My Best Friend
34 I missed it so much.
Notas iniciais
Terceiro mês de gestação
Dia 01 de maio
POV Ally
Graças a Deus, era feriado. Dia do trabalho, creio eu. Era uma terça-feira e eu estava realmente exausta, apesar de ter tido sábado, domingo e segunda para descansar.
Minha barriga já começou a crescer. Eu realmente pensava que me sentiria gorda e ficaria deprimida com isso, mas a sensação de saber que tem uma vida dentro de você é algo muito superior a isso.
Austin pulou a varanda e se sentou ao meu lado. Eu estava encostada na cabeceira da cama, com os pés esticados. Austin beijou minha barriga algumas vezes e sussurrou um "bom dia", que eu não soube identificar se era para mim ou para o bebê.
– Eu gosto de Megan.
Encarei o garoto, confusa por um instante, mas logo soube do que ele falava.
– Será um garoto — murmurei.
– Um garoto? — ele arqueou a sobrancelha — Como sabe?
– O garoto do parque me contou.
– Acredita mesmo em uma criança que viu uma única vez em um parque e te confundiu com a tia? — sua voz saiu carregada de ironia.
– Seth não era só um garoto, Austin — resmunguei — Quer saber, acho melhor você voltar mais tarde. Eu estou de mal humor.
– E quando não está?
Bufei. Austin passava em casa todos os dias para ver como eu estava. Bom, talvez para ver como o bebê estava.
Ele ainda me ama. Ele admitiu isso. Mas o que isso muda? Não voltamos. Não estamos juntos. Brigamos todo o tempo. Do que adianta o amor nesse caso?
– Vá embora — ciciei.
– Não vou. Eu quero ficar com o meu filho.
– Oh, tem certeza de que não é uma filha? — ironizei e recebi como resposta um dedo do meio.
Austin abaixou a alça da minha camisa, expondo meu ombro. Em seguida, retirou minha camisa, tendo certeza de que eu usava um top por baixo dela.
– Como você está, amor? — perguntou. Sua respiração em minha pele, oh. Em seguida, beijou meu umbigo. Sorri, sentindo cócegas.
– A gravidez... — minha voz falhou — Os riscos da gravidez diminuirão drasticamente após esse mês.
Austin sorriu, parecendo aliviado.
Seu polegar tocou minha maça do rosto, com carinho.
– E você, amor? Como está?
Soltei um murmúrio quase inaudível ao escutá-lo chamar-me de amor.
– Eu... acho que estou bem. E você? — minha voz falhou novamente.
– Se vocês dois estão bem, eu estou também.
Sorri, fechando meus olhos, aproveitando o carinho em minha bochecha.
A porta do quarto foi aberta, obrigando-me a abrir os olhos.
– Bom dia, amores.
Era minha mãe.
– Bom dia, mãe.
– Bom dia, Tia Pen.
– Austin, por que não toma café com a gente? — convidou
– Claro, eu adoraria. Já vamos descer.
E então ela desceu, toda animada.
– Você vai para a aula amanhã? — perguntou, sussurrando. Oh, estávamos próximos.
– Acho que vou — murmurei atordoada.
–Posso dormir aqui? Ai te levo de carro.
Mas... ele mora na casa ao lado! Ah, tanto faz. Não respondi com palavras, apenas assenti.
Austin se colocou em pé e estendeu a mão, para me ajudar a levantar.
– Não quero... — resmunguei.
E ele me pegou no colo, descendo as escadas lentamente para não nos derrubar. Mamãe sorriu ao nos ver e eu, envergonhada, enterrei minha cabeça em seu peito.
Dia 02 de maio
POV Austin
– Bom dia, Ally.
– Hm, bom dia.
Seus olhos foram se abrindo devagar, em meio a piscadas, acostumando-se com a claridade.
– Vou em casa me trocar, volto em meia hora. Troque-se.
– Mandão.
– Preguiçosa.
– Rabugento.
– Linda.
Ela bufou, revirando os olhos.
– Você tem o dom de acabar com a brincadeira...
Dia 11 de maio
POV Ally
Anotei a tarefa em minha agenda, com pressa.
– Até mais turma! Vejo-os semana que vem.
Levantei-me e sai da sala a procura de Carol, Nick e Austin.
– Carol!
– Ah, oi, Ally! Oi, garotão!
Sorri e caminhei ao seu lado até o pátio.
– Graças a Deus hoje é sexta-feira! — Carol agradeceu.
– Nem me fale! Estamos muito cansados!
Avistei Austin caminhando por entre tanto gente no corredor.
– Oi, princesa — beijou minha teste carinhosamente — Oi, Carol — cumprimentou-a com o beijo na bochecha.
– Austin, você pode me levar até em casa hoje? — pedi — Minha mãe não vai poder vir...
– Claro que sim, princesa, nem precisava pedir. Aliás, eu já disse que posso te levar todos os dias, se você quiser.
– Obrigada.
– Não agradeça. Cadê meu bebê?
Levantei um pouco a camisa, para que Austin pudesse beijar minha barriga, como sempre fazia. E assim fez.
(...)
Entramos no carro e colocamos o cinto.
– Precisaremos passar em um lugar antes, tudo bem? — perguntou, começando a andar.
– Aham.
(...)
– Austin, pra que tudo isso? — perguntei, enquanto colocávamos algo em torno de 12 sacolas no porta-malas — O que são essas sacolas?
– São roupas.
– Roupas?
– É. Roupas para o nosso bebê.
Abri a boca, abismada.
– Isso é sério?
– É, bom, não tem só roupa, têm mordedores, mantas, mamadeiras, chupetas e lençóis para o berço.
– Oh. Eu agradeço, mas não acho que devíamos nos preocupar com isso agora, Aus...
Entramos no carro novamente. Ele o ligou, acelerando.
– E por que não?
– Bom, porque talvez... Você sabe, ainda estamos no terceiro mês e bom...
– Não diga uma coisa dessas, Ally!
Um longo silêncio se fez presente depois disso. Aproveitei quando Austin parou em um farol para contar:
– Eu corro risco de vida.
Austin me encarou, assustado.
– O que disse?
– Eu corro risco de vida.
– Como? Mas por quê? Como descobriu?!
– Seth me disse.
– Seth? Ah, Seth, o garotinho do capiroto? — perguntou, aliviado — Allycia, o garoto não sabe o que fala!
– O garoto sabia o meu nome, Austin!
– Ele deve ter ouvido em algum lugar!
– Argh, eu desisto! Você só escuta a si mesmo! Pare de ser egoísta, Austin, que inferno! — gritei, nervosa — Eu só lhe peço uma coisa: Se algo acontecer comigo, quero que me prometa que cuidará da nossa criança.
– Nada acontecerá com você, Ally.
Seu olhar mudara para desesperado. Seria todo esse desespero por me perder? Havíamos chegado em casa. Saímos do carro, alterados.
– Ah, o Seth não é vidente, mas você é, não é mesmo?!
– Chega, Ally, chega! — ele segurou meu braço com força e seus olhos marejaram — Você não vai morrer — as palavras foram pronunciadas lentamente, enfatizando cada sílaba delas — Se algo ocorrer com você, eu me mato. Eu não sei mais viver sem você — ele se perdeu em meio as palavras que falharam — Há nove anos, quando eu te conheci, não podia imaginar que você se tornaria a coisa mais importante para mim e que eu te teria minha, toda minha e só minha. E ai, o que aconteceu? Eu me apaixonei. Mas sabe o que doía? Era o fato de que você gostava daquele imbecil do Dallas e nem ligava para mim! — ele chorava, e bom, eu também — Eu te amei desde o primeiro dia em que te conheci e tudo o que eu pensava quando brincávamos de "mamãe e filhinho" naquela casinha em seu quintal era se um dia viveríamos aquela cena, como uma família de verdade. E Deus, olha onde estamos! Você está grávida! Eu serei pai! Você, Ally, é para sempre minha, não importa o que acontecer! E vou repetir pela última vez: Se um médico me pedir para escolher entre salvar você ou esse bebê, eu escolho você!
Joguei-me em seus braços, abraçando-o com força. Chorei em seu ombro até sentir minhas pernas fraquejarem.
– Você está quente, princesa, vamos entrar.
Subimos para o seu quarto, já que minha mãe havia trancado a casa e me deixado para fora. Austin colocou-me deitada em sua cama, deitou-se ao meu lado e nos cobriu.
– Eu amo você, Austin.
– Eu também amo você, Ally. Demais.
Abracei-o com força, até cair no sono.
Dia 21 de maio
POV Austin
Era segunda-feira, mas Ally e eu não fomos à escola. Ally teria um ultrassom. O ultrassom que nos contaria o sexo do bebê.
Eu aguardava ao seu lado, enquanto o médico ligava o aparelho. E a imagem apareceu. Dava para ver nitidamente um bebê, todo encolhidinho. Os olhos de Ally marejaram.
– Ao que vejo, vocês serão pais de um garotão.
Ally sorriu para mim, vitoriosa, e eu não pude deixar de mostrar a língua para ela.
– Você já sabem o nome que darão? — perguntou o Dr, curioso.
– Eu gosto de Seth — murmurou Ally, tocando em sua barriga,
– Será Seth então — eu anunciei, sorrindo.
Ally me ancarou, surpresa.
– Está mesmo falando sério?
– Claro que sim. Eu só espero que o Seth do parque não esteja certo sobre o risco de vida também.
Ally riu fraco e segurou minha mão. Ela parecia extremamente feliz e isso me deixou completamente feliz também.
Dia 28 de maio
POV Ally
Austin e eu passeávamos na orla da praia. Sim, eu estava em uma praia e estava feliz. Acontece que Austin resolveu voltar aos lugares que poderiam ter gerado a vida de Seth. No final das contas, ele só queria ir à praia, eu sei disso.
Caminhávamos, então, de mãos dadas, enquanto ríamos.
– Sabe de uma coisa? — perguntou.
– O quê?
– Eu estou morrendo de saudades do seu beijo.
Parei de rir no mesmo instante.
– Então por que não mata essa saudade?
– Eu posso?
– Acho que sim. Eu também estou com saudades.
Austin riu e colou seus lábios nos meus, puxando-me pela cintura. Rodeei seu pescoço com meus braços e correspondi ao beijo de maneira calorosa.
Que. Saudades.
Austin beijou-me com mais intensidade, tornando o simples selinho demorado em um quente beijo de língua.
Ao que parecia, nenhum de nós dois havia desaprendido a beijar nesses meses sem sentir os lábios um do outro, pois separamo-nos ofegantes e sorrindo.
– Senti tanta falta disso — admitiu.
– Eu também senti.

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