Mutant World

42 Incompreensões


Notas iniciais
Mais um capítulo pra vocês!

— Você é mesmo durona na queda, hein? — Rose enxugava seu rosto molhado com os dedos enquanto Clove cumprimentava Scorpius, num aperto de mão. Todos os mutantes do grupo ainda estavam surpresos com o retorno da garota Potter.

— Pra ser sincera... — Clove balançou leve e positivamente a cabeça para o garoto loiro, quando ele lhe lançou um sorriso de alívio. Alívio por ela estar viva. — não sei como estou aqui com vocês agora. — A morena entreolhou o grupo, encontrou o olhar de Harry e percebeu ele dar de ombros. O que importava era que Clove estava bem.

— Provavelmente foi a Luna. — Draco deu seu melhor palpite; ele acreditava nos poderes da garota.

— Não. ­ Luna negou, contudo. A loira viu Draco arqueando as sobrancelhas, então continuou: — Eu sinto quando consigo curar verdadeiramente alguém. Não foi o que eu senti com Clove. — Explicou ela, agora olhando a amiga ressurgida misteriosamente. — Não fui eu que te trouxe de volta.

— É, mas o tiro na minha nuca foi curado. — Clove alisou a pele lisa dentre o cabelo ainda ensaguentado. Cato, analisador, se aproximou por trás da menina e levantou os fios negros de cabelo com os dedos. Atentamente estudou aquela pele que há poucos estava desfigurada.

— Vai ver os seus poderes funcionaram nela depois de algum tempo. — Rony supôs para Luna, mas percebeu que a garota estava plenamente intrigada.

— É, como aconteceu comigo, lembra? — Draco tocou a mão de Luna com os dedos; ela o olhou e sorriu fracamente. De fato, acontecera a mesma coisa quando Draco fora baleado por aquele mesmo maldito policial: Luna tentou curá-­lo, mas, enquanto suas mãos tocavam a pele do loiro, nada aconteceu; já em minutos depois, Draco estava de pé, vivo.

— Dessa vez foi diferente... — O sorriso de Luna se fechou e ela entortou os lábios, tornando a olhar os amigos que faziam um círculo torto em volta de Clove. — Eu não sei como, mas não fui eu.

— Luna, não tem outra explicação. — Hermione se deu por vencida com aquela hipótese.

— Isso não importa, gente — Harry retrucou, e viu Clove concordar de prontidão, balançando a cabeça. Cato ainda analisava a nuca da morena, mas parou e tocou-­a no rosto, fazendo Clove o olhar.

— Importa sim. — Ele discordou, olhando­-a nos olhos. Era maravilhoso poder ver aqueles olhar esverdeados dela novamente, e era ainda mais maravilhoso saber que ela estava viva. Mas algo havia acontecido ali, e Cato precisava saber.

— Talvez — Depois de longos segundos de silêncio por entre o grupo, e sabendo Narcisa que cada um ali especulava alguma coisa inexplicável, a matriarca Malfoy resolveu se pronunciar. — ...talvez foi o Cato. — Ela poderia estar ficando louca, porém, recebendo olhares extasiados do grupo e até mesmo de seu próprio filho, Narcisa entendeu que eles desconfiaram de algo que ela pudesse estar escondendo.

— Eu? — Cato entreabriu a boca e analisou a feição da mãe, quem tinha a testa enrugada.

— Não, não, não... a única mutante da cura que Bellatrix criou foi a Luna. — Gina rebateu prontamente, se lembrando das explicações que Severo Snape deixara no pendrive que o pai da garota havia lhe dado.

— É, mas pode não ter sido uma cura. — A mulher confundiu ainda mais a cabeça dos mutantes.

— Mãe... — Draco ficou sério e encarou Narcisa. — você tá escondendo alguma coisa de nós?

— Não. — Narcisa umedeceu os lábios e soltou uma respiração pesada. — Não é como se eu estivesse escondendo... eu só... eu não sei. Cato consegue regenerar seus próprios ferimentos, talvez ele também possa ajudar outras pessoas a se regenerarem.

— Mas isso seria quase impossível. ­ — Gina foi racional. ­ — Cada um de nós só conseguimos controlar nossos próprios poderes. É, eu nem tanto. — Desdenhou de sua própria fala, mas continuou. — E, com exceção da Luna, que pode curar as pessoas, só usamos nossos poderes pra nós mesmos.

— Curar alguém é algo muito forte e complexo. — Rose seguiu o raciocínio da outra ruiva. ­ Se a Luna pode fazer isso, ela é genial, mas a gente?

— Eles tão certos, mãe. — Cato também não concordava com o pensamento de Narcisa.

— Eu pensei também, talvez, que pudesse ser o Harry. — Narcisa apontou para o irmão Potter; o viu torcer os lábios. — Vocês dois são irmãos, então a ligação entre os dois é enorme.

— É, mas não faz sentido algum. — Harry coçou o queixo, balançando a cabeça negativamente enquanto pensava na possibilidade. — Meus poderes são telepáticos e eu também não estou conseguindo controlar eles aqui nessa ilha.

— Sim, foi o que pensei. — Narcisa assentiu e enlaçou suas próprias mãos, coçando os dedos. — Por isso o meu melhor palpite é o Cato.

— Não tem como. — Cato olhou Clove, quem até então não havia se pronunciado diante daquela suposição, mas analisava atentamente aos detalhes dados pelos amigos e por Narcisa. — O que você acha?

— Eu não sei. — Clove retribuiu o olhar de forma sincera. — Algo me trouxe de volta. — Baixando o tom de voz, ela viu­-o ficar a sua frente. — Alguém me trouxe de volta. — Ela se corrigiu, e Cato segurou-­a pelas mãos. — Acho que talvez possa ter sido você.

— Não acho que seja possível, Clove. — Cato confessou, olhando os olhos verdes dela.

— Não queria que eu voltasse? — Ela indagou mordendo o lábio inferior e o viu sorrir. Cato subiu uma mão e tocou o queixo de Clove.

— Com todas as minhas forças. — Ele sussurrou e foi a vez da garota sorrir.

— Então é possível. — Disse Clove, no mesmo tom de voz. Cato analisou o rosto dela por alguns segundos enquanto a tocava no queixo, e então a beijou. Os lábios ficaram colados um no outros e os ouvidos dos dois ignoraram os pigarros que Clove teve a certeza de vir de seu irmão.

— Deixa de ser chato. — Gina retrucou próxima ao ouvido de Harry, rindo do ciúme do garoto.

— É minha irmã. — Ele rebateu, rolando os olhos com o que via e rindo junto à Gina, quando a viu sorrir.

— Acho que só vamos saber se foi Cato ou não, perguntando pra Bellatrix. — Scorpius se mostrou racional, e viu parte do grupo o olhar com ar irônico.

— Você quer ser o primeiro a tentar? — Gina debochou.

— É sério isso? — O mutante da hipnose arqueou as sobrancelhas.

— Acha que estamos planejando voltar àquele laboratório? — Harry foi sarcástico.

— Ah, tá com medinho, Potter? — Provocou Scorpius, enquanto Harry lhe lançava o dedo do meio como resposta. — Estão planejando o que então, fugir daqui?

— Você até que é inteligente. — Luna entrou na brincadeira, e Scorpius soltou uma risadinha irônica, ficando sério no instante seguinte.

— Vocês não estão falando sério, né? — Scorpius se indignou quando os amigos se entreolharam e nada responderam. — A gente não vai fugir.

— A gente vai fugir sim. — Retrucou Harry, imediatamente. Deu um passo a frente quando Scorpius fez o mesmo.

— Não podemos fugir! — O loiro indignou-­se completamente. Com o olhar, procurou rapidamente por Rose, esperando ver concordância na feição dela; mas Rose apenas mordia parte de seus lábio e segurava em sua própria cintura. — Rose! Você sabe que eu tô certo.

— Scorpius...

Sim, Rose sabia que ele estava certo. Se tentassem fugir, poderiam se meter em alguma encrenca ainda maior, e ela sabia que, dessa vez, se alguém se machucasse pra valer, não ressurgiria misteriosamente. Mas, se ficassem e tentassem enfrentar de vez Bellatrix Lestrange, poderiam cair em uma enrascada muito maior, já que estavam em desvantagem: com os nervos à flor da pele, exaustos e extremamente abalados psicologicamente.

— Qual é, Rose! — O loiro bufou, impaciente. — Se fugirmos nunca vamos resolver essa história.

— Eu concordo com o Scorpius. — Clove também usou sua racionalidade, e viu que até Cato discordava de tudo aquilo.

— Nem pensar. — Harry riu sem demonstrar nenhuma emoção além de incredulidade. Olhou a irmã, que estava pronta para enfrentá-­lo mas prontamente se aproximou dela. — Clove, não. — Cortou-­a imediatamente, apontando o dedo em direção ao rosto da garota. Clove bufou, mas não retrucou.

— Todos vocês também querem fugir? — Scorpius lançou seu olhar em um por um. — Luna? Draco? Gina? Rony?

— Não podemos arriscar voltar pra lá. — Rony explicou, seriamente. — A gente já se meteu em problemas demais, Scorpius... é melhor tentarmos fugir e, se conseguimos, tentaremos dar um basta nessa história de uma vez por todas... mas longe daqui.

— Vocês estão querendo fugir da nossa melhor chance!—­ Scorpius ergueu o tempo de voz; Harry bufou alto. — Aquele laboratório é a nossa melhor chance. Temos provas lá de que foi aquela maluca que fez experiências com a gente, e também temos testemunhas. Vocês não acham que todos os mutantes presos naquelas celas estão do lado da Bellatrix, acham?

— Tá disposto a perguntar um por um? — Cato rebateu prontamente.

— Gente, acorda! Arriscamos tudo isso por nada? — Irritado, Scorpius enfiou uma mão entre os cabelos.

— Olha só, Scorpius... — Harry se aproximou do garoto, e fixou o olhar no rosto ríspido dele. ­- A minha irmã praticamente foi morta, o Draco também, a Gina foi mordida por um vampiro e se não fosse pela Luna, provavelmente teria sido morta por um de vocês. — As palavras de Harry soaram no som mais baixo que ele pôde emitir, mas forte o suficiente para fazer Scorpius o fuzilar com o olhar. — Não tô nem ai pro que você pensa, se quiser pode ficar aqui e boa sorte lá com aquela maluca... mas a gente vai cair fora, querendo você ou não.

— Não seja idiota, Harry. — Scorpius o enfrentou, mas também baixou seu tom de voz para que apenas o garoto à sua frente pudesse ouvir. — Você sabe muito bem que não dá pra fugirmos daqui.

— Podemos tentar. — Então, Harry tentou convencê-­lo.

— E também podemos tentar resolver a porra dessa história de uma vez. — Mesmo irritado, Scorpius permaneceu com seus sussurros.

— Então junte o seu grupo, porque eu, Gina e Clove vamos embora. — Rebateu Harry, prontamente, olhando Scorpius nos olhos. — Cato não vai deixar a Clove, eu tenho certeza, e o Draco também não vai deixar o irmão. Luna está com ele, então ela foge também... e a mãe dos garotos você já sabe, não é?

— Não tenha tanta certeza. — Scorpius bufou e Harry se afastou, ignorando­o.

— E então Scorpius... você vem com a gente ou vai ficar? — Harry partiu para o que interessava. Não queria discutir com ninguém do grupo, mas ele estava decidido a sair daquele lugar para proteger as pessoas importantes de sua vida.

— Alguém fica comigo? — Scorpius entreolhou os amigos. Harry respirou fundo e assentiu, aceitando a decisão do garoto. — Rose? — Quando encontrou o olhar da ruiva, Scorpius torceu para que a resposta dela fosse positiva. Ele não queria sequer imaginar vê-­la correndo perigo, e sabia que dentro do laboratório ela estava propensa àquilo. Entretanto, longe dele e das suas vistas, Scorpius tinha ainda mais receio.

— Eu fico. — Rose, depois de especular aquela ideia internamente, concordou. Era perigoso ficar, mas, talvez, fosse ainda mais perigoso ir. E ela não queria deixá­-lo ali. Scorpius abriu um fraco e aliviado sorriso, e impulsivamente foi até ela para abraçá-­la. Quando a envolveu em seus braços, ele teve a certeza de que teria um motivo ainda maior para enfrentar aquele problema, e o motivo era Rose.

— Obrigado. — Sincero, ele agradeceu baixinho próximo ao ouvido dela, enquanto ainda tinham os corpos conectados. Saíram juntos do abraço, e Scorpius voltou a olhar os amigos. Viu que muitos tinham as feições apreensivas, principalmente Narcisa Malfoy.

— Alguém mais? — Ele sabia que não obteria resposta de mais ninguém, porém, tinha que tentar. Quanto mais unidos, usando suas forças mutantes, mais chances teriam. — Ninguém? — Torcendo os lábios, Scorpius riu sem emoção e assentiu. No final das contas, a união que existia entre eles era mais fraca do que Scorpius poderia imaginar.

— Eu fico. — Clove surpreendeu o grupo.

— Nem pensar. — Harry contrapôs imediatamente.

— Harry, não perca seu tempo. — A morena viu a indignação do irmão, que partiria pra cima dela com objeções. — Eu vou ficar.

— É muito perigoso, Clove. — Cato segurou-­a pelo braço, quando a garota tentou caminhar até Scorpius.

— Você sabe como eu sou. ­- Clove olhou Cato nos olhos, sentindo seu braço preso pela mão dele. —Você sabe que eu vou ficar. Vai ficar comigo?

— Clove, você não vai ficar! — Harry foi autoritário, e percebeu a irmã ignorá-­lo completamente. Clove permaneceu vidrada em Cato, esperando pelo sim ou pelo não, sabendo que ele cogitava profundamente uma resposta positiva.

— Sabe que eu não vou te deixar sozinha, não sabe? — O loiro então a viu sorrir e assentir.

— Cato, preciso da sua ajuda para tirar nossa mãe daqui. — Draco observou Clove e Cato caminharem até Scorpius, ficando ao lado do garoto e de Rose.

— Bellatrix está usando a mãe de vocês, vamos precisar da ajuda daquela doida de qualquer forma. — Scorpius explicou, atiçando a ira de Harry.

— Cala a boca, Scorpius! — Ordenou o moreno, enfurecido. — Você tá tentando convencer um por um, mas sabe que está colocando todos em risco.

— Somos um grupo, não somos? — Scorpius aumentou a voz, também irritado. — Era pra ficarmos juntos.

— É você quem tá se separando de nós. — Retrucou Potter, cuspindo as palavras.

— Harry, eu fiz a minha escolha. — Rebateu o loiro, respirando pesadamente. — A Rose fez a dela, e parece que a sua irmã e o Cato também.

— A Rose só tá indo com você porque ela gosta de você. Ela sabe o tamanho do perigo que vai correr. — Harry provocou, totalmente zangado. — E a Clove é teimosa, mas ela não vai.

— Você não manda em mim. — Retrucou Clove, repreendendo aquele ato que ele sempre tinha de tentar controlá-­la dos seus instintos.

— Eu sou seu irmão, eu sou mais velho que você, e você não vai ficar. ­ — Harry sibilou as últimas palavras, cuspindo seus argumentos mais uma vez.

— A escolha é dela! — Scorpius gritou, e Harry avançou contra o amigo.

— JÁ CHEGA! — Rony, que cochichava alguma coisa com Gina por segundos a fio — ato esse percebido apenas por Narcisa, que estava totalmente atenta aos detalhes —, ergueu sua voz e entrou por entre os amigos ao lado da ruiva.

No momento em que Harry e Scorpius se chocaram um com o outro para começarem uma briga, Gina ergueu suas mãos no ar e, forçando o máximo possível sua mente e seus poderes, fez o loiro e o moreno voarem no ar, em direções opostas. Harry bateu contra o chão frio da mata e Scorpius rolou na terra vermelha, soltando um palavrão de baixo calão enquanto ralava a testa.

— Desculpe, eu tive de fazer isso. — Gina foi até Harry e se redimiu, ajudando-­o a se levantar. Ele não pareceu bravo com ela, mas furioso com Scorpius e agora, indignado com Rony.

— Quê que foi isso, sua maluca? — Scorpius se revoltou, enquanto era puxado do chão pela mão de Rose.

— Já chega vocês dois! — Naquele momento, era Rony que estava completamente irritado. — É melhor a gente se decidir porque não temos tempo algum pra perder.

— Eu já tomei minha decisão. — Scorpius retrucou.

— Cala a boca que agora quem tá falando sou eu. — Rony apontou o dedo para o loiro, repreendendo-­o imediatamente. Rose arregalou os olhos enquanto ouvia, por estar ao lado de Scorpius, um novo palavrão escapando praticamente inaudível de seus lábios. — Olha Harry, você está totalmente certo em relação ao perigo que podemos correr...

— Eu disse! — Harry cortou a fala de Rony, e o ruivo o fuzilou com os olhos. Harry encolheu os ombros e permitiu o amigo continuar a falar.

— Mas... — Rony enfatizou a palavra. — o Scorpius tem razão. Eu sei que é muito perigoso, não posso imaginar algo de ruim acontecendo com vocês. — Enquanto falava, olhava diretamente para Hermione.

— Vocês, aham. — Clove debochou, e sentiu um cutucão na costela vindo de Cato, repreendendo-­a, mas não controlando um sorriso malandro.

— Só que já perdemos demais pra tudo ser em vão. — Rony tentou demonstrar apenas sensatez, mas o sentimentalismo estava presente em sua voz. — Fomos separados dos nossos pais, perdemos amigos e quase perdemos uns aos outros. Se fugirmos, essa história nunca vai se resolver, e eu tenho certeza de que, uma hora ou outra, cada um de nós vai perder tudo. Então, se ainda quiserem se separar, podem fazer isso. Mas vão se arrepender por isso um dia.

— Eu vou ficar. — Hermione disse, prontamente. Rony assentiu, ainda olhando­a fixamente.

— Harry... — Gina olhou o moreno nos olhos. Ele estava mais indignado do que nunca, mas precisava reconsiderar sua decisão final. — você já me disse que eu não posso desistir, e que você não vai desistir.

— Isso não é desistência, é medo. — Harry segurou o rosto de Gina com as mãos, olhando-­a intensamente nos olhos. As mãos da ruiva tocaram os braços do moreno, e ela vidrou seus olhos azuis nos verdes dele. — Não é medo por mim, é por você. Por você, pela Clove, e por todos os outros. Eu não quero perder vocês.

— Então fique com a gente. -­ Implorou ela, e Harry respirou fundo, sem saber o que decidir. Ainda segurando o rosto de Gina com as mãos, e permanecendo em silêncio por vários segundos, Harry teve sua boca beijada pelos lábios macios da ruiva, e então, sua armadura se desfez. Quando o as bocas se separaram e o selinho chegou ao fim, Harry voltou a olhar os rutilantes olhos da garota: ela, que estava se tornando tudo pra ele.

— Tudo bem. — Baixinho, e só para Gina ouvir, ele finalmente concordou. Gina sorriu, agradecida. Sem ele, ela não ficaria naquela ilha infernal; com ele, ela teria todos os motivos do mundo para enfrentar os perigos do mundo mutante.

— A gente vai ficar. — Gina voltou a olhar os amigos e deu sua palavra final. Scorpius respirou aliviado com a notícia.

— Se vamos invadir aquele lugar, temos que nos preparar. — Rony alertou a todos, e viu que o grupo concordava plenamente. — Temos que pensar em um plano e nos equiparmos.

— Rose? — O tom de alarme de Scorpius era denúncia de uma única coisa: a clarividência inesperada de Rose.

Quando o corpo da garota começou a se desequilibrar, Scorpius segurou-­a pelos braços e fixou os olhos no rosto dela. Rose agarrou os braços de Scorpius e apertou-­os, a expressão de dor em sua face era em decorrência da forte dor de cabeça que a atingia. Sentindo fisgadas por toda a cabeça e sem conseguir ouvir os murmúrios dos amigos que teimavam em saber o que Rose estava prevendo, a garota começou a ver imagens passear frente a seus olhos. Não havia sequer um borrão ou uma sombra que a impedisse de ver claramente as imagens, Rose podia perceber nitidamente as fardas e os coletes que vários homens vestiam: haviam dezenas de policiais andando apressadamente pelos matagais da ilha, Rose só não fazia ideia de em qual parte da ilha eles estavam.

Ela também não conseguia entender os vários murmúrios que eles emitiam, mas o áudio em sua clarividência era fundamental; então Rose forçou ainda mais sua cabeça para tentar ouvir alguma coisa. As fisgadas martelando a cabeça da garota aumentaram e, tendo subitamente as imagens dos policiais interrompidas por um borrão preto frente à seus olhos, Rose despertou daquela visão e ofegou alto quando viu os amigos.

— O que você viu? — Quando Scorpius percebeu que Rose tinha voltado a si a olhou apreensivamente.

— Policiais, muitos policiais. — Rose alisou sua testa e mordeu a boca; a dor em sua cabeça tinha sumido, mas ainda podia sentir os latejos irritantes.

— E o que eles diziam? — Hermione indagou, tensa.

— Eu não consegui ouvir, eu só vi... eram muitos, e estavam aqui na ilha. — Explicou ela, alarmando o grupo.

— Ai meu Deus! — Narcisa cobriu a boca com as mãos.

— Onde na ilha, Rose? — Draco perguntou, seriamente. Olhava Rose fixamente.

— Não faço ideia, só tinha muito mato. — Rose viu Clove rodar os olhos.

— Ah, você jura? — A morena ironizou, mas foi repreendida pelos amigos no mesmo instante. ­- Desculpa.

— Com certeza virão atrás de nós. — Rony rangiu os dentes, em fúria.

— A gente enfrenta. — Scorpius decidiu.

— São muitos. — Rose ainda segurava um dos braços de Scorpius, então o olhou nos olhos. — Não vamos conseguir.

— Então vamos sair daqui. — Hermione viu todos concordarem imediatamente. Rony rondou as árvores e pegou sua mochila, colocou-­a sobre o ombro e voltou para os amigos. No momento em que o ruivo se aproximou do pessoal, um som agudo de sirene começou a ecoar pela ilha, assustando cada um do grupo.

— Mas que droga é essa? — Cato tapou os ouvidos com as mãos e procurou com os olhos qual era a fonte daquela sirene insuportável que parecia não cessar tão cedo.

— Droga, é do laboratório! — Rony apontou em direção à porta metálica do laboratório que se abria naquele instante; em cima da porta haviam três alto­falantes responsáveis pelo enorme barulho.

— Vamos dar o fora agora! — Harry ordenou para o resto do grupo.

— Luna... — Draco começou a vasculhar aquela área da mata onde estavam, entrando por detrás das árvores e fazendo círculos por naquele lugar; algo estava errado, e ele parecia desesperado.

— Draco, o que foi? — Narcisa gritou em meio ao barulho das sirenes.

— LUNA! — O loiro começou a gritar. — LUNA, CADÊ VOCÊ?

E então os mutantes perceberam que Luna não estava ali presente entre eles: em meio ao alarme das sirenes e a tensão pela aparição dos policiais, Luna tinha sumido.

— Ela sumiu! ELA SUMIU! — Draco gritou e enfiou as mãos entre os cabelos quando se aproximou dos amigos e da mãe.

— Merda, merda! — Rony bufou, se desesperando junto com os outros. — Vamos procurar por ela, agora.

— LUNA! — O braço de Rose se estendeu no ar e foi mirado em direção ao laboratório; um grito de "o quê?" escapou pelos lábios de Draco e, quando todos olharam para o esconderijo das experiências proibidas de Bellatrix, viram Luna sendo arrastada para dentro daquele lugar; ela era agarrada por um homem e esperneava para tentar se soltar.

— Droga, é uma armadilha! — Gina percebeu que as sirenes foram ativadas para chamarem a atenção deles enquanto Luna era sequestrada, e o sequestro da garota era, obviamente, para todos irem para o laboratório, e lá ficarem presos.

— LUNA! — Draco gritou enquanto via a garota ser arrastada para o laboratório. O sangue do loiro ferveu e ele imediatamente correu para tentar resgará­la, e quebrar a cara do homem que a sequestrava, mas foi impedido quando as mãos de Rony agarraram-­no pelos braços. — TIRA AS MÃOS DE MIM! — Draco praguejou, puxando os braços com força para longe das mãos de Rony, mas o ruivo virou o corpo de Draco e o fez ver um problema ainda maior que eles precisavam resolver e não tinham como: Narcisa estava sangrando e começou a gemer de dor, enquanto era amparada por Cato e Scorpius.

— O que tá acontecendo? — Draco, ainda mais desesperado, se aproximou da mulher que era segurada no colo pelo filho mais velho.

— A filha da puta da Bellatrix fez alguma coisa de errado. — Cato, tão desesperado quanto Draco, segurou Narcisa nos braços.

— O que vamos fazer? — Hermione tinha as mãos enfiadas entre os cabelos. Narcisa sangrava muito.

— É dela que a gente precisa agora. — Draco praguejou, rangindo os dentes. — Da filha da puta da Bellatrix.

— Alguma objeção? — Rony imediatamente começou a tirar as pistolas que estavam guardadas dentro de sua mochila. Os amigos estenderam as mãos no mesmo momento. Cato e Draco bufavam fogo. — Se concentrem o máximo que puderem em seus poderes. Não pensem para atirar, e não se separem de mim. — Rony entrou procurou o olhar de Hermione: ultimamente, era o que ele sempre fazia nos momentos de mais necessidade. — Não se separe de mim. — Ele suplicou, e Hermione assentiu prontamente. — É agora que a gente pega essa maldita Bellatrix.

Notas finais
N/a: E no próximo capítulo teremos o desfecho da história! N/b: N/B: WOW! É um tiro atrás do outro, assim não dá! Clove ressuscitando do além ~misteriosamente~ e Luna sendo sequestrada e Narcisa sangrando e Rony e Hermione sendo o meu otp supremo — ufa. é demais pra mim mesmo hsuahsu. Agora eu voltarei a honrar minhas responsabilidades como beta e também vou encher o saco da Jennifer pra ela postar logo, então, fica como incentivo pra comentários enorme,s porque ela merece! Xoxo, Laís.