My Best Friend
31 I need the truth!
Notas iniciais
Um descolamento da placenta, Austin. Se eu engravidar, será de risco. Eu poderei perder o bebê.
Arregalei os olhos. Certo, ela estava me contando a verdade. Isso é bom, né? Não sei.
– É por isso que está triste? É isso que está escondendo de mim?
– Não apenas isso. Bem, eu, nós... — ela respirou algumas vezes e, quando pareceu ter tomado coragem, começou — Austin, eu...
– Acabou! – gritou o homem, revoltado, sinalizando o fim do túnel.
– Depois conversarmos sobre isso – disse Ally, sorrindo fraco.
Segurei sua mão e saímos do trem.
POV Ally
Senti meu corpo enrijecer.
Eu havia contado a verdade. Ou ao menos parte dela.
– Prometa-me que vamos conversar sobre o que estava me contando lá dentro quando chegarmos em casa – pediu Austin, tocando minha bochecha com seu polegar.
Assenti, um pouca incerta e Austin segurou minha mão.
Caminhamos até uma barraquinha de Tiro ao Alvo, onde Austin prometeu-me que ganharia um ursinho.
Ele atirou cerca de quinze dardos, e quando iria pagar uma quarta rodada, o impedi.
– Austin, já gastou quase R$20,00 nessa barraca. Pegue logo qualquer prêmio de consolo e vamos.
Austin fez uma carranca e o velho da barraca apareceu com uma boneca.
– Você ganha esse bonequinha aqui, toma – o velho estendeu a boneca para Austin – Ela chora e faz xixi de verdade! – ele riu, animado – Vocês já podem até ir treinando para quando forem pais.
Desviei o olhar, fixando-o em um ponto no meio do nada.
Austin recusou a boneca e disse que preferiria um chaveiro em formato de chinelo. O velho entregou o pequeno pingente ao Austin e logo voltamos a caminhar.
– Sinto muito – murmurou.
– Pelo quê? – perguntei.
– Pelo homem e por... tudo isso – disse ele, parecendo magoado.
– Você não tem culpa de nada... Só acho que podíamos sair desse lugar cheio de insinuações de bebês, está me enjoando – reclamei enojada.
– Vou chamar seus pais, tudo bem?
Assenti, sentando em um banco. O pequeno Seth – o garoto que afirmou que eu estava grávida de um menino – sentou ao meu lado e segurou minha mão.
– Você queria uma menina ou um menino?
Ignorei a pergunta, encarando as nuvens.
– Um menino? Que sorte, é o que terá! – exclamou, como se eu tivesse o respondido.
– O que quer, Seth? – perguntei, tentando parecer educada, mas não deu muito certo.
– Você vai magoá-lo – avisou – Pode estar fazendo tudo isso para protegê-lo, mas no final, verá que a verdade era a melhor opção. Vocês vão terminar, sabia? – perguntou, acariciando minha mão – Mas não fique triste, ele vai te entender, afinal, vocês são feitos um para o outro.
Ele se levantou e acenou, caminhando em direção a sua mãe, mas antes de ir, gritou:
– Tome cuidado, Ally! Você pode achar que não corre risco de vida, mas está errada.
Meu coração descompassou. Como ele sabia o meu nome? Senti minhas pernas fraquejarem.
Austin chegou, acompanhado de meus pais.
– Vamos, amor?
Apenas assenti. Não tinha forças para falar.
POV Austin
Assim que chegamos em casa, levei Ally até o andar de cima, almejando que ela me contasse a verdade.
– Então, eu... Mudei de ideia.
Encarei a garota, arqueando a sobrancelha.
– Em relação a...?
– A te contar a verdade. Eu vou esperar os três meses.
Cerrei os olhos, com força, nervoso.
– Allycia, é o seguinte: Eu confio em você. A questão é: Você confia em mim?
– Claro – respondeu, sem hesitar.
– Então me conte a verdade, se não quer que eu vá embora.
Seu rosto ficou um pouco pálido e ela se sentou na cama.
– Não vá – implorou, com lágrimas brotando em seus olhos – Não vá, Austin.
– Então, conte-me – implorei – Em todos esses anos que eu te conheço, eu nunca te vi dessa maneira e isso está me preocupando, Ally. Eu preciso de respostas! Eu preciso da verdade!
– Eu não posso te contar – murmurou, entre os dentes.
– Eu sinto muito em ter que fazer isso, Ally.
A garota abriu os olhos e mais lágrimas escorreram por entre suas bochechas.
– Fazer o quê? – sua voz estava carregada de mágoa e preocupação.
– Até que você resolva contar-me a verdade, nós terminamos.
Meu coração doeu ao pronunciar tais palavras, mas era necessário. Como ficar com alguém, se este não confia em você?
– Não me deixe, Austin – implorou.
A garota chorava como se estivesse perdendo a coisa mais importante da vida dela. Seu vestido já estava todo molhado pelas lágrimas e a menina soluçava.
– Você não sabe como isso dói em mim – balbuciou.
– É uma dor física? – perguntei
– Não ainda.
– Então você não sabe como dói em mim também.
Caminhei em direção a janela, a fim de voltar para o meu quarto, mas uma pequena mão me impediu.
– Se você me deixar, eu não vou suportar. Eu não vou conseguir viver isso sozinha, Austin, não vou. Eu preciso de um motivo para não querer partir. Eu preciso de algo que me mantenha no lugar, e que me mantenha forte e segura. Eu preciso de você. Por favor, Austin, não vá.
Sua voz saiu carregada de dor e, por um momento, eu senti dó de vê-la assim, destruída.
– Vai contar-me a verdade? – perguntei, mas obtive como resposta o silêncio – Então, adeus.
Abri a porta da varanda e coloquei um pé para dento do meu quarto, pronto para colocar o outro, mas Ally começou a gritar.
– Não me deixa!
Céus, ela chorava tanto!
– Não vá, Austin! Você não pode nos abandonar!
Parei, no mesmo momento.
Ally suspirou e desabou na cama, sentada. Seu rosto estava ainda mais pálido e suas mãos tremiam.
– Não nos abandone – murmurou.
– Nos? Quem... Quem somos nós, Ally?
Ally tocou sua barriga e sussurrou “desculpe-me”.
Minha cabeça começou a rodar. Mas o quê?
Voltei ao seu quarto, mas não me aproximei da menina. Minha cabeça fervia e minha vontade era gritar com ela.
– Eu... estou grávida – disse, séria.
– E por que não me contou? Por que mentiu? Por acaso a criança não é minha?! – gritei, irritado.
– Claro que é, seu idiota, não diga merdas! De quem mais seria, estúpido? – ela se exaltou e levantou, ficando em minha frente.
– Não sei, talvez do Nick. Você o beijou, não beijou? O que te impediria de ter transado com ele? – minha voz saiu pura ironia e eu me castiguei mentalmente por estar falando assim com ela.
– Está insinuando o quê? Que eu sou uma prostituta? Escuta aqui, Austin, só para o seu governo, você é o único homem da minha vida! O único que eu beijo, o único que eu transo e o único que eu amo!
– SÉRIO? ENTÃO POR QUE ME ESCONDEU A GRAVIDEZ?!
Eu ainda não conseguia racionar o motivo. Por quê?
– Porque é uma gravidez de risco, seu inútil!
– Mas eu sou o pai! – gritei – Eu tinha o direito de saber!
Ally fungou e se sentou na cama. Sua mão direita foi levada até a cabeça e ela fechou os olhos.
– Os três primeiros meses são de risco – ela disse baixo – Eu sabia o quanto você estava animado para ter um filho... – mais lágrimas escorreram e eu senti vontade de abraçá-la – Imagine se algo acontecer, Austin? E se... E se eu perder o bebê? Eu pensei em como você ficaria magoado, em como ficaria depressivo... Então eu planejei esperar os três meses se passarem e te contar depois. A gravidez já não seria de risco. Além disso, Aus, se eu perdesse antes, você não ficaria mal – ela fungou novamente e eu senti meu peito se apertar – Eu sinto muito.
Trinquei os dentes. Não importava quantas justificativas ela tinha, eu não podia acreditar naquilo.
– Eu também sinto – respondi, voltando ao meu quarto.

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