P.O.V. Jane.

Assim que chegamos ao Castelo ela foi colocada num dos quartos, desfez as malas, tomou banho e se arrumou.

—Pronto.

—O que há na sacola?

Era uma sacola enorme e vermelha como as do papai noel.

—Eu trouxe presentes.

Tem alguma coisa muito errada nessa situação. Ela tá tramando alguma coisa.

—Podemos ir?

—Claro. Siga-me.

Eu a levei até a sala do Trono onde os Mestres a aguardavam.

—Sinistro. É bem a cara de vocês.

—Jane. Vejo que trouxe o jantar.

—Ah, você continua hospitaleiro como sempre Aro. Bem do jeito que eu lembrava.

—O que?

—Ela é híbrida Mestre. A híbrida Cullen.

—Oh! Jovem Renesmee. Eu não a havia reconhecido.

—Eu notei. Mas, eu trouxe presentes como sinal de boa fé.

—Para nós?

—Sim. Para vocês, os adoráveis Mestres e seus... soldados? Bom, vamos lá. Esse é para você Aro, soube que gosta de ler então trouxe pra você.

—Drácula de Bram Stoker?

—Achei que combinava com o seu estilo. Para o Marcus eu trouxe isso.

—Um sapato social. Adorável.

—Que bom que gostou. Para Caius um espelho e esse é um espelho muito especial e antigo foi restaurado por mim.

—Como cabe tudo isso dentro da sacola?

—Mágica. Para o Alec uma muda roupas de um adolescente normal. Podia tentar sair um pouco pra variar. E para Jane uma adaga chinesa da dinastia Ming. Muito rara.

—Obrigado eu acho.

—Mas, porque não me conta como tem passado?

—Estou bem obrigado. Tenho uma família que me ama verdadeiramente, vou a escola, tenho amigas e sou feliz. Minha vez de perguntar.

—Pergunte.

—Como tem passado?

—Bem. Obrigado.

Os olhos dela esquadrinhavam a sala do trono de tempos em tempos.

—O que você tanto olha?

—Eu consigo ver tudo. Vocês nem fazem ideia de quantos estão aqui com vocês não é? Digamos que esse lugar está lotado.

—Ver?

—As pessoas do outro lado. Os mortos, fantasmas.

—Você vê pessoas mortas?

—Sim Jane.

—Esse é o seu poder?

—Não. Você nem faz ideia do que eu sou capaz Caius sou a arma mais letal e mais poderosa que você já viu. Aposto que consigo derrubar você sem pensar.

—Aceito seu desafio.

Mestre Caius a atacou e logo ele se contorcia de dor.

—Jane?

—Não sou eu.

—Sou eu! Eu sou clonadora. O meu dom de vampira é copiar os dons de outros vampiros.

—Magnífico. Extraordinário!

—Já chega. Parem de falar.

—O que?

—Não é com você. Me deixem em paz! Eu não posso fazer nada!

Ela começou a tampar os ouvidos e gritar:

—Parem de falar! Me deixem em paz!

—O que está havendo?

—Eles querem vingança. Mas, a vingança não é uma coisa boa.

Ela olhou para o nada e disse:

—Não se preocupem, vão em paz. Uma hora a lei do três vezes três pega eles. Não devemos apressar as coisas.

—Lei do três vezes três?

—Tudo o que você lança você recebe de volta multiplicado por três. É a lei do retorno Jane.

Ainda tinha alguma coisa na sacola.

—O que há na sacola?

—Claro! Eu me esqueci. Felix pra você e esse é para o Dimitre. Mas, diz ai como é que você funciona?

—Eu?

—É. Eu sempre quis saber como é que funciona esse troço de rastreador.

—Troço.

—É, como você faz? É tipo uma espécie de GPS psíquico?

—Por ai.

—Deve ser maneiro. Se importa se eu copiar?

—Mestre?

—Faça. Quero ver como funciona.

Ela fechou os olhos e pronto.

—Pronto. Obrigado. Cara, como isso incomoda! Que saco! Quer saber, que se dane.

Ela saiu correndo e voltou com um livro em mãos.

—Mais um presente?

—Não. Isso é MEU! E ninguém toca no meu livro e vive pra contar a história. Onde eu estava? Ah! Sim.

Ela começou a folear o livro e logo encontrou o que queria.

—Achei! Espera, preciso de uma fonte.

—Uma fonte de que?

—Energia. Velas! Ótimo vão servir.

Ela respirou fundo e disse palavras desconhecidas, fazendo as velas acenderam sozinhas.

—Extraordinário!

Ela colocou as palmas para cima e começou a falar, mais palavras desconhecidas.

E ficou repetindo aquilo ritmadamente e cada vez mais alto. As chamas das velas aumentavam conforme a voz dela aumentava. E de repente as chamas apagaram.

—Olhem em volta.

Realmente a sala estava cheia de pessoas mortas.

—O que é isso? Você fez isso?

—Mais ou menos. Vocês condenaram as almas. Mas, o feitiço para revelar matéria velada que eu lancei vai me ajudar a desfazer o mal que vocês causaram.

—Feitiço? Sério?

—Super. Agora digam o que está em seus corações e libertem-se.

Começou um falatório ensurdecedor.

—Calma! Já sei, vamos em ordem alfabética, as damas falam primeiro.

Ela fechou o livro e disse:

—É melhor vocês se sentarem. Isso vai levar um bom tempo.

P.O.V. Aro.

Inacreditável! Uma bruxa?! Uma bruxa de verdade?

—Só metade. Eu sou Herege. Metade vampira metade bruxa. Aberração da natureza e serva da natureza.

Os fantasmas um a um foram indo embora. Fazendo a travessia.

—Pronto. Já é um bom começo.

—Começo?

—Séculos e séculos de Karma ruim não se desfazem num dia. A sua conta está jorrando vermelho e você tem que quitar isso.

—E o que acontece se não quitarmos?

Ela pegou um ioiô na bolsa.

—Vejam bem, a natureza é toda equilibrada e vocês puxaram o pêndulo todo para o lado dos gritos e lamentos, vocês perturbaram o equilíbrio e quando o pêndulo bater de volta.

Ela soltou o ioiô e ele bateu bem na minha cara.

—Ai. Isso doeu.

—Exatamente. Não há como impedir, não há como desfazer o que foi feito, mas sempre há esperança.

—Então...

—O mal que causaram se voltará contra vocês. Eu não sei como e mesmo se soubesse não diria, Deus me livre de perturbar o equilíbrio da natureza. As coisas são como são. As decisões que tomaram os trouxeram até aqui Mestres.

Eu tinha que saber.

—Sim Aro. A resposta que procura é sim eu tenho o dom da vidência. Eu tenho todos os poderes de todos os membros da minha família e uma coisa a mais. Ela afastou o cabelo e eu vi a enorme pedra laranja que brilhava.

—Essa coisa é radioativa?

—Não. É mágica, isso é um dom e também uma maldição com uma palavra te levo a escravidão. Com isso tenho o poder de controlar corações e mentes e para proteger esse poder as três Petrovas que o criaram colocaram um feitiço de sangue nele.

—Feitiço de sangue?

—Apenas uma bruxa da linhagem Petrova é capaz de fazer o amuleto funcionar. Foi a maneira que encontraram de proteger esse poder tão grande.

—E funciona realmente?

—Sim. Funciona sim.

Jane se meteu no meio.

—Prove.

—Como?

—Use.

—Tá bem.

O tal amuleto brilhou e ela disse:

—Jane. Use o seu poder no Caius.

A voz dela soou diferente. Mais grossa e Jane usou, ela torturou meu irmão.

—Pare.

A Cullen estalou os dedos e sua voz voltou ao normal.

—Viram? Isso é perigoso muito perigoso. Pode ser um dom, mas também uma maldição com uma palavra te levo a escravidão.

—Fascinante! Magnífico.

—Isso é realmente doloroso.

—Ótimo.

—Você vai ver só abominação! Uma hora eu te pego.

—Ah, Caius você não é oponente pra mim.

—Mas, você dorme. E o que me impede de te matar enquanto dorme?

—Caius, Caius você tem muito ainda o que aprender. Eu não sou boba, eu sou bruxa.

A noite chegou e ela começou a demonstrar sinais de cansaço.

—Acho melhor você se recolher. Precisa descansar.

—Boa ideia. Bom, boa noite. Vejo vocês amanhã de manhã.

—Boa noite.

Ela saiu correndo.

P.O.V. Caius.

Essa menina abusada! Peste. Ela me paga.

—Essa cria de Cullen me paga!

—Irmão, ela é só uma criança. Não devemos guardar ressentimento.

Marcus se pronunciou.

—Ela é perigosa. Ela é uma arma e tanto. Nenhum de nós pode contra ela.

—Paciência irmão. Essa garotinha não é só uma joia, ela é uma mina de ouro, diamantes e pedras preciosas. Uma fonte inesgotável de poder.

—Ainda desconfio dela. Ela trama contra nós.

—Jane, ela foi criada por Carslile e sua família de vampiros vegetarianos.

—Mas, ela não parece beber sangue animal.

—Tem razão Mestre a garota bebe sangue humano com certeza. Mas, eu duvido que seja sangue fresco.

—Como assim?

—Ela bebe sangue enlatado. De bolsas de sangue, sangue congelado.

—Faz sentido.

—Mas, porque me torturar?

—Ela não gosta de você. Simples assim Mestre.

—Mas, porque eu?

—Não sei. Ela parece não gostar de nenhum de nós, entretanto acho que você... ela odeia.

—Eu quero ver o livro. Eu quero aquele livro.

—Não é uma boa ideia Mestre. Sabe lá Deus o que aquela coisa é capaz de fazer.

—É apenas um livro.

—Não Mestre. É um livro mágico de feitiços. Viu o que ela fez aqui hoje?! É melhor deixar quieto.

—Jane tem razão Aro. Não sabemos lidar com aquilo, aquele livro é para bruxas e não para vampiros.

—Marcus...

—Eu vou pegar o livro. Hoje enquanto ela dorme.