My Bulletproof Heart

3 2-What the hell am I doing?


Notas iniciais
Não, eu não vou ficar postando todo dia. É que eu vou viajar de volta pra casa e não sei quando vou poder postar, então... É.

Corri o mais rápido que eu pude naquela quadra, vez ou outra tropeçando sem querer, mas mesmo assim manti o ritmo.

Os dois valentões eram Daniel White e Timothy Allan, e eram os piores caras da escola inteira: Idiotas, burros, metidos e fortes.

Muito fortes.

-Ei, vocês dois! Larguem o novato! – gritei para as duas massas de músculo.

Daniel era grande, musculoso e tinha o cabelo curto e loiro. Seus olhos eram pretos e pareciam dois abismos. Já Timothy era igualmente grande e musculoso, mas seu cabelo era negro e os olhos eram verde-escuro.

Não eram as pessoas mais bonitas de ser ver.

Timothy segurava o peito de Gerard, prensando-o contra a parede branca da quadra. O novato provavelmente estava me encarando com um olhar de “Está ficando doido?”, mas meu olhar não estava direcionado a ele, mas sim aos dois grandalhões.

-... Oi?

-É isso aí, larga o novato!

Os dois se entreolharam e começaram a rir.

-Tá bom, fracote, agora sai da minha frente! – disse Daniel, me empurrando. Caí para trás e machuquei minhas costas. Só assim, notei a platéia que nos olhava. Levantei-me rapidamente e empurrei Daniel de volta. Todos prenderam a respiração e me olharam, com os olhos arregalados.

-Você tem problemas mentais, Frank?! Volta já pra cá! – gritou Ray lá do pátio.

-Já que é assim... – murmurou Timothy, soltando Gerard, que caiu no chão, arfando – Acho que podemos acabar com você ao invés de acabar com ele.

Um deles tentou me acertar com um soco, mas eu desviei. Outro tentou me chutar, mas desviei também. Dei uma rasteira em Daniel e soquei-lhe o rosto.

Cinco segundos depois, notei que não tinha sido a coisa mais inteligente a fazer.

Timothy conseguiu me segurar por trás, enquanto Daniel, o rosto sujo de sangue, me dava vários socos em várias partes do meu corpo.

Dez minutos de socos depois, eles falaram:

-Isso é pra você aprender a não se meter com gente maior que você, idiota!

Fiquei deitado lá, totalmente acabado e com meu corpo inteiro doendo. Toda a platéia ao redor de mim ria. Fechei os olhos e pensei:

Frank Anthony Thomas Iero Jr, você é a pessoa mais retardada e problemática do século.

De repente, notei que a claridade tinha diminuído através dos meus olhos fechados. Abri-os e notei que alguém me observava.

-AAH! – levantei-me rapidamente e me afastei, mas me arrependi rapidamente ao sentir meu corpo todo latejar.

-Calma! Calma, sou só eu. – disse o novato com a voz rouca – Eu não queria te assustar! Você... Você está bem?

-Sim, claro... Ai! – fiz uma careta de dor ao sem querer tocar meu braço.

-Você não está bem... – ele disse isso, amargurado – Me desculpe, você apanhou por mim e você nem me conhece... Sinto muito mesmo...

-Não tem problema. – interrompi-o.

Ele me olhou com uma expressão estranha...

Era piedade.

A coisa que eu mais odeio nesse mundo.

-Bom. – respondi, me segurando para não dar um chute na bunda do menino – Eu vou indo...

-Você deveria ir à enfermaria...

-O que você acha que eu vou fazer? – respondi rispidamente, sem olhar para trás. Atravessei a quadra e, ao chegar no pátio, me encontrei com Bob e Ray.

-Puta que pariu, cara, por que você foi pra lá? Você podia ter morrido de hemorragia! – Ray parecia aflito.

-Ele tem razão, cara. Isso foi suicídio.

-Bob, Ray, calma. Eu sei o que eu estou fazendo. – mentira, eu não sei o que estou fazendo.

-Tem certeza?

-Sim. – não.

Eles deram de ombros.

-Então tá. Você vai para a enfermaria, não é?

-Não, imagina, Bob. Vou lá pro parque de diversões. Eu e o meu corpo doendo. – respondi de mau humor.

-Calma, flor do campo. – ele arregalou os olhos enquanto me seguia.

-Me esperem aqui fora, sim? E se vocês saírem correndo, eu juro que vou dizer aos dois grandalhões que vocês os xingaram. Vocês vão terminar iguais a mim. – ameacei. Os dois se entreolharam e sentaram no banco perto da enfermaria.

A enfermaria não era lá muito grande. Era clara e bem iluminada, com janelas que deixavam a luz do sol entrar.

Praticamente, é por isso que eu detesto a enfermaria.

Continuando, a sala estava abarrotada de estantes com os mais diferentes remédios e objetos medicinais.

A menina que estava lá se chamava, segundo a plaquinha, Jennifer Parker. Naquele momento, ela não parecia estar ocupada, pois apenas catalogava alguns remédios.

-Ei. – chamei a atenção dela.

Jennifer olhou para mim.

-Olá.

Ela tinha olhos azuis, cabelos loiros e parecia ser do segundo ano. Provavelmente era uma estagiária que ficava ali enquanto a mais velha não chegava.

-Quem é... Espera, você é aquele menino que estava brigando na quadra, não é? Eu vi você se atracando com aqueles dois grandalhões do terceiro ano... Por que fez isso?! – ela parecia escandalizada, com sua vozinha fina.

-Não é da sua conta. – em outras circunstâncias, eu provavelmente daria em cima dela e ganharia outro soco, mas meu humor não era o melhor do mundo e meu corpo estava latejando demais, o que não me deixava pensar – Ah, que seja, só... Me passa alguma coisa pra parar de doer.

Ela arqueou as sobrancelhas finas, mas pegou uma pomada em um dos armários e começou a passar nos meus braços.

-Eu só vou passar nos seus braços. – ela avisou ao ver meu sorrisinho safado – O resto você passa.

-Eu sei, eu estava brincando. – dei de ombros, mas não foi uma boa ideia, pois logo meu ombro latejou novamente. Ela terminou de passar nos meus braços e me entregou a pomada.

-Termina de passar e me avisa.

Assenti. Dois minutos depois, chamei-a.

-Bom. – ela me avaliou – Não vai precisar ir para casa.

Murmurei um “droga” baixinho.

-Porém... – ela pegou um papel e assinou – Você não vai poder fazer educação física, então... Entregue isso ao professor, sim?

Assenti e saí da enfermaria.

-YES! SEM EDUCAÇÃO FÍSICA! – fiz uma dancinha da vitória bem parada para evitar mais dor. Bob e Ray me olharam, com raiva, enquanto os outros apenas me encaravam com um olhar estranho.

De repente, o sinal bateu.

-Merda, perdi meu recreio inteiro apanhando. – reclamei.

Ray revirou os olhos.

-Tá reclamando do que? Você não vai ter que fazer aula de educação física! Não reclama, viu?

-Tá, tá, tanto faz.

-X-

Subimos para a droga da aula de artes.

A pior aula de todas.

Não era por causa da professora, ao contrário do que vocês pensam. Na verdade, era a aula em si. Eu achava muito chato ficar tendo aulas sobre perspectiva, sobre todos aqueles pintores, escultores, e sei-lá-o-que-ores.

Talvez o fato de eu não saber desenhar direito não ajudava muito, não é?

-Que cara é essa, Frank? – indagou Bob.

-Cara? Que cara?

-Cara de idiota. Ah não, essa é sua cara normal!

-Haha, muito engraçado, Robert. – eu sabia que ele odiava quando chamávamos ele de Robert.

-Ora, cale a boca, anão.

-Olha que eu...

-Depois sou eu que brigo demais. – resmungou Ray.

-O que eu posso fazer se vocês ficam aí me chamando de anão?! – me defendi e os dois reviraram os olhos.

-Boa tarde, turma. – a professora Campbell entrou na sala.

-Boa tarde, professora Campbell. – disse a sala.

-Muito bem, vejo que hoje temos um aluno novo, não? – ela sorriu.

A professora de artes tinha os cabelos cor de mel, olhos verdes-claros e era muito sorridente. Alguns garotos diziam que ela era bonita e eu tinha que concordar que ela era bonitinha, mas não tão linda quanto diziam. Ela era uma professora legal e engraçada...

Mas infelizmente eu não gostava da matéria dela.

-Qual é o seu nome, menino? – ela se dirigiu ao novato.

-Gerard W-Way... – gaguejou ele.

-Muito prazer, Sr. Way! Meu nome é Sarah Campbell. – ela abriu outro sorriso – Muito bem. – dessa vez ela se dirigia ao resto da sala – Hoje eu quero que vocês desenhem uma coisa específica. Quero que desenhem isto aqui.

Ela pôs na mesa dela uma planta qualquer. Era o esperado, já que estávamos estudando naturalismo.

-E lembrem-se de usar tudo o que estudamos até agora: sombra, perspectiva e tudo o mais.

Todos começaram a trabalhar. Naturalmente, meu desenho ficou... Como dizer...

-Uma merda. Meu desenho está uma merda. – suspirei.

-Nem está tão ruim assim, Frank... – Bob tentou consolar-me, mas não funcionou muito.

-CARALHO, MAS O QUE É ISSO FRANK?! PARECE O BICHO PAPÃO! HAHAHAHA!

É... Ray nunca foi a pessoa mais sensível do mundo.

-Meu deus, Sr. Way! – ouvi a professora exclamar. Todos se viraram para o Gerard, tanto que ele começou a corar – Seu desenho está... Está perfeito! – ela levantou o desenho e eu pude ver.

Realmente, as folhas tinham a quantidade de luz e sombra exata, o vaso tinha um formato tridimensional incrível, as flores estavam tão bem pintadas que pareciam de verdade... Em suma, o desenho estava realmente incrível.

-Você... Gosta de desenhar? – perguntou a professora, curiosa.

-Bom... Sim. – ele confessou timidamente.

-Meus parabéns, Sr. Way. Seu desenho foi realmente incrível. – ela sorriu gentilmente. Ele retribuiu o sorriso timidamente.

Todos em volta dele olhavam seu desenho, boquiabertos. E com razão, pois, como eu disse, o desenho era absolutamente perfeito! Franzi a testa, olhei meu desenho e amassei-o, transformando o papel em uma bola. Joguei-a para trás e bufei.

-Que foi Frank?

-Nada não, Ray. Só não estou... Como dizer... Em um bom humor.

-Depois de apanhar até a morte, eu também não estaria.

-Ha-ha-ha.

Fechei a cara enquanto tentava, novamente, desenhar a merda da planta. Enquanto isso, Gerard olhava mais uma vez pela janela, com o olhar vago e visivelmente entediado, já que não tinha nada para fazer.

Suspirei fundo e tentei ignorá-lo e prestar atenção no meu próprio desenho.

Notas finais
Reviews são bem vindas o/