My Best Friend
32 I don't care
Notas iniciais
Ally fungou e se sentou na cama. Sua mão direita foi levada até a cabeça e ela fechou os olhos.
– Os três primeiros meses são de risco – ela disse baixo – Eu sabia o quanto você estava animado para ter um filho... – mais lágrimas escorreram e eu senti vontade de abraçá-la – Imagine se algo acontecer, Austin? E se... E se eu perder o bebê? Eu pensei em como você ficaria magoado, em como ficaria depressivo... Então eu planejei esperar os três meses se passarem e te contar depois. A gravidez já não seria de risco. Além disso, Aus, se eu perdesse antes, você não ficaria mal – ela fungou novamente e eu senti meu peito se apertar – Eu sinto muito.
Trinquei os dentes. Não importava quantas justificativas ela tinha, eu não podia acreditar naquilo.
– Eu também sinto – respondi, voltando ao meu quarto.
Primeiro mês de gestação
Dia 05 de março
POV Austin
Segunda-feira. A semana havia começado mais uma vez e eu estava brigado com a Ally.
Passei a noite toda em claro pensando em motivos para a Ally ter escondido a gravidez de mim, mas eu simplesmente não consigo acreditar que ela tenha tido coragem para omitir algo tão importante!
Mas eu seria pai.
Isso não é incrível? Sim, claro que é. Eu finalmente vou ter algo para chamar de meu e me orgulhar por isso.
Sai de minha cama e em poucos segundos estava no quarto de Ally.
– Ally? Ally?
A morena deu um pulo da cama. Seus olhos se arregalaram e, ao me ver, ela sorriu.
– Austin!
Seus braços envolveram o meu pescoço, mas eu não a abracei de volta. Ela permaneceu ali.
– Por favor, Aus, pare de me ignorar! Isso me mata por dentro... — pediu.
Afastei-me, ajeitando minha roupa.
– Só vim te chamar, acho que você não vai querer se atrasar para a aula.
Duas lágrimas escorreram em sua face, e antes que a vontade de enxugá-las aparecesse, eu voltei para o meu quarto.
Dia 12 de março
POV Austin
Mais uma vez, segunda-feira. Nossa, como eu odeio esse dia!
Abri a janela do meu quarto e logo percebi que meu dia seria péssimo. Estava chovendo.
Olhei para a janela e notei que Ally já estava acordada. Desde a semana passada, quando fui acordá-la, Ally passou a levantar-se mais cedo. Acredito que para me evitar.
Hoje Ally teria um ultrassom. E eu estaria lá.
(...)
Após a aula, segui Ally até o hospital. Ela não falou comigo o caminho inteiro. E nem eu com ela.
(...)
O médico sorriu, enquanto me observava. Havíamos acabado de chegar ao hospital.
– Vejo que contou ao seu namorado sobre a gestação. Você fez o certo, Ally — O Dr. sorriu.
– Na verdade, eu descobri sozinho. E aliás, não somos mais namorados.
Acredito que meu tom de voz tenha saído muito rude, porque o médico me encarou surpreso e murmurou um "desculpa" em seguida.
A consulta ocorreu bem. O Dr. disse que a gravidez, apesar de risco, estava com poucos problemas. Recomendou descanso e alguns remédios.
Dia 17 de março
POV Austin
Era domingo. Tirando a falta que eu sentia dos lábios da morena — e de todo o resto dela -, o dia estava ótimo.
Deitei-me na minha cama e coloquei meus fones. Comecei a escutar I Won't Give Up do Jason Mraz.
Ouvi a batida da minha janela. Virei o rosto e observei Ally perguntar, timidamente, "Posso entrar?". Dei de ombros.
Ela usava apenas um pijama composto com uma blusinha rosa de seda e um pequeno shorts da mesma cor e do mesmo tecido. Ela estava... sexy.
– Aus, eu... Eu queria conversar sobre nosso filho — ela engoliu em seco.
– O que é? — fui um pouco grosso.
Ela respirou fundo e sentou ao meu lado, ao pé da cama.
– Se você puder deixar de ser arrogante, eu agradeceria. Poxa, Austin, eu sei que eu errei, ok? Eu reconheço que errei e errei bem feio. Você pode querer não me perdoar... Tudo bem, eu aceito sua decisão. Mas saiba de uma coisa: Tratar-me mal não o fará se sentir melhor, apenas fará com que eu me sinta pior. Se é isso que você quer, minha infelicidade, então muito bem, você está fazendo a coisa certa!
– Desculpe-me — murmurei.
– Podemos ter uma conversa decente? — ela perguntou, parecendo cansada. Seus olhos marejaram.
– Claro, claro.
Ela respirou fundo mais uma vez.
– Eu queria saber se... Se você está disposto assumir essa criança?
Engasguei.
– Como? Quero dizer, como assim "assumir"? Eu sou o pai, é claro que eu vou assumir.
– É que, eu meio que temi que você não quisesse mais... Sabe? Porque terminamos e... — sua voz sumiu.
– Ally, não diga besteiras. Nós terminamos, isso não influencia no fato de eu ter te engravidado. Eu vou assumir a criança.
Ally assentiu, enxugando as lágrimas que desciam por suas bochechas.
– É assim que você me vê agora? — perguntou, como se seu coração estivesse partido.
– Assim como? — perguntei, dando de ombros.
– Como a garota que você engravidou.
Por mais que fosse mentira e que eu saberia que doeria, respondi:
– Sim. Isso é tudo que você é pra mim agora, além de ser a mãe do meu filho.
Ally soluçou. Sua face já estava toda molhada. Ela se levantou e caminhou até a janela.
– Austin — me chamou.
– O que é?! — perguntei, nervoso.
– O médico me disse hoje que na hora do parto poderia haver algum problema... Ele pediu para que eu conversasse com você e que chegássemos em um consenso.
– Consenso para quê? — perguntei, confuso.
– Caso eles possam salvar apenas um de nós — eu ou a criança -, quem salvaríamos. Mas acho que você já respondeu essa pergunta, então, obrigada pela sinceridade.
Ela fechou a porta da varanda e esticou a cortina de seu quarto, mas ainda que eu não pudesse vê-la, eu podia escutar o seu choro.
Dia 23 de março
POV Ally
Não falei com Austin desde o dia em que ele deixou bem claro que preferiria que a criança sobrevivesse a mim.
Sim, é claro, isso era de se esperar. Mas o que me machucou não foi a decisão dele, mas sim a maneira como ele me falou. Grosso, Rude, Ignorante.
O calendário marcava sexta-feira. Suspirei.
Mais um final de semana que eu passaria deitada na cama, chorando e lamentando minha vida cruel.
Mas não.
Carol apareceu em casa. Nós ligamos o computador e chamamos Trish para uma conversa em vídeo.
– Como assim grávida? — perguntou Trish, animada.
– É, grávida, Trish! — respondeu Carol irônica — Bom, o Austin e ela transaram sem camisinha, um embrião foi gerado e a barriga dela vai começar a crescer.
Trish riu com sarcasmo.
– E vocês brigaram depois? — ela perguntou, tentando entender a história. Eu assenti — Calma, vocês vão ficar bem. Fique tranqui...
Antes que ela pudesse terminar sua fala, Austin bateu na porta da varanda.
– Podemos conversar? — perguntou.
Carol apanhou o computador nas mãos e se afastou um pouco, dando-me um pouco de privacidade com Austin.
– Não, na verdade — respondi — Eu não quero falar com você.
– Mas você vai — respondeu, revoltado — Quer deixar de ser grossa? — ele segurou meu braço, colocando um pouco de pressão.
– Solte-me — exigi, cerrando os dentes — Você pode ser grosso quando quer, por que eu não posso? — aumentei meu tom de voz.
Sim, eu estava brava. Muito brava.
– Porque você é quem está errada!
– Errada? — eu ri, ironicamente — Eu realmente pensava que eu estava errada, Austin. Cheguei a me redimir e a assumir meu erro, mas você quer saber? — eu dei de ombros — Eu não estou errada. Sabe por quê? Porque o tempo todo, Austin, O TEMPO TODO, eu tava apenas pensando em você! Pensando em como você ficaria! Pensando em seu bem-estar e em seus sentimentos! E você quer saber mais? — eu já chorava novamente — Eu estou pouco me fodendo para o que você acha de mim agora! Eu não me importo se sou a garota que você amava, a garota que você dormiu ou se não sou nenhuma das duas. EU NÃO ME IMPORTO!
Austin abaixou a cabeça. Minha respiração estava totalmente descontrolada. Eu sentia que, a qualquer momento, poderia parar de respirar.
Austin levantou a cabeça, com seus olhos marejados. E então ele disse:
– Eu só iria dizer que pensei muito no que você me disse e... Se eu tiver que escolher entre você e essa criança, eu escolherei você.
E ele saiu, deixando-me completamente confusa e desnorteada.

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