Must Go.
2 02 - Rose's Gallery
Notas iniciais
Rose’s Gallery
– Querido, o que você acha? – perguntou-me Amélia, sempre admirei seu esforço para aprender com a arte.
Eu sorri.
– Está cada vez melhor, Amélia.
Afinal, acho que todos os que se encontram aqui estão melhores, porque no começo não foi fácil, essa ideia de ter que ensinar os idosos a pintar. Eu pude perceber que isso tem feito muito bem para mim e para o pequeno James, o meu filho.
– Thomas, você acha que essa junção de cores com essas entram em harmonia? – John CasaGrande me perguntou, esse senhor só aparenta, mas tem cabeça de um jovem.
– Talvez... – falei pedindo seu pincel. – mas o que acha dessa cor com esse verde escuro? – Ele analisou por alguns segundo e riu.
– Hum John, Thomas vai ajudá-lo a pintar outro quadro. – Amélia disse atraindo as risadas e olhares de todos.
Sei que John e Amélia tiveram um passado conturbado. Também, sei que o sentimento que existiu, ainda estava ali.
– Dessa vez, estou fazendo por conta própria. – ele piscou e deu um tapinha em minhas costas.
Deixei-o escolher o que achava melhor e fui para o meu escritório. Apesar de estar sendo muito bom o curso, as dívidas estão cada vez mais difíceis. Nesse começo de ano, consegui poucos pessoas e muitas que deveriam renovar o curso não entraram mais em contato. Isso me causa uma grande frustração, o que eu podia fazer? Uma coisa que eu achava que conseguiria sozinho, agora se mostra o contrário.
Bateram na porta e era o James.
– Papai, o senhor John derrubou as tintas outra vez. – ele disse.
Levantei de imediato e respirei fundo, John CasaGrande está quase perdendo a sensibilidade das mãos e fica difícil para ele conseguir fazer qualquer outra coisa. Principalmente, pintar.
Eu o ajudei a limpar.
– Meu filho, não precisa. – ele disse.
– Eu insisto.
Para trabalhar com idosos, você tem que ter muita paciência, por isso eu não arranjei ninguém durante esse ano que passou, é difícil encontrar alguém com essa e entre outras habilidades.
– Thomas, querido... Você precisa de ajuda, o lugar vai quase desmoronar e você fica aqui sozinho. – Sra. Thabata falou.
– Também acho. – dona Margo respondeu. – Antes de ontem encontrei uma moça em um supermercado e entreguei o seu cartão a ela. Me pareceu uma boa pessoa.
– Não é assim dona Margo, não vou contratar alguém porque a senhora acha que é uma boa pessoa. – sorri de leve. – E se não for?
– Se não for, daremos um jeito na criatura. – disse Amélia, que já estava segurando sua bolsa.
A cena da dona Amélia batendo a bolsa na jovem me veio a cabeça e eu comecei a rir.
– Eu sei que as coisas por aqui andam meio difíceis. – eles concordaram e eu continuei. – Mas, eu vou conseguir ajeitar e achar alguém de qualidade.
Saí para meu escritório e escutei um deles dizer.
– Ele sempre faz isso. Sempre quer cuidar de tudo sozinho.
Não irei dizer que uma parte não é verdade. Porque é.
...
Estava quase fechando o local, dona Margo esperava seu motorista chegar e eu queria que ele chegasse logo porque hoje, provavelmente, foi um dos dias mais duros por aqui. James me olhava com os olhinhos de sono e já estava fazendo birra para ir embora. Eu o repreendi e apontei para dona Margo e ele se calou.
– Crianças... – ela disse. – Sabe Thomas, você deveria reconsiderar a ideia da Thabata. – Eu olhei para o chão. – Isso não só ajudará você como todos nós aqui no ateliê.
Eu iria dizer algo quando o telefone toca.
– Só um momento. – pedi licença e fui até o escritório.
Eu esperava que fosse uma ligação de cobrança ou algo do tipo, mas foi ao contrário.
– Alô?
– Oi, é da Rose’s Gallery? – perguntou uma voz aparentemente jovem.
– Sim, quem deseja?
O som abafou e notei que ela deu uma pequena risada.
– Aqui é a Emery. Você não me conhece... Bom, é uma história engraçada, mas eu soube que vocês dão aula de pintura para os idosos certo? – Concordei. – Seria possível eu ajudar nesse projeto, ou...
– Você pode vim amanhã? – pedi de imediato. – Conversaremos um pouco para saber mais, tudo bem?
– Ah claro! Com certeza... Então que tal umas 9h30min? Com quem eu falo?
– Thomas. E já estaremos por aqui.
– Tudo bem então, até amanhã e obrigada.
– Eu que agradeço.
Desliguei o telefone e dona Margo me olhava risonha.
– É como dizem, uma hora ou outra, sempre se resolve. – acenou e vi que seu motorista havia chegado.
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