Mutant World
11 Atormentados
Notas iniciais
– Fim da linha pra vocês! — Soou a voz ofegante e séria, ao mesmo tempo prazerosa, de um policial alto, dono de cabelos pretos e olhos azuis frios. Draco entreolhou Cato, ambos os olhares demonstrando desespero eminente. Narcisa tinha o rosto coberto por lágrimas, os gemidos de dor de Cho no chão demonstravam o sofrimento que o tiro nas costas da garota estavam proporcionando-a.
– Ela é inocente! — Praguejou Cato, o peito do loiro subia e descia rapidamente. Fez menção de caminhar, os policias miraram as armas em direção ao rosto dos três.
– Não se aproxime. — Ordenou o policial, provavelmente chefe. — Ou vocês morrem.
– Mas não é isso que vai acontecer? — Draco desafiou. — Vocês vão nos matar.
– É, talvez. — Desdenhou o policial. Novamente, Cho gemeu de dor. A garota já não tinha mais os olhos abertos, as mãos ao lado de seu corpo estirado no chão perdiam os movimentos. — Não tem como vocês saberem.
– Vocês são uns monstros. — Cato disse com nojo. — Não sabem nada sobre nós. Acham que tem o direito de tirar vidas inocentes.
– Chega de conversa. Vocês estão presos, Cato, Draco e Narcisa Malfoy. — Sobressaltou o homem, com autoridade.
– Não estamos não. — Draco deu um passo à frente. Narcisa segurou o braço de Cato subitamente, com apreensão. As armas miraram o peito de Draco.
– Não se aproxime. — Ordenou o policial. — Vira de costas, braços pra trás.
– Vocês não vão encostar em mim, ou no meu irmão. — O loiro cuspiu as palavras. — Muito menos na minha mãe.
– Policiais, podem algemar. — Mandou o policial, o distintivo preso à seu colete a prova de balas nomeava-o Lewis.
– Fiquem longe de nós. — Praguejou Draco, suas mãos se ergueram ao lado de seu corpo. Cato observou-o, entreabrindo a boca. Um vento rápido surgiu por entre eles, os cabelos de Draco se bagunçaram entre a ventania. Os olhos do loiro denunciavam fúria contra os policiais, que se entreolhavam. A velocidade dos ventos assustou à Narcisa, que abraçou os próprios braços.
– Ele está usando seus poderes! — Lewis denunciou. — Parem ele agora!
– Cato, sai daqui com ela! — Mandou Draco, a voz alta, o barulho dos ventos pela vila já estava quase ensurdecedor.
– Não deixem eles fugirem! — Praguejou Lewis, quando viu a sombra de Cato segurar Narcisa pelo Braço e os passos dos dois seguirem caminho pela vila.
Relâmpagos surgiram pelos céus, os trovões assustavam àquela tarde. Os raios começaram a cair por entre tão perto dos policiais, que eles precisaram se afastar de Draco. Lewis vociferou um bufado em raiva, voltou a mirar atentamente sua arma em direção à Draco.
– Nunca mais mexam com minha família. — Ordenou Draco, entredentes, totalmente domado por seus próprios poderes. O vento feroz, os raios perigosos caindo ao lado de seu corpo, os trovões cada vez mais altos, os portões das casas próximas da vila abrindo e fechando com força, provocando baques em meio ao barulho da ventania e dos relâmpagos.
– Atirem nele, agora! — Gritou Lewis, completamente irritado. Draco ergueu à mão em frente ao corpo, mirou-a em um policial ao lado de Lewis que já apertava o gatilho. Os raios elétricos atingiram o policial, que berrou em dor, seu corpo tremeu por completo e logo caiu ao chão. Os policias em volta pareciam assombrados, Draco aproveitou o tempo de descuido para correr dali, entre os ventos que já formavam tornados.
O corpo de Cho, deixado para trás, caído no chão, logo já não tinha mais vida.
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Molly cozinhava quando ouviu gritos vindos da sala, misturados com o som de vidros se quebrando. A mulher levou a mão ao peito, alarmada. Semicerrou os olhos por alguns segundos, tentou manter a calma. Desligou o fogo que cozinhava alguns inhames. Ultimamente, legumes e verduras era o que estava alimentando ela e o filho, já que não trabalha mais, e não tinha como comprar as guloseimas que Rony gostava.
Ouviu novamente um barulho, dessa vez, um estrondo resultado de um estouro de algum aparelho eletrônico. A mulher soltou um grito em meio ao susto, não mediu passos, correu até a sala para ver o que acontecia.
– Mas Ronald, são meus pais, eu preciso ajudá-los! — Gina parecia completamente transtornada, seus olhos estavam vermelhos, a pele de seu rosto também. Rony a segurava pelos braços, tentando contê-la.
– Não Gina, seu pai pediu para eu trazer você e Hermione para cá. — A morena observava a cena, as lágrimas também rolavam por seu rosto, estava completamente atordoada.
– Rony, o que tá acontecendo? — Molly chegou à sala estupefata, e ao ver o filho, respirou fundo. Correu os olhos pelas duas garotas, em seguida, pelo chão do cômodo, que parecia um tapete de cacos de vidro. O aparelho televisor estava queimado, era ele que havia explodido.
– Gina, por favor. — Rony girou o corpo da garota e a fez olhá-lo nos olhos. Hermione observou no canto da sala. — Fica calma.
– Não dá. — Ela soluçou, abraçou o corpo do ruivo, que mesmo surpreso, retribuiu. Correu os olhos por Hermione, que abaixara o olhar, e por Molly, sua mãe. A mulher fez um gesto com as mãos, pedindo explicações, e Rony contraiu os ombros.
– Vai ficar tudo bem, calma. — Rony alisou os cabelos ruivos dela, tão alaranjados quanto os dele.
– Ronald.. — Ela choramingou, e se soltou do abraço. Rony deu um sorriso de canto, percebeu que a garota havia se acalmado um pouco. — Mãe, essa é.. — O ruivo começou, quando finalmente Gina secou o rosto com as mãos. — Gina. — Molly olhou Gina, e a mulher, mesmo sem entender completamente a situação, deu um sorriso breve. Gina não foi capaz de retribuir, mas assentiu. — Ela é a mutante que eu te falei.
– O que aconteceu com ela? — Indagou Molly, se aproximando, preocupada.
– Essa é Hermione. — Rony apontou para Hermione, sorrindo levemente pra garota. — Ela também é uma mutante.
– Oi.. — Hermione cumprimentou, baixo e entre o choro que chegava ao fim.
– Olá. — Molly sorriu. — O que aconteceu com vocês?
– A polícia invadiu minha casa. — Gina falou, com apreensão. — Meus pais estão em perigo.
– Vocês estão bem? — Molly se alarmou.
– Estamos. — Hermione falou. — Ronald trouxe a gente pra cá.
– É, mas precisamos voltar! — Intrometeu Gina, tensa. Um porta-retrato atrás de Molly estourou, a mulher se assustou e se girou abruptamente, vendo o objeto no chão em pedaços.
– Gina, calma! — Pediu Hermione.
– É você que está fazendo isso? — Molly olhou Gina, pasma.
– Me desculpe. — Pediu a ruiva, tristemente. — Eu não consigo controlar.
– Tá tudo bem, não se preocupe. — Molly interveio, tranquilizando-a. Gina abraçava os braços. — Quer que eu traga algo para te acalmar?
– Nada vai me acalmar. — Gina se sobressaltou, olhou Rony, pedinte. — Eu preciso ver meus pais, ajudá-los.
– Não tem como você ajudar seus pais, provavelmente iria morrer. — Retrucou Rony, sensatamente.
– Ele tem razão, Gina. — Hermione falou, se aproximando dos dois. — Não tem como ajudá-los.
– Mas nós somos mutantes, eles são humanos. — Argumentou Gina.
– Você iria ficar nervosa e poderia atrapalhar. — Contrapôs Hermione, vendo Rony assentir.
– Atrapalhar o quê? — Gina quase gritou. — Aqueles policiais estúpidos matarem os meus pais?
– É muito perigoso pra gente. — Rony interveio. — Não, eu já disse que não.
– E se fosse a sua mãe? — Gina o encarou nos olhos, Molly observou a cena atentamente. — Você não iria voltar lá pra ajudá-la? — Gina viu Rony sem saber o que responder. — E seus pais Hermione? Sua irmã? — Gina olhou a morena, que mordeu os lábios, sem resposta. — Tão vendo só. Eu tenho a chance de ajudá-los. Eu preciso voltar lá.
– Rony. — Molly atraiu a atenção dos três. — Leve-a. — Pediu Molly, vendo o filho entreabrir a boca, em total espanto. — São os pais dela. Gina tem o direito.
– Ronald. — Gina olhou o garoto, o olhar desesperado, à procura de um consentimento. O ruivo bagunçou os cabelos, olhou Hermione, que observava atentamente as expressões no rosto do ruivo.
– Tá bom. — Rony bufou. — Mas Hermione fica! — Argumentou, Hermione entreabriu a boca.
– Nada disso. — A morena interveio. — Não vou deixar vocês. — Apesar de Rony se surpreender com aquela frase, encarou seriamente a morena, sem se abalar.
– Não, Hermione. — Ele contrapôs. — É muito perigo. Não quero te deixar em perigo.
– Não sou uma menininha em perigo. Eu tenho asas, posso fugir se quiser. — Molly entreabriu a boca ao ouvir a garota dizer. Observou a corcunda nas costas de Hermione, sorriu abobada vendo leves penas praticamente saindo por fora do vestido.
– Droga. — Rony bufou. Olhou de Hermione para Gina, ambas pareciam esperar pelo sim. — Tá bom, tá bom. Mas se vocês duas ficarem em perigo, eu teletransporto as duas de volta pra cá, tão entendendo?
– Tá bom, papai. — Gina rodou os olhos enquanto corria os olhos pela sala, viu Molly rir levemente. Rony chamou Hermione com a mão, a morena se posicionou ao lado dele.
– Não vai levar sua mochila? — Molly fez o ruivo a olhar.
– Eu tinha quase esquecido. — Rony foi até o sofá, onde tinha jogado a mochila assim que voltou, a pegou e colocou-a de volta sobre o ombro. Caminhou para entre as meninas de novo, olhou de uma pra outra. Gina respirava pesadamente, estava nervosa. Hermione assentiu para o ruivo, que deu uma última olhada em Molly.
– Fique segura. — Pediu, e viu a mãe assentir. Segurou na mão de Gina, a ruiva apertou a mão do garoto. Tocou a mão de Hermione, entrelaçou os dedos nos dela, num ato involuntário. A morena sentiu um certo descompasso nos batimentos cardíacos e pôde jurar que era em decorrência da tensão do momento. Rony fechou lentamente os olhos e pensou no apartamento dos Whotsley. Segundos depois, se teletransportaram dali.
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– Calma! — Rony ordenou, assim que pararam em frente à entrada ao apartamento 402, onde Gina morava. A porta estava no chão, os móveis revirados, eles perceberam mesmo sem entrar. Rony soltou as mãos das meninas e entrou cautelosamente dentro do apartamento, Gina e Hermione o seguiram, estavam nervosas.
Rony olhou em volta, tudo estava fora do lugar. Não viu sinal de policiais, ou escutou qualquer barulho que os denunciasse. Olhou as meninas atrás de seu corpo e assentiu para elas, as duas agora olhando em volta.
– Mãe? — A voz de Gina ecoou pelo cômodo. — Pai?
Nenhuma resposta, ouviram apenas um grunhido de dor. Se entreolharam alarmados, o nervosismo de Gina aumentou subitamente de grau, Rony pôde perceber quando alguns estilhaços de vidro no chão se mexeram involuntariamente. Era mais um resultado do controle que ela não tinha dos poderes.
– G-in-a. — A voz de Jefferson apareceu pelo cômodo, mas em um tom de dor, sem forças. Gina correu por entre os móveis.
– Pai? — A ruiva olhou freneticamente por entre a bagunça no apartamento. — Pai! Pai! — Ela se desesperou quando viu o corpo de Jefferson caído atrás do sofá o chão embaixo e ao lado dele cobertos de sangue. Rony e Hermione se aproximaram, Hermione prendeu a respiração com a cena. A blusa de lã do homem estava perfurada por tiros. — Pai, não! — Gina se ajoelhou ao lado do pai, segurou-o pela mão. Começou a chorar ao ver o pai dar um leve sorriso para ela.
– Você é tão b-onita. — O homem disse, entre um ofego. Hermione virou o rosto, também chorava. Rony tinha uma mão entre os cabelos, estava atormentado.
– Pai, não fala. — Pediu a ruiva, soluçando. — Vamos te levar pro hospital, o senhor vai ficar bem.
– A sua mã-e. — Jefferson engoliu ar, falava com dificuldade, a dor exalava por seus poros. — Ache a sua mãe. E-les a levaram. — O homem tossiu, sua boca pingava sangue.
– Eu vou achar ela. — Gina assentiu rapidamente, limpando o queixo do pai, que estava sujo de sangue. A ruiva olhou para a própria mão, coberta com o sangue do pai. Soluçou novamente. — O senhor vai me ajudar.
– Fique viva. — O homem pediu e tossiu, sem fôlego. A expressão de Gina era de completo desespero.
– Pai.. — Ela apertou a mão do homem ruivo quando o viu fechar os olhos.
– Escut-ta. — Jefferson fungou, também chorava involuntariamente. — T-tem um pendriv-e no seu quarto. — O homem tomou fôlego, arfava, sua expressão também condenava a dor que sentia. — Tudo que preci-isa está lá. — Jefferson forçou a abrir os olhos novamente, sua visão praticamente toda embaçada. O som do choro de Gina já não era mais audível para ele. — Eu te amo, min-ha filha.
– Pai! — Gina entreabriu a boca, não conseguia respirar. Tocou a mão do homem, que não se moveu mais. Os olhos azuis de Jefferson paralisaram. — Pai, pai olha pra mim. — Ela pediu entre o choro. O soluço de Gina se misturou com o de Hermione, a morena voltou a olhar a cena. Rony tinha as duas mãos enfiadas entre os fios ruivos, sua boca entreaberta. — Não, volta pai, o senhor não vai morrer. — A ruiva apertou fortemente a mão de Jefferson entre a sua, começou a balançar o corpo do homem, chorava sem forças. — Pai, não me deixa! — Ela implorou, soluçando, repousando a testa no peito de Jefferson. — Por fa-avor, volta. — Implorou, em dor. Sentia como se metade do mundo tivesse desabafo em si.
– Gina! — Rony percebeu-a prender a respiração, estava muito abalada.
– Ronald, tira ela dali. — Pediu Hermione, entre o choro, vendo o desespero da amiga.
– Não, pai, pai, pai, volta! — A ruiva apertava a mão do homem, que tinha o corpo já frio.
– Gina, vem. — O ruivo se aproximou de Gina, segurando-a pelo braço. A ruiva não se moveu, segurou ainda mais firme a mão do pai. Hermione fungou e olhou para os lados ao sentir um vento frio lhe bater contra a nuca. Uma ventania começava a se formar no apartamento.
– Ronald, são os poderes dela! — Avisou Hermione, se assustando. Rony correu os olhos pela morena, viu alguns móveis serem arrastados com a ventania.
– Por favor Gina, vem! — O ruivo agarrou os braços da garota, que fechou os olhos e soltou a respiração, em um grito.
– PAI!
Um grito tão agudo que Hermione teve de cobrir os ouvidos, Rony largou os braços de Gina imediatamente para se proteger dos estilhaços de vidros e móveis do chão que começaram a voar contra o cômodo. A voz de Gina soava desesperada, frenética, as cordas vocais pareciam não se abalar, o grito foi firme e não entrou em desafino. Hermione se agaixou e tentou proteger o rosto contra os objetos que voavam, estouravam e explodiam. A dor de cabeça na morena e em Rony veio iminente por entre o grito, parecia que poderiam explodir juntos. Um caco de vidro voou contra o braço de Rony, cortando-o sem o ruivo ter como se defender. O sangue pingou no chão já manchado, olhou desesperado Gina, que ainda gritava, a cor da pele da ruiva passou de branca à vermelha, para roxa.
– GINA! — O ruivo gritou entrecortando a voz da garota, avançou contra ela e a levantou do chão puxando-a com força pelos braços. Ela estava completamente abalada. O grito cessou, os cacos de vidro bateram contra as paredes pela última vez. Hermione descobriu cautelosamente o rosto, olhou em volta. Estava ainda mais bagunçando, um furacão parecia ter passado por ali. A ventania ainda continuava no cômodo. — Hermione, ache o pendrive. — Pediu o garoto, que ainda segurava Gina pelos braços. A morena assentiu, correu dali e entrou casa à dentro, logo achando o quarto de Gina.
Vasculhou as gavetas enquanto sentia seu coração quase sair pela boca. O quarto de Gina também estava revirado, provavelmente, os policiais a procuraram por todo o apartamento. A mente de Hermione borbulhava, ao mesmo tempo que sentia uma enorme tristeza pela morte de Jefferson, sentia ainda mais desespero sabendo que seus pais também podiam acabar assim. Não imaginava o quão poderosa Gina seria, e também o quão perigosa. Poderiam ser mortos apenas com o nervosismo da amiga.
Seu peito subia e descia, suas mãos abriam as gavetas com pressa e as fechavam abruptamente. Não estava encontrando. Foi até o guarda-roupa de Gina, já conhecia aquele quarto. Estava dormindo com a garota nos últimos dias, preferia. Não gostava de ficar sozinha, ainda mais com os policias podendo encontrá-las a qualquer momento. E acabou acontecendo.
A morena foi até a gaveta onde Gina guardava lembrança dos pais, fotos, objetos de coleção. Sentiu uma dor no peito ao ver uma fotografia da amiga no colo de Jefferson, Gina ainda bem pequenininha. A ruiva sorria. Sorrir já não fazia mais parte do cotidiano deles. Hermione teria que se acostumar com isso.
A garota se alarmou quando tocou uma caixinha preta, abriu-a, um pendrive estava lá dentro. Respirou rapidamente, havia encontrado. Saiu tropeçando pelos móveis, esbarrou em algumas paredes, estava tonta. Voltou à sala, Gina ainda chorava e Rony ainda a segurava pelos braços. Era desnorteante ver o corpo ensanguentado de Jefferson caído ao chão.
– Achei! — Hermione avisou ao se aproximar dos dois. Apenas Rony a olhou, Gina ainda soluçava.
– Vamos embora. — Informou Rony, Hermione apenas assentiu.
– Mas.. — A morena olhou o corpo no chão. Rony negou com a cabeça, não tinham o que fazer. Provavelmente, vizinhos encontrariam o corpo ali, e dariam um final descente à Jefferson. Nenhum pai merecia morrer daquela maneira. — Você tá sangrando. — Hermione entreabriu a boca, se preocupou ao ver o corto pelo pulso de Rony. Se aproximou, tocou a região com delicadeza. Olhou Rony nos olhos. — Temos que cuidar disso.
– Certo. — O ruivo assentiu, em gratidão pela preocupação, e sentiu um leve arrepio lhe tocar a nuca ao trocar olhares com a garota. Os olhos dela eram em cor de mel, um mel completamente chamativo. — Vem, segure meu braço. — Ele pediu, e assim, Hermione o fez. Lançaram um último olhar à Jefferson, Gina completamente sem reação, transtornada. Instantes depois de um último adeus, viajaram dali.
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– Mas que droga! — Vociferava Lewis, adentrando seu escritório na delegacia. Andrew se encontrava sentado sobre a mesa, se levantou de súbito ao ver o chefe chegando.
– Lewis, o que aconteceu? — Indagou o homem loiro, estupefato.
– Aqueles mutantezinhos ridículos. — O moreno falou entredentes, tirando o colete a prova de balas do corpo e o colocando sobre o sofá preto. — Fugiram.
– Não! — Retrucou Andrew, indignado. — Mas que merda, era uma ótima oportunidade.
– Aquele mais novo lá, o tal do Draco. — Desdenhou Lewis, fechando os punhos. — Conseguiu usar aqueles malditos poderem e atingiu um dos nossos.
– Quem? — Andrew se alarmou.
– Agente Steven. — Avisou Lewis, sem emoção.
– Ele tá morto? — O policial quis saber, demonstrou preocupação.
– Não, ele foi pro hospital. — Lewis respondeu displicentemente. — Logo logo volta. — Continuou, cerrou os dentes. — Mas aqueles infelizes conseguiram fugir.
– A gente acha eles de novo. — Tranquilizou-o Andrew, vendo o chefe ir até sua cadeira giratória e se sentar, bufando. — E dessa vez, eles não escapam.
– O que me contenta é saber que prendemos a mãe daquela mutante, a poltergeist. — Lewis disse, alisando os dedos.
– E não vai demorar para prendermos a mutante. — Andrew sorriu para o policial, que retribuiu, com um sorriso maldoso.
– Não vejo a hora de colocar a mão em todas essas aberrações. — A voz de Lewis soou fria, perigosa. — E nas mães, elas são importantes.
– Fica tranquilo, Lewis. — Andrew se aproximou da mesa, se apoiou nela com as mãos e encarou o policial à sua frente. — Os humanos já estão sabendo de tudo. Estamos recebendo várias denúncias de possíveis refúgios de mutantes. Os humanos estão do nosso lado.
– E contra os mutantes, o que é melhor. — Lewis sorriu, vitorioso. — Vamos acabar com eles. — Sorriram cúmplices, de uma forma sombria. Ouviram batidas na porta, Lewis avisou: — Entra.
– Policial. — Um homem de aparência mais idosa adentrou o escritório, também se vestia como agente da polícia de Manchester. — Capturamos Narcisa Malfoy.
– Maravilha! — Lewis se levantou em um sobressalto da cadeira. — Quero interrogá-la, agora mesmo!
– Vem comigo, senhor!
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– Mãe, voltamos! — Rony avisou assim que aterrissou o chão de sua casa com Hermione e Gina. Ainda segurava a ruiva com os braços, sentia como se ela pudesse cair, estava sem forças. Foi até o sofá próximo e ajudou-a a se sentar. Largou a mochila ao lado do corpo de Gina. Hermione encarou a amiga, tristemente. Gina não retribuiu o olhar, seu rosto cheio de manchas vermelhas, seu olhar fundo e sem vida.
– Tadinha. — Hermione comentou, baixinho, quando Rony se aproximou. — Ela não merecia isso. Nem o pai.
– É. — Rony engoliu em seco, olhou a garota nos olhos. — Nós não merecemos nada disso. — Via-a assentir levemente e suspirar. Se lembrou da morena chorando, os olhos em outra direção, sem suportar ver Jefferson morrendo. Sentiu uma estranha vontade de abraçá-la. E mesmo não tendo um porquê, o fez. Hermione se surpreendeu ao ser envolvida contra o corpo dele, seu coração se descompassou subitamente. A morena se reconfortou no abraço, não tinha um porquê, mas simplesmente gostou daquele gesto. Ronald tinha um jeito de ser diferente. Ela pôde perceber com poucas horas que o conheceu. Envolveu os braços no pescoço do ruivo, sentiu o leve perfume dele. Se perguntou se seria mesmo perfume, ou simplesmente seu cheiro. Não se atreveu a perguntar aquí-lo. Sentiu sua cintura ser envolvida pelos braços dele, seu vestido se manchando com sangue do pulso dele.
– Acha que vai ficar tudo bem? — Perguntou a morena contra o pescoço dele, Rony sentindo novamente aquele arrepio pela nuca.
– Eu não sei. — Ele respondeu, baixinho. Se deixou levar pelo abraço, gostou daquele conforto que ela proporcionava. O cheiro dela também era muito bom. E Rony teve a certeza de que era realmente o cheiro dela, da pele dela. Rony gostava de detalhes.
Estranhou o silêncio incômodo pela casa. O ruivo se separou do corpo de Hermione lentamente, se afastou da garota, se afastou do cômodo.
– Mãe? — A voz de Rony ecoou de longe, Hermione olhava Gina, a morena abraçando os próprios braços, a ruiva distante dali, como se estivesse hipnotizada ou algo parecido. — Mãe, cadê você?
E novamente um silêncio incômodo surgiu pela casa. Hermione suspirou, estava atordoada. Não sabia o que fazer, não sabia o que fariam. Não sabia se iria sobreviver.
– Droga, não pode ser! — A voz sobressaltada de Rony despertou tanto Hermione quanto Gina, que pareceu sair do transe. Sustos e desgraça pareciam atraí-la. As duas correram até a cozinha, Hermione se transtornou ainda mais. Gina bateu o corpo contra a parede dura, fechou os olhos, outra lágrima correu por seu rosto.
A cozinha estava revirada, móveis caídos por todos os lados, a panela com inhames espalhados pelo chão. Rony se agaixou próximo ao armário, uma pulseira que a mãe nunca tirava do braço estava jogada ao chão, arrebentada. Rony semicerrou os olhos, sentiu-os arder. Seu peito doeu.
– Mãe. — Ele pronunciou em um sussurro doloroso. Olhou Hermione, a morena percebeu os olhos dele marejarem.
– Acabou pra nós. — Gina se pronunciou, atormentada.
– Vamos sair daqui. — Avisou Rony às duas, Hermione vendo-o guardar a pulseira no bolso da calça, a determinação de sobreviver denunciada pelo olhar dele.
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