My Change
3 Conselho Supremo dos Bruxos
Notas iniciais
Samantha se deu conta de que ainda estava no chão, o hematoma em sua testa agora doía violentamente e ainda não entendera o motivo de tudo aquilo. Mesmo não entendendo, não conseguia esquecer as cenas e a possível revelação. Seria possível que ela fosse de fato uma Potter? Irmã legitima do Harry? O que faria se fosse verdade?
Sentiu duas mãos agarrarem seu braço e a ajudando a levantar, mas suas pernas ainda tremiam, então apoiou-se no sofá. Abaixou a cabeça, tentando controlar tudo o que sentia, todas as lágrimas que queriam descer.
O que ela faria?
Sentiu alguém se aproximando e percebeu ser Lysa.
― Sam, o que es... ― ela não chegou a completar a frase ao ver os olhos da amiga ― Sam! Seus olhos.
― O que têm eles?
― Estão verdes.
― O quê? Verdes? De novo? ― perguntou Samantha encarando a amiga, mas vendo que não iria obter respostas passou a encarar Dumbledore que a observava com interesse e depois encarou Snape que deu mais um passo para trás ao ver os olhos verdes encarando-o.
O Mestre de Poções engolira em seco e desviou o olhar ao dizer:
― Alvo. Acho que ela não está em condições para aparantar.
― Samantha. está tudo bem? ― perguntou Dumbledore se aproximando da garota que ainda estava com os olhos verdes.
― Sim professor, estou bem, não se preocupe ― respondeu Samantha quando uma lágrima teimosa molhou o seu rosto, revelando que o quer que tenha acontecido deixou-a triste. Ela não olhou para Snape novamente, mas sentiu os olhos negros a olhando com atenção.
― Acredito em você Samantha ― começou Dumbledore olhando Samantha como se achasse que aconteceria algo a qualquer momento ― Contudo, é a segunda vez que algo assim aconteceu, da última vez você ficou inconsciente por dois dias ― Samantha viu de esguela Snape arregalando os olhos, não saiu nenhum som da sua boca, mas ela percebeu que ele perguntou a si mesmo: “Dois dias?” e Dumbledore recomeçou a falar: ― Tenho que concordar com o profº Snape, acho que você não está em condições de aparantar.
Samantha se deu conta do que o professor estava dizendo:
― O quê? Professor. Já disse que estou bem, isso não é nada demais, eu não vou atrasar ainda mais isso ― respondeu Samantha exasperada, sabia que se dependesse do diretor, só iriam depois que ele tivesse certeza de que ela estava em perfeito estado e gozando de perfeita saúde.
― Certo, pois bem, conversaremos sobre isso mais tarde ― disse Dumbledore (para o alivio de Samantha) e se virou para os demais na sala ― Eu e senhorita Potter iremos primeiro, eu aviso quando vocês puderem ir...
Todos estavam muito animados e nervosos, se despediram de Samantha, Carly quase não soltou ela até que prometesse que mandaria cartas a cada acontecimento, ela insistiu que nada de importante aconteceria, depois se aproximou hesitante de Snape, apertaram as mãos como em uma despedida normal de duas pessoas que mal se falam, mas ele não soltou sua mão, e disse apenas para que ela ouvisse e Dumbledore que estava próximo:
― Tome cuidado Lilian, as coisas serão bem diferentes agora...
Sam arregalou os olhos e segurou o instinto de recuar. Snape estava tratando-a como Lilian Evans ou era sua impressão? Por que não havia como ele ter informações pessoais dela. Definitivamente ela não estava gostando nada disso.
― Vou cuidar para que ele não esqueça disso... ― Dumbledore murmurou sorrindo. A garota lançou um olhar desconfiado para o diretor, que apenas mudou de assunto ― Então? Vamos Samantha?
Ela se aproximou de Dumbledore que lhe indicou seu próprio braço, olhou ao redor uma última vez e sorriu ao perceber que ele já dera um jeito nas malas. Tudo estava pronto, mas Dumbledore ainda tinha um anuncio a fazer:
― Devo avisar que eu vou demorar um pouco para voltar, isso quer dizer que ficarão na companhia do professor Snape pelo resto do dia ― todos arregalaram os olhos com a notícia e olharam para Snape que apenas voltara a exibir um sorriso maldoso, depois olharam suplicantes para Samantha.
Ela apenas teve tempo de fazer um pedido mudo de desculpa antes de um terrível desconforto e a sensação de que seu corpo estava sendo puxado em todas as direções, o ar faltou. Mas segundos depois, segundos que pareceram longos minutos, sentiu seus pés tocarem o chão firme. Havia acabado de aparatar, sabia disso. Ao levantar a cabeça se deparou com um enorme um palácio branco, para Samantha tudo era claro demais, parecia estar de frente para um templo grego que fora limpo durante sete dias seguidos.
Sem outra escolha, seguiu Dumbledore até um portão rodeado por guardas. A entrada de ambos foi barrada por diversos deles, mas apenas um se aproximou fazendo questão de mostrar sua lança:
― Identifiquem-se, por favor.
― Alvo Dumbledore e Samantha Potter ― anunciou Dumbledore ― Viemos falar com a Alto Sacerdotisa Aleny Collins, ela sabe o motivo.
― A Sra. Collins avisou sobre vocês, podem entrar, um guarda levará até ela.
Os guardas recuaram com suas lanças enquanto três eles indicavam o caminho. Dumbledore e Samantha foram guiados por um corredor muito bem decorado e iluminado. Não havia quadros ou enfeites coloridos, apenas peças que pareciam ser caras demais para ficarem em um simples corredor e moveis muito bem trabalhados. Saindo do corredor entraram em um grande salão onde, próximas às paredes, havia várias cadeiras que pareciam ter sido tiradas da sala de julgamentos do Ministério da Magia. É, Samantha tinha a sensação de estar em uma versão mais clara daquela sala de julgamentos.
― Esperem pela Alta Sacerdotisa aqui, eu vou avisar que chegaram ― o guarda saiu e entrou por uma porta lateral.
Minutos depois uma mulher entrou pela mesma porta acompanhada pelo mesmo guarda que logo depois foi dispensado. Sam engoliu em seco diante da imagem da mulher, parecia que tudo nela se encaixava perfeitamente. A pele clara dava mais destaque aos seus cabelos ondulados e avermelhados, usava um vestido azul-escuro tão longo que chegava a cobrir seus pés, tudo isso se unia ao queixo erguido e aos olhos claros que não expressavam mais nada além de profissionalismo. Aleny Collins sabia muito bem como manter o ar de superioridade.
Mas tudo mudou quando a Alta Sacerdotisa notou a presença de Dumbledore. Fora um pulo da superioridade para a gentileza.
― Que bom revê-lo, Alvo ― sua voz ecoara por todo o salão, era aveludada e gentil.
Dumbledore fez uma pequena reverência:
― Senhora Collins, também é um prazer revê-la. Essa aqui é Samantha Potter.
― Ah sim ― Aleny esboçou um sincero sorriso, virou-se para a garota e a saudou ― Senhorita Potter, é um grande prazer conhecê-la pessoalmente, creio que Dumbledore já explicou quem eu sou e o que você deve fazer, certo?
― Sim, explicou tudo, a promessa, o vira-tempo, controle... entre outras coisas. ― respondeu Samantha começando a ficar nervosa.
― Claro, e como finalmente esse grandioso dia chegou, eu irei reunir todo o Conselho ― anunciou Aleny ficando mais animada com o que ouvira.
― Nervosa? ― perguntou Dumbledore encarando Samantha.
― Um pouco, é meio difícil fazer uma coisa que você nem sabe se vai ou não conseguir, sendo que está sendo observada por um monte de pessoas que você nem ao menos conhece ― Samantha confessou insegura.
― Não se preocupe ― acalmou Dumbledore ― Você vai conseguir, sei que vai.
Samantha sorriu e decidiu prestar atenção em que estaria comandando naquela hora. A Alta Sacerdotisa não havia se afastado muito dos dois e lançava feitiços não-verbais em direção ao teto do salão, rodopiando com um sorriso no rosto. Aquilo fizera Sam perceber que a superioridade era apenas uma máscara usada pela mulher apenas quando necessário, nem mais, nem menos.
― É proibido aparatar neste palácio ― esclareceu ao notar que a garota a fitava curiosa ― Mas como estamos com um pouco de pressa, suspenderei isso por hoje ― Aleny deu um último rodopio e lançou um enorme sorriso para ambos. No segundo seguinte o sorriso sumira e a máscara de superioridade voltara como se jamais tivesse saído dali, então ela ergueu um pouco as mãos e gritou ― Conselho! Reúnam-se!
Samantha sentiu o coração martelar com o susto de ver várias pessoas surgindo no salão, uma a uma, surgindo de uma fumaça branca que sumia quase tão rápido quanto aparecia. Cerca de vinte pessoas apareceram sob a ordem de Aleny, todas escondidas sob suas capas e esboçando a expressão mais séria que conseguiam. Ela não precisou ordenar mais nada, todos apenas seguiram seus caminhos e cada um ocupara uma cadeira. Quatro mulheres foram as últimas a aparatar e ocuparam quatro dos cincos lugares que estavam em mais destaque. Sam tentou prestar atenção nelas, mas Aleny voltara a falar em seu tom profissional:
― Sacerdotes e Sacerdotisas do Conselho Supremo dos Bruxos. Estamos reunidos hoje para testemunhar o começo de um novo destino, tanto para o Mundo Bruxo, quanto para o Mundo Trouxa ― ela fez uma pausa ― Essa ― apontou para a Samantha que arregalou os olhos ― Para quem não se lembra é Samantha Potter, é ela que com o seu poder, dará uma nova chance a esses dois mundos distintos, é ela quem dará início a uma nova era.
― Contudo, como todos sabem, ela deve passar por um processo antes ― lançou um olhar significativo para todos que ouviam e apressou ― Então, vamos logo com isso, não tenho o dia todo... Preparem-se!
Uma enorme mesa surgira no meio do salão e imediatamente vários Sacerdotes e Sacerdotisas levantaram-se e começaram a arrumá-la. Um deles colocara um livro de capa desgastada sobre ela, enquanto outro colocava o vira-tempo bem ao lado, posteriormente uma varinha surgira ali e por último uma caixa de veludo vermelhada colocada pela própria Aleny:
― Tudo preparado, chegou a hora ― ela anunciou satisfeita ― Senhorita Potter, aproxime-se da mesa por favor, vou lhe explicar o que vai fazer.
Samantha engoliu em seco e com um pequeno empurrãozinho de Dumbledore seguiu até a mesa, ficando de frente para os demais membros do Conselho.
― Vamos para os votos necessários ― anunciou Aleny sorridente ― Lembre-se, votos nada mais são do que promessas que levará em sua vida por muitos anos ou toda ela.
Ela passou a mão pelo livro, fazendo Sam perceber o quão incomum ele era. Havia espirais douradas a antigas por toda a capa que eram acompanhadas por pequenas estrelas, dando um ar mais infantil a ele. Como um enorme e mágico livro de contos de fada. Mas bem no meio havia um símbolo: uma lua minguante e presa na ponta dela, como se a suspendesse no ar, havia um singelo pentagrama.
― Esse livro... é tão mágico quanto qualquer um aqui ― a Alta Sacerdotisa revelou, chamando a atenção da garota ― Nele está guardado todo o nosso regulamento, nossas regras e principalmente... nossos votos. Portanto ele guardará os seus votos, caso os quebre nós saberemos. Ele só pode ser aberto por um membro oficial do Conselho ou por alguém que está extremamente ligada a ele, como você.
Então Aleny se afastou do livro e se postou ao lado de Samantha:
― Então vamos começar com os votos ― anunciou calmamente ― Coloque sua mão esquerda sobre o livro.
Samantha obedeceu e tentou ignorar quando a mulher ergueu a própria varinha e apontou para a sua mão.
― Lembre-se que seu principal objetivo será fazer o máximo para que esses mundos tenham uma segunda chance. Salvar o máximo de pessoas que conseguir. E caso quebre qualquer voto, promessa ou regulamento será condenada. Está de acordo?
A garota concordou e respirou fundo quando a varinha de Aleny se aproximou ainda mais de sua mão.
― Samantha Lilian Potter, você promete que irá fazer o que for necessário, e dentro dos limites, para cumprir seu principal objetivo?
― Prometo.
― Então repita a promessa que se passa na sua mente neste exato momento. Concentre-se.
Sam quis parar e dizer que não sabia nada sobre o que acabara de ouvir. Mas segundos depois percebeu que as palavras simplesmente passavam em sua mente e saiam por sua boca.
Assim que terminou, notou que o símbolo do livro começara a brilhar. As espirais do livro agora se mexiam como se estivessem em uma dança sincronizada e subiam pelo pulso da garota. Seguindo o mesmo caminho, uma luz cintilante faiscou para fora da varinha de Aleny e se juntou às espirais. Ambas envolviam seu pulso com firmeza e causavam uma leve queimação, fazendo-a se questionar o que estava acontecendo ali.
― O voto está feito ― anunciou Aleny enquanto guardava a varinha ― Se alguém a contradizer em relação ao Conselho ou ao seu voto, é só mostrar a marca no seu braço esquerdo.
Marca?
Sam ficou confusa até encontrar a bendita marca exatamente no lugar onde Aleny dissera. Arregalou os olhos. Agora em seu braço esquerdo, estava uma cópia exata do símbolo do livro. Uma lua e um pentagrama. Como uma tatuagem feita com seu próprio sangue.
Virou-se para Aleny, esperando não aparentar o quanto estava assustada. Mas a mulher apenas sorria e erguia a caixinha de veludo em suas mãos.
― Receba esse colar em nome da honra e confiança que depositamos em você.
Com a respiração falha e as mãos trêmulas, aceitou a caixa e a abriu, revelando um delicado colar com o mesmo símbolo que agora estava em seu pulso esquerdo. Demorou alguns segundos até ela decidir colocar o colar no pescoço, parecia que estava recebendo um peso enorme, mas ao mesmo tempo não queria mostrar qualquer coisa que não fosse segurança e confiança no que estava fazendo.
― Muito obrigada, é lido senhora Collins ― agradeceu achando a própria voz estranha.
― Por favor me chame apenas de Aleny ― pediu a Alta Sacerdotisa enquanto se aproximava do único lugar vazio e o ocupando. Ficava exatamente no meio das quatro mulheres que haviam chegado por último. Com certeza aquela estrutura mostrava quem estava no comando.
― Então vamos continuar, esta é a Conselheira Celiny Rodriguez, ela vai explicar o resto.
A mulher de olhos marcantes e cabelos castanhos que estava sentada do lado esquerdo de Aleny se levantou e ficou ao lado da mesa.
― Muito bem senhorita Potter ― ela começou em tom animado ― Como não tem uma varinha própria ainda, usará esta aqui para realizar o feitiço, okay? ― avisou indicando a varinha que estava sobre a mesa ― O feitiço terá que ser feito assim, segure o vira-tempo em uma das mãos e mentalize o Mundo Trouxa e principalmente, o Mundo Mágico. Concentre-se bastante nisso e tente manter o controle, depois aponte a varinha para o vira-tempo e lance o feitiço. Retro Temporibus. O professor Dumbledore irá fazer o mesmo, a diferença é que ele não usará o vira-tempo.
― Por quê?
― Somente uma pessoa pode voltar no tempo e permanecer como está, neste caso, esse alguém é você Samantha ― explicou Celiny ― Mas não se preocupe, a mente dele não será alterada, já que ele tem participação no feitiço. ― quando terminou ela sentou-se novamente e completou ― Lembre-se, mentalize o mundo mágico e o mundo trouxa, se o feitiço sair corretamente, você e Dumbledore irão aparatar em Hogwarts como o planejado.
Samantha respirou fundo e segurou o vira-tempo com uma das mãos, depois, hesitantemente agarrou a varinha. Cada célula do seu corpo rezava para que nada desse errado.
Dumbledore se aproximou e explicou:
― Senhorita Potter, para o feitiço ter os efeitos esperados, é preciso que você se concentre com todas as suas forças está bem?
Samantha concordou e perguntou:
― Para que ano voltaremos mesmo?
― Julho de 1994.
― Por que Julho de 1994? ― perguntou confusa.
― Primeiramente pela sua idade, e para que você seja capaz de cumprir seu voto com perfeição, e não se preocupe, terá seus amigos por perto. ― respondeu Dumbledore sorrindo.
― Me deixa ver se entendi... eu vou para o quarto ano?
― Juntamente com seus amigos.
― Mas professor ― ela tentou protestar ― Não entendemos nada de magia, como vamos para o quarto ano?
― É por esse motivo que iremos pra Julho, vocês irão para Hogwarts e com a ajuda dos professores, receberão aulas pelo tempo que for necessário.
Samantha achava impossível aprender três anos de estudo em apenas alguns meses, mas estava falando com Dumbledore, não havia como contradizê-lo.
O diretor se aproximou dela que já tentava mentalizar tudo o que era necessário, juntamente com a data, julho de 1994, varias e varias vezes. Toda a sua concentração estava sendo focada nisso, ou ao menos ela tentava fazer isso. Mas temeu, mais uma vez, que tudo desse errado quando Dumbledore ergueu a varinha e mirou no vira-tempo.
― Preparada?
Samantha também apontou a varinha para o vira-tempo e concordou:
― Preparada.
― Juntos em 3, 2, 1...
Em uníssono eles disseram:
― Retro Temporibus.
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