Murderer
4 Comandos.
Notas iniciais
É quarta-feira, uma da tarde, um homem alto, aparentemente entre 30 e 40 anos, pele pouco escura e cabelo curto e castanho-escuro, com alguns fios grisalhos, vestindo apenas uma sunga preta e usando óculos escuros, está em uma banheira de hidromassagem na varanda da cobertura de um prédio que parece ser de luxo.
Uma empregada doméstica vai até o homem, o serve um drink e fala em voz baixa:
— Senhor Augusto, Rômulo está na portaria do prédio e disse que precisa tratar de assuntos urgentes com o senhor. —
— Quê?! O Rômulo? O que ele quer comigo no meu dia de lazer? As garotas vão chegar daqui a vinte minutos! — Respondeu Augusto.
— Eu não sei, senhor, mas pode se tratar de negócios da IMT. Ele mencionou algo sobre “A.D.G.Q.” — Disse a empregada.
Os olhos de Augusto se arregalaram.
— Manda ele subir agora mesmo! — Disse Augusto, se exaltando.
— Sim, senhor. — A empregada acena verticalmente com a cabeça e se dirige ao interior do apartamento novamente.
Após dois minutos, um homem magro, de pele branca e cabelos castanho-claros, com barba apenas no queixo, vestido com um terno cinza, aparece na porta da varanda acompanhado por dois seguranças.
— Ele fez mais uma vítima? — Augusto foi diretamente ao assunto, evitando delongas.
Rômulo pega uma maleta com um de seus seguranças e coloca sobre uma pequena mesa ao lado da banheira onde Augusto descansa. Ele abre a maleta, revelando ser um laptop disfarçado.
— Ontem, durante a observação, ele perseguiu e atacou nosso agente. — Respondeu Rômulo, ligando seu laptop.
— Que animal! Aquele é um dos nossos melhores assassinos em combate corpo-a-corpo, um “newfag” como o A.D.G.Q deve ter se dado muito mal! — Disse Augusto, gargalhando exageradamente entre cada frase que dizia e logo depois dando um gole em seu drink.
— Veja isto. — Disse Rômulo em um tom sério, executando um vídeo em seu laptop.
O vídeo é nada mais, nada menos que uma gravação vista de cima da luta entre Charles e seu espião, desde a perseguição até o momento em que Charles apunhala o homem com um pedaço de azulejo.
Após o fim do vídeo, Augusto se engasga com sua bebida e começa a tossir sem parar, demonstrando sua perplexidade perante as cenas surpreendentes que havia acabado de assistir.
Rômulo o ajuda a se recompor e logo em seguida diz:
— Essas imagens foram gravadas por dois espiões nossos especializados em monitoração furtiva. Eles observam e gravam tudo com qualidade e sem nem darem indícios de que estão ali, portanto logo após o combate, eles resgataram o agente. —
— Sim, eu conheço esses espiões, eles que vinham monitorando o “A.D” desde o incidente com a garrafa... Aliás foi em uma patrulha deles em busca de “novos talentos” pelas ruas que o descobriram. — Respondeu Augusto
— Exatamente. — Disse Rômulo.
— E como está o nosso agente? — Indagou Augusto.
— Ele foi atingido na coluna vertebral. Não foi letal, ele não corre riscos de vida, mas pode ficar paraplégico. Independentemente do que o ocorrer, ele não poderá mais trabalhar na área de assassinatos. — Respondeu Rômulo.
— Mas que merda! Ele era um ótimo dos nossos! — Disse Augusto, decepcionado.
— Por isso devemos dedicar boa parte da nossa atenção a esse cara. Se ele for preso, é menos um talento para nossa agência. — Disse Rômulo, com seriedade.
— Comunique-se com aquele que já vinha o observando a mais tempo, mande ele se afastar um pouco e manter o foco nisso. Mande ele o observar mais intensa e furtivamente no período da noite e da madrugada. Esse cara não vai me escapar. — Ordenou Augusto.
— Pode deixar comigo. — Respondeu Rômulo.
A empregada doméstica aparece novamente na porta da varanda e fala:
— Senhor Augusto, Rafaela e Lilith estão na portaria. —
— Opa! Manda subir, manda subir! — Diz Augusto esfregando suas mãos uma na outra.
— Sim, senhor. — Diz a empregada, acenando positivamente com a cabeça.
— Então... Rômulo... Vou ter que dispensar você por hoje, ok? Você conhece a saída. — Diz Augusto, acenando para Rômulo.
— Ehn... Sendo assim... Lhe manterei atualizado. — Diz Rômulo enquanto fecha seu laptop.
Rômulo se dirige com seus seguranças até a saída do apartamento de Augusto. A empregada abre a porta para a passagem deles e logo em seguida, a fecha.
Saindo do elevador, na portaria, Rômulo passa por duas mulheres vestidas de forma vulgar, com roupas curtas e chamativas. Ele as olha, e após uma curta distância entre ele e elas, sussurra para si mesmo, rindo discretamente:
— Esse cara não muda nunca. — .
Sexta-feira, no final do horário de intervalo no serviço de Charles e Cauê, os dois conversam.
— Como assim viajar, cara? — Pergunta Charles, preocupado.
— Tenho que ir ao velório de minha tia em outro estado, Charles. — Responde Cauê.
— Mas como eu fico? Você é meu único amigo, Cauê! — Diz Charles, um pouco triste.
— Vai ficar tudo bem, mano, eu não devo demorar pra voltar, e você pode entrar sempre em contato comigo usando o telefone. — Diz Cauê, tentando tranquilizar o amigo.
— Bem... Ok. Eu.. Eu vou ficar legal. Afinal, como o Marcos resolveu tirar férias do nada, quem está cuidando das coisas por aqui é o irmão dele, que não é um completo cuzão. Você faria ainda mais falta se eu tivesse que aguentar aquele maldito sozinho. — Diz Charles, acalmando-se.
— Eu sei que aguentaria, você é forte. O avião sai na segunda-feira, a gente pode fazer algo junto amanhã! — Responde Cauê, colocando a mão no ombro do amigo e dando uma risadinha.
— Então vamos a algum bar curtir um pouco amanhã depois do trabalho! Como um tipo de despedida! Domingo nós não trabalhamos mesmo! — Diz Charles.
— Fechado! A gente sai daqui e vai direto para um que conheço. — Diz Cauê.
— Beleza, agora vamos voltar a trabalhar porque o intervalo infelizmente acabou. — Diz Charles olhando para seu relógio e depois voltando ao trabalho junto a Cauê.
Passaram-se alguns dias após o incidente com o homem que espionava Charles, por mais que ele tenha agido de forma suspeita no telefone com Cauê após o ocorrido, seu amigo não havia tocado no assunto uma vez sequer. Charles achou isso muito estranho, mas preferiu esquecer este fato pois parecia irrelevante para ele, já que não o prejudicava em nada no momento.
Ao voltar para casa no mesmo dia, Charles não percebeu nenhum movimento policial nos arredores, novamente estranhando este fato, mas mesmo assim, ignorando logo depois.
Enquanto isso, Augusto, sentado em seu sofá assistindo a canais aleatórios e procrastinando, recebe uma ligação em seu telefone. Ele percebe que a ligação vem de Rômulo e então a atende:
— Fala. — Diz Augusto.
— Eu andei pensando depois que fui ao seu apartamento e me veio uma questão à cabeça. — Respondeu Rômulo.
— Pois pergunte logo, eu estou ocupado. — Respondeu Augusto.
— Seja direto comigo, Augusto. Por que diabos você não recruta logo aquele cara ao invés fica mandando espionarem ele durante tanto tempo? — Perguntou Rômulo.
— Ah, isso? Bem, o cara só tem uma vítima confirmada, não tenho certeza na eficiência dele como um assassino profissional. Tudo o que sabemos é que o cara é rápido e age por instinto que mais parece o de um predador feroz. Tudo bem, nesses aspectos ele é um bom matador, mas até onde ele pode ir? — Disse Augusto. — A gente tem que esperar, ver se ele vai fazer mais vítimas ou se ele parou por aí... Por enquanto mantenha os hackers apagando os registros de incidentes naquela área do sistema da polícia como sempre fazem.
—Pode deixar. — Respondeu Rômulo.
— Ah, e o outro espião? — Perguntou Augusto.
— Ele já tomou distância e está tudo preparado para vigiá-lo de longe, 24 horas por dia. — Respondeu Rômulo.
— Bem, tudo certo então, boa noite. — Despediu-se Augusto.
— Até mais. — Despediu-se Rômulo.
Augusto termina a chamada e continua assistindo televisão com uma expressão de tédio esboçada em sua face.
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