My Best Friend
30 Train of Moans
Notas iniciais
– Eu preciso, Ally. Imagina se você corre risco de vida! Céus, em nem posso pensar nisso. Allycia, se você me ama, me diz o que está acontecendo!
– Eu te amo, Austin, não duvide disso – pedi, voltando a chorar – Tudo que eu lhe peço é que, por nada desse mundo, duvide do meu amor por você. Mas eu não posso te dizer agora, não posso.
– Ally, só me garanta que você não corre nenhum risco de vida – implorou novamente, com lágrimas brotando em seus olhos.
Eu não posso mais continuar com isso. Se passaram apenas algumas horas e eu já não aguento mais!
– Eu não corro risco de vida – garanti, sendo abraçada em seguida.
Eu não menti. Eu não corro risco de vida.
POV Austin
Observei a morena deitada em meus braços. O que estaria acontecendo?
– Alls? – chamei – Meu amor...
Como resposta, apenas obtive um murmúrio.
– Pequena, sua mãe está chamando-nos.
Ally levantou a cabeça. Seus olhos estavam inchados e com remelas, e seu rosto todo vermelho e amassado.
– Você me acordou – resmungou.
– Desculpe-me.
Ela deu de ombros. Levantou, pegou uma roupa dentro do armário e entrou no banheiro.
– Vou tomar um banho – anunciou.
– Quer ajuda? – ofereci maliciosamente.
– Não estou no clima, Aus...
– Ok... — repondi, entendendo-a.
A garota fechou a porta e eu me ajeitei na cama.
Tantas perguntas rodeavam na minha mente agora... O que Ally está escondendo de mim?
Ela está doente? Não sei, sinceramente. Algum parente? Não, impossível, 1) seus pais saberiam e 2) ela ficou assim depois que saiu do hospital. Ela pode estar abalada por não ter ficado grávida, mas isso seria estranho, já que reclamou quando suspeitamos da gravidez, alegando que é muito jovem. Será que ela não pode ter filhos? Uma DST¹? Não sei, não sei e não sei.
Minha cabeça já estava doendo de tantas ideias cogitadas, quando deixei de ouvir o barulho do chuveiro.
– Austin?
Virei a cabeça em direção a porta do quarto e encontrei Penny, sorrindo gentilmente.
– Avise a Ally que inaugurou um novo parque em South Miami e nós vamos, tudo bem?
– Claro, eu avisarei.
Ela encostou a porta e, em seguida, Ally saiu. A menina usava um lindo vestidinho rosa bebê, colado até a altura do umbigo e rodado para baixo. Havia uma toalha enrolada em seu cabelo. Minha morena sorria. Bom, talvez ela só precisasse de um banho.
– Vamos a um parque em South Miami – avisei.
Sua expressão passou de alegre para séria.
– Um parque? – indagou
– Sim, algum problema?
– Não, nenhum. É que o médico me deu alguns remédios para baixar minha pressão e disse que eu não poderia fazer nada muito radical... – disse, sem me olhar.
– Tudo bem, podemos apenas comer algum algodão doce, uma pipoca... Algo assim.
– Não estou com vontade de comer nada doce, nem salgado, mas se encontrarmos algo meio termo – ela sorriu.
Encarei a menina, um pouco mais sério que o normal.
– O que foi, Aus?
– Eu não gosto de saber que a minha namorada está escondendo coisas de mim — seu sorriso sumiu — Você não faz ideia de como isso me deixa irritado! Poxa, Alls, você tem que confiar em mim. Aconteça o que acontecer, eu não vou te deixar. Não vou! Eu sempre estarei do seu lado para tudo. Para o que der e vier, mas por favor pare com isso! – cerrei os olhos, fechando as mãos com força – Eu odeio que me escondam as coisas, Allycia. Você pode, por favor, me contar a verdade?
Abri os olhos e percebi que Ally tinha algumas lágrimas caindo pelas bochechas.
– Eu não quero te magoar, Austin. Não quero te magoar como fui magoada. Por favor, me entenda. Eu te amo demais e quero muito que você fique sabendo do que está acontecendo no momento, mas você vai ficar extremamente preocupado e triste. E eu não quero ver-te assim.
– O que está acontecendo é com você? – perguntei, acalmando-me.
– Também, mas... Não é apenas comigo.
POV Ally
Por que é tão difícil de compreender que eu não quero contar o que está acontecendo comigo?
– Em quanto tempo acha que vai poder me contar? – perguntou, segurando minha cintura, singelamente.
– Daqui três meses – murmurei.
– Três meses?! Ally, isso é muito tempo!
– Eu sei, meu amor, eu sei. Talvez eu lhe conte antes, mas, por favor, preciso que confie em mim.
Ele assentiu e beijou minha testa delicadamente.
Descemos em silêncio e entramos no carro. Minha mãe e meu pai foram na frente e Austin e eu, atrás. A viagem não duraria muito, mas também não seria rápida.
O dia havia sido cheio. Eram 14h00min.
(...)
O parque era realmente lindo. Um grande lago cristalino, no centro, refletia todas as luzes ao seu redor.
Apontei para uma barraquinha de amendoim e Austin entendeu meu recado.
– Um amendoim sem sal, por favor – pedi.
Meus pais anunciaram que iriam dar uma volta ao redor do lago, para conhecer todo o parque. Austin e eu sentamos em um banco e começamos a comer o pacotinho de amendoim.
Uma pequena criança se aproximou, correndo. Era um garotinho loiro e de olhos azuis, lindo! Ele não devia ter mais de quatro anos. O menino tocou minha barriga e gritou:
– Bebê, mamãe, bebê!!
– Seth, volte aqui! — uma voz feminina gritou.
– Mamãe, tem bebê aqui, mamãe! Bebê, "glávida"!
Arregalei os olhos e encarei o pequeno menino em minha frente. Uma mulher loira e alta se aproximou e puxou o menino pelo braço.
– Desculpe-me, moça. A tia dele está grávida e toda mulher de cabelos castanhos que ele vê, acha que é a tia e toca na barriga dela. Perdão.
Assenti, ainda um pouco atordoada.
– Vai ser um menino, mamãe, um menino que nem eu! – o garoto ainda gritava.
Senti minha pressão cair. Meu corpo amoleceu e eu encarei Austin, fraca.
– Você está pálida, amor. Vem, vamos comprar algo salgado.
Assenti, sem relutar. Caminhei ao seu lado até uma barraquinha de pipoca. Austin pagou e voltamos a sentar no mesmo banco de antes.
– Você está bem? – perguntou, cauteloso.
– Estou, eu só... Fiquei um pouco assustada com o garoto.
– Está tudo bem. Foi o que a mulher disse, a tia está grávida e tals... Crianças cometem esses errinhos.
Assenti, comendo um punhado de pipoca de uma vez.
– Quer ir em um brinquedo? – perguntou, um pouco animado.
– Nada muito radical – pedi e ele sorriu animado.
– Que tal... o cinema 6D?
Meneei a cabeça, concordando. Nossa, acho que preciso começar a respondê-lo com palavras... Eu já concordei com a cabeça umas dez vezes hoje.
Andamos até o carrinho de filmes 6D. Pagamos a entrada, colocamos nossos óculos e nos sentamos em uma cadeira. O filme começou com um lindo casal caminhando por entre uma plantação de trigo. E então, um dinossauro aparecia e mordia a cabeça do homem. Retirei meus óculos, atordoada. A cadeira ainda mexia, causando-me enjoos.
POV Austin
Ally retirou os óculos e desviou o olhar do filme. Ela parecia enjoada.
– Vou sair, te espero lá fora.
– Não, eu vou junto.
– Não, você está todo animado aí, não vou estragar a sua diversão. Aproveita.
Assenti. Observei ela se levantar, caminhar até a porta, discutir com a mulher que não queria deixá-la sair, sussurrar algo em seu ouvir e, finalmente, sair.
O filme acabou dentro de quatro minutos. Terminava com a mulher do começo do filme conhecendo um cara, se casando e tendo um filho. Achei muito meloso... Preferiria que o dinossauro tivesse arrancado a cabeça dela.
Ally me esperava na porta, como prometido.
– Foi bom? – perguntou, curiosa.
– Não muito.
– Hm, eu encontrei tipo um trem fantasma, tá afim?
– Claro, vamos lá.
Seguimos em direção ao trem. A entrada era somente uma caverna, sem nenhuma decoração.
– Olá, sejam bem-vindos ao Trem Dos Gemidos, fiquem a vontade – o homem da entrada disse, parecendo mal-humorado – Não precisam colocar o cinto, pois vocês são um casal jovem, à flor da pele, e sei que vão tirá-lo.
E ele saiu. Eu, Ally sentamos nos banquinhos, éramos os únicos da vez. O trem começou a andar.
De repente, algumas decorações de corações apareceram. Um casal se beijando, corações, pássaros, borboletas e muito, mais muito rosa decoravam o túnel.
– Você disse que era um trem fantasma! – reclamei
– Eu disse que era tipo um trem fantasma!
Revirei os olhos, mas logo sorri maliciosamente para ela.
– Quer aproveitar que estamos sozinhos?
Ally arregalou os olhos.
– Você deve estar louco!
–Por quê?! Ally, estamos sozinhos, faltam 6 minutos de túnel e eu estou morrendo de vontade...
– Você é louco! Meu Deus, aqui? E agora? – ela parecia amedrontada. Mas por quê? O próprio trem se chama Trem Dos Gemidos!
– Sim, aqui e agora.
Ataquei seus lábios e a puxei, fazendo-a sentar em meu colo. Queria ser carinhoso, mas tínhamos que ser rápidos. Beijei seu pescoço com vontade. Logo após soltar um gemido, Ally se afastou um pouco.
– Não temos camisinha – disse, ofegante.
Merda! Que. Merda!
– Ah, Ally, qual é? Você não quer um filho?
– Eu não sei mais o que eu quero e o que eu não quero, Austin, mas sei que sem camisinha não rola.
– Então nós nunca teremos um filho – reclamei, bufando.
– Claro que teremos, Austin. O problema é... o momento.
Respirei fundo e fiz a pergunta que estava em minha mente:
– Não é por causa da camisinha, qual é problema? Eu sei que isso é só uma desculpa.
Ela suspirou, nervosa.
– Eu estou... machucada – ela desviou o olhar e respirou fundo – Eu estou com um hematoma subcoriônico.
– Ahn? – perguntei confuso.
– Um descolamento da placenta, Austin. Se eu engravidar, será de risco. Eu poderei perder o bebê.
Arregalei os olhos. Certo, ela estava me contando a verdade. Isso é bom, né? Não sei.
– É por isso que está triste? É isso que está escondendo de mim?
– Não apenas isso. Bem, eu, nós... — ela respirou algumas vezes e, quando pareceu ter tomado coragem, começou — Austin, eu...
– Acabou! – gritou o homem, revoltado, sinalizando o fim do túnel.
– Depois conversarmos sobre isso – disse Ally, sorrindo fraco.
Segurei sua mão e saímos do trem.

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