Muito Bem Acompanhada
30 Capítulo Trinta
Notas iniciais
“Muito Bem Acompanhada”
CAPÍTULO TRINTA
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No capítulo anterior:
— Sakura! – E aquela voz a suas costas fez toda a sua pele se arrepiar, lentamente virou-se e o encontrou ali, parado com as mãos dentro do bolso da calça social vestido num terno preto que caia perfeitamente combinando com a gravada azul escura e a camisa social branca.
Uchiha Sasuke era um delírio para os olhos, mas naquele momento, sua vontade era de lhe estapear, e ela só aumentou ao notar Karin vindo logo atrás entretida em seu celular. Sasuke encarava Hidan, que estava ao seu lado, intensamente.
Sasuke não desviou os olhos da mesa de Sakura nem por um segundo, viu quando ela saiu e depois retornou, mas a expressão estava abatida, os risos estavam mais forçados e seu corpo estava tenso, como naquele momento. Quando eles saíram, não pensou duas vezes antes de segui-los após pagar a conta.
— O conhece? – O homem que acompanhava Sakura deu um passo para perto da mesma e questionou, isso só fez seu sangue ferver.
— Sim, esse é meu noivo, Uchiha Sasuke. – Sakura respondeu com hesitação, o que fez Sasuke arquear a sobrancelha, o que estava acontecendo ali? – Sasuke, esse é Tsume Hidan, representante legal dos médicos japoneses no exterior.
— Muito prazer, senhor Uchiha. – O homem estendeu a mão em sua direção e Sasuke apertou. – Espero que esteja feliz por sua noiva por ela ter conseguido essa oportunidade tão preciosa.
Porra! Foi o pensamento de Sakura quando Sasuke a encarou confuso, Karin parou de mexer no celular e lhe encarou e Hidan apenas sorria, sem se dar conta que havia acabado de ferrar com seu plano de falar com Sasuke calmamente.
— Do que você está falando?
Representante dos médicos japoneses no exterior? Oportunidade tão preciosa? Mas que merda aquele cara estava falando?
**
O clima estava ficando cada vez mais pesado, Sasuke estava com os olhos fixos em Sakura, como se pedisse uma explicação do que estava acontecendo, Sakura estava com os olhos fixos em Karin, que parecia estar alheia a tudo enquanto mexia no celular de novo e Hidan estava parado ao lado da Haruno, como um abutre.
— Sua noiva, senhor Uchiha, além de uma mulher linda, é uma médica extraordinária. – Se o clima antes estava pesado, agora Sakura tinha certeza que dava para cortar com uma faca, já que Sasuke agora encarava o Tsume com interesse e até mesmo, um pouco de raiva misturado com orgulho. – O senhor é um homem de sorte.
— Eu sei disso. – Sasuke falou tão orgulhoso disso que quase a fez esquecer-se do que ouviu no banheiro saindo da boca de Karin.
Sasuke a encarava tão intensamente que Sakura achava que ele poderia engoli-la ali, naquele instante, todos à sua volta pareciam ter sumido e restado apenas os dois. A intensidade de Sasuke a assustava ao mesmo tempo em que a acolhia tão bem, havia horas que sentia vontade de arrancar a roupa do Uchiha e fazer loucuras com ele onde quer que estivessem, em outros momentos sentia vontade de estapeá-lo e, naquele instante, era a última opção.
Sakura conseguia deixá-lo louco, não sabia como ou porque, mas a Haruno tinha um poder sem igual sobre ele, desde que ela entrou naquele restaurante ela havia o puxado para si, sem perceber, não conseguia tirar os olhos dela e muito menos acalmar a vontade de ir até ela e lhe beijar, como sempre fizera, mas algo o repelia e ele tinha certeza que era a própria causadora dessas vontades.
Os olhos verdes de Sakura passavam de Sasuke para Karin e a conversa no banheiro voltava a martelar em sua cabeça a ponto de começar uma pequena enxaqueca, não estava preparada para encarar aquela situação naquele momento, já que tinha várias coisas para resolver aquele dia e ainda tinha que completar um plantão de cinco horas, a pedido de Tsunade.
— Sakura, ainda vai querer carona? – Hidan chamou após um tempo em silêncio.
— Sasuke, podemos conversar mais tarde? Estou atrasada. – Pediu vendo o noivo arquear a sobrancelha em confusão.
— Eu posso levá-la para o hospital, se você quiser. – Sasuke falou se aproximando, ignorando totalmente Karin e Hidan, que agora assistiam à interação deles.
Por mais que fosse tentador, pois poderia matar dois coelhos numa cajadada só: conversar com Sasuke sobre sua estadia por seis meses na Europa e falar de Karin, mas não estava pronta, precisava se afastar um pouco e pensar, sua cautela a alertava, ela estava se entregando rápido demais, aliás, ela já estava afogada naquele mar de sentimentos e não queria ser salva.
— Não precisa se preocupar, Hidan irá me levar, ainda temos que resolver algumas coisas e eu não quero atrapalhar seu almoço com sua ex.— A última palavra saiu amarga acompanhada de uma careta, que não passou despercebido por Sasuke, que segurou sua mão quando tentou se afastar.
— Você nunca atrapalha e sabe disso. – Sasuke segurou um pouco com mais força a mão de Sakura quando ela tentou tirar do contato com a sua. O que estava acontecendo ali?
— Vamos deixar para conversar depois, ok? – Sakura pediu apertando a mão de Sasuke, ela realmente precisava disso.
Vendo que Sasuke não ia responder, ela apenas deu as costas e foi em direção ao carro estacionando mais a frente, segurando a vontade de olhar para trás, naquele momento ela queria um pouco de distância, mesmo que para isso tivesse que pegar carona com outro cara.
Sasuke ficou observando Sakura entrar no carro de Hidan quando ela poderia ter ido com ele sem hesitação, mas uma coisa ainda martelava em sua cabeça: o que Sakura estava pensando sobre aquele almoço com Karin? Será que a Haruno achou que eles estavam tendo um almoço romântico?
Esse pensamento o deixou com raiva, porque por mais que tentasse mostrar a Sakura que ela era a mulher que ele queria, a desconfiança e a insegurança sempre tinham mais forças do que suas palavras e isso era horrível.
— Ei Romeu… – A voz de Karin atraiu sua atenção e apesar de estar com raiva, a fitou. – Dá um tempinho para ela, mais tarde vocês vão conversar e resolver qualquer mal-entendido.
Karin tinha razão, quando conversasse com Sakura, poderiam resolver qualquer mal-entendido e tudo ficaria bem. Pelo menos era isso o que ele esperava.
A Uzumaki conseguia ver a aflição no rosto de Sasuke, por mais que fosse adorar dizer que ele estava agindo como um adolescente que não sabia lidar com seus sentimentos, sabia que era um momento complicado, o Uchiha nunca tinha sentido algo assim, era a primeira vez, nem mesmo com ela o moreno havia agido daquela maneira, então ele precisava de um pouco de paciência para saber lidar com todo aquele sentimentalismo.
— Aliás, que história é essa de oportunidade preciosa? – Karin questionou e ele não soube o que responder.
**
Seu corpo caiu pesado sobre a cadeira de seu consultório, pegou o celular e gemeu ao ver a hora, ainda estava vestindo a roupa azul que usava no centro cirúrgico, podia notar algumas manchas de sangue na barra da calça cumprida e o sapato que usava no local, antes branco, agora estava vermelho, se Tsunade a visse daquela maneira com certeza a mataria, mas estava tão cansada que nem reclamaria.
Pegou sua bolsa e foi para o vestiário, onde tirou aquela roupa e colocou as que haviam chegado. Seu plano inicial era apenas para cobrir às cinco horas pedidas por Tsunade, mas faltando apenas trinta minutos para o encerramento delas, uma emergência ocorreu, um adolescente de dezessete anos deu entrada com um aneurisma cerebral ocasionado por pancada, quando se percebeu já amarrava os cabelos e os escondiam na touca rosada com detalhes em azul e entrava em campo.
Era para ser um procedimento rápido se o coágulo não tivesse rompido, forçando-a abrir o crânio do garoto. Uma cirurgia feita em no máximo uma hora, através da virilha, passou há durar oito horas, era para ela ter saído às dezenove horas da noite, mas estava saindo às três e meia da manhã, exausta e com o corpo dolorido. Até pensou em ir direto para sua casa, mas resolveu mudar o trajeto para um mais rápido, pois sabia que poderia adormecer no táxi e isso não era uma boa ideia.
O porteiro do prédio de Sasuke já a conhecia bem e também sabia dos horários loucos que a Haruno tinha, tanto que nem se preocupou em anunciar sua chegada, apenas deu-lhe um sorriso reconfortante enquanto ela entrava no elevador.
O apartamento de Sasuke, como sempre, estava bem organizado e silencioso, pela escuridão Sakura constatou que o moreno já estava dormindo, já que tinha algumas vezes que ela chegava e o encontrava trabalhando na sala. Retirou o casaco e os sapatos e foi direto para o quarto, mordeu o lábio inferior ao vê-lo deitado de bruços enquanto os braços estavam debaixo do travesseiro apenas com uma cueca box preta. Sasuke era lindo, em todos os sentidos.
Foi para o banheiro antes que desistisse de tomar banho e deitasse ao lado do Uchiha para poder, finalmente, ter o sono dos justos. Após um longo banho, vestiu uma calcinha boxe e uma camisa do Uchiha e deitou-se ao seu lado depois de desligar o celular, para sua sorte, teria vinte e quatro horas de descanso e essas vinte quatro horas seriam bem utilizadas dormindo.
Foi inevitável soltar um longo suspiro de satisfação quando seus olhos se fecharam quando seu corpo relaxou sobre o colchão confortável de Sasuke, um braço forte circulou sua cintura e a puxou conta um peito definido, fazendo o cheio de o Uchiha invadir seu nariz, fazendo-a sorrir, ela amava dormir com aquele cheiro, aquele calor.
— Sakura… – O sussurro rouco de Sasuke invadiu seus ouvidos, mas como já estava quase dormindo respondeu apenas um “hum”, como se pedisse para ele continuar, mas nem sabia se ele estava realmente acordado. – Eu amo você.
E o cansaço lhe consumiu e Sakura apagou, se entregando ao sono.
**
Quando acordou aquela manhã, Sakura tinha a metade do corpo sobre o seu, suas pernas estavam enlaçadas e seus braços apertavam o corpo da Haruno sobre o seu, ele teria rido se não estivesse atrasado para a primeira reunião do dia, Sasuke sempre dormia demais quando tinha Sakura em seus braços. Até tentou chamar a mulher, mas recebia de volta apenas resmungos, que o fazia rir, desistiu.
Quando tomou seu banho, se arrumou e fez um café da manhã caprichado para a noiva, a encontrou na mesma posição que a havia deixado, abraçando seu travesseiro, não sabia o horário que Sakura havia chegado e pelo sono profundo acreditava que havia sido tarde, pois quando se deitou já passava de uma hora da manhã.
Até pensou que Haruno fosse para a própria casa depois que passou das vinte e duas horas, mas acordar quase cinco da manhã com ela em seus braços, foi realmente uma surpresa, uma ótima surpresa.
Aproximou-se e se abaixou dando um rápido beijo na testa da noiva que deixou um sorriso escapar quando soltou um rouco e baixo: eu te amo, Sasuke-kun, essas palavras quase o fizeram arrancar a roupa do corpo e voltar para o aconchego daqueles braços, mas antes que pudesse fazer isso, seu celular tocou e no visor o nome de Itachi com uma foto ridícula piscava. Por mais que adorasse se perder naqueles braços, a responsabilidade o chamava.
Passou parte da sua manhã trancafiado na sala de reuniões, até mesmo seu almoço havia sido no local, não teve tempo nem para pegar no celular, quando a última reunião terminou às três horas da tarde, foi quando finalmente conseguiu ir para sua sala, passou boa parte pensando em Sakura, se ela havia acordado e se alimentado, ou se ela ainda estava em seu apartamento, já que as coisas entre eles não estava muito boas.
Passou por sua secretaria e pediu um café antes de entrar em sua sala e espantou-se a encontrá-la ocupada.
— O que está fazendo aqui, Itachi? – Questionou vendo o irmão mais velho virar em sua direção assustado.
— Agora eu não posso mais nem visitar meu irmãozinho? – O Uchiha mais velho soltou dando um passo para trás quando o mais novo foi em direção a sua mesa.
Aquele não era o ambiente de Itachi, já que enquanto Sasuke mexia com as empresas, números e etc., o mais velho preferia fiscalizar as obras, projetos e canteiros, isso ficava nítido se observasse as botas militares, o jeans surrado, a camiseta preta e uma blusa xadrez por cima, enquanto Sasuke ficava com a parte burocrática, Itachi ficava com a ação, esse tipo de tática dava certo, vez ou outra, o mais velho se arriscava no escritório, já que ele fazia parte da diretoria.
— Se você pudesse evitar esse ambiente, você evitaria Itachi. – Salientou enquanto sentava-se em sua mesa e pegava o celular para tirá-lo do silencioso.
Enquanto Itachi fiscalizava um canteiro de obras, uma notícia em um jornal de seus funcionários atraiu sua atenção, nela aparecia Sakura ao lado de Tsunade com uma grande manchete, quando terminou de ler, seu primeiro pensamento foi em Sasuke, pois tinha certeza que o irmão não sabia daquilo, se soubesse, não hesitaria em lhe contar, já que não era uma coisa simples.
Rapidamente pediu para o mestre de obras fiscalizar tudo que ele voltaria depois e demitiria a pessoa que fizesse alguma coisa errada. Nunca precisou ser anunciado e pela primeira vez agradeceu por isso, já que chegou invadindo o escritório do irmão mais novo atrás de todas ou quaisquer chances de ele encontrar aquela reportagem, pois ele tinha certeza que era uma coisa que Sakura queria contar para Sasuke e não que ele descobrisse por uma manchete de jornal.
Por sorte, conseguiu esconder os três jornais que tinham a manchete e a foto de estampada logo na primeira página, foi quando Sasuke entrou e ele teve que esconder os jornais dentro da camisa e da calça, para o caçula não ver.
Contudo, não podia fazer nada se ele visse na internet, Itachi nunca foi muito religioso, mas naquele momento rezava para que Sasuke não acessasse a internet atrás das notícias da cidade, como ele tinha o habito de fazer.
— Fala logo o que você quer, Itachi? – Seria muito obvio se ele suspirasse quando Sasuke deixou o celular sobre a mesa após digitar alguma coisa?
Ele tinha que pensar rápido, não poderia dar muito na cara que estava escondendo algo. Para Sasuke, Itachi era obvio demais, era tão evidente, que chegava a ser cômico, mas claro, como um ótimo irmão mais novo, fingia não notar nada, não queria magoar o ego do mais velho.
— Como esta as coisas com a Sakura? – Itachi sentiu vontade de se socar, esse era um assunto que não era para ser tocado, ainda mais quando tentava evitar falar sobre algo que a envolvia.
Sasuke estava lendo um documento parou na hora, porque aquela era realmente uma pergunta interessante. Como estavam as coisas entre ele e Sakura? Ele não fazia ideia, desde que voltaram de Konoha o tempo juntos diminuiu drasticamente, já que Tsunade sugava o que podia da Haruno e nas poucas vezes que ficavam juntos em seu apartamento ou da noiva, passavam maior parte do tempo dormindo ou fazendo amor.
Talvez eles estivessem tendo um grave problema de comunicação, já que as palavras de Hidan ainda martelavam sua cabeça e ainda não tinham conversado sobre aquilo.
— Não sei. – Respondeu recostando as costas na cadeira enquanto encarava o irmão. – Tem alguma coisa acontecendo e eu não tenho ideia do que é. – Desabafou.
Apesar de ser uma pessoa bem reservada a respeito de seus sentimentos, naquele momento a única coisa que ele queria era um conselho sincero e que fizesse sentido para toda aquela situação e quem melhor para lhe aconselhar se não seu irmão, que sabia bem o que ele estava passando e era casado com uma das mulheres mais complicadas que ele já conheceu?
— Vocês andam conversando? – Itachi puxou como quem não quer nada, seu irmão queria conversar e ele aproveitaria isso para tocar no ponto comunicação.
— Mais ou menos…
— É sim ou não, não tem essa de mais ou menos, Sasuke. – Itachi cortou revirando os olhos, não tinha meio termo, ou eles conversavam ou não conversavam.
— As coisas estão complicadas, tem a empresa, ela no hospital, quase não temos tempo um para o outro, Itachi. – Soltou de uma vez, só agora ele havia percebido que a comunicação com Sakura estava zero desde que voltaram de Konoha.
Itachi compreendia a aflição do caçula, pois teve um momento durante seu relacionamento com Izumi, que ele havia passado pela mesma coisa, a falta de comunicação entre o casal quase acabou com o relacionamento, por este motivo, tinha que aconselhar o irmão para ele não passar pelo que um ele passou, ainda mais depois do que ele descobriu.
— Escute Sasuke, vocês têm que conversar, mas conversar de verdade, sentar só os dois e falar tudo o que vem acontecendo. – Começou remexendo-se na cadeira, tinha que falar de uma maneira que o irmão mais novo entendesse o que ele queria dizer sem levar para outro lado. – Não deixe que a falta de comunicação estrague o que vocês têm.
Sasuke parecia pensar nas palavras de Itachi e realmente era verdade, ele não poderia deixar a falta de comunicação estragar seu relacionamento com Sakura, ainda mais depois do dia anterior, onde foi uma grande confusão e ele tinha quase certeza que a noiva havia entendido totalmente de forma errada seu almoço com Karin, sem falar que o Uchiha ainda estava confuso com as palavras de Hidan, mas a única pessoa que poderia acabar com essa confusão era a própria Sakura.
E ele resolveria aquela situação naquele momento.
Pegou o celular para mandar uma mensagem ou até mesmo ligar para Sakura – já que não sabia se a noiva estava acordada ou não, mesmo se passando das quatro horas da tarde –, contudo, uma mensagem brilhando em seu visor atraiu sua atenção, era de Karin e a Uzumaki nunca lhe mandava mensagem que não envolvesse trabalho.
Arrastou o dedo para o lado e começou a ler a mensagem seguida de um link.
“Escute, se você não se casar com essa mulher, eu mesmo caso, que mulherão da porra que você achou, hein Uchiha?”
— Mas que merda é essa? – Foram as palavras que saíram da boca de Sasuke quando ele leu as letras garrafais da notícia que Karin havia lhe mandado.
**
Geração ouro: Médicos selecionados para representar o país por seis meses no maior congresso global de projetos humanitários.
Respirou fundo ao ler a manchete que piscava na tela de seu celular, segundo Tsunade, aquela meteria só sairia dali uma semana. Quando acordou aquele dia já passava de uma hora da tarde, a mesa que Sasuke havia feito para ela estava posta e ela admirou a atenção do noivo, que mesmo não estando bem, se preocupava com sua alimentação.
Após comer, tomou um banho e voltou a deitar-se na casa de Sasuke, ligando finalmente o celular, até se assustou com as várias notificações em redes sociais que chegou em seu aparelho, chegando a travá-lo por alguns segundos, foi quando ela percebeu ao abrir a mensagem e Tsunade se desculpando, pois a matéria havia sido publicada.
“Dois médicos do Hospital Senju Hashirama foram aprovados para apresentar seus projetos humanitários no exterior por, pelo menos, seis meses. Haruno Sakura e Hatake Kakashi tem projetos voltados para melhoria da saúde, cada um para sua área.
O Drº Hatake tem seu projeto voltado à neurologia, onde ele explora e estuda os efeitos e, consequentemente, a causa do Alzheimer em pacientes patológicos...
(...)
Já a Drª Haruno pretende construir uma área hospitalar totalmente voltada para crianças, onde não serão tratadas apenas doenças, mas tudo que envolve crianças, desde doenças a fatalidades ocasionadas pelo social.
Os dois médicos ficarão por no máximo seis meses viajando por seis cidades de países europeus. Em cada cidade ocorrerá no máximo cinco palestras, onde os doutores salientarão os pontos principais para conseguir capitar doações para seus projetos serem implantados no hospital que já são locados e se bem-sucedido, implantados em outros hospitais.
(...)
Iniciativas nobres como esta que nos faz manter a fé n a humanidade, desejamos boa sorte aos nossos queridos médicos que partem daqui quinze dias, segundo fontes, para começarem a se preparar para esse grande evento…
Fechou o link e discou um número tão conhecido por ela que atendeu logo no segundo toque.
— Eu estou ferrada, a notícia já está na mídia antes que eu pudesse falar com Sasuke. – Choramingou abraçando o travesseiro do moreno.
Como era seu dia de folga, ia aproveitar para fazer uma coisa especial para ela e para Sasuke, para poderem, finalmente, conversarem sobre o que estava acontecendo, pois ela havia percebido que a comunicação entre eles estava quase nula e não estava disposta a deixar que isso os afastasse.
— E daí? Conversa com ele mesmo assim, tenho certeza que ele nem viu, Sakura. – A voz de Naruto soou do outro lado de forma distante.
— Com certeza ele já viu, se não, alguém mostrou. – Gemeu frustrada, ela que queria ter falado primeiro, apesar de ter se sentido incapaz disso. – O que eu faço Naruto?
— Então, todo mundo sabia? – A voz grave e rouca chegou aos seus ouvidos, fazendo todo seu corpo se arrepiar e olhar para a porta, encontrando Sasuke parado com as mãos no bolso da calça social.
Oh! Merda!
Quando leu a reportagem com atenção levantou-se rapidamente, dispensou a secretaria para o restante do dia avisando que não voltaria mais e que ela cancelasse sua agenda, Itachi até tentou questionar o que estava acontecendo, mas ele só tinha uma coisa em mente: conversar com Sakura.
Tinha quase certeza que havia sido multado duas ou três vezes, contudo, não importava, a única coisa que importava era estar em casa, saiu do carro aos tropeços e quase afundou o botão de seu andar tentando fazer o elevador ir mais rápido. Ao entrar em casa procurou Sakura com o olhar, mas ouviu sua voz no quarto, foi quando ouviu a conversa.
— S-Sasuke… – Sakura falou espantada se sentando na cama enquanto o encara.
— Então todos sabiam, menos eu? – Perguntou novamente alisando o queixo enquanto dava um sorriso de escarnio.
Sakura engoliu seco, não era para Sasuke saber daquela maneira. Porra, tudo estava dando errado, levantou-se e encerrou a ligação dando um passo ao Uchiha, que recuou e foi para a sala enquanto bagunçava os cabelos. Era nítido que ele estava nervoso, aliás, ele estava mais do que nervoso, ele estava possesso, não por saber de toda aquela situação por jornal e que todos sabia menos ele, mas por Sakura não confiar nele para compartilhar algo tão importante.
— Sasuke, eu posso explicar. – Falou indo atrás do Uchiha, que agora estava na sala que já tinha tirado o paletó e afrouxava a gravata com uma mão enquanto a outra enchia um copo de uísque.
— Estou esperando. – Rebateu se jogando no sofá após tomar o uísque num gole, fazendo uma careta com o líquido queimar sua garganta.
— Eu ia te contar, ia mesmo… – Sakura sentou-se sobre uma perna ao lado de Sasuke, que fitava a televisão desligada pendurada no painel. – Seria hoje, eu ia fazer o jantar e ia te contar tudo, mas a reportagem sobre o assunto saiu antes…
— Porque não me falou ontem? – Questionou cortando a explicação da mulher.
O pior de tudo aquilo era que Sakura havia tido todas as oportunidades possíveis para lhe contar tudo, mesmo com a vida corrida, mas ela preferiu guardar tudo e excluir Sasuke dessa parte de sua vida, dessa conquista, isso que era o mais doloroso.
— Eu ia, mas te vi com a sua ex e aconteceu tudo aquilo… – Falou passando a mão no cabelo estava planejando conversar com o Uchiha após o almoço com Hidan, mas vê-lo com Karin fez sua coragem ser substituída por raiva e ciúmes. – E você ainda mentiu para mim, dizendo que estava em um almoço de negócios.
Sakura levantou de supetão e colocou uma mão na cintura enquanto a outra bagunçou o cabelo de forma exasperada, sua vontade de se desculpar estava sendo substituída pela raiva de ver Sasuke com Karin e isso não seria bom.
— E eu estava realmente em um almoço de negócios. – Declarou encarando Sakura, que o olhava de cima, ele tinha certeza que ela ia perguntar uma coisa que ele não tinha condições de responder, ainda.
— Com a sua ex—noiva, Sasuke? – Questionou já perdendo a paciência, não estava aguentando mais, foi à mesma coisa com Tayuya, e agora com Karin? – Que tipo de negócios você tem com sua ex?
A pergunta veio e ele simplesmente bufou levantando-se e se servindo mais uma enorme dose de uísque, aquela era uma pergunta que ele não podia responder, não antes estar tudo pronto para finalmente ser revelado.
— Negócios, Sakura. – Falou dando mais um gole do uísque e encarando a mulher que agora ria debochada.
— Engraçado né, você quer que eu compartilhe minha vida com você, mas você não pode compartilhada nada.
O que Sasuke escondia tanto que ela não podia saber? Ela não conseguia entender.
— Isso é bem diferente. – Defendeu-se, era uma coisa que ele não podia revelar, mas logo ela saberia, pelo jeito. – Eu não posso revelar algo que não é meu, Sakura.
Sakura riu com escarnio e negou com a cabeça, pelo jeito as coisas entre ela e Sasuke estavam piores do que ela imaginava, a comunicação já tinha acabado, agora começava a fase de gritos, berros e bebidas, onde ela cansava de tentar descobrir o que Sasuke escondia e ia embora.
— Diferente de você, eu realmente queria compartilhar e comemorar essa vitória com você, Sasuke… – Começou falando sentando-se no sofá fitando-o em pé, bebendo seu uísque. – Eu só não sabia como, porque são seis meses longes, não seis dias ou semanas, eu estou indo para outro continente.
— Eu sei… – Sasuke falou sentando-se na poltrona ao seu lado colocando os cotovelos nos joelhos e encarando seu copo.
Não houve mais conversas, Sasuke ficou concentrado no copo em sua mão e Sakura ficou encarando o pequeno arranjo na mesa de centro de vidro, cada um perdido em seus pensamentos.
— Quando você vai? – A pergunta de Sasuke soou baixa e Sakura o fitou.
Deus! Como sentia vontade de chorar. Sasuke não lhe olhava e isso era doloroso. Seu maior desejo era que aquele relacionamento desse certo, ela pediu tanto para que tudo fosse perfeito, foi a primeira vez que ela pediu, verdadeiramente, que aquele amor durasse, mas parecia que o destino e Deus estavam empenhados em mostra-lhe que ela não havia nascido para amar e ser amada.
Ela se sentia destruída, não estava pronta para acabar com aquilo que ela mais amava, mas sabia que se fosse necessário, ela teria que fazer.
— Talvez daqui quinze dias, não sei ainda. – Ela respondeu baixo com a voz cansada e levemente trêmula.
Como a vida era injusta. Quando ele finalmente consegue ter a mulher de sua vida em seus braços, vem o destino querendo lhe tomar. Seria irônico se não fosse trágico, Gaara a havia deixado ir pelo mesmo motivo, ela tinha que tomar uma decisão e o Sabaku No a deixou ir, contudo, ele não era o ruivo. Sasuke não teria coragem de deixa-la ir, principalmente agora que a tinha em sua vida, do jeito que sempre desejou.
Sakura sabia que Sasuke não ia responder nada, ele estava concentrado pensando em alguma coisa, ele precisava de espaço e ela daria, levantou-se e foi em direção ao quarto, iria para sua casa. Ficou mais dois minutos encarando o resto do líquido em seu copo antes de entorná-lo e ir para o quarto, havia se decidido.
Sakura estava de costas para a porta guardando algumas coisas na bolsa. Ela era linda e era sua noiva, não ia abrir mão da Haruno tão facilmente. Sakura ficava perfeita descalça vestindo uma camiseta sua que batia no meio de suas coxas, cabelos bagunçados e rosto limpo de maquiagem. Ela era a mulher mais bela e perfeita do mundo, porque além de tudo aquilo, era atenciosa, prestativa, inteligente e humanitária. Ele tinha muita sorte e não a deixaria ir, nunca.
Ela sabia que era observada, pois além de sentir suas costas queimar podia ver a sombra da silhueta de Sasuke, virou-se para encará-lo, mas surpreendeu-se ao sentir a boca do Uchiha sobre a sua.
O gosto típico da boca de Sasuke misturada ao gosto de carvalho do uísque fez seu corpo se arrepiar, as mãos de Sasuke abraçavam sua cintura tirando-a levemente do chão. Demorou tanto para tê-la em seus braços que não a soltaria, não pensou duas vezes antes de andar até Sakura e beijá-la. Sua boca encaixava perfeitamente na de Sakura, as mãos pequenas estavam em seu cabelo, puxando e exigindo por mais.
Não soube quanto tempo ficaram ali, apenas saboreando a boca do outro com os corpos presos em um abraço, mas quando os pulmões exigiram por oxigênio se afastaram, mas não totalmente, Sasuke voltou Sakura para o chão, fazendo-a parar de ficar na ponta dos pés e colou sua testa na da Haruno enquanto alisava o rosto delicado, ainda de olhos fechados.
— Eu amo você, Sakura, e se você acha que eu vou deixá-la ir facilmente, está muito enganada. – Sasuke sussurrou com a boca quase colada a de Sakura. – Eu vou te apoiar em tudo, mesmo que eu precise te esperar por seis meses, por você, eu esperaria a eternidade.
— Sasuke… – Até tentou falar, mas o Uchiha a calou com os próprios lábios.
— Ainda não terminei… – Sasuke voltou a falar após beijá-la, precisava colocar tudo para fora. – Eu sou, completamente, apaixonado por você, Sakura, quero compartilhar minha vida inteira com você, mesmo sem poder te contar algumas coisas ainda, mas eu prometo te contar tudo quando puder, eu sou louco por você e sempre estarei aqui, então confie em mim, por favor.
Sakura entendia o que Sasuke queria dizer, quando ele descobriu que todos sabiam, menos ele, achou que era porque ela não confiava nele, constatou isso quando a mesma lhe questionou sobre o almoço com Karin, porém, por mais que para Sakura confiar em alguém fosse difícil, algo nela fazia ter plena confiança no Uchiha, mesmo quando sua cabeça lhe testava.
— E Karin? – Perguntou abrindo os olhos precisava ter a certeza de que o que ouviu não era verdade.
— Não temos nada… – Respondeu alisando aquele rosto pequeno e belo, pode notar os olhos verdes da Haruno brilhante, apesar de ainda estarem desconfiados. – Eu só tenho olhos para uma única pessoa e ela se chama Haruno Sakura e se não for você, Sakura, não será mais ninguém.
A única certeza que ela tinha, naquele momento, era que amava e amaria sempre, aquele homem a sua frente, por este motivo, o beijou como se ele fosse sua tábua de salvação.
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