My Best Friend
33 Your Touch Hurts Me
Notas iniciais
Segundo mês de gestação
Dia 10 de abril
POV Ally
O calendário marcava terça-feira.
Levantei-me mais cedo, como já havia me acostumado. Retirei a fina camisola de cetim que envolvia meu corpo e adentrei o chuveiro.
Relaxei meus ombros, ao sentir a água quente escorrer pelo meu corpo. Ensaboei-me, dando especial atenção a minha barriga. Sempre que a tocava, sentia um choque percorrer o meu corpo, como uma emoção. Lavei meus cabelos e tratei de terminar logo o banho.
Enrolei-me em uma toalha branca e sai do box. A janela do meu quarto — e do dele também — estava aberta, mas eu não me importei em passar apenas de toalha ali em frente, para pegar uma roupa.
Coloquei uma blusinha bege, simples e um pouco soltinha, que escondia meu inchaço. Vesti um shorts jeans e uma sapatilha creme. Arrumei meu cabelo, puxando duas mechas para trás, prendendo-as em um laço.
Eu não me sentia, de fato, gorda. Mas não podia dizer também que nada havia mudado. Eu estava inchada e com um pouco de gordura na barriga. Tá, isso é normal.
Meus pai não estavam em casa. Provavelmente já haviam saído para o trabalho. Certo, eu teria de ir andando para a escola.
Peguei minha bolsa, colocando os livros e cadernos que precisaria e sai, ignorando o fato de que Austin esperava-me, com seu carro.
POV Austin
Toquei seu braço, gentilmente, fazendo-a parar.
– Você não vai me ignorar, vai? — perguntei.
Mas ela me ignorou. Puxou o braço, soltando-se e continuou a andar. Fui de carro, com a velocidade mínima, observando cada passo que a morena dava.
Dia 16 de abril
POV Austin
Segunda-feira. Os alunos de minha turma teriam de apresentar um trabalho de sociologia e, para isso, usariam roupas sociais.
Ally estava discutindo com o professor, em minha frente.
Todos os alunos, exceto Ally e eu já estavam na sala. A morena e o professor conversavam na porta. Já eu estava um pouco mais para trás, assistindo o homem brigar com a garota por ela ter vindo de rasteirinha.
– Professor, eu já lhe disse: Perdão — disse Ally, parecendo cansada.
– Sem perdão, Allycia. Eu fui bem claro, semana passada, roupa social! E você me vem de rasteirinha!
– Eu posso explicar, professor... Acontece que... bom, nenhum sapato meu está meio que... Eu estou com um problema e...
– Allycia, se você não me der uma boa justificativa agora, ficará com zero na nota do bimestre.
Ally suspirou, derrotada. Caminhei até o fim do corredor, onde os dois estavam, e abracei Ally por trás.
– Não seja ignorante, professor.
Senti Ally enrijecer em meus braços. Ela abaixou a cabeça, encarando o chão.
– Ela está grávida.
O homem abriu a boca surpreso, mas nada disse.
– Nenhum sapato está me servindo — Ally murmurou, parecendo envergonhada — Meu pé inchou.
O professor assentiu, um pouco tenso e pediu que entrássemos na sala.
Todos estavam sentados em duplas. Ally olhou para mim, envergonhada e murmurou:
– Obrigada.
Sentamo-nos juntos, mas não conversamos.
Dia 23 de abril
POV Ally
Eu estava exausta.
O dia havia sido bem cansativo: Acordei cedo; tive duas provas, sendo uma delas prova surpresa; fiquei de detenção, por ter esquecido o material de três aulas em casa; fiz lição e trabalho.
Já passara das 23h. Deitei-me em minha cama, finalmente em paz. Ao fechar os olhos, ouvi a porta ser aberta.
– Filha?
– Sim, mamãe?
– Austin está lá embaixo. Ele pediu para subir... Quer conversar.
Assenti, sentando-me. Alguns segundos depois, o loiro apareceu na porta do quarto.
– Posso entrar?
Assenti, sem encará-lo.
– Acho que precisamos conversar.
Dei de ombros.
– Ally, por favor — implorou, sentando ao pé da cama.
– Por que não entrou pela varanda? — perguntei, ignorando-o.
– Estava passando pela frente da casa e decidi conversar — respondeu apenas.
Ele respirou fundo e segurou minhas mãos, mas eu as puxei de volta.
– Quero ouvir sua versão. Você pode contá-la?
Meneei a cabeça, negando.
– Eu já contei tudo que tinha para contar, Austin. Eu escondi a gravidez por você, por medo de sua reação e por não querer ver você sofrer. Foi apenas isso, acabou. Agora se já terminamos, peço licença, pois estou realmente muito cansada.
– Posso deitar-me com você? — pediu e eu, novamente, neguei.
– Toda e qualquer relação que tínhamos acabou, Austin. Você deixou isso bem claro para mim. Por que não faz como eu e esquece tudo isso?
POV Austin
Ela não havia esquecido tudo. Claro que não.
Esperei o relógio virar o dia.
00:02
Abri a varanda e adentrei seu quarto. Deitei-me ao seu lado. Ally suspirou e se virou.
– Você não entendeu que eu não quero você aqui? — perguntou, irritada.
– Eu só quero dormir com meu filho. Posso? — pedi.
Ally revirou os olhos e virou para o outro lado. Ajeitei meu corpo ao seu, de modo que ficássemos de conchinha.
Toquei sua barriga, por cima da camisola de seda.
– Pare — pediu. Sua voz estava embargada — O seu toque me machuca.
Fechei os olhos com força, sentindo aquelas palavras me atingirem como uma bala.
– Não me olhe, não me toque, não fale comigo. Cada vez que você me olha, eu revivo tudo através de seus olhos, isso me machuca. Cada vez que você me toca, eu me lembro de quando você me tocava com prazer, por amor, e isso me machuca. Cada vez que você fala comigo, eu me lembro de que estamos com as vozes embargadas daquela maneira, porque brigamos, e isso me machuca. Então, por favor, Austin, vá embora.
Apertei seu corpo contra o meu com força.
– Eu vou continuar te olhando, pois como você disse, você revive tudo através dos meus olhos, e eu quero que saiba que tudo isso que você vê não acabou. Vou continuar te tocando, pois gosto de senti-la estremecer e arrepiar com o meu toque. Vou continuar falando com você, pois é apenas isso que me mantém perto de você agora. Então, por favor, Ally, deixe-me ficar aqui esta noite.
Ally ficou em silêncio. Levantei sua camisola, lentamente, até a altura de seus seios. Ally se virou, ficando de barriga para cima. Seus olhos estavam cheios de lágrimas. Vê-la daquela maneira, por minha causa, acabou comigo.
Toquei sua barriga. Dessa vez, um contato direto de pele com pele. Ally estremeceu, fechando os olhos. Acariciei toda a extensão, sem acreditar que estava, pela primeira vez, acariciando meu filho, mesmo que indiretamente. Levei minha boca até sua pele e beijei seu ventre por completo, inclusive seu umbigo, sabendo que a morena sentia cócegas ali.
Mas ela não riu. Apenas sorriu, discretamente.
Seus olhos permaneceram fechados. Sentei-me na cama, puxando-a para o meu colo. Seu pés envolveram meu corpo e sua mão, meu pescoço. Segurei sua cintura, com cuidado, enquanto ela deitava sua cabeça em meu ombro.
Ela começou a chorar. Senti meu ombro ficar molhado e ela me apertar com mais força.
– Pare de chorar, princesa. Você não sabe como dói vê-la assim.
– Sou apenas a mulher que você engravidou? — perguntou, com a voz embargada. Minha mentira realmente mexera com ela.
– Não, claro que não, Ally, por Deus. Eu te amo.
– Fique comigo essa noite.
I want you to stay with me tonight
She said, "Don't walk away
Leave what we could be behind
Don't leave me standing here
Don't say 'not the time', so
Stay with me tonight"
Can we go back, do it over?
Can we go back to the start?

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