Murderer

3 Piedade?


Notas iniciais
O que tenho á dizer por agora é boa leitura. :D

Manhã de Terça, onze horas. Faziam dias que se livrara do corpo do bandido que havia matado. Charles tinha corroído-o e jogado os restos, que agora eram apenas um monte de ácido misturado com o vermelho do sangue, na privada de seu banheiro. Por mais que tenha se livrado do corpo do homem que matou, ele achava extremamente estranho o fato de não ter notado nenhum movimento policial por perto de sua casa e não ter visto nenhuma notícia sobre a mulher assassinada pelo homem na televisão. Dois dias depois do incidente ele foi até o local onde a mulher foi morta e não viu corpo, sangue ou policiais, apenas a mesma calçada de sempre, mas preferiu esquecer isso já que, de uma forma ou de outra, não era prejudicial para ele. Charles levantou de sua cama e foi preparar seu café da manhã. Após a refeição, tomou banho, se arrumou e saiu de casa para mais um dia de trabalho.

No meio do caminho, sentiu um desconforto, uma sensação que esteve sentindo desde aquele dia, ele nunca havia comentado isto com ninguém, mas sentia que alguém o observava, ele sentia como se cada passo que dava era monitorado por alguém ou por algo. Ele olhou em volta, então, do outro lado da rua viu um homem de sobretudo preto, chapéu fedora e óculos escuros encostado em um poste. O homem carregava consigo um pequeno bloco de notas e olhava discretamente para ele. Mesmo assim, foi notado e, assim que o percebeu, Charles o encarou. O homem anotou algo em seu bloquinho e deu um discreto sorriso quando, de repente, um ônibus passou em sua frente. Charles esperou o grande veículo passar para que pudesse ir até a calçada do outro lado tirar satisfações com o homem, porém, quando o ônibus passou, ele não estava mais lá.

Ele ficou um pouco irritado com a situação, porém preferiu fingir que aquilo não havia acontecido, então seguiu seu caminho para o trabalho.

Chegando ao clube de boliche em que trabalhava, Charles ouviu uma voz furiosa gritar:

— Você está dez minutos atrasado! —

A voz era de Marcos, o chefe de Charles, um homem gordo, com cabelos e barba loiros e olhos verdes.

— Desculpe, Marcos, isso não se repetirá. — Disse Charles revirando os olhos como ele sempre dizia.

Ele não gostava de seu chefe, achava ele um homem autoritário e rude, vivia gritando com seus funcionários e não tinha um pingo de educação.

— Assim espero! — Respondeu Marcos voltando para sua sala.

Charles foi até o vestuário dos funcionários, vestiu seu uniforme e apanhou uma das enceradeiras e foi até as pistas de boliche. Lá ele encontrou Cauê que estava encerando uma das pistas e o cumprimentou:

— Fala aí meu parceiro. —

— Fala, mano. — Respondeu Charles começando a encerar a pista ao lado da que estava sendo encerada por seu amigo.

Ele sabia que Cauê estava intrigado por descobrir que seu amigo tinha matado uma pessoa, sabia que ele estava parecendo tão tranquilo pois queria esquecer aquilo. Ele entendia Cauê e sabia que não deveria tê-lo envolvido nisso, mas tinha certeza que podia confiar nele.

Charles se lembrou do que havia acontecido mais cedo na rua e resolveu contar para Cauê sobre o ocorrido.

— Que houve, cara? Você parece preocupado. — Perguntou Cauê antes que Charles pudesse puxar o assunto.

— Ah, eu ia te contar. Hoje mais cedo eu estava vindo para cá e vi um cara... Esse cara, ele tava me observando... Me espionando! — Disse Charles.

— Quê? Como assim, cara? — Perguntou Cauê desacreditando.

— Um homem de sobretudo preto, chapéu e óculos escuros tava me vigiando! — Respondeu Charles.

— Sobretudo e chapéu? Tipo aqueles detetives de filme de Hollywood? — Perguntou Cauê

— Exatamente! Encontrou a definição perfeita! — Disse Charles.

— Tu ta me zoando, só pode! — Cauê gargalhou escandalosamente.

— Quê? Para de rir, doente, eu to falando sério! — Disse Charles tentando não rir da reação exacerbada de seu amigo e dando-lhe um soquinho no braço. — Ele estava do outro lado da rua, encostado num poste e quando ele se ligou que eu tinha o percebido, um ônibus passou na rua e depois ele sumiu! —.

— Charles... Isso é tão clichê... Não dá para acreditar nisso. — Disse Cauê.

— Cauê, eu juro! Eu vou te contar. Desde quando eu matei aquele cara eu venho sentindo um desconforto, como se eu tivesse sendo observado a todo o momento. Eu tenho certeza que aquele cara tem algo a ver com isso. — Disse Charles.

— Meu deus! Agora que eu pensei nisso, e se for um policial? — Disse Cauê exaltando--se.

— Não, eu já descartei essa hipótese. Por mais que seja muito estranho, nem o assassinato daquela mulher que o cara matou foi investigado, o corpo não estava mais por lá e eu não vi nenhum policial, não ouvi nenhuma sirene, você sabe, foi muito perto da minha casa, eu teria percebido. De qualquer forma eu tenho certeza que o fato do corpo da mulher sumir e desse cara me espionar estão relacionados. — Disse Charles.

— Espero que a conversa esteja realmente muito boa! — Disse Marcos aparecendo subitamente atrás dos dois amigos.

— Marcos! Desculpe-nos! — Disse Cauê

— Tanto faz, agora voltem ao trabalho! — Disse marcos demonstrando não ter escutado a conversa deles e voltando para sua sala.

— Olha, depois do trabalho a gente conversa. — Disse Charles.

Cauê acenou positivamente com a cabeça e voltou ao trabalho.

Noite de sábado, onze horas e vinte minutos. Charles e Cauê saem do trabalho e vão até uma lanchonete de funcionamento 24 horas localizada em uma rua próxima dali.

Eles vão até o balcão, fazem seus pedidos e depois se sentam em uma mesa aleatória.

— Você acha que o Marcos escutou nossa conversa de mais cedo? — Perguntou Cauê.

— Quê? Ele? Ha! Com certeza não. — Respondeu Charles. — Ele não escuta nada além do ego gigante dele palpitando dentro daquela barriga gorda. —.

— Verdade, aquele cara às vezes me dá nos nervos. — Disse Cauê.

A garçonete serviu os lanches de Charles e Cauê.

— E aí? O que pretende fazer sobre o “espião”? — Perguntou Cauê.

— Nada. — Respondeu Charles.

— Como assim nada? — Perguntou Cauê dando uma mordida em seu sanduíche em seguida.

— Bem... Eu vou deixar rolar, caso esse cara tente algo, eu vou ter que tomar uma atitude. — Disse Charles

— Que tipo de atitude? — Perguntou Cauê.

— Eu... Não sei. — Respondeu Charles

— Bem... Você tem que pensar nisso. — Disse Cauê.

— Pensarei. — Disse Charles.

Os dois ficaram durante uns trinta minutos comendo e conversando naquela lanchonete, depois se despediram e cada um foi para sua casa.

Charles estava quase chegando em casa quando viu novamente o homem que o observava do outro lado da rua que agora estava deserta e não haviam carros para o atrapalhar.

— Deixar rolar? A quem eu quero enganar? Eu vou resolver isso agora mesmo. — Charles sussurrou para si mesmo.

Ele atravessou a rua e quando o percebeu, o homem virou as costas e correu para dentro de um beco escuro.

— Volta aqui, desgraçado! — Gritou Charles.

Charles seguiu o homem correndo pelo longo beco que ligava a rua em que morava a uma rua paralela.

— Acho melhor você não fazer isso, é pro seu bem! — Disse o homem enquanto corria.

— Eu posso correr atrás de você a noite inteira! Eu vou te ensinar a não ficar espionando os outros! — Disse Charles

— Pare de ser tolo e vá para casa! — Disse o homem ainda correndo.

— Eu só vou para casa depois que eu te encher de porrada! — Disse Charles cada vez mais irritado.

De repente, o homem parou na sua frente, naquele beco escuro iluminado apenas pela luz da lua cheia, e o acertou com um chute no rosto que o fez cair no chão. Charles cuspiu um pouco de sangue e falou enquanto se levantava:

— Desgraçado. —.

— Eu falei... Era pro seu bem. — Disse o homem

Ele se levantou e tentou acertar um soco no rosto do homem que desviou e lhe deu uma joelhada no estômago seguido de um chute com a sola do pé no abdômen que o empurrou para a parede do beco, ao lado de um latão de lixo.

Ele caiu sentado e um pouco atordoado quando sentiu, com sua mão, algo que estava ao solo e o pegou sem que o homem percebesse. Era um pedaço pontudo de azulejo, ele o colocou no bolso e levantou-se novamente.

— Vem pra cima! Pode vir! — Disse Charles

Charles pôde perceber que o homem dominava alguma arte marcial depois de ser atingido por mais um chute super rápido que desta vez acertou seu olho esquerdo. Ele caiu novamente ao chão.

O “espião” percebeu que seu oponente parecia estar inconsciente, então ajeitou suas roupas, acendeu um cigarro, virou as costas e saiu andando lentamente como se nada tivesse acontecido. Nesse momento, Charles levantou-se discretamente sem emitir nenhum som e andou até o homem, que mesmo assim o percebeu, porém, antes de puxar algo de sua cintura, foi esfaqueado pelas costas com o pedaço de azulejo.

O homem caiu gritando de dor no chão e sangrou até perder a consciência. Charles não teve piedade do homem, ele cuspiu mais um pouco de sangue, virou as costas e saiu correndo de volta para sua casa.

Ele chegou em casa, tomou um banho e deitou-se. Quando recebeu uma ligação de Cauê, que o Perguntou:

— “E aí, mano, como está?” —.

— “Melhor do que nunca, meu amigo.” — Respondeu Charles.

— “Chegou bem em casa? E o cara que está te espionando?” — Perguntou Cauê.

— “Ele não vai mais me espionar.” — Respondeu Charles em um tom sério para em seguida, encerrar a chamada.

Notas finais
Charles está ficando mais frio, né? Aguardem, pois a vida dele está perto de mudar completamente. Deixem seus comentários, e qualquer dúvida eu responderei. Se notarem algum erro, comentem que eu consertarei o mais rápido possível.