My Bulletproof Heart
4 3-Remember whatever it seems like forever ago
Notas iniciais
Bom, desculpa postar nesse horário, era pra eu postar hoje, mas só consegui terminar agora '-'
Continuamos nossas aulas sem nenhum incidente maior. Quando ouvimos o magnífico som do sinal para a saída, simplesmente jogamos todo o nosso material na mochila e saímos correndo.
–Credo, que dia monótono! – comentou Bob.
–Pra você, que não foi “espancado até a morte”. – fiz sinal de aspas com os dedos.
–É, realmente. E aí, vai estudar para a prova de História?
–Ih, tem prova amanhã? Hm... Acho que vou ter que “ficar doente”. – abri um sorrisinho malicioso.
–Não faz isso não, cara! Pelo amor de deus! Esqueceu que amanhã tem atividade de Geografia que vale ponto em trio?! Você sabe muito bem que nós três precisamos dessa nota! – exclamou Ray.
–Puta merda, é mesmo... Ah, e agora?! – entrei em pânico.
De repente, lembrei-me de uma coisa e relaxei.
–Claro que sempre temos a opção de... Sabe como é... colar.
Ray revirou os olhos e Bob deu um risinho baixo.
–Você ainda vai se ferrar com essas suas ideias... Você sabe muito bem como aquele professor é com as pessoas que colam.
–Verdade, os idiotas que colaram foram todos para a coordenação. Porém... Eu não sou idiota. O que me leva a crer que eu não serei pego colando. Entenderam?
Eles assentiram, desconfiados.
–Oh, amigos de pouca fé. Não se preocupem, não vai acontecer nada.
Ouvimos uma buzina e vi o carro da mãe de Ray. Eu e Bob acenamos para ela. Franzi a testa e lancei um olhar indagador a Ray. Como a casa dele é perto da minha e da de Bob, normalmente ele ia andando conosco.
–Olha, minha mãe já chegou. Eu tenho que ir pra casa da minha tia hoje. – ele revirou os olhos – Vejo vocês depois.
Nos despedimos de Ray. Me virei para Bob e perguntei:
–Então, vamos?
–Não dá... Eu tenho que ir para o dentista... Só estou esperando a minha mãe.
Bufei audívelmente.
–Tá legal. Tchau, Bob.
–Até amanhã.
Joguei a mochila sob meu ombro.
–Hey, garoto! – ouvi alguém me chamar. Me virei e vi aquele mesmo garoto emo da minha sala, o Gerard, correndo atrás de mim.
–Erm... Sim?
–Você mora para lá?
Assenti.
–Ah, eu também! – ele sorriu. Dei um sorrisinho amarelo e rápido – Eu estava pensando... Será que eu podia ir com você?
Suspirei fundo.
–Olha... Ah, tá bom, pode sim. – acabei me rendendo.
–Então... Qual o seu nome? – perguntou ele, andando ao meu lado.
–Frank . Frank Iero. – murmurei.
–Prazer. Acho que você já sabe o meu nome. – ele deu um sorrisinho tímido – Falando nisso, obrigado por... Você sabe... Me defender daqueles garotos do terceiro ano.
–Já disse que não foi nada. – respondi, rispidamente.
–É sério, se não fosse por você, provavelmente eu estaria no hospital agora. Como eu posso te agradecer?
–Não precisa.
Ele ficou em silêncio por alguns minutos. De repente, ele perguntou:
–Por que você é assim?
–Assim como?
–Assim... Amargurado, irritado com a vida... Sei lá!
–Tenho meus motivos.
–Pode até ter os seus motivos... Mas isso não te dá direito de falar assim com as pessoas. Elas não têm nada a ver com os seus problemas.
–Ah, vai por mim. Elas tem sim. – resmunguei.
Ele arqueou as sobrancelhas.
–Eu acabei de entrar na escola. Como que eu vou ter culpa disso?
–Não, não é você que tem culpa.
–Então por que está agindo assim?
–Não é da sua conta, falou? Como eu falo é problema meu e você não tem nada a ver com isso! – desabafei – Você chega na escola, conseguindo a atenção de todo mundo com os seus desenhinhos, mas desculpe, eu já conheci um como você e não vou dar a atenção que você quer, entendeu?! – dito isso, saí correndo, sem olhar para trás. Entrei em casa, fechando a porta com violência. Naturalmente, Evelyn ouviu.
–Sr. Iero? O que aconteceu.
–Já disse pra me chamar de Frank. E não foi nada, deixa pra lá. O lanche já está pronto?
–Quase. Já pode ir sentando na mesa. Falando nisso, sua mãe disse que vem jantar em casa..
Assenti calmamente.
Poucos minutos depois, o lanche veio. Comi tudo rapidamente, subi para o meu quarto e o fechei, caindo na cama. Tudo o que eu queria era esquecer a discussão que eu tive com aquele novato.
POV Gerard
Assisti Frank ir embora. Sabia que não devia ter dito nada, mas ele precisava entender que não é só porque a vida dele não é tão boa que ele tem que sair descontando em todo mundo.
Andei lentamente para casa. Abri a porta e encontrei minha mãe na cozinha enquanto meu pai lia o jornal no sofá da sala.
–Olá, querido! – minha mãe sorriu ao me ver. Sorri de volta para ela e para meu pai – O Mikey ainda não voltou por que? – ela franziu a testa.
–Ele foi para a casa de um menino da sala dele...
–Ah, como ele faz amigos rápido... – comentou meu pai.
–Pois é... – as vezes eu queria ser que nem ele: tão sociável. Ao contrário, eu sou a pessoa mais antisocial da face da Terra.
–E você, fez amigos? – perguntou minha mãe.
Fiz que não com a cabeça. Ela parou de mexer a panela e me abraçou.
–Não se preocupe, você vai fazer amigos, meu bem.
Dei um meio sorriso. Eu não estava tão certo disso.
–Agora vá se sentar. O lanche já está quase pronto.
Assenti e subi para o meu quarto. Joguei a mochila na cama, desci novamente e me sentei na mesa, juntamente com meu pai.
–E aí, como foi o primeiro dia?
–Foi bem...
Meu “Foi bem” foi tão desanimado que, na verdade, nem eu teria acreditado.
–Gerard, você sabe que nós nos mudamos por uma boa razão...
–Eu sei, pai, eu sei. Não estou culpando você. Nem a mamãe. A culpa é minha mesmo, eu não sei fazer muitos amigos.
Ele fez carinho nas minhas costas, tentando me animar um pouco.
Eu sabia muito bem que nós nos mudamos por uma boa razão. Sabia que a culpa era minha. Se não fosse por mim, nós não teríamos nos mudado. Sabia também que a culpa era minha se eu não conseguia me ajustar.
Minha mãe colocou o lanche na nossa frente.
Comi rapidamente e me levantei.
–Estava muito bom, mãe. Obrigado. – dei-lhe um beijo na face e subi para o quarto, fechando a porta.
Suspirei pesadamente, peguei o caderno de Matemática e abri na página do dever de casa.
x2– 8x + 7 = 0... Achar a raiz da equação... Estou esperando o dia em que vou usar isso.
Fiquei aproximadamente uma hora pensando nesses deveres. Quando finalmente terminei, fechei o caderno de matemática e peguei o livro de História.
Esquece. Isso tudo de Guerra Fria não vai entrar na minha cabeça tão cedo.
Quando desisti de estudar para História, peguei um caderno que fica nas gavetas debaixo da minha cama e o abri. Peguei um lápis e uma borracha no meu estojo e comecei a rabiscar qualquer coisa. Não tinha nenhuma ideia formada na cabeça, portanto, só deixei minha mão livre para fazer o que ela quisesse.
Acabei desenhando uma menina muito linda com vestido e cabelos negros. Os olhos demonstravam uma certa dor e seus lábios demonstravam tristeza. A menina usava uma sapatilha.
Por causa da sapatilha, acabei me lembrando de minha avó que morreu ha alguns anos.
Fechei os olhos, sentindo as lembranças de quando eu era novinho invadirem minha mente.
Flashback
–Vovó! Vovó! Olha o desenho que eu fiz!
–Ah, que lindo, Gerard! Quem é?
–É você!
–Ah, ficou muito bom mesmo!
–É para você
–Obrigado, meu bem.
Fim do flashback
Ri baixinho, lembrando dessa cena. O desenho eram uns simples bonecos palitos tortos, mas minha avó tinha adorado tanto que eu acabei acreditando que eu desenhava muito bem.
Foi por causa dela que eu continuei desenhando.
Abri os olhos, virei a página e comecei a rabiscar mais uma vez.
Minutos mais tarde, observei qual era o resultado: Um menino com cabelos negros que tinham uma franja que cobria parte do olho direito, um piercing nos lábios, olhos verdes e estatura baixa.
Frank Iero.
Arregalei os olhos. Por que eu tinha desenhado aquele garoto infantil que acha que só porque a vida é uma merda que ele tem que ser idiota com todos?
Tirei a folha do caderno e a amassei, jogando-a atrás da cama sem querer. Dei de ombros e disse a mim mesmo que depois eu jogaria fora.
POV Frank
Quando acordei, notei que eram cinco da tarde. Me espreguicei e sentei na cama. Peguei o celular e vi:
Uma chamada perdida.
Adivinha de quem?
Ray.
Bufei e liguei para aquela palmeira ambulante.
–Fala, Ray.
–FINALMENTE VOCÊ ATENDEU, FILHO DE UMA PUTA! POR QUE NÃO ATENDEU ANTES?!
–Eu estava dormindo.
–BELA HORA PRA DORMIR.
-Relaxa aí, falou, Ray? O que você quer?
–Eu tenho péssimas notícias: Bob está com febre muito alta e não vai poder ir pra escola amanhã.
Arregalei os olhos. Aquele puto do Bob vai me pagar, na moral.
–Mas é o QUE?! E AGORA COMO EU VOU FAZER A PORRA DO TRABALHO EM TRIO?!
–E eu é que sei?! A gente vai ter que achar outra pessoa!
–É fácil falar, né, Raymond?!
Bufei e tentei me acalmar.
-Qualquer coisa a gente chama o novato...
–NÃO. NÃO. TUDO MENOS ELE.
–Eita, por que? Tá com medo de ter ereção por fazer trabalho com ele, é, bichona?
–Você cala essa porra de boca, Ray. É só que eu e ele tivemos uma discussãozinha hoje na saída e eu não estava afim de olhar pra ele.
–Ok, ok. Briga de marido e mulher, ninguém mete a colher. Ou, deveria dizer, marido e marido?
Contei até cinco bem calmamente.
–Vem cá, você não tem nada melhor pra fazer não? Vai estudar pra prova, vai!
–Eu não! Tenho cara de nerd que estuda?
–... Então vai coçar saco, fazer amigos, QUALQUER COISA. Mas para de encher o saco. – murmurei entredentes.
–Falou, vou assistir filme. Até amanhã, bichona!
Simplesmente desliguei na cara do filho da puta e fui fazer outra coisa.
Afinal, eu tinha coisa mais importante para fazer do que falar com uma palmeira.
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