Notas iniciais
Então pessoal, estou aqui postando novamente. Espero não ter demorado tanto, fiz o máximo que pude! Tomara que gostem:

— Vamos ficar aqui.. — Rose avisou Clove, quando avistou uma árvore grande chamando-as para descansarem. Já estavam caminhando há tantos minutos, apressadas, com receio de qualquer sinal da mutante pantera aparecer, ou qualquer outro mutante que fosse. Já estava tudo muito escuro, provavelmente já era tarde da noite, e os tropeços por entre o matagal sombrio alertava Rose de que as duas precisavam parar para descansar. O sangramento dos machucados de Clove ainda parecia vivo, sinais de sangue eram deixados pelo chão onde elas passavam. O que não era nada bom.

— Não podemos parar agora. — A morena falou, parando de caminhar e automaticamente fazendo Rose parar junto, já que se escorava no ombro da ruiva.

— Você tá muito machucada. — Rose rebateu, olhando Clove, que mordeu o lábio reprimindo a dor provocada pelo vento cortante contra o ferimento de seu rosto. Ardia muito. — E mal conseguimos enxergar nessa escuridão, temos que parar.

— Mas se a pantera voltar não vamos ter chances. — Rebateu a morena, preocupada. Rose respirou fundo, sabia que era verdade. Mas precisavam descansar.

— Então vamos torcer pra ela não voltar. — Argumentou Rose, seus cabelos ruivos voavam contra o vento da noite. Clove ergueu o olhar até o céu distante, seus olhos castanho-esverdeados arderam. Suspirou, sabia que não podia discutir com Rose ali naquele estado. Só o que tinha a fazer era aceitar e caminhar com dificuldade até debaixo da árvore molhada.

— Senta aqui. — Rose segurou a morena pelos braços, tomando o cuidado necessário para não tocar os ferimentos da garota que estavam expostos nos buracos da jaqueta preta, mas vendo a dor no olhar da morena até ela se recostar na casca da árvore. — Você está com muito frio? — A ruiva quis saber, se agachando sobre o chão, frente à Clove. A morena negou, com o passar da chuva, a temperatura parecia ter aumentado um pouco. — Então temos que tirar sua jaqueta.

— Você não precisa cuidar de mim. — Retrucou Clove, olhando os olhos azuis de Rose. A ruiva rodou os olhos. — Eu implico com você, esqueceu?

— Não, eu não esqueci. — Rose riu fraco, sem mostrar os dentes. — Mas acho que o destino está fazendo nós duas virarmos amigas.

— Você ainda é um bebê e age como se fosse adulta. — Rebateu a morena, orgulhosa.

— Falou a garota de 16 anos. — Rose retrucou, ainda ria fracamente. — E você adora mudar de assunto.

— Está esperando eu dizer que somos amigas? — Clove contraiu as sobrancelhas.

— Não. — Rose sorriu marota, levando a mão até a barra da jaqueta de Clove. — Seria demais para o seu ego.

— Cuidado aí. — Reclamou a morena, contraindo os lábios quando Rose começou a afastar o tecido da jaqueta de perto dos ferimentos, tentando saber a profundidade dos cortes.

— Desculpa. — A ruiva recuou. Olhou Clove e contraiu os ombros. — Você vai desencostar seu corpo da árvore e eu vou tirar a jaqueta, tá bom? — Propôs a ruiva, vendo Clove assentir de prontidão. A morena fez o que Rose explicou, inclinou um pouco as costas para frente e semicerrou os olhos em dor enquanto a ruiva passava a jaqueta por seus braços e tirava-a de seu corpo. Rose largou a jaqueta ao lado do corpo de Clove e observou os braços da garota, todos os dois com marcas de garras que a haviam arranhado. — Isso tá feio.. — Comentou, preocupada. Rose tirou os olhos do braço esquerdo de Clove e olhou o rosto da garota. Tocou o sangue sobre a bochecha ferida da amiga.

— Aquela vadia ainda me paga. — Clove trincou os dentes ao falar, sentindo as mãos de Rose examinar seu rosto. — Porra, como isso dói.

— Você esperava que seria fácil bancar a heroína? — Retrucou Rose, olhando Clove, a morena rodando os olhos.

— Devia me agradecer, salvei sua pele. — Rebateu a morena, gabando-se.

— Cala a boca. — Mandou a ruiva. — Que merda, precisamos de Luna aqui.

— Se ela ainda estiver viva. — Clove falou prontamente.

— Cala a boca, já falei. — Rose ordenou novamente, não gostava de pensar na possibilidade de alguém do grupo estar morto. O que era bem possível, já que Clove estava ali em sua frente toda machucada, sendo que ela também poderia estar. — Esses machucados podem infeccionar, e isso te daria muita febre.

— Não importa, só temos que sair daqui logo. — Clove argumentou, tensa. — Precisamos encontrar os outros de volta, ouviu cabelinho de fogo?

— Vamos encontrar eles. Mas só depois de você melhorar. — Retrucou a ruiva, seriamente. — Pela manhã eu vou procurar água por aqui, um riacho, não sei.. Precisamos limpar esses machucados.

— Para de se preocupar com isso. — Clove resmungou, parecia tão séria quanto Rose e olhou-a nos olhos. — São só alguns machucados e isso não importa agora.

— Quer parar de bancar a durona o tempo todo? — Rebateu Rose, levemente irritada. — Que droga, você salvou minha vida. E agora é a minha vez de salvar a sua.

— Eu não vou morrer. — Depois de segundos encarando Rose, Clove falou, com convicção. Rose assentiu, prontamente.

— Eu não vou deixar.

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— Larga ela agora! — Ordenou Harry, sua respiração descompassada denunciava a sua tensão. O mutante vampiro prendia o corpo de Gina de uma maneira com que a ruiva ao menos conseguia mover seu corpo, enquanto sentia as presas da boca do homem arranhando levemente a pele de seu pescoço. Os cabelos da ruiva estavam totalmente bagunçados, em consequência de uma das mãos do mutante que a segurava pelos fios ruivos.

— Finalmente encontrei gente nova nessa ilha. — Comemorou o homem, sua voz era sombria e fria, a respiração lenta batia contra o pescoço de Gina, que parecia tentar se concentrar o máximo possível, vencer seu desespero interno naquele momento. Precisava usar seus poderes, da mesma maneira que usou contra Lewis na mata. — Estava cansado das presas antigas.

— Olha só, tira as mãos dela. — Mandou Scorpius, de prontidão, para usar sua hipnose.

— Eu já avisei. — O mutante mostrou as presas para Harry, no momento em que o garoto deu um passo à frente. — Se tentarem qualquer coisa, a gatinha aqui vai sofrer um pouquinho.

— Você não vai querer se meter com a gente, somos mutantes. — Explicou Harry, a raiva escapando entre suas palavras. — Deixa ela em paz.

— Harry. — Gina chamou a atenção do moreno, que encarou os olhos desesperados dela. — Eu não tô conseguindo usar meus poderes.

— Ninguém aqui vai usar merda de poder NENHUM! — Gritou o mutante, completamente irritado. Puxou os cabelos de Gina, fazendo a garota soltar um gemido de dor, e posicionou suas presas afiadas contra a pele já avermelhada do pescoço da ruiva.

— Scorpius! — Harry rangiu os dentes, esperando o garoto conseguir logo usar seus poderes e livrar Gina daquela armadilha.

— Harry.. — O loiro olhou Harry de esguelha e negou com a cabeça, o moreno entendendo prontamente, entreabrindo a boca e a feição de seu rosto demonstrando uma completa tensão. Se Scorpius também não conseguia usar sua hipnose, como tirariam Gina das mãos do vampiro?

— Não quero caçar confusão com vocês. — Disse o mutante, com a voz arrastada e fria. Harry contraiu os lábios; Scorpius arqueou as sobrancelhas sem entender. — Então, que tal fazermos o seguinte: eu levo a garota, e vocês ficam aqui, ninguém se machuca.

— Nem pensar! — Argumentou Harry, prontamente. — Você não vai tocar em Gina.

— E você? — O vampiro encarou Scorpius, movendo um pouco o corpo, trazendo Gina consigo. A ruiva respirava descompassadamente, tinha os olhos semicerrados. A mão do vampiro que a puxava pelos cabelos agora apertavam a boca da garota. — O que acha disso?

— Scorpius.. — Harry repreendeu Scorpius, vendo os segundos de silêncio sem resposta do loiro. — Scorpius! — O moreno pareceu incrédulo.

— Larga a garota, agora. — O loiro finalmente se pronunciou, e Harry, um tanto aliviado internamente, voltou a olhar Gina presa nos braços do mutante.

— Ora, que pena. — O vampiro debochou. — Você viu, né garotinha? — A voz fria do homem arrepiou o corpo de Gina, a boca da garota já parecia machucada em consequência da pressão que os dedos dele faziam contra seus lábios. — Eu tentei. Mas eles querem se machucar. — O mutante soltou uma risada maldosa. — Melhor pra mim, que vou ter muito mais sangue pro meu banquete. — Maliciou o vampiro, abrindo a boca e mirando o pescoço de Gina com as presas, prontamente para abocanhá-lo.

— Harry! — Ela tentou se debater contra o corpo do mutante, seus olhos faiscavam em desespero.

— Solta ela, agora! — Uma voz desconhecida para Harry e Scorpius ecoou por entre o matagal, logo uma cor de fogo bem semelhante aos cabelos de Gina apareceu no escuro da noite, e um garoto surgiu com um machado por entre as mãos, acompanhado de uma garota morena que tinha uma corcunda nas costas. Mas, aos olhos atentos de Harry, não pareciam bem uma corcunda.

— Rony! — Gina abriu a boca em espanto e surpresa, não acreditava no que estava vendo. Pareceu sentir um leve alívio da pressão dos dedos do mutante contra sua boca. — Hermione!

— Se alguém se aproximar, eu mordo! — Intimidou-os o mutante, parecendo um tanto receoso ao sentido sobre-humano de Hermione.

— Se você não soltá-la, é você quem vai perder. — Rony mirou o machado em suas mãos em direção aos olhos vermelhos do vampiro, que, subitamente, soltou o corpo de Gina e recuou vários passos para trás. — Acho bom você sumir daqui. — Ordenou Rony, e Hermione tinha a certeza de que se não conhecesse Rony, temeria aquela voz do garoto.

— Eu vou encontrar você de novo. — O mutante vampiro alertou Gina, que estava completamente atordoada, e ao menos conseguiu prestar atenção naquelas palavras. Com mais alguns passos rápidos em recuo, o vampiro sumiu das vistas dos mutantes dali. Harry parecia extremamente aliviado em ver aquelas pessoas que nunca havia vido na vida, já Scorpius, estava tão atordoado quanto Gina.

— Eu não acredito que vocês estão aqui. — A ruiva baixou a guarda de seu desespero, correu até o encontro de Hermione e abraçou a garota fortemente. Era completamente confortante vê-los de novo.

— Te encontramos, e você está bem. — Rony pôde respirar aliviado quando soltou o machado de suas mãos no chão e envolveu o corpo de Gina em um também abraço, bem forte.

— Se não fosse por você.. — A ruiva não sabia como agradecê-lo, ainda estava completamente surpresa.

— Por que você não matou aquele infeliz? — Scorpius quis saber, no momento em que reagiu daquele choque.

— Quem são eles? — Rony indagou, soltando Gina e olhando a garota nos olhos, segurando em seu rosto. Harry olhou a cena de esguelha, contraindo as sobrancelhas. Pareciam irmãos, ou seriam namorados?

— Eles são do bem. — Avisou a ruiva, tranquilizando-o.

— Dá pra me responder, cara? — Retrucou Scorpius, sem paciência. Hermione o olhos com as sobrancelhas contraídas. Em uma ironia, ele parecia bem receptivo.

— Eu não podia arriscar. — Explicou Rony, bagunçando os cabelos. — Ela estava nas mãos dele.

— Seu pescoço tá arranhando. — Hermione comentou, demonstrando preocupação, enquanto observava a pele avermelhada de Gina. A ruiva tocou a região com os dedos, contraiu os lábios. Ardia.

— Os dentes dele. — Falou a ruiva. — Droga, eu não consegui de novo usar meus poderes.

— Acho que é o bloqueio. — Harry comentou, se aproximando. Olhou Gina nos olhos, a garota o olhava de uma maneira completamente diferente da maneira que qualquer outro, ou outra, o olhava.

— Bloqueio? — Hermione indagou, confusa.

— Essa ilha, acho que ela bloqueia nossos poderes. — Explicou Scorpius, bufando.

— Não bloqueia não. — Rony rebateu, olhando o machado ao lado de seu corpo, no chão. — Eu acabei de usar meus poderes.

— Rony, como? — Gina arqueou as sobrancelhas.

— Ele consegue materializar as coisas. — Hermione explicou, olhando Gina, sorrindo fracamente. — Esse machado, ele que fez.

— Fez? — A ruiva se surpreendeu. — Como assim, você..

— Eu penso no que eu quero, e essa coisa aparece na minha mão. — O ruivo falou, vendo Gina ficar abobada.

— Mas como isso é possível? — Harry pareceu completamente surpreso.

— Você ainda acha que existe alguma coisa impossível? — Scorpius olhou Harry por cima do ombro. O moreno sorriu de canto, negando com a cabeça em seguida.

— Mas se você consegue usar seus poderes, por quê eu não consigo? — Scorpius demonstrou indignação.

— O que você faz? — Hermione indagou.

— Enquanto o vampiro tava te prendendo, o Scorpius tentou hipnotizar ele. — Harry explicou, olhando a ruiva novamente demonstrar surpresa. — É só ele olhar nos olhos das pessoas que ele consegue o que quer.

— Isso é bom ou ruim? — Rony contraiu as sobrancelhas, enfrentou Scorpius com o olhar. O loiro nada respondeu. Hermione trocou olhares com Gina.

— A questão é a seguinte: Scorpius e eu não conseguimos usar nossos poderes. E Gina também. — Harry atraiu a atenção deles, se concentraram no assunto.

— Mas eu usei antes, aqui na ilha. — A ruiva argumentou. — Acho que foi porque eu tava muito nervosa. Esse é um tipo de bloqueio meio.

— Então tá, dois conseguem usar os poderes e dois não conseguem. — Scorpius continuou por Harry. — E você, é mutante? — Olhou Hermione intensamente.

— Eu tenho minhas asas. — Explicou a morena, vendo os garotos à sua frente arregalarem discretamente os olhos. — Elas sempre funcionam.

— Talvez vocês estejam fracos. — Rony supôs, na melhor das hipóteses. — E por isso seus poderes não estão funcionando.

— Então temos que treinar. — Harry rebateu, vendo Gina fixar seus olhos azuis nos dele, verdes, brilhando contra a escuridão da noite.

— Treinar? — Scorpius pareceu surpreso. — Uns com os outros?

— É a nossa melhor chance. — Harry explicou, sensatamente.

— É a melhor chance de vocês, não nossa. — Rony retrucou, prontamente. Todos o olharam. — Agora que encontramos Gina, podemos ir. — Ele explicou, encarando o olhar de Hermione. A morena contraiu os ombros, viu Rony olhar Gina em seguida. — Temos que encontrar Bellatrix Lestrange.

— Rony. — Gina se pronunciou. Correu os olhos de Scorpius até Harry, e de alguma maneira, sentiu como se não quisesse deixá-lo para trás. Como se a presença dele mudasse algo nela. — Vamos ficar com eles.. — Ela sugeriu, viu Rony arquear as sobrancelhas quando o olhou novamente. — Eles também são um grupo, os outros só estão perdidos na ilha. Juntos, eles podem nos ajudar.

— Confia neles? — O ruivo quis saber, não podia se confiar em qualquer um naquela batalha. Principalmente, naquela ilha. Mas Gina era sensata. Ela saberia o que escolher e o que fazer.

— Confio. — A ruiva assentiu, depois de alguns segundos de silêncio. Novamente, trocou olhares com Harry. O verde dos olhos do moreno pareceram brilhar e faiscar.

— Tem espaço no grupo pra mais dois? — Rony se dirigiu ao garoto moreno à sua frente. Harry assentiu e os dois garotos apertaram as mãos, enquanto assentiam sem dizer palavras.

— Harry Potter. — Se apresentou, vendo Rony assentir levemente.

— Rony Weasley. — O ruivo falou, enquanto soltava a mão de Harry e apertava à do loiro ao lado.

— Scorpius Moodley. — Scorpius falou, sua voz ainda demonstrava um certo receio. Desconfiava estava no sangue do mutante, mas estavam realmente parecendo ser mutantes do bem.

— Sou Hermione. — Cumprimentou a garota, com um leve aceno de mão. Harry assentiu, Scorpius fez o mesmo. — Gina, como veio parar aqui?

— Lá no hotel, quando eu fui na cozinha, os policiais invadiram o lugar junto com um mutante. Tentei lutar mas eram muitos, e fiquei nervosa, as coisas começaram a quebrar. Você sabe, ficar nervosa nunca me ajuda. O mutante acabou me pegando e colocaram um pano no meu nariz, eu só lembro de desmaiar.

— Tinha um mutante lá? — Hermione se surpreendeu. — Mas por que tinha um mutante junto com a polícia?

— Tem muita coisa que a gente precisa descobrir nesse lugar. — Rony tirou uma madeixa ruiva de sobre seus olhos. Tudo estava parecendo ficar mais sombrio a cada minuto que se passava naquele mundo mutante.

— Gente, eu pensei que poderíamos sair pela manhã.. — Gina atraiu a atenção deles para si. — Irmos atrás do laboratório.

— Laboratório? Tem um laboratório aqui? — Hermione parecia ficar cada vez mais atordoada.

— Tem, eu estava presa lá. Com uma amiga deles inclusive. — Explicou a ruiva, olhando Harry e Scorpius. O loiro contraiu os lábios, não queria dar o braço à torcer a si mesmo, mas estava preocupado com a ruiva. Sentia falta de implicar com ela. — Então a gente poderia ir atrás da Bellatrix.

— Não sem os nossos amigos. — Harry negou, não poderia concordar deixar seus amigos e sua irmã fora disso. Precisava encontrá-los primeiro.

— Talvez eles estejam por lá. — Gina supôs, olhando o moreno. — Tem policiais aqui pela ilha, talvez já tenham capturado todos os seus amigos e eles estejam presos lá.

— Mas não sabemos disso. — Rebateu Harry, ainda negando.

— Harry. — Scorpius o olhou. — É a nossa melhor pista. Melhor do que ficar por aqui, andando em círculos por esse lugar.

— Seu amigo tá certo. — Rony foi sensato. — E de qualquer forma, precisamos encontrar essa Bellatrix.

— Já que estamos juntos agora, temos que te convencer. — Hermione falou, serenamente. Harry bagunçou os cabelos enquanto respirava fundo.

— A minha irmã tá aqui por essa ilha. — O moreno demonstrou atordoamento. — Não posso ir sem ela.

— Vamos encontrar ela. — Scorpius argumentou, sentindo os fios de seus cabelos loiros voarem. — Harry, precisamos ir nesse laboratório. Você é o sabe-tudo, então sabe disso.

— Você não tem uma opção melhor. — Gina falou seriamente, olhando o garoto nos olhos. Harry fitou-a por vários segundos. Deixar Clove pela ilha, enquanto iam atrás de todas as informações sobre o porquê daquela batalha estar acontecendo, parecia errado. Deixar seus amigos fora disso parecia errado. Mas ele não tinha outra escolha. E talvez, pelo caminho, os encontraria. Talvez eles precisavam fazer aquilo.

— Tá bom. — O moreno assentiu, concordando. — Pela manhã, a gente vai atrás desse laboratório. Mas se encontrarmos qualquer pista dos meus amigos, vamos atrás deles. — Explicou Harry, seriamente. Os outros pareceram concordar, pois assentiram, de prontidão.

— Então.. a gente vai treinar nossos poderes? — Gina relembrou-os da ideia do mutante.

— Como vocês sugerem que a gente faça isso no meio da noite? — Scorpius arqueou as sobrancelhas.

— A gente se divide e cada um tenta usar os poderes um contra o outro, ao mesmo tempo em que um ajuda o outro. — Harry explicou, sensatamente. Hermione o olhava, de braços cruzados. — Talvez, juntos a gente consiga usar nossos dons.

— A ideia é boa. — Hermione falou. — Mas, um contra o outro?

— Não é pra ferir ninguém. — Rebateu Gina.

— Mas tá muito escuro. — A morena continuou, com receio.

— Isso não é problema. — Rony os olhou fixamente. — Vamos dividir as duplas, e depois a gente intercala. Eu posso materializar uma lamparina.

— Não vai chamar atenção? — Gina jogou os cabelos para trás, tirando os fios de sobre os olhos.

— É a nossa melhor opção. — O ruivo falou, de prontidão.

Sim, eles iriam lutar.

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Já era tarde da noite, Cato sabia. Também sabia que, por isso, não deveria correr o perigo de andar pela mata àquela hora. Tentar voltar até a praia também não era uma boa opção, já que se encontrasse algum mutante, não teria onde se esconder. Lutar àquela hora não levaria vitória à ninguém, ele também tinha a certeza disso.

Passar a noite sozinho naquele lugar não parecia nada convidativo, e aquele silêncio da noite dava um ar tão sombrio que poderia causar arrepios em qualquer um. Cato estava em desvantagem passando a madrugada na mata, sozinho. Então teria que ficar acordado. E na manhã seguinte, seguir seu caminho para encontrar seus amigos. Encontrar Clove novamente. E permanecer vivo.

O loiro se desviou de seus atordoados pensamentos quando escurou um barulho de folha seca sendo pisoteada por perto daquela região. Preocupado, se levantou do chão e correu com o olhar por entre a escuridão no matagal. Não dava pra se enxergar absolutamente nada. Já era muito tarde, e a única coisa que se iluminava por ali era o azul de seus olhos e as estrelas no céu. Pelo menos a chuva já tinha passado.

Torceu para que não fosse nada, até porque suas chances seriam poucas. Mesmo que corresse rápido dali, estava tudo tão escuro que se chocaria contra uma árvore ou uma pedra qualquer e acabaria se machucando. O peso de ser mutante estava cada vez maior.

Ouviu novamente o barulho de folhas secas se quebrando, do mato se mexendo lentamente. Era alguém, Cato teve a certeza. Olhou pelo chão, tentou vasculhar o local com o máximo de clareza que conseguia. Encontrou um tronco de àrvore atrás de um arbusto ainda molhado pelas gostas da chuva, pegou o tronco firmemente com as mãos e mirou em prontidão na direção em que sentia os passos se aproximando. Só restava torcer para que não fosse mutante filho da puta.

— Espera! — Pediu a voz feminina, desesperada, quando percebeu que o garoto à sua frente lhe atacaria com o pedaço de pau em suas mãos. — Eu não quero problemas, por favor!

— Quem é você? — Cato respirava sem compasso, o susto da presença súbita da garota ainda o rodeava.

— Meu nome é Lilá, por favor, não ataca. — Pediu a garota, trêmula, tinha as mãos ao alto, em recuo.

— Você também é mutante? — O loiro baixou suas mãos que ainda seguravam firmemente o tronco, com cautela.

— Sou. — A garota se permitiu dar um passo à frente. Cato semicerrou um poucos os olhos, tentou enxergá-la melhor. Percebeu, observando os cabelos longos e cacheados, que era uma menina loira e aparentando ser jovem. — Eu posso saber o seu nome?

— Sou Cato. — O loiro se permitiu baixar a guarda, jogou o tronco no chão ao seu lado, viu Lilá se aproximar um pouco mais. Ela parecia ser bonita e não tinha a feição fechada, como os mutantes do mal que havia enfrentado. — Você tá perdida?
— Eu acabei de fugir do laboratório. — Explicou a garota, nervosa.

— Laboratório? — Cato pareceu atordoado. Lilá contraiu as sobrancelhas, era ele quem parecia estar perdido.

— Pelo visto você é novo aqui. — A garota chegou à sua própria conclusão. — Eu vou te explicar. Vou explicar tudo.

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— Doutora? — Lewis deu leves batidas na porta, sem querer demonstrar seu nervosismo. Bellatrix não gostava de ser incomodada em momentos importunos, e nunca se sabia o que a médica-cientista estava fazendo em cada momento do dia naquele laboratório sinistro.

— Pode entrar. — A voz da mulher permitiu a entrada do policial. Ela estava sentada sobre sua cadeira, como de costume, parecia pensativa e ainda assim mantinha um sorriso nos lábios. Era aquele sorriso assustador e ao mesmo tempo calmo, ela sempre estava assim. — Algum problema, Lewis? Já está tarde.

— Estamos com alguns problemas em Manchester. — Explicou o homem, respirando fundo, bagunçando os cabelos escuros, Bellatrix ergueu o olhar e encarou o policial. Permitiu-o continuar. — É uma policial. Ela está fazendo a cabeça da delegacia.

— O que quer dizer com isso? — Bellatrix não gostava de enrolações.

— Ela está colocando na cabeça de outros policiais de que essa investigação dos mutantes precisa ser de toda a delegacia. Segundo ela, é um caso muito complexo e preciso ser muito investigado. Ela é contra a prisão dos pais dos mutantes e de "matarmos" as criaturas. — Lewis usou aspas, afinal, os mutantes não eram mortos, apenas trazidos pra ilha. E era na ilha que tudo se tornava um inferno para eles. Mas tudo era extremamente sigiloso.

— E quem é essa policial? — A mulher não demonstrou preocupação, sua voz apenas exalou frieza.

— Fleur Delacour. — Disse o homem, prontamente. — Quer que eu dê um jeito nela?

— Não, eu não gosto de violência. — Bellatrix se levantou da cadeira e encarou o homem, ficando frente a frente com ele. — A não ser que ela mesmo se machuque. — E novamente, abriu aquele sorriso sombrio. Lewis sorriu junto. — Apenas controle a situação. Deixe apenas ela vir parar aqui na ilha, isso vai acontecer de qualquer jeito. Aqui ela vai encontrar o que tá procurando.

— Muito bem, doutora. — Lewis assentiu, concordando. — Capturaram mais um casal de pais de mutantes no começo da noite lá na cidade. — Contou o homem. — Pais de Dino Thomas.

— E o que fizeram? — A mulher quis saber.

— O de sempre. Mataram o pai, e a mãe vai ser trazida pra cá amanhã, Andrew irá buscá-la. — Explicou Lewis.

— Sabe que eu não gosto que matem os pais. — Rebateu Bellatrix, repreendendo aquela atitude. — Mas devo confessar que é menos trabalho pra todo mundo. E as mães, elas são essenciais pra mim.

— Doutora, eu tenho curiosidade de saber o que você vai fazer com elas. — Confessou o homem, sorrindo malicioso.

— Elas são minha fonte essencial para a produção de mutantes. — Disse Bellatrix, serenamente. O sorriso nos seus lábios era presente.

— Então, elas são cobaias? — Lewis arqueou as sobrancelhas.

— Eu não conto meus segredos, Lewis. — Rebateu Bellatrix, sorrindo com malícia. — Nem mesmo pra você.

Notas finais
Então, fiz esse banner pro capítulo porque achei que vocês iriam gostar. Não esqueçam de comentar o capítulo. E muito obrigada pela força gente, tá bem difícil a situação mas vai dar tudo certo! E Laix, eu queria agradecer você por cada conselho! Você é uma amiga incrível! Desculpem os erros ortográficos, capítulo sem revisão. Xx, Jen