Muito Bem Acompanhada
28 Capítulo Vinte e Oito
Notas iniciais
“Muito Bem Acompanha”
CAPÍTULO VINTE E OITO
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No capítulo anterior:
— Sakura, eu sei que eu errei…
— Sim, você errou muito Gaara, mas pior dos seus erros foi você me fazer acreditar que era uma coisa que jamais foi, mas não se preocupe, eu não sinto raiva de você e muito menos de Ino… – Começou encarando-o nos olhos, estava na hora de colocar uma pedra naquela história e em todo o resto – Pra ser sincera, apesar de toda humilhação que me fizeram passar, eu não sinto absolutamente nada.
— Sakura…
— Não tem nada a perdoar, não tem nada a esquecer, não tem nada a conversar porque eu não sinto simplesmente nada.
Aquilo sim havia sido um grande baque para o Sabaku No, que agora a olhava com os olhos arregalados e com a boca entreaberta de surpresa.
— Eu espero de coração que vocês sejam muito felizes, Gaara, porque eu serei, não devo isso a ninguém a não ser eu mesma. – Sakura sorriu feliz, estava livre de tudo. – Por favor, poupe-me de suas desculpas e me esqueça, porque eu já te esqueci.
Não esperou Gaara rebater suas palavras, simplesmente deu as costas para o ex-namorado e o deixou para trás, junto com ele, tudo o que ele representou em sua vida e foi embora. Estava na hora de recomeçar e em seu novo começo nem Gaara e nem Ino faziam parte.
**
Seus passos eram leves, assim como todo o seu corpo, parecia que um peso havia sido arrancando de cima dela, não prestava atenção no caminho, apenas deixava seus pés lhe levar enquanto sua mente viajava lembrando-se de tudo que acabara de acontecer. Por mais que fosse difícil de admitir, sentia-se exausta de todos. Respirou fundo e abriu a porta do quarto, onde Sasuke a esperava.
O Uchiha estava jogado sobre a cama mexendo no celular, a calça social era a mesma da noite anterior, a camisa social branca estava sem o colete, o paletó e a gravata, os dois botões de cima abertos e as mangas arregaçadas até os cotovelos, os cabelos sempre tão despenteados e isso, na opinião de Sakura, era uma visão e tanto.
Foi impossível não conter os pensamentos libertinos que teve enquanto o admirava da porta.
Sasuke sentia-se sendo observando e por mais que quisesse manter-se imparcial diante do olhar analítico da mulher de olhos verdes a sua frente, era bem difícil quando ela conseguia mexer com seu íntimo com um simples olhar.
— O que foi? – Questionou vendo-a se aproximar lentamente com uma mão na cintura e outra na boca, mordendo uma das unhas com um sorriso.
— O que você acha de irmos embora? – A pergunta calma da Haruno o fez arquear a sobrancelha em sinal de confusão. – Vai dizer que prefere ficar aqui? – Questionou colocando as mãos na cintura.
— Arrume as suas malas. – Respondeu levantando-se rapidamente na cama, fazendo a namorada sorrir.
“Namorada”. Aquela era sim, uma palavra que brilhava em sua mente, estava tanto tempo ansiando por chamá-la assim, de verdade, que estava louca para saber como ela soaria ao sair de seus lábios. Foi impossível não deixar o sorriso se formar em seus lábios.
— O que foi? – Sakura perguntou parando ao seu lado após pegar algumas coisas suas sobre o criado-mudo.
— Estava pensando aqui… – Começou olhando-a nos olhos enquanto sua mão acarinhava a lateral do rosto da mulher. – Você é, oficialmente, minha namorada ou minha noiva?
Foi neste momento que a ficha de Sakura caiu. Lembrou-se de uma conversa que teve com Sasuke pouco antes de tudo vir a baixo.
Flash Back
— E nos, Sasuke, somos o quê? – Perguntou abruptamente.
Sasuke encarou Sakura intensamente, ele também queria saber a resposta para aquela pergunta, por que para ele, eles já deixaram de serem amigos há muito tempo e agora é algo a mais, mas como será que Sakura reagiria a isso se ele falasse agora, naquele momento, sem nenhum pudor?
— O que nos somos Sakura? – Devolveu a pergunta encarando a rosada, que o olhava apreensiva e ansiosa. – Não somos amigos, mas não somos namorados, então somos o quê?
Sakura abriu a boca e a fechou duas vezes, ela não sabia a resposta, mas ela sabia que eles não eram apenas bons amigos que transavam quando estavam com vontade, eles eram algo que ela não sabia o quê, mas estava louca para descobrir, porém, a única pessoa que poderia lhe responder isso era o Uchiha, e ele parecia não saber também.
— Eu não sei você, mas eu, Sakura, quero ficar com você, com ou sem rótulos, eu apenas quero ver seu sorriso, saber da sua vida, dos seus planos, conquistas e desejos, é isso o que eu quero. – Declarou sincero, vendo Sakura arregalar os olhos. – Eu quero saber do seu plantão de 48 horas ou 72 horas, eu quero saber o que te deixou mal ou magoada ou feliz, eu quero saber cada detalhe da sua vida, eu quero construir uma vida ao seu lado, sem me importar com sua profissão, eu quero viver ao seu lado, e você, quer isso?
As palavras de Sasuke martelavam sua cabeça, ela entendia, entretanto, não conseguia processar as palavras. Ele queria ficar com ela para sempre? Ele queria namorar, casar e viver sua vida ao seu lado? Era isso?
— Você quer dizer que… – Estava incerta, estava com medo de ter entendido errado as palavras do moreno.
— Quero dizer que somos o que você quiser, se quiser que somos namorados, nos somos, se disser que somos noivos, nos somos. – Sasuke falou bebendo mais um gole de vinho, encarando o pasto com os cavalos pastando.
**
— Então… Quer dizer que eu que decido o que somos, é isso? – Sakura questionou após pensar um pouco, gostaria de ir devagar, mas algo em seu íntimo não conseguia segurar a sua ansiedade.
— Sim, nossa relação está em suas mãos, senhorita Haruno! – Sasuke brincou vendo-a cruzar os braços e morder o lábio inferior, ele podia ver as engrenagens do cérebro da Haruno funcionando.
Sakura estava com vontade de rir, mas, na verdade, estava mais pensativa do que nunca na sua relação com Sasuke. Desde que atingiu uma idade para namorar, todos os caras com quem havia se envolvido nunca lhe deram muita confiança e direito de escolha na relação, eles sempre decidiam tudo, onde jantar, quando sair, o que fazer, nunca perguntaram o que ela queria ou até mesmo se ela tinha algum desejo, coisa bem diferente de Sasuke, talvez fosse por isso que seus relacionamentos passados não tivessem durado.
Ela sentia necessidade de ter alguém ao seu lado que pudesse apoiá-la e respeitar suas decisões e desejos, coisas que a maioria não fazia. Ela sempre esperava o mais deles e recebia o de menos.
— Eu acho que adoraria ver estampados nas revistas e jornais de todo país: “Solteirão cobiçado por todas, Uchiha Sasuke, finalmente encontrou o amor de sua vida e entregou-se ao amor.”. – Riu gesticulando com as mãos sob o olhar encantado do moreno.
— Gostaria realmente de ver isso? – Sasuke perguntou curioso, poderia até ser uma boa ideia, isso amenizaria as chances de aparecerem rumores sobre ele e outras mulheres. – Espero que esteja preparada para fazer uma festa de noivado e um casamento, futura senhora Uchiha. – Finalizou indo em direção ao banheiro.
— Espera… O quê? – Sakura demorou um pouco para processar as palavras do Uchiha, mas quando as palavras “festa de noivado” e “casamento” tomaram destaque, foi quando a ficha caiu. – Você está me pedindo em casamento?
Sasuke teve vontade de rir ao ver a mulher atrás de si questionando o mais obvio das perguntas do universo. Ele havia cansado de se controlar e agora deixaria a sua impulsividade reprimida guiar sua vida em relação a Haruno. Além do mais, o anel ela já tinha, mesmo que quando ele tenha comprado a joia não tinha esse propósito, bastava apenas o tão esperado sim.
— O anel você já tem… – Falou segurando a mão direita da Haruno e beijando o dorso. – Agora basta me dizer se é sim ou não.
— Sasuke… – Sakura balbuciou seu nome lhe encarando emocionada, o que o fez estranhar, será que ela não aceitaria seu pedido? Aquela dúvida lhe assombrou pela primeira vez. – Eu aceito.
A surpresa era evidente em seus olhos ao sentir os braços da Haruno enlaçar seu corpo em um abraço repentino, que ele não demorou a retribuir. Sua cabeça ainda não estava raciocinando que ela havia dito sim, Sakura havia aceitado se casar com ele.
Havia agido na impulsividade mais uma vez, assim como inúmeras vezes agiu quando estava com a Haruno, nunca tinha pensado na possibilidade de lhe pedir em casamento daquela maneira, poderia não parecer, mas Sasuke gostava de surpreender Sakura. Talvez ele colocasse as alianças em seu lanche favorito, mas tinha a possibilidade dela comê-las, por tal motivo era arriscado, mas sua impulsividade tomou as rédeas da situação e de forma inusitada saiu um pedido, se é que poderia chamar aquilo de um pedido.
Não, não se arrependia de tudo que falou, de como agiu e de como tudo aconteceu, mudaria alguns desvios no percurso, mas o resultado final, jamais. Aquilo era o que ele mais queria, poder chamá-la de sua esposa.
Tinha muito tempo que Sakura não se sentia surpresa e feliz diante de uma situação, mas diferente do que ela imaginava, ela não se sentia insegura, receosa ou ate mesmo, temerosa. Ela estava se sentindo segura e feliz, e aquele momento se encaixava no seu rank de melhores momentos de sua vida, com certeza ocuparia um lugar entres os três primeiros.
— Acho bom estar preparado para dar adeus ao título de solteiro mais cobiçado do Japão, senhor Uchiha. – Sakura brincou segurando a gola da camisa do moreno.
— Todos têm que dizer adeus a esse título um dia, senhorita Haruno. – Brincou encarando-a, que agora sorria. – E eu não poderia escolher pessoa melhor para me ajudar a me livrar desse título.
Sakura apenas sorriu, finalmente estava tendo seu final feliz. Seus lábios cobriram os lábios de Sakura em um beijo significativo, o que selava finalmente sua resposta, seu aceito, seu sim. Talvez eles tenham demorado tempo demais por aquele momento.
**
Sakura tentava, pela quinta vez, fechar a mala pulando em cima da mesma, mas parecia ser uma difícil missão, se não, impossível, ela não conseguia entender a relutância daquela coisa quadrada em ser fechada, sendo que era a mesma quantidade de roupas que ela havia trazido de Tóquio. Ela estava tentando guardar tudo de volta, não tinha a menor possibilidade de sua quantidade de bagagem tivesse aumentado, tinha?
— Mas que… – O palavrão estava na ponta da língua quando um pigarro atraiu sua atenção e atrapalhou mais um de seus pulos para tentar, inutilmente, fechar aquela maldita mala.
Ainda sobre a mala, levantou seus olhos ate a porta, de onde o barulho tinha saído, e encontrou Ino parada lhe encarando sem entender o que se passava ali.
— Desculpe, eu não queria atrapalhar. – A agora senhora Sabaku No falou sem graça.
— Não atrapalhou… Entra. – Pediu saindo de cima da mala e encarando a prima, que deu apenas um passo para dentro do quarto.
— Não precisa… Eu vim apenas me despedi. – A expressão confusa de Sakura fez a loira continuar com suas palavras. – Eu já estou indo para minha lua de mel.
Sakura soltou um simples “Ah” e balançou a cabeça em confirmação, fazendo o clima do quarto pesar um pouco diante do silêncio das duas. Após alguns minutos caladas, Sakura resolveu quebrar o clima chato, já que ficar olhando para cara de Ino sem falar nada não estava em seus planos.
— Ino, eu…
— Sobre ontem, não precisa se preocupar e muito menos se desculpar, não estou chateada ou magoada. – Ino interrompeu dando um sorriso fraco, mas sincero.
Sakura demorou um pouco para assimilar as palavras da prima. Em nenhum momento ela pensava em se desculpar, ela havia desabafado sobre algo que havia segurado por muito tempo, não tinha o que pedir desculpas. Mordeu o canto dos lábios e sorriu enquanto com uma mão coçava a testa e outra prendia em sua cintura ao entender o que Ino queria dizer.
— Na verdade Ino, eu não vou me desculpar… – Começou encarando a prima nos olhos, queria que ela entendesse bem as suas palavras a seguir. – Eu ia apenas dizer para você ser muito feliz em seu casamento e aproveitar bastante sua lua de mel.
Deu um grande e sincero sorriso, não tinha o que ficar pensando ou se martirizando sobre aquela história que agora estava mais enterrada que tudo, ela não tinha o que se desculpar e Ino e Gaara também não, ela só esperava que todos pudessem ser muito felizes, não torcia pela infelicidade de ninguém, nem de pessoas que ela magoou.
— Agora se você me der licença, eu estou um pouco ocupada. – Soltou apontando para a mala escancarada a suas costas sobre a cama.
— Ah sim, claro. – A ex-Yamanaka respondeu sem graça, Sakura tinha a deixado sem palavras. Não esperava um pedido de desculpas por parte da prima, as palavras apenas escaparam de sua boca sem permissão, quando deu por si, já falava algo que não era pra falar. – Então… Até mais.
— Até e boa viagem, aproveita. – Sakura desejou sincera enquanto acenava para a loira que agora a deixava sozinha com seu problema inicial. – Agora sou eu e você, senhora mala. – Falou encarando a caixa quadrada com rodas e roupas.
**
— Certeza que precisa ir agora, querida? – Mebuki perguntou pela trigésima vez segurando as mãos de Sakura com mais força que o necessário.
Suas malas já estavam no carro de Sasuke, já havia se despedido de todos e explicado para os pais que iria para o Hotel com Sasuke, onde aproveitaria seus dois últimos dias em Konoha antes de voltar para Tóquio na companhia do moreno usufruindo da enorme piscina do local, sem falar do SPA e sauna.
Ela precisava descansar e relaxar antes de voltar para a realidade, onde passava o dia sem ver Sasuke e ficava trancafiada no Hospital, tendo um plantão atrás do outro.
— Eu preciso descansar um pouco antes de voltar para Tóquio, mãe. – Sorriu apertando as mãos da mais velha em sinal de conforto. – Eu irei visitá-los antes de pegar o avião.
— Faça isso mesmo, querida. – Kizashi falou sorrindo para a filha e a abraçando.
— Não se preocupe. – Respondeu abraçando o patriarca e sorrindo. — Farei sim.
— Não acredito que perderá os seus dois últimos dias em Konoha trancafiada naquele enorme hotel… – Naruto começou a falar com os braços cruzados e um enorme bico, já que ele tinha tentado convencê-la a ficar pelo menos até o dia seguinte aproveitando o ar puro da fazenda e ele, era claro, mas nada a fazia mudar de ideia de ficar sozinha com Sasuke naqueles últimos dias, por tal motivo o Uzumaki encontrava-se inconformado com sua decisão. – Sendo que poderia gastar essas horas ao lado de uma pessoa maravilhosa como eu.
— Não fique triste, meu amado primo. – O deboche deslizava por suas palavras, fazendo o loiro a sua frente segurar a risada e fingir-se de sério e chateado. – Amanha, caso queira é claro, poderá me acompanhar em um drink a beira da piscina, o que acha?
Sakura sabia seu ponto fraco e ela usava isso sem pudor algum, por isso, Naruto deveria mostrar que tinham um pouco de orgulho e amor-próprio, ele não deveria ceder aos charmes e chantagens da Haruno facilmente, deveria manter-se firme e dizer um não, como um homem orgulhoso que ele era.
— Que horas posso ir para o hotel? – Perguntou sorrindo e levantando o polegar para a prima, que gargalhou, assim como todos.
**
Paz. Era o que ela sentia naquele momento voltando para Konoha ao lado de Sasuke. Finalmente poderia se afastar de todo o drama familiar que havia a consumido desde que chegou a cidade em que cresceu, ela estava preparada para relaxar, ainda mais ao lado do Uchiha.
— Chegamos. – A voz de Sasuke invadiu seus ouvidos, fazendo-a parar de admirá-lo enquanto dirigia por mais de 2 h para chegar ao Hotel Konohagakure Palace. – O que foi?
Mordeu o canto dos lábios e apoiou o queixo na palma da mão e o cotovelo no pequeno baú entre os bancos aproximando seu corpo ao de Sasuke, que a encarava curioso, já que ela havia passado toda a viagem lhe encarando encantada.
— Nada, apenas admirando a sua ilustre beleza, senhor Uchiha.
O sorriso que Sasuke lhe deu poderia ser emoldurado e colocado na sala de sua casa ou em seu consultório. Sasuke sempre teve um lindo sorriso, e confessava que foi o sorriso dele com as covinhas discretas que havia a conquistado em primeiro momento, mas ele não precisava saber disso, ou melhor, ela tinha certeza que ele sabia muito bem deste fato.
— Fico feliz que goste do que vê senhorita Haruno, porque isso tudo pertence a você.
Pronto, se Sakura já estava apaixonada por Sasuke antes, agora estava mais ainda, já que aquelas palavras saíram acompanhadas de um lindo sorriso, fazendo-a se derreter totalmente. O beijo foi rápido e delicado, mas não deixou de ser gostoso, o pobre coração da Haruno palpitava em seu peito sem nenhum pudor ou medo do moreno ouvir tais batidas.
Estar na presença de Sakura era algo sem explicação, ele não conseguia definir o que sentir com palavras, por tal motivo, preferia agir, e uma dessas ações era poder beijá-la quantas vezes quisesse e na hora que quisesse, sem restrições, e a Haruno parecia apreciar tais gestos, o que era melhor ainda.
Separou seus lábios dos de Sakura e a encarou alisando seu rosto, ela era a personificação da perfeição em sua humilde opinião e, para ter tanta sorte em tê-la ao seu lado, ele, com certeza, deve ter salvado o Japão em sua vida passada, por que não era possível tê-la ao seu lado apenas por merecer, pois ele não merecia tamanha felicidade, Sasuke admitia isso.
— Vamos antes que nos arranque daqui à força. – Sakura brincou soltando o cinto de segurança e abrindo a porta do carro.
De mãos dadas, entraram no hall do hotel, onde teve a primeira declaração de seus sentimentos, notava-se de longe a felicidade do casal. Sasuke estava feliz ao lado de Sakura e ela estava feliz ao seu lado, esta era a parte mais importante.
— Com licença… – O rapaz se aproximou interrompendo a caminhada do casal em direção ao elevador, fazendo Sakura estranhar tal atitude. – Será que eu poderia falar um minuto com você, Sakura?
Sakura estranhou a atitude de Rock Lee, pois desde que havia chegado a Konoha, a conversa mais longa que tivera com o rapaz de penteado estranho tinha sido na casa de Gaara, quando teve a festa na piscina.
— Algum problema? – Sasuke questionou, já que o rapaz era gerente-chefe do local.
— Não, senhor Uchiha. – Lee virou-se para o moreno e sentiu o sangue gelar, não teria coragem de admitir seu erro diante dele. – É um assunto particular.
Lee estava nervoso, Sakura percebia isso, aliás, todos pareciam perceber o nervosismo do rapaz, mas não tinha nada a tratar com o mesmo, então não entendia bem o que o rapaz de cabelo de cuia queria consigo.
— Prometo não tomar muito de seu tempo, Sakura. – Lee insistiu apontando para direção da piscina.
— Eu não demoro. – Sakura falou dando um rápido beijo na bochecha de Sasuke antes de seguir Lee.
Lee estava nervoso, ele tinha feito uma coisa no calor do momento e agora se arrependia amargamente disso, porém, não sabia como reverter à situação, ou melhor, não tinha mais como reverter. Pelo menos era isso o que ele achava. Não pensou muito quando agiu por impulso, após ter feito, parou para refletir sobre seu ato e arrependimento bateu em sua consciência, mas já tinha feito.
— Você está bem? – Perguntou quando ele parou abruptamente a sua frente. – Está passando mal?
Sakura estava realmente preocupada com a atitude do ex-colega de escola, nunca havia o visto agir daquela maneira, a não ser nas horas que ele conseguia ser mais estranho do que já era tentando impressionar seu professor de educação física, Maito Guy, e competir com Neji em qualquer esporte.
— Me desculpe Sakura, eu errei ao fazer aquilo. – Lee se curvou diante da Haruno, fazendo-a se assustar mais ainda, sua consciência pesava.
— Do quê você está falando, Lee? – Perguntou encarando-o ainda curvado, ela não tinha a menor ideia do que o rapaz falava. – E, por favor, levante-se, as pessoas estão olhando.
— Eu que tirei aquela foto do senhor Uchiha abraçando Ino e te enviei. – Lee respondeu ainda curvado, em pedido de desculpas.
— O quê? – Sim, ela lembrava-se da foto, naquele mesmo dia tinham acontecido tantas coisas, mas a foto não era esquecida, apesar de nunca ter sentado e conversado com Sasuke diretamente sobre isso. Doeu vê-los juntos, mas agora ela entendia que não tinha nada com o que se preocupar, e ver Lee daquele jeito só a fazia perceber que não tinha mesmo. – Porque fez isso? – Quis saber.
— Eu só estava com… Ciúmes. – O gerente-chefe confessou levantando-se e olhando em volta, ele não tinha coragem de olhá-la agora, pois sabia bem que sua atitude havia sido infantil.
Ele sempre gostou de Sakura, do seu jeito estranho, mas gostou, achava que poderia ter alguma chance após a conversa na piscina, mas no mesmo dia percebeu que a Haruno só tinha olhos para seu acompanhante, no dia em que eles tiveram seu momento no hall do hotel, ele teve a comprovação, mas isso ainda não diminuía o que sentia e nem o deixava não sentir ciúmes, foi quando ele agiu como uma criança.
Ao ver o Uchiha e Ino conversando em frente o hotel, pensou que poderia ter a sua chance acabando com aquele romance, quando eles se abraçaram foi sua deixa, a foto foi tirada rápida e enviada mais rápida ainda. Conseguir o telefone de Sakura foi fácil, bastou dizer a Naruto que precisava falar com a Haruno sobre algumas coisas do casamento que o Hotel ia proporcionar que o loiro passou o telefone da mesma.
No momento havia parecido uma coisa grande, que poderia apenas acabar com um relacionamento, entretanto, ao pensar bastante depois do feito, deu-se conta que poderia trazer complicações a Ino, já que ela também protagonizava o momento. Sua consciência pesou, nunca tinha feito nada para prejudicar alguém e agora conhecia o gosto amargo de fazer isso, não era algo que recomendaria. Para fazer isso a pessoa tinha que ter estômago.
— Olha Lee, ainda não entendo o porquê de ter feito isso, mas gostaria que nunca mais fizesse isso, você quase causou uma grande confusão, não só comigo e com Sasuke, mas com Ino e Gaara também. – Aconselhou, para a sorte do moreno de cabelos de cuia, ela não havia mostrado aquela foto para ninguém, isso incluía Sasuke, Gaara e Ino, que poderiam ter interpretado de outra maneira.
— O que quer dizer? – Perguntou temeroso, quando tomou a atitude não esperava que isso fosse se tornar um problema.
— Apenas não faça mais isso, está bem? – Sakura pediu tocando o ombro do rapaz que apenas confirmou com a cabeça. – Agora tenho que ir e, obrigada por me contar.
Sakura apenas sorriu e saiu dali, apesar de aquela foto ter mexido bastante com sua cabeça, agradecia aos céus por não ter mostrado a ninguém, pois não sabia a confusão que isso causaria. Entendia que muitos agiam por impulso, mas ainda sim, Rock Lee havia errado, e esperava que ele aprendesse com esse erro.
— Vamos? – Perguntou pendurando-se no braço de Sasuke ao encontrá-lo no mesmo local que ele havia ficado quando saiu com Lee.
— Está tudo bem? – Sasuke perguntou passando o braço pelos ombros da Haruno e a abraçando enquanto iam para os elevadores.
— Tudo perfeito. – Declarou sorrindo e abraçando o Uchiha pela cintura.
**
Se Sakura não sabia o que era lua de mel, nos últimos dois dias em Konoha, ela sentiu seu gostinho. Sasuke, além de ser um ótimo companheiro de viagem, era um excelente colírio para os olhos todas as manhãs, principalmente dentro da piscina do hotel. Outras mulheres poderiam até cobiçá-lo, mas no final, era para sua espreguiçadeira que ele ia e pedia para ela passar o protetor solar ou secar suas costas e cabelos e ela atendia com muito gosto.
E acreditava que aquilo seria o que ela mais sentiria falta em Tóquio.
— Eu não acredito que estou em Tóquio de novo. – Choramingou se apoiando no carrinho que continham suas malas. – Não quero voltar para a vida real.
— E o que você quer? – Sasuke perguntou dando um sorriso, enquanto mandava uma mensagem para Itachi e pegava o carrinho que Sakura a pouco empurrava.
— Voltar para o Hotel e ficar o dia todo com você. – Confessou segurando a mão do Uchiha que deu um singelo beijo em seu dorso.
— Acredite, adoraria isso também. – Sasuke rebateu, encarando a Haruno nos olhos. – Mas a realidade nos chama.
— Não parece que foram anos e não dias que passamos em Konoha? – Questionou parando ao lado de Sasuke que agora acenava para o táxi.
— Foi uma longa e desgastante viagem. – Concordou ajudando o taxista colocar as malas no porta-malas, antes de abrir a porta para a Haruno. – Mas os últimos dias foram…
— Maravilhosos. – Sakura respondeu abraçando o Uchiha, que agora estava sentado ao seu lado.
— Para minha casa? – Sasuke perguntou.
— Por favor.
Os dias foram cansativos, Sakura descobriu coisas que jamais pensou que descobriria, tanto em relação a sua família quanto aos seus sentimentos, ela voltou de Konoha uma nova pessoa e agradecia a Sasuke por isso, já que ele foi mais que um simples apoio, ele foi seu porto seguro em todos os momentos, apesar das confusões.
Sentia-se feliz e realizada ao seu lado, e planejava viver intensamente cada segundo daquele romance.
— O que deseja fazer? – Sasuke perguntou ao abrir a porta de seu apartamento e colocar as malas ao lado da porta.
— Que tal um filme e pedir uma comida? – Sugeriu já retirando seus sapatos e calçando suas pantufas, que tinha ali há muito tempo.
— Pode ser. – Sasuke deu os ombros indo em direção a cozinha pegar o catálogo.
Para sua sorte, Itachi havia pedido para fazerem uma limpeza geral em seu apartamento, tudo estava limpo e bem organizado, como ele gostava. Sakura confidenciou que não estava preparada para ir para sua casa ainda, que queria ficar mais um pouco em sua companhia antes de voltar a trabalhar no dia seguinte, ele que não era bobo nem nada, claro que aceitou. Ele também não estava preparado para ficar sozinho depois de passar quinze dias grudados na Haruno, ou quase isso.
Entraram em um consenso no pedido de comida, alguma coisa que tivesse bastante caldo, para esquentar os corpos no final de tarde frio que Tóquio estava proporcionando. Sakura admirava Sasuke andar para lá e para cá guardando suas coisas e colocando outras para lavar. Essa era uma visão que ela adoraria ver diariamente.
Seus olhos desceram para o anel de brilhantes em seu anelar direito e sorriu. Subiu o olhar para Sasuke que agora estava a sua frente, colocando os pratos e talheres, para a comida que chegaria a poucos minutos.
— Então… – Começou apoiando os cotovelos na mesa e jogando o corpo para frente enquanto apoiava o queixo nas mãos. – Você tem alguma data em mente?
Ela queria saber se ele tinha falado por falar ou se era realmente sério, por mais que ela tivesse confiança nas palavras do Uchiha, tinha medo de ser uma peça sendo pregada por sua mente.
— Por mim, casaríamos amanhã mesmo. – Foi sincero e isso fez Sakura sorrir, aproximou seu rosto do rosto da Haruno e beijou sua testa, fazendo-a fechar os olhos com o carinho.
Ele não estava mentindo ou blefando, ele queria Sakura em sua vida, se ela quisesse se casar no dia seguinte, ele não relutaria, por mais que ela não tivesse falado nada sobre isso para ninguém, a única pessoa que precisava estar de acordo com tudo era ela. Se ela falasse que eles casariam no dia seguinte ou na semana seguinte, ele casaria com muito gosto. Tudo estava nas mãos dela.
Sakura sorriu e levou as mãos aos ombros do Uchiha, aproximando-se mais ainda dele, estava prestes a beijá-lo quando a campainha soou, fazendo-a resmungar. Viu Sasuke se afastar e voltar minutos depois trazendo marmitas, e dentro delas, as refeições.
Não viram a hora que dormiram, um agarrado ao outro, no sofá. Após comerem, resolveram escolher um filme que fosse bom para os dois, não havia passado nem trinta minutos de filme quando caíram no sono, os corpos relaxaram e finalmente puderam adormecer sossegado um no braço do outro, eles desejavam que momentos assim fossem mais frequentes, e se dependesse deles, seria com certeza.
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