My Best Friend
24 Follow Your Heart
Notas iniciais
Suspirei derrotada. Deitei-me de frente para ele e nos cobri.
– Tudo bem. Mas prometa que você irá embora.
Ele assentiu. Dentro de alguns minutos, perguntou, sussurrando:
– Quer mesmo isso? — fez uma pausa — Que eu vá no meio da noite? — perguntou olhando em meus olhos.
– Não, não quero — respondi no mesmo tom, enquanto nos aproximávamos.
POV Ally
Austin colocou uma mão em meu rosto, e acariciou minha bochecha com seu polegar.
– Austin... — sussurrei, de olhos fechados, desnorteada.
– Posso te beijar? — pediu, roçando seus lábios nos meus.
– Isso seria tão errado — respondi.
– E desde quando ligamos para o que é certo? — perguntou, colando nossos lábios em um selinho demorado.
O simples toque de nossos lábios fez com que minhas pernas tremessem. Senti um leve formigamento em minha barriga, como sempre sentia quando o beijava. Eram as borboletas.
Austin colou nossas testas. Ambos sorríamos.
– Isso foi tão errado — ciciei.
– É, foi sim. Mas não volte a repetir isso... — disse, sorrindo fraco — me faz tão mal.
Após alguns segundos em silêncio, pronunciei-me:
– Acho melhor você voltar para casa.
– Não, não quero. Deixe-me ficar, por favor — implorou — Prometo que não te beijarei novamente.
Suspirei. Antes de responder algo, minha mãe entrou no quarto e sorriu carinhosamente. Eu estava com a cabeça em seu peito e Austin segurava minha cintura.
– Vocês voltaram?! Awn, fico tão feliz! Eu gosto muito de vocês juntos e...
– Mãe... — a chamei.
– Vocês fazem um casal tão lindo e... — ignorou-me.
– Mãe... — a chamei novamente.
– Eu sempre soube que vocês ficariam juntos e...
– MÃE! — Gritei.
Minha mãe parou de falar e me olhou, assustada.
– Nós não voltamos!
– Não? — ela soltou um muxoxo — Ah, mas vocês estão abraçadinhos e...
– Austin, posso falar com minha mãe, sozinhas? — pedi.
– Tudo bem, eu vou pegar um copo d'água.
Austin saiu do quarto, deixando-me sozinha com minha mãe.
– Ok, se vocês não voltaram, por que estavam abraçados daquele jeito? — perguntou, irônica.
– Somos amigos — respondi, dando de ombros — Como sempre fomos.
– Mas vocês namoraram. E você sabe que depois disso, nada será igual — respirei fundo, concordando — E, Allycia, convenhamos, vocês nunca foram apenas amigos.
– Como assim? — perguntei confusa.
– Ally, vocês sempre tiveram, no mínimo, uma amizade colorida.
– O quê? Como assim?
– Ally, quando amigos, vocês sempre andavam juntos, abraçados, se beijando... E talvez até fizeram algo a mais — ela me olhou, com um sorriso malicioso.
– Mãe!! — a repreendi, cobrindo meu rosto com as mãos.
– Eu estou dizendo a verdade! Vocês viviam trancados nesse quarto, sozinhos... Só Deus sabe o que faziam! — ela riu.
– Mãe, que horror! Eu era virgem, ok?
Minha mãe me olhou, surpresa.
– Era? — perguntou e sorriu, animadamente — AAAAAAHHHH!! Eu nem acredito! Quando aconteceu? Como? Onde?
Tá, minha mãe estava parecendo mais com uma amiga de escola do que com uma mãe.
– Bom, aconteceu quando começamos a namorar, no hotel, e acho que você sabe como aconteceu... — eu disse, sentindo minhas bochechas esquentarem.
– E como foi? O que você sentiu? — perguntou, curiosa.
– Eu me senti a melhor garota do mundo. Ele foi extremamente fofo. Havíamos conversado sobre isso, alguns dias antes de começamos a namorar. Eu contei a ele como queria que fosse minha primeira vez, e ele fez exatamente da maneira como eu pensei — minha mãe me olhava com um sorriso encantador — Ele foi calmo, carinhoso. Foi tudo perfeito. Naquele momento, eu tive certeza de que estava perdidamente apaixonada por ele. E até mesmo na segunda vez, ele foi fofo.
– Então... Aconteceu mais de uma vez? — perguntou, arqueando uma sobrancelha, e eu assenti, nervosa.
Minha mãe deu mais um gritinho histérico.
– Ah, Ally, estou tão feliz! Eu sempre soube que vocês eram perfeitos um para o outro e agora, então!
Enquanto ela dava uma crise, eu tentava controlar o rubor que se estabelecia em meu rosto. Quando ela pareceu finalmente se recompor, olhou para mim, com um sorriso amigável e perguntou:
– Posso dar-te um conselho? — assenti — Siga seu coração — disse, simplesmente.
– Eu estou seguindo-o.
– Não, Ally, não está. O que sua mente diz quando Austin tenta te beijar? — perguntou, sorrindo.
– Que eu devo me afastar. Que eu devo empurrá-lo e me afastar — admiti.
– E o que o seu coração diz? — perguntou, sorrindo convencida.
– Meu coração? Bom, eu não sei... — ri fraco — Ele bate forte. Muito forte.
– Sim, isso é óbvio, você o ama — disse e gargalhou — Mas o que ele diz para você fazer.
Respirei fundo e me preparei para mais gritos:
– Que eu devo beijá-lo até todo ar presente em meu corpo acabar.
Como previsto, mamãe começou a dar pulinhos e gritinhos de animação.
– Acho que você já sabe o que fazer, então. Boa noite, querida — disse, saindo do quarto, mandando-me um beijo no ar.
Segundos depois de minha mãe sair do quarto, Austin apareceu na porta.
– E então? Eu posso ficar? — perguntou, tímido.
Suspirei.
"Siga seu coração"
– Tudo bem — concordei.
O garoto sorriu, e deitou-se ao meu lado.
– Boa noite, Aus.
– Boa noite, Alls.
Recostei minha cabeça em seu peito e adormeci, sentindo seu cafuné em minha cabeça.
(...)
Acordei na manhã seguinte com um casto beijo em meus lábios. Abri os olhos e obriguei-me a conter um sorriso.
– Bom dia, meu amor — disse, beijando minha bochecha.
– Austin, não me chame assim.
– Por que não? Eu te amo. Você sabe disso. Não importa se juntos ou não, sempre vou te amar.
Repousei minha cabeça sobre a cabeceira da cama e suspirei.
– Não tente negar o que sente por mim, Alls.
– Eu não estou tentando negar nada, só estou tentando fazer você entender que não temos mais nada.
– Então não tente negar que não temos nada. Ally, eu sei que você gosta de me beijar. E sei que você gosta de mim. Para que negar?
– Austin, eu não quero falar sobre isso. Combinamos de ser amigos, e eu não quero ter que me afastar de você para que você entenda que não temos nada.
– Correção: Você combinou que seriamos amigos! Por mim, nós seriamos outra coisa.
– É, eu sei disso. E é isso que eu não quero — respondi, exaltando-me um pouco.
Ele pareceu perceber meu tom elevado, pois calou-se.
– Desculpe-me.
Ele sorriu: — Está tudo bem. Eu que peço desculpas.
Ficamos em um silêncio constrangedor por um momento.
– Quer almoçar aqui? — perguntei — Minha mãe queria te chamar quando voltamos da viagem, mas...
– Tudo bem, vai ser legal.
POV Austin
A hora do almoço havia chegado rapidamente.
Ally estava sentada ao meu lado na mesa. Lester estava a minha frente, e Penny em frente a Ally.
Estávamos conversando animadamente sobre um filme que lançara no cinema ontem.
– Eu estou doida para ver esse filme! — disse Ally, sorrindo.
– Podemos ir hoje, o que acha? — sugeri.
Ally me olhou e parou de sorrir.
– Só nós dois? — perguntou.
– Sim, como sempre — respondi, sabendo que isso a afetara de alguma forma.
– Algum problema, Ally? — perguntou Lester — Vocês sempre foram ao cinema sozinhos e você nunca ficou assim. Aconteceu algo? — perguntou, desconfiado.
– Não, papai. Eu queria saber, pois estou com saudades de alguns amigos e seria legal ir ao cinema com eles.
Lester assentiu e comeu mais um pedaço de sua lasanha.
– Que amigos são esses, Ally? — perguntou Penny, sorrindo para mim.
Ótimo, eu tenho a Tia Pen do meu lado. Ponto para o Austin.
– Ah, uns amigos aí...
– Ally?
– Tá, tá. Eu não tenho nenhum amigo para ir comigo. Eu só queria sair com mais pessoas. Eu e você — disse, olhando para mim — estamos andando demais sozinhos. Deveríamos fazer novos amigos.
– Eu concordo com você, filha — disse Lester — Vocês andam demais sozinhos, nem parecem só amigos.
– Eu acho que eles devem valorizar esse amizade que eles têm. Austin e Ally nasceram para serem amigos – disse Penny, recebendo um olhar reprovador de Ally.
A verdade é que eu havia escutado toda a conversa de Ally e sua mãe. Todos os detalhes. Desde "a amizade colorida" até "nossas noites de amor". Eu sabia muito bem que Penny não estava incentivando-nos a sermos amigos.
– E então, Alls? Quer ir ao cinema comigo? — perguntei, segurando sua mão, sob a mesa.
– Tudo bem, mas não pense que isso é um encontro.
Todos riram e ela bufou. Continuamos a comer, antes que esfriasse. O casal a minha frente começou a conversar sobre algo do trabalho e eu sussurrei no ouvido de minha morena:
– Não importa o que você acha. Esteja pronta às 18h para o nosso encontro.
Ally olhou para mim e mostrou o dedo do meio. Eu ri.
POV Ally
Às 17:40, eu comecei a me arrumar. Coloquei um vestido, pois sentia falta do calor de Miami. Ajeitei meu cabelo, prendendo-o com um lacinho atrás. No horário combinado, Austin apareceu em minha sacada.
– Vamos? — perguntou e eu assenti.
Fomos ao cinema andando. Austin caminhava ao meu lado direito, pois, de acordo com ele, "as mulheres devem andar ao lado do nosso coração".
– Lindo anel — disse, segurando minha mão.
– Obrigada.
– Mas eu ainda prefiro nossa aliança — disse, divertido.
Bufei. Já percebi que esse passeio será longo.
– Eu já disse que você está linda?
– Obrigada — agradeci novamente.
– Mas essas pernas... Sério, estão cada dia mais gostosas — disse, mordendo o lábio.
– Deixa de ser tarado, garoto! — disse, batendo em seu peito — Está louco?
– Louco por você.
– Tão clichê, Austin...
O garoto parou de andar e se virou de frente para mim, segurando minha cintura.
– Se eu te beijar agora será clichê?
– Totalmente — respondi, sorrindo de canto.
– E há algum problema nisso? — sorriu como eu.
– Há sim. Eu não gosto de coisas clichês — pisquei e continuei a andar.
(...)
O filme começava com uma cena romântica. Um casal andava próximo a um lago. A menina, Julie, pegava o chinelo do namorado, Mike, e jogava no lago. O garoto, rindo, corria atrás dela e, ao alcançá-la, a beijava.
– "Here comes that movie scene
The one you think is so cliche
That moment when we kissed
By the lake pouring rain" — sussurrou Austin, em meu ouvido. Revirei os olhos.
– Agora toda vez que você ouvir ou ver algo clichê, pensará em mim? — perguntei, rindo.
– Eu penso em você a todo minuto — admitiu, com a voz rouca, em meu ouvido — Sabe, esse filme está muito meloso... Poderíamos aproveitar que estamos nas cadeiras do fundo — disse, sorrindo malicioso.
– Você está muito atiradinho.
– Ally, pelo amor de Deus, pare de negar o que sente por mim! Não dá pra calar a boca, seguir o seu coração e me beijar?
Engoli em seco. Eu não acredito que ele escutou minha conversa com a minha mãe!
– Você ouviu minha conversa?!
– Eu não pude evitar — tentou se justificar — Ela estava ouvindo gritinhos agudos e quando eu cheguei lá, percebi que vocês estavam falando de quando transamos. Não podia simplesmente virar as costas e fingir que não estava curioso para saber como você se sentiu — ele riu e eu senti minhas bochechas queimarem.
– Você não tinha o direito de fazer isso!
– Eu sei que não. Mas fico feliz em saber que foi tão bom a ponto de você perceber que estava apaixonada por mim.
Coloquei as mãos no rosto, não aguentando mais tanto constrangimento.
– Eu não vim para ficar falando sobre nossas noites. Eu vou embora — disse, me levantando.
– Alls, fica, por favor. É só isso que eu te peço — implorou, com certo sofrimento no olhar.
Sentei-me novamente e comecei a assistir o filme, mesmo sem entender nada. Senti a mão de Austin se repousar sobre a minha coxa, mas ignorei. Alguns minutos depois, seu dedão começou a acariciá-la. Eu sentia o olhar de Austin queimando sobre mim, implorando por um contato visual.
Mas eu não podia.
Se eu olhasse para ele, abaixaria minhas guardas e o beijaria novamente.
– Olhe para mim — pediu.
Eu, fraca, obedeci.
Austin levantou a mão, deixando-a aberta, como se pedisse para que eu batesse ali.
Levei minha mão de encontro a sua, e as entrelacei.
– Eu te amo, Ally.
– Eu também te amo, Austin.

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