Must Go.

1 01 - O que se deve fazer?


Notas iniciais
Primeiro Capítulo, espero que de verdade vcs gostem.Qualquer crítica ou elogios hehe são bem vindos ♥Boa leitura!

Por que será que é tão difícil de encontrar algo com qual você se identifica?

Bom, essa pergunta eu me faço praticamente todos os dias, é uma dúvida que me persegue há uns dois anos.

Se me conhecesse, diria que eu não pareço ser esse tipo de pessoa duvidosa, até porque eu sei o que quero. Testar coisas novas e conhecer novos lugares, encontrar pessoas novas e me encantar por elas. A vida é o que me fascina, basicamente. Eu só precisava de um passo para poder começar essa nova fase.

Por onde eu começo?

Bom, já que é assim, eu sou a Emery Banerson, tenho 21 anos e faz um tempo que larguei a faculdade, o motivo foi por conta da maldita pergunta. Eu cursava Jornalismo, eu gostava muito, eu sentia que aquele curso era para mim, conseguia até me visualizar daquelas bacanas de telejornal das 20h, porém vi que, naquele momento, precisava de uma coisa nova para experimentar e sair da minha rotina.

Quero dizer, quem nunca quis jogar tudo para o alto? Foi isso que eu fiz. Claro, meus pais, Richard e Clara Banerson, não gostaram nenhum pouco, ver a única filha deles largar a faculdade? Largar o sonho deles de ser tornar alguém bem sucedida nessa vida? Alguém que poderia ser reconhecida e lembrada? Pois é, mas depois de alguns anos eles me perdoaram, eles estão agindo como antes, até perceber que meu pai fica com a expressão rígida quando o assunto é emprego e minha mãe reza e chora toda a noite para que eu me encontre nessa vida.

Poderia me sentir ofendida com isso, eles deviam estar me apoiando, afinal, eles não tem culpa das minhas escolhas, a única coisa que eles fizeram foi me colocar nesse mundo, além de toda educação que me ensinaram, eu reconheço. Eu sei que nenhum pai gosta de ver um filho ou uma filha largando a faculdade, já tentei até me colocar muitas vezes no lugar deles para ver como eu me sentiria e mesmo assim estou certa do que fiz.

Naquele dia, minha mãe pediu para eu ir ao mercado com ela e eu aceitei. Levei-a até lá, no caminho não nos falamos muito, acho que foi pelo fato de ainda ser 07h30min da manhã.

– Do que vai precisar? – perguntou ela a mim.

– Estou bem, mas vou ali olhar a parte de chocolates. – Ela apenas sorriu, com o fato de eu ser muito chocólatra.

Estava dando uma olhada, sem pretensões de comprar alguma coisa, vi que um dos meus chocolates favoritos estava num preço muito acessível e fiquei tentada para levar. Enquanto eu estava apreciando meu vício no meu próprio mundo, uma senhora derrubou algumas latas de leite logo ali do meu lado.

Fui correndo até ela, ajudando-a pegar as latas e deixá-las em sua devida exposição. Ela olhou para mim muito grata e quando eu estava saindo, disse:

– Muito obrigada, jovem. – sorri sem problemas. – é difícil achar pessoas que nem você, fico feliz por estar nessa situação.

Dei uma risada de leve.

– Isso sempre acontece, o prazer é meu.

– Falo sério, querida. Você foi muito gentil.

Sorri, sem graça, mas agradecida.

– Espera. – chamou quando viu que eu sumiria de sua visão. – Queria lhe entregar isso, espero que seja do seu interesse.

Era um papel de uma folha de caderno, estava bem amassada e nele tinha escrito:

Curso de pintura para idosos.

Olhei para ela confusa, no papel até tinha um número para contato, conseguia sentir minha testa franzida e logo olho para o papel e volto a olhá-la de novo.

– Caso tenha interesse.

– Acho que não é para mim. – falei sincera e a devolvi. Ela balançou a cabeça negativamente.

– Não seja boba, nós idosos somos bastante práticos, sabe? – ela riu da própria piada.

– Aposto que são.

– Talvez precisamos de alguém com olhar moderno, sabe?

– Senhora, com todo o respeito, não posso aceitar. – falei sem graça. Ela me olhou decepcionada.

– Fique, é seu. Caso você tenha curiosidade. – disse. – Quando vi você, senti que tem a sede de aprender, um passo aqui seria fundamental.

Olhei para ela e pensei se era algum tipo de cartomante ou mão de santo, sabe, eu já fui a uma cartomante uma vez e elas se vestem de uma forma que conseguimos perceber o que ela faz, aquela senhora parecia apenas uma senhora para mim.

Apenas sorri para ela e sair da sua vista. Quando encontrei minha mãe já na fila do pagamento, ela estava com uma cara impaciente.

– Onde é que você se meteu? – perguntou como se eu tivesse 10 anos, até o rapaz do caixa riu.

Abracei-a sem dizer uma palavra e ela ainda estava emburrada.

– Posso passar na farmácia para comprar o remédio do papai. – avisei e ela sorriu.

– Agradeço muito. – respondeu.

Caso esteja se perguntando, meu pai não tem nenhum problema, apenas são remédios recomendados para precaver algum tipo de doenças futuras.

Chegar em casa e desempacotar as compras era o que eu sempre fazia na semana, acho que eu queria provar que eu estava fazendo algo ao invés de ficar vegetando em casa. Depois disso, lembrei que esquecemos de comprar alguns legumes. Droga.

Enquanto meus pais estavam assistindo um filme na sala, eu já me encontrava no quarto, mexendo e remexendo naquele papel. Por um momento, aquela senhora cutucou na parte que sempre estava em dúvida, quero dizer, ela me fez repensar na minha pergunta. Percebi que atrás do papel, havia um endereço, não me era estranho, já havia estado por ali antes, fica a uns 40 minutos da minha casa.

Quando vejo, já é quase 22h, não costumo dormir cedo, mas naquela noite percebi que, pela a primeira vez, eu queria acordar cedo e fazer o que eu estava curiosa para saber.

...

Eu acordei cedo, mas fazer o que eu queria fazer não deu muito certo, até porque meus pais passar o dia fora com os nossos vizinhos em um spa clube e eu tive que ficar de babá de seus filhos. Caso não saibam, odeio ser babá. Eram três pestinhas, Toby, Milla e Gale, eles eram uns amores, até seus pais saírem, eles viram uns monstros e não monstrinhos.

“Você podia fazer isso por nós né? Você não trabalha e nem estuda, eu ficaria agradecida.” A sra. Carmen Steph fazia o favor de lembrar disso e, principalmente, na frente dos meus pais. Fico pensando se ela quer, realmente, me colocar em um ridículo papel na frente deles, mas conheço meus pais e queria avisá-la que essa tentativa é sempre falha. Nunca dá certo.

– Tia Em, quero ir no banheiro. – pediu com os olhinhos de anjinho que todos pensam que é, se bem que Gale era o menos pior dos três.

Quando ele queria ir ao banheiro e me pediu, era porque eu tinha que esperar para limpá-lo depois. Odeio ser babá, agora sabem, não é?

“Clara, você e o Rich tem que dar um jeito nessa moça, tão bonita mas fez uma atitude tola, não é?”

Devem estar se perguntando como minha mãe pode ser amiga dessa família, oras, aqui nesse bairro quando uma coisa acontece, todos ficam sabendo. Meus pais odiariam ter uma imagem ruim, então eles sempre agradam. Quando acontece esses convites de vizinhos, principalmente, dos Steph’s, eles aceitam. Eu os respeito e admiro por isso.

– ACABEI! – Gale berrou e eu comecei a rir.

– Tia Em! – Milla grita do outro lado da caso e avisei que ia depois.

Era basicamente assim que o resto da noite seria.

Não sei como eu fiz, mas me orgulho por isso. Depois de duas horas, consegui colocar os três para dormir, acho que aquilo foi o ponto alto da minha noite, agora só me entreter com algo até que meus pais e os Steph’s cheguem.

De repente, minha atenção foi capturada pelo meu celular, eu estranhei de início, mas logo me recordei do que eu realmente queria fazer naquele dia todo, a dificuldade era que já eram quase dez horas da noite. Balancei a cabeça, decidida que amanhã eu iria atrás de saber disso, iria atrás daquela senhora que me atormenta desde ontem, por que o que ela dizia não saia da minha cabeça?

Por um instante, me senti muito animada com toda essa situação, seria uma decepção se eu encontrasse um lugar inexistente com uma senhora nenhuma. Estou soando como uma maluca, melhor parar com esses pensamentos.

Como pedido, meus pais chegarem e pude esquecer um pouco isso.

Notas finais
Curtiram? Let me know ♥Até'ó proximo, quero dizer, devo ou não continuar? Beijooos