faça algumas mudanças.
– Hum... eu vou perder o emprego? – pergunto, alarmada.
– Sinceramente, duvido muito – responde Quinn secamente, tentando conter o riso.
Faço uma cara feia.
– Se eu sair e arrumar outro emprego, você vai comprar a outra empresa também?
– Você não está pensando em sair, está? – Sua expressão se altera, tornando-se cautelosa mais uma vez.
– Talvez. Receio que você não tenha me deixado muita escolha.
– Sim, vou comprar a outra empresa, também. – Ela é inflexível.
Fecho a cara. Não tenho como competir com ela.
– Você não acha que está sendo um pouco superprotetora demais?
– Sim. Tenho plena consciência da impressão que isso passa.
– Chamando Dr. Evans – murmuro.
Ela baixa a tigela vazia e me olha, impassível. Suspiro. Não quero brigar. Levanto-me e pego sua tigela.
– Quer sobremesa?
– Agora você está falando a minha língua! – diz, lançando-me um sorriso lascivo.
– Não é isso. – Por que não? Minha deusa interior desperta de seu cochilo e se senta, prestando atenção. – Tem sorvete. De baunilha.
– Sério? – O sorriso de Quinn aumenta. – Acho que nós poderíamos fazer algo com ele.
O quê? Eu a encaro surpresa enquanto ela se põe de pé graciosamente.
– Posso ficar aqui? – pergunta ela.
– Como assim?
– Esta noite.
– Presumi que você fosse ficar.
– Ótimo. Cadê o sorvete?
– No forno. – Lanço um sorrio doce para Quinn.
Ela inclina a cabeça para o lado, suspira e balança a cabeça para mim.
– O sacarmos é a forma mais baixa de humor, Srta. Berry. – Seus olhos brilham.
Ah, merda. O que ela está planejando?
– Ainda posso colocar você de bruços no meu colo e lhe dar umas palmadas.
Largo as tigelas na pia.
– Você está com aquelas bolas prateada?
Ela leva as mãos até o peito, depois desce até a barriga e por último bate nos bolsos da calça jeans.
– Curiosamente, não costumo carregar um kit extra comigo. Não tem muita serventia no escritório.
– Fico feliz em ouvir isso, Srta. Fabray, e pensei que você tinha dito que sacarmos era a forma mais baixa de humor.
– Bem, Rachel, meu novo lema é: se não pode vencê-los, junte-se a eles.
Fico boquiaberta. Não posso acreditar que ela acabou de dizer isso. Ela me olha incrivelmente satisfeita consigo mesma e sorri. E então se vira, abre o freezer e pega um pote de sorvete de baunilha Ben & Jerry´s.
– Isso aqui vai cair muito bem. – Ela olha para mim, os olhos escuros. – Ben & Jerry´s e Rach. – Ela diz as palavras bem devagar, pronunciando cada sílaba com bastante clareza.
Ah, meu Deus. Acho que meu queixo chega a encostar no chão. Ela abre a gaveta e pega uma colher. Quando ergue o olhar para mim, seus olhos estão cobertos, e sua língua desliza sobre os dentes superiores. Ah, essa língua.
Fico sem fôlego. Pelas minhas veias corre um desejo quente, escuro, insinuante e cruel. Nós vamos nós divertir... com comida.
– Espero que você esteja com calor – sussurra ela. – Porque vou refrescar você com isto aqui. Venha. – Ela estende a mão, e eu lhe entrego a minha.
No quarto, ela coloca o sorvete em cima da mesa de cabeceira, tira o edredom e os travesseiros da cama, empilhando-os no chão.
– Você tem outro jogo de lençóis, não tem?
Concordo com a cabeça, olhando para ela, fascinada. Ela pega o Charlie Tango.
– Não suje meu balão – advirto.
Seus lábios se movem num meio sorriso.
– Nem sonharia com isso, baby, mas quero lambuzar você nestes lençóis.
Praticamente tenho uma convulsão.
– Quero amarrar você.
Hum.
– Tudo bem – sussurro.
– Só as mãos. Na cama. Preciso de você bem paradinha.
– Tudo bem – sussurro de novo, incapaz de qualquer outra coisa.
Ela caminha até mim sem tirar os olhos dos meus.
– Vamos usar isto. – Ela segura a faixa do meu roupão e, com uma lentidão deliciosa e provocante, desfaz o laço e gentilmente puxa a faixa para si.
O roupão se abre, e permaneço paralisada sob seu olhar quente. Depois de um instante, ela desliza o roupão por sobre meus ombros, fazendo com que caia junto aos meus pés, de modo que fico nua, diante dela. Quinn acaricia meu rosto com as costas da mão, e seu toque ressoa nas profundezas de minha virilha. Ela se curva e beija meus lábios brevemente.
– Deite-se na cama de barriga para cima – murmura, os olhos escurecendo, queimando nos meus.
Faço o que ela manda. O quarto está escuro, exceto pela luz suave e insípida do abajur. Normalmente, odeio essas lâmpadas econômicas, elas são tão fracas. Mas, nua diante de Quinn, fico feliz com a iluminação turva. Ela fica de pé, junto à cama, olhando para mim.
– Eu poderia ficar aqui, olhando para você o dia inteiro, Rachel – diz ela, e então sobe na cama, passa uma das pernas sobre meu corpo e se senta em cima de mim. – Braços acima da cabeça – ordena.
Obedeço, e ela amarra a ponta da faixa em meu pulso esquerdo e passa a outra extremidade pelas barras de metal na cabeceira da cama. Puxa bem apertado, de forma que meu braço esquerdo fica flexionado acima de mim. Em seguida, amarra a extremidade da faixa com força em minha mão direita.
Uma vez que estou amarrada, olhando-a, ela relaxa visivelmente. Quinn gosta de me ver assim, presa. Desse jeito, não posso tocá-la. E me dou conta de que nenhuma de suas submissas jamais deve tê-la tocado – e mais, elas sequer tiveram a oportunidade. Ela as mantinha sempre sob controle e a distância. É por isso que gosta de regras.
Ela sai de cima de mim e se inclina para me dar um beijinho rápido nos lábios. Então fica de pé e tira a camisa. Desabotoa a calça e a deixa cair no chão.
Está gloriosamente nua. Minha deusa interior dá um salto triplo nas barras assimétricas, e, de repente, minha boca fica seca. Ela tem um físico delineado em traços clássicos. Obviamente, ela malha. Eu poderia olhar para ela o dia inteiro. Caminha até o pé da cama e agarra meus tornozelos, puxando-me bruscamente para baixo, até que meus braços ficam esticados, e eu, imobilizada.
– Assim é melhor – balbucia.
Com o pote de sorvete na mão, ela sobe devagar na cama, passando de novo a perna por cima de mim. Muito lentamente, abre a tampa do pote e mergulha a colher.
– Hum... ainda está bem duro – diz, com uma sobrancelha erguida. Ela tira uma colher cheia e a leva até a boca. – Delicioso – murmura, lambendo os lábios. – É incrível como um bom e velho sorvete de baunilha pode ser tão bom. – Abaixa a cabeça, olhando para mim. – Quer um pouco? – brinca.
Quinn está tão gostosa, jovem e despreocupada, sentada em cima de mim, comendo sorvete do pote, os olhos alegres, o rosto radiante. Ah, que diabo vai fazer comigo? Como se eu não soubesse. Tímida, faço que sim com a cabeça.
Ela enfia a colher no pote de novo e me oferece, então abro a boca, mas ela a leva depressa de volta para a própria boca.
– Está bom demais para dividir – diz, sorrindo maliciosamente.
– Ei – reclamo.
– O que foi, Srta. Berry, gosta de sorvete de baunilha? – Gosto – digo de um jeito mais sério do que gostaria e tento, em vão, lutar com o peso dela.
– Ficando agitada, é? – Ela ri. – Eu não faria isso se fosse você.
– Sorvete – imploro.
– Bem, como você me deu tanto prazer hoje, Srta. Berry. – Quinn cede e me oferece outra colherada. Desta vez, ela me deixa comer o sorvete.
Quero rir. Ela está realmente se divertindo, e seu bom humor é contagiante. Tira outra colherada e me dá um pouco mais, e de novo. Ok, já chega.
– Hum, essa é uma boa maneira de fazer você comer: à força. Eu poderia me costumar com isso.
Ela pega outra colherada e a leva até minha boca. Desta vez, eu a mantenho fechada e nego com a cabeça, então ela deixa o sorvete derreter lentamente na colher até pingar em meu pescoço e em meu peito. Ela se inclina e, bem devagar, lambe o sorvete derretido. Meu corpo se acende de desejo.
– Hum. Fica ainda mais gostosa em você, Srta. Berry.
Puxo os braços, e acama range ameaçadoramente, mas eu nem ligo, estou ardendo de desejo, isso está me consumindo. Ela dá outra colherada e deixa o sorvete pingar em meus seios. Então, com as costas da colher, espalha-o sobre os mamilos.
Ai... é gelado. Meus mamilos se enrijecem sob o sorvete.
– Está com frio? – pergunta Quinn baixinho e se inclina para mais uma vez lamber e chupar todo o sorvete de mim; sua boca está quente, comparada ao frio do sorvete.
Isso é tortura. À medida que começa a derreter, o sorvete escorre do meu corpo para a cama, formando rios. Seus lábios continuam a tortura lenta, chupando com força, suavemente sondando o meu corpo. Ah, por favor! Estou ofegante.
– Quer um pouco?
Antes que eu possa confirmar ou negar, sua língua está em minha boca, fria e habilidosa, com gosto de Quinn e de baunilha. É delicioso.
Exatamente quando estou começando a me acostumar com a sensação, ela se senta de novo e deixa um rastro de sorvete ao longo do meu corpo, cruzando a barriga até o umbigo, onde deposita uma grande bola. Ai, está mais gelado do que antes, mas estranhamente o sorvete me queima.
– Bem, você já fez isso antes. – Os olhos de Quinn brilham. – Vai ter que ficar bem paradinha, ou vai espalhar sorvete pela cama toda. — E ela beija cada um dos meus seios e chupa os meus mamilos com força, e então segue o rastro pelo meu corpo, chupando e lambendo ao descer.
Eu tento, tento muito ficar parada, apesar da combinação inebriante do frio com seu toque quente. Mas meus quadris começam a se movimentar involuntariamente, movendo-se no seu próprio ritmo, dominados pelo feitiço gelado. Ela desce um pouco mais e começa a comer o sorvete em minha barriga, rodopiando a língua dentro e em torno de meu umbigo.
Solto um gemido. Puta merda. É frio, é quente, é enlouquecedor, mas ela não para. Arrasta o sorvete mais para baixo em meu corpo, até meu centro, meu clitóris. E eu grito, bem alto.
– Silêncio – diz Quinn suavemente e sua língua sedutora começa a trabalhar, lamber o sorvete; agora estou gemendo baixinho.
– Ah... por favor... Quinn.
– Eu sei, baby, eu sei – sussurra ela enquanto sua língua faz a mágica.
Ela não para, não para, e meu corpo está subindo, mais e mais alto. Ela enfia um dedo dentro de mim, depois outro, e os mexe com uma lentidão agonizante, para dentro e para fora.
– Bem aqui – murmura ela e acaricia ritmicamente a parede da frente de minha vagina, continuando o delicioso e implacável ato de lamber e chupar.
Explodo de repente num orgasmo alucinante que atordoa todos os meus sentidos, eclipsando tudo o que está acontecendo fora do meu corpo, enquanto eu contorço e grito. Minha mãe do céu, essa foi rápido.
Percebo vagamente que ela interrompe suas investidas. Está sobre mim, olhando nos meus olhos, percebo um brilho diferente. Mas o que será?. Ela me dá um leve beijo nos lábios, descendo seus beijos sobre minha pele agora grudenta. Quinn de repente me vira de costas.
– Assim – murmura ela, encaixando sua perna em mim pondo nossas intimidades em atrito. Mas não inicia de cara seu ritmo costumeiro. Ela se inclina, solta as minhas mãos, e me puxa para junto de si de forma que fico praticamente sentada sobre seu corpo. Suas mãos se deslocam até meus seios, e ela os segura, puxando delicadamente os mamilos. Solto um gemido e jogo a cabeça para trás, apoiando-a em seu ombro. Ela enfia o rosto em meu pescoço, mordendo-me ao flexionar os quadris, deliciosamente devagar, nossas intimidades em contato de novo e de novo.
– Você sabe o quanto significa para mim? – sussurra em meu ouvido.
– Não.
Ela sorri na minha nuca, os dedos se enroscando ao redor do meu queixo e do meu pescoço, apertando-me por um momento.
– Ah, sabe sim. Não vou deixar você ir embora.
Solto um gemido, e ela acelera seus movimentos.
– Você é minha, Rachel.
– Sim, sua – sussurro.
– E eu cuido do que é meu – murmura ela e morde a minha orelha.
Eu grito.
– Isso, quero ouvir.
Ela passa uma das mãos ao redor da minha cintura e com a outra estimulando meu clitóris, fazendo-me gritar de novo. E o ritmo cadenciado começa. Sua respiração se acelera, ofegante, sintonizando-se com a minha. Eu sinto o formigamento familiar dentro de mim. De novo!
Sou apenas sensação. Isto é o que ela faz comigo: pega o meu corpo e me possui por inteira para que eu não pense em nada além dela. Sua magia é poderosa, inebriante. Eu sou uma borboleta presa em sua rede, incapaz de escapar, sem vontade de escapar. Sou dela... totalmente dela.
– Goze para mim, baby – rosna ela com os dentes cerrados, e no mesmo instante, como aprendiz de feiticeira que sou, deixo-me levar, e nós gozamos juntas.
ESTOU DEITADA, ENROLADA em seus braços em meio a lençóis pegajosos. Sua testa está pressionando minhas costas, o nariz enfiado em meu cabelo.
– O que eu sinto por você me assusta – sussurro.
Ela fica quieta.
– Também me assusta, baby – diz baixinho.
– E se você me deixar? – O pensamento é horrível.
– Eu não vou a lugar algum. Acho que nunca vou me cansar de você, Rachel.
Viro-me e olho para ela. Sua expressão é séria, sincera. Eu me inclino e a beijo com ternura. Ela sorri e ajeita meu cabelo por trás da minha orelha.
– EU nunca tinha me sentido do jeito que me senti quando você foi embora, Rachel. Eu moveria o céu e a terra para evitar ter aquela sensação de novo. – Ela soa triste, atordoada até.
Eu a beijo mais uma vez. Quero amenizar nosso estado de espírito de alguma forma, mas Quinn faz isso por mim.
– Você pode ir comigo à festa de verão do meu pai, amanhã? É um evento de caridade que acontece todo ano. Eu disse que iria.
Sorrio, sentindo-me tímida de repente.
– Claro. – Ah, merda. Não tenho nada para vestir.
– O quê foi?
– Nada.
– Fale. – insiste ela.
– Não tenho roupa.
Quinn parece desconfortável por um instante.
– Não fique brava, mas ainda estou com todas aquelas roupas lá em casa para você. Tenho certeza de que há pelo menos uns vestidos lá.
Pressiono os lábios.
– Ah, é mesmo? – murmuro, a voz sarcástica. Não quero brigar com ela hoje. Preciso de um banho.
A GAROTA QUE se parece comigo está lá fora da SIP. Espere aí, ela sou eu. Estou pálida e suja, e todas as minhas roupas está muito largas; eu a encaro, e ela está usando a minha roupa, feliz e saudável.
– O que você tem que eu não tenho? – pergunto a ela.
– Quem é você?
– Não sou ninguém.. Quem é você? Ninguém também?
– Então somos duas. Não conte para ninguém, eles nos expulsariam... – Ela sorri devagar, um esgar maligno que se espalha por todo o seu, e é tão frio que começa a gritar.
– MEU DEUS, RACHEL! – Quinn me sacode para me acordar.
Estou desorientada. Estou em casa... no escuro... na cama, com Quinn. Balanço a cabeça, tentando clarear as ideias.
– Rach, você está bem? Você estava tendo um pesadelo.
– Ah.
Ela acende o abajur, e somos banhados por sua luz tépida. Ela me olha, o rosto marcado de preocupação.
– A garota – sussurro.
– O que houve? Que garota? – pergunta ela com calma.
– Tinha uma garota do lado de fora da SIP quando saí do trabalho hoje. Ela se parecia comigo... mas não exatamente.
Quinn não se move, e à medida que a luz do abajur se aquece, vejo que seu rosto está pálido.
– Quando foi isso? – pergunta ela, consternada. Ela se senta e continua olhando para mim.
– Hoje à tarde, quando saí do trabalho. Você sabe quem ela é?
– Sei. – Ela passa a mão pelo cabelo.
– Quem é?
Quinn aperta os lábios e não responde.
– Quem é? – insisto.
– Ashley.
Engulo em seco. A ex-submissa! Lembro-me de Quinn falando sobre ela antes de voarmos no planador. De repente, ela está irradiando tensão. Tem algo errado.
– Aquela que colocou a música ‘’Toxic’’ no seu iPod?
Ela olha para mim, ansiosa.
– É – responde. – Ela disse alguma coisa?
– Ela falou: ‘’ O que você tem que eu não tenho?’’ E quando eu perguntei quem ela era, ela respondeu: ‘’Ninguém.’’
Quinn fecha os olhos como se sentisse dor. O que aconteceu? O que Ashley significa para ela?
Meu couro cabeludo se arrepia e pontadas de adrenalina atravessam meu corpo. E se ela for importante para ela? Talvez ela sinta falta de Ashley? Eu sei tão pouco sobre seus... hum, antigos relacionamentos. Ela deve ter assinado um contrato, e deve ter feito tudo o que ela queria, deve ter saciado as necessidades dela com prazer.
Ah, não, exatamente quando eu não sou capaz de fazer o mesmo. O pensamento me dá náuseas.
Pulando para fora da cama, Quinn veste a calça jeans e seu sutiã e segue até a sala. Pelo meu relógio são cinco da manhã. Eu me levanto, visto sua camisa branca e vou atrás dela.
Puta merda, ela está ao telefone.
– Isso, na frente da SIP, ontem... no fim da tarde – diz calmamente. Ela se vira para mim enquanto caminha na direção da cozinha e me pergunta: — Que horas, exatamente?
– Tipo dez para seis – resmungo.
Como quem ela está falando a esta hora? O que será que Ashley fez? Ela repassa a informação para a pessoa do outro lado da linha, quem quer que seja, sem tirar os olhos de mim, uma expressão séria e sombria no rosto.
– Descubra como... Isso... Eu diria que não, mas eu não imaginava que ela seria capaz disso. – Ela fecha os olhos com uma expressão de desgosto. – Eu não sei como isso vai acabar... Certo... Eu sei... Descubra onde ela está. – E desliga.
– Você quer um chá? – pergunto.
Chá, a resposta de Leroy para qualquer crise e a única coisa que ele sabe fazer direito na cozinha. Encho a chaleira de água.
– Na verdade, eu queria voltar para cama. – Seu olhar me diz que não é para dormir.
– Bem, eu preciso de um pouco de chá. Vai querer também?
Quero saber o que está acontecendo. E não vou deixar ser distraída por sexo.
Ela passa a mão pelo cabelo, exasperada.
– Sim, por favor – responde, mas percebo que está irritada.
Coloco a chaleira no fogo e me ocupo pegando as xícaras e um bule. Meu nível de ansiedade disparou para alerta máximo. Será que ela vai me contar qual é o problema? Ou vou ter que insistir?
Sinto seus olhos em mim. Sua insegurança e sua raiva são palpáveis. Ergo o olhar, e seus olhos está brilhando como apreensão.
– O que houve? – pergunto com calma.
Ela balança a cabeça.
– Você não vai me dizer?
Ela suspira e fecha os olhos.
– Não.
– Por quê?
– Porque não tem nada a ver com você. Não quero que você se envolva nisso.
– Tem a ver comigo, sim. Ela me encontrou e me abordou na porta do meu trabalho. Como ela sabe a meu respeito? Como ela sabe onde eu trabalho? Acho que tenho o direito de ser informada sobre o que está acontecendo.
Ela passa a mão pelo cabelo novamente, irradiando frustação como se travasse alguma batalha interna.
– Por favor – peço delicadamente.
Ela contrai os lábios e revira os olhos para mim.
– Está bem – diz, resignada. – Não tenho ideia de como ela encontrou você. Talvez a nossa fotografia em Portland, não sei. – Ela suspira de novo, e eu percebo que sua frustação é dirigida a ela mesma.
Espero com paciência, despejando a água fervendo no bule enquanto ela caminha de um lado para o outro. Após um curto intervalo, ela continua.
– Quando eu estava na Geórgia com você, Ashley apareceu do nada no meu apartamento e fez uma cena na frente de Mercedes.
– Mercedes?
– A Srta. Jones.
– Como assim, ‘’fez uma cena’’?
Ela me encara, avaliando-me.
– Conte. Você está escondendo alguma coisa. – Minha entonação é mais energética do que eu pretendia.
Ela pisca para mim, surpresa.
– Rach, eu... – E para.
– Por favor?
Ela suspira, derrotada.
– Ela fez uma tentativa desastrada de cortar uma veia.
– Ai, não! – Isso explica o curativo no pulso.
– Mercedes a levou para o hospital. Mas Ashley fugiu antes que eu pudesse chegar lá.
Droga. O que isso significa? Suicida? Por quê?
– O psiquiatra que a atendeu disse que é uma forma típica de chamar a atenção. Ele não acha que ela estivesse realmente correndo perigo. Ela estava a um passo da idealização suicida, como ele mesmo disse. Mas não estou convencida. Venho tentando localizá-la desde então, para ver se posso ajudar.
– Ela disse alguma coisa à Srta. Jones?
Ela me olha, e parece muito desconfortável.
– Nada demais – responde, afinal, mas sei que não está me contando tudo.
Eu me distraio servindo o chá em nossas xícaras. Então Ashley quer entrar de novo na vida de Quinn e decidiu tentar o suicídio para atrair sua atenção? Uau... assustador. Mas eficaz. Quinn voltou da Geórgia para vê-la, mas ela desapareceu antes que ela chegasse? Que estranho.
– Mas você não consegue encontrá-la? E a família dela?
– Não sabem onde ela está. Nem o marido sabe.
– Marido?
– É – diz ela, distraída -, ela está casada há uns dois anos.
O quê?
– Ela já era casada enquanto estava com você? – Puta merda. Ela realmente não conhece limites.
– Não! Meu deus, claro que não. Ela esteve comigo há quase três anos. Ela me deixou e se casou com esse cara pouco depois.
Ah.
– Então, por que ela está tentando chamar sua atenção agora?
– Não sei. Tudo o que conseguimos descobrir é que ela largou o marido há uns quatro meses.
– Deixe-me ver se entendi. Já faz três anos que ela não é mais sua submissa?
– Dois anos e meio, mais ou menos.
– E ela queria mais.
– Isso.
– Mas você não?
– Você já sabe disso.
– E aí ela deixou você.
– Isso.
– Então, por que ela está correndo atrás de você agora?
– Eu não sei. – E o tom de sua voz me diz que ela tem ao menos uma teoria.
– Mas você suspeita...
Ela aperta os olhos, visivelmente irritada.
– EU suspeito que tenha alguma coisa a ver com você.
Comigo? O que ela quer comigo? ‘’ O que você tem que eu não tenho?’’
Eu encaro Quinn, maravilhosamente com um jeans e um sutiã. Eu a tenho; ela é minha. É isso que eu tenho, e ainda assim ela se parecia de alguma forma comigo. Franzo a testa diante desse pensamento. Pois é... o que eu tenho que ela não tem?
– Por que você não me contou ontem? – pergunta ela em voz baixa.
– Esqueci. – Dou de ombros, num pedido de desculpas. – Você sabe como é, sair para beber depois do trabalho, ao fim da minha primeira semana. Você ter aparecido no bar e a sua... competição de hormônios com Biff, e depois, a gente veio pra cá. Esqueci totalmente. Você tem o hábito de me fazer esquecer as coisas.
– Competição de hormônios? – Ela contrai os lábios.
– É. O concurso de quem leva a dama pra casa.
– EU vou lhe mostrar o que é uma competição de hormônios.
– Não prefere uma xicara de chá?
– Não, Rachel, não prefiro. – Seus olhos me queimam por dentro, com aquela expressão de ‘’eu quero você e quero agora’’. Merda... é tão excitante. – Esqueça ela. Venha. – Ela estende a mão para mim.
Minha deusa interior dá três saltos mortais para trás quando seguro a mão dela.
ACORDO, ESTÁ MUITO quente, e estou enrolada em uma Quinn Fabray nua. Apesar de estar dormindo, ela me segura perto de si. A luz suave da manhã ilumina o quarto através das cortinas. Minha cabeça está em seu peito, minha perna, enroscada na dela, e o meu braço, em sua barriga.
Ergo a cabeça um pouco, com medo de acordá-la. Ela parece tão jovem, tão relaxada em seu sono, e é minha.
Hum... Estico o braço, e com cuidado, acaricio o peito dela, correndo os dedos até chegar em seus seios, e ela não se mexe. Mal posso acreditar. Ela é mesmo minha – por mais alguns instantes muito preciosos ela é minha. Eu me inclino e carinhosamente beijo uma de suas cicatrizes. Ela geme baixinho, mas não acorda, e eu sorrio. Beijo outra, e seus olhos se abrem.
– Oi. – Sorrio para ela, com um olhar culpado.
– Oi – responde ela com cautela. – O que está fazendo?
– Olhando para você. – Corro meus dedos por seu caminho da felicidade. Ela segura a minha mão, estreita os olhos, e então abre um lindo sorriso de ‘’ Quinn à vontade’’, e eu relaxo. Meu toque secreto permanece em segredo.
Ah... por que ela não me deixa tocá-la?
De repente, está em cima de mim, pressionando-me contra o colchão, as mãos nas minhas, numa espécie de alerta. Encosta o nariz no meu.
– Acho que você estava aprontando, Srta. Berry – acusa ela, mas mantém o sorriso.
– Gosto de aprontar quando estou com você.
– Ah, é? – Ela me beija de leve nos lábios. – Sexo ou café da manhã? – pergunta, os olhos sombrios, mas bem-humorados.
Inclino minhas pernas até sua intimidade.
– Boa escolha – murmura ela contra meu pescoço, deixando uma trilha de beijos na direção dos meus seios.
ESTOU DIANTE DA minha cômoda, olhando-me no espelho e tentando convencer meu cabelo a ter alguma coisa que se pareça com estilo. Na verdade, está comprido demais. Estou de calça jeans e camisa, e Quinn, recém-saída do banho, está se vestindo atrás de mim. Olho, faminta, para o corpo dela.
– Quantas vezes por semana você malha? – pergunto.
– Todo dia útil – diz ela, fechando o botão da calça.
– O que você faz?
– Corro, levanto peso e faço kickboxing. – Ela dá de ombros.
– Kickboxing?
– É, tenho um personal trainer, um ex-atleta olímpico que me dá aula. O nome dele é Jake. É muito bom. Você iria gostar dele.
Eu me viro para olhá-la enquanto ela começa a abotoar a camisa branca.
– Como assim, eu iria gostar dele?
– Você iria gostar da aula dele.
– Para que um personal trainer, se eu tenho você para me manter em forma?
Ela caminha pelo quarto e me envolve em seus braços, os olhos brilhando encontrando os meus no espelho.
– Mas eu preciso de você em forma, baby, para fazer as coisas que tenho em mente. Vou precisar que você acompanhe o meu ritmo.
Fico vermelha, as memórias do quarto de jogos tomam conta de minha mente. Sim... o Quarto Vermelho da Dor é extenuante. Será que ela vai me deixar entrar lá de novo? Será que quero entrar lá de novo?
Claro que sim! Minha deusa interior grita.
Encaro seus olhos insondáveis e hipnotizantes.
– Você sabe que quer – ela faz com os lábios para mim.
Fico ainda mais vermelha, e o detestável pensamento de que Ashley provavelmente era capaz de acompanhar o ritmo dela invade minha mente sem ser convidado. Pressiono os lábios e Quinn faz uma cara feia para mim.
– O que foi? – pergunta preocupada.
– Nada. – Balanço a cabeça. – Tudo bem, quero conhecer o Jake.
– Quer? – O rosto de Quinn se ilumina, pega de surpresa. Sua expressão me faz sorri. Parece que ela acabou de ganhar na loteria, embora o mais provável é que nunca tenha comprado um bilhete... ela não precisa.
– É. Se isso faz você tão feliz. – zombo.
Ela aperta os braços em volta de mim e beija minha bochecha.
– Você não tem ideia – sussurra. – E então, o que gostaria de fazer hoje? – Ela roça o rosto contra meu pescoço, enviando arrepios deliciosos através de meu corpo.
– Eu queria cortar o cabelo, e hum... Preciso descontar o cheque e comprar um carro.
– Ah – diz ela com um ar cúmplice, mordendo o lábio.
Ela solta uma das mãos de mim, enfia-a no bolso e puxa a chave do meu pequeno Audi.
– Aqui está – diz, calmamente, com uma expressão incerta.
– Como assim, aqui está? – Meu Deus. Pareço irritada. Droga. Estou irritada. Como ela se atreve!
– Puck trouxe de volta ontem.
Abro a boca e fecho de novo, e repito o processo umas duas vezes, mas estou sem palavras. Ela está me devolvendo o carro. Puta merda. Como não previ isso? Bem, também posso jogar esse jogo. Enfio a mão no bolso da minha calça jeans e puxo um envelope com o cheque.
– Aqui, isto é seu.
Quinn me olha intrigada, e então reconhece o envelope, ergue as mãos e se afasta de mim.
– Ah, não. Esse dinheiro é seu.
– Não, não é. Eu gostaria de comprar o carro de você.
Sua expressão muda completamente. Fúria, sim, a fúria invade seu rosto.
– Não, Rachel. Seu dinheiro, seu carro – rebate ela.
– Não, Quinn. Meu dinheiro, seu carro. Eu compro de você.
– Eu lhe dei o carro de presente de formatura.
– Se você tivesse me dado uma caneta... teria sido um presente de formatura adequado. Mas você me deu um Audi.
– Você realmente quer discutir isso?
– Não.
– Ótimo, aqui estão as chaves. – Ela as coloca sobre a cômoda.
– Não foi isso o que eu quis dizer!
– Fim de papo, Rachel. Não me provoque.
Faço uma cara feia para ela, e então tenho uma ideia. Segurando o envelope, eu o rasgo em dois, depois em dois de novo e jogo os pedaços na lixeira. Ah, que sensação boa.
Quinn me olha, impassível, mas sei que acabei de cutucar a fera e devo manter distância. Ela acaricia o queixo.
– Como sempre, Srta. Berry, você é muito desafiadora – diz secamente.
Ela se vira e segue para sala. Não é a reação que eu esperava. Eu estava prevendo um Armagedom em todas as suas proporções. Dou uma olhada no espelho e encolho os ombros, decidindo-me por um rabo de cavalo.
Minha curiosidade é aguçada. O que a minha Cinquenta Tons está fazendo? Eu a sigo até a sala, e ela está ao telefone.
– Sim, vinte e quatro mil dólares. Diretamente.
Ela me olha, ainda impassível.
– Ótimo... Segunda-feira? Excelente... não, é só isso, Andrea. – E desliga. – Vai entrar na sua conta na segunda-feira. Não brinque assim comigo. – Ela está fervendo de raiva, mas eu não ligo.
– Vinte e quatro mil dólares! – estou quase gritando. – E como você sabe o número da minha conta? – Minha ira pega Quinn de surpresa.
– Eu sei tudo a seu respeito, Rachel – diz calmamente.
– Meu carro não valia vinte e quatro mil dólares de jeito nenhum.
– Concordo com você, mas os negócios é conhecer o mercado, não importa se você está comprando ou vendendo. Tinha um maluco que queria aquela banheira e estava disposto a pagar esse dinheiro todo. Aparentemente, é um clássico. Pergunte a Puck, se não acredita em mim.
Eu a encaro e ela me encara de volta, duas bobas furiosas e teimosas olhando uma para outra.
Até que eu sinto: a energia entre nós, tangível, atraindo-nos uma para outra. De repente, ela me agarra e me empurra contra a porta, a boca na minha, reivindicando-me avidamente, uma mão na minha bunda, apertando-me contra ela, e a outra na nuca, puxando minha cabeça para trás. Meus dedos estão em seu cabelo, puxando com força, segurando-a junto a mim. Ela roça o corpo contra o meu, aprisionando-me, a respiração ofegante. Ela me ergue, e eu fico excitada e inebriada ao me dar conta da necessidade que ela tem de mim.
– Por que, por que você tem que me desafiar? – balbucia ela entre seus beijos quentes.
O sangue esquenta em minhas veias. Será que ela sempre vai ter esse efeito sobre mim? E eu sobre ela?
– Por que eu posso. – Estou ofegante. E sinto seu sorriso em meu pescoço mais do que a vejo. Ela pressiona a testa contra a minha.
– Deus do céu, eu quero muito comer você agora, mas temos que tomar café e ir ao salão cortar seu cabelo. Eu nunca consigo me saciar de você. Você é enlouquecedora, enlouquecedora.
SÉRIO ISSO SRTA. FABRAY???
– E você me deixa maluca – sussurro. – Em todos os sentidos.
Ela balança a cabeça.
– Venha. Vamos tomar café da manhã na rua. Conheço um lugar onde você pode cortar o cabelo.
– Está bem.. – Aceito, e assim a nossa briga acaba.
– EU PAGO. – Pego a conta do café da manhã antes dela.
Ela franze a testa.
– Você precisa ser rápido comigo, Fabray.
– Você tem razão, preciso mesmo – diz amargamente, embora eu ache que seja só provocação.
– Não fique com essa cara. Estou vinte e quatro mil dólares mais rica do que quando acordei. Posso pagar – dou uma conferida na conta – vinte e dois dólares e sessenta e sete centavos de café da manhã.
– Obrigada – responde ela a contragosto. Ah, a criança mal-humorada está de volta.
– E agora, para onde vamos?
– Você quer mesmo cortar o cabelo?
– Quero, olhe só como ele está.
– Para mim, você está linda. Sempre.
Eu fico vermelha e encaro meus dedos entrelaçados no colo.
– E ainda tem essa festa do seu pai hoje à noite.
– Lembre-se, é black-tie.
– Onde é?
– Na casa dos meus pais. Eles têm uma tenda no jardim. Você sabe...
– Qual é a caridade?
Quinn esfrega as mãos nas coxas, parecendo desconfortável.
– É um programa de reabilitação de drogas para pais com filhos pequenos, chama-se Superando Juntos.
– Parece uma boa causa – digo baixinho.
– Venha, vamos embora. – Deliberadamente interrompendo o assunto, ela fica de pé e me estende a mão. Quando a seguro, ela a aperta com força.
É estranho. Quinn pode ser tão calorosa às vezes e, ainda assim, tão fechada em determinados aspectos. Ela me conduz para fora do restaurante, e caminhamos pela rua. A manhã está linda, um clima ameno. O sol está brilhando, e o ar cheira a café e a pão fresquinho.
– Aonde vamos?
– Surpresa.
Certo. Não gosto muito de surpresas.
Andamos dois quarteirões, e as lojas vão se tornando decididamente mais caras. Ainda não tive a oportunidade de explorar a região, mas isto aqui fica literalmente na esquina de onde moro. Sant vai gostar de saber. Tem várias lojinhas de roupa para alimentar sua fome de modo. Aliás, preciso comprar umas saias soltinhas para trabalhar.
Quinn para diante de um grande e elegante salão de beleza e abre a porta para mim. Chama-se Esclava. O interior é todo branco e de couro. Atrás do balcão branco da recepção está sentada uma jovem em um uniforme branco impecável. Ela ergue os olhos quando entramos.
– Bom dia, Srta. Fabray – diz, animada, as bochechas coradas enquanto pisca os cílios para ela. É o efeito Fabray, só que ela a conhece! Como pode?
– Oi, Madison.
E ela também a conhece. O que é isso?
– O de sempre, senhorita? – pergunta ela educadamente. Está usando um batom muito cor-de-rosa.
– Não – diz ela rapidamente, com um olhar nervoso para mim.
O de sempre? O que significa isso?
Puta merda! É a regra número 6, a merda do salão de beleza. Toda aquela loucura de depilação... droga!
Era para cá que ela trazia suas submissas? Quem sabe ela trouxe Ashley aqui também? O que estou fazendo aqui?
– A Srta. Berry vai dizer o que quer.
Eu a encaro. Ela está introduzindo suas regras de forma dissimulada. Eu já concordei com o personal trainer, e agora isso?
– Por que aqui? – sussurro para ela.
– Sou a dona deste lugar, e de mais três iguais a este.
– Você é a dona do salão? – pergunto, espantada. Bem, isso é inesperado.
– Sou. É uma atividade paralela. Enfim, você pode fazer o que quiser aqui, de graça. Todos os tipos de massagem: sueca, shiatsu, pedras quentes, reflexologia, banho de algas, limpeza de pele, todas essas coisas que de salão.... tudo. Eles fazem aqui. – Ela acena os longos dedos com certo desdém.
– Depilação?
Ela ri.
– Depilação também. Em todas as partes do corpo – sussurra ela, com um olhar conspiratório de quem está se divertindo à custa do meu desconforto..
Fico vermelha e me viro para Madison, que está me olhando em expectativa.
– Eu gostaria de cortar o cabelo, por favor.
– Claro, Srta. Berry.
Ao checar os horários no computador, Madison é inteiramente batom rosa eficiência.
– Franco vai estar livre daqui a cinco minutos.
– Franco é ótimo – diz Quinn, tranquilizando-me.
Ainda estou tentando digerir a situação. Quinn Fabray, CEO, é dona de uma cadeia de salões de beleza.
Dou uma olhada para ela, e, de repente, está pálida. Acabou de ver alguma coisa, ou alguém. Viro-me para ver o que é, e, no fundo do salão, à direita, surge uma loura platinada, fechando a porta atrás de si e falando com um dos cabeleireiros.
Loura Platinada, alta, bronzeada, encantadora, tem em torno dos trinta anos, é difícil dizer. E usa um uniforme igual ao de Madinson, só que preto. Ela é deslumbrante. O cabelo, cortado num chanel curtinho, brilha incrivelmente. Ao se virar, ela nota a presença de Quinn e sorri para ela, um sorriso estonteante e cálido de quem a reconheceu.
– Com licença – murmura Quinn às pressas.
Ela atravessa o salão, passando pelos cabeleireiros, todos de branco, e pelas auxiliares junto às pias, até que se aproxima dela, longe demais para que eu possa ouvi-las. Loura Platinada a cumprimenta com dois beijinhos e um afeto óbvio, as mãos descansando em seus braços, e as duas conversam animadamente.
– Srta. Berry?
Madison. A recepcionista, tenta chamar minha atenção.
– Um momento, por favor. – Observo Quinn, fascinada.
Loura Platinada se vira, olha para mim e me dirige o mesmo sorriso estonteante, como se me conhecesse. Sorrio de volta educadamente.
Quinn parece chateada com alguma coisa. Ela está argumentando com ela, e ela concorda, erguendo as mãos e sorrindo para ela. Ela sorri de volta, é evidente que se conhecem bem. Será que trabalham juntos há muito tempo? Talvez ela seja a gerente do salão, afinal, ela parece ter certo ar de autoridade.
E então, eu me dou conta. Lá no fundo do meu ser, de uma forma visceral, eu sei quem ela é. É ela. Deslumbrante, mais velha, linda.
É a Mrs. Robinson.
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