Muito Bem Acompanhada
15 Capítulo Quinze
Notas iniciais
“Muito Bem Acompanhada”
CAPÍTULO QUINZE.
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No Capítulo Anterior:
Uma notificação de mensagem nova atraiu sua atenção. Abriu e viu que era de um número desconhecido, e nela, uma imagem anexada com os seguintes dizeres: Abre o olho.
Na foto, Ino estava em frente ao Konohagakure Palace, abraçando Sasuke, que retribuía e afagava seus cabelos. Não soube o que falar, só sentiu o ar abandonar seu corpo. Mas que porra era aquela?
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Andava de um lado para o outro mordendo a unha do dedão da mão direita, enquanto a esquerda estava apoiando o braço abaixo dos seios. Aquilo estava enlouquecendo-a, mas infelizmente, não havia conseguido falar com Sasuke, pois Ino estava monopolizando-a para os ajustes finais da cerimonia dali a quatro dias e para o último jantar antes da cerimonia a dois dias. Toda vez que olhava para a prima, a foto vinha em sua mente, fazendo-a sentir-se enjoada, entretanto, não tinha coragem suficiente para pergunta-la.
No dia seguinte, eles iriam para a fazenda de Gaara, onde teria a recepção final antes do casamento, mas ela não estava tendo cabeça para aquilo, não antes de falar com Sasuke.
Pegou o celular e ligou para o número do moreno, chamou dez vezes antes de cair na caixa de mensagens. Suspirou e encarou o vestido de madrinha, mordeu o canto dos lábios. Será que Ino notaria se ela saísse por cinco minutos?
— Sakura. – O grito de Ino chegou aos seus ouvidos quando a loira entrou no quarto, eufórica, carregando alguns arranjos de flores. – O que você acha, vermelhas ou lilás?
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Quando decidiu dá um tempo daquela loucura, o seu refúgio foi à casa de seus avos, no interior, mais especificamente, onde eles fariam a recepção final antes do casamento. Precisava pensar em sua vida, tomar uma decisão. Por mais difícil que fosse admitir, Gaara ficou confuso em relação a Ino e a Sakura, sobre seus sentimentos.
Ele sabia, assim que resolveu se envolver com Ino, e se eles decidissem dar um passo a mais em seu relacionamento aquilo poderia acontecer quando visse Sakura, entretanto, ele não esperava que isso acontecesse desta maneira.
Se ele dissesse que não foi feliz ao lado de Sakura, quando namoravam, estava mentindo, se alguém o perguntasse o que ele ainda sentia pela mulher de cabelos cor-de-rosa, ele responderia que ainda gostava muito da mesma, mas já com Ino, tudo era diferente, era tudo mais intenso, mais real, mas real do que era e foi com Sakura.
Sim, ele ainda era apaixonado por Ino, mais do que já fora por qualquer uma mulher antes, porém, não fazia a menor ideia do que estava acontecendo entre eles. Confessava que nos últimos dias estava afastado da noiva, mas ainda a amava, só queria pensar e analisar seu futuro, e isso incluía seu casamento com a loira.
Foram horas de reflexão, e ele havia chegado a uma conclusão muito importante e uma foto foi o responsável por essa conclusão, e antes que pudesse falar com alguém sobre a decisão final, precisava falar com ela, sua noiva. Agora lá estava ele, dentro do carro por mais de uma hora e meia, criando coragem para entrar na casa do senhor Yamanaka e conversar com a noiva. Suspirou e contou até dez, antes de descer do carro e tocar a campainha.
Estufou o peito e lá foi ele, caminhando em passos firmes, até a varanda, parando em menos de um metro na porta, mesma porta, que há oito anos a beijou pela primeira vez, que se viu apaixonado pela prima da namorada, mesma porta que a pediu em casamento, foi ali onde a história dos dois havia começado.
Tocou a campainha e esperou. Para ele os minutos de espera pareciam ter sido uma eternidade, mas ele sabia que foram rápidos. Seus olhos travaram na pequena figura de cabelos loiros e olhos azuis a sua frente, sua garganta secou e suas mãos suaram, sem falar nas borboletas que perambulavam em seu estômago. Céus, ele estava parecendo um adolescente ansioso para convidar uma das garotas mais bonitas da escola para o baile de formatura. Ela era sua noiva, reaja homem.
— Gaara? – O tom de surpresa de Ino, não o agradou. – O que faz aqui? – Aquela pergunta muito menos.
Limpou a garganta e secou as mãos na calça antes de falar. – Acho que precisamos conversar. – Enfatizou a palavra “precisamos”, pois Ino sabia tão bem quanto ele, o que eles precisavam fazer.
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Os arranjos acabaram se tornando apenas uma distração para que ela não pensasse em Gaara, mas vê-lo ali, parado em sua porta, falando que eles precisavam conversar havia trazido à tona toda aquela apreensão de que alguma coisa ruim estava preste a acontecer.
Pediu a todos que se retirassem de casa que estava abarrotada de caixas de lembrancinhas para o casamento, inclusive seu pai, que saiu contrariado, pois estava passando jogo de Baseball de seu time favorito, mas graças a Sakura, que o chamou para assistir em sua casa, ele foi.
— Pronto. – Falou ficando em frente à Gaara na sala com vários arranjos de lembranças, colocando as mãos nos bolsos traseiros da calça. – Estamos sozinhos.
Notou que os olhos verdes do noivo revistaram o local, notando os vários pacotes e cestas ali. Deste o início das organizações do casamento, Gaara não havia se interessado por nada, ele mesmo havia lhe dito que era tudo responsabilidade dela, por não entender nada sobre o assunto, que bastava ela escolher que ele pagaria, e assim era feito, mas agora Ino sentiu, que Gaara deveria ter se envolvido, pelo menos um pouco.
— Faltam muitas cestas? – Gaara questionou sentando-se no sofá, apoiando os cotovelos nos joelhos e juntando as mãos.
Aquela era uma maneira dele mostrar que estava inseguro, quando Ino descobriu essa mania do noivo, quase não acreditou, pois na maior parte do tempo, ele se mostrava um cara confiante e bem resolvido.
— Algumas. – Respondeu sentando-se ao seu lado.
Não podia negar que estava apreensiva, mas Gaara parecia está mais do que ela, e isso a assustava. Se ele estava nervoso? Mas é claro que sim, quem não estaria depois de tudo o que ele fez nos últimos dias?
— Eu queria me desculpar. – Começou pegando a mão esquerda, a qual continha o grande solitário de diamantes encrustado em ouro rose em seu anelar, da noiva e a apertando. – Sei que nos últimos dias me portei como um completo idiota…
— Sério? – Ino perguntou irônica.
— Eu sei que você ama falar, mas, por favor, deixe-me concluir, sim? – Pediu vendo a loira abrir um sorriso pequeno, nisso ele já sabia que a mesma havia relaxado, já que podia sentir, só em tocar sua mão, o quão tensa ela estava. – Fui um verdadeiro imbecil, mas esse imbecil aqui, é louco por você.
Respirou fundo, antes de continuar: — Sinto que nos últimos dias, que deveriam ter sido os melhores de sua vida, acabaram se tornando os piores, e eu fui o culpado disso, mas quero me redimir.
Estava apreensiva sim, achou que Gaara colocaria um fim no relacionamento deles, já que o mesmo havia sumido desde a manhã do dia anterior, mas agora ali, na sua frente, estava o homem que ela sempre desejou em sua vida, querendo seu perdão.
— Quando nos beijamos pela primeira vez, você me disse que eu era o cara perfeito, por saber que sempre estaria ali, do seu lado, te tirando da solidão, mas o que você não sabe Ino, é que quem me tirou da solidão foi você! – Encarou-a e sorriu, era um sorriso pequeno, mas verdadeiro. – Você me mostrou tanta coisa, antes e depois de ficarmos juntos, eu não me vejo tendo outra pessoa ao meu lado.
Não estava em seus planos chorar mais uma vez, mas lá estava ela aos prantos, por causa de Gaara, outra vez. Encarou o ruivo e tentou limpar as lágrimas que já escorriam por seu rosto. Era louca por aquele homem, e ele sabia muito bem disso.
— Eu quero me redimir, e só consigo pensar em uma coisa para conseguir isso. – Gaara falou encarando Ino firmemente.
Já tinha pensando naquilo, especificamente, quando a pediu em casamento, mas sabia que o sonho de Ino era ter um casamento chique, que as pessoas pudessem comentar sobre o feito por dias, semanas, meses e até mesmo, anos, e ele sempre lhe daria o melhor, porque ela era a mulher que ele queria para toda a sua vida.
— Sei que também não me envolvi muito na organização do casamento…— Confessou sem graça, alisando o rosto de Ino, delicadamente. – Mesmo sendo tarde, quero me envolver a partir de agora.
Encarou Gaara sem acreditar, ele não era um homem de se envolver neste tipo de coisa, mas sabia que ele queria seu perdão, e era capaz de tudo para consegui-lo, então, mesmo surpresa, deu um voto de confiança para os planos do noivo.
— Qual a sua proposta? – Perguntou, sorrindo.
— Sei que seu sonho é se casar no Palace, mas eu tenho algo em mente.
Mordeu o canto dos lábios e o encarou, ele estava apreensivo por causa de sua resposta, mas no momento, Ino estava disposta a tudo para que seu casamento acontecesse, tanto que mudou de última hora vários detalhes, como seu vestido, os vestidos das madrinhas, as lembranças de casamento e alguns detalhes da ornamentação do salão, queria que se seu dia fosse perfeito ao lado das pessoas que mais amava.
— O que você acha de adiantarmos o casamento e fazer a cerimonia na fazenda? – Sugeriu.
Piscou duas vezes e o encarrou, o sorriso foi surgindo aos poucos, pois para ela não se importava onde e como seria a cerimonia, mas que ela finalmente se tornasse mulher daquele homem lhe estava lhe encarando esperando uma resposta.
— Eu adoraria. – Confessou, abrindo um sorriso maior do que podia imaginar.
Gaara a beijou, como fizera inúmeras vezes, mas daquela vez, o beijo parecia diferente, nele ela conseguia sentir o arrependimento que Gaara tinha por ter se comportado tão mal nos últimos dias e isso a deixava mais calma e relaxada. Sabia que agora precisava mudar várias coisas a respeito da cerimonia, mas ela não se importava.
Sentiu Ino abandonar seu abraço e se levantar, pegando o telefone e discando alguns números. Suspirou e a puxou de volta, fazendo-a sentar em seu colo, tomou o telefone dos dedos da noiva e lhe sorriu. Ino era tão ansiosa, que às vezes o deixava nervoso.
— Creio que mais tarde você terá tempo de fazer as devidas modificações, mas no momento, concentre-se apenas em mim, te beijando e te amando. – Sussurrou próximo ao ouvido da loira, que arrepiou em seus braços.
***
Andava de um lado para o outro na sala de casa, enquanto o seu tio, Inoichi, que era casado com a irmã de seu pai, assistia seu tão sagrado jogo de Baseball. Encarou a televisão e suspirou, não tinha paciência para aquilo e precisava falar com Sasuke o mais rápido possível, precisava tirar aquela foto a limpo.
Ela não sentia-se apreensiva pela conversa que Gaara e Ino estavam tendo, até porque, ela sabia o quão eles se gostavam para resolverem dá um fim naquele relacionamento, que na opinião de Sakura, era mais conturbado que o dela e o de Sasuke, chegava a ser… Entediante.
Mas entendia que a única coisa que faltava no relacionamento da prima com o seu ex-namorado, era a confiança que estava abalada, diferentemente dela e Sasuke, que pelo que parecia não tinham um pingo de confiança, até porque, a confiança que haviam construído, era tudo baseado na amizade que ambos tinham, mas agora, tratava-se de um relacionamento amoroso, e ela sentia-se totalmente insegura porque conhecia Sasuke tão bem, sabia que ele não era homem de se apegar, por mais que o mesmo lhe disse que estava apaixonado por ela.
— Sakura, você está bem? – Kizashi perguntou, desviando a atenção do jogo para a filha, que encarava um ponto qualquer na mesa de centro.
— Hã? – Questionou sem entender o que o pai dissera.
— Você está bem? – Kizashi perguntou novamente.
— Ah sim… Claro. – O sorriso forçado em seus lábios pareceu não convencer seu pai, mas ignorou. – Eu vou buscar uma cerveja. – Completou.
Não esperou nenhuma resposta, em passos rápidos caminhou até a cozinha, assim que se viu longe do olhar do pai, capturou o celular dentro do bolso e discou apertou no nome de Sasuke, que automaticamente, começou a encaminhar a ligação.
— Atende… Atende…— Pedia em voz baixa.
Um toque… Dois toques… Três toques… Quatro toques… Cinco toques… “O número que você ligou está fora de área ou desligado, sua chamada será encaminhada para a caixa de mensagens e estará sujeito a cobrança após o sinal”.
— Mas que droga. – Praguejou desligando o telefone em um toque furioso, até parecia que Sasuke queria evitá-la.
Estava tão concentrada em sua raiva em Sasuke, que nem ao menos percebeu que seu pai entrou na cozinha, pegou uma cerveja para o cunhado e retornou.
— Você está bem, querida? – Perguntou mais uma vez.
Sakura o encarou e suspirou, seu pai não tinha culpa dela ter se envolvido com um cafajeste e por amar esse cafajeste, entretanto, ela não podia lhe dizer sobre isso, principalmente no momento que eles começaram a se dar tão bem como nos últimos dias. Talvez as passadas de noites no Palace com Sasuke não tivessem sido notas pelo patriarca Haruno, ou talvez sua mãe tivesse conseguido enrolar o seu pai, como ela dissera que faria.
— Estou sim pai, apenas nervosa com algumas coisas. – Confessou, dando um sorriso mais relaxado.
— É algo que eu possa ajudar? – Kizashi perguntou. Ele estava curioso e ela sabia que ele não pararia até conseguir arrancar algo dela, e infelizmente, era fácil conseguir arrancar as coisas de Sakura.
Mordeu o canto do lábio inferior e suspirou, encarou o celular e no visor apareceu uma mensagem de Sasuke: “Estou em reunião, te ligo mais tarde.”. encarou o pai e pensou, seu pai era homem, poderia explicar algumas coisas a respeito de relacionamentos, não é? Até porque, Sakura era um desastre quando se tratava desse assunto, já seu pai era casado com a primeira namorada há quase trinta anos.
— Pai, como descobrir que um homem está realmente apaixonado por você?
Quase gargalhou da expressão de seu pai, se o momento não fosse trágico, seria cômico, mas no momento, ela tinha que manter a seriedade, precisava tirar essa dúvida de seu coração, mas antes de tomar qualquer decisão, precisava saber os sinais que precisaria observar para tirar suas conclusões.
Ouviu um pigarro do pai e o encarou curvando-se um pouco sobre a bancada da cozinha, estava curiosa, e no momento, ele era o único homem que poderia tirar-lhe sua dúvida, se Sasuke a amava realmente, ou não.
— Bem…— Kizashi tentou começar, mas não sabia o que falar e muito menos, como falar. Suspirou e tentou tratar aquele assunto como se fosse um assunto da empreiteira. – Este é um assunto complicado, até porque, não se sabe se a pessoa realmente esta apaixonada pela outra, sem perguntar diretamente a ela.
Suspirou e sentou-se, aquela não era a resposta que esperava. – Existem sinais? – Perguntou.
— Sinais? Que tipo de sinais? – Kizashi questionou sem entender a pergunta da filha.
— Ah, o senhor sabe, como ele reage quando está com a pessoa, e tudo mais. – Falou gesticulando, tentando fazer o pai entender seu ponto de vista.
Quase gemeu de frustração ao perceber que seu pai não fazia ideia do que ela falava, tinha chegado à conclusão que deveria ter falado com sua mãe a respeito disso, com certeza ela lhe daria ótimos conselhos.
— Você está falando do Uchiha, não é? – Kizashi soltou, antes mesmo de pensar o que falaria.
Voltou sua atenção para o pai e o encarou espantada, será que aquilo estava estampado em sua testa como se fosse um letreiro de algum motel barato que se encontrava nas estradas? Esperava que não. Torceu os dedos e respirou fundo, procurando uma maneira de mudar de assunto e esconder aquela sua insegurança em relação ao moreno.
— N-Não, q-que isso pai…— Por mais que tivesse tentado, não conseguiu falar sem gaguejar, entregando-se totalmente.
Haruno Kizashi nunca foi um homem discreto em suas expressões faciais, e para a infelicidade de Sakura, ela havia herdado isso de seu pai. Agora lá estava ele, lhe olhando com desgosto, sem disfarçar uma ruga, e isso estava deixando-a desconfortável. Sabia que ele era contra seu relacionamento com Sasuke, a única coisa que não entendia, era o motivo disto.
— Olha Sakura…— Kizashi começou tocando a mão da filha. – Eu sei que você acha que este rapaz é bom para você, mas o que você não consegue enxergar, é que você merece o melhor e ele não é o melhor…
Sua boca abriu lentamente tentando digerir as palavras do pai, fechou-a e o encarou com cenho franzido, não estava conseguindo entender o que seu pai queria dizer, ou melhor, estava, só não estava conseguindo acreditar nas palavras do mais velho.
— O que? – Perguntou…— Eu acho que não o ouvi…
Kizashi sentia-se sufocado toda vez que olhava para Sakura e não podia falar o que sentia em relação a mesma, pois Mebuki o havia prometido que ele tentaria o possível, e o impossível, para não entrar mais em atrito com Sakura, mas esta missão estava se tornando impossível, já que quando a olhava, a única coisa que conseguia ver e sentir, era decepção.
O Haruno era um homem machista, fora criado de maneira tradicional, onde quem saia para trabalhar e trazer dinheiro para casa era o homem e não a mulher, a mulher só o fazia quando não existia um herdeiro. Então quando ele teve seus filhos, ele tentou passar a mesma criação, Sasori se tornaria um grande engenheiro civil para tomar conta da empreiteira da família que ele herdaria para que o velho pai pudesse se aposentar, e Sakura teria aulas de etiquetas e culinária para se tornar uma boa mãe e esposa.
Mas infelizmente, a vida e o destino lhe pregou uma enorme peça, levando seu menino em uma fatalidade. Quando aconteceu o acidente, Kizashi perdeu seu chão, ele sabia que todos a sua volta sofriam, mas ninguém sofreu tanto quanto ele, pois como era um homem muito orgulhoso, guardou sua dor para si, unicamente para si.
Com o tempo, por mais difícil que fosse superar a perda de seu primogênito, ele resolveu mudar seu foco, ele protegeria e guiaria todos os passos de Sakura, por mais que seu machismo gritasse em seu interior, Kizashi estava decidido a transformar Sakura na personificação da mulher perfeita. Uma boa dona de casa e uma excelente engenheira, mas para seu desagrado, Sakura tinha seus próprios planos.
Quando Sakura anunciou que havia passado em uma importante faculdade de engenheiros, ele havia pressentido que não deveria deixá-la ir, mas deixou-se levar pelos pedidos da esposa, foi quando ocorreu sua grande decepção. Sakura havia abandonado a faculdade de engenharia e cursava outro curso.
No início, o choque o deixou cego, mas com o tempo foi entendendo que sua filha o desonraria seguindo outro rumo para a vida, ate agora não conseguia aceitar que Sakura havia trocado um destino brilhante como engenheira para ser uma reles funcionaria de um hospital qualquer, sendo exposta a doenças, e por mais que fosse difícil de acreditar, ele só queria o bem da filha. Talvez este tivesse sido seu erro.
Quando Mebuki o avisou que Sakura retornaria para o casamento de Ino, ele estava disposto a esquecer dessa decepção e seguir em frente, e tentar ao máximo, apoiar a decisão que sua filha um dia tomara. Entretanto, a vida lhe pregou mais uma peça ao vê-la abraçada a um Uchiha.
Ele já havia conhecido um Uchiha antes, ele era um homem ganancioso, um homem capaz de passar por cima de tudo e de todos para conseguir o que queria, com isso, ele ocasionou muitas desavenças na pequena cidade, logo após o mesmo ir embora, ficou sabendo que ele havia herdado uma empresa, e com isso, havia se tornado um grande empresário, mas ele desconfiava se ele havia se erguido por caminhos certos, e não se envolvendo com coisas indevidas.
Quando conheceu Uchiha Fugaku, eles eram apenas adolescente, ambos atraídos pela mesma garota, tal garota que não ficou com nenhum dos dois, mas com o tempo, foram tornando-se dois grandes competidores, mas Fugaku tinha o sonho de se tornar um homem importante, quando completou a maior idade, ele decidiu abandonar a pequena cidade e ir para Tóquio, onde, cinco anos depois, herdou a empresa falida do pai, e a reergueu em menos de dez anos.
Nunca soube qual era o ramo da empresa de seu antigo rival, a única coisa que sabia era que sua empreiteira na pequena cidade de Konoha havia sido reconhecida e crescia a cada ano. Seu plano era nunca se envolver novamente com um Uchiha, mas para seu azar, sua filha estava perdidamente apaixonada por um. Suspirou e coçou a nuca, precisava ser sincero.
— Por mais que você ache que eu não me importo, eu me importo sim com o seu bem-estar. – Começou encarando Sakura nos olhos. – Eu tinha um plano para você, Sakura, mas infelizmente, você não o quis seguir, você mudou seu foco, não sei onde isso mudou e pouco me importo, mas falo isso para o seu bem, este rapaz não é para você.
Sakura estava perplexa ouvindo as palavras do pai, não sabia o que pensar ou o que falar.
— Eu sempre tentei te proteger do mundo, trilhar os seus passos, para que isso um dia não viesse a lhe machucar, mas vejo que eu falhei como pai, eu deixei você escapar por dentre meus dedos…— Kizashi falou dando um suspiro com pesar, aquele assunto era delicado e forte ao mesmo tempo. – A vida tirou-me o seu irmão, então eu apostei as minhas últimas fichas em você, e a única coisa que você me deu em troca, foi decepção.
Sentiu sua respiração falhar e sua garganta fechar com o choro que estava preste a vir, ouvir aquelas as palavras doeram, machucou-lhe e lhe rasgou por dentro, era difícil ouvir aquilo, principalmente da pessoa que ela sempre esperou aprovação.
— Você seguiu um rumo que apenas lhe favorecia, não pensou na sua família, não pensou em mim, que estou ficando velho e não poderei contar com mais ninguém, já que a única que eu podia fazer isso, me decepcionou…— A mão de Kizashi tremia, assim como o seu corpo, ele precisava tirar aquilo dele. – Você foi egoísta, pensou unicamente em você. Nem nisso, eu pude contar com você, você me abandonou.
Antes mesmo que pudesse segurar as lágrimas, elas já escorriam por seu rosto, estava travada no lugar, sem saber o que falar, o que pensar ou como agir. Sentia-se perdida, do mesmo jeito que se sentiu quando descobriu que seu amado irmão a havia abandonado, que ele havia sido tirado dela, que havia morrido.
— Eu sempre desejei o seu bem, Sakura, sempre quis protegê-la, mas talvez, esse tenha sido o meu erro. – Finalizou.
Ficou encarando e sentindo as palavras do pai ecoarem em sua cabeça, como uma marreta batendo em uma rocha, sem dó. Viu-o se afastar, só então, conseguiu achar voz, para rebater.
— Você se ouviu? – Perguntou, fazendo seu pai parar antes de sair da cozinha. – Você consegue perceber que o único egoísta e hipócrita aqui é você? – Questionou com a voz mansa.
Limpou o rosto e os vestígios de lágrimas e o encarrou firmemente, seus olhos estava mais verdes do que nunca, neles podiam ver sua determinação, ali estava presente a mulher segura e independente que pelo jeito havia esquecido em Tóquio, mas agora estava de volta.
— Você fala como se a morte do Sasori tivesse sido algo casual, planejado, como se alguém o estivesse punindo-o, e não uma fatalidade, você sempre quis marionetes, e não filhos, você me chama de egoísta, mas o único egoísta dentro desta casa é você. – Respirou fundo e virou-se para o pai. – Quantas vezes, você em seu egocentrismo infinito, parou para me perguntar o que eu queria fazer? Quantas vezes, você parou seu mudinho para me perguntar se eu estava bem? Quantas vezes você me perguntou o que eu queria para o meu, maldito, futuro? Nenhuma.
A raiva dominava seu corpo, fazendo-a tremer até o último fio de cabelo.
— Nunca pedi para depositar suas malditas fichas em mim, muito menos suas expectativas…— Suas palavras saíram firmes, como adagas sendo lançadas em uma direção, o coração de Kizashi. – Oh meu Deus, em acreditar que eu fiz inúmeras coisas para tentar te agradar. Agradar a quem tanto eu decepcionei e nem sabia disso. Você sabe o que eu faço? Sabe quantas horas eu trabalho por dia, semana e até mesmo, mês? Alguma vez se interessou por minha vida?
Questionou encarando-o, podia ver a surpresa nos olhos do pai, mas isso não a faria parar, não agora.
— Eu sou uma das malditas médicas mais respeitadas do país, você sabe o que é isso? Sabe o quanto eu lutei para alcançar isso? Sabe por que caralho eu fiz isso? Para te deixar orgulhoso, para ser reconhecida por você, porque eu sei que você queria que eu fosse uma coisa que você queria, e não o que eu queria…— Desabafou gesticulando com a mão para o Haruno mais velho. – Eu queria ser alguém útil, quero salvar vidas, quero fazer pelas pessoas o que não fizeram pelo meu irmão, quero ser alguém que você se orgulhe de chamar de filha, mas a única coisa que recebo é este seu maldito desprezo.
— Sakura…
Kizashi tentou falar, mas Sakura o interrompeu. – Sabe quantas vezes eu sonhei com o dia que você me abraçaria e diria que se orgulhava de mim? Você sabe o quanto dói, ouvir da boca do seu próprio pai que você é uma decepção? Eu tive medo de vir para cá, eu me senti humilhada naquele maldito jantar… E foi você, a pessoal que eu mais esperei receber reconhecimento, a me humilhar.
Sua voz que antes estava firme, agora estava chorosa, as lágrimas já brotavam em seus olhos.
— Por mais que eu o amo, pai, eu me amo mais…— Confessou aproximando-se do mais velho. – Eu fiz isso e um pouco mais, querendo um reconhecimento seu, mas a única coisa que eu recebi, foi seu desprezo, talvez o Sasuke esteja certo, talvez seja você não me mereça, talvez você simplesmente não mereça a filha que tem. – Concluiu.
Antes mesmo que o pai pudesse falar algo, ela deu as costas e saiu dali, deixando-o sem palavras, e por incrível que pareça, com lágrimas nos olhos.
***
Saiu de casa afoita, a única coisa que queria naquele momento era o colo de Sasuke, por isso, não pensou duas vezes em chamar um táxi e rumar em direção ao Palace. Pagou a corrida, sorriu para o porteiro, e assim que entrou no grande Hall, sentiu seu corpo desmoronar.
Lá estava ele, bem-vestido como sempre em um terno feito sob medida, ajudando Tayuya a entrar no elevador, guiando-a pela cintura, como ela já o viu fazer com as garotas que ele logo levaria para cama.
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