Muito Bem Acompanhada
29 Capítulo Vinte e Nove
Notas iniciais
“Muito Bem Acompanha”
CAPÍTULO VINTE E NOVE
***
No capítulo anterior:
Seus olhos desceram para o anel de brilhantes em seu anelar direito e sorriu. Subiu o olhar para Sasuke que agora estava a sua frente, colocando os pratos e talheres, para a comida que chegaria a poucos minutos.
— Então… – Começou apoiando os cotovelos na mesa e jogando o corpo para frente enquanto apoiava o queixo nas mãos. – Você tem alguma data em mente?
Ela queria saber se ele tinha falado por falar ou se era realmente sério, por mais que ela tivesse confiança nas palavras do Uchiha, tinha medo de ser uma peça sendo pregada por sua mente.
— Por mim, casaríamos amanhã mesmo. – Foi sincero e isso fez Sakura sorrir, aproximou seu rosto do rosto da Haruno e beijou sua testa, fazendo-a fechar os olhos com o carinho.
Ele não estava mentindo ou blefando, ele queria Sakura em sua vida, se ela quisesse se casar no dia seguinte, ele não relutaria, por mais que ela não tivesse falado nada sobre isso para ninguém, a única pessoa que precisava estar de acordo com tudo era ela. Se ela falasse que eles casariam no dia seguinte ou na semana seguinte, ele casaria com muito gosto. Tudo estava nas mãos dela.
Sakura sorriu e levou as mãos aos ombros do Uchiha, aproximando-se mais ainda dele, estava prestes a beijá-lo quando a campainha soou, fazendo-a resmungar. Viu Sasuke se afastar e voltar minutos depois trazendo marmitas, e dentro delas, as refeições.
Não viram a hora que dormiram, um agarrado ao outro, no sofá. Após comerem, resolveram escolher um filme que fosse bom para os dois, não havia passado nem trinta minutos de filme quando caíram no sono, os corpos relaxaram e finalmente puderam adormecer sossegado um no braço do outro, eles desejavam que momentos assim fossem mais frequentes, e se dependesse deles, seria com certeza.
**
Quinze dias depois
—
O que ela mais queria naquele momento era voltar para Konoha, mais precisamente, para o quarto presidencial do Konohagakure Palace. Massageou seus pés e tomou um gole do café que pegou no refeitório do hospital. Já estava em sua quinquagésima hora de seu plantão que duraria setenta e duas horas. Seus pés estavam doloridos, suas costas doíam e seu estômago roncava e a única coisa que ela queria esta fazendo agora era estar nos braços de Sasuke.
Estralou o pescoço e descansou a cabeça no encosto da cadeira enquanto fechava os olhos para descansar um pouco. Desde que chegou de Konoha, não teve mais sossego, Tsunade parecia querer arrancar a pele de seu corpo e sugar sua alma, e ela merecia um prêmio por isso, porque estava conseguindo.
Mordeu o canto dos lábios e abriu os olhos, encarando o teto branco de seu consultório. Isso fez Sakura se recordar do que tinha que pensar e responder dali quinze dias.
Flash Back
Antes que sua mente pudesse viajar mais, seu celular começou a tocar, atraindo sua atenção. De forma preguiçosa pegou o aparelho e olhou a tela piscando, fazendo-a suspirar. “Chefe Tsu”, nem mesmo longe de Tóquio, Tsunade não lhe dava sossego. Arrastou o dedo sobre a tela e atendeu a ligação, por mais que não estivesse com vontade.
— Sim, Tsunade! – Falou ao ouvir a voz esganiçada e eufórica da chefe do outro lado.
— Tenho novidades, esta sentada Haruno? – Tsunade questionou do outro lado da linha.
— Novidades? Que tipo de novidades? – Por mais que tentasse não transparecer, estava desanimada, sentia-se para baixo com tudo, até mesmo com o hospital.
— Nossa, que voz mais desanimada, nem parece que seu projeto foi aprovado.— Tsunade falou como quem não quisesse nada.
— O quê? – Sentou-se na cama rapidamente. – Do que você está falando?
Não, ela não estava esperando aquele tipo de notícia, até porque, a diretoria do hospital e até mesmo Tsunade, já a havia a desencorajado a seguir com seu projeto para construir uma ala hospitalar para atender crianças com câncer, seja eles terminais ou não, com problemas ocasionados por acidentes, doenças ou fatalidades, esse projeto levaria o nome de seu irmão.
Era seu projeto de maior peso em sua carreira e de seu maior empenho. Tinha dedicado anos e mais anos para conseguir montar um projeto digno de aprovação, já que era seu desejo desde a graduação, onde começou a desenvolvê-lo.
Entretanto, não precisava apenas convencer sua chefe, mas também toda a diretoria e investidores do hospital, coisa que não seria nada fácil. E não foi, quando criou coragem e mostrou a mentora, a mesma já disse que por mais que fosse um ótimo projeto, ela não poderia apresentá-lo a diretoria, pois o hospital estava passando por cortes de custos e não aprovariam um projeto daquela magnitude naquele momento.
Aquilo sim, foi um balde de água fria sobre seu projeto, por isso, o engavetou antes de apresentá-lo novamente, em uma data futura.
— Seu projeto foi aprovado para participar de um congresso de médicos inovadores na Europa por seis meses. – Tsunade começou explicando e a cada palavra Sakura sentia a euforia tomar conta de seu corpo. – Neste congresso você apresentará os pontos positivos do projeto para a sociedade e consequentemente tentará capitar capital para financiá-lo.
— Como isso é possível? – Ela estava confusa, ela sabia deste congresso, mas em nenhum momento ela havia inscrito seu projeto nele, estava tão desencorajada que achava que ele não era digno para participar. – Eu não me inscrevi.
— Você não, mas seu chefe e mentora, sim. — A voz da mulher que lhe ensinou tanto era calma e singela, como o tom de uma mãe. – Eu acredito em seu potencial Sakura, todos passamos dificuldades, mas não podemos desistir, eu sei como você lutou por esse projeto, não poderia deixá-la abrir mão tal facilmente disto.
Sakura sentia-se emocionada, Senju Tsunade além de lhe ensinar tanto na medicina, lhe ensinava também na vida. Ela sempre foi uma mulher muito guerreira, que lutou contra o preconceito de uma época que só homens podiam ser os melhores médicos cirurgiões do Japão. Ela quebrou esse paradigma ao se tornar a melhor e a mais bem paga entre os cirurgiões do país, passando todos os seus conhecimentos a ela, uma menina que largou tudo para seguir seus sonhos.
Ela foi um apoio que jamais pensou que teria.
— E como será isso? – Questionou.
Pelo pouco que sabia, eram poucos os hospitais que mandavam representantes para esse tipo de congresso, ainda mais no Japão. Os médicos deveriam passar de três a seis meses fazendo palestras por países mundiais, tanto na Europa, quanto nas Américas. Tudo custeado pelo hospital que estavam representando, se o projeto for bem visado e ganhar o devido investimento, o projeto seria implantado no hospital que o médico representa.
— Até o momento só sabemos que as palestras serão nos países Europeus. – Tsunade explicava tudo calmamente, para que ela pudesse entender. – O hospital vai te custear e será como o trabalho, só que representando o seu hospital.
Mordeu o canto dos lábios, tinha tanta coisa em jogo. Tinha sua família, seus amigos e Sasuke. Mas também tinha sua carreira, que ela não poderia abrir mão depois de lutar tanto para ser reconhecida.
— Não se preocupe agora, quando chegar, conversaremos melhor sobre isso.— Tsunade falou após Sakura ficar muda do outro lado, ela sabia que era uma decisão e tanto, até porque eram meses e não semanas ou dias. – Apenas pense e quando chegar tenha alguma posição para mim.
**
A conversa pouco se estendeu depois daquilo e Sakura ficou com isso na cabeça. Desde que chegou a Tóquio, ainda não tinha encontrado sua superior, mas a ideia martelava mais ainda em sua cabeça, já que a data da viagem estava se aproximando e ela ainda não tinha tomado uma decisão.
Eram muitas coisas a serem ponderadas, pois dali oito meses seria o casamento de Naruto, que ela ainda não sabia se seria madrinha, tinha seus pais, tinha Sasuke. Contudo, apesar de tudo isso, ela não estava disposta a abrir mão de sua carreira. Estava pensando com cautela, no que faria e como faria, para ser benéfico para todos e que ninguém precisasse abrir mão de algo.
Mordeu o canto dos lábios e suspirou enquanto sentia seu celular vibrar no jaleco. Estava na hora de mais uma ronda, colocou novamente seu calçado, tomou o resto do café que havia esfriado em um gole e saiu da sala.
***
— E então, qual é a sua resposta? – Tsunade a pressionou.
Os quinze dias para pensar haviam se passado rápido, ainda mais com ela fugindo de Tsunade toda vez que a mais velha a encontrava pelos corredores, por mais que fosse uma decisão difícil, ela já sabia sua resposta, para falar a verdade, ela sabia a resposta desde o dia que recebeu a notícia, mas algo em seu coração teimava em lhe deixar confusa sobre tudo e a viagem.
Era seu grande sonho, que não estava disposta a abrir mão, ela queria aquilo desde que ingressou na faculdade de medicina e logo agora ela que conseguiu pensava em desistir? Claro que não! Ela era Haruno Sakura.
Sakura sabia que tinha muita coisa em jogo e uma dessas coisas era seu relacionamento com Sasuke, já que durante os dias que teve para pensar, não encontrou o momento ideal para falar sobre a proposta que recebera.
Mas, como ela bem sabia, tinha muita coisa em jogo e ela sabia perfeitamente que Sasuke não se oporia, já que ele sempre foi uma das pessoas que a mais incentivou a correr atrás de seus sonhos, não seria agora que ele iria mostrar-se contrário.
— Sim, eu aceito, mas… – Foi impossível não rir da empolgação da chefe que bateu palma e gritou um “yes”, mas aceitar aquela proposta tinham um pequeno pedido a fazer. – Eu preciso que você segure qualquer notícia a respeito disso. Por enquanto.
— Por quê? – Tsunade questionou analisando bem atentamente sua pupila, aquele tipo de notícia deveria ser anunciada para o mundo.
— Eu quero ter a oportunidade de contar para minha família, meus amigos e para Sasuke. – Confessou mordendo o lábio inferior.
— Uchiha Sasuke? – Tsunade questionou arqueando a sobrancelha loira, ela ainda não sabia de seu envolvimento amoroso com Sasuke.
Como ela falaria para sua chefe e grande amiga que ela estava noiva do Uchiha depois de passar quinze dias ao seu lado na cidade natal? Realmente, ela não fazia ideia, até porque, a Senju parecia ter certo tipo de aversão ao moreno, o que complicava ainda mais sua situação.
— Digamos que nós estamos… Noivos! – A última palavra saiu baixa, mas alta suficiente para a loira de olhos castanhos mel ouvir, fechou os olhos e esperou o sermão que não veio.
Seus olhos abriram lentamente e pousaram na mulher a sua frente, que tinha a boca levemente aberta e os olhos arregalados, incrédula após ouvir suas palavras.
— Uchiha Sasuke comprometido? – Piscou sem entender as palavras da loira, mas deu os ombros, todos ficavam chocados com isso, até mesmo ela. – Isso sim é novidade.
Deixou o riso escapar e foi seguida por Tsunade, só depois ela admitiu que jamais esperava ver o moreno comprometido com qualquer mulher, Sakura mordeu o lábio inferior e recordou-se de Karin, ela havia sido noiva do Uchiha, também.
— Mudando de assunto… – Tsunade falou do nada após passarem alguns momentos fofocando sobre seu noivado com Sasuke. – Você terá seu tempo para contar para todos, mas espero que amanhã você vá ao almoço com o representante dos médicos japoneses, ele devera lhe passar tudo que você precisa.
Apenas concordou com a cabeça, sabia que era importante saber todas as informações necessárias para um congresso que duraria até seis meses. Seis meses. Era tempo demais e ao mesmo tempo, não era.
— Onde o encontrarei? – Questionou vendo a loira mandar uma mensagem para seu celular.
— O encontrará nesse endereço às 12h15min de amanhã e seu nome é Tsume Hidan. – Tsunade falava tudo ainda olhando para a tela de seu computador e depois pegando o celular. – Mandei uma foto para você reconhecê-lo.
Concordou e abriu à foto do homem que aparentava ter seus trinta e poucos anos, cabelos tingidos de grisalhos penteados para trás, olhos castanhos escuros, um sorriso pequeno e sedutor. Ele era um rapaz bonito, mas não mais que seu querido noivo. Noivo! Ai estava uma palavra deliciosa de pensar ou falar.
**
Sentia-se nervosa em encontrar Hidan, mesmo sabendo que era algo relacionado a negócios, algo parecia apertar seu coração enquanto observava as ruas através da janela do táxi indo em direção ao restaurante marcado, faltava apenas quinze minutos para o horário marcado, mas preferia chegar mais cedo à atrasada.
— Obrigada! – Agradeceu e pegou seu troco com o senhor que lhe sorria, desceu do carro e olhou a hora em seu relógio, ainda tinha dez minutos, foi quando algo atraiu sua atenção.
Seus olhos seguiram as duas figuras, uma morena e uma ruiva rindo indo em direção à porta do restaurante, o sorriso dele era mais discreto que o da mulher que andava a sua frente, a mão dele estava na base de sua coluna, como se a ajudasse a andar. Por mais que Sakura não quisesse, ela sentiu seu estômago embrulhar ao vê-los sumir de seu campo de visão.
Sasuke estava com Karin. Abriu a bolsa e de forma apressada capturou o celular, sentia sua mão tremer enquanto digitava a mensagem para o noivo.
“Oi, o que está fazendo?”— A pergunta soou boba comparada à conversa que eles tiveram a menos de uma hora.
“Oi, estou indo para um almoço de negócios agora e você?”. A resposta de Sasuke fez seu estômago revirar mais uma vez, já que aquela havia sido a mesma desculpa que ele usou quando foi jantar com Tayuya em Konoha e ela os viu juntos no elevador.
Sua boca secou e seus dedos trêmulos responderam a mensagem com um simples “bom almoço”, por mais que tivesse confiança no Uchiha, o medo de ser enganada mais uma vez gritava em sua mente, olhou seu próprio reflexo na grande vidraçaria fumê espelhada ao lado e suspirou, seu rosto estava pálido, pegou um espelho dentro da bolsa e passou um batom claro, dando mais cor ao rosto.
Respirou fundo e guardou o celular no bolso do jeans claro indo em direção a entrada do restaurante, evitaria ao máximo pensar em Sasuke e no que acabara de ver, precisava se concentrar em seu futuro profissional naquele momento, depois resolveria seus problemas com Sasuke.
— Senhorita Haruno? – Foi abordada antes mesmo de chegar à porta do restaurante por um rapaz alto, vestindo um terno que ela tinha certeza ser caro, cabelos grisalhos e olhos castanhos, era Tsume Hidan.
— Senhor Tsume? – Questionou fazendo-o sorrir e ela se viu admirando o sorriso do rapaz.
Não era cega e muito menos fingiria ser, mesmo que fosse comprometida, Tsume Hidan era lindo e quem não concordasse, poderia ter certeza que tinha um parafuso a menos.
— Hidan, apenas. – Ele riu e ela o acompanhou pegando na mão estendida.
— Apenas Sakura, então.
— Que tal entrarmos? Creio que temos muito a conversar.— Hidan perguntou educadamente apontando para o restaurante quando suas mãos se soltaram.
— Claro. – Concordou dando um passo em direção ao seu destino, sendo seguida de perto pelo Tsume.
Aproximaram-se do Maître e o homem ao seu lado falou seu nome e o horário da mesa reservada enquanto o jovem rapaz olhava atentamente no tablet em suas mãos, enquanto Hidan concentrava-se no rapaz, seus olhos correram pelo salão em busca de uma cabeleira ruiva e outra negra, bufou quando não encontrou nada. Concentre-se Sakura! Ralhou consigo mesma quando o Maître disse para segui-lo.
Sentiu seu corpo tencionar quando a mão de Hidan foi para a base de sua coluna abaixo de sua cintura, lembrando-a de como Sasuke tocava Karin daquela mesma maneira minutos atrás, mas manteve ali, deixando o Tsume a levar atrás do rapaz. Sentiu o sangue fugir de seu rosto quando viu que sua mesa seria duas mesas depois da de Sasuke, que ria com algo que Karin havia falado e agora lhe encarava surpresa.
É, talvez ela não estivesse preparada para vê-la ali, muito menos Sakura para vê-los juntos, mas concentrou-se apenas em Hidan, que afastou sua mão de seu corpo e puxou a cadeira para ela sentar e sentou-se a sua frente, sem conseguir evitar, seus olhos caíram sobre a mesa de Sasuke, que agora lhe olhava intrigado. Merda!
— Gostaria de um vinho? – Hidan perguntou olhando a carta de vinhos, atraindo sua atenção.
Uma tequila, por favor! Sentiu vontade de falar, mas guardou para si apenas confirmando com a cabeça enquanto o homem de cabelos grisalhos pedia um vinho tinto, que ela nem se dignou a gravar o nome, ao garçom que os atendia.
Sentiu seu celular vibrar em seu bolso e o pegou, abriu a mensagem e suspirou.
“O que está fazendo aqui? Ou melhor, quem é esse?”. A pergunta de Sasuke fez seu estômago embrulhar, pois ela sabia que ele também não a queria ali, suspirou e colocou o celular no silencioso e o guardou na bolsa.
— Desculpe se eu for inconveniente…— Hidan começou desviando os olhos do Menu e lhe encarando com aqueles olhos castanhos, que Sakura tinha quase certeza que tinha coloração arroxeada em suas íris. – Mas a senhorita é uma moça muito bela.
— O-Obrigada. – Respondeu sentindo suas bochechas corarem, pois sabia que o elogio havia sido sincero e sentia que Sasuke a fuzilava com os olhos.
— Não se sinta envergonhada…— O Tsume falou dando um sorriso galanteador. – É apenas a verdade, mulheres como a senhorita deveriam ser elogiadas diariamente.
Agora foi sua vez de morder o lábio inferior e pegar a taça de cristal que havia sido preenchida por vinho tinto a sua frente, levou aos lábios e sorveu um pouco do líquido. Sim, ela concordava, tanto que era elogiada diariamente, seja por mensagem ou pessoalmente por seu noivo.
— Concordo e meu noivo também. – Foi sutil ao alertar que era comprometida, precisava que Hidan recuasse um pouco com os gracejos, porque isso não a deixava confortável.
— Compreendo…— Hidan pareceu ter entendido suas palavras e isso a fez sorrir simpática, ele era um homem bonito e educado, sabia que não insistiria em tentar dar em cima dela. – Ele é um homem de sorte, então.
Eu não teria tanta certeza! O pensamento passou por sua cabeça enquanto tomava mais um gole do vinho.
— Conte-me um pouco de seu projeto, senhorita. – Hidan pediu após fazerem o pedido de seus pratos e ele realmente pareceu interessado.
**
Aquele dia estava cheio de surpresas, em sua opinião. A primeira delas havia sido Karin, aparecendo em seu escritório para a reunião que ele havia marcado com a ruiva e ela realmente chegou no horário, a segunda foi ela ter lhe chamado para almoçarem e conversarem a respeito do novo projeto que o moreno queria que ela ficasse a frente, pois confiava em seus serviços.
A terceira, e a mais surpreendente de todas sem dúvida, havia sido encontrar Sakura, sua noiva, no mesmo restaurante que ele e Karin, sua ex-noiva, com outro e ser ignorado completamente por ela.
Ele queria saber quem era aquele cara e o que Sakura fazia ali com ele, nunca fora do tipo de homem curioso, e nem ciumentos, mas desde que Sakura entrou em sua vida, parecia que isso havia mudado, ele tinha curiosidade sobre tudo que envolvia a Haruno e isso era desgastante, por mais que tentasse desviar os olhos da terceira mesa após a sua, estava sendo bem difícil.
— Uau, jamais pensei que a encontraríamos aqui e ainda mais com outra pessoa. – As palavras de Karin atraíram sua atenção, rapidamente pegou o vinho a sua frente e o engoliu por completo ouvindo uma reclamação da ex-noiva. – Não beba muito idiota, a última coisa que você precisa agora é ficar bêbado.
Apertou o celular entre os dedos e mandou mais uma mensagem, sendo ignorando mais uma vez, já que parece que o celular da mesma nem tocou, isso significava que ela não queria ser incomodada.
— Meu Deus Sasuke, pare de encará-la, isso já está ficando assustador. – Karin falou soltando um leve rosnado enquanto revirava os olhos.
Ele estava pouco se importando se estava ficando assustador ou não, sua noiva estava conversando animadamente e distribuindo sorrisos com outro homem a poucas mesas de distância e ela parecia ignorar totalmente sua existência. Não que fosse errado, só que ele estava confuso, não conhecia o rapaz e não estava gostando do jeito que ele olhava para sua noiva.
Quando menos percebeu já levantava a mão chamando o garçom que logo se aproximou, pediu emprestado um pedaço de papel, mesmo sem jeito o garçom lhe forneceu, anotou no pequeno pedaço e pediu que ele entregasse na mesa de Sakura após lhe dar uma gorjeta pelo serviço.
— Você se tornou um louco obsessivo. – Karin riu balançando a cabeça em negação. – E eu não acredito que vivi para ver isso.
A ruiva estava feliz em ver o amigo feliz, até porque, apesar de tudo o que viveram juntos, se tornaram grandes amigos, sua raiva de Sakura havia sido superada e ela se sentia uma pessoa mais madura e pé no chão, quando Sasuke a disse que estava noivo de Sakura, não foi uma grande surpresa, por isso, desejou muitas felicidades.
Ver Sakura almoçando com outro homem, muito bonito por sinal, havia a surpreendido, não sabia e nem queria saber o que ocorria na mesa, mas esperava que não fosse nada que pudesse destruir seu amigo, pois sentia um imenso carinho pelo Uchiha, mas vê-lo tão agitado só por causa disso, lhe trazia muita alegria para seu coração também, já que Sasuke era tão fechado, e odiaria vê-lo voltar a se fechar para as pessoas.
Concordava que Sakura fez o que muitos acharam impossível, inclusive ela, que era Sasuke se abrir para o mundo, mas a Haruno tinha um enorme poder sobre o Uchiha, mesmo sem saber disso.
Arqueou a sobrancelha quando o viu anotar “por favor, responda-me nas mensagens”, e sentiu vontade de rir, rir não, gargalhar, mas conteve-se tentando manter-se de bico fechado, o que não deu muito certo, já que a risada anasalada escapou atraindo sua atenção.
— O que foi? – Sasuke questionou arqueando a sobrancelha para a ex-noiva que ria.
— Nada, nadinha! – Ela respondeu dando os ombros.
Ele era um imbecil e não conseguia perceber o quão controlado por Sakura ele era, isso a fez rir voltando para seu almoço, que tinha que ressaltar que estava delicioso.
Bufou alto ao notar que Sakura apenas leu o bilhete e o guardou no bolso da calça, o homem a sua frente perguntou o que era ela apenas disse que não era nada importante.
**
— Uma comitiva com os médicos sairão daqui três dias antes de começar o congresso, para se acomodarem, os meses serão distribuídos pelos países da Europa e pode ser que possamos nos estender para a América no Norte, não sabemos ainda – Hidan explicava como seria a viagem cautelosamente, Sakura não seria a única do hospital que trabalhava que iria, havia outro médico que a acompanharia e isso a deixava aliviada. – O itinerário oficial até o momento são as cidades de Berlim, Paris, Madri, Lisboa, Roma e Bruxelas, a cada mês será uma dessas cidades, se tudo ocorrer antes do prazo, pode ser que passemos em Londres, por dois dias.
O itinerário seria longo e pelo que Hidan falava, a cada cidade, totalizando seis, uma por mês, deveria ocorrer no mínimo cinco palestras com futuros investidores, o Tsume havia deixado claro que ele era o responsável por tudo, desde as hospedagens e passagens de avião, ao carimbo de passaporte até as marcações de horários e dias das palestras, que a única coisa que Sakura precisava se preocupar era montar o material para apresentação.
Teriam tempo de lazer também, onde poderiam visitar os pontos turísticos das cidades, aproveitar a comida e principalmente, relaxar. Todos os gastos seriam custeados pelo hospital, o que era um alívio, pois Sakura não teria como custear uma viagem daquela nem em outra vida.
— A imprensa soltará a matéria sobre os médicos que representarão o país sairá ainda essa semana…— Hidan falou e algo em sua mente estalou, fazendo-a se recordar de um ponto importante.
Sem querer, sua mente viajou para a mesa a poucos metros da sua, ainda não tinha tido coragem e nem sabia como falaria sobre o assunto com Sasuke, as coisas ultimamente estavam difíceis, quando chegava em casa estava cansada demais para conversar ou o Uchiha, quando dormiam juntos, já estava em seu décimo sono, fazendo-a perder a coragem de chamá-lo para conversarem.
Já com sua família, a única pessoa que sabia até o momento eram seus pais, que haviam apoiado qualquer decisão que tomaria, deixando-a surpresa, pois jamais pensou que receberia o apoio deles tão rapidamente, ainda mais com o casamento de Naruto, que ela havia sido convidada para ser madrinha, que aconteceria dali sete meses.
— Eu queria falar com você sobre isso. – Pediu abandonando os talheres e tomando um gole de vinho, precisava adiar um pouco mais aquele anúncio, pelo menos até ter coragem para conversar com Sasuke e com sua família.
— Hum? – Hidan lhe encarou realmente interessado, isso só a fez morder o lábio inferior.
— Eu… Vou ao toillet.— Falou tirando o guardanapo do colo e levantando-se, pegou sua bolsa e sem esperar uma resposta rumou em direção ao banheiro.
Precisava se acalmar, toda aquela tensão estava começando a desestabilizá-la e a última coisa que ela precisava naquele momento era mostrar que não estava segura o suficiente para realizar seu sonho. Entrou no local bem-arrumado, limpo e arejado e foi direto para uma das cabines, onde se sentou no vaso e pegou o celular, ignorando as mensagens de Sasuke e mandando uma para a única pessoa que poderia lhe aconselhar naquele momento, Naruto.
“Preciso de um conselho”, mandou rapidamente recebendo uma resposta do primo e, pela primeira vez desde que o Uzumaki teve conhecimento da tecnologia, agradeceu por ele não tirar o celular da mão.
Explicou toda a situação para o Uzumaki de forma rápida, e após receber um enorme parabéns, ele lhe aconselhou da maneira que ela sabia que o faria: “Não adie mais, fale com ele está noite, deixa de ser covarde, ele não vai fugir, ele não é tão idiota assim para te perder, ele não é o Gaara.”.
E como sempre, Naruto sempre sabia o que falar e como falar, mas antes que pudesse sair da cabine uma voz conhecida atraiu sua atenção, não queria parecer uma mulher fofoqueira, mas foi inevitável não ficar quieta e ouvir a conversa.
— Sim, estamos almoçando, tínhamos alguma coisa para resolver. – Era Karin e ela falava com alguém no celular de forma despreocupada. – Não, ele estava viajando, não tocamos no assunto, mas acho que vamos reatar sim, sempre fomos loucos um pelo outro, isso não mudaria, não importa quanto tempo fiquemos afastados…
De quem a ruiva falava? Será que era de Sasuke? Pelo teor da conversa, tudo apontava que sim, por mais que sua mente gritasse para não tirar conclusões precipitadas, estava bem difícil quando se presenciou coisas que não queria.
— Ele encontrou um lugar lindo quando passou esses quinze dias fora, talvez no final do mês ele vá me levar para conhecer…— A Uzumaki parou de falar um instante antes de retornar após soltar uma risada. – Claro que não, Sasuke tem um olho crítico para esse tipo de coisa, ele não me pediria para conhecer se não fosse um lugar realmente bom, dizendo ele que é um lugar bem família e eu confio nele.
Sentiu seu estômago embrulhar e o filé flambado de conhaque quase retornar, por um momento pensou que poderia ter sido apenas um engano, mas pelo jeito que Karin falava, a única enganada ali era a ela. Não conseguia acreditar que Sasuke tinha lhe enganado como todos os homens que passou em sua vida!
— Nos sabemos que para ele é apenas um joguinho de puxar, quando todos menos esperar meu anel de noivado vai estar sambando em meu dedo anelar novamente, eu o conheço.
Sentiu vontade de sair correndo dali, mas não tinha forças para se levantar, queria chorar, mas nem para isso estava tendo coragem, estava em choque com tudo o que ouviu, Karin falou mais alguma coisa que ela não prestou atenção porque sua cabeça naquele momento rodava. Não soube quanto tempo ficou ali, mas quando saiu da cabine e se olhou no espelho agradeceu por estar sozinha.
— Você não vai chorar, entendeu? – Falou para si mesma enquanto retocava o batom e o rímel, tirando a palidez que havia tomado conta de seu rosto por causa de Karin. – Você vai voltar para aquela mesa e terminar tudo o que começou.
Voltando a postura de mulher segura de si, saiu do banheiro e foi em direção a mesa, onde ela podia ver uma grande taça de sorvete com caramelo a sua espera, deu um sorriso de agradecimento a Hidan, que achava apenas que ela havia agradecido o gesto, mal sabendo o quanto ela adorou ver aquele doce ali, a única coisa que ela precisava naquele momento era daquilo, para esfriar a cabeça.
— Desculpe pela demora. – Falou pegando a colher e levando ao doce.
— Espero que não se incomode com meu pedido. – Hidan falou educado e ela deu um sorriso, fazendo-o sorrir aliviado. – O que queria me pedir?
— Oh, sim, não era nada. – Resolveu não pedir para adiar mais nada, a conversa de Karin no banheiro havia sido bastante esclarecedora.
A conversa com Hidan havia sido agradável, havia descoberto coisas bem interessantes do mesmo. O Tsume era um homem religioso, mas que sabia bem diferenciar isso da vida médica, que ele seguia, mas ficava mais com a parte burocrática do que com a ação, como ela, o rapaz havia ganhado, junto a um amigo, um patrocínio enorme para implantar um projeto de reimplantação de membro amputado usando uma fibra parecida com nervos, que havia sido consideração uma grande inovação médica e cirúrgica.
— Eu posso levá-la para o hospital. – Hidan falou quando estava se levantando, após o mesmo ter pago a conta.
— Não precisa se preocupar, eu posso pegar um táxi. – Realmente aquela era a melhor opção, porque precisava de um momento para pensar em tudo o que ouviu no banheiro.
— Faço questão, Tsunade me mataria caso acontecesse algo com sua pupila. – Hidan riu e ela o acompanhou quando pararam em frente ao manobrista.
Até poderia ser verdade e por mais que a companhia do Tsume fosse realmente agradável, ela precisava de um tempo para colocar a cabeça no lugar e pensar em tudo o que estava acontecendo naquele dia, afinal, ela ainda tinha um noivo ou era enganada por seu suposto noivo?
— Sakura! – E aquela voz a suas costas fez toda a sua pele se arrepiar, lentamente virou-se e o encontrou ali, parado com as mãos dentro do bolso da calça social vestido num terno preto que caia perfeitamente combinando com a gravada azul escura e a camisa social branca.
Uchiha Sasuke era um delírio para os olhos, mas naquele momento, sua vontade era de lhe estapear, e ela só aumentou ao notar Karin vindo logo atrás entretida em seu celular. Sasuke encarava Hidan, que estava ao seu lado, intensamente.
Sasuke não desviou os olhos da mesa de Sakura nem por um segundo, viu quando ela saiu e depois retornou, mas a expressão estava abatida, os risos estavam mais forçados e seu corpo estava tenso, como naquele momento. Quando eles saíram, não pensou duas vezes antes de segui-los após pagar a conta.
— O conhece? – O homem que acompanhava Sakura deu um passo para perto da mesma e questionou, isso só fez seu sangue ferver.
— Sim, esse é meu noivo, Uchiha Sasuke. – Sakura respondeu com hesitação, o que fez Sasuke arquear a sobrancelha, o que estava acontecendo ali? – Sasuke, esse é Tsume Hidan, representante legal dos médicos japoneses no exterior.
— Muito prazer, senhor Uchiha. – O homem estendeu a mão em sua direção e Sasuke apertou. – Espero que esteja feliz por sua noiva por ela ter conseguido essa oportunidade tão preciosa.
Porra! Foi o pensamento de Sakura quando Sasuke a encarou confuso, Karin parou de mexer no celular e lhe encarou e Hidan apenas sorria, sem se dar conta que havia acabado de ferrar com seu plano de falar com Sasuke calmamente.
— Do quê você está falando?
Representante dos médicos japoneses no exterior? Oportunidade tão preciosa? Mas que merda aquele cara estava falando?
Fale com o autor