My Change
4 Hogwarts
Para Samantha a sensação fora a mesma de aparatar. Sentira os pés tocarem o chão da mesma forma, mas dessa vez estava em Hogwarts. Olhou em volta e notou que não estava só em Hogwarts, estava na sala do diretor mostrando que o feitiço havia funcionado. Em seus olhos a sala era exatamente como descritas nos livros: os moveis, os quadros, a enorme janela, a fênix... Mas precisava admitir: é bem mais prazerosa vê-la pessoalmente.
Notou também que os antigos diretores a encaravam assustados de seus quadros, provavelmente curiosos para saber como uma garota surgira sem motivo no meio da sala do diretor em pleno julho e quem é ela. Mas não havia tempo para eles, Dumbledore já estava sentando em sua famosa cadeira, com as mãos cruzadas sobre a mesa.
― Chamei a professora McGonagall, ela irá lhe mostrar o caminho até o dormitório da Grifinória ― disse com um largo sorriso ― E quanto aos seus amigos, avisarei quando chegarem. Deixarei que eles aproveitem um pouco mais a companhia de Severo.
Samantha sorriu largamente. Sim, tanto ela quanto Dumbledore sabiam que provavelmente ela será escolhida para a Grifinória. E sim, ela também sabia que Dumbledore não deixaria passar a chance de deixar Severo Snape e quatro crianças juntos uma tarde inteira.
Naquele momento ela seria capaz de conjurar o melhor patrono já visto. Estava em Hogwarts, teria a chance de conhecer Minerva McGonagall pessoalmente e ficaria no dormitório da Grifinória!
― Vá descansar senhorita Potter, foi um longo dia.
O sorriso dela sumiu. Descansar? Como assim descansar? Como Dumbledore tinha a coragem de pedir para que ela fosse descansar? Tinha acabado de chegar em Hogwarts!
― Ou pode conhecer o castelo ― ele completou ao notar a expressão dela.
Ambos fitaram a porta ao ouvirem leves batidas.
― Entre ― Dumbledore autorizou.
Minerva McGonagall adentrou a sala em passos lentos, seus olhos longo encontraram a garota, estranhando a presença dela ali:
― Mandou me chamar Alvo?
― Sim, Minerva ― concordou Dumbledore sorrido, logo depois indicando Sam que esboçou um sorriso educado ― Essa é Samantha Potter, ela pertence ao grupo que comentei com você anteriormente.
― Potter? Eu não sabia que havia uma Potter ― a professora comentou com interesse enquanto se aproximava.
Samantha esboçou um sorriso amarelo, sabia o que a professora estava pensando: um parente de Harry Potter. Mas até onde todos sabiam, não havia nenhum parente de Harry com o sobrenome Potter registrado.
― Pode levar a senhorita Potter até o dormitório da Grifinória? ― pediu Dumbledore.
― Certamente ― concordou Minerva ainda fitando Samantha, desconfiada ― Me acompanhe senhorita Potter.
O caminho foi silencioso. Minerva ainda tentava encontrar respostas para as suas dúvidas, todas elas em relação à garota que estava ao seu lado. Porém, Samantha apenas tentava gravar cada detalhe dos corredores, seria difícil lembrar de tudo aquilo. E se as escadas se mexessem? E se entrasse em um corredor errado? Mas seus medos de se perder foram calados quando finalmente chegaram no quadro da mulher-gorda, Minerva murmurou um “Boas Férias” que Samantha gravou como sendo a senha, o quadro abriu passagem e finalmente ela estava diante do Salão Comunal da Grifinória.
O vermelho era cor predominante, como já esperava. As poltronas estavam organizadas ao redor da lareira apagada e somente algumas estavam espalhadas aleatoriamente. Tudo estava organizado, sem bagunça, sem livros. Minerva a apressou e mostrou o dormitório feminino, onde as coisas de Samantha já estavam organizadas. Ela sorriu largamente, era o primeiro dia do resto da sua vida, uma vida que jamais imaginaria para si, ou para qualquer um do seu mundo.
― Caso precise de alguma coisa é só mandar um elfo me chamar, já que ainda não sabe onde fica minha sala ― ofereceu a professora já dando às costas para o dormitório.
― Professora?
― Sim, senhorita Potter?
― Por acaso a biblioteca está aberta?
Minerva acabou concordando em mostrar o caminho até a biblioteca, afinal, não deixaria a menina trancada no dormitório pelo resto do dia. Samantha nem percebia o tempo passar dentro daquela enorme biblioteca. Havia tantas estantes e tantos livros, alguns até flutuavam alheiamente sob sua cabeça, como se procurassem seus devidos lugares. Ela caçou um sobre feitiços não-verbais básicos e começou sua leitura. Até onde via não tinha mistério no ato de praticar magia. Tudo dependia de foco e concentração. Esse era o segredo. Sem isso tudo dava errado. Sua mente vagava pelos confins do deserto e sua magia falhava miseravelmente.
Só fechou o livro quando sua barriga falou mais alto. Mas essa reclamação ela ignorou, ainda tinha muitos corredores para conhecer. Os corredores possuíam um certo padrão entre eles, todos possuíam quadros em suas paredes, estatuas e candelabros. Quase todos eram iguais, sentiu até falta dos fantasmas. Sem perceber chegou até os jardins e respirou fundo, era bom sentir aquele ar puro. Tirou os sapatos e correu, sentindo a grama seca sob seus pés e o sol iluminando seu rosto sem pena. Mesmo assim sorriu mais uma vez. Aproveitaria cada momento dentro daqueles terrenos, era uma promessa que fazia a si mesma.
Olhou ao redor procurando algo para vasculhar e se esgueirou pelas paredes cobertas do castelo. Bem mais ao fundo, entre duas paredes que quase formavam um beco, havia algo parecido com uma porta. A curiosidade de Samantha aumentou ao se aproximar. Uma grade protegia a entrada do beco. A garota vasculhou cada canto dali a procura de uma maneira de entrar, mas assim que encostou na grade a mesma se afastou, abrindo uma pequena passagem. Estreitou os olhos em desconfiança e notou que havia mesmo uma porta no fundo daquele beco. Aproximou-se um passo e no mesmo ato recuou. Algo não a deixava passar, como uma barreira. Bufou e deu meia volta, tentaria novamente outro dia. A porta não sairia dali.
Voltou ao dormitório já irritada, toda a sua curiosidade a puxava de volta para aquela porta misteriosa. Nunca havia escutado sobre aquela porta, e não lembrava de algo assim em nenhum dos livros. Talvez fosse melhor revê-los depois. Passou a mão pela nuca e notou que ainda usava o vira-tempo, fez uma nota mental para devolvê-lo a Dumbledore. Mas esqueceu de tudo quando atravessou a entrada da Sala Comunal da Grifinória. Havia um elfo doméstico de costas para ela, arrumando uma bandeja de comida.
Dobby.
Não havia ali apenas a emoção de ver o famoso Dobby pela primeira vez, havia também o seu primeiro encontro com uma criatura totalmente diferente da realidade que estava acostumada.
― Continue agindo naturalmente Samantha... ― ela murmurou para si mesma enquanto se aproximava do elfo e chama-lo, hesitante ― Dobby?
O elfo virou-se abruptamente, mas já sorria com entusiasmo.
― Senhora Potter! Dobby recebeu ordens para trazer comida para a senhora. Sente-se!
Ela sorriu em agradecimento e se sentou na poltrona mais próxima à mesa onde estava a bandeja
― Obrigada. E por favor, tente não me chamar de senhora.
Ofereceu comida a ele que recusou de forma educada e frenética, segundos depois Dobby se despediu e sumiu em um pop. Sam não viu outra escolha senão comer pelo menos um pouco. Quando terminou apenas se acomodou mais na poltrona e esperou. Esperou por tempo demais, talvez até horas até escutar bicadas no vidro. Sorriu ao encontrar uma coruja carregando uma carta, então seu sorriso aumentou: Dumbledore estava avisando que seus amigos chegaram.
Minutos depois um furacão de cabelos castanhos passou pela entrada e derrubou Samantha no chão.
― Sam!
― Jenni, por favor, está me sufocando ― balbuciou Samantha.
― Sai de cima dela Jennifer ― insistiu Jon ― Só ficamos algumas horas sem vê-la.
― Senhorita Potter, acho que pode mostrar o castelo a seus amigos amanhã, certo?
Samantha nem havia notado a presença de McGonagall ali, mas concordara ainda jogada no chão:
― Certo, professora.
Lysa ajudou a amiga se levantar e a abraçou em seguida.
― Então, como foi? Deu tudo certo? ― questionou Jon interessado.
― Até onde vi, sim ― Sam concordou ― Estamos aqui, não é?
― E o que é isso no seu braço? ― questionou Lysa apontando para o pulso esquerdo da outra.
― É a marca do Conselho, disseram que ela pode me ajudar em algum momento. E como foi passar o dia inteiro tendo Severo Snape como companhia?
― Horrível ― rosnou Jon entre dentes.
― Ele ficou nos encarando o tempo todo ― resmungou Jenni crispando os lábios ― Eu não entendo como ele consegue ser assim!
― Logo depois que você e Dumbledore foram embora, Snape apenas sentou no sofá e ficou nos encarando... Ele nem piscava, é claro que nós desviávamos o olhar, não agüentávamos por mais de dez segundos ― completou Jon indignado.
― Acho que ele estava tentando ler nossa mente, eu só não sei o porquê ― comentou Lysa desconfiada.
― Então ainda bem que desviaram o olhar ― brincou Sam, rindo.
Os três lançaram olhares raivosos a ela, que decidiu mudar de assunto:
― E lembram de algo? Sobre...
― Nós fomos até o Conselho ― Lysa a interrompeu para esclarecer ― Eles lançaram um feitiço sobre a gente para que pele menos pudéssemos lembrar de onde viemos.
― Só não lembramos da história, mas o resto nós sabemos ― completou Jenni.
***
Samantha nunca teve problemas para dormir, mas depois que todos foram vencidos pelo sono e ela finalmente deitara em sua cama, concluiu que sua primeira noite em Hogwarts não seria nada fácil. Quando conseguiu dormir fora acordada por um pesadelo sem sentido onde via apenas a escuridão, como se estivesse presa em um abismo sem fim, caindo pela eternidade. Depois disso ficou horas revirando-se na cama, sentindo sua cabeça latejar cada vez mais.
― Merda... ― murmurou ao sentir mais uma pontada.
Bufou e desistiu de continuar ali. Caminhou lentamente até o banheiro, temendo acordar alguma das meninas.
― Merda ― xingou de novo ao olhar-se no espelho e notar que o maldito hematoma ainda estava ali, como se alguém tivesse jogado um taco de beisebol na sua testa. Respirou fundo e molhou o rosto, sentindo o local arder apenas com o mínimo contato com a água.
O hematoma era o efeito de algum encantamento que escondia alguma coisa. E ela já tinha uma ideia do que deveria ser o que estava escondido justamente ali. Mas se estivesse certa então estaria com sérios problemas.
Quando o sol nasceu ela já estava de banho tomado e completamente arrumada. Como ainda era cedo e todos ainda dormiam, decidiu esperar o tempo passar na sala comunal e acabou encontrando, descansando em uma das poltronas, uma coruja das Torres carregando uma mensagem. Sam abriu a carta ansiosamente e leu apressadamente as informações que Dumbledore descrevia.
As refeições ocorreriam no Salão Principal como o de costume e o horário das aulas seriam um pouco diferente para que o pequeno grupo possa usufruir de todas as aulas necessárias sem morrer de cansaço.
O café-da-manhã seria às sete, mas ainda faltava uma hora.
― Melhor chegar cedo, do que se atrasar ― concluiu antes de voltar ao dormitório.
Sorriu ao ver as amigas dormindo tranquilamente, quase podia vê-las xingando em alto e bom som depois de descobrirem que teriam que acordar antes das oito todos os dias por muitos anos.
Seu primeiro alvo era Lysa que estava mais perto e parecia estar tendo um sonho muito bom. Então bruscamente jogou um travesseiro nela e gritou:
― Acorda sua nerd! O sol já nasceu!
A garota soltou uma exclamação e acabou caindo da cama. Levou só alguns segundos para que ela se levantasse rubra de raiva.
― Samantha Lilian Potter o que pensa que está fazendo? Me acordando a essa hora da manhã!
― Bom dia para você também nerd.
― Ora, não me venha com essa Samantha, como seu fosse a sabe-tudo por aqui ― Lysa retorquiu ajeitando as cobertas de qualquer jeito.
― A Hermione não está então você é a sabe-tudo por aqui e aceite nerd como um apelido carinhoso ― Sam retrucou sorrindo.
― É bem eu mesmo que fiquei o dia todo na biblioteca.
― Olha só quem fala. Você só não me fez companhia por que não estava aqui.
Sam se afastou, deixando-a resmungar sozinha e ficou ao lado da cama de Jenni, sorrindo marotamente.
― O que tem em mente? ― Lysa questionou mais calma.
― Simplesmente acordá-la ― Sam respondeu indiferente. Curvou-se na direção da amiga e começou a estapea-la freneticamente ― Jenni, acorda!
Ela se sobressaltou se atrapalhou com os lençóis e caiu da cama fazendo Lysa rolar de rir:
― Droga Sam! Me deixa dormir ― reclamou Jenni sonolenta e deitando novamente.
― Então Jennifer Smeats McLister vai recusar a chance de acordar o irmão antes das sete da manhã? Que decepção... ― Sam acusou tentando conter a risada.
Em um segundo Jenni já estava de pé e completamente acordada.
― Ótimo. Já acordaram, se arrumem para irmos para o Salão Principal e Jenni a chance de acorda seu irmão é séria, okay? Ele dorme que nem pedra.
― O que vamos fazer no Salão Principal? ― perguntou Jenni revirando seu malão.
― O que acha que vamos fazer lá? Jogar basquete? ― Sam questionou sarcástica ― Comer é claro. Espero você lá embaixo.
Minutos depois Lysa desceu sozinha. Sam arqueou uma sobrancelha sem entender:
― Onde está Jenni?
Foi então que um grito ecoou por toda a torre, seguindo de um banque abafado e vários palavrões.
― Isso responde a sua pergunta? ― questionou Lysa rindo.
Somente alguns minutos depois Jenni desceu com um belo e orgulhoso sorriso no rosto.
― O que você fez? Entrou atirando? ― Sam perguntou curiosa.
― Quase isso... apenas fiz meu trabalho de irmã mais nova ― ela respondeu ainda sorrindo e em seguida gritou ― Jon! Anda logo ou vou morrer de fome!
A porta do dormitório masculino foi praticamente chutada e por ela passou um Jonathan totalmente rubro de raiva.
― Pois que morra! Quem você pensa que é para me acordar daquele jeito? ― rosnou enquanto descia as escadas.
― Sua irmã é claro ― respondeu Jenni já atravessando o quadro da mulher-gorda.
Foi fácil encontrar o Salão Principal, mas Sam tinha que admitir que a cena lhe parecia incomum. Diferente do que pensou, havia somente duas mesas das quatro totais ali. Uma delas estava quase completamente ocupada por professores que conversavam e riam entre si como se estivesse no meio de uma festividade, já a outra estava visivelmente mais vazia e quieta. E era justamente nesta que Severo Snape estava sentado.
― Grande novidade... ― Jon murmurou revirando os olhos.
Jenni gastou todo o caminho até ali reclamando sobre como as coisas estavam mudando e ela odiava mudanças drásticas. Jennifer podia ser alegre e espontânea na maioria do tempo, mas as vezes até o mínimo e banal detalhe a irritava.
― Você é que gostava de Feitiços ― resmungou olhando para mim e então passou para Lysa ― E você de Poções!
Isso tudo era porque ambas estavam com os livros trocados. Sam agora tinha uma súbita e forte vontade de ser boa naquilo que Severo Snape ensinava.
― Isso é tudo por que trocamos a porcaria do livro? ― perguntou Lysa perdendo a paciência enquanto erguia seu livro de Feitiços não-verbais como uma prova de crime.
Sam se desligou da discussão inútil e encarou a mesa mais vazia novamente. Snape era o último de um dos lados da mesa, podia simplesmente sentar ali e tentar chamar sua atenção. Mesmo que fosse em vão. Olhou ao redor e depois o fitou novamente.
― Gente, venham aqui rápido ― Lysa chamou abruptamente.
A atenção de Sam foi para ela e percebeu que ambas compartilhavam o mesmo pensamento: tinham que conseguir a atenção de Snape.
Lysa não sabia muito bem o motivo, mas sentia em cada célula do seu corpo que uma aproximação entre Samantha e Snape era essencial. E Sam agradeceu por isso.
O grupo se afastou da porta do Salão para fugir de possíveis olhares dos professores ou de Dumbledore.
― Temos um assunto a decidir ― Lysa anunciou tentando soar séria ― Viram o Snape?
― Ele estava conversando com um dos professores ― respondeu Jon indiferente ― Parecia distraído. Temos chance de sentar longe dele.
― Não ― Lysa e Sam negaram em uníssono.
Sam suspirou e esclareceu sob o olhar incrédulo de Jon:
― Eu vim aqui em uma missão e Snape é essencial nisso.
― Precisa manter contado com ele para concluir essa “missão”? ― questionou Jenni com um pouco de sarcasmo.
― Para concluir? Não. Mas para ter sucesso e fazer as coisas serem diferentes? Eu preciso de mais, preciso ser amiga dele.
Jenni e Jon arregalaram os olhos.
― O quê? Quer ser amiga dele? ― Jon questionou descrente.
― Não me entenda mal Sam ― completou Jenni ― Posso não lembrar muita coisa e não conhecer aquele cara muito bem, mas se há uma coisa bem clara em Severo Snape é que ele não é amigo de muita gente. E com certeza ele não vai ser amigo de uma aluna Potter.
― Ela precisa tentar ― interviu Lysa sabiamente.
― Eu preciso tentar ― Sam repetiu veementemente ― E ficar longe é o que ele espera de todos, preciso fazer o contrário, preciso chamar sua atenção. Mostrar que posso ser diferente.
Jenni e Jon se entreolharam desconfiados, logo Jenni suspirou cedendo:
― O que temos que fazer?
Sam sorriu em agradecimento e explicou:
― Você e Jon iram sentar próximo dele, mais precisamente ao lado. Eu e Lysa iremos sentar de frente para vocês.
Eles já iam protestar quando Lysa interrompeu:
― Lembrem-se, não demonstrem medo, ele é que nem cachorro, sente o cheiro do medo.
― Espera ― interrompeu Jenni ― É para chamar a atenção dele para você, não é?
Sam lhe lançou um olhar desconfiado e complementou:
― De uma forma boa, é claro.
Quase se arrependeu ao ver o sorriso malicioso e convencido de Jenni, mas já estavam entrando no salão quando reparou nesse detalhe. Respirou fundo, seguiu seus amigos e hesitantemente sentou quase em frente a Snape.
Sam abriu seu livro enquanto se servia do mínimo de comida possível. Havia percebido que a presença de Snape lhe deixava mais nervosa do que imaginava. Sentia uma mistura de medo e admiração. E essa mistura era estranha para ela. Minutos se passaram com um silêncio pesado e incômodo, até mesmo Snape tinha parado de murmurar uma conversa com o colega ao lado.
Ela engoliu em seco, empurrando sua comida para o estômago enquanto pensava no que fazer futuramente. A ajuda de Snape era essencial, mas onde? Em tudo? Talvez. Aquele era o professor mais temido de Hogwarts, o melhor amigo e espião de Dumbledore e o mais fiel seguidor de Voldemort. Tê-lo ao seu lado seria tão precioso quanto ter em mãos um livro sobre Voldemort.
Sem controle da magia, sem mudanças. Repetiu mentalmente. Não adianta se apressar ou pensar no que fazer se nem conseguia levitar uma pena ainda. Como...
― Agora chega.
Seu livro foi fechado bruscamente fazendo-a se sobressaltar de susto enquanto o barulho ecoava ao redor dela. Ainda de olhos arregalados fitou a responsável pelo ato, Jenni, que sustentava um olhar irritado.
Eles a fitaram sem entender.
― Já ouviram falar de pausa para comer? ― ralhou Jenni cruzando os braços e bufando ― Será que não podem parar de ler por quinze minutos e comerem em paz? E não me olhe assim Lílian.
Sam arregalou os olhos, deixando-a de fuzilá-la. Jenni tinha feito, tinha dito o seu segundo nome. E não importava se já tinha sido chamada assim até por Snape porque até os olhos arregalados dele entregavam sua surpresa.
Respirou fundo tentando se controlar. Por que Jenni havia feito aquilo? Fitou a amigo de modo significativo, mas a outra apenas continuou a resmungar com ela, agindo naturalmente sob o olhar confuso e surpreso de todos. Foi então que Sam notou: Jenni estava criando uma cena, atuando. As palavras dela voltaram a sua mente: É para chamar a atenção dele para você, não é?
― E você também Elysabeth ― Jenni continuou se inclinado e fechando o livro de Lysa que imediatamente acordou do transe e começou a reclamar.
― Hey! Eu estava em Feitiços Convocatórios mais usados! Vou ter que o começar tudo de novo mais tarde.
― E eu já estava em Soluções para Venenos Simples! ― Sam exclamou entrando no clima e fingindo indignação ― Faz ideia do quanto essas soluções são mais complicadas que os venenos?
Jenni sorriu minimamente e logo voltou ao seu tom mais irritado e implicante:
― Eu não quero nem saber, não vão ver isso tão cedo mesmo.
― Não custa nada começar agora, devia tentar ― retrucou Lysa bufando logo em seguida.
― Não quero ser nerd, obrigada ― retorquiu sarcástica e em seguida fitou Sam de modo significativo ― E não é sobre isso que eu quero falar.
Sam entendeu novamente. Outra cena estava por vim.
― Do que quer falar então srta. Não Quero Ser Nerd?
― Da sua dor de cabeça ― Jenni respondeu séria, o sorriso de Sam sumiu imediatamente, mas ela continuou ― Eu sei que passou boa parte da noite sofrendo com essa dor. E depois de tudo o que aconteceu, estou começando a ficar preocupada.
De relance Sam notou que Snape ainda tinha a atenção neles. A cena de Jenni estava funcionando, mas estava indo para um caminho que Sam não queria.
― Não se preocupem, foi apenas uma dor rápida. Será que podem esquecer isso?
― Nem pensar ― os três afirmaram ao mesmo tempo.
― Com licença, você disse dor rápida? ― questionou Jenni descrente ― Eu devo ter sonhado nas três vezes que acordei durante a noite e vi sua cama vazia.
― Por que acordou três vezes?
― Querida, foi a primeira noite em Hogwarts. E tinha o direito de estar nervosa.
― Acho que devia aprender Legilimência ― Jon sugeriu subitamente.
Sam quase se engasgou com o próprio ar enquanto as duas concordavam.
― O quê? Não, não, não e não. Não existe motivo para tanto.
― Não existe motivo para tanto? ― Lysa franziu o cenho incrédula ― Você é responsável por toda uma história, deve ser a primeira a saber quando as pessoas não estão acreditando em você. E a Legilimência não é a “arte de ler mentes”? Então vai ajudar bastante.
― E até onde vejo é você que tem uma suposta cicatriz na testa ― complementou Jon antes de dar uma garfada em seu bolo.
― E o que isso tem a ver? ― Sam questionou exasperada.
― Você sabe muito bem.
Ela suspirou. Claro. Quase tinha esquecido o maldito elo entre Voldemort e Harry.
― Fale com Dumbledore ― Jenni insistiu.
― Não.
― Por quê?
― Ele já tem muitos problemas para lidar!
― Se você não falar eu falo.
― Não faria isso Jennifer.
E foi então que ela avistou. O azar batendo a sua porta enquanto Dumbledore passava bem perto da mesa onde estavam. Jenni lançou um último olhar de “eu te avisei” e levantou-se abruptamente, seguindo em direção a Dumbledore. Sam arfou e a seguiu, ainda conseguindo ouvir o inicio da conversa.
― ... conversar sobre a Sam ― dizia Jenni.
― Claro, pode falar Srta. McLister ― concordou Dumbledore serenamente.
― Eu acho que ela devia aprender Legilimência e Oclumência com o professor Snape.
Sam podia ter matado a amiga naquele momento.
― Não professor, eu não preciso aprender nada disso ― interrompeu.
― Eu quero saber o motivo desse pedido ― o diretor pediu.
― É que ela devia ser a primeira a saber se uma pessoa acredita ou não nela, não acha senhor?
Para Sam aquele motivo podia ser ridículo perto de outros que ela mesma poderia dar e percebeu que Dumbledore pensava quase a mesma coisa. Não era um motivo muito bom. O problema é que era Dumbledore, sempre pensa em tudo.
― Eu concordo com sua amiga Samantha, eu vou conversar com o professor Snape e logo saberá as datas e o horário de suas aulas ― ele respondeu olhando em volta e fazendo Sam fuzilar a amiga que sorria orgulhosamente de novo ― E avise aos seus amigos que hoje você irão ao Beco Diagonal. Eu só preciso encontrar um professor disponível... Ah, sim.
O diretor começou a seguir caminho inverso que as duas tinham feito para chegar até ele, aproximando-se de seus amigos. Só que só havia um professor por ali. Fracamente! Nunca pensei que Snape fosse tão desocupado.
― Por que ele está indo em direção ao Snape? ― questionou quase em desespero ― Diz que eu estou tento um pesadelo... por favor.
― Está bem... é um pesadelo ― Jenni respondeu no mesmo tom.
Seguiram até a mesa onde Dumbledore já estava conversando com Snape que parecia estranhamente bem interessado, o que fez Sam franzir o cenho, confusa. O diretor virou-se para elas sorrindo a fazendo ter certeza de seu azar.
― O professor Snape concordou em dar aulas a você Samantha e também concordou em acompanhar vocês até o Beco Diagonal.
Sam se conteve, mas viu seus amigos inclinarem suas cabeças em direção a Snape e o olharem boquiabertos. Snape por sua vez apenas os olhou indiferente e disse:
― Vejo vocês no Saguão de Entrada em vinte minutos e nem um minuto a mais.
Fale com o autor