My Best Friend
9 I found a solution.
Notas iniciais
Tirei minha mão de dentro de sua blusa e levei até sua bochecha, limpando as lágrimas.
– Você não respondeu minha pergunta – eu disse olhando em seus olhos
– Qual pergunta? – perguntou nervosa
– Você gosta de mim? Do jeito que eu gostaria? – perguntei e senti Ally ficar tensa embaixo de mim.
– Talvez muito mais do que você imagina – respondeu, com um sorriso tímido.
POV Austin
Acordei sentindo um peso em cima de mim. Abri os olhos e encontrei Ally, com a cabeça em meu peito e seus braços rodeando meu corpo. Ela tinha um sorriso calmo e parecia estar dormindo com os anjos.
Levei meus dedos até o seu cabelo, fazendo um leve cafuné.
– Bom dia... – disse ela sorrindo, um pouco sonolenta.
– Bom dia!
Escutamos batidas na porta e nós olhamos.
– Me acordou na hora certa – ela disse antes de se levantar – Atende. Eu vou me trocar.
Ally pegou uma roupa no armário e eu fui abrir a porta.
– Carol? Ãh, oi – disse ao vê-la na porta.
A garota usava uma blusa de manga comprida branca com flores vermelhas e uma calça jeans.
– A Ally está? – perguntou um pouco baixo.
– Está se trocando. Ér, entra – disse tentando cortar aquele clima tenso.
Ally saiu do banheiro e seus olhos se arregalaram um pouco ao ver Carol ali.
– Oi, Carol – disse forçando um sorriso.
– Oi, Ally. Posso falar com você?
– Pode sim – disse Ally um pouco tensa – Austin, vaza – disse olhando pra mim.
– O quê? – perguntei incrédula
– É particular. Por favor – pediu Carol.
Bufei e sai do quarto, contra a minha vontade.
POV Ally
Carol me olhava, como se estivesse tentando achar um jeito de começar a falar.
– Bem... Ontem, depois de você sair correndo, eu tive que terminar de limpar a cozinha sozinha...
– Me desculpa, de verdade – a cortei e ela sorriu.
– Não tem problema. Não é isso que eu quero falar. Parece que quando você correu, deixou cair isso – disse tirando um papel do bolso – Espero que não se importe, eu li.
Olhei para o papel. Era a música que eu havia escrito.
– Não, tudo bem... É só que...
– Escreveu pensando no Austin, né? – perguntou e eu me senti meio desconfortável por estar falando com ela sobre ele.
– É, escrevi pensando nele – disse soltando um suspiro.
– Você gosta dele? – perguntou sorrindo
– Você gosta? – perguntei de volta.
– Perguntei primeiro! – ela disse rindo
– Talvez... – respondi – E você?
– Eu só acho ele bonito – ela deu uma longa pausa – Mas ele gosta de você.
Eu não tinha como negar. Até os japoneses sabem que é de mim que o Austin gosta.
– Eu não gostava dele. Até esses dias.
– Então está admitindo que gosta? – perguntou vitoriosa
– Suponhamos que sim.
Ela sorriu brevemente, porém a tristeza tomou conta dela.
– Nenhum garoto nunca me usou para fazer ciúmes.
– Ele é um idiota – eu disse olhando para o chão.
– Eu achei, no começo, que ele estava afim de mim. Mas depois, percebi que todas as nossas conversam paravam em “Ally”.
Abaixei a cabeça, corada.
– Nenhum garoto nunca gostou de mim – ela disse, olhando para o nada – Achei que finalmente tinha chamado a atenção de alguém. Ele não pensou no que fez.
– Você está totalmente certa.
– Aquele beijo, na porta da cozinha, foi o meu primeiro beijo. Beijo mesmo, selinhos não contam – ela disse com um pequeno sorriso – Ele disse que me amava. Eu sou tão idiota! – ela disse rindo, porém segurando as lágrimas.
– Ele nunca pensa nas consequências.
– Acho que já vou. Nos falamos depois – disse me dando um abraço rápido – Obrigada.
– Obrigada também.
Carol abriu a porta e Austin quase caiu no chão.
– Estava ouvindo nossa conversa? – perguntou incrédula.
– Não, não! Eu tinha acabado de chegar...
– Sei – disse Carol, antes de sair do quarto.
Deite-me na cama e Austin deitou ao meu lado.
– Então quer dizer que talvez você goste de mim? – perguntou divertido.
– Você não tinha direito de fazer aquilo com a Carol – disse ignorando-o.
– Eu não sabia que ela gostava de mim!
– Não importa, Austin, não importa. Não se finge gostar de uma pessoa, não se diz “eu te amo” em vão e não se beija, se não ama.
– Me desculpa.
– É para ela que você tem que pedir e não para mim.
Austin soltou um suspiro.
– Okay. E vou pedir desculpa.
– Ótimo...
– Voltando ao assunto principal: Gosta de mim?
– Austin, por favor.
– Compôs uma música para mim? – perguntei divertido
– Não foi pra você.
– Foi sobre mim – disse sorrindo convencido – Posso ouvir?
– Não.
– E por que não? – perguntou
– Por que eu falo demais nessa música.
– Admite que está apaixonada por mim nela?
– Por que você não sossega?
Austin deixou escapar um muxoxo.
– Já vi que você não vai falar nada.
– Não mesmo.
– Vamos sair? – perguntou
– Pra onde? Está tão frio.
– O pessoal do hotel está preparando o telão pra um filme, quer ver?
– Parece ser legal.
– Então vamos.
Saímos do quarto e caminhamos até a recepção do hotel. Avistei Carol e chamei Austin.
– Vai falar com ela.
POV Austin
Separei-me de Ally e fui atrás de Carol.
– Carol? – chamei
– Ah, oi.
– Eu só queria te pedir desculpa. Sabe, por te beijar, ficar com você pra fazer ciúmes...
– Está tudo bem.
– Obrigado.
– Não foi nada. Vai atrás dela – disse e piscou pra mim.
Sorri e sai à procura de Ally. Avistei seus cachos castanhos virados de frente para o telão. Cobri seus olhos e sussurrei no seu ouvido:
– Sou o garoto mais bonito daqui. Quem sou eu?
– Ãhn... Elliot! – respondeu rindo
– Assim não vale.
– Você provocou.
– O filme vai começar!!! — anunciou um homem grisalho.
Todos nos sentamos nas almofadas espalhadas pela sala. Eu e Ally decidimos sentar próximos à parede, para ter onde apoiar-nos.
– Com licença – disse Kira parada a nossa frente – Querida Allycia, ai é o meu lugar.
– Tem seu nome na almofada? – perguntei.
– Na verdade, tem sim – disse puxando a almofada debaixo de Ally, onde estava escrito Kira com purpurina.
– Ignora. Senta aqui – disse batendo a minha perna.
Kira pegou a almofada e levou embora.
– Eu sento no chão mesmo.
– Não, vem cá.
– Austin, eu não...
– Vem logo – disse a cortando, sentando-a em meu colo.
O filme começou e todos ficaram em silêncio. Não havia ninguém ao nosso lado. Todos estavam na frente do telão.
– Eu já vi esse filme – Ally disse virando a cabeça para cima, olhando pra mim.
– Eu sei. Eu vi com você – disse sorrindo.
Mais ou menos, meia hora depois, Ally começou a parecer entediada.
– Não quero mais assistir.
– Vira pra mim – pedi puxando-a pela cintura.
Ally estava virada de frente para mim, ainda no meu colo, com as pernas em volta das minhas. Colei nossas testas.
– Tem outra coisa que eu prefiro fazer.
– Tarado – disse rindo
– Eu não disse nada, você que pensou besteira!
– Então tá. É uma pena, eu ia concordar.
– Dawson e Moon, fiquem quietos! – gritou um dos monitores da escola. Ignoramos.
Olhei para a morena que sorria maliciosamente. Ela mordeu o lábio inferior e alternou o olhar dos meus olhos para minha boca.
– Sua boca é convidativa – comentou enquanto passava os braços ao redor do meu pescoço
– Depois eu que sou tarado.
A beijei com delicadeza. Ally sorriu, fazendo-me sorrir também. Passei minha mão por debaixo de sua blusa, percorrendo suas costas. Apertei sua cintura e com meu dedão, acariciei sua barriga.
– Aus... – chamou separando o beijo – Tem muita gente aqui – disse sorrindo envergonhada.
– Então vamos pro quarto.
– Austin! – repreendeu-me
– Esse não era o problema? Eu achei uma solução.
– Dawson e Moon, saiam agora! – gritou o grisalho.
Todos olharam para nós. Ally olhou para baixo, corada e eu sorri.
– Parece que o destino quer que a gente vá para o quarto – comentei.
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