Muito Bem Acompanhada
27 Capítulo Vinte e Sete
Notas iniciais
“Muito Bem Acompanha”
CAPÍTULO VINTE E SETE
***
No capítulo anterior:
Deixando um singelo beijo nos lábios entreabertos de Sasuke e com muito cuidado retirou os braços do mesmo que circulavam sua cintura, levantou-se da cama e caminhou em direção ao banheiro para tomar um relaxante banho quente, mas as batidas em sua porta a fizeram mudar de roteiro. Pegou a camisa social de Sasuke que estava no chão e vestiu abotoando os botões de acordo que chegava mais próximo da porta.
Quando abriu a porta surpreendeu-se ao notar que estava ali, parado, encarando-a com expectativa.
— Será que podemos conversar, Sakura?
Sua vontade era de mandá-lo a puta que pariu, pois toda aquela conversa já estava começando a tirar do sério.
**
Só pode ser sacanagem! Foi o primeiro pensamento de Sakura ao ver Gaara parado em frente ao seu quarto. Porra, ela ainda nem tinha acordado direito e ele já estava querendo conversar?Soltou um longo suspiro e escorou na porta, encarando-o com cara de poucos amigos.
— Me diz que não está falando sério! – Pediu em súplica mais para ela do que para o Sabaku No enquanto fechava os olhos, rezando que aquilo fosse apenas uma peça pregada por sua imaginação.
— Eu…— Gaara até tentou falar, mas Sakura o calou levantando a mão, aquela situação já estava passando do incomodo e se tornando algo insuportável.
Sakura sabia que Gaara queria resolver aquela situação para poder viver sua vida de casado sem peso na consciência, em partes ela concordava, mas infelizmente, ela não conseguia olhar e muito menos ouvir as palavras do ruivo, por mais que fosse necessário. Gaara estava disposto a resolver aquela situação de uma vez por todas, não para tirar o peso de sua consciência, mas porque aquela história já tinha se prolongado por tempo demais.
Ele entendia bem que não ia adiantar pedir perdão para algo que não tinha como perdoar, ele havia errado e estava disposto a assumir este erro.
Passou a mão na testa e de olhos fechados contou até dez, ou, pelo menos, tentou. Sakura sabia que não tinha mais como adiar aquela conversa, mesmo sentindo uma enorme vontade de arrebentar a cara do ex-namorado, agora marido de sua prima.
— Olha Gaara…— Começou cansada de toda aquela conversação, mal havia acordado de uma noite maravilhosa que tivera ao lado de Sasuke, já tinha confusão para fazer sua cabeça doer. – Deixe-me ao menos acordar direito, tomar um banho e um café da manha reforçado, depois nos encontramos no escritório e resolvemos isso, ok? – Propos.
— Pode sim. – Gaara concordou sem perder tempo, e antes mesmo de ele falar qualquer outra coisa, Sakura fechou a porta em sua cara.
A conversa nem ao menos tinha começado e Sakura já se sentia exausta, totalmente diferente de quando acordou. Escorou na porta e fechou os olhos, tentando raciocinar e controlar a ansiedade que começava a controlar seu corpo.
— Bom dia! – Sakura se assustou ao ouvir a voz rouca e grave de Sasuke, encarou-o e tentou sorrir, mas falhou miseravelmente. – Dia difícil?
— Você não imagina o quanto! – Confessou voltando para cama.
Sakura queria colo e o de Sasuke era o mais gostoso que ela conhecia.
**
Sasuke não estava dormindo, para falar a verdade, seu sono era bem leve comparado ao de Sakura, ele havia passado mais tempo admirando a Haruno dormindo fazendo seu peito de travesseiro do que realmente dormir, quando percebeu que a mulher de madeixas rosadas tinha despertado, não pensou em duas vezes antes de fechar os olhos e fingir que ainda dormia como um bebê, o que foi bem proveitoso, já que isso o ajudou a cochilar, realmente.
Não queria ter ouvido o pequeno dialogo que Sakura tivera com Gaara, mas as batidas do Sabaku No na porta o haviam despertado de seu sono, o que tornou impossível ele não ouvir nada. Ele entendia a importância desta conversa para Gaara, mas, ao mesmo tempo, tinha consciência de quão dolorosa seria para Sakura, mas era necessária para que ambos pudessem recomeçar suas vidas.
— Quer tomar um banho para relaxar? – Sugeriu vendo Sakura se jogar ao seu lado e esconder o rosto.
— Um banho? – Ela questionou tirando o rosto do travesseiro e lhe encarando enquanto mordia o lábio inferior.
— Sim, um banho. – Começou acariciando as costas da Haruno enquanto levantava sua camisa, que ele tinha que confessar que ficou mil vezes melhor nela do que nele. – Um longo banho.
—Hum… Eu gosto da proposta. – Sakura confessou aproximando-se do Uchiha, que a encarava com os olhos nublados. – Mas no momento, eu quero você.
Não houve objeção por parte de Sasuke, quando Sakura percebeu, já estava sendo beijada intensamente pelo Uchiha e ela retribuía da mesma forma. Talvez o banho pudesse esperar um pouco.
***
Riu e bagunçou mais os cabelos úmidos sendo puxado por Sakura, como havia previsto, o banho havia demorado mais do que esperado, apesar de nenhum dos dois se importar com isso, mas seus estômagos pareceram se importar e muito de tão alto que roncavam.
— Você me atrasou, Uchiha! – Sakura ralhou sendo abraçada por trás por Sasuke.
— Não me lembro de ouvir você reclamar, Sakura. – Sasuke brincou falando próximo à orelha da Haruno, que se arrepiou, fazendo-a se lembrar dos momentos que tiveram no quarto há poucos minutos. – Muito pelo contrário, parecia gostar bastante.
— Calado. – Ralhou gargalhando.
Era obvio que ela não reclamaria, ela não era louca para fazer isso.
O clima era descontraído e leve entre Sasuke e Sakura, coisa que há muito tempo não era visto ou sentido, pela segunda vez naquela viagem eles estavam relaxados, apesar de tudo que ainda estava por vir, eles sentiam que nada poderia destruir esse momento que era tão único. Entraram na sala de jantar, sorridentes e abraçados, atraindo olhares de todos, fazendo o local ficar silencioso graças a surpresa de vê-los juntos e felizes.
— Bom dia! – Sasuke falou atraindo olhares para ele, deixando-o sem entender o que acontecia direito.
— Que fome. – Sakura exclamou soltando-se de Sasuke e indo em direção à mesa para matar quem estava lhe matando, a fome, pouco se importando com os olhares surpresos de todos ali.
— Então…— Naruto soltou um pigarro antes de fazer a pergunta que todos queriam, mas que ninguém tinha coragem. – Vocês estão juntos?
— Pode-se dizer que sim. – Sasuke respondeu sentando-se na cadeira já que Sakura estava ocupada demais enchendo um pratinho com bolos, salgados e frutas.
— Graças a Deus… Ai, Hinata! – Naruto reclamou ao levar um beliscão da noiva que sorria sem graça por ele ter comemorado tão explicitamente a união do casal. – Você também achava que já estava na hora deles se acertarem. – Dedurou.
— Naruto! – A morena de olhos claros ralhou com o noivo sentindo seu rosto esquentar e lhe dar a certeza que estava corada.
Era claro que ela achava que já estava passando da hora de Sasuke e Sakura se acertarem, assim como todos, porém, diferentemente do noivo, Hinata era uma moça discreta que comentaria tal fato mais a frente, sem muita plateia.
— Tenho que concordar com o Naruto. – Sakura falou após tomar um longo gole de seu suco. – Já estava passando da hora de nos acertarmos, por isso, pode comemorar, Naruto.
Foi impossível não rir da naturalidade da prima de dizer tais palavras. Naruto jamais pensou que a prima daria o braço a torcer e se entenderia com o Uchiha, porque os dois eram orgulhosos, mas ele estava feliz em vê-los felizes. Eles haviam nascido um para o outro, só ainda não tinham percebido isso, mas com o tempo perceberiam, mesmo sofrendo para perceber tal realidade.
Abraçou a noiva e deu-lhe um beijo na testa, ele entendia o que a Haruno estava sentindo naquele momento, esperava e torcia com todo seu coração que aquele sentimento não a abandonasse, ela precisava ser feliz e só conseguiria se fosse com Sasuke e era o mesmo com Sasuke, ele só conseguiria ser feliz se fosse com Sakura, eles se completavam.
— Acho bom você cuidar bem da minha prima, Uchiha! – Falou sério encarando o moreno que apenas concordou com a cabeça.
— Naruto…— Sakura o chamou, fazendo-o lhe olhar. – Porque você não vai catar coquinho na estrada, hein?
Foi impossível não gargalhar, até porque, Sakura só tinha lhe falado essa frase porque os mais velhos se encontravam na sala de jantar, senão, com certeza ela lhe mandaria a puta que o pariu, com todo respeito. Era bom ver que a Haruno estava realmente feliz, isso o deixava feliz.
**
— Eu preciso ir, Sasuke! – Sussurrou ao sentir Sasuke depositar um pequeno beijo em seu ombro.
Ela até queria ir ao encontro de Gaara no escritório, porém, aquilo havia se tornando uma missão difícil de ser cumprida, já que assim que percebeu que ela e Sasuke estavam sozinhos em um dos cômodos da casa que dava em direção ao escritório, Sakura não pensou duas vezes antes de puxar o Uchiha pela camisa e beijá-lo.
Confessava que estava passando aquela vontade desde que se sentaram à mesa de café da manhã, ver o Uchiha interagir com sua família a deixou imensamente feliz e isso só acendeu mais ainda a vontade de ser feliz ao lado de Sasuke para sempre.
— Achei que precisava ir…— Sasuke debochou quando Sakura mordeu seu lábio inferior e o puxou entre os dentes após beijá-lo novamente.
— Ih! É mesmo…— Sakura se afastou rapidamente e foi em direção ao escritório, mas parou no meio do caminho e virou-se para o Uchiha que ainda a encarava sorrindo. – Não vá embora sem mim, Uchiha.
Sasuke não escondeu o sorriso ao vê-la se afastando, Sakura estava feliz e isso era bom de ver e era melhor ainda saber que ele era o causador dessa felicidade. Tanto ele quanto Sakura estavam felizes, a vida deles estava tomando um rumo que deveria tomar, depois de muito tempo ele finalmente estava sentindo um momento de paz e harmonia entre ele e Sakura, coisa que não acontecia desde que chegaram a Konoha e ele gostava desse momento.
— Vejo que estão felizes rapaz! – A voz de Kizashi atraiu sua atenção e ele rezou para que o Haruno mais velho não tivesse presenciado a sessão de amassos que ele e sua filha tinham protagonizado minutos atrás.
— Senhor Kizashi, gostaria de conversar com o senhor a respeito de Sakura. – Começou nervoso, ate porque nunca havia feito algo daquele tipo na vida, não sabia como começar ou o que falar, as palavras apenas escaparam de sua boca sem sua permissão, quando viu, já tinha falado.
Sasuke nunca tinha feito algo do tipo, nem mesmo com Karin, mas com Sakura ele queria, sentia-se inseguro e nervoso diante de Kizashi, até porque, ele não era um qualquer, era o pai da mulher de sua vida, era obvio que ele se sentiria assim. Respirou fundo e encarou o “sogro”, que o olhava como se analisasse suas ações.
Kizashi já tinha analisado Sasuke de todas as maneiras possíveis, desde que o Uchiha apareceu no aeroporto com sua filha, o Haruno passou a analisá-lo. Sasuke era do tipo de homem que sabia o que queria e como conseguir o que queria, ele era decidido e corria atrás de seus ideais, isso de alguma forma lembrava-o quando era mais jovem.
Sasuke também parecia se importar mais com o bem-estar de sua filha do que com o próprio, percebeu isso quando despencou de Konoha até a fazenda quando a Haruno teve uma crise de pânico, ou até mesmo quando enfrentou Naruto pela mulher de madeixas rosadas, mesmo sem admitir, ele havia conquistado seu reconhecimento e sua admiração.
— Fale meu rapaz. – Kizashi incentivou ao perceber que o Uchiha estava nervoso.
— Eu gostaria de sua permissão, oficialmente, para namorar sua filha.
As palavras saltaram de sua boca antes mesmo de conseguir freá-las, Kizashi o encarava com surpresa. Sasuke era direto, direto até demais na opinião do velho Haruno, isso de alguma maneira intimidava-o, mas ver a forma como Sasuke tratava Sakura, amenizava essa intimidação, as palavras do Uchiha o fez recordar-se de quando Gaara foi pedir Sakura em namoro.
Diferentemente do Uchiha, o Sabaku No enrolou-se em suas palavras, a frase saiu desconexa e ele teve vontade de rir ao ver a filha bater a mão na testa e negar com a cabeça, foi um começo de namoro engraçado, mesmo sendo superprotetor com a rosada, resolveu ceder e ver ate onde daria aquele namoro, o mesmo faria com o rapaz a sua frente, queria ver até onde Sasuke iria com suas intenções a respeito de Sakura.
— Meu jovem, quem tem que decidir lhe namorar é minha filha. – Respondeu bem-humorado e com um sorriso, já tinha aprendido a lição, não tinha direito de interferir na vida e nas decisões da filha, não cometeria o mesmo erro duas vezes. – Porém, se isso te deixar mais calmo, eu dou minha permissão.
Não escondeu o sorriso ao ver Sasuke respirar aliviado diante de sua resposta, Gaara e Sasuke pareciam ser tão parecidos, mas agora ele podia perceber que eles eram mais diferentes do que imaginava. Sakura tinha sorte.
— Obrigado, senhor. – Agradeceu feliz.
— Apenas faça minha filha feliz, Sasuke. – Kizashi pediu tocando o ombro do Uchiha de forma amigável.
— Farei isso. – Garantiu.
**
O sorriso não abandonava seu rosto, ate porque, ela não se sentia daquela maneira há muito tempo, mesmo sabendo que teria que se encontrar com Gaara, ela não conseguia fazer o seu sorriso de felicidade e mulher apaixonada abandonar seu rosto. Mordeu o lábio inferior e sorriu mais ainda ao se recordar da sensação que Sasuke lhe proporcionava. Nem mesmo a conversa que teria com o ex-namorado a faria se sentir para baixo naquele dia. Ela estava nas nuvens.
Abriu a porta ainda com o sorriso no rosto e o viu. Gaara a esperava olhando para a janela do escritório que dava para o jardim, isso a fez recordar-se, ele não deveria estar em sua lua de mel naquele momento? Esse pensamento a fez revirar os olhos em impaciência, não queria atrapalhar a viagem, e muito menos a lua de mel de ninguém.
— Você chegou! – A voz do Sabaku No atraiu sua atenção, fazendo-a finalmente entrar no ambiente, que tinha o clima um pouco pesado comparado há segundos antes. – Você poderia me explicar que merda foi aquela ontem?
Ela nem teve tempo de fechar a porta direito quando a voz levemente alterada do ruivo atingiu seus ouvidos mais uma vez. Ainda com a porta entreaberta, Sakura o olhou, encontrando um par de olhos verdes claros lhe olhando raivosamente e até mesmo, magoados, deixando-a confusa.
— O quê? – Teve que perguntar, não havia entendido o que o rapaz tinha lhe falado, até porque, tinham acontecido tantas coisas horas antes que ela nem se recordava mais.
— Que merda de discurso foi aquele? – Gaara voltou a falar mais alto enquanto passava a mão no rosto, transtornado. – Você queria nos humilhar, é isso?
— Espera ai, o quê? – Fechou a porta e encarou o ex-namorado, havia conseguindo finalmente entender o porquê daquilo tudo, as palavras do Sabaku No e sua atitude só fez com que a raiva acumulada finalmente fosse liberada. Gaara tinha despertado algo nela que já havia adormecido. – Você acha que eu realmente fiz aquilo pra humilhar você e a Ino? Porque se pensou isso, pode esquecer porque aquilo não foi nem um terço do que vocês merecem.
— O que você quer dizer com isso? – Gaara questionou se aproximando a Haruno, aquela conversa não tinha começado como ele imaginava, mas ele tinha se exaltado, pois enquanto olhava pela janela, lembrava das palavras de discurso de Sakura, e isso o irritava.
— Prefere em tópicos ou forma de numérica mesmo? – Perguntou sarcástica revirando os olhos e cruzando os braços, Gaara estava testando sua paciência. – Você me trai com minha prima, não qualquer pessoa, mas minha prima, depois me esconde isso por oito anos, não oito dias, mas oito anos, me fazendo de otária quando todos sabiam disso, menos eu, e o melhor eu deixe por último, me convidou para ser madrinha de casamento dos pombinhos, acho que isso já é muita coisa, não?
Por mais que a raiva exalasse de seu corpo, Sakura falava numa tranquilidade sem fim, deixando ela mesma assustada e Gaara apreensivo, até porque, ele conhecia bem a mulher de madeixas rosadas, quando Sakura explodisse de vez, sai da frente, porque ele seria um homem morto.
— Sakura, eu…— Gaara pareceu ter caído finalmente na real ao ouvir a lista do que ela havia feito, a expressão carregada de antes agora deu lugar a uma sem graça, até mesmo envergonhada.
— “Me desculpe, me perdoe, não queria que isso acontecesse, mas simplesmente aconteceu.” E blá, blá, blá. – As palavras de Sakura deslizavam por seus lábios carregados de escarnio, como se ela soubesse perfeitamente o que ele falaria. – Poupe-me de suas desculpas, não é como se isso fosse mudar o que você e a Ino fez e muito menos diminuir o que eu senti.
Instalou-se um silêncio incomodo na sala, Sakura apenas encarava o ex-namorado esperando eu ele falasse mais alguma coisa e Gaara se sentia perdido diante dos olhos verdes de Sakura, por mais que ele soubesse que a conversa seria difícil, jamais pensou que seria tanto, até porque, a Haruno o encarava sem transmitir nada o que estava pensando ou achando e isso o preocupava.
Foi neste momento que a hipocrisia bateu-lhe a porta, mais uma vez, fazendo-o se recordar de como era mais fácil encará-la quando ela não sabia de nada.
— Isso aconteceu há oito anos, Sakura. – Gaara tentou justificar enquanto passava a mão no rosto e a outra prendia na cintura, mostrando todo o seu nervosismo. – Mas o que você fez no casamento foi ridículo, até mesmo infantil de sua parte, você tentou… Ou melhor, tentou não, você nos humilhou, no nosso casamento, em frente a todos.
Sakura teve que se segurar para não rir da “piada” mal contada do ex-namorado. Era até ridículo ouvir aquelas palavras saírem dos lábios do Sabaku No.
— Se tem uma pessoa que sabe bem como é se sentir humilhada na frente de todos, essa pessoa sou eu, Gaara. – Respirou fundo e encarou o ex-namorado intensamente nos olhos, ele realmente queria falar de humilhação com ela? – Eu fui enganada por você, pela Ino e por todos, durante oito anos, você tem consciência disso?
Todos sabiam de tudo e mantiveram-se calados, vendo-a ir para o casamento, fazer o papel de boa madrinha. As pessoas brincaram com seu orgulho.
— A Ino não fez nada de errado. – O ruivo rebateu.
— Se ela não fez, quem fez então, Gaara? – Questionou sarcástica, fazendo o ambiente ficar mais vezes em silêncio.
— Merda, Sakura! – Gaara praguejou quebrando o silêncio enquanto bagunçava os cabelos nervosamente e andava de um lado para o outro sob o olhar atendo de Sakura, que se mantinha no mesmo lugar de braços cruzados. – Você não entende.
Não, ela não conseguia entender como uma pessoa que mentiu para ela durante oito anos ainda queria ter razão sobre seu erro. Realmente, ela não entendia e nem queria entender, ela não era deste tipo de pessoa. Ela estava com a consciência limpa, mesmo sentindo uma grande vontade de esmurrar o ex-namorado toda vez que ele abria a boca para justificar o injustificável. Ele havia lhe traído e mentido, ponto.
— Ah, com certeza eu não entendo, para falar a verdade é bem difícil entender que seu namorado te traiu com sua prima e que todos sabiam disso menos você, a mais interessada. – Suas palavras estavam carregadas de sarcasmo. – Realmente, é bem difícil de entender, Gaara.
Quanto mais Gaara tentava se explicar ou justificar, mais ele se enrolava, até porque ele jamais pensou que essa conversa seria tão difícil, claro que sabia que seria complicada, mas não a aquele ponto. Respirou fundo e contou até dez, talvez tivesse sido um erro querer ter aquela conversa naquele momento, deveria ter se mantido em seu canto, covarde, como sempre.
Sakura já estava cansada daquela história, sabia que estava no passado, mas ainda tinha e precisava colocar um ponto final naquele circo todo, mas para isso, precisava esvaziar seu coração.
— Sakura…— Gaara explodiu ainda mais nervoso. – Eu realmente não queria e não tive a intenção de te magoar, simplesmente aconteceu e saiu do meu controle.
— Simplesmente aconteceu e saiu do seu controle? – O riso debochado de Sakura chegou aos seus ouvidos. Sakura não conseguia acreditar na cara de pau do ruivo. – Então quer dizer que acidentalmente seus lábios grudaram aos dela em um beijo? Ou melhor, foi acidentalmente que tiveram suas roupas arrancadas de seus corpos e vocês transaram loucamente? Por favor, né?
O ar estava abandonando seus pulmões, Sakura estava fazendo-o ver as coisas de um jeito que ele jamais pensou em ver, ela estava transformando-o em um vilão naquela história toda, não que não fosse, mas era difícil para ele admitir que tinha feito uma coisa tão grave. Quem via aquela conversa de fora, pensaria sem dúvidas, que ele havia assassinado alguém.
A Haruno sabia que estava sendo cruel e maldosa falando tudo aquilo a Gaara, mas a vida não era um mar de rosas, onde tudo dava certo no final e todos eram felizes para sempre, as magoas não podiam ser esquecidas facilmente, principalmente profundas como aquela. Admitia que tinha aprendido muito com os altos e baixos que a vida dá, mas não era por isso que ela simplesmente sorriria para Ino e para Gaara, como se tudo estivesse bem, quando não estava.
— O que você queria que eu fizesse? – O Sabaku No questionou.
— Que você fosse sincero, desde o início, se isso tivesse acontecido, eu teria pegado o que tinha restado da minha dignidade e tinha tirado meu time de campo. – A voz mansa de Sakura era a coisa mais estranha naquela conversa, porque isso não deixava transparecer o que ela realmente estava sentindo. – Você me decepcionou, eu jamais esperava isso de você, Gaara.
O silêncio se fez presente, mas foi quebrado por Gaara segundos depois.
— Eu realmente te amava, Sakura…— O ex-namorado começou deixando escapar um riso triste e anasalado – Mas nosso namoro chegou a um momento que simplesmente não dava mais, a única coisa que ocupava sua cabeça e sua vida era ir para Tóquio, o resto pareceu se tornar descartável, e isso me incluía já que você não ligava para mais nada, Sakura.
As palavras do Sabaku No realmente a fazia recordar-se daquela época. Ela admitia que naquela época, em seu último ano de escola, a única coisa que rondava em sua cabeça era ser aceita em uma faculdade em Tóquio para que ela pudesse dizer adeus a Konoha, tanto que só lembrou-se de Gaara, seu namorado na época, quando recebeu a carta de aceitação, foi quando o chamou para ir junto, recebendo em troca sua recusa.
Não se arrependia de ter feito isso, mas, com certeza, se arrependeria caso não fizesse o que sempre tivera vontade, privando-se por um namorado, ela convidou, ele não quis e ela foi correr atrás de sua felicidade e sonho sem olhar para trás. Mas agora, vendo-o ali na sua frente, querendo jogar a culpa de tudo o que tinha acontecido em suas costas, era o cúmulo.
— Então você quer dizer que a culpa foi minha? – Questionou soltando um riso incrédulo enquanto o encarava.
Gaara estava de parabéns, o troféu de cara de pau do ano iria para ele com certeza.
— Ela ficou ao meu lado, Sakura, ela viu algo em mim que você nunca enxergou, na primeira vez que aconteceu pode até ter sido apenas atração sexual, mas depois, com o tempo, foi se transformando em algo mais. – Ele declarou.
— Vendo você falar assim, nem parece que eu te chamei para ir comigo, não é? Como se eu simplesmente tivesse ido embora e te deixado ai, desolado e sozinho, como se eu tivesse te abandonado, Gaara, sendo a verdade não é essa. – Desabafou vendo tudo aquilo lhe consumir. – Eu te chamei e você simplesmente disse não, nem ao menos pensou na possibilidade de ficar comigo.
— Não tinha a menor possibilidade de eu lutar por algo que não existia mais há meses, Sakura. – Gaara falou encarando-a e dando um sorriso de canto. – A Ino acabou se tornando aquilo que você tinha deixado de ser a muito tempo, Sakura e eu não me arrependo de tê-la em minha vida.
Sakura teve vontade de sorrir, mas segurou, aquele não era o momento ideal para ela soltar todo o seu deboche diante das palavras do ex-namorado, ainda tinha muita coisa para falar.
— Isso deu para perceber, vocês até se casaram, não é mesmo? – Debochou cruzando os braços. – Depois de tudo, eu jamais pensei que ainda tentaria jogar tudo para cima de mim, você me surpreende cada vez mais, Gaara. – O riso sem humor escapou, não conseguia acreditar em tudo o que ouvia.
Sua intenção ao fazer o discurso no dia anterior, como brinde de madrinha, era realmente magoar e humilhar Gaara como ele fizera com ela durante oito anos, não era vingança, mas era algo que ela precisava para se sentir livre de todo aquele tormento ridículo que ele havia lhe colocado por não dizer a verdade desde o início, mesmo todos a julgando por isso.
Ela não era mais a mesma garota que saiu de Konoha e todos haviam percebido isso.
— De todas as pessoas que passaram em minha vida e me decepcionaram, você foi à pessoa que mais me machucou, Gaara, eu confiei em você mais do que em outras pessoas, eu te coloquei num pedestal que não merecia. – Desabafou.
— Sakura, eu…— Gaara ate tentou falar, mas calou-se ao vê-la levantar a mão em um pedido de silêncio.
Ela precisava desabafar, precisava tirar tudo àquilo de seu coração para se livrar de todo aquele peso morto.
— Eu me iludi por muito tempo achando que eu ainda te amava, cheguei ao ponto de achar que só porque eu não dava certo com alguém era porque eu estava destinada a dar certo apenas com você. – Soltou um riso anasalado, mal acreditando o quão idiota era. – Eu realmente me iludi com isso, Gaara.
Sakura estava falando coisas que ela jamais pensou em falar em voz alta de tamanha vergonha alheia que era tudo aquilo.
— Quando eu decidi vir para seu casamento, eu tinha um plano de te reconquistar, mas como um passe de mágica e palavras duras, tudo isso mudou e foi no dia da prova de vestidos, que nos encontramos, que a ficha realmente caiu e eu finalmente percebi…
Foi impossível não sorrir ao se lembrar daquele dia, sua cabeça rodava, rodava e parava no mesmo lugar, ou melhor, na mesma pessoa. Em Sasuke e não em Gaara como ela esperava, foi quando ela percebeu quem ela realmente queria em sua vida.
— Foi neste momento que eu percebi que eu precisava e merecia mais, muito mais do que você poderia me oferecer. – Encarou-o e sorriu. – Você jamais seria o homem que eu procurava, porque eu preciso de um homem que me assuma e que seja sincero em todos os momentos, coisa bem difícil para você.
Pela primeira vez desde que aquela conversa se iniciara, Gaara pareceu esboçar alguma reação, pelo jeito ele havia finalmente sentido o peso de suas palavras.
— Sakura, eu sei que eu errei…
— Sim, você errou muito Gaara, mas pior dos seus erros foi você me fazer acreditar que era uma coisa que jamais foi, mas não se preocupe, eu não sinto raiva de você e muito menos de Ino…— Começou encarando-o nos olhos, estava na hora de colocar uma pedra naquela história e em todo o resto— Pra ser sincera, apesar de toda humilhação que me fizeram passar, eu não sinto absolutamente nada.
— Sakura…
— Não tem nada a perdoar, não tem nada a esquecer, não tem nada a conversar porque eu não sinto simplesmente nada.
Aquilo sim havia sido um grande baque para o Sabaku No, que agora a olhava com os olhos arregalados e com a boca entreaberta de surpresa.
— Eu espero de coração que vocês sejam muito felizes, Gaara, porque eu serei, não devo isso a ninguém a não ser eu mesma. – Sakura sorriu feliz, estava livre de tudo. – Por favor, poupe-me de suas desculpas e me esqueça, porque eu já te esqueci.
Não esperou Gaara rebater suas palavras, simplesmente deu as costas para o ex-namorado e o deixou para trás, junto com ele, tudo o que ele representou em sua vida e foi embora. Estava na hora de recomeçar e em seu novo começo nem Gaara e nem Ino faziam parte.
Fale com o autor