Mutant World
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Notas iniciais
Hermione estava hipnotizada. Ela não sabia se Scorpius estava por perto, mas, estando ou não, a garota estava definitivamente hipnotizada. Não conseguia desviar a sua atenção para longe do rosto de Rony nem por um segundo se quer. As sardas que contornavam o nariz e as bochechas do rapaz ela conseguia contar uma a uma. Os cabelos cor de fogo embaraçados eram penteados pelos dedos dela, enquanto ela jurava nunca poder se esquecer do sorriso avassalador estampado na boca avermelhada do mutante. Enquanto Rony segurava precisamente a cintura de Hermione, ele brincava com o pudor dela. Encarava a morena nos olhos, se quer piscava, ele queria saber até que ponto chegaria o vermelho vivo que pigmentava a cada segundo mais as bochechas da garota.
Rony nunca havia se sentido daquela forma antes, disso ele tinha a certeza. Viveu sua infância entre poucos amigos, e sua adolescência praticamente toda ele passou preso com sua mãe. Bom, não era tão ruim. Ele amava sua mãe. Mas isso não era motivo para o garoto não querer ter uma vida normal. Ele queria. Ele queria ser livre, se divertir, se apaixonar. E até então, desde que a história sobre os mutantes começou a se espalhar pela população, Rony não sabia o que era realizar esses sonhos. Mas desde que conheceu Hermione, algo dentro dele mudou. Essa era outra certeza que Rony tinha. Ele conheceu Hermione e Gina, de uma vez só, e por Gina seu coração batia de uma forma costumeira e natural: calmo. Agora, por Hermione..
– Eu devia te bater. — Depois de longos minutos em um silêncio não incômodo, mas, tranquilizador, Hermione se pronunciou. Sim, ela só havia quebrado o silêncio por estar tão corada a ponto de sentir suas bochechas queimarem. Por que ela estava assim? Isso era óbvio de se notar. Notada, isso era algo que nunca havia acontecido com a garota. Ela nunca havia sido notada por nenhum menino, ela nunca conseguiu sentir tantas coisas ao mesmo tempo encarando alguém daquela forma. Rony lhe tirava os sentidos. Confessando ela, para ela mesma, Hermione sorriu ao pensar que poderia ter as íris azuis cintilantes dele tão perto dela daquela forma, todos os dias de sua vida.
– Por que você deveria cometer uma maldade dessas? — Rony sorriu ainda mais, e percebeu mais uma vez sua respiração se misturando com a dela. Hermione baixou o olhar e curvou os lábios em um riso fraco e baixo, suas bochechas avermelhadas combinaram com suas poucas sardas sobre o nariz. Rony observou-a atentamente. Era engraçado porque ele conseguia ver uma nova beleza nela a cada novo segundo de cada nova hora.
– Porque você me deixou com ciúmes. — Ela confessou, e, erguendo o olhar, viu-o sorrir mais. Definitivamente, aquele sorriso poderia acabar com guerras. A triste guerra dentro dela pouco a pouco ia dando espaço ao esquecimento, a cada novo sorriso dele.
– Você fica linda com ciúmes. — É, as bochechas de Hermione conseguiram ficar mais vermelhas. Rony riu com aquilo. Era tão inocente, e ao mesmo tempo tão tentador. Deslizando a mão por sobre a cintura afilada da morena, Rony percebeu que a curva do pescoço dela combinava com a curva de seu corpo. Ela era lindamente desenhada.
– Você faz isso de propósito, não é? — Ela dedusiu, quando viu o divertimento nos olhos do mutante. Assentindo, Rony trouxe o corpo de Hermione para colar mais no seu. — E me deixar com vergonha, também é um prazer seu?
– O que você acha? — Rony contraiu as sobrancelhas, aproximou seu rosto do dela, vidrando os olhares. Sentiu um arfar escapar pelos lábios inchados de Hermione, e roçou sem pressa seus lábios nos dela. As mãos da garota puxaram os fios de cabelo ruivo. — Você já é meu prazer, Mione. — Ela definitivamente gostou do que ouviu. Não sabia descrever porque gostou, mas seu corpo respondia por ela. Seus pelinhos se eriçaram, até as penas das asas se ergueram em suas costas, seu coração praticamente saltou por sua boca. Mas a boca dela estava ocupada demais ganhando o seu prazer enquanto beijava a boca dele. O mais engraçado de tudo era aqueles sentimentos bons em meio à tanta coisa ruim. Se aquilo era um novo motivo para sobreviver naquela ilha, Hermione iria agarrá-lo com suas forças. Ela podia viver todo o seu pra sempre desfrutando daquelas sensações com ele. E ela sabia que o seu pra sempre tinha os dias contados.
Então, eles iriam viver aquele pra sempre contado nos dedos da mão.
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Estava frio. Um vento gélido balançava as folhas das árvores pela mata, rondava o ar. Clove não sentia frio. Ela deveria? Bom, estava usando sua jaqueta de couro, pela qual ela tinha um carinho enorme. Mas e todos aqueles rasgados pelo tecido? A jaqueta não servia mais para cobrir o frio. Ainda assim, Clove não sentia frio. Na verdade, Clove não sabia o que sentir. Ela e Cato não trocaram mais palavras desde o acontecido entre eles há longos minutos. As bocas coladas, os corpos colados. Clove ainda sentia calor. Ela sabia que seu sangue corria ferozmente por suas veias. Seu coração batia acelerado, e eles nem estavam correndo. O vento gélido batia contra sua pele quente, sua respiração quente, provocando choques térmicos na garota. Ela estava completamente confusa.
Clove era complicada. Ela gostava de complicar tudo. Ela era forte, assim sempre foi chamada por seus pais, e por seu irmão. Mas, caminhando pela mata, lado a lado com o garoto que estava bagunçando todos os seus sentidos, a morena se sentia totalmente vulnerável. Clove sabia o que aquilo significava. Todo aquele turbilhão de sensações e emoções. Aquela respiração descompassada, aquele frio na barriga, aquele arrepio quando os olhares se cruzavam. Tinha vários significados para isso, poderia dar vários nomes àqueles sentimentos, mas preferia chegar a somente uma conclusão: estava nutrindo sentimentos fortes por Cato, então precisava acabar com aquilo. Ela era forte, não era? Ela era poderosa, e ela precisava se controlar. Os sorrisinhos que encurvavam os lábios dele, vez ou outra quando ela respirava profundamente, era sinal de que ele já sabia que ela estava confusa. Que ela tinha gostado do que aconteceu entre os dois. Ele sabia!
– Merda. — Mais um motivo para aquela tremenda confusão em sua mente: Clove estava falando sozinha. Ela estava pensando alto, e aquilo era mais um sinal de que Cato estava bagunçando a vida da garota. — Quer calar a boca? — Quando percebeu, Clove já tinha ordenado para que o mutante, que nem ao menos se pronunciara, se calar. Ela só percebeu a risada dele, e aquilo já foi motivo para mais uma palpitação no coração.
– Eu nem disse nada. — Ele era esnobe, e ela sabia. Por isso não podia ser vulnerável a ele. Mas Cato adorava provocá-la. Ele adorava porque adorava encarar fixamente aquele olhar furioso que ela o lançava, o dedo dela apontado em direção ao peito dele, e a respiração acelerada dela se misturando com a dele. Ele adorava tê-la tão perto.
– É melhor parar de me irritar. — Ela o alertou, e deu as costas para o rapaz. Mas Cato foi ágil e segurou Clove pela cintura — mais uma ação dele que a fez perder a respiração — e a virou de frente a ele. Se olharam mais uma vez, e a íris castanho-esverdeada de Clove ficou indecifrável.
– A culpa não é minha se você fica assim quando tá perto de mim. — Cato envolveu a cintura de Clove e colocou seu corpo no dela. As respirações se aceleraram e se misturaram juntas.
– Se você não me soltar, eu juro que vou esquecer que somos do mesmo grupo de mutantes que está tentando sobreviver nessa ilha infernal e vou machucar você. — Clove proferiu as palavras rapidamente, a fim de se manter o mais firme possível e se demonstrar o mais forte que podia. Mas ela sabia que ele tinha percebido o arfar dela por entre a frase, quando as mãos quentes de Cato tocaram a pele da cintura dela, por baixo da blusa.
– Eu não tenho medo de você. — Cato sussurrou as palavras e Clove arfou novamente. Que porra de frio na barriga era aquele? E que sorriso fodidamente maravilhoso era aquela na boca do maldito Cato? — E, além do mais.. — As mãos de Cato acariciavam a pele da mutante. — não somos só do mesmo grupo.
– É verdade, eu por exemplo sou a garota que quero ferrar com sua vida nesse momento. — Clove se debateu contra Cato, mas desistiu de se livrar dos braços dele no primeiro contato que os lábios um do outro tiveram. Cato capturou a boca da morena, mas não a beijou. Chupou os lábios inferiores de Clove, em seguida puxou e os soltou. A morena suspirou, não conseguiu controlar o calor febril que percorreu seu corpo naquele momento.
– Tem certeza que você quer me ferrar, é? — Cato sorriu novamente, viu que ela estava de olhos fechados. Mas no segundo seguinte, a morena voltou a olhá-lo, furiosa. Como ele era capaz de provocar tantas sensações no corpo dela, e ainda brincar com ela daquela forma? O que estava acontecendo com a verdadeira Clove? Ela estava submissa?
– Tem várias coisas que eu gostaria de fazer com você agora. — Clove até tentou consertar aquela frase, mas sabia o tamanho do duplo sentido que lançou como uma bomba de ego em Cato. O loiro sorriu com vontade.
– Por que não assume que me quer assim como eu te quero, hein morena? — Ele sussurrou novamente, e sabia que ela estava pronta para rebater aquele comentário.
– Quem disse que eu te quero? — Os olhos de Clove e de Cato estavam tão vidrados um no outro que era possível faiscarem. Eles eram ferro e fogo no meio daquela guerra.
– Quem disse que você precisa dizer pra eu saber? — O loiro não esperou por resposta dela. Capturou a boca dela com ardor. Os lábios inchados de Clove eram ainda mais atraentes e chamativos, e só Cato sabia como era delicioso o beijo daquela morena. Clove era completamente viciante e Cato sabia que estava vulnerável. O risco de viciar nela era um risco que ele definitivamente queria correr.
–Cato?
A surpresa que invadiu Cato e Clove foi tão súbita quanto a rapidez em que os corpos se separaram. Cato olhou em volta procurando freneticamente pelo dono daquela voz, aquela voz que ele conhecia de cor e salteado. Com mais alguns trincares de folhas secas pelo chão, Draco Malfoy surgiu por entre a mata onde Cato e Clove estavam — e estavam perplexos, estupefatos -. Cato não teve reação. Estava há tanto tempo longe do irmão, separado do irmão, tendo mil pensamentos ruins e calafrios toda vez que imaginava algo ruim ter acontecido com Draco. E agora estava ali. Estavam ali, frente a frente. Sangue do mesmo sangue. Família.
– Draco. — Cato sorriu intensamente quando sua ficha caiu. — Caramba, eu não acredito! — Foi indescritível o tamanho alívio que percorreu Cato ao finalmente abraçar o irmão. Estavam juntos novamente, depois de tanta barra e confusão.
– Não acredito que eu te achei. — Draco conseguiu suspirar aliviado, depois de tanto tempo. Sabe quando você está em uma guerra e tudo parece não ter rumo? Você parece não ter um rumo pra seguir? Draco se sentia exatamente daquela maneira, desde que acordou naquela ilha. Ele estava com Luna, é verdade. E ela o fazia bem de uma maneira surreal. Mas Draco tinha tanto medo de não conseguir protegê-la, de não ter um rumo para poder seguir junto a garota. Mas agora com o irmão era tudo diferente. Não importaria mais as dificuldades. É família. E família é pra sempre. Eles eram fortes juntos.
– Você tá bem? — Cato segurou os ombros de Draco quando saíram do abraço, e se olharam. — O que aconteceu? — O mais velho demonstrou preocupação, quando viu a roupa encharcada de sangue que Draco vestia.
– Tá tudo bem. Luna me ajudou. — Draco sorriu.
– É bom te ver. — Confessou Clove, enquanto envolvia Luna em um abraço singelo. A loira sorriu. Draco e Cato não eram os únicos a ficarem aliviados. Luna estava intensamente feliz por ter reencontrado os amigos. Quando ela e Draco acordaram perdidos naquela ilha, estavam com poucas esperanças. Quando foram atacados por Andrew, quase perderam as mínimas esperanças que ainda restava. Mas agora, reunidos de novo... a chama da esperança estava acesa de novo.
– É bom te ver também. — Luna ficou séria quando se separou do abraço de Clove. — Você está machucada, o que aconteceu? — A loira observou os ferimentos por quase todo o corpo de Clove.
– Não importa. — Clove deu de ombros, e caminhou até Draco, apertando a mão do garoto em seguida. Ao contrário do que sentia por Cato, tanta confusão por ele a fazer se sentir exatamente daquele jeito — confusa -, Clove não tinha nada contra Draco. Sabia que era um garoto da paz, e poderoso. Podia até ser simpático. Azar era o dele por ser irmão de Cato. — O que importa agora é que estamos juntos.
– O que vocês estavam fazendo aqui? — Draco quis saber.
– A gente tava procurando por vocês. Mas nos acharam primeiro. — Cato sorriu para Luna.
– Parece que estavam se dando bem, não é? — Brincou Draco, trocando olhares com Luna. Os dois riram, percebendo Clove ficar sem jeito e Cato segurar a risadinha.
– Nós temos que voltar. — Clove mudou logo de assunto. — A tarde já deve estar no fim, e eles podem estar se metendo em encrenca. E ainda tem a Gina.
– Todos os outros estão com vocês? — Luna perguntou, Clove assentiu prontamente.
– Quem é Gina? — Draco arqueou as sobrancelhas.
– Longa história. — Cato evitou os detalhes. — É melhor voltarmos, ainda temos que dar um jeito de cair fora dessa ilha.
– Não adianta tentar sair dessa ilha e continuarmos sendo fugitivos procurados em Manchester. — Clove rebateu, séria e sensata.
– E o que vamos fazer? — Luna indagou, cruzando os braços.
– Quando voltarmos pro grupo a gente vai dar um jeito. — Cato finalizou de vez aquele assunto.
– É melhor irmos logo, tem um policial solto pela ilha. — Luna os alertou, e Cato e Clove se entreolharam.
– Podem ter vários. — Draco adicionou. — Um deles nos atacou. Ele atirou em mim. Ele tá machucado..
– Ele atirou bem no seu peito, como é que você tá aqui agora? — Cato demonstrou espanto enquanto via Draco levantar a blusa ensanguentada e mostrar o sangue escorrido por sua barriga, mas a pele de seu peito estava completamente lisa e intacta.
– Foi a Luna. — Draco olhou a loira por cima do ombro. — Se não fosse ela, essa hora eu taria bem ferrado.
– Como você fez isso? — Clove pareceu surpresa. Quando ficou desidratada e fraca ao fugir de casa com Harry, a morena foi curada por Luna. Mas, um tiro no peito evidentemente tiraria a vida de Draco. Se Luna conseguiu trazer o garoto de volta a vida, ela tinha poderes completamente arrebatadores.
– Vou te mostrar. — A loira sorriu e puxou Clove pela mão, ficaram uma de frente para a outra. Cato olhou Draco, que estava atento nos movimentos de Luna. Ela arregaçou a manga da jaqueta de Clove, ouviu um leve arfar escapando pelos lábios da morena, denunciando dor. Luna analisou os ferimentos pelo braço de Clove. As sobrancelhas louras contraídas entre a testa franzida da mutante expôs sua surpresa. Os olhos de Luna correram pelo braço de Clove, com cortes fundos. Em seguida Luna fitou as bochechas de Clove, feridas por garras de panteras. Luna nem precisou perguntar para saber. Mas a questão era: como Clove tinha sobrevivido àqueles ferimentos tão graves, expostos às constantes variações climáticas daquela ilha?
Quando Clove ficou desidratada, parecia tão mal que chegou a assustar Harry, que temeu a morte da irmã. Mas, agora, ela estava ali. De pé, aparentemente forte e bem. Estava completamente ferrada, mas ainda não queimava de febre. Não parecia estar com infecção. Luna tocou a testa de Clove para ter certeza de que o corpo da menina não estava febril. Estava quente, mas não era febre. Era extremamente curioso.
– Faz quanto tempo que se machucou? — Luna ainda trabalhava aquelas feridas pelo corpo a fora de Clove.
– Não sei direito. Faz um tempo já. — Clove foi sincera.
Luna chegou a conclusão de que Clove era um mistério. Clove era uma mistura de forças e fraquezas. Ela oscilava entre o bem e o mal. E somente Luna era capaz de chegar àquela conclusão. A loira tocou o corte profundo sobre o pulso direito de Clove. Em resposta ao ardor daquele ato, a morena mordeu os próprios lábios. Os dedos de Luna estavam quentes. Mas não era uma temperatura normal que escapava da pele da loira. Clove sentia a região de seus ferimentos cobertos pela mão de Luna extremamente quente, e aquilo chegava a ser intrigante. Devia ser Luna quem estava com febre, não?
Depois de alguns segundos sentindo uma queimadura suportável, Clove deixou de olhar Luna, que parecia totalmente concentrada — a loira respirava devagar e tinha os olhos fechados -, e então, Clove observou sua própria pele cicatrizar, pouco a pouco. Depois de algum tempo, Luna deixou de tocar o braço de Clove. Não focou na expressão de choque e surpresa extrema, quando a morena viu a pele de seu braço totalmente regenerada. A coloração vermelha do sangue ainda cobria sua pele, mas a dor não estava mais presente. Sua pele estava totalmente lisa.
Luna então tocou o rosto de Clove. As bochechas da garota estavam feridas, e a testa dela, arranhada. Em meio ao calor dos dedos de Luna, os cortes foram sumindo. Logo, o rosto de Clove estava intacto. Luna não demorou a curar o braço esquerdo da morena, em seguida, rapidamente fez a barriga da mutante e uma das pernas dela ficarem curadas.
– Isso foi.. — Cato estava boquiaberto.
– Incrível, não é? — Draco falou pelo irmão. Ele sorria, junto a Luna. Aquela garota era a única felicidade que restou no mundo de Draco. Ele tinha todos os motivos do mundo para ficar preocupado e triste, mas, quando olhava para ela, era como se ele fosse iluminado. Ele era iluminado pelo coração dela.
– Uau! — Clove olhava abobada para os próprios braços. — Menina, você é genial. — Comentou, empolgada. Então, olhou Luna. A loira sorria. Engraçado, sempre que Clove olhava para aquela menina, ela sorria. Acontecia uma guerra dentro e fora de Luna, mas ela sorria. Como era possível? Como era possível ela transmitir toda aquela harmonia? — Obrigada, mesmo.
– Dessa vez não foi tão difícil. — Luna provocou, e viu Clove rodar os olhos. Mas a morena riu junto.
– Agora é melhor a gente ir. — Clove alertou-os, quando saiu do transe que era ver os efeitos dos poderes de Luna em uma pessoa.
– Espero que eles não tenham se metido em encrenca. — Cato confessou, e os quatro deram as costas para a mata e rumaram de volta para o grupo de mutantes.
– Espere por tudo, menos por isso. — E a voz de Clove ecoou pelo matagal.
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– Tá tudo calmo demais, você não acha? — Scorpius se aproximou de Rose, depois de deixá-la sozinha por um tempo, esperando que a garota combatesse seus próprios hormônios pré-menstruais.
– Você queria que não estivesse? — Rose tentou não soar ríspida, já que sabia que Scorpius estava com um pé atrás ao ficar ao lado dela, em decorrência de seus hormônios. Não queria afastá-lo...
– Não. — O loiro se sentou na terra vermelha, sujando ainda mais sua roupa. Abraçou os joelhos com o braço, da mesma forma que Rose fazia. A loira tinha o olhar vago, observava o laboratório longe deles, sem qualquer sinal de movimento lá por perto. — Mas quando tá calmo demais, é sinal de problemas. — Rose se fez em silêncio; Scorpius respirou fundo. Ele sabia que ela estava mal. Afinal, quem não estaria, com tantas coisas ruins acontecendo? — Parece que tá tudo bem com eles.
– Você acha? — Então, Rose olhou Scorpius. Ele a olhou de volta, fixou as íris azuis dos olhos da ruiva. Ele tentou decifrá-la, entender o que se passava dentro da mutante. Mas Rose era completamente complexa.
– Olhe em volta. — Scorpius pediu, e Rose obedeceu. — Eles parecem estar bem. — Rose tentou seguir o raciocínio de Scorpius, mas ela não concordava com ele. Mesmo assim, tentou.
De um lado da mata, Hermione tomava conta de Safira, mas a atenção da mutante alada quem tinha era Rony. Os olhares trocados pelos dois não cessavam e não se quebravam. Ainda assim, Rony conversava seriamente com Harry do outro lado da mata. Gina também estava no meio da conversa, e era possível ver nos olhos brilhantes de Harry, como ele estava satisfeito em ver Gina tentando se socializar, e não atacar nenhum dos amigos, como manda o seu novo instinto. Mas era evidente que a garota estava faminta e visivelmente mal de espírito. Ela precisava de ajuda, e rápido. Lilá era quem estava mais próxima do laboratório, já que estava de guarda naquele começo de noite. Mesmo em contragosto, ela teve de aceitar ficar de vigia, podendo ser atacada por algum policial ou até mesmo por Bellatrix a qualquer momento. Lilá não confiava naquele grupo, a única pessoa que a garota nutria simpatia era Cato, e naquele momento ele estava perdido pela ilha, sabe-se lá se ainda vivo. Mas naquele lugar, o ditado era seguido de forma diferente: antes mal acompanhado do que só.
– Você acha que eles estão bem? — Rose deixou de observar os amigos, e deitou seu rosto sobre os próprios braços que envolviam seus joelhos. Uma madeixa ruiva de seu cabelo caiu sobre seus olhos, e então ela fitou Scorpius.
– Eu não disse que eles estão bem. — Scorpius também a encarou. — Aparentemente eles estão..
– Pra mim eles não aparentam estar bem. — Disse a ruiva, sincera e serena. Scorpius tirou a mecha ruiva de frente os olhos de Rose, delicadamente. Os dedos do garoto deslizaram pela bochecha da mutante, provocando uma bonita curva nos lábios dela. Rose sorriu fracamente.
– E você, está bem? — Scorpius fitava-a, os olhos estavam vidrados, singelamente.
– Você está? — Rose rebateu, e foi a vez dele sorrir. Levemente, fracamente. Mas de forma suficiente a fazer a ruiva suspirar.
– Nem um pouco. — Confessou ele, sua mão voltou a acariciar o rosto de Rose. Os dedos de Scorpius tocaram o queixo de Rose, lentamente.
– Eu estranharia se estivesse. — Rose disse baixinho, Scorpius teve que se aproximar dela para ouví-la. Então perceberam que estavam próximos demais. Rose ergueu o rosto e fitou os olhos azuis do garoto.
– Pessoal! — O grupo dos mutantes foi despertado subitamente quando Lilá os alertou do perigo. Scorpius e Rose abruptamente se levantaram do chão; Safira se escondeu atrás do corpo de Hermione; Lilá se assustou ao ver as presas afiadas a mostra a boca de Gina, os olhos da mutante vampira rutilaram em um vermelho vivo. Rony e Harry miraram sua arma em direção ao laboratório, de onde saía a presença de uma pessoa.
Com alguns passos tropeçados e sem rumo, a sombra da noite exibiu a figura de uma mulher adentrando a mata. Não parecia uma menina, nem ao menos uma mutante. Parecia uma mulher indefesa, que não fazia a menor ideia de onde estava. Os cabelos negros acompanhados de algumas madeixas brancas estavam desgranhados, a roupa a amarrotada e suja.
– Quem é você? — Hermione sentia uma intensa vibração vindo daquela mulher. Não soube descrever o que estava sentindo, mas era como se algo estivesse prestes a mudar.
– Não façam nada comigo, por favor. — Suplicou a mulher, tossindo em seguida, engasgando com suas próprias lágrimas. — Cato, Draco, onde eles estão?
– Mãe?
E então, os mutantes se chocaram.
Draco e Luna haviam voltado.
Narcisa Malfoy escapou do laboratório.
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