Notas iniciais
Pra vocês ouvirem enquanto leem: Soundtrack ¹: https://www.youtube.com/watch?v=RShrxuGeL04&index=28 Soundtrack ²: https://www.youtube.com/watch?v=BczCGm9u0UI

– Por que está fazendo isso? — Luna olhava o céu escuro, a chuva forte caía por entre ás arvores provocando barulho. Olhou Draco de relance, o olhar do loiro também estava erguido em direção às nuvens escuras e carregadas.

– Não sou eu. — O loiro contrapôs, desceu o olhar e fitou Luna. A loira arqueou as sobrancelhas.

– Tem certeza? — Ela insistiu, um pouco confusa. Draco assentiu de imediato. Estavam ainda perdidos pela mata, e procurarem pelos amigos com aquela chuva e no começo da noite já não era mais uma opção. Iriam atrás do grupo logo pela manhã. — Então, se não é você que começou uma chuva de uma hora pra outra..
– Algum outro mutante? — O loiro supôs, coçando seu queixo.

– Pode ser. — Luna demonstrava preocupação na voz.

– Talvez seja só o tempo. — Draco tentou tranquilizá-la.

– Não sei não Draco. — Luna respirou fundo. — Eu tô preocupada.

– Vai ficar tudo bem. — Draco entrou na frente da loira, a olhou no olho. — Assim que amanhecer nós vamos sair daqui e procurar pelos outros.

– Essa vai ser a nossa primeira noite nessa ilha. — Luna argumentou, umedecendo seus lábios em seguida. — Não sabemos o que pode acontecer.

– Até agora não aconteceu nada. — Draco rebateu, sabia que ela estava nervosa. — Só essa chuva. Olha, não vai acontecer nada. Tá bom? — Encarou os olhos azuis de Luna. — E outra, vai ser uma das únicas noites que vamos passar nesse lugar. — Ele continuou, com convicção. — Vamos encontrar os outros e juntos a gente logo vai sair daqui. Tudo bem?

– Tudo bem, Draco. — Luna respirou fundo, ainda tinha os olhos fixos no garoto. De certa forma, ele a trazia calma e paz. E ela não sabia porque.

– Então vamos pra debaixo daquela árvore ali, a gente espera a chuva passar, depois procuramos por algumas frutas e esperamos a noite passar. — Explicou o loiro, sensatamente. Tinha que confessar pra si mesmo, estava se estranhando. — Certo? — Draco abriu um sorriso de canto, estendeu uma mão para Luna, que o observou fazer e olhou a mão do garoto. Luna voltou a olhá-lo e também abriu um sorriso.

– Certo. — Ela aceitou, logo segurando a mão de Draco e sendo guiada por ele até chegarem debaixo da árvore. Mas ainda assim, Luna estava preocupada. Não sentia que estavam seguros, e aquela sensação só aumentava a cada segundo que passava.

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– Oh meu Deus, eu sinto falta de uma cama. — Clove reclamava, enquanto se aproximava de Rose, que estava sentada sobre o chão da terra vermelha e molhada, recostava sobre uma árvore aurora. A morena havia acabado de se molhar debaixo da chuva forte que não parava de cair. Se sentou ao lado de Rose, arrastando suas costas pela casca da árvore.

– Sinto falta da escola. — Confessou Rose, que tinha o olhar erguida até as folhas da árvore.

– Você estudava? — Clove se surpreendeu, olhando Rose de relance. A ruiva não olhou Clove de volta.

– Sim. Bom, nos últimos meses eu mal fui a escola. — Rose explicou, se relembrando. — Mas eu tinha uma vida normal.

– Que bom pra você. — Clove retrucou, suspirando e encostando sua cabeça na árvore. — Eu mal sei o que é uma vida normal.

– Você não tinha? — Rose se despertou dos pensamentos e olhou Clove. A morena negou. — Nunca teve?

– Ah, na infância sim mas.. meus pais logo perceberam que eu e Harry éramos diferentes. — A morena falou, tinha a voz baixa. — E eles ficavam com medo de machucarmos outras crianças mesmo sem querer, ou outras pessoas perceberem.
– Olha, não acredito que o Harry machucaria outras crianças. Mas você.. — Rose implicou, abafando uma risada e vendo Clove rolar os olhos.

– Lá vem ela defender o namoradinho. — Reclamou a morena, sem paciência.

– Eu tô brincando. — Rose riu, tentando descontrair. — Mas então seus pais afastaram vocês das pessoas por que tinham medo de que as pessoas descobrissem que vocês são mutantes?

– Eles não deveriam ter? — Clove contraiu as sobrancelhas, disse retoricamente. Rose contraiu os ombros, no fundo, Clove estava certa. — Olha só tudo o que aconteceu até agora desde que os humanos descobriram sobre os mutantes.

– Sabe o que eu não entendo? — Rose viu Clove fitá-la. — Por que estão todos contra nós? Eu digo, tá bom, existem os mutantes do mal. Mas a policia não tem o direito de sair prendendo todo mundo assim. Eles deveriam investigar, tá mais do que óbvio que tudo isso não foi culpa de nenhum pai de nenhum mutante.

– Sabe o que eu acho? — Clove se pronunciou. — Eu acho que nem toda a polícia de Manchester tá sabendo muito bem desse caso. — A morena viu Rose ficar confusa. — Não acho que todos os policiais são filhos da puta, igual esses que trouxeram a gente pra cá.

– Então, você acha que.. — Rose tentou entendê-la, e Clove a interrompeu.

– Eu acho que aqueles filhos da puta que trouxeram a gente pra cá estão comandando todo esse caso. Dando a explicação que quiserem na delegacia, dando a explicação que quiserem pra sociedade. — A morena explicou sua hipótese e viu Rose ficar pensativa.

– Mas por que eles fariam isso? Só porque tem raiva dos mutantes? — A ruiva argumentou, ainda não conseguia entender. — E por que eles tem tanta raiva dos mutantes?

– Por causa dessa mulher que você falou, a Bellatrix. — Clove foi sensata. Rose entreabriu os lábios, a lógica da amiga agora parecia ser verdadeira. — Não foi ela que criou a gente?

– Foram nossos pais, Clove. — Rebateu Rose, implicando.

– Você entendeu, coisa chata. — Clove retrucou.

– Mas pensando por esse lado.. — Rose voltou a ficar séria.

– Se a gente tá aqui, perdidas no meio do nada nessa ilha maluca, e os policiais também estão aqui, e essa médica doida aí também.. — Clove fitou a ruiva. — Não tem outra explicação.

– Sabia que você serve pra alguma coisa quando seu ego está fora de questão? — A ruiva riu recebeu um empurrão de Clove como resposta.

– Vai se ferrar, ruiva. — Clove retrucou, apesar de involuntariamente rir junto.

¹ — Ora, ora, o que eu encontrei por aqui. — A presença de uma garota aparentando ter seus 19 anos de idade despertou Clove e Rose da brincadeira, as duas se levantaram do chão prontamente, aturdidas. — Bem na hora do jantar, eu já tava morrendo de fome. — Comentou a garota, os olhos de Clove correram pelo corpo dela, percebendo as garras em suas mãos, e as presas afiadas em sua boca. A chuva forte dava um àr mais sombrio à mutante.

– É uma pantera, Rose. — Alertou Clove, recuando vários passos junto à ruiva.

– O que vamos fazer? — Rose pareceu se desesperar. Já era noite, estavam no meio de uma chuva forte e enfrentando uma mutante-pantera. Que maravilha.

– Vocês? Ora, vocês vão morrer. — A pantera comentava tão suavemente que fazia os pelos da nuca de Rose se eriçarem.

– É, o pior é que meus poderes não funcionam com ela. — Clove também começava a se desesperar internamente.

– O quê? — Rose rebateu, estupefata. Sem os poderes de Clove, estariam perdidas. As duas percebiam a mutante se aproximar cada vez mais, os rugidos escapando por entre as enormes presas de seus dentes. — Então que porra vamos fazer, Clove?

– Some daqui, bicho feio. — Clove gritou, fazendo Rose arregalar os olhos. A pantera inclinou o pescoço, encarou Clove fixamente enquanto rugia. — Você não vai machucar a gente.

– Clove, cala a boca. — Ordenou Rose, percebendo Clove piorar a situação.

– Primeiro eu vou matar você. — A mutante disse, agora com fúria. — Depois eu pego a ruivinha.

– Vai embora daqui porque lugar de monstro não é do nosso lado. — Rebateu a morena, firme.

– Clove! — Rose repreendeu-a e puxou Clove pelo braço, no instante em que a pantera avançou contra as duas. Elas caíram no chão, e Clove engatinhou pela terra vermelha enquanto a mutante avançava até ela. — CLOVE! — Rose gritou, em desespero, vendo a pantera pular contra o corpo de Clove, deixando a garota sem defesas.

– Rose, faz alguma coisa! — Pediu Clove, tentando empurrar o corpo da mutante pra longe do seu, enquanto a pantera rugia e afiava as garras contra a pele do braço da morena, rasgando o couro da jaqueta. Clove grunhiu de dor, percebeu o sangue correr por sua pele.

Rose se desesperou ainda mais com os gritos de Clove enquanto a morena era atacada pela pantera. A ruiva se levantou do chão aos tropeços, estava com as roupas toda suja de lama. Olhou para os lados freneticamente, tentava encontrar algum objeto com o qual poderia bater na fera. Contraia os ombros a cada grito que Clove dava, gritos de dor que Rose quase podia sentir.

– ROSE! — Clove suplicou por ajuda, tinha seu rosto todo ferido pelas garras da pantera, que tentava abocanhar o pescoço da garota. Reunindo as únicas forças que tinha, Clove ainda tentava segurar a cabeça da pantera pra longe da curva de seu pescoço.

Rose nem ao menos conseguia pensar, estava agindo completamente por impulso. Correu até a mutante pantera sentada sobre o corpo de Clove e puxou a fera pelo pescoço, Clove chutando o corpo da mutante segundos depois. A pantera caiu sobre o chão e Rose ajudou Clove a se levantar o mais rápido que pôde. Correndo os olhos rapidamente pela morena, Rose reparou o quanto estava machucada. Mas ainda continuava forte.

– Eu vou matar vocês. — A pantera rugiu enquanto se levantava do chão.

– Eu luto e você procura por um galho de árvore o mais rápido que puder. — Avisou Clove, Rose nem precisou assentir, já procurava freneticamente pelo chão o pedaço de madeira, enquanto Clove avançava contra a mutante-pantera.

Estava sendo louca de se arriscar daquela maneira, afinal estava toda machucada, mal conseguia sentir a pele de seu rosto. Mas era ela e Clove ou a pantera, então teria que lutar. Deu a volta pelo corpo da mutante assim que escapou de um golpe que a prenderia, então fechou os braços contra o pescoço da pantera, fazendo força, deixando-a sem respirar. A fera se debatia e com uma das mãos tentava se livrar dos braços de Clove, enquanto a outra mão tentava arranhar a garota, deixá-la ainda mais machucada. Clove respirava descompassadamente, sua respiração podia ser ouvida do outro lado da mata. Já não estava aguentando mais segurar a pantera, e torceu para que Rose encontrasse e logo algo para acertar a mutante.

Viu Rose se aproximar, no momento em que teve seus braços puxados, a pantera conseguindo novamente ter controle sobre Clove. Agarrou a morena de costas, segurou o rosto de Clove com a mãos, arranhando o queixo dela com as garras e inclinando a cabeça da morena pra trás. Clove fechou os olhos enquanto sentia a respiração quente da mutante contra a pele de seu ombro, as presas da boca da pantera começando a fincá-la.

Subitamente, enquanto se preparava para gritar de dor, Clove sentiu seu corpo ser solto e se desequilibrou, quase indo ao chão. Se virou rapidamente e viu o corpo da pantera caído sobre a terra molhada, um corte feio sangrando a testa da fera. Clove correu os olhos até Rose, que subia seu peito e descia rapidamente, respirava descompassadamente. A ruiva fixou os olhos castanho-esverdeado de Clove por alguns segundos, via o sangue correr pelo rosto da morena, se misturando com a água da chuva que ainda caía.

Rose caminhou até a pantera, passando ao lado de Clove e recolhendo a pedra que havia jogado contra a pantera, ao lado do corpo da felina. Percebeu a mutante revirando os olhos e reclamando da dor em gemidos. Clove tinha os olhos fixou em Rose.

– Isso... — Rose segurou a pedra por entre as mãos. — É por ter se metido com a gente. — A ruiva cuspiu as palavras e acertou novamente a cabeça da mutante com a pedra. O último gemido de dor da pantera foi ouvido, em seguida, ela desmaiou. Clove tossiu e atraiu a atenção de Rose, a morena internamente tinha que confessar que estava surpresa com a atitude da ruiva.

– Você tá toda machucada. — Rose largou a pedra ensaguentada no chão e foi até Clove, segurando a garota pelos braços enquanto a morena cambaleava. — Vem, vou ajudar você.

– Não podemos mais ficar aqui. — A morena comentou, sua voz agora fraca.

– Eu sei.

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Rony e Hermione se arriscaram a entrar por entre a mata da ilha. Ficar na praia seria pior, tanto pelo perigo da aparição de qualquer mutante, tanto pelos raios caindo bem próximos ao mar, a chuva continuando feroz. Se abrigaram em baixo de algumas árvores que encontraram, com algumas pedras grandes em volta do matagal.

O ruivo, encostado sobre uma das àrvores ao lado de Hermione, pegou a mochila que se encontrava no chão do lado de seu corpo e a colocou no colo. Hermione, que parecia distante e pensativa, o olhou fazer.

– O que está fazendo? — Ela indagou, serenamente.

– Você deve estar com fome. — Rony falou, enquanto retirava dois sanduíches que havia trago da casa dos Granger e entregava um a Hermione. — E eu também estou.

– Obrigada. — Ela sorriu de lado, desembrulhando o sanduíche do guarda-napo e dando uma primeira mordida. Rony a imitou fazer. — Será que é perigoso essa área da ilha?

– Eu acho que toda essa ilha é perigosa. — Rony foi sincero, olhando Hermione de relance. A morena suspirou, pousou o sanduíche em seu colo.

– É, você tem razão. — Ela comentou, pensativa. — Quero que tudo isso acabe.

– Eu também. — Ele desejou, respirando fundo. Encarou Hermione, que agora fazia uma expressão de chateação.

– Oh, meu cabelo deve estar horrível. — Lamentou, enquanto levava uma mão até uma mecha de cabelo e sentia-a molhada e embaraçada. Rony soltou um sorriso divertido.

– Ele não tá não. — Contrapôs o garoto, vendo Hermione arquear as sobrancelhas e fazer uma expressão de indignação.

– Como você diz isso? — A morena rebateu, perceberia que Rony ainda sorria. — Ele tá enchovaiado e todo bagunçado. Rony balançou a cabeça em negação, sorrindo fraco e misterioso, fixando o rosto de Hermione. Os olhos azuis esverdeados brilharam em meio à escuridão da noite, enquanto procuravam atentamente pelas sardas espalhadas no rosto dela. — O que foi? — Hermione se mostrou um pouco sem jeito. Rony negou novamente a cabeça, o sorriso permanecia nos lábios do garoto e seus ainda permaneciam presos ao rosto dela. — Rony. — A garota repreendeu-o, estava claramente envergonhada naquele momento. Mesmo no escuro, Rony percebeu as bochechas dela se envermelharem.
– Desculpa. — Ele pediu, quando Hermione baixou os olhos e desfez a troca de olhares. — É só que.. — Rony levou uma mão até o queixo da morena, levando seu rosto e a olhando nos olhos novamente. — Você é linda.

Não, Hermione não soube como reagir. Talvez fosse um simples elogio, mas havia a deixado tão corada. E ao mesmo tempo, totalmente boba. Sentia como se houvessem várias borboletas voando por seu corpo, e o olhar vidrado de Rony nela a fazia arrepiar-se, com aquele mero contato dos dedos dele segurando o queixo dela.

– O que eu devo dizer agora? — Perguntou a morena, ainda mais envergonhada, mas agora sorria junto à Rony.

– Nada. — O ruivo alisou levemente o queixo dela. Hermione respirou fundo, soltando um suspiro involuntário. — Sorrindo assim já tá bom. — O ruivo sorriu ainda mais no momento em que a garota baixou o olhar, completamente envergonhada, sorrindo cúmplice naquele momento.

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²
– Então esse laboratório de onde você e Rose fugiram é controlado por essa Bellatrix Lestrange? — Harry perguntou, passando o dedo por sua sobrancelha. Tentava entender tudo o que Gina Whotsley havia contado a ele e a Scorpius, sobre a ilha dos mutantes, sobre as experiências que a médica-cientista havia feito, sobre o porquê de estar acontecendo aquela briga entre humanos e mutantes.

– E essa doida ai que fez experiências com a gente? — Scorpius continuou, pensando junto à Harry.

– É isso mesmo. — Gina assentiu novamente, estava em pé encostada com as costas sobre uma árvore.

– Você chegou a conhecer esse Severo Snape? — Os olhos verdes de Harry encararam a ruiva, enquanto se relembrava da garota contando sobre o vídeo que estava no pendrive a qual havia sido deixado por seu pai, antes de morrer.

– Não, eu nem ao menos sei onde ele está. — Explicou ela, pensativa. — Nem sei se ele tá vivo.

– Se ele estiver vivo, talvez existe a possibilidade dele estar aqui na ilha. — Harry pensou, sensatamente. Viu Gina contrair os ombros, a garota já não duvidava de mais nada. Scorpius parecia vasculhar sua própria mente, como se estivessem esquecendo de algum detalhe importante.

– Gina, como você disse mesmo que era a aparência desse tal Snape? — O loiro se pronunciou, deixando de fitar o chão e encarando a ruiva. Harry fixou seu olhar no garoto.

– Ele não era tão velho. — Gina desencostou-se da àrvore, dando um passo à frente, correndo os olhos de Scorpius para Harry. — Tinha os cabelos bem pretos, e lisos. Mas pareciam bem sujos também. Muito oleosos. — Era tudo o que a ruiva conseguia se lembrar. Scorpius despenteou o cabelo com uma das mãos, ainda tinha uma expressão muito pensativa no rosto.

– Por que isso, Scorpius? — Harry franziu a testa, levemente curioso, mas sério.

– Porque.. — O loiro passou seus dentes levemente por seus lábios. Olhou Harry ao seu lado. — Eu acho que já vi ele antes.

– Como assim? — Gina se aproximou mais dos dois garotos, de imediato. Harry entreabriu os lábios levemente.

– Você já viu Severo Snape antes? — O moreno parecia atordoado.

– Não pessoalmente. — Explicou Scorpius, mesmo assim ainda era alvo da atenção dos dois mutantes à sua frente. — Mas, quando eu fugi de casa. Eu achei uma cabana. E tinha um porta retrato pendurado na parede. E o homem na foto parecia muito com o homem que você descreveu, Gina.

– Você não encontrou ninguém lá? — A ruiva quis saber, viu Scorpius negar com a cabeça.

– Mas se esse Severo for igual você falou, Gina.. — Scorpius continuou. — Ele viveu naquele lugar.

– Você sabe exatamente onde fica essa tal cabana? — Gina parecia alarmada.

– Talvez, eu não me lembro muito. — O loiro foi sincero.

– Droga. — Gina bufou. — Se eu pudesse falar com Rony e com Hermione, talvez eles iriam até esse lugar.

– Mas o Scorpius disse que o lugar estava vazio. — Harry rebateu, prontamente. Gina cruzou os braços. — Seria perda de tempo dos seus amigos.

– Acontece, senhor sabe-tudo, que o Severo pode ter voltado pra lá. Se ele sabe de tudo isso sobre essa ilha e sobre Bellatrix, ele não iria querer se expor. — Retrucou Gina, sensatamente.

– Ponto pra ela. — Scorpius apontou pra Gina, enquanto olhava Harry, que rodava os olhos.

– Cala a boca, idiota. — Mandou o moreno, de prontidão.

– Harry Potter, você disse que consegue se comunicar com as pessoas. É o seu poder. Poderia tentar se comunicar com Rony ou com Hermione pra mim. — A garota pediu, enquanto via Harry franzir a testa e contrair as sobrancelhas. Era estranho alguém o chamando pelos dois nomes. Geralmente, só era chamado assim, quando aprontava algo com sua irmã e seus pais queriam corrigí-lo. Esse pensamento passou pela mente de Harry, trazendo ao garoto uma leve sensação de tristeza e saudade. Mas Harry ignorou. Todos os mutantes tinham que ser fortes.

– É, mas meus poderes não estão funcionando. — Rebateu ele, indignado. — Já tô tentando há horas. Tentei falar com todos, principalmente com Clove. Minha ligação com ela é forte, já que somos irmãos. Era pra ela já ter recebido a mensagem.

– Talvez ela recebeu. — Scorpius supôs.

– Não, eu saberia. Minha cabeça não dói quando eu me comunico. Agora ela dói tanto que eu não consigo comunicar. — Harry explicou, com sensatez.

– Talvez seja esse lugar. — O loiro falou, vendo o moreno assentir. Aquela ilha era sinistra demais aos olhos de qualquer um, e poderia ter mais perigos do que imaginavam.

– Acho que deve ser algum tipo de bloqueio. — O moreno tentou convencer a si mesmo.

– Não deve ser nada bom passar a noite nesse lugar. — Gina comentou, olhando para os lados, o matagal estava completamente escuro.

– É, mas não vai acontecer nada. — Harry disse, tentou ser convicto. — Vamos esperar a noite passar e pela manhã vamos procurar nossos amigos. Assim que encontrarmos eles, a gente vai atrás dessa doutora louca.

– Os policiais estão lá, vocês sabem né. — Gina alertou-os novamente.

– Mas vai ser eles contra nós, todos mutantes. — Rebateu o moreno. — Dessa vez vai ser eles que vão sair perdendo. — Os olhares preocupados que Gina lançou à Harry o deixou levemente preocupado. Ela parecia durona, mas ao mesmo tempo muito frágil. Estava sem os seus amigos, e Harry sabia como era se sentir daquela morena. Tinha que confessar a si mesmo que estava totalmente atordoado em pensar que Clove estava sozinha pela ilha. Clove era sim muito forte, mas era apenas uma garota. Uma garota que usava seus poderes contra qualquer um que a ameaçasse, e algum dia, tudo aquilo poderia voltar-se contra ela.

– Harry, vem aqui. — Scorpius pediu, passando ao lado do corpo do amigo e se afastando um pouco da vista de Gina. A ruiva mexeu em seus cabelos, não demonstrou tanta curiosidade em saber o que os dois iriam conversar. Estava mais preocupada com a noite naquela ilha. Não sentia boas vibrações. Poderia não ser sobre-sensitiva, como Hermione era, mas sentia o suficiente como humana para saber que aquele lugar não guardava coisas boas.

– Você acha que essa garota tá falando a verdade? — O loiro perguntou, baixo, apenas para Harry escutar. O moreno ergueu as sobrancelhas. — Por que está confiando nela assim?

– Você também confiou. — Harry retrucou, sério.

– Eu não confiei, só queria tirar informações dela. — Explicou Scorpius, sensatamente. — Por que você tá confiando nela? — Perguntou novamente, olhando Harry nos olhos.

– Não sei. — Harry trincou os dentes. — Simplesmente confiei.

– Toma cuidado em quem você confia. — Mandou o loiro, com seriedade. Harry assentiu, não se intimidou com Scorpius. De alguma maneira, sentia que podia confiar em Gina. Não sabia o porquê, muito menos como, mas a garota mandava à Harry energias positivas. Apesar de ter deixado Harry um tanto..curioso. Gina parecia um mistério aos olhos do moreno.

– HARRY! — Gritou a garota, e o susto de ouvir Gina o chamando pela primeira vez pelo primeiro nome fez Harry se virar abruptamente, junto à Scorpius, e tentarem correr até ela. Mas, foram avisados:

– Se derem qualquer passo eu mordo esse pescocinho. — Alertou a voz fria, sombria e maliciosa, de um homem que segurava Gina com um dos braços corridos contra o pescoço dela, a mão livre segurando fortemente os braços soltos dela ao lado de sua cintura. Gina sentia a respiração quente e arrepiante do mutante dono de olhos vermelhos e presas afiadas bem próximas à curva do pescoço da garota. Era um vampiro. Harry e Scorpius se olharam, lançaram cúmplices um olhar atormentado e alarmado. Os olhos azuis de Gina exalavam faíscas de medo e desespero.

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– Você ouviu isso? — Hermione e Rony se levaram do chão subitamente, enquanto o grito do nome "Harry" vindo de uma voz feminina ecoava pela mata.

– Essa voz.. — Rony inspirava e expirava rapidamente, sem compasso.

–É a Gina. — A morena lançou à Rony um olhar assustado. — Eu tenho certeza. Ela tá em perigo!

Notas finais
Espero que tenham gostado! Bom gente, eu venho passando mal esses dias então meu "estoque" de capítulos prontos acabou, provavelmente vou demorar alguns dias para escrever de novo. Mas prometo tentar escrever logo! Desculpem, o capítulo está sem revisão.. XX, Jen