Murderer
1 (Prólogo) Desespero.
Notas iniciais
Charles era encarregado da limpeza em um pequeno clube de boliche numa rua comercial qualquer. Ele tinha 26 anos e morava sozinho,numa quitinete que ele chamava de “moradia”, na mesma avenida. Sua “casa” era, basicamente, a única desta imensa rua comercial, repleta de lanchonetes,lojas e coisas do tipo. Muito movimentada ao dia, porém muito deserta à noite, e Charles era o único morador de lá.
O homem estava no clube de boliche, terminando sua última tarefa da noite, polindo a última pista. O lugar já havia fechado e estava sendo arrumado para o dia seguinte. Era meia noite e a rua já estava vazia e pouco iluminada. Charles terminou seu serviço, arrumou suas coisas e saiu de lá, à caminho de casa. Apenas mais um dia normal para ele. Ele chegaria em casa,tomaria banho, assistiria alguns noticiários e dormiria para que, no dia seguinte, o ciclo se repetisse novamente.
Ele já havia chegado na esquina do beco onde ficava sua quitinete, na volta de seu serviço, quando viu, de longe, um homem assaltando e atirando contra uma mulher naquela rua deserta. Ela provavelmente trabalhava por perto e andava sozinha na volta de seu expediente. Após assassiná-la, o bandido correu em direção ao lugar onde estava Charles, o ladrão provavelmente não o viu na hora, dando-o tempo de se esconder no beco.
Charles pegou uma garrafa de vidro quebrada no chão, próximo à um contêiner de lixo, e, quando o bandido passou em sua frente, ele o atacou desesperadamente, perfurando seu abdômen com a garrafa tão rápido que o ladrão não teve tempo de reagir, caindo atordoado pela dor, ao chão.
Ele abaixou sobre o homem, tomou o revolver de sua cintura para que não corresse riscos e, com sua voz trêmula,falou:
– Me...Me desculpe...eu...não queria...
Charles não sabia o que fazer. Ele não corria riscos de ser preso,a rua estava deserta e permaneceria assim até a manhã seguinte. Ficou em choque, nunca havia feito algo como aquilo, mas o seu instinto e sua velocidade ao atacar o homem o deixaram surpreso de uma forma que fez ele ter medo de si mesmo e do que poderia fazer com as pessoas ao seu redor.
Ele correu até sua casa e deixou o homem morto na calçada em frente ao beco, lavou suas mãos e sentou no chão em posição fetal encostado na parede do banheiro com as mãos na cabeça em uma expressão de desespero.
“O que eu fiz? Eu...Eu preciso dar um jeito nisso! Eu vou pra cadeia!” – Pensou Charles,apreensivo.
Chegou à conclusão de que deveria se livrar do corpo e das pistas que poderiam incriminá-lo, ele seria suspeito já que era o único morador da rua. Ele lembrou que assistiu um seriado onde dois homens matavam um traficante e se livravam do corpo usando um ácido, então ele concluiu que deveria fazer o mesmo. Era só ele corroer o corpo no tal ácido e tudo estaria resolvido.
Ele vestiu um par de luvas que possuía e foi até a calçada. Charles arrastou o homem para dentro de sua casa e o colocou dentro da banheira para que no dia seguinte ele se livrasse do corpo. Pegou uma vassoura e um balde com sabão e água sanitária e limpou a calçada desesperadamente, para que nenhum rastro de sangue fosse deixado para trás.
Charles revistou o corpo do bandido. Ele encontrou uma carteira,dois celulares provavelmente roubados e um canivete. Guardou o canivete em uma das gavetas de sua estante, pegou o dinheiro da carteira e a jogou de volta na banheira junto com os celulares,o revólver e a garrafa que usou para matá-lo.
Tomou um banho no chuveiro do box, já que havia um cadáver em sua banheira, e deitou-se em sua cama, pensativo, aflito, desesperado. Ele estava em estado de choque, não apenas por ter matado aquele homem, mas por ter gostado de fazer aquilo. Charles era um assassino e ele sabia que, à partir dali, ele não seria mais o mesmo.
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