My Best Shot!

1 Culpada e Despachada


Notas iniciais
Primeira fic nessa conta. Espero que gostem da Taylor, ela é meio exagerada, mas é legal. Postarei uma vez por semana, se puder. Comente se gostar, ou apenas dê sinal de vida! Enjoy!

Disseram que foi tudo culpa minha.

A menor porcaria de problema aparece, e a culpa é minha, só porque eu estava lá.

Só porque eu era a única azarada que estava no “local do crime”.

Mas é claro que não fui eu! Eles simplesmente gostam de me culpar por qualquer desgraça que acontece!

A Eles, eu me refiro aos meus pais. ELES estão agora mesmo resolvendo o “problema” com o delegado Wright, aqui na única delegacia da cidade, enquanto eu fico sentada nesse banco de plástico amarelo mostarda – aposto que nem é a cor real e eles nunca limparam isso aqui -, tão feio, e tão duro como se eu estivesse sentada no próprio chão, na verdade, o asfalto da rua deve ser melhor que esta cadeira, porque vou te contar... Isso aqui é para quando os criminosos se sentarem, já se arrependerem de tudo na mesma hora! Tenho certeza.

E sem falar no tédio que estou passando!

Tédio, oi!

Ai caramba, não já se passaram duas horas? Acho que aquele relógio na parede perto da secretária está quebrado. Ou mega atrasado, porque não tem como terem se passado apenas MEIA HORA que cheguei nessa bosta de lugar!

Já até tentei dialogar com a secretária carrancuda, mas a única coisa que essa velha insensível fez foi lançar um olhar desinteressado e cansado pra mim, logo depois me ignorando e continuar concentrada no computador, como se o fato de jogar paciência fosse a coisa mais legal do mundo do que falar com minha pessoa. Ou qualquer outra pessoa.

– Ei tia, por que está com cara de cansada? Ficou lendo livros de auto-ajuda à noite toda, foi? Sabe, eu quero ser famosa, assim não vou precisar ter empregos chatos como o seu.

E novamente ignorada.

A verdade é que EU sou a pessoa que faz a vida de toda essa gente mais interessante! Minhas confusões e travessuras são o que mantêm o emprego sem graça dessa gente, sem falar no meu talento para arte! Sem querer me gabar nem nada, mas pintura é algo que sei fazer muito bem, pois amo pintar, e no clube de artes da escola todos querem minha opinião sobre suas obras.

Mas os adultos dizem: culpem a Taylor! Ignorem as tentativas de explicação da Taylor! Deixem-na ali sentada na cadeira dura dos diabos pensando nos seus erros e nas coisas horríveis que cometeu. Aconteceu algo horrível? Só pode ter sido a Taylor! Sua TV pifou? Claro que foi a Taylor! Deixem-na para as moscas, já que com o tédio que está passando é bem capaz de morrer!

É a única coisa que eu acho que eles pensam, porque né ...

Ora, sou uma adolescente, dramática ao extremo é meu nome do meio, eufemismo não existe para mim. E sim, gosto de referir a mim mesma em terceira pessoa. Geralmente só em meus pensamentos, não se preocupe.

Mas apesar de tudo, dessa vez não fui eu que fiz merda. Eu realmente não fiz nada!

O que eu mais queria dizer aos meus pais é que já estou arrependida de tudo o que fiz e do que não fiz. Mas se tem algo que não me arrependo foi de ter ficado para trás e salvado aquela velhinha, de ter ligado para a polícia, ter voltado para a casa pegando fogo e soltado o cachorro da velhinha do porão pra correr atrás dos verdadeiros desgraçados que causaram todo esse problema para mim e que antes eu os chamava de amigos! Mas estou até me lamentando por não ter faltado à escola hoje (acredite, tem uma história por trás disso também). Estou completamente arrependida de ter confiado nas pessoas. Será que eu devia é ter saído correndo da casa igual a uma doida pela rua e gritado: “FOGO!FOGO!” e “ AMIGOS LOUCOS E PSICÓTICOS AQUI!” que nem nos filmes?

Mas acha que eles vão me ouvir se eu disser tudo isso? Claro que não! A coisa toda é ainda mais séria para o meu lado também. O Sr. e a Sra. DeSants (leia-se: meus amáveis pais) vão fazer aquilo que o delegado Wright “sugerir”- o que quer dizer mandar e até mesmo obrigar – que façam com a filha problema deles, o que eu tenho certeza que vai ser bem ruim (aquele homem me odeia até seu último fio de cabelo branco). Afinal, é a segunda ou terceira vez que venho aqui só nesses últimos dois meses... Ok, é a quarta vez que sento nessa maldita cadeira dos infernos, e ninguém quer ouvir a fascinante história de quando a heroína Taylor salvou uma idosa em perigo da sua própria casa em chamas e dos delinquentes ex-amigos da tal heroína. E não podemos esquecer o fiel companheiro Pete, o cão da velhinha, que me ajudou bastante.

Apesar de tudo, o fim trágico foi inevitável.

Como todos devem saber, a velhinha foi parar no hospital, por causa da fumaça nos pulmões, e também deve ser porque é velha; o fiel companheiro Pete virou a esquina e sumiu para todo o sempre, mas talvez ainda esteja correndo atrás dos verdadeiros vilões da história, quem sabe? Minhas esperanças se manterão vivas!

Pelo menos uma coisa boa tem que acontecer nessa minha vida, né?

Contudo, a verdadeira questão é: quem vai ser a testemunha de que a Taylor é inocente nessa droga de confusão?

Pois é. Ninguém! Não tinha mais nenhuma alma viva que viu tudo aquilo acontecer, e a velhinha – porque diabos eu ainda estou a chamando de velhinha? Seu nome é Sra. Gregson, pelo menos é assim que todos a chamam, seu primeiro nome é desconhecido -, e ela estaria do meu lado agora se não tivesse ido parar no hospital! A Sra. Gregson é minha vizinha, eu estava lá para uma ação totalmente caridosa, se quer saber, e o Pete nem se fala, quando tudo de repente deu errado.

Não me leve a mau, mas tem um motivo para meus pais não confiarem em mim, ou viverem desconfiados de tudo o que faço e digo. Sei que tenho alguns históricos de problemas que realmente foram minha culpa, e eu aceitei as punições e sermões sem questionar. Mas antes eram problemas pequenos, tipo pequenas travessuras, e que não prejudicariam ninguém a não ser eu mesma. Porque parece que só assim eu consigo a atenção deles, só quando faço alguma confusão que finalmente consigo tirar – às vezes no máximo – umas quatro horas de atenção dos meus próprios pais, que são viciados em seu trabalho. Pelo menos nesses casos eu sei que eles se importam – nem que seja um pouquinho – comigo.

Ou com o meu tão falado futuro. A herdeira da empresa DeSants. Mas meu histórico deve estar podre a esta altura. E também, não é meu sonho/meta/objetivo herdar a empresa, nem louca eu vou ser igual a eles!

– Obrigada pela compreensão delegado Wright, vamos conversar com ela sobre isso logo quando chegarmos em casa. – Minha atenção foi voltada para as vozes que vinham do corredor, a reunião “Todos contra a Taylor” deve ter acabado e agora minha mãe está agradecendo.

– A decisão já está tomada, pode deixar que ela irá para esse lugar daqui a dois dias se tudo der certo. – Esse é o meu pai, aparentemente falando do meu destino final nesta vida terrena. Ele aperta a mão do delegado Wright e o dito cujo responde jocoso:

– Ah, excelente, saibam que é uma decisão muito sábia de vocês, Senhor e Sra. DeSants, é a última chance que estamos dando a ela, e tudo graças a Sra. Gregson que pôde relatar por telefone que sua filha não teve participação total no caso. E graças a Deus que ela já está se recuperando – QUE? Como assim Sra. Gregson? Pensei que você fosse uma idosa boazinha e me conhecesse bem o bastante para saber que não tive absolutamente nenhuma participação no caso.

O delegado Wright e meus pais param de falar ao me notarem ali sentada (certamente já esquecida pelas suas frágeis mentes de adultos ignorantes), encarando-os sem dó nem piedade com meu olhar de pura decepção e ódio .

Pois é, agora eu sou a adulta aqui, me respeitem! Ninguém fala mal de mim ou do meu futuro pelas minhas costas. Isso é totalmente infantil, sabe...

– Filha, vamos embora, já está tudo resolvido. – Minha mãe diz gentilmente enquanto me pega pelo braço delicadamente como se eu fosse uma criança birrenta e me arrasta para fora da delegacia. Entramos no carro de marca e zerinho dela, e ficamos num silêncio super agradável enquanto esperamos meu pai se despedir de novo do delegado Wright e aproveitam para mais uma rodada de elogios a inteligência deles por elaborarem um plano incrível para o destino da dita cuja aqui.

Essas palavras em itálico representam toda a minha ironia, a propósito. Pois não quero que minha mãe e pai sejam presos por abuso infantil. Tem dias que ela me compra sorvete e ele me dá um livro de colorir de presente. YUPIII!

Muitos diriam que é super legal da parte deles. Só que não.

– Quando chegarmos em casa, suba pro seu quarto e faça as malas, entendeu? – Manda meu pai, entrando no carro e dando a partida, nem mesmo querendo saber minha resposta ou olhando uma única vez para a minha cara. Como sempre é curto e grosso e direto.

Bem, já estou acostumada, e se eles vão me mandar para outro lugar, eu não podia estar mais grata. Porque toda essa confusão não deu em nada, eles estão mais quietos que outra coisa, presos em seus pensamentos de empresários, e eu me cansei de pedir atenção a eles, cansei de tentar fazê-los me ouvir. Então que seja, meu futuro de merda está nas mãos do destino.

– Para onde eu vou? Não acham que eu deveria saber disso pelo menos? – Perguntei cruzando os braços e deixando meus olhos vagarem paisagem afora, que não são nada mais que borrões de luzes e a escuridão da noite.

– O delegado Wright indicou um internato para adolescentes como você que fica na Europa, vamos matricular você online, ele ligou para lá e disseram que tem vagas, e daqui a dois dias estará embarcando para a Inglaterra.

– A escola fica em Winchester, ao sul da Inglaterra, querida. Então não será tão frio. Tudo vai ser melhor assim, você vai ver. Queremos que se torne mais responsável e pare de se meter em problemas. – Minha mãe sorriu tranqüilizadora, mas não consegui nem olhar para ela.

Só eu ainda não acredito no que acabei de ouvir?

Eles vão me mandar realmente para fora do país?

Para um internato com adolescentes como eu?

E daqui a dois dias?!

Sinceramente, eu não sei o que pensar sobre isso. Não sei nem que tipo de pais são esses dois desconhecidos aí. Se eles preferem jogar a filha deles para o outro lado do oceano, então que seja. Não irei discutir, não quero saber mais de nada. E também, não há mais nada que me prenda aqui. Se não tenho mais amigos, o Pete sumiu, minha escola sempre foi uma droga completa, meus pais são uns ignorantes, e eu sou a filha problema que deve ser mandada para longe... então ok, eu faço isso. Mas deixarei claro aqui que estou super magoada com eles. Não tenho palavras para descrever a dor que sinto agora. Despachada de casa assim... como se eu tivesse contraído a peste negra.

– Tudo bem mãe, façam o que quiser...

– É para o seu próprio bem, Valentine, chega de manchar o nome desta família! Já causou muita vergonha e importunação para nós esse mês. Cansei de suas palhaçadas! – Declarou meu pai, sempre tão sensível e pensando na família. E insiste em me chamar pelo meu primeiro nome. Deus! O que eu fiz pra ganhar esse nome horroroso?

É por isso que toda vez que perguntam meu nome, me apresento como Taylor, apenas e simplesmente Taylor. Que é o meu segundo nome.

E não Valentine DeSants. Que é a porcaria do nome que carregarei para todo o sempre. Com histórico manchado e tudo mais. Pois é.

– Ricardo! Não fale assim... ela é só uma criança.

– Ela não é mais criança, Victoria! Essa garota só nos arranja problemas! Nunca se comporta, não respeita ninguém, não cuida das próprias coisas. Desastres, só desastres!

Já dá pra ter uma ideia de quem puxei o drama, mesmo que nem ele admita isso. E essas blasfêmias que ele disse é o completo oposto de mim! Eu cuido do meu gato muito bem, já que ele é apenas minha responsabilidade.

E falando no Florence — sim, meu gato macho se chama Florence, porque se tenho um nome ruim, ele também terá — não o deixarei aqui, para meu pai ter um pretexto para jogá-lo num abrigo qualquer de animais. Vou levá-lo comigo para o internato!

Sabe, eu com certeza estou torcendo, com todas as minhas forças, para esse internato ser melhor que aqui. Têm que ser.