Muito Bem Acompanhada

21 Capítulo Vinte e Um


Notas iniciais
Bom dia, para começar o dia bem, não é mesmo! Boa leitura.

“Muito Bem Acompanhada”

CAPÍTULO VINTE E UM

***

No capítulo anterior:

— Enquanto vocês falam mal de mim, eu buscarei mais vinho e marshmallow. – Levantou-se e ajeitou o casaco de Sasuke sobre os ombros e começou a se afastar rumo a casa.

— Eu te ajudo. – Gaara se prontificou, fazendo Sasuke arquear a sobrancelha e Ino lhe olhar desconfiada.

— Vamos. – Sakura respondeu amigável, esperando o ruivo.

Ficou encarando os dois se afastarem da fogueira, por mais que não quisesse, sentia ciúmes, Gaara havia sido o namorado mais longo e duradouro de Sakura, e isso de alguma forma o incomodava, mas confiava na mulher e sabia que o homem de cabelos ruivos não faria nada com o casamento marcado para logo mais.

O assunto transcorria muito bem na roda, mas o Uchiha estava estranhando a demora da Haruno com o Sabaku No, levantou-se e foi atrás, em passos largos, sentia que algo estava errado, ao se aproximar da casa, Sakura vinha em sua direção com o olhar perdido, em uma mão havia uma garrafa de vinho e em outra um pacote de marshmallow, com Gaara vindo apressado em suas costas.

— Sakura, o que foi? – Perguntou preocupado, a Haruno apenas o olhou e o abraçou com força.

— Me tira daqui. – Pediu suplicante.

— Sakura… Eu… Desculpe-me. – Gaara falou, tentando tocar na Haruno, mas foi impedido por Sasuke.

**

— Sakura… Eu… Desculpe-me. – Gaara falou, tentando tocar na Haruno, mas foi impedido por Sasuke.

— Agora não, Sabaku No. – Sasuke já tinha entendido o que havia acontecido, Gaara finalmente havia aberto o jogo para Sakura, por isso que ela estava daquele jeito.

— Não se meta, Uchiha. – Gaara o empurrou, fazendo-o colocar Sakura a suas costas, como se a protegesse. – Isso não é assunto seu.

Sentiu seu sangue ferver, puxou o ruivo pelo colarinho da camisa e o encarou, a sua vontade naquele momento era de arrebentar a cara daquele desgraçado, ele ainda não entendia como ele tinha a cara de pau de falar para não se meter quando ele havia magoado Sakura contando-lhe a verdade de forma tão tardia. Sakura sempre o tinha visto como o namorado perfeito, o que sempre a respeitou e que nunca a traiu, mas ele quebrou esse encanto, fazendo-a se sentir um lixo. Perguntava-se por que ele havia se decidido contar isso agora.

— Eu me meto sim, não deixarei você magoar a Sakura. – Falou empurrando o Sabaku No de leve ao soltar seu colarinho. – Não adianta se desculpar, porque o mal já está feito, você deveria ter sido sincero há oito anos, e não agora.

Por mais que Sakura estivesse catatônica, ela ouvia tudo, estava atenta a tudo, mesmo estando confusa e magoada.

— O que… Você disse? – Questionou afastando-se do Uchiha. – Você… Você também sabia?

Parecia que a movimentação havia atraído o restante do pessoal que estava à beira da fogueira, que agora se aproximava, Naruto era o único que parecia entender a situação, mesmo sendo o mais lerdo dos amigos, parecia o mais rápido e inteligente dos amigos no momento. Já para Sasuke o tempo parecia ter parado, Sakura o encarava como se esperasse uma explicação.

— Eu…

— Só responda o que eu te perguntei, Sasuke. – Interrompeu Sasuke de supetão, o encarando furiosamente. – Você sabia ou não, que Gaara havia me traído e decidiu ficar aqui para ficar com ela? – Apontou para Ino.

Ino estava espantada a frente do grupo, virou-se para o Uchiha que encarava a Haruno e atrás do casal estava Gaara, atordoado, não sabia quem havia falado a verdade para a rosada, mas sentia-se sem chão, ela quem queria contar isso a ela.

— Você contou para ela, Sasuke? – Questionou baixo encarando o moreno que só tinha olhos para Sakura.

— Eu… – Sasuke até tentou falar, mas Sakura estava disposta a não deixar.

— Eu sou muito otária mesmo, eu devo ter “otária” estampada na minha testa, só pode. – Sakura falava andando de um lado para o outro rindo nervosamente.

— Acalma-se, Sakura. – Naruto falou tentando se aproximar da Haruno, mas foi repelido por ela.

— Não se aproxima. – Ela encarou o primo. – Você sabia? Todos sabiam? Até mesmo o Sasuke? Quando iam me contar, a mais interessada e envolvida? – Falava sem parar, tentando colocar a cabeça no lugar. Olhou para Ino e apontou para a loira, que a encarava sem entender. – E você, meu Deus… De todas as coisas que você já fez, essa foi a pior.

Sua voz saia mansa e ao mesmo tempo controlada, estava se esforçando bastante para não surtar, mas estava se tornando difícil quando todos a olhava com pena, estava com mais raiva ainda porque todos sabiam, até mesmo Sasuke sabia de sua tragédia e não a contou, isso que a deixava mais frustrada, ele não confiou nela, ou melhor, não tinha que confiar, tinha que simplesmente lhe contar, porque a envolvia diretamente, era sua vida.

— Sakura… Eu sinto muito. – Gaara falou baixo, tentando tocar o braço da Haruno.

— Cala a maldita boca, não fala nada, todos vocês. – Falou encarando a todos, parando em Sasuke. – E você, vai embora, some, desaparece. — Pediu num fio de voz.

— Nos precisamos conversar. – Sasuke falou, encarando-a.

— Não precisamos nada, só vai embora, você veio fingindo ser meu namorado, não precisa mais fingir nada, nem felicidade e nem que me ama, apenas some da minha vida, Sasuke. – Falou raivosa com a voz contida, estava sentindo o ódio tomar conta do seu corpo. Estava mais do que magoada, estava decepcionada, mas, não era pelo fato de todos saberem, mas sim de ele saber e nunca ter a coragem de lhe contar. – Só me esquece.

Virou as costas para todos e em passos lentos caminhou em direção a casa, lentamente subiu as escadas de madeira, sua cabeça rodava, tentando absorver tudo que tinha acontecido em menos de vinte minutos.

— Sakura, você está bem? – A voz de seu pai atraiu sua atenção, foi quando ela percebeu que estava parada no meio da escada com um olhar perdido.

— Oi pai, sim, estou sim. – Respondeu voltando a subir as escadas. – Volte a dormir, sim? – Pediu, dando um beijo no rosto do pai e indo em direção ao quarto, que dividia com Sasuke.

Kizashi ficou encarando a rosada andar lentamente ate o quarto e entrar, encarou a escada e viu todos entrando em casa, cada um subindo para o seu quarto, faltando apenas Naruto e Sasuke.

— Boa noite, senhor Kizashi. – Neji falou por todos, que entraram cada um para o seu respectivo quarto.

— Boa noite. – Kizashi respondeu por educação e rumou em direção à vidraça que dava ao jardim dos fundos e viu Sasuke e Naruto frente a frente.

***

Encarava o Uchiha com uma vontade imensa de socá-lo, mas precisava usar a cabeça e não os punhos no momento, mas estava sendo difícil, bem difícil, ainda estava tentando entender o porquê de o Uchiha não ter contado a verdade para Sakura, se bem que ele também sabia de tudo, mas manteve segredo querendo lhe prevenir do constrangimento ou para não vê-la chorar mais do que já tinha chorado desde o início de sua vida.

— Anda, me soca, não é isso que você quer? Então, realize. – Sasuke falou com a voz calma, calma até demais para alguém que a mulher que ama disse para esquecê-la. – Apenas faça.

Por mais que tentasse, as palavras que o Uchiha lhe falou foram como um gatilho, quando viu, seu punho fechado já acertava a lateral da mandíbula do rosto do moreno, em um soco certeiro, fazendo-o cambalear para trás.

— Você um imbecil, sabia? – Naruto falou bagunçando os cabelos vendo o Uchiha se recompor e cuspir sangue.

— Seu soco é bom! – Limpou o sangue que escorria pelo canto dos lábios e encarou o Uzumaki, que andava de um lado para o outro. – Eu não poderia me meter, Naruto, esse era um assunto que não me dizia a respeito, eu não tinha direito.

Naruto encarou o homem de cabelos negros e teve que concordar, ele não tinha porque se meter, era um assunto bem antes de ele aparecer na vida de Sakura, os mais errados de toda aquela história havia sido Ino e Gaara, que haviam escondido aquilo da prima desde o início, ao em vez de abrir o jogo de uma vez, decidiu fazer aquilo aquele dia, oito anos depois, na véspera do casamento.

— Você não está certo e nem errado, cara. – Naruto falou, tocando o ombro do moreno. – Apenas conversa com ela, e desculpe pelo soco.

Naruto deu as costas a Sasuke e rumou em direção a casa, entretanto, parou ao ouvir o chamado de Sasuke.

— Naruto… Eu a amo, não queria e nem quero vê-la sofrer.

O Uzumaki não respondeu, apenas encarou o Uchiha e deu as costas para o mesmo. Sasuke era o tipo de homem que sabia o que queria, ele não ficava fazendo rodeios a respeito de seus desejos e sentimentos e estava mais claro que a água, que ele era completamente louco apaixonado por Haruno Sakura, só não via quem não queria.

Kizashi observava os dois rapazes de um canto afastado do jardim, sabia do que conversavam, sabia que quando Sakura descobrisse sobre Ino e Gaara sairia magoada, mas ela estava mais magoada com Sasuke, por ele sabe e não lhe contar, do que com a própria traição em si. Talvez ela precisasse apenas conversar com alguém que estivesse de fora para colocar a cabeça no lugar.

***

Sua cabeça rodava, relembrando cada momento da conversa com Gaara, fazendo seu estômago embrulhar e a bile subir até sua garganta.

Flash Back

Era estranho andar lado a lado com Gaara depois de tanto tempo, não sentia mais nada pelo ruivo e isso era muito bom, era revigorante.

— Então… É sério com o Uchiha? – Gaara perguntou, sorrindo de canto.

— Acho que já respondi a essa pergunta. – Falou sorrindo, aconchegando-se no casaco e sentindo o cheiro de Sasuke impregnado na mesma. – Sim, é muito sério.

Adentraram a casa e foram em direção à cozinha, onde os vinhos estavam com os pacotes de marshmallows, pegou uma garrafa de vinho e dois pacotes de doces, para serem torrados na fogueira.

— E faltam apenas três dias para você e a Ino serem, finalmente, casados. – Falou feliz, encarando o ex-namorado – Está ansioso?

O Sabaku No a encarava intensamente, sentia-se perdido, mas sabia que uma hora ou outra teria que contar a verdade para a Haruno, pois já estava passando da hora. Não poderia se casar com Ino com aquilo pesando em suas costas, precisava abrir o jogo, mesmo sendo oito anos atrasado.

— Sakura, eu queria falar algo com você. – Começou, coçando a nuca, vendo a Haruno lhe encarar.

— Pode falar!

— Há oito anos, quando você me convidou para ir para Tóquio com você, quando eu disse que não queria por não ver um futuro para mim, para nós, que era melhor a gente terminar, tinha um motivo. – Falava rápido, mas Sakura conseguia compreender e acompanhar o que ele dizia. – Eu conheci uma garota e eu acabei me envolvendo com ela e, decidi não ir para poder ficar com ela.

Sakura o encarava sem entender o que ele queria dizer, ficou encarando-o por longos segundos, ate sua mente começar a assimilar as palavras do Sabaku No e o que ele queria lhe dizer.

— Você quer me dizer que, você conheceu uma garota e decidiu ficar por causa dela? – Perguntou calmamente, olhando-o nos olhos do ex-namorado seriamente. – E o que isso tem a ver comigo?

O silêncio na cozinha era incomodo e pesado, fazendo com que a rosada raciocinasse mais ainda diante da falta de palavras do ruivo, que apenas olhava para o chão. Estava com vergonha de encarar a Haruno então seu olhar estava focado no chão, onde queria se enfiar para sumir do olhar acusador que Sakura lhe lançava naquele momento.

—Você quer me dizer que essa garota é a…

— Ino. – Declarou.

Sakura o olhava incrédulo, sem saber o que pensar, falar ou agir. Não sabia o que pensar, ou melhor, tinha algo para pensar? Respirou fundo e fechou os olhos, ficou contando ate dez e encarou Gaara novamente.

— Só me responde… Você me traiu com ela, Gaara? – Questionou.

O silêncio foi à resposta que precisava, em passos lentos, saiu da cozinha, precisava se afastar de Gaara, precisava colocar a cabeça no lugar e precisava do mais essencial, do abraço de Sasuke. Não ouviu Gaara lhe chamar e nem queria ouvir, sua cabeça rodava e um zumbido apitava em seu ouvido, fazendo seu corpo todo tremer diante da revelação. O encanto havia se quebrado, agora ela sabia a verdade de muitas atitudes de Ino consigo.

**

Estava sentada no chão encarando os próprios pés, quando a porta se abriu e se fechou, revelando Sasuke com o rosto vermelho em um lado. Até queria perguntar se ele estava bem, mas sua mágoa com ele ainda estava alta demais para isso, então se manteve no mesmo lugar, encarando o nada.

— Precisamos conversar. – Sasuke falou, olhando para a rosada.

— Apenas… Vá embora. – Sakura falou cansada levantando-se do chão e indo até a porta. – Me deixe sozinha.

— Não. – A voz firme de Sasuke fez com que sua pele se arrepiasse, não sabia se era por medo do que estava por vir ou de raiva. – Nos vamos conversar sim, queira você ou não.

Respirou fundo e apertou a mão contra a maçaneta, chegando a machucar a sua palma e seus dedos. Não tinha o que falar, ou melhor, não queria falar, não naquele momento.

— Conversar o quê, Sasuke? Como você mentiu para mim e me enganou escondendo isso? Ou como não se importou como eu sentiria quando soubesse a verdade e que você também sabia disso? Como eu me sentiria sabendo que eu era a única otária que não sabia de nada quando meu nome era o mais envolvido? Me diz, Sasuke. – Desabafou raivosa.

— Será que é tão difícil para você entender que eu não podia me meter, não tinha o direito, Sakura. – Sasuke rebateu, bufando em seguida. – Isso aconteceu antes de eu te conhecer, eu não podia simplesmente falar algo que eu não tinha o direito.

— Você é a pessoa que está ao meu lado, você é o meu namorado, mesmo que de mentira, Sasuke. – Fechou a porta com força, encarando o moreno, Sasuke podia ver sangue nos olhos verdes, que sempre foram tão calmos. – Você tinha a obrigação de me contar tudo que me envolva.

— Obrigação? Do mesmo jeito que você tinha a obrigação de me contar que ainda sentia algo por Gaara quando entramos naquele avião? – Questionou, olhando-a acusadoramente.

Verdes contra ônix, era uma batalha que ninguém sabia quem ganharia. Era difícil para os dois aceitarem a realidade, Sasuke tinha errado em não lhe contar sobre Ino e Gaara, pois era algo que não lhe dizia a respeito e algo que não poderia se meter, pois quem deveria ter falado a verdade, desde o início, vale ressaltar, eram os envolvidos, no caso, os noivos, e não ele, mas para Sakura era difícil de aceitar que Sasuke sabia uma coisa que a magoaria tanto e nem ao menos cogitou em lhe contar a verdade.

Agora Sakura falar de obrigação era um pouco demais, já que ela nem ao menos teve o respeito de lhe contar, enquanto entravam no avião, que Gaara ainda mexia com ela, que ela estava indo para aquele casamento com o propósito de abalar as emoções do noivo e consequentemente, da noiva.

— Isso não tem nada a ver, Sasuke. – Sakura falou, no início até poderia ser, mas muita coisa havia mudado durante aquela viagem, isso incluía seus sentimentos.

— Você é incrível, Sakura. – Rebateu debochado.

— E não muda de assunto – Sakura parou pensativa, recordando-se dos últimos acontecimentos – Agora eu sei o que aquela maldita foto significa. – Riu sem humor, andando pelo quarto, recordando-se da fotografia enviada em seu celular onde Sasuke abraçava Ino, como se a quisesse proteger de algo.

— Que foto? – Questionou sem entender do que a rosada raivosa falava a sua frente.

— A maldita foto de você abraçando a vadia da minha prima, Sasuke. – Retrucou, apontando o dedo acusadoramente para o Uchiha. – Talvez fosse no exato momento que ela pedia, por favor, para não me contar a verdade, e claro, você concordou e ainda lhe consolou, não é mesmo, Uchiha?

Sasuke já não estava entendendo mais nada, no dia que abraçou Ino, foi mais para tentar consolá-la depois dela jogar tantas bombas em sua cabeça, deixando-o desnorteado e com noites sem dormir pensando e analisando se falava ou não a verdade para Sakura, foi quando ele tomou a decisão e deixar as coisas se resolverem por si só, isso até ele ser envolvido sem ter envolvimento algum.

— Ela não me pediu nada, foi uma decisão unicamente minha, Sakura. – Sasuke começou a falar calmamente, estava cansado daquela discussão sem pé nem cabeça entre ele e Sakura, que para ele estava sendo bem desnecessária. – Eu tomei a decisão de não me meter nessa história, por não ter direito e por isto ser coisa do seu passado, não do seu presente e tenho certeza, do seu futuro também.

— Futuro? O que você sabe do meu futuro, Sasuke? – Debochou, olhando para o Uchiha. – Se você acha que isso… – Apontou para ele e ela. – Vai dar certo, você está enganado!

O silêncio reinou no quarto, Sasuke olhava para Sakura sem crer no que acabara de ouvir. Ele estava se jogando de cabeça naquele relacionamento, sem medo de se magoar ou até mesmo, coisa pior, mas ele estava se jogando, já Sakura, lá estava ela, mais uma vez recuando diante de uma dificuldade que eles teriam que enfrentar, como uma grande covarde.

— Eu consigo ver… – Começou, indo até sua mala e começando a arrumar o pouco que tinha bagunçado. – Como sempre, você será a primeira a recuar, se quer tanto ficar sozinha, eu vou conceder sua solidão.

Sakura riu debochada. Quem ele pensava que era para lhe chamar de solitária? Ele era Uchiha Sasuke, o grande empresário que usava as mulheres para o seu bel prazer e depois as descartava para que não houvesse envolvimento sentimental.

— Olha só quem fala, o próprio Batman preso em sua bat caverna!

Sasuke parou de arrumar a sua mala e ficou tentando analisar as palavras da Haruno. Ela tinha acabado de tirar uma com ele, mesmo com aquele clima tenso? Ou melhor, ele estava sendo acusado de ser alguém incrivelmente solitário e frio como o Batman, era isso?

—Como é? Você está me comparando ao Batman? – Questionou encarando a rosada.

— Vai dizer que não se espelha nele, Sasuke? – Sakura debochou mais um pouco cruzando os braços com um sorriso cínico desenhado em seus lábios. – Tanto ele quanto você são ricos, egocêntricos, cínicos, frios e o principal, solitários.

— Você pode só pode estar de brincadeira. – Soltou incrédulo, encarando a Haruno e se aproximando da mesma.

— Você precisa que eu repita quantas vezes, para entender que você não ama ninguém, a não ser você e seu maravilhoso ego, Sasuke? – Sakura falou, mostrando-se destemida enquanto o Uchiha se aproximava mais e mais, ficando a poucos centímetros de encostar o corpo no seu. – Eu posso repetir isso por horas a fio.

— E porque você não me fala, hein? – O Uchiha pediu aproximando o rosto do rosto pequeno de Sakura, fazendo-o a suspirar lentamente.

— Não seja por isso, você, Uchiha Sasuke, é um homem egocêntrico, cínico, frio e solit…

Não teve tempo de completar a palavra, ou melhor, Sasuke não lhe deu oportunidade. Em um movimento o moreno agarrou a cintura fina da Haruno e colou os corpos, enquanto a mão livre foi parar na nuca da rosada, puxando sua cabeça contra a dele, enquanto suas bocas se encaixavam em um beijo intenso e apaixonado. As mãos pequenas de Sakura foram para a nuca do Uchiha, onde agarrou em seus cabelos, pedindo para que ele não se afastasse, não agora.

O beijo era intenso, sôfrego e apaixonado. As mãos de Sakura apertavam os ombros e os cabelos de Sasuke, pedindo para ele intensificar ainda mais o beijo, atendendo ao pedido silencioso de Sakura, suas mãos foram para as coxas da Haruno e em um movimento único, ele a ergueu, fazendo-a enlaças as pernas em sua cintura, para se manter firme. Sentiu suas costas baterem contra a porta, fazendo um gemido escapar de seus lábios.

O beijo foi cessando aos poucos, com pequenos e delicados encostar de lábios, as testas estavam coladas uma na outra e ambos mantinham os olhos fechados, apenas apreciando o abraço. Sasuke passou a beijar lentamente o pescoço claro de Sakura.

— Se eu sou tão solitário, por que em tanto medo de mudar isso, Sakura? – Sasuke perguntou sussurrando.

“Medo, insegurança, covardia, desconfiança”, era o que passava na cabeça da mulher em seus braços, e ele sabia disso, pois antes de tomar a decisão de ficar com Sakura, aqueles mesmos pensamentos havia passado em sua cabeça. Suspirou e a colocou no chão, enquanto a encarava de olhos fechados, respirando fundo segurando fundo sua camisa nos ombros, como se quisesse ficar ali, sentindo-se firme.

— Partirei quando amanhecer. – Informou, beijando a testa da Haruno e abrindo a porta, fazendo-a se movimentar mesmo sem querer.

Ficou parada no lugar enquanto Sasuke a deixava sozinha, sentiu suas pernas fraquejarem e a vontade de chorar lhe invadir, foi em direção a cama e se jogou, deixando as lágrimas saírem. Lá estava ela mais uma vez abrindo mão da sua felicidade por medo.

***

Suspirou e passou a mão no rosto ainda parado diante da porta do quarto que dividiria com a rosada. Sabia que estava cometendo um grande erro indo embora, mas não poderia ficar quando a única pessoa que ele queria que pedisse para ele ficar, o queria longe. Agora, além de ter que ir embora ao amanhecer, não tinha onde dormir.

— Sasuke…

— Hn? – Olhou para o lado e viu Gaara o encarando com as mãos no bolso.

— Eu… Queria me desculpar. – O Sabaku No falou coçando a nuca.

— Qual é o seu quarto? – Perguntou sem ao menos rebater as palavras do ruivo.

— Aquele ali. – O ruivo respondeu apontando para a 3º porta depois do quarto de Sakura. – Por quê?

Começou a caminhar em direção do quarto, ignorando a pergunta do Sabaku No, precisava apenas se deitar.

— Graças a você não tenho onde dormir, vamos dizer que este é a resposta ao seu pedido de desculpas. – Declarou, abrindo a porta do quarto.

— E eu vou dormir onde? – Gaara questionou, encarando o Uchiha.

— Sei lá.

**

“Deu tudo errado, provavelmente voltarei para Tóquio amanha”. Seus dedos corriam pela tela TouchScreen rapidamente, digitando a mensagem para Itachi, sabia que ele não lhe responderia, mas precisava deixar o Uchiha mais velho ciente da situação que estava passando no momento.

— Só queria dizer que esta é a situação mais estranha da minha vida. – A voz sussurrada de Gaara atraiu sua atenção.

Bloqueou o aparelho celular e colocou sobre peito encarando o ruivo que estava deitado ao seu lado na cama de casal encarando o teto claro do quarto.

— Seria mais estranho se você não achasse isso estranho. – Sasuke confessou, voltando para o celular, que vibrava com a resposta de Itachi, o surpreendendo.

Aquela era uma imagem extremamente peculiar, dois homens adultos dividiam uma cama de casal, deitados lado a lado com uma muralha de travesseiros os dividindo. Quando Sasuke foi invadindo seu quarto após perguntar onde era, Gaara jamais imaginou que o Uchiha estava falando sério, só caiu à ficha quando viu o moreno dividir a cama com os travesseiros, até tentou saber o motivo, mas o Uchiha apenas repetiu as palavras do corredor: “Não tenho onde dormir por sua causa, aguente.”.

Agora lá estava os dois marmanjos que não se bicavam dividindo uma cama, tentando não pensar o quão aquilo era estranho.

— Queria me desculpar, mais uma vez. – Gaara falou, ao ver o moreno suspirar encarando o aparelho celular.

Largou o celular frustrado com a resposta do irmão, mas as palavras do Sabaku No diminuiu sua frustração. Estava muito confuso em relação a tudo que havia acontecido aquela noite, ainda mais em relação aos sentimentos de Gaara e Ino a respeito do ocorrido.

— Por que não contou a ela lá atrás? – Questionou colocando as mãos atrás da cabeça encarando o teto sério.

Nesse quesito, Sasuke sempre foi muito íntegro, nunca gostou de iludir ou enganar as pessoas, principalmente aquelas que ele gostava, este foi um dos motivos porque ele resolveu romper com Karin antes do casamento. Não se sentia mais feliz naquele relacionamento, vivendo cada vez mais sufocado por algo que já não existia mais entre eles, ou se quer existiu um dia.

— Quando se gosta de alguém, se é sincero, não se faz jogos ou se tem segredos, apenas se fala tudo. – Comentou preso em seu próprio mundo e pensamento. – Palavras ditas machucam, mas palavras não ditas, machucam ainda mais.

— O que você teria feito no meu lugar? – Gaara perguntou, absorvendo cada palavra do Uchiha.

— Eu teria dito toda a verdade na primeira oportunidade, mesmo que por consideração. – Sasuke falou encarando o ruivo, que agora o olhava. – Você não a amava mais, bastava ser sincero, assim ela não o colocaria no pedestal que ela colocou.

— Não é tão fácil! – Gaara retrucou sentando-se na cama.

— Tudo é fácil quando se quer. – O moreno rebateu encarando as costas do Sabaku No – O problema é que você não queria destruir a imagem de bom moço que a fez se apaixonar por você. Sakura nunca foi bom em julgar caráter.

O silêncio se instalou no ambiente, Gaara perdido em seus pensamentos analisando cada palavra proferida por Sasuke e o moreno encarando o teto, decidindo ir embora ao amanhecer ou apenas voltar para a cidade. Estava com medo e indeciso, Itachi o havia aconselhado a não desistir da Haruno, mas ele estava sentindo que era uma batalha inútil, Sakura estava temerosa demais para se jogar naquele sentimento e ele estava com medo de perder ela por forçar ela a se jogar.

— O que você vai fazer? – Gaara perguntou voltando a se deitar. – Deu pra perceber que as coisas entre vocês não estão nada boas.

Suspirou pesadamente e relembrou a mensagem de Itachi: “Não desista, lute até o final! Você nunca sentiu algo assim por alguém, agarre isso com unhas e dentes, vá até o final e não seja covarde. Os Uchiha não desistem tão fácil de seus objetivos, Sasuke.”.

— Não sei ainda, vou decidir ao amanhecer.

Mais uma vez o ambiente ficou silencioso, pois cada um estava perdido em seu próprio pensamento, pensando no que fazer e qual atitude tomar. Gaara processava as palavras de Sasuke e sabia que o Uchiha estava certo, no final, o cara que o Sabaku No achava que era um grande imbecil, se mostrou um grande homem e ate mesmo, bom amigo, talvez estivesse cego por sentimentos que não eram verdadeiros para perceber o que Naruto havia percebido em Sasuke, que ele era um bom homem.

— Quando você a percebeu que a amava? – Gaara perguntou do nada, assustando um pouco Sasuke por ser repentino.

O sorriso surgiu involuntariamente quando se pegou pensando em Sakura a todo instante e o quanto queria estar ao seu lado. Era difícil lembrar-se de quando se deu conta que a amava e que queria ficar com a Haruno. Acreditava que seus sentimentos foram crescendo aos poucos.

— Quando eu notei que não conseguia parar de pensar nela nem por um instante do meu dia. – Respondeu.

**

Acordou cedo e encarou o Sabaku No, que estava agarrado ao travesseiro que dividia a cama e sussurrava algo, passou as mãos no rosto e riu, Gaara gemia o nome de Ino e sorria como um idiota, discretamente pegou o celular e tirou uma foto, mandando em seguida para Naruto. Levantou-se e foi em direção ao quarto que divida com Sakura, lentamente abriu a porta e colocou a cabeça para dentro, vendo-o vazio.

Adentrou o recinto e foi em direção a suas malas, pegando as suas coisas espalhadas pelo quarto, havia tomado uma decisão, se Sakura queria espaço, ele daria, ele a esperaria o tempo que fosse necessário, não a forçaria a nada. Ainda não havia decidido se voltaria apenas para Konoha ou se voltaria para Tóquio, era algo que ele decidiria quando chegasse a Konoha.

Do mesmo jeito que entrou no quarto, saiu carregando as suas malas, era cedo demais para alguém vê-lo, e era até melhor, porque ainda não precisaria se justificar para ninguém. Colocou as malas no carro e deu partida, enquanto se afastava do local, perguntava-se se havia tomado à decisão correta. Esperava que sim, e espera mais ainda que Sakura mudasse a sua.

***

Havia tentado dormir por horas a fio, até que desistiu, se agasalhou e encheu uma garrafa de vinho e uma taça de cristal e foi em direção ao local no qual tinha feito um piquenique com Sasuke no dia anterior. Precisava pensar e o frio não a incomodaria se ela se mantivesse agasalhada. Sentou-se na grama gelada e olhou para o horizonte, que começava a aparecer, dando início ao clarear da manhã.

Enquanto via os primeiros raios de sol aparecer, pensava em sua condição atualmente. Quando recebeu o convite para aquele casamento, ela havia acabado de romper mais um namoro por ter sido traída, mais uma vez em sua vida, por aquele que ela achou que a faria feliz. Aquele convite foi a cereja de seu bolo de desastre. Ficou pensando em negar aquele convite até uma semana antes de sua viagem, foi quando decidiu envolver Sasuke na sua bagunça.

Não soube bem o porquê de ter o chamado, a única coisa que sentiu foi que não conseguiria enfrentar aquilo sem ele ao seu lado, assim como várias outras coisas em sua vida. Quando percebeu que estava apaixonada por ele, decidiu se afundar em namoros fracassados, que ela sabia que não vingaria por acha que o Uchiha não tinha os mesmos sentimentos por ela.

Quando colocou os pés na cidade e ficou sabendo que o moreno havia transado com Ino, sentiu que aquela era a sua hora de se vingar pela época da escola. Sakura tinha o propósito de mexer com Gaara e despertar nele o sentimento da época de escola, entretanto, enquanto tentava articular seu plano, ela se viu cada vez mais afundada em seu relacionamento de mentira com Sasuke, sentindo aquele sentimento cada vez mais forte dentro de seu peito.

Quando deu por si, já estava totalmente envolvida, pouco se importando com casamento, Gaara ou Ino, a única coisa que ela queria era ficar com Sasuke, bem, era isso, até aquela noite. Não estava magoada por Sasuke saber de seu passado triste, estava mais magoada por ele não ter lhe contado uma coisa que todos sabiam, deixando-a agir feito uma idiota. Isso a machucava mais do que qualquer coisa.

Mas ao mesmo tempo em que estava magoada, sabia que não tinha esse direito, pois aquilo não era algo que Sasuke podia simplesmente se envolver por capricho, quem deveria ter lhe contado, para começo de conversa, eram os verdadeiros envolvidos, os noivos, mas eles se omitiram. Eles deveriam ter lhe contado desde o início, e não ter deixado aquela história se arrastar por longos oito anos.

O sol esquentou seu rosto e a brisa balançou seus cabelos fazendo-a cair na realidade, Sasuke não tinha culpa de nada, ele apenas foi arrastado para aquele precipício de confusões por ela. Levantou-se de supetão e correu em direção a casa, abriu a porta da cozinha de forma abrupta assustando os poucos viventes ali e subiu as escadas em dois degraus, abrindo a porta do quarto que dividia com Sasuke, vasculhou o local atrás das coisas do moreno e a única coisa que encontrou foi o vazio.

Caminhou lentamente até o pequeno criado-mudo, onde um pedaço de papel atraiu sua atenção, pegou-o e o leu lentamente, era a caligrafia de Sasuke:

“Desculpe-me não ficar, mas acredito que precise deste espaço e eu lhe concederei. Conversamos em breve. Uchiha Sasuke!”

Sentiu seu coração pesar, ele havia ido embora, ele havia acatado uma coisa que ela havia falado no calor do momento. A vontade de chorar ressurgiu, mas a segurou, virou-se para a porta pronta para sair, mas ao ver Ino parada na mesma, sentiu seu corpo travar.

— Podemos conversar? – A loira pediu com a voz baixa.

Notas finais
Bom dia meus amores. Dormiram bem? Então, muita gente ficou revoltada com o capítulo anterior, mas também puderá, não é mesmo? Mas mesmo assim, Falaram umas coisas que eu fiquei assustadas e para a tristeza daqueles que falaram que a Ino precisava se ferrar e tudo mais, não vai acontecer, sabe porque? Porque estamos aqui para pregar o amor e não ao ódio, o que é a Ino esta guardado, mas não vira pelas mãos da Sakura, não é mesmo? Enfim, desculpe o atraso, era para ter postado semana passada quando eu terminasse o 24° Capítulo, que eu ainda não terminei por preguiça, já que esta tudo anotado nas folhas no caderno de historias só falta passar para o computador, mas a preguiça anda me dominando esses dias por ser muitos detalhes e por que eu tive crises no ultimo mês, ai eu acabo por ter que tomar remédio e ele me dá muita moleza e preguiça, mas enfim, vou conseguir terminar essa semana. Além do mais, esta semana, dia 09/09, é meu aniversario. É neste momento que eu percebo que estou ficando velha, pois estou com quase 10 anos no mundo das fanfics, e isso é uma coisa muito especial. Por isso, aproveitarei esses dias para tentar me animar. Postei também uma nota de esclarecimento sobre a revisão de Casamento Arranjado, esta na minha página: https://www.facebook.com/sakuuchanfanfiction/ e no meu perfil, deem uma lida, ok? Por enquanto é isso, espero que gostem do capítulo. Beijos. Até dia 20, ou antes.