Mundo Submerso
1 "EBA-M"
Notas iniciais
— Pode começar! – afirmou a mulher de terno sentada do outro lado da mesa.
— Boa Tarde, meu nome é Alice, tenh... – falava a jovem de cabelos loiros e longos quando interrompida pela mulher á sua frente.
—Seu nome e sobrenome, por favor! – ordenou a mulher de vestes sociais e voz arrogante, nem sequer tirou os olhos do computador, apenas escutava o que a garota falava.
—Desculpe. Meu nome é Alice Albuquerque, tenho dezessete anos, terminei o colegial mais cedo... e eu sou a pessoa certa para esse trabalho pois...
—Não, você não é. – encerrou a mulher, comparando a ficha que tinha de Alice e a que a garota lhe entregou. – Vamos, saia!
—Mas eu... – tentou Alice
—Garota você é surda? Saia daqui! PRÓXIMOOO! – gritou
~
—Parabéns Alice, mais uma derrota. – A garota havia acabado de abrir a porta que dava em um minúsculo cômodo de um minúsculo apartamento. – Co...como ela descobriu? Eu fiz tudo certinho, a menos que – a menina prendeu os cabelos em um coque e foi em direção á mesa no centro da pequenina sala – Conta, conta... Conta, mais conta... Olha outra conta. – brincou ela com as contas e cobranças entulhadas na mesa – Aqui – Alice pegou o papel, o levou para a bancada da cozinha e jogou o envelope que foi consigo a entrevista em cima, a garota pegou um copo e o encheu de café, logo em seguida sentou-se no balcão e analisou ambos os papeis. – Eu não fiz isso! – no papel que estava no envelope que havia levado a entrevista sua idade era de vinte e um anos, três anos acima do limite do cargo, já no que estava embaixo das contas dizia que Alice possuía dezessete. – Ótimo agora eles sabem, meu Deus... Eu vou ser excluída do banco de vagas. – ela começou a bater a cabeça na parede quando ouviu um barulho vindo de seu quarto. – Maravilha... Mais Ratos! Não tem como o dia ficar melhor.
— Senhora Albuquerque! – chamou o porteiro pelo interfone do apartamento. Alice se levantou e foi ate a porta atender o rapaz, no chão próximo à mesma havia um bilhete.
“Eles te acharam, fuja.”
— O que? – a garota estava assustada, havia esquecido completamente de tudo e se fixado no Bilhete.
-Alice! – chamou o porteiro de novo.
-Diga Tony! – respondeu a menina sem tirar os olhos do papel
-A policia esta aqui Alice. Eles estão subindo...
-O Que? Mais que bosta – assustada ela correu para o final da sala e pegou uma faca e uma pistola escondida debaixo do sofá, guardou a faca no bolso e saiu do apartamento, a garota desceu ate o andar de baixo e pode escutar a policia subindo, ela voltou para a porta aberta de seu apartamento e a trancou, os policias estavam embaixo dela, ela seguiu para o andar de cima, mais precisamente para a porta do apartamento que ficava acima do seu e esperou.
— Senhora, é a policia. Abra a porta, sabemos que esta em casa. – disse um homem de voz grossa. Alice estava escutando tudo atentamente pelo andar de cima. – Abra a porta. Senhora, vamos arrombar. – A garota esperou ate escutar a contagem. – Um... Dois...
-Três. – sussurrou Alice e no mesmo momento que a porta de seu apartamento foi arrombada ela fez o mesmo com o apartamento de cima. A garota entrou no apartamento vazio e seguiu ate a janela. Havia viaturas por todo o lugar, ela decidiu se esconder no quarto, porém quando chegou ativou um alarme. – Só pode tá de brincadeira. – ela saiu correndo do apartamento, não podia descer, decidiu ir para o terraço.
— La em cima! – gritou um policial.
-Deixa comigo! – respondeu uma deles. Alice escutou os passos da mulher a perseguindo, quando ela chegou ao terraço viu que havia sido uma péssima ideia, a queda era de dez andares.
— Parada polícia. – gritou a civil apontando a arma para a fugitiva. – Você está cercada. Largue a arma – Alice se virou cuidadosamente para a mulher e soltou à arma, ela estava com medo, a garota de cabelos loiros agora soltos e descontrolados estava completamente desesperada, a policial tentava se aproximar com passos leves e a jovem recuava, indo a caminho da queda. – Pare ou eu vou atirar.
-Você não entende. – justificou-se a jovem
-Senhora, por favor, se afaste. – Pediu a oficial, porém Alice não escutou, continuou indo para o final do prédio, a oficial estava desesperada. Alice levou a mão ao bolso direito do vestido azul, a civil atirou, um tiro de medo, um tiro de reflexo, um tiro de alerta, contudo, este mesmo tiro foi o suficiente para assustar a pobre Alice, que com o desespero e medo se desequilibrou e começou a cair...
E CAIR
E CAIR
E CAIR
E
C
A
I
R
Alice estava se preparando para escutar seus ossos e crânio se quebrarem e sentir a dor de ter seus pulmões, coração e cérebro perfurados pelos mesmos, mas já cairá por tempo de mais, talvez essa fosse à morte de quem não possuiu momentos felizes. Depois de muito tempo a garota abriu os olhos, ela não sabia o que estava acontecendo, há um minuto ela estava caindo do topo de seu prédio e agora estava no que para ela seria, caindo em um buraco de minhoca gigante. Era absurdamente inacreditável, móveis antigos de todos os tipos caiam junto a ela, um abajur, uma mesa de cabeceira, uma luminária, um piano de corda, objetos de decoração... A ponta dos seus pés tocara em algo plano e ela se preparou para a realidade e a dor, porém ela cairá em uma cama dura, mas ainda sim, mais macia que a sua. A cama também estava caindo junto a todos os moveis e não demorou muito para que a mesma esbarrasse em algum outro objeto á fazendo inclinar e derrubar Alice novamente, a garota ficou de costas a queda e foi quando ela finalmente caiu...
CAAIIU
Quebrando um telhado de vidro
CAAIU
Em cima de uma mesa redonda, quebrando-a
CAIU
Finalmente no chão.
— AAAAAAH! – gritou. Passou um tempo e Alice se levantou, não havia se machucado serio, olhando ao redor ela se deparou com uma sala redonda que possuía uma pequenina porta, uma mesa... Agora quebrada e uma pequena garrafinha de vidro com as sobras de um liquido estranho, no resto da garrafa estava escrito.
‘EBA-M’
A garota virou o resto da garrafinha para que o conteúdo não fosse completamente perdido e depois foi em direção à porta. Estava trancada. Ela começou a procurar por uma chave e se surpreendeu quando achou uma, ainda mais quando viu que a mesma estava quebrada, sem pensar duas vezes a menina deitou-se no chão próximo a porta e a chutou, e por fim a quebrou. Sem outras possibilidades Alice bebeu o restante do liquido do frasco EBA-M e começou a perceber o quão longe o teto de vidro ficava... Estava diminuindo... E ficando nua.
-Seja lá o que for “EBA-M” não diminui as roupas, que absurdo... Vou reclamar com o fabricante. – arrastando sua roupa a garota atravessou à porta que dava em outra sala, desta vez com uma porta em tamanho normal, a chave estava em cima de uma mesinha alta de vidro, no chão ao lado da mesa havia um bolinho.
‘COMA-ME’
— Seja o que Deus quiser. – Alice comeu o bolinho e voltou ao seu tamanho normal, talvez alguns centímetros mais alta. – O que não mata engorda. – Ela pegou a chave na mesinha e abriu a porta. Era inacreditável, como tudo naquele sonho louco, mas ela não se importou, havia gostado do que viu. Era um campo com varias árvores enormes, cogumelos e flores gigantes, beija-flores, libélulas e borboletas. Parecia um lugar bom de recomeçar e era o que ela queria, sem pensar duas vezes a Menina de cabelos loiros e longos, vestido azul antigo e desbotado, passou pela porta e...
ALICE ~*~
— Desculpe-me – disse ao homem em quem esbarrei quando passei por aquela porta estranha. – Que lugar é esse?
— Bem minha querida, aqui é o País das Maravilhas!
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