Mundo das sombras: Memorias de um Vampiro
2 A noite é uma criança com dentes afiados
Ahr, a noite! Me sinto forte, quase vivo, mesmo eu não lembrando como e estar assim. Enquanto caminhava tendo em mente a minha próxima presa e como deveria fechar esse enredo de mortes com chave de ouro, resolvi passar na delegacia pra saber como estavam as coisas.
Não podia, claro, aparecer por lá do meu jeito. Resolvi então assumir uma forma que já era um tanto conhecida para o delegado. Fiz minha transformação e depois de vagar por um tempo, um guarda achando que eu estava perdido me levou para a delegacia. Eu não falei nada para parecer mais misterioso, e apenas com a persuasão de meu olhar consegui com que fizessem tudo que eu queria, eu sabia como manipular as pessoas. Só precisava de contato visual e, nas mentes mais fechadas, falar dos seus problemas, seus sentimentos e seus desejos, lhe fazendo promessas. Mesmo não tendo a oportunidade de saber como era ter sentimentos, eu sabia decifrar todos eles.
Um guarda, grande e gordo, me levou a sala principal e falou para o delegado, que parecia estar ocupado:
— Encontraram esse garoto, parece que está perdido mas não quis dizer nada. O pessoal acha que ele sabe de algo.
— Vocês não sabem nem como cuidar de uma criança! — o delegado respondeu, depois que me viu disse: — Tudo bem, deixe ele comigo.
O guarda saiu, delegado cruzou as mãos e me encarou. Hum, idiota, eu só precisava de uma oportunidade. Ele se levantou quase que instantaneamente fechou a porta e as cortinas, se sentou novamente e disse:
— O que você quer? — agora foi a minha vez de falar:
— Pensei que estava com saudade, e claro quero informações que só você pode me dar. – ele não se mexeu mas eu sim, me levantei fui ao seu lado e sussurrei enquanto puxava a camisa para descobrir seu pescoço. — como vão as investigações? — dito isso cravei meus dentes pontiagudos em um local que já conhecia.
— Bem- ele começou falar como se estivesse em transe- no começo pensamos que fosse obra de algum serial killer que estava à solta aqui, mas levando em conta que sumiram apenas pessoas da mesma família, chegamos à conclusão que pode ter algo haver somente com a família Hayden.
Nesse momento parei de sugar seu sangue, algo difícil de se fazer já que aquilo era viciante, ainda precisava dele em sã consciência. Enquanto ele se recuperava de seu estado de hipnose, eu lhe passava algumas instruções do que ele deveria fazer. Após algum tempo saímos da sala, eu já havia voltado a minha forma infantil, ele deu tchau a secretaria e saímos porta afora dando de cara com um guarda que estava lá. Ele assobiava uma melodia que eu não conhecia, obviamente, nos deu boa noite e voltou ao seu posto. Depois ficou olhando nosso carro dar partida e ir embora, mal sabia ele que aquela seria a última vez que veria seu delegado com vida...
Mais tarde naquela mesma noite receberam um telefonema que dizia que um carro tinha perdido o controle, capotado e consequentemente explodido, os policiais de plantão e o corpo de bombeiros foram ver se reconheciam o carro e as vítimas. Era o carro do delegado, seu corpo totalmente carbonizado, só que para total mistério pra todos o garoto que saiu com ele não estava lá, obviamente, fui eu que fiz ele morrer para colocar a culpa em Tomas Ruiz. Um jovem sem passagem pela polícia, ainda, que era namorado da minha primeira vítima da família Hadley, Kelly hadley, o motivo pelo qual eles terminaram e desconhecido pela família. Como eu sei de tudo isso? Fácil, eu converso bastante com minhas vítimas, fica mais fácil depois pra se livrar das acusações. Enquanto eles investigavam sobre a morte do delegado, voltamos para o Júlio e Daniel, eu preciso recuperar meu diário o quanto antes...
Estou farto por hoje, até poderia ir na casa do Júlio, mas talvez eu não controle meus instintos.
Esperarei até amanhã, então verei o que vou fazer.
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