Muito Bem Acompanhada
23 Capítulo Vinte e Três
Notas iniciais
“Muito Bem Acompanhada”
CAPÍTULO VINTE E TRÊS
***
No capítulo anterior:
Entrou no Hall do Hotel Konohagakure Palace que havia se tornado tão conhecido por ela nos últimos dias. Foi direto para a recepção onde sorriu para a mocinha que também lhe sorria de forma simpática.
— Boa tarde, estou aqui para falar com Uchiha Sasuke, poderia me informar o quarto que ele está hospedado? – Pediu simpática, mas, no fundo, estava nervosa.
— Só um instante. – A moça virou-se para o computador abaixo do balcão e minutos depois voltou-se sorridente. – Desculpe Senhorita, mas não tem nenhum Uchiha Sasuke hospedado.
— O quê? – Perguntou sem entender.
— Ele não está hospedado aqui, Sakura. – A voz fina atraiu sua atenção, virou-se e encarou Tayuya, que lhe olhava.
— Tayuya.
— Será que podemos conversar, Sakura? – A ruiva falou, encarando-a.
Encarou a ruiva e estranhou, mas, mesmo assim, aceitou, estava curiosa para saber o que aquela ruiva vadia tinha para falar com ela.
**
O barulho da piscina era a única coisa que não deixava o silêncio reinar entre as duas mulheres. Olhos castanhos contra olhos verdes-esmeraldas. Pegou o coquetel que o garçom havia depositado sobre a mesa e tomou um gole, era um suco de morango com uma pitada de vodka, até porque precisava de alcool para poder encarar aquela conversa com a Kaguya.
— Creio que não me chamou para ficar olhando na minha cara. – Falou voltando a taça para a mesa, onde depositou e viu a ruiva se acomodar melhor sobre a cadeira.
Não tinha pensado bem no que falar quando chamou Sakura para conversar, só sentiu que precisava, quando deu por si já a chamava para conversarem. Sentia suas mãos suarem ao ser seguida por Sakura até a área da piscina. Sentaram-se em uma mesa afastada da piscina protegidas pelo grande guarda-sol e pediu um coquetel ao garçom, para ver se aquilo lhe dava a coragem que tanto precisava.
— Ele me dispensou. – Soltou de uma vez observando a rosada lhe encarar curiosa.
— Quem? – Sakura questionou arqueando a sobrancelha, por mais que ela soubesse perfeitamente de quem se tratava, mas queria instigar a ruiva a falar.
— Sasuke… Saímos para jantar e tratar de negócios, eu me joguei em cima dele, mas ele me dispensou. – A ruiva levou uma mão até a testa e coçou levemente enquanto fechava os olhos, sentia-se estranha em ter esse tipo de conversa com a Haruno, que nunca teve amizade. – É bem estranho falar isso com você, mas sinto que é necessário.
Sakura teve vontade de gargalhar, mas mantinha-se passível e tentava não rir, porém, por mais que tentasse segurar o riso, ele escapou um pouco, fazendo a Kaguya lhe encarar incrédula. Ela estava lá, se abrindo para a mulher de olhos verdes e ela estava rindo de sua cara, isso era revoltante.
— Eu já sei, Sasuke me contou. – Admitiu tomando mais um gole do drink e encarou Tayuya nos olhos. – Mas até agora não entendi o objetivo desta conversa.
Sabia que a ruiva estava ansiosa e nervosa a sua frente, mas ainda não tinha entendido o motivo real daquela conversa. Sakura não tinha tempo para as ladainhas de Tayuya, tinha mais o que fazer do que ficar ali encarando a ruiva de olhos castanhos de saída de banho com um biquíni negro por baixo.
— Pelo jeito, a conversa não é importante! – O silêncio da ruiva a fez entender que ela não tinha nada a lhe falar. – Eu preciso ir. – Levantou-se e começou a sair da área da piscina.
— Sinto muito… Eu sinto muito, Sakura. – Tayuya falou de uma vez e em bom tom, fazendo com que Sakura parasse onde estava, ainda de costas. – Por tudo, desde o início que eu peguei no seu pé até hoje, eu admito que fui uma pessoa horrível e eu quero que me desculpe.
Virou-se e encarou a mulher de cabelo vermelho que a olhava incrédula, jamais esperou ouvir tais palavras saindo da boca da Kaguya, ainda mais quando ela sempre foi tão vaca consigo. Respirou fundo e coçou a testa confusa, mas assimilando as palavras da outra. Por mais difícil que era, ela não poderia guardar rancor de todos para sempre, isso a fez lembrar-se de Gaara e Ino.
— Não se preocupe, o que passou, está no passado, meu foco agora é o presente e o futuro, e, por favor, arrume um namorado e deixe os das outras em paz.
Não deu tempo de a ruiva responder qualquer coisa, apenas voltou a dar as costas para a mesma e saiu dali, não queria mais se remoer pelo passado, estava decidida a deixar o passado no passado, lá atrás, havia decido colocar uma pedra sobre ele e agora necessitava forcar-se no presente e no que a aguardava no futuro e para isso, precisava achar Sasuke, pois ele era o seu presente e futuro.
**
Encostou a testa no volante e deu um suspiro derrotado, não havia encontrado Sasuke, tinha ido a todos os lugares que era havia uma possível chance de encontrar o Uchiha, e isso incluía o apartamento de Naruto e Hinata, a casa de Naruto e a sua casa, mas nem sinal de vida do moreno e isso a frustrava muito, precisava tanto falar com mesmo, mas estava se tornando uma difícil missão. Encarou pela janela o jardim, onde já estava começando a ser enfeitado para o casamento no dia seguinte, tal casamento que estava se sentindo tão desmotivada em participar.
Fechou os olhos e suspirou, tinha tomado algumas decisões em sua vida nessas últimas horas, principalmente nas duas horas que gastou de Konoha a fazenda, daria um grande passo em sua vida pessoal que poderia influenciar em sua vida profissional, tudo dependeria de Sasuke e se conseguisse falar com ele.
Abriu os olhos assustada ao ouvir alguém bater no vidro do carro, olhou em direção a batida e viu ali, Naruto sorrindo e acenando pedindo para que abrisse o vidro para conversar, girou a chave e abaixou o vidro para ouvir as palavras do loiro.
— E aí gatinha, esta a fim de se divertir? – O Uzumaki falou curvando-se sugestivamente na porta como uma verdadeira prostituta empinando a bunda.
— E quanto seria o programa? – Sakura entrou na onda, dando um sorriso e apoiando o braço na porta.
— Sem conversa 50 dólares, com conversa 100 dólares. – Naruto deu o preço.
— Nossa, que caro e só para conversar? – Deu um sorriso fraco e encarou o Uzumaki nos olhos.
— Não o encontrou, certo?
Apenas confirmou com a cabeça sem coragem para falar, pois sabia que assim que abrisse os lábios às lágrimas também cairiam, sentia-se triste e abandonada, queria tanto ter encontrado o Uchiha e não tê-lo feito, sentia-se completamente, vazia. Tinha tanto para falar, tanto para acertar, estava disposta a muita coisa para ter Sasuke ao seu lado.
Naruto deu um longo suspirou e encarou a prima voltar a encostar o rosto no volante segurando a vontade de chorar. Tanto o Uzumaki quanto a Haruno sabiam que o que havia desencadeado aquela situação tinha sido todas as ações e palavras partidas da rosada, e por mais que Naruto sentisse vontade de jogar tal realidade na cara da mulher de madeixas rosadas, ele sabia que não era o momento.
— Olha… Eu sei que está sendo difícil agora, mas, isso logo vai passar. – Naruto falou baixo encostando-se à lateral do carro ao ouvir uma fungada de Sakura. – Sasuke te ama e vai te perdoar.
Sentia-se sem firmeza e uma adolescente boba ao terminar com o seu primeiro namorado. Ela já tinha passado por aquela situação, tantas vezes, porque que agora doía tanto? Sentia-se sufocada dentro do próprio corpo, apertou o volante fortemente enquanto inspirava e expirava intensamente e com força, tentando a todo custo manter-se respirando, o que estava sendo uma difícil tarefa, foi quando ela começou a se dar conta, estava tento uma crise de pânico.
Naruto abriu a porta abruptamente e a puxou para que ficasse sentada e com as pernas pra fora do veículo, fez uma careta quando Sakura segurou seus braços e cravou as unhas ali, como se pedisse ajuda para respirar. Sua boca estava entreaberta tentando puxar ar, suas unhas perfuravam a carne do antebraço de Naruto, que fazia careta, e as lágrimas escapavam quentes por seu rosto.
— Respira… Se acalma e respira. – Naruto pedia, olhando-a nos olhos. – Eu estou aqui e não vou sair, nunca.
Aquelas palavras se tornaram sua tábua de resgate, focou-se nelas e aos poucos sentia o ar encher novamente seus pulmões, regularizando sua respiração, as lágrimas ainda desciam por seu rosto, mas agora de emoção, seu corpo tremia, sentia-se fraca, entretanto, não conseguia desviar os olhos verdes dos olhos azuis do primo, que a olhava com tanta preocupação e amor, fazendo-a recordar-se do pouco do irmão.
Não soube por quanto tempo ficou na mesma posição, ainda agarrada ao antebraço de Naruto e o encarando enquanto chorava copiosamente. Por mais que seus antebraços doíam, Naruto se manteve ali, encarando a prima, que ainda chorava silenciosamente, pela primeira vez na vida ele havia visto a Haruno mostrar seus sentimentos de forma tão exposta, ela sempre foi tão durona consigo, que era difícil deixar algo escapar.
Vê-la tão indefesa, tendo uma crise de pânico só salientou para ele o quão aquela situação toda estava insustentável, Sakura tinha acumulado tanta coisa em seu coração, que aquela foi a forma que o seu corpo e o seu coração achou para expulsar tanta dor.
— Está melhor? – Perguntou vendo-a amolecer em suas mãos que a segurava firmemente.
***
Sentiu algo apertar seu coração assim que chegou a casa após comprar algumas coisas para dormir e pegou o celular, tinha mais de sessenta chamadas perdidas de Sakura. Suspirou e retornou as ligações, sendo encaminhado diretamente para a caixa de mensagem, por isso, ligou para Naruto. Sabia que algo estava errado, só não sabia o quê.
— O que você quer?— A voz carregada de Naruto do outro lado da linha ao atender foi o que precisava para comprovar que algo não estava bem.
— O que está acontecendo? – Perguntou direto, precisava tirar aquele aperto do peito e só Naruto poderia lhe contar.
— Sakura teve uma queda de pressão… — Naruto falou dando um longo suspiro. – Essa situação não está fazendo bem a ela.
Sasuke queria muito falar que estava indo buscar a Haruno para levá-la embora, mas sabia que não podia, havia prometido a Sakura que lhe daria espaço, se o fizesse, quebraria sua promessa e jamais tinha feito algo assim com a rosada. Mordeu o lábio inferior e fechou os olhos. Queria estar ao lado da mulher que amava, mas não podia.
— Só… Fique ao lado dela. – Pediu.
— Você está sendo um covarde, Uchiha! – Naruto soltou raivoso antes de desligar o telefone em sua cara.
Sim, um grande imbecil covarde, ele deveria ir até lá e convencer Sakura a ficar com ele, sem se importar com o medo dela ou a insegurança, deveria fazê-la entender de uma vez por todas que eles eram feitos um para o outro. Mas não ia. Faltavam-lhe forças e… Coragem.
Aquela noite seria longa.
**
Sakura resmungou e virou-se para o outro lado, ficando de bruços sobre a cama, abraçou o travesseiro e puxou o ar com força, sentindo o perfume amadeirado de Sasuke invadir suas narinas, fazendo-a sorrir involuntariamente.
Sentado na cadeira ao pé da cama, com os cotovelos sobre os joelhos, ele a olhava. Ela era a personificação da perfeição, mesmo babando e resmungando palavras desconexas, sorriu e passou as mãos no rosto tentando manter-se acordado. Por mais que quisesse ficar ali, velando o sono de Sakura, sabia que não podia. Levantou-se e foi em direção à cama e sentou-se ao lado do travesseiro que ela abraçava tão possessivamente.
Sua mão tocou os fios rosados e a viu sorrir e sussurrar algo. Parou com o carinho e retirou do bolso uma pequena caixinha de veludo vermelha, abriu e dentro dela havia um pequeno solitário, era um anel de ouro dourado com pequenas pedrinhas de diamante no corpo do anel, sete de cada lado para ser mais exato, e no meio um lindo diamante elevado, o anel todo tinha um total de 45 pontos.
Com a caixinha ainda aberta depositou sobre o criado-mudo ao lado da cama e deu um rápido beijo na testa de Sakura, que sorriu e chamou seu nome, o fazendo sorrir, se ela soubesse o quanto ele amava quando seu nome saia por aqueles lábios.
Levantou-se da cama e rumou à porta, dando uma última olhada em Sakura que dormia os sonos dos justos. Abriu a porta e saiu silenciosamente. Começou a andar, quando uma voz o fez parar.
— Não esta tarde demais para ir, meu rapaz?
— Boa noite, senhor Kizashi. – Virou-se para o patriarca dos Haruno e sorriu. – Como o senhor sabe, a caminhada é longa.
Virou-se novamente e tentou voltar a caminhar, mas as palavras do Haruno o fizeram parar novamente.
— Ela o ama, sabe disso, não? – Kizashi falou se aproximando do Uchiha. – Hoje foi um dia difícil para Sakura, ela sentiu o peso de suas escolhas e da situação atual que está passando, nunca tinha visto minha filha deste modo, mas sinto que não é a primeira vez que isso acontece, não é mesmo? Creio que isso não o faria vir de Konoha até aqui este horário.
Não, não havia sido a primeira vez que Sakura tinha crises daquela maneira em alguns momentos, que só descobriu ter sido mais do que uma queda de pressão quando chegou ali e pressionou Naruto contra a parede e Hinata com medo de ele socar o noivo, contou-lhe a verdade, foi quando ele percebeu as marcas no antebraço do Uzumaki, fazendo-o se lembrar da crise que a Haruno teve uma vez ao seu lado. Ficou perdido, sem saber como reagir, mas ficou ali.
Foi quando ela o confessou que tinha essas crises quando sentia que não conseguia resolver algumas questões e quando sentia a pressão em cima de si o tempo todo, e que havia adquirido tal síndrome ainda no ensino fundamental e que poucos sabiam e queria que permanecesse assim.
— Ela foi a sua procura hoje, como não o encontrou, então voltou toda decepcionada, foi quando ela teve essa crise. – O Haruno mais velho falava e Sasuke apenas escutava.
Hinata tinha sido quem havia lhe contado que a Haruno havia ido até Konoha a sua procura, enquanto Naruto o xingava por ter deixado sua prima passar por aquilo. Suspirou e passou a mão no rosto e bagunçou o cabelo em sinal de nervosismo. Não queria que nada daquilo acontecesse, porém, ele não poderia mandar nas decisões de Sakura, aquilo era algo que ele jamais poderia interferir.
— Eu ando me perguntando ultimamente, se vocês se amam, porque não estão juntos? – Kizashi soltou a pergunta, encarando o Uchiha que agora o olhava.
— Ficaremos juntos no momento em que sua filha resolver suas questões do passado e decidi que quer ficar comigo. – Respondeu, virando-se um pouco para o Haruno. Ele também queria está com a rosada, mas para isso, ela precisava resolver o que ela achasse que era necessário. – Tenha uma boa noite, Senhor Kizashi.
Deu as costas ao homem sem esperar que ele rebatesse as suas palavras, sabia e sentia o que o mais velho insinuava. Ele não estava brincando com os sentimentos de Sakura, alias, era o contrário, quem andava brincando com seus sentimentos era sua filha. Ele sempre estaria ali para a Haruno, mas para isso, ela teria que querê-lo.
Mesmo sendo tarde da noite, ele entrou em seu carro e voltou para Konoha, mesmo que Gaara o tivesse oferecido um quarto para dormir, ele precisava ficar afastado de Sakura até que ela tomasse sua decisão.
***
Acordou sentindo seu corpo leve e relaxado, espreguiçou-se ainda deitada na cama e abriu os olhos encarando o ambiente claro que estava seu quarto, olhou para o criado-mudo e verificou a hora. Ainda era cedo, mas já não aguentava mais dormir.
Dormiu o restante do dia anterior e a noite toda, como uma pedra, depois de tanto tempo, conseguiu colocar seu sono em dia. A última coisa que se lembrava de antes de desmaiar era de Naruto lhe perguntando se estava melhor, depois se lembrava de apenas de acordar acomodada na cama com Mebuki ao seu lado, passando um pano em sua testa e aferindo sua pressão com seu pai e primos, Ino e Naruto, aos pés da cama.
Estranhou e perguntou o que estava acontecendo, Naruto explicou que havia desmaiado e ela lembrou-se de sua crise. Teve que ouvir um longo e demorado sermão de seus pais, mas não se importou, apenas tomou o remédio, prescrito pelo médico, e sua mãe e Ino a obrigaram há ficar o dia todo no quarto, descansando.
Ino a descartou totalmente para ajudar nos últimos preparativos para a cerimonia que aconteceria naquele final de tarde, para falar a verdade, Sakura sentiu-se até aliviada com as palavras da loira, pois não estava nem um pouco disposta a ajudar naquele casamento, não ainda. Por isso, aproveitou e dormir por um longo período, coisa que não estava fazendo bem nos últimos dias.
Olhou em volta no quarto e algo atraiu sua atenção no criado-mudo do outro lado da cama, no lado em que Sasuke dormia, sentou-se na cama e pegou a pequena caixinha aberta. Ficou olhando aquele pequeno, delicado e deslumbrante anel por um longo período, sem saber o que pensar.
— Bom dia! – Mebuki entrou no quarto toda sorridente. – Está melhor, querida?
Encarou a mãe com uma bandeja de café da manha e perguntou direta: — Sasuke esteve aqui?
— Esteve sim, querida, como sabe? – Mebuki questionou sentando-se a cama e depositando a bandeja sobre a mesma.
Sakura não falou, apenas entregou o anel para a mãe, que pegou e soltou um breve “Oh! É tão lindo.”. Levantou-se e começou a trocar de roupa rapidamente sob o olhar analítico da mãe.
— Aonde você vai? – Mebuki questionou, levantando-se da cama ao ver Sakura quase cair ao tentar vestir a calça jeans.
— Ir atrás dele. – Respondeu levantando-se e calçando uma sapatilha.
— Querida, você ainda não se recuperou. – A Haruno falou aproximando-se da filha. – Por que você não deixa para falar com ele no casamento?
Sakura parou de procurar a sua outra sapatilha e encarou a mãe aflita: — E se ele não vier?
Estava ansiosa e aflita, aquele anel era algum sinal? Deus, ela estava tão confusa. Tinha medo de não conseguir falar com Sasuke e não saber o significado daquele anel, que ela queria muito que fosse algo a mais.
— Querida, sente-se aqui e se alimente, por favor. – Mebuki pediu, puxando a filha pela mão para se sentar. – Quando terminar, você liga para ele, ok?
Concordou quando ouviu sua barriga roncar de fome, que ela nem tinha percebido ainda que estava com fome. Mebuki ficou olhando a filha devorar a comida que estava na bandeja de forma rápida e até, assustadora, mas não falou nada, até porque, dava pra notar que a rosada não estava nem dormindo e nem se alimentando direito nos últimos dias. Só esperava que as coisas se acalmassem de agora em diante.
**
Sua mãe e seu pai não a haviam deixado sair de dentro do quarto naquele dia, sua mãe alegou que ela precisava fazer uma limpeza de pele, as unhas e o cabelo para o casamento que seria às 17 horas daquela tarde, para não contrariar a matriarca, resolveu por deixar-se levar.
Pela janela podia-se observar a movimentação da empresa contratada para fazer a ornamentação do altar e do local onde seria a recepção após a cerimonia, que seria no vasto quintal do grande casarão de campo. Via flores, arranjos, mesas e cadeiras serem levadas de um lado para o outro e a única coisa que podia fazer era suspirar e observar a movimentação. Encarou o celular mais uma vez e segurou a vontade de ligá-lo.
Sabia que estava sendo covarde em não efetuar a ligação ou até mesmo deixá-la completar sem desligar, mas não conseguia. Deu um longo suspiro, olhando mais uma vez para aquele anel, que agora estava fora da caixinha e em seu dedo anelar direito. Não sabia o que aquela joia significava, a única coisa que sabia era que aquela joia representava algo, Sasuke nunca fazia algo sem propósito, ela sabia disso.
— Toc toc! – Naruto colocou a cabeça para dentro do quarto e deu um grande sorriso. – Está melhor, bela adormecida?
Riu e afastou-se da janela indo em direção a porta e abraçando o primo que estava cuidando tão bem dela nos últimos dias, não tinha palavras e nem como pagar o que o Uzumaki andava fazendo por ela. Surpreendeu-se ao receber o abraço apertado da prima, mas retribuiu, sabia bem o quanto a Haruno necessitava daquele abraço. Quando eram mais novos não poderiam ser considerados apenas como primos, a relação dos dois era mais puxada para uma amizade firme e forte, como melhores amigos, irmãos.
— Você me deixou muito preocupado. – Confessou apertando a menor em seus braços fechando com força.
— Me desculpe. – Pediu escondendo o rosto na curvatura do pescoço do Uzumaki. Sentia-se envergonhada, mas aquilo era uma parte sua.
— Só não faça mais isso. – Naruto se afastou e a segurou pelos ombros, olhando-a nos olhos. – E, por favor, volte logo para os braços de Sasuke.
Na noite anterior, Uzumaki Naruto provou um pouco da fúria de Uchiha Sasuke quando ele o prensou sobre a parede quando ele descobriu que Sakura havia tido uma crise de pânico em vez de uma queda de pressão. Foi a primeira vez que viu o Uchiha descontrolado daquele jeito, os olhos negros tão calmos e atenciosos, haviam se transformados em um preto avermelhado, como se quisesse matar alguém e ele era o alvo.
— Por quê? – Sakura riu sem entender as palavras do primo.
— Digamos que aquele homem vai ficar louco sem você. – Desconversou puxando Sakura pela mão para se sentarem na cama. – Esta preparada para mais tarde?
Suspirou e brincou com o anel no anelar. Se dissesse que sim, mentiria, estava louca pra fugir dali, mas sabia que não podia, tinha que encarar aquela situação de frente, como uma pessoa corajosa, estava na hora de colocar um ponto final naquela história. Deixar o passado para trás e visar seu futuro.
— Eu não tenho que estar preparada para nada, não sou eu quem vai casar. – Brincou arrancando um riso de seu primo.
***
Quando encerrou aquela ligação deu uma boa olhada a sua volta. Estava sentado no meio da sala da propriedade nova com vários papéis a sua volta, eram rascunhos e plantas dos projetos que queria efetuar naquele local. Tinha passado o dia quase todo preso ao telefone conversando com o irmão e com os arquitetos e designs que pegaria o projeto.
Havia escolhido a dedo quem tomaria de conta daquele projeto, pois queria que a coisa se tornasse única. Suspirou e recolheu os papéis, levando-os consigo para o segundo andar, onde os guardou dentro de um envelope em sua mala, encarou o terno negro e pegou a mala, estava na hora de se arrumar para o casamento dali três horas.
***
Seu estômago embrulhava diante do que aconteceria dali poucas horas. Seu penteado estava pronto, as unhas feitas e a maquiagem impecável, faltando apenas colocar o vestido de noiva em seu corpo, mas sentia-se apreensiva. Não havia conseguido conversar com Sakura antes do casamento, já que tinha sido trancafiada na suíte para poder se arrumar por completo, nem ao menos fiscalizou os retoques finais da ornamentação.
Olhou-se no espelho e mal se reconheceu, porque por mais que quisesse, algo a incomodava no dia mais feliz de sua vida e ela sabia bem o que era, não havia conseguido conversar com Sakura, quando tentou antes de ser trancafiada no quarto, Naruto e Hinata a expulsaram dizendo que aquele não era o momento.
Quando tentou forçar a entrada, Naruto a pegou pelo braço e disse que já estava cansado daquela merda toda. Ela também estava, mas ela precisava, ou melhor, ela necessitava falar com Sakura, ela precisava tirar aquele peso de suas costas. Apertou o nó do roupão em sua cintura e fechou os olhos, abrindo apenas quando ouviu batida em sua porta.
— Pode entrar. – Falou sem se virar para a porta para ver quem entrava.
— Acho que está na hora de conversarmos, Ino. – Sakura falou enquanto Ino a olhava pelo reflexo do espelho.
Quando saiu de seu quarto apenas de roupão, sem passar maquiagem ou fazer o penteado em seu cabelo, indo em direção ao quarto da noiva, foi decidida, já havia adiado por tempo demais aquela conversa, estava na hora de deixar de ser covarde e encarar as coisas como adulta, e essa era a hora.
Era a hora de tirar as coisas as limpo. Havia chegado o tão esperado momento, tanto para Sakura quanto para Ino. Era a hora de colocar as cartas na mesa. Era a hora da verdade.
Fale com o autor