Mutant World
9 Perigos
Notas iniciais
– O quê que tá acontecendo? — A doutora Serena perguntava estupefata, enquanto ia até uma gaveta trancada, pegava uma chave de dentro do bolso de seu jaleco branco, e destrancava a gaveta. Estava com Rony em uma sala localizada no último corredor da clínica, somente os médicos ou enfermeiros com permissão podiam adentrar alí.
– Conseguiu? — O ruivo indagou, estava atônito. Não sabia como haviam descoberto ele alí, como haviam descoberto que ele era um mutante. Precisa dar o fora dalí o mais rápido possível, nenhum lugar já não mais era seguro.
– Calma. — A doutora corria os dedos pelas datas que separavam as pastas. — 95.. 91.. 86, aqui! — Ela pegou a enorme pasta de dentro da gaveta e colocou-a sobre uma mesa de mármore.
Rony sentiu seus batimentos cardíacos acelerarem. Abriu a pasta com pressa e visualizou uma escrita em letra de médico "Crianças nascidas entre os anos de 1980 e 1989".
– Preciso que me diga porque você quer a ficha dessas pessoas. — Serena falava cautelosamente, sem esconder sua tensão.
Rony não respondeu, virou a página, viu o rosto de uma garotinha loira de cabelos cacheados e olhos azuis. A ficha informava: "Lilá Brown, 2 de maio de 1988, Hidrocinese."
– Hidrocinese? — Indagou a médica, sem entender. Rony entreabriu a boca, imaginando como seria ter o poder de ficar invisível.
– Endereço.. — Rony correu os olhos pela página, e no canto inferior dela, localizou. — Será que ela ainda mora aqui em Manchester? — O ruivo olhou rapidamente a médica, que contraiu os ombros, sem resposta. Ela parecia extremamente desentendida.
– Você pode por favor me explicar o que significa isso? Mutante, Invisibilidade? — A mulher voltou a ler o trecho onde diziam as palavras.
– Eu não tenho tempo agora, mas você vai saber. — Rony girou a página novamente, dessa vez era a foto de um garotinho aparentando ter dois anos de idade. "Draco Malfoy, 5 de julho de de 1986, Controle meteorológico e Intangibilidade." — Intangibilidade, o que significa? — Olhou a doutora.
– Não faço a menor ideia. — Ela respondeu, contraindo as sobrancelhas. Rony assentiu e voltou a olhar a ficha. Constava um endereço, Malfoy não morava em Manchester. O ruivo voltou a virar a página, dessa vez uma menina. Linda, olhos castanho-mel, aparentava ter uns três anos de idade. Rony se surpreendeu com a descrição.
"Hermione Granger, 19 de setembro de 1986, Asas."
– Asas. — O ruivo falou, com total surpresa. — Então essa é a garota..
– Asas? — A doutora olhou para a ficha. A foto da meninininha estava em um ângulo possível de ver uma corcunda em suas costas. — Isso quer dizer que essa menina tem asas? — E olhou Rony, assombrada. O ruivo assentiu para a médica, que pareceu simplesmente não acreditar. — Mas isso não é possível.
– Me admira você não saber dessa história pelos jornais. — Comentou o ruivo, virando a página novamente.
– Não costumo ligar a televisão. — Serena falou, cobria a boca com uma das mãos, parecia chocada. — Essa garota parece com você. — Comentou ela, vendo a foto de uma garotinha ruiva na ficha 4.
– Ela provavelmente tinha uns três anos aqui. — O ruivo contrapôs, olhando a mulher de relance.
– Mas parece. — Argumentou ela. Rony leu "Gina Whotsley, 8 de agosto de 1985, Telecinese e Pirocinese."
– Também não faz ideia do que significa isso? — Rony olhou a doutora, que negou. Bufou, procurou por algum endereço ou telefone.
– Ouviu isso? — Indagou a doutora, atentamente. Rony a olhou, sem entender, e parou para prestar também atenção.
– Isso o que? — Ele indagou e ela fez um "shi" para o garoto se calar. O ruivo deu e ombros e novamente olhou a ficha. Sentiu seu coração saltar mais uma vez quando ouviu uma sirene de polícia.
– Ah que merda. — O ruivo fechou rapidamente a pasta e encarou Serena, que estava quase pálida. O ruivo segurou a pasta entre os braços.
– O que você tá fazendo? — Ela indagou, com assombro.
– Preciso ir. — Ele avisou, colocando o capuz sobre a cabeça.
– Você não pode levar essa pasta. — Serena tentou pegar os arquivos dos braços do ruivo, mas ele recuou.
– Eu vou devolver, eu prometo. — Rony via que a médica estava desconcertada.
– Por que você precisa disso, por que você tá fugindo da polícia? — E o barulho das sirenes já tomavam conta do lado de fora da clínica.
– Eu agradeço muito doutora. — O ruivo segurou firmemente a pasta com as mãos.
– Como você vai embora daqui? — A médica indagou estupefata.
– Pesquise sobre mutantes. — O ruivo sugeriu, e viu a médica entreabrir a boca. — Você vai entender.
E, levando uma mão ao capuz em sua cabeça, o ruivo tomou um leve impulso enquanto mentalizava sua casa. Segundos depois, Rony já se teletransportava dali, deixando a doutora Serena paralisada dentro daquela sala enquanto a polícia já adentrava a clínica à procura do mutante.
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– Meu Deus, isso não podia ter acontecido, não podia! — Jefferson andava para lá e para cá pela sala, a notícia dos mutantes nos noticiários o fez ficar desesperado. Gina estava sendada no sofá, o rosto coberto pelas mãos, a calma que ela não tinha no momento dando consequência ao piscar constantemente das luzes. Hermione, ao lado de uma atordoada Claire, abraçava os próprios braços e tinha os olhos semicerrados.
– O que vamos fazer agora, Jeff? — Indagou a mulher, tensa. — Muitas pessoas já devem ter reconhecido a Gina, o que faremos?
– Não tenho a menor ideia. — O homem parou de andar e olhou a esposa.
– Mas e aquele homem, o tal de Severo.. Talvez ele possa ajudar. — Sugeriu ela, atônita.
– Como vamos até ele? Nossa filha está sendo caçada, e Hermione também. — O homem ruivo olhou a morena encolhida ao lado de Claire.
– Se a gente ficar aqui, eu e Hermione vamos morrer. — Gina descobriu o rosto e olhou os pais com desespero.
– Precisamos fazer alguma coisa. — Hermione fora quem se pronunciou.
– Quem sabe a gente poderia ficar na casa de alguém confiável? — Sugeriu a mulher, e Jefferson negou.
– Ninguém está sendo confiável. — Argumentou ele.
– Mutantes. — Gina falou e a atenção dos pais e de Hermione se voltaram pra ela. — Talvez pudéssemos ficar na casa de mutantes, mutantes do bem.
– Não fazemos a menor ideia de onde encontrar mutantes filha, especialmente os do bem. — Claire contrapôs.
– Mas, pai.. — A ruiva se levantou do sofá e olhou o homem. — Você disse que esse Severo Snape tem as informações sobre os mutantes. Talvez ele possa dizer onde encontrá-los.
– Não podemos correr o risco de sair por aí com você e a Hermione sendo caçadas. — O homem não aprovou a ideia. Gina respirou fundo, em contragosto.
– Mas pai, não temos o que fazer. — Ela argumentou, nervosa.
– Tem que ter um jeito. — O homem suspirou pesadamente, vendo Gina novamente se sentar no sofá e cobrir o rosto com as mãos. Correu os olhos pela esposa, que exalava preocupação, e Hermione parecia apavorada e indefesa. Jefferson tinha que conseguir salvar aquelas pessoas.
O telefone tocou. Gina imediatamente descobriu o rosto e olhou assustada para o aparelho sobre a estante, seu nervosismo provocando o estouro da lampada em cima deles. Claire cobriu a cabeça de Hermione com a mão e fechou os olhos, Jeff recuou alguns passos temendo os estilhaços. A ruiva respirou assustada quando o telefone tocou mais uma vez. Claire se afastou de Hermione e observou Jefferson com certo receio. O homem respirou fundo e caminhou até a estante, pegando o telefone sem fio e o atendendo cautelosamente.
– Alô?– Sua voz tinha receio.
– Alô, é da residência dos Whotsley?– Uma voz masculina, não muito grossa soou do outro lado da ligação.
– Quem gostaria?– Jefferson tinha a atenção de Claire, Hermione e Gina.
– Meu nome é Ronald.– Rony pausou a fala, tomando coragem. - Eu preciso muito falar com Gina Whotsley, a mutante.
– Não sei de nada sobre isso.– Jefferson já ia desligando o telefone quando a voz de Rony o fez desistir.
– Espera, senhor.– Rony pediu rapidamente. Suspirou. Teria que abrir o jogo se quisesse encontrar Gina Whotsley. — Eu também sou um mutante. E percebo que o senhor está desesperado, assim como eu. Eu preciso muito encontrar algum mutante, preciso entender tudo o que está acontecendo, e sinto que Gina Whotsley é o melhor caminho.
Jefferson olhou Gina, tinha a boca entreaberta, a respiração pesada e tensa. Gina demonstrava tamanho nervosismo, pois as luzes de outros cômodos, mesmo apagadas, acendiam e apagavam constantemente.
– Como posso saber que é confiável, rapaz?– Indagou o homem, sua mulher o olhava atônita e curiosa.
– Eu não estaria dizendo a um entranho que eu sou um mutante se eu não precisasse muito. Gina é sua filha?– Indagou Rony, uma luzinha de esperança já estava brilhante diante de seus olhos.
– Sim.– Falou Jefferson com cautela. Não deveria confiar, mas não tinha em quem confiar. Estava desesperado, e o desespero leva pessoas a cometerem loucuras. — Você tem como vir até minha residência?– Hermione, Gina e Claire contraíram as sobrancelhas.
– Tenho, eu tenho o endereço.– Rony falou, se levantando de cima de sua cama, já pegando sua mochila com a pasta recheada de fichas de mutantes dentro dela. Colocou a mochila sobre o ombro e saiu do quarto, descendo as escadas rapidamente.
– Então, eu vejo você quando rapaz?– Indagou o homem, tentando aceitar que à essa altura qualquer pessoa teria o endereço deles.
– Daqui à uns cinco minutos.– Respondeu o ruivo, e desligou o celular, ao chegar na sala e encontrar a mãe costurando.
– Rony! — Molly se levantou da cadeira quando o filho apareceu.
Rony tinha chegado em casa à quase uma hora. Leu e releu várias vezes todas as fichas dos pacientes da clínica. A conclusão que chegou: todos eram mutantes. Não entendia como, como todos eles podiam ter nascido superdotados daquela forma. E como tudo aquilo desencadeou uma batalha que estava por vir. Rony também procurou as últimas informações pela internet sobre os mutantes. Ainda estava sem saber como foi reconhecido na clínica. E a bomba veio até ele: A identidade de quase todos os mutantes tinha sido divulgadas. O risco que corria antes, agora corria em dobro, precisa resolver tudo logo. Sua casa poderia ser invadida a qualquer momento e além de tudo sua mãe poderia sofrer as consequências.
– Você vai sair de novo? — Molly indagou com preocupação ao ver a mochila nas costas do filho.
– Eu encontrei uma mutante. Vou conversar com ela. — Rony avisou, esperançoso. Molly negou levemente com a cabeça.
– Rony isso já está perigoso demais. — Ela contrapôs. — Você entende que está correndo muitos riscos?
– Mãe, saindo de casa ou não eu vou correr riscos. — Explicou o ruivo, vendo Molly suspirar pesadamente. — Além disso, eu preciso entender qualquer coisa do que está acontecendo, preciso de uma luz no fim do túnel.
– Eu sei meu filho.. — Ela comentou, tristemente.
– Eu não queria deixar a senhora aqui. — O ruivo disse, demonstrando um semblante desanimado. — Mas seria mais perigoso se viesse comigo.
– Eu te entendo, querido. — Molly sorriu tristemente para o filho. Rony a abraçou. Tinha que descobrir tudo o que precisava logo, sua mãe também corria perigo. Ele precisava protegê-la.
– Toma cuidado. — A matriarca pediu e o ruivo assentiu, beijando a bochecha da mãe e logo deixando a casa, novamente à uma longa procura de um apartamento no meio de Manchester.
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Clove já não aguentava mais andar. Não queria admitir que estava fraca, mas estava. A comida já estava acabando, água era encontrada raramente pelo caminho e nada de um lugar para descançarem. Passar a noite debaixo de árvores já estava sendo extremamente cansativo. Como podia haver tanto mato naquele maldito lugar?
– Harry, não, para. — Ela pediu, sua voz falhava, suas costas deslizaram pela casca grossa de uma árvore serigueira.
– Clove, não podemos. — O moreno foi até a irmã e a segurou pelo braço, tentando levantá-la. A morena olhou para cima e encarou os olhos do irmãos. E Harry percebeu que ela estava quase a ponto de desmaiar.
– Po..por favor. — Pediu Clove, engolindo em seco. Harry suspirou e olhou Rose e Luna do seu lado. As duas pareciam tão exaustas quanto, mas ainda conseguiam se manter de pé.
– Vem, eu posso te carregar. — Harry puxou com cuidado a morena para cima, forçando-a a se levantar, roçando novamente as costas pela casca grossa da árvore.
* — Gente. — Rose disse com uma tensão incomum, Harry e Clove desviaram o olhar para a ruiva, que olhava para frente com os olhos quase arregalados. Seguiram o olhar da garota, mais à frente, vinha correndo uns cinco homens armados e vestidos com coletes. Eram policiais.
– Policiais. — Luna recuou alguns passos, quase tropeçou em uma pedra, sua voz de terror claramente perceptível.
– Vamo bora daqui, vem. — Harry puxou Clove pelo braço, os quatro começaram a correr por entre as árvores.
Luna olhou para trás, seus passos quase se embaralhando, a polícia já havia os localizado. Um barulho foi ouvido e o grito que escapou pelos lábios de Rose foi involuntário, os passos aumentaram a velocidade subitamente, Clove tentava manter o equilíbrio sobre as pernas.
– Eles tão atirando! — Gritou Luna, desesperada. Corria ao lado de Rose, mas logo não estava mais ao lado dela, as árvores em suas frentes os embaralhavam a visão.
– Não olhem pra trás, corram. — Alertou Harry, tentando ao máximo fazer com que Clove acompanhasse seus passos.
O barulho dos tiros continuavam, os passos dos policiais aumentavam ainda mais. Harry tentava cobrir a cabeça de Clove com uma das mãos, um medo descomunal da irmã cair ou ser atingida o invadia. Harry desviou de uma das àrvores, seus olhos se arregalaram ao ver um matagal de morro que teriam que descer e enfrentar.
– Clove, tenho que te soltar, corre o mais rápido que puder, por favor. — O moreno implorou olhando rapidamente a morena entre seus passos apressados.
Avistava Luna e Rose um pouco distantes, mais na frente. Clove assentiu, respirando fundo, Harry a imitou e soltou o ar dos pulmões. Soltou o braço da irmã e ambos começaram a correr juntos, lado a lado. O morro se aproximava cada vez mais, os tiros estavam cada vez mais vindo em suas direções.
Um grito foi ouvido, era Luna que havia visto uma bala acertar uma árvore ao lado dela. Harry sentia seu coração acelerado de uma forma que nunca sentira antes. O medo lhe invadia.
– PEGUEM ELES! — Uma voz grossa em forma de grito foi ouvida em meio à vários tiros.
Os passos de Harry, Clove, Rose e Luna começaram a enfrentar o morro grande, coberto de galhos pelos chãos e mato em todos os lados. Clove sentiu seus pés embaralharem, tropeçou, mas conseguiu se manter de pé. Percebia que Harry mantinha a mesma velocidade que ela para não a deixar para trás, Luna e Rose já terminavam de descer declive à baixo.
Avistaram de longe várias pedras rochosas e mais árvores, teriam pelo menos uma chance de se esconder. Rose olhou para trás, a polícia regulava seus passos pelo morro, as armas miradas em Harry e Clove.
– HARRY! — Gritou a ruiva, fazendo o moreno olhar para trás imediatamente. Empurrou o corpo de Clove para o lado, viu a morena perder o equilíbrio do corpo e a segurou pelo braço, correndo com a irmã para o lado oposto tentando se aproximar de Luna e Rose.
– Vamos Clove. — Ele pediu, sua voz ofegante e em desespero, tentava arrastar a irmã, que ainda parecia se recuperar da perda do equilíbrio das pernas.
– Eu consigo. — Ela disse quase engasgando com a falta de ar, e Harry assentiu, soltando-a novamente.
Os passos dos irmãos aumentaram, logo perderam Luna e Rose de vista, ambas encontrando caminho para se esconder por entre as rochas e àrvores. Harry olhou para trás novamente, haviam apenas três policiais ainda correndo atrás deles e atirando. Não entendeu o porquê, mas não conseguia pensar, não entendia como ainda não tinha sido atingidos por aquelas armas, só conseguia correr. Soltou a respiração ao ver Clove aumentar a velocidade dos passos e conseguir entrar por entre as rochas de pedra enormes, e o moreno a seguiu.
Harry sentiu um baque doloroso contra si e viu seu corpo bater contra o chão, um grunhido de dor de ambas as partes foi ouvido. Sim, um garoto havia batido contra o corpo de Harry, os dois estavam no chão. Trocaram rápidos olhares, o garoto loiro tinha a boca entreaberta, Harry respirava pesadamente. Olharam para trás juntos e viu os policiais próximos o suficiente para conseguir atirar neles.
– Por aqui. — Avisou o garoto loiro, se levantando do chão em segundos e correndo com o corpo abaixado, por entre as rochas. Harry fez o mesmo, ouviu um estampido contra uma das pedras que havia sido acertado por algumas balas.
O moreno só conseguiu ver mato, não localizou ninguém a não ser o garoto loiro que corria em sua frente e o guiava por entre duas rochas apertadas. Harry olhou para os lados, seu olhar desesperado à procura de Clove, Rose e Luna, mas nenhum sinal das três.
O garoto loiro puxou Harry pela camisa e o conduziu até entre as rochas, mal conseguiram entrar os dois alí. Era escuro e apertado, abaixaram seus corpos. Observaram os policiais logo cessarem seus passos da corrida, os três armados e vestidos com coletes tinha as respirações aceleradas, olhavam cada um para um lado, as armas apontadas e os olhares estupefatos.
– Não adianta se esconderem. — Vociferou um dos policiais, de cabelos louro escuro.
– É melhor se entregarem. — O outro, de cabelos pretos saranhados, gritou.
– Suas aberrações. — Fora o outro quem se pronunciou, e a atenção dos três se vidraram no outro lado da mata, um barulho de galhos foi ouvido por lá.
– Ali, ali. — O policial loiro apontou, e cautelosamente, os três iniciaram seus passos na mesma direção.
– Clove. — Harry sussurrou em desespero, tentando sair de entre as rochas, mas sendo segurado pela barra de sua blusa pelo garoto ao seu lado.
– Fica quieto. — Vociferou o loiro, mas em um tom quase inaudível.
– É a minha irmã lá. — Retrucou Harry, dando um passo para a a frente, seu corpo ainda abaixado. Se apoiou em uma das rochas, os policiais de costas para ele indo em direção ao matagal.
O moreno respirou fundo, Clove estava praticamente indefesa, e mesmo podendo fazê-los sentir dor, eram três contra ela. Harry se viu sem saber o que fazer. De nada adiataria seus poderes naquele momento. Era suicídio atrair a atenção dos policiais.
Mas era sua irmã.
– Ei, seus infelizes. — Mas foi a voz do garoto loiro ao lado de Harry que despertou a atenção dos três homens, que se viraram de imediato e encararam os dois entre as rochas. Harry olhou o garoto de esguelha. Os olhos dele estavam ficando azuis extremamente claros e brilhantes. O moreno voltou a olhar os policiais, que pareciam.. hipnotizados? — Coloquem as armas no chão agora. — O loiro falou, e se Harry não estivesse lúcido o suficiente naquele momento, não teria acreditado ver os três policiais obedecer o garoto. — Vocês vão atrás dos outros dois agora, e vão dizer que perderam os mutantes de vista. Vão seguir outro caminho.
– Vamos sim. — O policial loiro disse, olhando como um robô para o garoto.
Harry tinha a boca entreaberta, sua respiração era pesada e seus olhos estavam quase arregalados. Não estava acreditando no que estava vendo. Viu, lentamente, os policiais deixarem a mata rochosa, e esperando mais alguns segundos, olhou o garoto ao seu lado sair de entre a rocha com cautela, olhar em volta, e perceber que já não havia mais perigo.
O moreno também saiu de entre as rochas, estava quase assombrado. Aquilo era um tipo de mutação totalmente inacreditável. Aquele garoto tinha mesmo hipnotizado os policiais?
– Já foram. — Avisou o loiro, quando Harry se aproximou do garoto.
– Você.. — Harry pronunciou.
– Sei, sei, de nada por salvar a sua vida. — Falou o garoto, dando de ombros. Harry assentiu. — Scorpius.
– Harry. — O moreno se apresentou e foi a vez do loiro assentir.
Harry olhou em volta. Nada de sua irmã, Rose ou Luna. A preocupação não tinha o deixado.
– Clove! — Chamou o moreno, a voz baixa.
– Pode gritar, os policiais não vão voltar. — Avisou Scorpius, olhando em volta e bagunçando os cabelos.
– Clove! — E a voz de Harry soou como um grito. — Rose!
Ouviu passos por entre o matagal atrás de uma das rochas, se entreolhou com Scorpius. Olhou atentamente para o local e parte de sua preocupação foi embora ao avistar Rose e Luna, ofegantes, um tanto descabeladas, acenando. O moreno suspirou em alívio.
– Graças a Deus. — Rose falou ao se aproximar de Harry e o abraçar. O moreno retribuiu, olhando Luna à sua frente descançar seu corpo apoiando as mãos em seus joelhos. A loira olhou Scorpius de relance. Estava ofegante demais para perguntar qualquer coisa, e se fosse alguém perigoso, Harry já teria alertado.
– Vocês estão bem? — Perguntou Harry ao se separar de Rose. A ruiva assentiu e o moreno foi até Luna, a abraçando.
– E você? — A loira perguntou em meio ao abraço.
– Estou. — Harry a largou. Olhou as duas. — Vocês sabem de Clove?
– Não. — Disse Rose olhando em volta.
– Droga. — Balbuciou Harry, bagunçando os cabelos já bagunçados.
– Quem é ele? — Indagou a ruiva, apontando para Scorpius, que os observava.
– Scorpius. — Falou Harry, olhando longe por entre as pedras. — Mutante também.
– Oi. — Falou o loiro e Luna fez um aceno com a mão em resposta, Rose assentiu levemente, nada disse, apenas encarou o garoto muntate com nome de Scorpius. A ruiva se perguntou qual poder ele teria.
– CLOVE! — Harry gritou ao passar por entre os três. — CLOVE, CADÊ VOCÊ?
– Calma, Harry. — Pediu Luna olhando o moreno, tenso.
– Preciso procurar ela. — Alertou Harry, girando a cabeça para olhar Rose e Luna. As duas se entreolharam e nada responderam. Harry voltou a olhar para frente e sentiu suas pernas bambearem quando visualizou a irmã, caminhando lentamente, se apoiando em uma das rochas em que acabara de sair.
O moreno correu ao encontro da morena, a envolvendo em seus braços e conseguiu soltar o suspiro de alívio verdadeiro. Tinham sobrevivido.
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A campainha da casa antiga tocou. Uma garota de cabelos lisos, logos e pretos, foi até a porta atender.
– Olá. — A garota disse e entreabriu a boca ao vislumbrar a presença de Cato Malfoy, seu irmão Draco e sua mãe Narcisa. — Cato!
– Cho. — Cato a cumprimentou com um sorriso de canto. — Podemos entrar antes que a gente morra?
Cho Chang era amiga de Cato há anos. Os dois se conheceram na escola, quando o loiro e o irmão ainda tinha a oportunidade de frequentar a escola. Mas Cho foi a única que sempre soube do que Cato era capaz de fazer, que ele tinha poderes, e ainda assim nunca havia deixado aquela amizade. Apesar de estarem há meses sem contato, podiam sempre contar um com o outro.
E Cato estava recorrendo sua sobrevivência à ela.
– Então.. — Cho ia até Narcisa com um bule de café, servindo a xícara da mulher. — Vocês estão sendo mesmo caçados?
– É o que parece. — Cato falou quando a garota se sentou em um sofá de frente para os três. — Uma pessoa até reconheceu eu e Draco pelas ruas, foi difícil chegar até aqui.
– Eu sinto muito por isso. — A morena falou com sinceridade. Narcisa assentiu e baixou o olhar por alguns segundos. — Mas vocês podem ficar aqui o tempo que precisarem. Eu não acho que encontrarão vocês aqui.
– A gente agradece. — Disse Narcisa, que voltara a olhá-la.
– Mas eu e Cato não vamos ficar por muito tempo. — Avisou Draco, e o olhar de Cho e Narcisa se voltaram para ele.
– Como assim? — Indagou a mãe, desentendida.
– Precisamos encontrar mais mutantes. — Falou o loiro, dando um último gole no café de sua chícara.
– Vocês estão loucos? — Narcisa ficou estupefata. — Não andamos nem duas horas pelas ruas e vocês dois já foram reconhecidos. Agora vão sair caçando mutantes por aí?
– Precisamos de ajuda, mãe. — Disse Cato, a olhando sério. — Não podemos ficar aqui pra sempre. Eu e Draco vamos procurar por ajuda e você vai ficar aqui, salva, junto com Cho.
– Não, isso é perigoso demais. — Contrapôs a mulher, em desaprovação.
– Olha Narcisa, eu acho que ele tá certo. — Cho se intrometeu. — Não vai adiantar nada eles ficarem aqui. É perigoso sim sair pelas ruas, mas de um jeito ou de outro, o que quer que esteja vindo, vai vir atrás deles. — Falou a morena com cautela. Narcisa a olhava. Cato trocou olhares com Draco.
– É uma guerra que está vindo. — Argumentou Narcisa com convicção, mas nada menos preocupada.
– Por isso mesmo precisamos estar preparados. — Cato falou. — Não vai ser fácil assim ficar vivo.
– Na guerra vale tudo, mãe. — Draco viu o pânico escondido nos olhos de sua mãe. Mas ela sabia que estavam certos. Um dia tudo aquilo iria acontecer, mais cedo ou mais tarde a perseguição se transformará em uma busca implacável por guerra. E Draco e Cato precisavam mesmo estar preparados.
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