Notas iniciais
Mais um capítulo recheado de surpresas! Coloquem esse soundtrack para tocar ao verem o sinalzinho * https://www.youtube.com/watch?v=scCQlmT1mWU

– Olhem! — Clove apontava para uma estradinha de terra mais à frente, algumas casas podiam ser vistas.

– Não acredito! — Rose sorriu, descansando com as mãos nos joelhos, a respiração acelerada.

– Muito obrigada. — Luna olhou para os céus e sorriu, entre um suspiro de alívio.

– Finalmente. — Scorpius chegou ao lado de Rose, Harry observava as casinhas longe deles. — Não aguentava mais esse mato.

– Devem haver pessoas lá. — Alertou Harry, as sobrancelhas franzidas, bebendo na garrafa térmica o resto da água que haviam encontrado em um lago raso pelo caminho. Caminharam por horas a fio, viraram a noite e até a manhã.

– Qualquer coisa eu uso meus poderes. — Scorpius tranquilizou-os, Rose arqueou as sobrancelhas e olhou o loiro de relance.

– Você tem muita confiança em si mesmo, né? — Ela indagou, claramente em deboche. Scorpius encarou os olhos azuis da ruiva.

– Eu só acredito na eficiência dos meus poderes. — Ele retrucou, encarando-a fixamente. Harry, Clove e Luna se entreolharam.

– Bom pra você. — Rebateu a ruiva, desfazendo os olhares. Scorpius rodou os olhos, desde quando encontrou os novos amigos percebeu que a garota não havia ido muito com sua cara.

– Então.. vamos? — Sugeriu Luna, os lábios entreabertos, os olhos contraídos em consequência do sol forte daquela tarde.

– Vamos tentar. — Harry olhou-os, todos assentiram. — Mas tomem cuidado, certo?

– Certo, capitão. — Scorpius debochou em brincadeira, Rose olhou o garoto e revirou os olhos.

– Você fica melhor calado. — Ela implicou, quando começaram a caminhar.

– E eu não te perguntei nada, nanica. — O garoto rebateu, riu e mostrou a língua quando Rose empurrou pelo braço para longe.

– Cala a boca. — Ela mandou, pôde ouvir a risada de Luna ao seu lado.

Caminharam mais alguns metros, logo perceberam que haviam encontrado uma vila. Parecia acolhedora, as casas tinham aparência das casinhas de filmes antigos em vilas abandonadas. Parecia estar seguindo o roteiro, não encontraram sinais de habitantes naquele lugar.

Harry deu a volta em uma casa colorida de azul escuro, parecia estar vazia, as janelas todas trancadas, o silêncio ia sendo carregado pelo vento.

– Pessoal! — O moreno chamou os outros, a voz baixa e cautelosa. Luna pareceu ouví-lo, pois logo se aproximava do garoto. A loira cobriu a boca em espanto ao ver o chão ensanguentado frente aos pés de Harry.

– Nossa! — Ela pareceu pasma. Trocou olhares com Harry.

– Esse sangue não parece ser velho. — O moreno analizou ao voltar olhar o chão. Se agachou, tocou a coloração vermelho-escuro-vivo.

– O que foi? — Os passos apressados de Clove logo cessaram e a voz da garota surgiu entre o irmão e Luna. A morena arregalou os olhos. — Quê isso?

– Sangue. — Harry respondeu, a voz arrastada. — Sangue praticamente fresco.

– Vocês acham que.. — Luna começou, logo sendo cortada por Clove.

– Policiais e mutantes. — Supôs a morena, as mãos na cintura, as sobrancelhas franzidas. — Com certeza.

– Parece que dessa vez os mutantes não se deram muito bem. — Scorpius falou ao chegar entre os amigos, ao lado de Rose. A ruiva entreabriu os lábios, olhou Luna, que parecia tão espantada quanto.

– É. — Harry se levantou do chão, ficando de frente aos outros. — Parece que não.

– Então vocês acham que não é mais seguro aqui? — Indagou Rose, com a respiração pesada.

– Nenhum lugar é seguro. — Rebateu Scorpius.

– Não podemos arriscar ficar andando por aí. — Harry olhou para os lados, o vento da tarde bagunçava seus cabelos escuros. Seus olhos verdes brilhavam em meio ao sol. — Essa casa.. — Ele apontou para a casa azul atrás dos amigos. Eles se viraram de súbito, observaram a casa. — Parece estar vazia. — Continuou o moreno, andando entre os amigos. — Vamos dar uma olhada lá dentro. Se estiver vazia, a gente fica.

– Mas Harry, e se tiver alguém dentro? — Rose indagou, aflita. Seus cabelos alaranjados e cacheados voando.

– Então o Scorpius usa seus poderes. — Harry se dirigiu ao loiro, que assentiu, tirando uma mecha loira dos cabelos de sobre seus olhos. Rose o observou fazer. — Mas só se for necessário. Se não tiver outro jeito.

– Certo. — Concordou o loiro. Um súbito barulho despertou os garotos e garotas, fazendo-os desviarem a atenção da casa e olharem em volta da vila. A figura de um garoto loiro, os cabelos um tanto parecidos com o de Scorpius, alarmou-os.

– Quem é você? — A voz estupefata de Rose se sobressaltou.

– Quem são vocês? — Rebateu Draco, frente ao grupo, mas em uma distância suficiente.

– Perguntamos primeiro. — Argumentou Harry, fixando o olhar no garoto. Draco involuntariamente conseguiu se lembrar daquela voz.

– Vocês são mutantes? — O loiro entreabriu os lábios.

– Como você sabe? — Rebateu Scorpius, desconfiado.

– Eu sou Draco. — O loiro deu um passo à frente, Rose abriu a boca, surpresa. Olhou Harry de relance, o moreno parecia confuso. — E você é o garoto que falou comigo.

– Você tá brincando. — Luna rebateu, pasma.

– E os outros? — Harry indagou, os cabelos desgrenhados.

– Cho morreu. — Draco explicou, direcionando o olhar para o chão ensaguentado, longe dele. Harry seguiu o olhar do garoto, mas instantes depois já o olhava de novo. — Cato e minha mãe fugiram.

– Eu sinto muito. — Rose engoliu em seco. Draco mordeu o lábio inferior, respirou fundo. Viu o garoto moreno ainda sem nome dar alguns passos à frente.

– Sou Harry Potter. — O moreno estendeu a mão para Draco. — E somos todos mutantes.

– Draco Malfoy. — Respondeu o loiro, apertando a mão de Harry em um aceno de cabeça.

– Cara.. — Scorpius levou as mãos à cabeça. — É surreal o que acontece com a gente.

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– Tá chegando, Ronald? — Indagou Hermione, os passos apressados pelas ruas de Manchester, o sol escaldante daquela tarde fazendo a garota ter os olhos semicerrados.

– Está. — Rony entreolhou a morena ao lado de Gina. Hermione assentiu, respirou fundo, continuou com os passos apressados. Gina ainda parecia bastante abalada.

– Gina.. como você tá? — Rony demonstrou preocupação.

– Viva. — Ela soltou o ar dos pulmões, a rua em que andavam aparentemente deserta, com exceção dos carros estacionados próximos ao meio fio.

– Vamos descobrir tudo o que precisamos. E vamos achar sua mãe. — O ruivo tentou tranquilizá-la. Apesar de derrotada, Gina ainda tinha esperanças de encontrar a mãe. Era tudo o que queria. E se fosse preciso, iria lutar com todas as garras e poderes para isso. Era hora de enfrentar o mundo.

– Temos que descobrir. — Ela rebateu, os cabelos longos voando contra o vento.

– Tem certeza que nessa clínica vamos conseguir ver o que tem no pendrive? — Hermione contraiu as sobrancelhas.

– Absoluta. — Rony argumentou, os passos diminuíram ao chegarem à calçada da Clínica Delart. Totalmente desconhecida para Gina e Hermione. — Evitem olhar para os lados ou encarar as pessoas. — O ruivo alertou-as ao as olharem. Ambas assentiram imediatamente. Hermione respirou fundo. — Se não encontrarmos pela doutora, vamos até a sala que eu falei, certo?

– Tem certeza que vai dar certo, né? — Gina olhou os letreiros do nome da clínica.

– Vamos conseguir. — Ele tranquilizou-a. — Agora vem.

Adentaram a clínica, um caminhando ao lado do outro. O local parecia tão vazio quanto quando Rony visitara pela primeira vez, havia ainda menos pacientes rondando a recepção, com exceção de um idoso lendo uma revista em uma poltrona de couro em frente à tv, e uma mulher alta e loira ninando um bebê em seu colo. Rony olhou para os lados rapidamente, o olhar à procura de Serena, a médica que havia ajudado-o à encontrar as fichas dos mutantes, e levado-o à se pôr entre o destino de Gina e Hermione.

– Vocês precisam de alguma ajuda? — A voz de uma atendente na recepção despertou o olhar de Hermione e Rony, que estavam parados olhando em volta. Gina, já mais à frente, trocou olhar com os dois.

– Não, obrigado. — Rony olhou rapidamente a mulher dentro do balcão feito de mármore. A moça assentiu e deu de ombros. Hermione olhou de relance o garoto. — Vamos.

Caminharam pela clínica à dentro, vez ou outra encontraram com pacientes, mas os passos eram tão apressados que as pessoas mal conseguiam ver o rosto deles. Rony com o capuz sobre os cabelos, Hermione com uma trança mal formada sobre o ombro direito, Gina com os extensos fios ruivos lhe cobrindo as costas.

– Ela não deve estar aqui. — A voz de Rony soou baixa entre os corredores. — Vamos para a sala dos fundos, lá nos usamos algum notebook para ver o que tem no pendrive.

Em um asseno de cabeça, as meninas concordaram. Com mais alguns passos, chegaram em frente à porta onde Serena havia entrado com Rony há poucos dias. O ruivo olhou para os lados, não avistou ninguém. Levou a mão até a massaneta na porta, girou-a, estava aberta. Entraram discretamente, procuraram por quem quer que fosse dentro da sala. Não encontraram ninguém. Rony fechou a porta e tirou a mochila das costas.

– Tem um notebook aqui. — Avisou Gina, indo até uma mesinha com o aparelho por cima. A ruiva abriu o notebook, ligou-o.

– Deve ter senha. — Alertou Hermione, olhando a garota.

– Talvez não, se tivermos sorte. — Gina esperou o aparelho ligar, Rony já com o pendrive nas mãos, deixou a mochila sobre uma cadeira e foi até as garotas. — Que demora. — Reclamou a ruiva, percebendo a lentidão do computador. Rony ficou ao lado de Hermione. Olhou a morena de relance, suas costas chamou-lhe a atenção. O ruivo viu algumas penas para fora do vestido, sorriu fracamente. Se atreveu a tocar uma das penas, o que despertou a atenção de Hermione.

– Que foi? — Ela indagou, com as sobrancelhas arqueadas. Gina girou a cabeça para olhar os dois.

– As penas. — Rony comentou, com cautela, pegou uma das penas com os dedos, percebeu que estava solta. Mostrou-a à Hermione, que sorriu.

– Ás vezes algumas caem. — Hermione explicou, olhando o ruivo nos olhos. — Elas crescem muito, então as penas velhas caem para as novas nascerem.

– Isso é incrível. — O ruivo sorriu intensamente, intercalando olhares entre a pena entre seus dedos, e os olhos cor de mel de Hermione.

– Quer ver? — Hermione perguntou, Rony sorriu ainda mais com o convite. Assentiu de imediato.

– Gente. — Gina alertou-os enquanto Hermione tirava as mãos do laço das costas do vestido, desistindo de abrí-lo e indo ao lado da ruiva, junto à Rony. — Droga, tem senha. — A garota bufou quando o usuário do notebook exigiu por senha. Gina entreolhou Rony, o ruivo pareceu pensar.

– Alguém tem alguma ideia? — Gina passou a olhar Hermione. A morena mordeu o lábio inferior, pensativa.

– Tenta "mutantes". — Sugeriu a morena. Gina viu Rony assentir e logo digitou a palavra no teclado. Apertou a tecla enter e esperou alguns segundos. — Droga. — Bufou, quando a mensagem "Acesso negado" apareceu diante a tela do computador.

– Talvez o nome de quem criou a clínica... — Hermione supôs, Rony contraiu as sobrancelhas.

– Nas pastas sobre os mutantes não tem nada sobre quem criou a clínica. — O ruivo rebateu.

– Alguma data? — Gina bateu os dedos sobre a mesa ao lado do notebook.

– Do nascimento de algum mutante? — Quis saber Hermione.

– Não. — Rony balançou a cabeça negativamente. — São dezenas de mutantes. Nunca iríamos adivinhar. E provavelmente esse notebook bloqueia depois de algumas tentativas da senha.

– É, você tem razão. — Hermione mexeu na trança do cabelo.

– Então como vamos acessar esse computador? — Gina indagou, impaciente.

– Tenta "20 de dezembro de 1971". — Rony pediu e viu as meninas contraírem as sobrancelhas.

– O que aconteceu em vinte de dezembro de mil novecentos e setenta e um? — Gina pareceu curiosa.

– A data de quando a clínica foi aberta. — Explicou o ruivo. Hermione piscou várias vezes, Gina assentiu, logo digitou no teclado do notebook. Esperaram alguns segundos enquanto a máquina processava, o coração de Gina se acelerou ao conseguirem acessar o computador.

– Deu certo. — Gina disse estupefata. — Me dá o pendrive. — Ela pediu, rapidamente Rony entregou o objeto para a ruiva. Gina plugou o pendrive na entrada de usb ao lado esquerdo do notebook, não demorou segundos e uma pasta apareceu na tela do aparelho.

– Isso é.. — A ruiva contraiu as sobrancelhas.

– Um vídeo. — Hermione falou, desentendida.

* – Clica logo Gina. — Mandou Rony, a ruiva o fez. Ficaram os três com os corpos bem próximos uns aos outros quando o vídeo começou a rodar.

Surgiu a figura de um homem pouco velho, os cabelos pretos, lisos e aparentemente oleosos. Gina trocou um rápido olhar com Hermione, a morena tinha uma expressão atenta no rosto, mas a testa estava franzida. Logo, o homem começou a falar. "Não faço a mínima ideia de em quais mãos esse vídeo foi parar. Espero que em mãos certas. Meu nome é Severo Snape." Gina entreabriu a boca, em uma surpresa perturbadora. Trocou olhares com Rony, o ruivo também parecia surpreso. "Vocês não precisam saber sobre mim, precisam saber sobre o que eu sei." A voz do homem era arrastada e quase fria. Gina se concentrou. "A primeira coisa que devem saber: existe alguém por trás do nascimento dos mutantes. Das criaturas super poderosas que brevemente irão enfrentar uma guerra contra os humanos. E esse alguém se chama Bellatrix Lestrange. Delart. Seu último sobrenome foi tirado pela mesma." Rony e Gina se entreolharam novamente, as testas franzidas, os ouvidos atentos. "A segunda coisa que precisam saber: não vai ser fácil sobreviver." Hermione prendeu a respiração enquanto prestava atenção ao vídeo. "Bellatrix Lestrange fez experiências em embriões quando eles ainda estavam na barriga das mães. A maioria das vezes, nas mulheres que não podiam ter filhos e pediam ajuda médica. Também acontecia em mulheres que buscavam fazer o pré-natal na clínica Delart. Bellatrix era uma grande médica e esperava ser a descobridora da evolução humana, através da criação dos mutantes. A fim de salvar pessoas, criando, por exemplo, mutantes da cura. Mas, pelo que eu saiba, só existr uma mutante com esse poder." A expressão facial do rosto de Gina se mostrou perplexa. "Mas, Bellatrix sempre soube que era totalmente proibido fazer experiências em humanos. Ela também não sabia que suas criações poderiam se rebelar contra ela. E é onde chegamos. Mutantes estão se rebelando contra a espécie humana, pretendendo criar um exército de super dotados pelo mundo, sem humanos por perto. Eu vou explicar melhor. É como um patinho feio criado em meio à cisneis. Eles crescem sofrendo por serem diferentes, mas, chega uma hora, que o patinho feio vira o mais bonito cisnei. Chega uma hora, em que os mutantes tomam controle sobre os humanos. E se vingam. É o que está acontecendo." Rony enfiou as mãos entre os cabelos; Hermione cobriu a boca com uma das mãos. Gina tinha os olhos fixados no homem dos cabelos sebosos. "Esses mutantes estão procurando união com outros mutantes. Mutantes panteras por exemplo. Os jornais estão emitindo os fatos dos humanos. As panteras não chegam e simplesmente e matam. Elas querem jogar. E se você for jogar no time contrário, vai ter que lutar por sua vida. Porque eu sei que existem os mutantes, devo dizer, do bem, que estão procurando por respostas. Estas respostas. E, se forem algum deles que estiverem vendo esse vídeo agora, eu faço um alerta: Não se juntem aos mutantes do mal. Porque, vocês não acharam que a história de Bellatrix acabaria por aqui, não é? Bellatrix pretende criar um campo de concentração. É uma guerra. Os mais fortes vão sobreviver, e ela vai montar o seu exército. Mas nenhum mutante sabe disso. Pelo menos, não os vivos. Eu não tenho mais respostas, não tenho mais o que explicar. Se quiserem encontrar Bellatrix, terão primeiro que encontrar uma ilha. A ilha dos mutantes. Desejo boa sorte à vocês, pois vão precisar." E, com a figura de Severo Snape desligando a câmera que o filmava, o vídeo chegou ao fim.

Hermione parecia perplexa, tanto quanto Rony. Gina baixou o olhar, encarou seus pés, tinha os lábios contraídos, claramente atordoada.

– Vocês.. — Hermione começou, a voz baixa e fraca. — Vocês acham que vamos ter que achar essa ilha?

– Acho que sim. — Rony bagunçou os cabelos com as mãos.

– Tá, mas onde fica isso? — Gina levantou a cabeça, olhou Rony, atordoada.

– Ele disse que é a ilha dos mutantes. — Hermione falou, olhando os dois à sua frente.

– Já sabemos que nascemos através de experiências proibidas.. — Rony se pronunciou.

– Feitas por uma louca chamada Bellatrix. — Gina completou, se afastando da mesa do notebook.

– E que existe uma mutante da cura. — Hermione relembrou-os do detalhe.

– Deve existir todo o tipo de mutante. — Rony soltou os cabelos e coçou o queixo. — É melhor irmos embora. Vamos levar o notebook com a gente.

– Roubo? — Hermione sobressaltou a voz.

– Vamos precisar dele. — Rony contrapôs, olhando-a fixamente. — E não podemos voltar lá em casa. É perigoso.

– E pra onde vamos? — Gina olhou-o, tensa.

– Vamos procurar um hotel. — Rony falou, indo até o notebook e desconectando o pendrive do aparelho.

– Um hotel? — Hermione se alarmou. — Não podemos, é perigoso demais.

– Não temos pra onde ir. — Rony argumentou.

– E vamos pagar com que dinheiro? — A morena interveio, entrando na frente do ruivo.

– Eu tenho um pouco dentro da mochila. — Tranquilizou-a.

– Vamos relevar nossas identidades? — Ela colocou as mãos nas cinturas, encarou os olhos azuis do ruivo. — Somos fugitivos procurados.

– Ronald, ela tá certa. — Gina interveio, atraiu a atenção dos dois.

– Então o que vamos fazer? — O ruivo indagou, claramente preocupado. Gina contraiu os ombros, sua vida não tinha mais rumo desde que viu o pai morrer em seus braços. Hermione suspirou alto, era outra que não sabia o que fazer. Seus pensamentos e sentimentos estavam completamente conturbados, o tempo todo.

A porta da sala da clínica subitamente se abriu e Serena Brandon apareceu para Rony, Hermione e Gina. Rony contraiu as sobrancelhas ao ver a mulher, que estava estranhamente mais pálida, os olhos castanho profundamente mais.. intensos. Gina respirou fundo ao perceber que o nervosismo do susto tentava invadi-la. Precisava aprender a controlar seus poderes.

– Ronald? — A mulher se surpreendeu. Para Rony, até a voz da médica parecia mais diferente. Mais fria. — O que faz aqui?

– Doutora.. eu vim à procura de mais respostas. — Ele explicou quando viu a mulher fechar a porta e cruzar os braços, correndo os olhos por Hermione e Gina. — Essas são minhas amigas, mutantes.

– Mutantes, é? — Serena mordiscou o lábio inferior, pensativamente. Rony franziu a testa. Era impressão dele ou reparou certa malícia na voz da mulher?

– É. — Hermione falou, trocando um rápido olhar com Gina. A morena tentou manter uma postura firme. — Sou a mutante de asas.

– Interessante. — Serena analisou atentamente Hermione.

– Precisamos ir agora. — Rony alertou, estava estranhando demais aquele comportamento da mulher.

– Já descobriu o que precisa? — Serena olhou o ruivo, os lábios entreabertos, os braços cruzados. Por um milésimo de segundo, Rony pôde ver os olhos da mulher deixarem o tom castanho brilhante para um vermelho intenso. Mas foi uma questão de um piscar de olhos. O ruivo contraiu as sobrancelhas, olhou Hermione e Gina.

– Vamos embora. — Ele foi até a mesa e pegou o notebook com as mãos. Serena não pareceu se opôr, ainda analisava atentamente os três. Tinha frieza no olhar. Rony se enfiou entre Gina e Hermione e as duas logo tocaram o braço do ruivo.

– Mas já vão? — Serena indagou, um tom de malícia na voz que só Rony percebeu. Gina e Hermione apenas estranharam. O ruivo não se deu questão de responder, alguma coisa muito errada tinha acontecido com Serena Brandon. A mulher observou-os se teletransportarem dali, com um leve sorriso nos lábios. Um sorriso de malícia. A clara malícia que Rony tinha certeza ter percebido nela naquela tarde. *

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Cato estava perdido. Definitivamente perdido. Não fazia ideia de onde estava, tinha certeza que bem longe da vila onde viu Cho ser morta. Sua mãe? Ele também não fazia ideia de onde estava. Esse era seu maior desespero. Há uma hora estava com sua mãe ao seu lado, e em um descuido e um piscar de olhos, já não via sinal de Narcisa mais.

Havia se perdido do irmão, da mãe, estava sozinho em pleno matagal com a noite caindo, e nenhuma vista de casa por perto. Nem casa, nem comida, nem água. Apenas frio, fome, sede, e rugidos de leão em um lugar não muito distante dali. Cato estava completamente vulnerável. Ele não costumava a sentir medo. Mas, ultimamente, admitisse ele ou não, medo havia se transformado em um sentimento rotineiro.

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– Você não faz ideia de onde eles foram? — Luna perguntou à Draco, ao se sentar no braço do sofá onde Rose também se sentava.

Depois de Draco ser apresentado aos mutantes amigos de Harry, eles decidiram se unir. A união era a palavra chave para a sobrevivência daqui em diante. Invadiram a casa azul da vila que Draco denominou "Floreios e Borrões". Por sorte, muita sorte, não encontraram ninguém por ali. Mas sim, havia moradores na casa, mas não estavam no momento. Mais sorte ainda foi ter encontrado comida, muita comida. E água. Era o que mais precisavam. Pelo menos por aquela noite, eles estariam, tecnicamente, salvos.

– Não. — O loiro bufou, bagunçou os cabelos loiros. — Eu vi eles correndo e foi só isso. — Draco se referia à Cato e Narcisa. Estava completamente preocupado com os dois.

– Mas seu irmão vai saber defender sua mãe. — Clove disse, enquanto mastigava uma maçã. — Você disse que ele é forte, e também é mutante.

– É, mas já tá de noite. — Draco argumentou. — E eles não tem nenhum lugar pra ficar. — O loiro bufou novamente. — Além do mais, os poderes do Cato só ajudam à ele.

– Quais são os poderes dele? — Luna pareceu curiosa.

– Ele tem supervelocidade. — Draco explicou, fixando a loira. — Ele corre muito, muito rápido. E ele também pode se regenerar dos ferimentos.

– Regenerar? — Scorpius arqueou as sobrancelhas. — Mais ou menos como os poderes da Luna?

– Não idiota, Luna tem o poder de curar, o irmão dele pode se regenerar. Ele se cura dos ferimentos mas não pode curar os outros. — Rose explicou à Scorpius, vendo o loiro imitá-la com a boca, em som mudo. A ruiva rodou os olhos.

– É, é isso. — Draco assentiu.

– Harry podia tentar falar com eles. — Luna sugeriu, vendo Harry, no canto da sala, olhá-la com atenção. Draco também olhou a loira. Os cachos mal formados dos cabelos dela caídos por sobre seus ombros. — Ele conseguiu se comunicar com você Draco, talvez consiga se comunicar com seu irmão Cato também.

– Você poderia? — Draco olhou Harry, que se aproximava dos amigos.

– Eu posso tentar. — Harry demonstrou pouca insegurança na voz.

– É melhor do que nada. — Draco assentiu, vendo o moreno assentir de volta. Harry concentrou sua mente, fechou seus olhos. Todos no cômodo fixaram a atenção em Harry.

"Cato Malfoy, pode me ouvir? Se puder, eu e meus amigos estamos com seu irmão. Somos mutantes do bem. Se puder, volte para a vila onde você, Draco, sua mãe e Cho estavam antes do que aconteceu com a garota. Estamos todos aqui. Em uma casa azul. Você vai saber qual. Espero que você consiga ouvir essa mensagem."

Notas finais
Quero opiniões, hein! xx Jen ♥