Muito Bem Acompanhada
22 Capítulo Vinte e Dois
Notas iniciais
“Muito Bem Acompanhada”
CAPÍTULO VINTE E DOIS
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No capítulo anterior:
O sol esquentou seu rosto e a brisa balançou seus cabelos fazendo-a cair na realidade, Sasuke não tinha culpa de nada, ele apenas foi arrastado para aquele precipício de confusões por ela. Levantou-se de supetão e correu em direção a casa, abriu a porta da cozinha de forma abrupta assustando os poucos viventes ali e subiu as escadas em dois degraus, abrindo a porta do quarto que dividia com Sasuke, vasculhou o local atrás das coisas do moreno e a única coisa que encontrou foi o vazio.
Caminhou lentamente até o pequeno criado-mudo, onde um pedaço de papel atraiu sua atenção, pegou-o e o leu lentamente, era a caligrafia de Sasuke:
“Desculpe-me não ficar, mas acredito que precise deste espaço e eu lhe concederei. Conversamos em breve. Uchiha Sasuke!”
Sentiu seu coração pesar, ele havia ido embora, ele havia acatado uma coisa que ela havia falado no calor do momento. A vontade de chorar ressurgiu, mas a segurou, virou-se para a porta pronta para sair, mas ao ver Ino parada na mesma, sentiu seu corpo travar.
— Podemos conversar? – A loira pediu com a voz baixa.
**
— Creio que não tenhamos nada para conversar. – Rebateu amassando o bilhete de Sasuke e o guardando. – E no momento estou com pressa.
Pegou sua bolsa e seu celular antes de se voltar para a porta, que agora estava fechada por Ino, que estava parada em frente à mesma, atrapalhando sua passagem.
— Eu queria te contar, Sakura, desde o início eu queria te contar, mas eu tive medo. – Ino confessou se aproximando da prima, que recuou.
— Medo? Você teve medo quando traiu sua prima com o namorado dela? – Sakura questionou debochada enquanto encarava a Yamanaka olhar para o chão. – Você teve medo enquanto se agarrava com o Gaara, Ino? Ou melhor, em algum momento você se lembrou de mim?
Ino sentia-se envergonhada diante das acusações de Sakura, mas ela não podia negar que a Haruno estava certa, em nenhum momento em que ela estava com Gaara, o beijando, o acariciando, eles lembravam-se da prima e que o ruivo era comprometido, a única coisa que eles queria no momento, era se aproveitar, se amar. Só se davam conta do que estavam fazendo quando terminavam, quando a ficha realmente caia que eles estavam traindo a rosada.
— Me desculpe… – Ino começou.
— Não perca seu tempo com desculpas, Ino, eu não me importo! – Falou firme, assustando a Yamanaka. – Isso está no passado, o que importa para mim, é o presente e o futuro. – Caminhou até a porta e a abriu, voltando-se para a loira. – Ah, e não se preocupe, não vou estragar o seu dia perfeito, eu sorrirei como se nada tivesse acontecido e você terá um belo discurso.
Ino não teve tempo de rebater, Sakura simplesmente saiu deixando-a sozinha dentro do quarto. Corria escada abaixo chamando por Naruto, correu até a cozinha e o encontrou recebendo comida na boca dada por Hinata, fazendo-a revirar os olhos com tanta melação.
— Naruto, cadê o Sasuke? – Foi direta.
— E eu que sei? O namorado é teu e não meu. – Naruto respondeu revirando os olhos, recebendo de volta um belo tapa na nuca. – Itai, isso dói.
— Seu idiota, eu estou perguntando por que estou atrás dele, e agora que vocês são amiguinhos que quase não se desgrudam mais, eu achei que poderia saber. – Resmungou olhando para o primo loiro que massageava o local onde foi golpeado.
— Desculpa priminha, queria muito saber, mas essa informação eu não tenho. – Naruto falou suspirando alto, Sasuke e Sakura era um casal muito complicado em sua opinião.
— Eu acho que fiz burrada, Naruto! – Choramingou sentando-se ao lado do casal, fazendo-os se entreolharem. – O que eu faço?
— Vai atrás dele, ué! – Hinata respondeu como se fosse obvio, atraindo a atenção da Haruno. – Sakura, deixa de ser covarde, nem todos os homens são iguais e acredite você não encontrará homem mais perfeito que Uchiha Sasuke.
Encarou a futura senhora Uzumaki e sorriu, se tinha uma coisa que Hinata tinha conhecimento era em não desistir de seus sonhos e desejos, se ela tivesse desistido de Naruto ainda no ensino médio, eles não estariam de casamento marcado e eles não seriam tão felizes como eram. Muitas vezes Sakura chegava a invejar o casal, queria encontrar alguém que a completasse assim como Hinata completava Naruto, muitas vezes sentia que Sasuke era essa pessoa, entretanto, o medo a fazia recuar.
— Você está certa, Hina! – Levantou-se rapidamente e sorridente. – Obrigada.
Não esperou a resposta da Hyuuga, precisava arrumar algumas de suas coisas e voltar para Konoha, se tivesse sorte, conseguiria se encontrar com Sasuke antes dele conseguir um voo de volta para Tóquio, claro, se ele não mexesse seus pauzinhos.
**
Arrumava suas coisas rapidamente, tinha pressa, ainda não tinha decidido como voltaria para Konoha, já que sua carona havia lhe abandonado ali, mas uma coisa era certa, ela voltaria para Konoha nem que fosse a cavalo. Jogava algumas coisas básicas em uma mala pequena, já que sabia que teria que retornar para a fazenda para o casamento de Ino que ocorreria ali. E não, ela não desistiria de participar daquele casamento. Estava tão concentrada em sua tarefa que nem viu a porta ser aberta após receber várias batida.
— Sakura, querida! – A voz suave de sua mãe atraiu sua atenção.
— Hn? – Virou-se para a porta e encarou seu pai e sua mãe lhe olhando, mordeu o canto dos lábios, ainda não tinha encarado o pai firmemente, mas sentia que aquele era o momento para isso. – É… Oi!
O clima no quarto já não era um dos melhores, tanto Sakura quanto seu pai estava sem graças um com o outro, a única pessoa que estava sorrindo alegremente diante daquele clima tenso era a mediadora da situação, Mebuki, que entrava no recinto puxando o velho Kizashi receoso atrás.
— Então, vocês vão ficar calados, olhando um para a cara do outro? – Mebuki questionou quando percebeu que tanto Sakura quanto Kizashi apenas ficavam se olhando, sem falar nada. – Olha, para ser pai e filha, vocês não precisavam se parecer tanto, não acham?
Sakura e Kizashi se entreolharam e desviaram rapidamente o olhar. Ela não sabia o que falar e muito menos como começar a falar, já Kizashi sabia muito bem o que falar, entretanto, não sabia como começar a falar, e toda vez que olhava para a filha, a vergonha batia-lhe a porta.
— Devo confessar que essa briga de vocês demorou para acontecer, nunca vi duas pessoas tão parecidas, guardando as coisas dentro de si até não aguentar mais e explodi… – Mebuki começou sentando-se na cama e encarando os dois com um pequeno sorriso, cruzou as pernas e apoiou as mãos no joelho. – Quando perdemos Sasori, foi um grande golpe, para todos nos, mas principalmente para Sakura, que era tão apegada ao irmão, louca por ele, onde Sasori ia, lá ia aquele pontinho cor-de-rosa atrás, eramos tão felizes, mas uma fatalidade mudou isso.
Mebuki desabafava, falava o que ela nunca falou durante anos, ela já havia guardava aquilo dentro de si durante muito tempo, estava na hora de colocar para fora. Já havia aceitado a morte de seu filho a muito tempo, diferente de Kizashi que ficou visualizando o filho falecido na filha, esperando que ela fizesse o que Sasori não havia tido tempo de fazer.
— Eu fiquei sentada assistindo meu marido ficar reprimido e prender minha filha de todas as maneiras que ele conseguia, chegando a ser insuportável porque eu não podia fazer nada, a não ser encobrir algumas falhas deixadas por ela. – Mebuki confessou dando um sorriso sem graça ao recordar-se da adolescência conturbada de Sakura. – Você, Kizashi, deveria dar graças a Deus por ter uma filha como a Sakura, mesmo em seu momento de rebeldia ela te respeitou, ela sempre esteve ali, tentando a todo custo agradar ao pai, e você, Sakura, quando sentiu-se livre fez algo por si mesma, e isso foi gratificante.
“Vocês deveriam se orgulhar de conseguirem seguir em frente, e Kizashi, querido, confesse logo que você é louco por tudo que envolve a sua filha, que você não faltou nem a sua formatura, mesmo devolvendo-lhe o convite, você estava ao fundo daquele salão, chorando de emoção ao ver sua filha fazer o juramento e ser condecorada. Que você tem o álbum de sua formatura guardado em sua cabeceira da cama. – A matriarca do Haruno falava com a voz emocionada, emocionando não só Sakura, como seu marido. – Confesse logo o quão você morre de orgulho da pessoa que sua filha se tornou.”
O soluço de Sakura ecoou pelo quarto após as palavras finais de sua mãe, que por mais que tivesse suas desavenças a entendia tão bem, muitas vezes, apesar de querer mandá-la para outro lugar, ela sentia que a relação mãe e filha estava incrivelmente presente em sua relação conturbada com a Haruno mais velha, porque, pelo menos, ela se mostrava interessada em sua vida com as brigas, diferentemente de seu pai.
— Não chore, querida! – Mebuki falou levantando e abraçando a filha, que retribuía o abraço de forma apertada.
Por mais que tentasse parar de chorar não conseguia, as palavras de sua mãe havia lhe acertado em cheio, tocando-lhe onde a muito não mexia, em seus sentimentos pela família, principalmente em relação a seu pai e seu irmão. Sasori sempre foi o seu príncipe encantado, preparado para lhe proteger de tudo e de todos, quando ele a deixou de forma tão trágica, pensou que seu pai faria o mesmo que seu irmão, mas foi tudo ao contrário. Sentia-se cada vez mais sufocada em casa, graças ao pai.
— Sakura… Me desculpe por tudo que lhe fiz passar durante esses anos todos… – Kizashi começou receoso, aproximando-se da filha e segurando sua mão enquanto a afastava de Mebuki. – Eu achei que estava acertando, mas no final, percebi o quão errado eu estava, sempre querendo tomar as decisões por você, por um medo meu, se eu pudesse mudar tudo, mudaria num piscar de olhos, minha querida.
— Pai. – Sakura jogou-se nos braços do patriarca, abraçando-o fortemente. – Eu lhe disse tantas coisas horríveis, me perdoe.
Não houve mais palavras, apenas abraços e sussurros de reconforto, Sakura pode finalmente respirar aliviada e apreciar o amor dos pais que ela jamais achou que existia, havia muita coisa a ser conversada e ela não perderia tempo, conversaria sobre tudo com eles, principalmente agora que estavam se acertando.
***
Duas horas… Esse foi o total de horas que ele demorou para retornar a Konoha. Ao chegar a cidade, a sua primeira parada foi em um café para tomar um reforçado café da manhã antes de se deslocar para o local onde ficaria hospedado, em sua nova propriedade em Konoha. Só precisava de algumas coisas para poder dormir bem, já que a casa não estava mobiliada, mas tinha água e energia, que era o mais importante. Havia decido não ficar no hotel, precisava ficar um pouco sozinho e isolado para pensar no que fazer.
Após um café forte e um grande pedaço de torta em uma lanchonete, rumou em direção a sua casa, pensaria nas coisas para dormir mais tarde, agora a única coisa que queria era ficar sozinho e colocar o celular para carregar, pois sabia que havia dezenas de milhares de ligações de Itachi perdida, desde que o aparelho havia descarregado noite passada, após a confusão e a conversa com Gaara.
Encarou o grande casarão estilo vitoriano enquanto se aproximava, parou o carro bem na entrada e deu uma boa olhada ao redor, a casa era boa e grande, entretanto, precisaria passar por alguns reparos para modernização e melhoria da estrutura, o jardim frontal era amplo e com árvores plantadas nos lugares ideais, capturou as chaves que havia recebido antes de viajar com Sakura e rumou a porta de madeira. Abriu e entrou na ampla sala de madeira. Respirou fundo e depois de tanto tempo sem se sentir assim, sentiu-se sozinho novamente. Como na época em que seus pais faleceram.
Procurou uma tomada e colocou o celular para carregar enquanto subia escadas acima com as malas, foi em direção à suíte do quarto, onde Gaara havia lhe mostrado, abriu a porta, para sua sorte, a casa estava bem limpa, já que Itachi havia mandando alguém fazer uma limpeza geral para que os engenheiros, no caso Sasuke, pudessem averiguar com cuidado o que poderia ser modernizado, colocou as malas ao lado da porta e caminhou em direção a varanda, que dava uma bela vista para o grande jardim dos fundos.
Foi quando ele teve mais que uma certeza, quando ele se casasse, seria ali que ele queria criar seus filhos. Respirou o ar fresco do local e desceu novamente, sentou-se no chão próximo ao seu celular e viu as mensagens de chamadas perdidas. U. Itachi (32 chamadas); U. Karin (12 chamadas); H. Suigetsu (15 chamadas); U. Naruto (05 chamadas).
Respirou fundo e antes de poder desligar o telefone para não ser incomodado, o visor ascendeu e o aparelho tremeu em seus dedos: U. Itachi Chamando. Deslizou o dedo no TouchScreen e colocou o aparelho próximo ao ouvido.
— Você está ficando louco, Uchiha Sasuke?— A voz esganiçada e aguda de Itachi chegou aos seus ouvidos, fazendo-o afastar levemente o aparelho da orelha. – Sabe desde quando estou tentando falar com você, seu irresponsável?
Respirou fundo e contou mentalmente até dez, não estava com ânimo para ser repreendido pelo irmão mais velho como se ele fosse um garotinho do ensino médio que estava fugindo da detenção, como fez muito na sua adolescência, e era repreendido por isso, não só por Itachi, como também por Madara e Obito.
— O que você quer? – Perguntou sem paciência, queria ficar quieto, e não respondendo interrogatório de irmão mais velho.
— Onde você está?— Itachi questionou, parecia fadigado.
— Em casa.
— Em casa? Já está em Tóquio?— A voz surpresa do Uchiha mais velho o fez estranhar.
— Não… Em Konoha. – Reformulou a resposta fechando os olhos e encostando a cabeça na parede esticando as pernas. – Na antiga casa dos Uchiha.
Silêncio… Foi o que ocorreu quando as palavras de Sasuke atingiram os ouvidos de Itachi. O Uchiha mais velho sabia que aquela casa tinham mais significado do que Sasuke tinha lhe contando, depois de pesquisar um pouco sobre o passado dos pais, ou seja, após revirar baús e mais baús de fotografias, Itachi achou uma fotografia idêntica a que Sasuke havia lhe mandado para avisar que fecharia negocio.
— Como você soube?— Itachi questionou com a voz mansa, pois ele sabia o quão o irmão mais novo sentia falta dos pais e desde que tomou posse da empresa da família, ainda muito novo, sempre procurou por coisas que eram de Mikoto e Fugaku para guardar e recordar-se dos mesmos.
— Vasculhando. – Confessou.
Sasuke havia descoberto um pouco do passado dos pais atrás de objetos deles que havia guardado em um sótão na casa que morava, quando sentia-se sozinho, se trancava no local e passava horas e mais horas revivendo e mexendo em cada coisa deles, foi quando viu uma fotografia, nela continha Mikoto grávida sendo abraçada por Fugaku com Itachi bem novo ao seu lado, todos com um grande sorriso e atrás, o grande casarão vitoriano.
A fotografia não era datada e muito mesmo havia localização, apenas uma escrita dizendo: Minha família amada. Quando viu a fotografia não deu muita importância, mas quando alguns investidores souberam que ele viria para Konoha, pediu para pesquisar possíveis lugares para investimento, foi quando a casa estava à venda e ele recordou-se da fotografia. Seu desejo, ao visitar e decidir comprar o lugar, foi porque além de ter sido algo que seus pais viveram, era onde ele queria construir uma família com Sakura.
Aquela casa, por mais que não falasse ao mundo, tinha um pouco da história da família Uchiha. Ela havia sido construída por seu bisavó quando ele ainda residia na pequena cidade, que na época estava mais para um vilarejo. Entretanto, o seu avó se desfez da propriedade quando precisou de capital para abrir a empresa, não soube quando foi a última vez que seu pai usufruiu daquele lugar, acreditava que quando ele tirou a fotografia que ele viu. Como a empresa andava com as pernas ruins quando seu pai tomou de pose, acreditava que o velho Fugaku nunca teve condições de reaver a propriedade.
O desejo de comprar algo que foi de sua família para presentear a pessoa que ele amava passou por sua cabeça e isso ascendeu seu coração, ele sentiu que podia e que queria fazer isso, e pela primeira vez em sua vida, ele foi impulsivo e comprou algo para agradar outra pessoa a não ser ele.
— Então você não comprou para a Sakura?— Itachi questionou confuso, não havia entendido a lógica do irmão, mas nem todos conseguiam entender Uchiha Sasuke.
— Não… Eu comprei para ela, Itachi. – Confessou bagunçando os cabelos num ato de nervosismo, pela primeira vez falaria sobre seus sentimentos a respeito de Sakura para alguém. – Quando eu soube que isso representou nossa família de alguma forma, eu comprei para dar esse pequeno fragmento meu a ela, como uma forma de me sentir dela, mesmo que não estivesse junto a ela.
Itachi foi pego de surpresa, porque ele havia entendido o que o irmão mais novo tinha feito. Ele foi impulsivo como nunca havia sido em sua vida, lembrou-se dele mesmo, na época que conheceu Izumi, sua esposa. Quando Itachi conheceu a moça de olhos expressivos e tão segura de si, ele se tornou o homem mais impulsivo do mundo, nunca em toda sua vida havia dado flores a alguém, Izumi foi à primeira. Foi ela que lhe mostrou o que era amor e agora havia construído uma família ao seu lado e ele entendia o que o irmão estava passando.
— Mas para as coisas darem certo, você tem que se acertar com ela.— Itachi soltou como quem não queria nada, atiçando o mais novo.
— E você acha que eu não sei disso? – Sasuke explodiu, aquela situação já estava sendo ridícula, quando ele achava que estava tudo bem, vinha uma montanha de acontecimentos e mostrava que ele estava errado. – Mas eu não posso fazer isso sozinho, ela tem que querer também, ela fica com esse medo ridículo, será que ela ainda não entendeu que eu não sou babaca como os seus ex-namorados? — Desabafou.
Sentia-se frustrado, seu irmão só salientava uma verdade que ele estava mais do que ciente, uma realidade que batia na sua cara a todo instante e ele mantinha-se de mãos atadas, sem saber o que fazer, ou como fazer. Não negava mais, sempre foi louco de amor por Sakura, só não tinha percebido esse sentimento tão forte, com naquele momento.
Soltou um suspiro longo e pesado, sentindo sua cabeça rodar diante dos acontecimentos e da realidade. Queria tanto que Sakura fosse tão segura de seus sentimentos como ele, que ela estivesse no mesmo barco que ele, mas não, até nisso ela se mostrava contraria a ele, era nestes momentos que Sasuke se questionava: Será que valia a pena aquilo tudo? A resposta era obvia, mas assim como Sakura, o Uchiha não era de admitir muito as coisas.
— Eu preciso ir, preciso comprar algumas coisas. – Falou abrindo os olhos e apertando os dedos envoltos no aparelho móvel. – Não fale para ninguém onde estou, preciso de um…
— Tempo para pensar.— Itachi completou sua frase como se soubesse perfeitamente o que o irmão falava.
Encerrou a ligação ao se despedir do irmão mais velho cordialmente e soltou mais um suspiro. Suspirar. Ali um ato que havia se tornado frequente nos últimos dias, meses e até mesmo, anos. Jamais se imaginou suspirando por algo, ainda mais por uma mulher, mas para pagar a língua, lá estava, Uchiha Sasuke, suspirando por Haruno Sakura, tinha certeza que ninguém acreditaria em suas palavras se ele contasse a alguém.
— Você ainda vai me enlouquecer, Sakura! – Confessou bagunçando o cabelo nervoso e levantando-se do chão.
Precisava comprar algumas coisas e organizar outras para sua vazia residência, qual ele ficaria hospedado, pois sabia que assim que botasse os pés no Hotel, não teria sossego e era isso o que ele precisava no momento. Sossego. Saiu de casa deixando para trás o celular, não precisaria do mesmo se tivesse sua carteira.
***
— Bem… Adoraria passar dia nos braços do meu esposo e da minha amada filha, mas infelizmente, precisam de mim na cozinha. – Mebuki confessou após um longo abraço em Sakura. – E você e seu pai ainda precisam conversar, querida.
Não teve tempo de rebater, assim que a senhora Haruno falou, virou-se e saiu do quarto, encarou seu pai e mordeu o canto do lábio inferior, eles tinham trocado algumas palavras, mas ela sabia que aquilo não era o suficiente.
— Minha menina agora é uma mulher tão bem resolvida e especial. – Kizashi falou tocando o rosto da filha, que sorriu e colocou sua mão sobre a do pai. – Me desculpe, a magoei tanto com minha proteção exagerada. Eu tentei tomar suas decisões para que você não crescesse, mas olha só, você virou uma grande mulher, mas sempre será minha menina.
Sentiu seus olhos encherem-se de água enquanto as palavras de seu pai eram ouvidas, sempre sentia que algo impedia uma convivência melhor com seu pai, e uma delas era a superproteção, onde seu pai tomava todas as decisões por ela, tanto que ela fez, durante três torturantes anos, aula de piano e violino, que ela tanto odiava. Isso sem falar de outras coisas que seu pai a obrigava a fazer, uma delas foi à faculdade, mas graças a um pequeno desvio de conduta que ela sempre teve, ela mudou seu destino.
— Oh pai… – Tentou falar, mas seu pai a abraçou forte, fazendo-a chorar mais.
— Sempre tentei fazer com que você se tornasse o seu irmão e suprisse o vazio que ele deixou, esquecendo-me que você tinha seus próprios sentimentos e desejos. – O patriarca desabafou fungando, já que a aquela altura do campeonato já estava chorando junto à filha. – Se eu pudesse voltar no passado, mudaria tanta coisa, minha querida. – Confessou.
Apesar de todas as confusões ou palavras pesadas trocadas, Sakura amava o pai, a mãe e sua família, isso incluía Ino, por tal motivo descobrir que Ino havia ficado com seu ex-namorando enquanto ainda estavam juntos, havia doído mais por ela ser sua família e não uma pessoa estranha.
— Eu sinto tanto orgulho de você, minha pequena flor. – Separou-se da filha, que agora, soluçava de emoção, por mais que odiasse vê-la chorar, era necessário falar tudo o que estava entalado em seu coração durante anos. – Quando eu a vi, subindo naquele palco, fazendo seu discurso solene, ah! Minha querida, foi uma emoção tão grande vê-la se formando em algo que ama tanto.
Foi um clique em sua cabeça. Sempre pensou que seus pais nunca haviam ido a sua formatura, já que o convite que havia mandado para os mesmos, tinha sido devolvido na semana seguinte após o envio, aquilo havia quebrado seu coração, pois sabia que apesar de todas as confusões, ela precisava e sentia a necessidade de ver seus pais ali, ao seu lado diante uma conquista tão importante em sua vida, porque não foi uma simples graduação, foi também suas especializações, foi uma grande batalha conquistada.
Lembrava-se que havia chorado por uma longa semana, tinha chorado tanto, que Sasuke foi à pessoa que cuidou dela quando ela desmaiou por causa da anemia que sofreu, tudo porque achava que seus pais não tinha participado de uma conquista tão importante para ela e nem havia se importado de lhe mandar pelo menos um simples e frio “parabéns”.
— Vocês foram? – Perguntou num fio de voz, tentando conter o soluço.
— Não perderíamos nossa única filha se tornar uma médica, não é mesmo? Confesso que nunca tirei tantas fotos suas na vida. – O velho Haruno riu fazendo a filha rir junto, mesmo chorando. – Meu amor, eu sempre estivesse presente, mesmo você achando que não. Por isso, me perdoe por todas as palavras duras e por fazê-la achar que não estivemos, que não a apoiavamos. – Pediu.
Não respondeu, apenas abraçou o pai como a muito queria abraçar e desabou a chorar, precisava daquilo, aquelas palavras haviam sido tão reconfortantes e preciosas, que ela tinha certeza que jamais esqueceria, eram as palavras que ela tanto havia esperado para ouvir e finalmente ela as ouviu.
— O senhor me magoou muito, me humilhou, me detonou não só uma vez, pai, mas várias, se eu disser que isso não me doeu, mentiria para o senhor… – Começou afastando-se do patriarca, por mais que quisesse, as palavras a tinha machucado, mas ela também sabia que seu pai, era o seu pai.
Ele havia aberto seu coração para ela, estava na hora dela abrir o seu e simplesmente deixar o passado lá atrás e construir uma nova relação com o velho Haruno, por mais que as palavras ainda doessem em seu coração. Limpou as lágrimas que desciam em seu rosto e deu um sorriso voltando a abraçar o mais velho.
— Mas não tenho nada a perdoar, pai. – Admitiu ainda abraçada a seu velho pai. – Só vamos recomeçar. – Pediu.
Ficaram abraçados por um longo tempo, Kizashi fez questão de limpar o rosto da filha com carinho enquanto Sakura apenas sorria com apreciação a aquele carinho. Haviam conversado sobre o hospital, onde Sakura trabalhava, sobre os seus desejos, planos e projetos, Sakura havia contado ao pai sobre sua especialização e que fizera tudo junto, e que ainda não havia decidido por uma área específica, que preferia a especialização geral e que sentia-se feliz com essa escolha.
— Fico feliz que esteja feliz, querida. – Kizashi falou, vendo a filha dar um sorriso feliz, mas acanhado. – Mas sinto que não está tão feliz como gostaria, certo?
Ficou em silêncio, Kizashi parecia ter o dom de ler a sua alma, como ele, também, tinha esse dom. Tanto Sasuke quanto seu pai conseguiam enxergar algo que ela tanto se esforçava em esconder, isso a fazia sentir que estava desprotegida diante dos olhos do pai e do homem que amava.
— Sasuke é um rapaz bom e especial. – O Haruno falou, surpreendo Sakura com suas palavras que agora o encarava com os olhos arregalados. – Sakura, ele a ama, por isso, não perca essa chance.
— Não entendi, pai. – Admitiu confusa encarando o Haruno mais velho, pois estava tão envolvida naquele momento família que tinha se esquecido do que faria ao entrar no quarto.
— Creio que você tem que ir atrás dele.
A ficha caiu, ficou tão envolvida com o desenrolar familiar que esqueceu totalmente do seu plano inicial, ir atrás de Sasuke e se jogar naquele amor como nunca fez em sua vida. Sorriu e abraçou o pai, enquanto ele colocava em sua mão a chave do carro.
— Dirija com cuidado e boa sorte.
Sakura sentiu a emoção tomar de novo o seu corpo quando Kizashi beijou-lhe a testa e saiu do quarto com um sorriso.
**
Entrou no hall do Hotel Konohagakure Palace tão conhecido por ela nos últimos dias. Foi direto para a recepção e sorriu para a mocinha que lhe sorria simpática.
— Boa tarde, estou aqui para falar com Uchiha Sasuke, poderia me informar o quarto? – Pediu simpática, mas, no fundo, estava nervosa.
— Só um instante. – A moça virou-se para o computador abaixo do balcão e minutos depois voltou-se sorridente. – Desculpe Senhorita, mas não tem nenhum Uchiha Sasuke hospedado.
— O quê? – Perguntou sem entender.
— Ele não está hospedado aqui, Sakura. – A voz fina atraiu sua atenção, virou-se e encarou Tayuya, que lhe olhava.
— Tayuya.
— Será que podemos conversar Sakura? – A ruiva falou, encarando-a.
Encarou a ruiva e estranhou, mas, mesmo assim, aceitou, pois estava curiosa para saber o que aquela ruiva vadia queria falar com ela.
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