My Blood Is An Illusion
1 Am I Crazy?
Notas iniciais
E lá estava eu, de novo levantando para ir à escola. Sinceramente, morar em Tóquio, a cidade que nunca desliga era legal. Quando não te acham maluca, isso é realmente legal. Meu nome é Lumy Yomicha. Sim sou japonesa, eu não tinha nada contra minha nacionalidade nem nada. Mas minha família anda tendo algumas complicações comigo.
Só porque eu estou conseguindo ver o mundo de uma maneira diferente, e estou expressando esse olhar, meus pais começaram a achar que eu estou ficando maluca, mas na verdade, eles não entendem que cada pessoa é diferente de cada uma, portanto como consequência seu olhar nunca será o mesmo.
Coloquei meu uniforme e sim, ele é daqueles fofos de saias curtas, blusa de colegial e tênis. Eu simplesmente não conseguia ver fofura nisso, era tudo tão igual em relação ao dia a dia, como diz minha tia “ O mundo ficará tão monótono que saberemos até o depois de amanhã”.
Peguei a mochila cor de rosa, alguns fios negros invadiram minha visão, já irritada em relação a tal acontecimento, peguei um elástico e os prendi em uma trança. Sai do quarto fazendo o maior barulho, já que eu era desastrada mais do que um coelho sem sua cenoura.
Meu pai estava tomando seu café, ele era o que mais implicava com meus trajes e meu jeito de pensar, mas como eu ainda tinha 15 anos, eu não podia “fugir ilegalmente” de casa:
– Bom dia pai... – Murmurei, ele levantou os olhos e assentiu, logo se retirando da mesa e pegando as chaves de seu carro.
– Comporte-se na escola Lumy... – Ele falou batendo a porta, bufei. Como se eu já tivesse feito algo errado na minha vida! Tomei meu café e sai caminando rumo à escola. Minha mãe não trabalhava já que meu pai tinha um emprego que dava muito dinheiro.
Eu não tinha muitos amigos na escola. Apenas a MiCha, ela era a única que ousou se aproximar de mim. Depois de 15 minutos, dou de frente com o portão daquele inferno. É, o meu dia estava apenas começando.
Na escola, todos eram divididos em grupos. Os populares, descolados, patricinhas, time de futebol e os que não valem nada, eu não estava em nenhum por motivos lógicos... Isso é idiotice! MiCha por mais que concordasse comigo, namorava um garoto do time de futebol, o que a fazia ser parte dos populares, mesmo ela não querendo.
Entrei na sala e todos estavam lá, passei reto sem nem levantar o olhar, meus olhos não mereciam ver tamanha desorganização. Sentei em minha carteira e voltei a ler o livro que a escola havia nos recomendado. O diário de Anne Frank... Por mais que fosse um livro ocidental ele era bom. Anne nos mostrava como sua vida foi difícil durante o nazismo, porém a levou como se nada estivesse acontecendo.
Meu irmão logo chegou, sim eu tinha um irmão. O nome dele era Raiden, sinceramente, eu não sabia por que esse nome, mas segundo meu pai, era em respeito a um deus dos céus que os nossos ancestrais acreditavam. Ele sentou em minha frente e deu um sorriso sem mostrar os dentes:
– De novo esse livro? – Ele perguntou observando a capa já gasta de tanto eu já ter relido aquele livro. — Sabe que é só pro final do bimestre não é?
– Sei Raiden... Mas ele é muito bom para deixar pro final... – Raiden era o único que também me entendia, ele sabia que o valor de ainda viver estava baixando de nível.
– Alunos... Por favor se coloquem em seus lugares... – A diretora adentrou na sala, todos se sentaram e a olharam. Eu continuei lendo meu livro sem tirar minha concentração. – Senhorita Lumy poderia me acompanhar?
– Se for para falar da redação sobre “ O que há de ruim no mundo”, não, me desculpe... – Falei virando para a próxima página.
– Senhorita Lumy, você poderia ser um pouquinho mais educada. – A diretora falou rigorosa.
– Seu termo está errado. O senhorita é usado juntamente com o último nome da pessoa. No meu caso é Hikari, então a Senhora Tsuk, deveria saber dessa regra... Como membro superior desse local. – Falei e senti olhares reprovadores sobre mim.
– A Senhorita Hikari irá por favor me acompanhar até a sala, para um assunto de sua família? – Ela disse, bufei e deixei meu livro na mesa. Sinceramente aquela velha era insuportável.
Ela saiu da sala e seguiu para sua sala, eu a segui, porque se não, eu iria virar um torresmo. Logo que entramos dei de cara com minha mãe e duas malas.
– Mas o que... – Iria falar um palavrão mas minha mão me interrompeu.
– Você vai para uma excursão! – Ela falou e eu identifiquei o tom falso em sua voz.
– Vou para um hospital de loucos não vou? – Ela iria falar algo. – Se acha que sou idiota o bastante para acreditar que fui chamada para uma excursão pode parar ok? Me dê isso. – Peguei as malas de sua mão. – Nunca pensei que a senhora faria isso mãe.
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