Muito Bem Acompanhada

18 Capítulo Dezoito


Notas iniciais
Oi gente, sei que demorei mais de um ano para atualizar, mas tive meus motivos, que serão expostos nas notas finais, por isso, leiam. Espero que gostem do capítulo e que me perdoem! Beijos Boa leitura.

“Muito Bem Acompanhada”

CAPÍTULO DEZOITO

***

No capítulo anterior:

— Foi bom te ver, Sasuke-kun! – Karin falou, com um sorriso, fazendo Sasuke arquear a sobrancelha em confusão. – Nos vemos por ai.

Antes mesmo que pudesse responder, a ruiva saiu dali rapidamente sobre seus saltos altos.

Naquele mesmo dia, ele e Sakura voltaram a ser o que eram antes, sem desconforto, esquecendo-se do beijo – que se repetiu outras vezes após noites de bebedeiras. – que ocorreu semanas atrás, voltando à amizade o que era, um misto de cumplicidade e confiança.

**

Suspirou saindo de seu momento de devaneios e lembranças, olhou o relógio de pinguim sobre a geladeira e resolveu subir para tomar um banho e descansar o que não conseguiu na casa de Naruto apos tanto pensar, pois sabia que logo Sasuke chegaria para irem para a fazenda.

Enquanto subia os lances de escada, as palavras de Naruto martelavam em sua cabeça, segundo o primo loiro, Sakura precisava sentar e conversar com Sasuke, onde ela colocaria todas as cartas na mesa e, explicaria sua situação. Ela era uma mulher independente, mas insegura em questão de relacionamentos, já que de todos os seus envolvimentos amorosos, o único que foi fiel, foi Gaara, e isso de alguma forma a deixava com o pé atrás em relação a qualquer coisa, principalmente em relação aos homens.

Retirou a roupa e entrou debaixo do chuveiro, já havia se decidido, enquanto ela e Sasuke iam para a fazenda, ela conversaria com o Uchiha e abriria seu coração, mesmo que isso a quebrasse, totalmente, já que depois disso não teria mais controle sobre seus sentimentos. Sim, ela admitia, gostava de Sasuke e muito, mais do que qualquer outra pessoa que ela já se envolveu, e isso a assustava, pois o moreno era inconstante, além de ser um rapaz que fugia sem pensar duas vezes de relacionamentos.

Além de seu envolvimento sem “status” com Sasuke, tinha sua relação conturbada com seu pai, que por mais que ele fosse um imbecil, era seu pai e ela o amava, ela precisava resolver isso, sabia muito bem que seu pai havia merecido suas palavras duras e que finalmente, depois de oito anos, havia tirado um peso enorme da consciência e das costas, precisava pedir desculpas ao patriarca, porque ela sabia tão bem que seu amado irmão, Sasori, quereria isso, então ela o faria, mesmo que precisasse passar por cima de seu orgulho, mais uma vez, pelo falecido irmão.

Desligou o chuveiro e saiu do box, passando a mão sobre o espelho embaçado pôde ver sua imagem cansada e mau dormida refletida no reflexo do mesmo, fazendo-a suspirar. Sua noite não havia sido uma das melhores, pois por mais que tentasse não conseguiu dormir nem por um minuto. Tentou ignorar sua aparência e foi para o quarto, onde arrumou a mala para levar para a fazenda e colocou uma roupa confortável para descansar, pelo menos um pouco antes de Sasuke ir buscá-la.

**

Estava com quase tudo pronto para poder buscar Sakura para irem para a fazenda, só faltava dar o horário que tinha combinado com a rosada. Desde a noite anterior sentia que havia algo errado com a Haruno, mas como a conhecia bem, Sakura estava evasiva a esse assunto, desviando e mudando o foco da conversa quando ele tocava no assunto e isso estava começando a tirá-lo do sério.

Jogado no sofá da sala encarava a televisão ligada em um canal de esportes enquanto sua mente divagava para o momento em que sua relação com Sakura ficou tão complicada, depois do primeiro beijo, o que ele sentiu após o “evento” ao vê-la conversando e dando atenção a outro, como se nada tivesse acontecido entre eles. Por mais duro que fosse para ele admitir, ele sentiu algo que jamais pensou em sentir, ele sentiu ciúmes de Sakura.

Flash Back

Não estava em seus planos encontrar Karin ali, pois ele sabia o quão a ex-noiva odiava fast-foods, segundo ela, e Sakura que adorava comer, mesmo sabendo que aquilo entupia as artérias, causava obesidade e vícios. Respirou fundo para tentar manter-se firme o tempo que fosse necessário.

— Que surpresa te encontrar aqui, você nunca foi fã de comidas assim. – Confessou sem graça, soltando a porta.

— Nossos hábitos mudam, não é Sasuke-kun! – Karin confessou, mordendo o canto dos lábios. Sabia que aquele olhar que a ruiva lhe lançava era de irritabilidade, mesmo sabendo que não tinha esse direito. – Você e ela, sério? – Questionou sem pestanejar.

— Karin… – Começou, coçando a nuca.

Karin sempre fora uma mulher possessiva e isso não mudou muito depois de três anos separados, este era um ponto por qual Sasuke não tentava uma amizade sincera com a ex-noiva, pois ele sabia que assim que desse um pouco de “espaço” para Karin, ela poderia interpretar sua intenção de outra maneira, e ele não estava, e nunca teve, com paciência para aquilo. A mulher de cabelos ruivos era inteligente, mas infelizmente, muitas vezes fingia-se de sonsa para não ver o que estava estampado em sua cara.

Ele não sabia se era notável seu interesse em Sakura, mas espera que conseguisse mantê-lo em seu intimido na frente da ex, até porque, só ele sabia o quão a mulher com quem dividiu parte de sua vida não suportava a moça de madeixas rosadas e olhos verdes. Estava desconfortável com Karin a sua frente e mais desconfortável ainda em deixar Sakura sozinha dentro do restaurante fast-food.

— Você gosta dela! – Karin afirmou, fazendo o Uchiha arregalar levemente os olhos.

— O que? – Questionou impactado com as palavras da ex, estava espantado com a percepção da ruiva. – Não…

Ele sempre foi um homem que escondia seus sentimentos a sete chaves e jamais admitiria em voz alta para alguém, nem mesmo para seu irmão ou para a pessoa por quem estava apaixonado, este era o mal e o castigo por ser um Uchiha e orgulhoso demais, mantinha-se quieto, sempre agindo com cautela para que seus sentimentos não ficassem expostos. Desviou o olhar da ruiva, que o olhava tentando segurar o riso e suspirou.

— Foi bom te ver, Sasuke-kun! – Karin falou rápido com um sorriso, fazendo Sasuke arquear a sobrancelha em confusão. – Nos vemos por ai.

Antes mesmo que pudesse responder, a ruiva saiu rapidamente dali sobre seus saltos altos.

Passou a mão no rosto e entrou no estabelecimento, mas logo se arrependeu de tal escolha quando viu a rosada levemente debruçada sobre o balcão conversando animadamente com atendente, fazendo-o fechar as mãos em punho. Que porra é essa? Foi o que passou em sua cabeça quando viu a Haruno sorrir abertamente jogando a cabeça para trás, enquanto o jovem atendente tinha um sorriso tímido.

Será que Sakura acharia ruim se ele a saísse puxando dali para que pudessem almoçar em outro lugar? Acreditava que sim, bufou baixo e começou a se aproximar da amiga, mas se arrependeu amargamente ao ouvir as palavras doces e, até mesmo manhosa, da Haruno.

— Podemos marcar de almoçar na faculdade, Seiji-kun! – A voz mansa de Sakura o fez revirar os olhos exasperadamente.

Sentiu vontade de vomitar quando o rapaz respondeu que adoraria com um sorriso galanteador brincando nos lábios, fazendo seu ódio pelo mesmo aumentasse algumas dezenas.

— Ok… Por mais que esteja animada a conversa, que tal pedirmos nossos lanches, Sakura? – Perguntou sorrindo falsamente olhando para o rapaz, que finalmente havia notado sua presença, já que Sakura o ignorava enquanto paquerava o rapaz.

— Pode ser… – A mulher de madeixas rosadas falou olhando para o painel com ofertas atrás do atendente. – Vou querer uma oferta do big mac com batata frita grande.

Sasuke fez seu pedido logo em seguida e pagou pelos dois lanches enquanto observava Sakura jogar seu charme para o atendente, que agora ele havia descoberto que eles eram colegas de faculdade. Sakura, em sua visão, nunca fora boa em escolher ou julgar o caráter dos homens, talvez fosse por esse motivo que ela se envolvia tanto com caras que não valiam nada, sempre era homens que apenas brincavam com seus sentimentos.

Sakura sempre foi do tipo de mulher que se entregava demais, de corpo e alma, e não eram todos os homens que sabiam valorizar e apreciar esse tipo de atitude em uma mulher, talvez fosse isso que o havia fascinado em Sakura. Tudo na rosada era intenso e o que faltava em sua vida era isso, intensidade.

— Veja bem, Sakura… Você não é muito boa em julgar o caráter dos homens! – Começou quando se sentaram para desfrutarem seus lanches.

— O que quer dizer com isso, Uchiha? – Questionou com a sobrancelha arqueada diante da observação do moreno.

— Simples, minha cara Haruno… Você confia demais na imagem que o homem passa para você. – Começou, após tomar um longo gole de refrigerante. – Nem todos os homens são o que aparenta, vamos a um exemplo.

— Por favor. – Sakura ironizou enquanto comia a sua batata.

— Vamos usar aquele seu amigo como nosso exemplo. – Apontou para o rapaz que agora atendia uma criança. – Ele parece ser o que ele não é.

— Pelo amor de Deus, Sasuke, o Seiji-kun parece ser um bom rapaz, só olhar para a forma que ele atende aquela criança. – Retrucou revirando os olhos.

— Homens nem sempre são o que aparenta, minha cara. – Sasuke retrucou debochado. – Apenas observe, para você ele se mostrará o que você quer que ele seja, e ele será assim para outras mulheres. Muitos homens, não todos, usam da artimanha chamada “mentira” para conquistar as mulheres que eles querem, muitos conseguem ser verdadeiros, mas não todos.

— E você, meu querido Uchiha, utiliza-se desta artimanha? – Sakura questionou arqueando a sobrancelha.

Por mais que Sasuke agisse feito um cafajeste na maior parte do tempo, ele nunca precisou utilizar-se deste tipo de atitude para conquistar uma mulher, sempre foi muito verdadeiro e claro em relação as suas intenções, a única por quem ele escondia ou camuflava seus sentimentos era Sakura, ela era a única que o deixava inseguro em relação aos seus sentimentos e suas atitudes, mas em nenhum momento ele chegou a mentir a respeito de algo para conseguir alguma coisa de Sakura.

— Eu nunca precisei jogar tão baixo, Sakura. – Confessou, arrancando risadas da rosada.

— Meu Deus, Sasuke, você é tão convencido. – Ela respondeu jogando-lhe um pedaço de batata frita enquanto ria.

O riso pequeno se formou em seus lábios quanto percebeu que o clima agora era descontraído e confortável, então ele poderia tocar num assunto que o vinha incomodando há algum tempo.

— Mudando de assunto agora, Sakura. – Começou tentando manter-se confortável e concentrado no assunto que tocaria naquele momento. – Acho que precisamos falar sobre o que aconteceu, não?

Viu a mulher de cabelos rosados morder o sanduíche em seus dedos lentamente, como se procurasse um modo de fugir daquele assunto. Suspirou e deixou o seu lanche um pouco de lado e a encarou seriamente enquanto juntava as mãos sobre a mesa.

— Olha Sakura, vamos ser maduros. – Recomeçou vendo a mulher o encarar seriamente. – Aconteceu, não tem como mais voltar atrás, foi um beijo, nada mais do que isso, não podemos deixar isso acabar com o que temos, não acha?

As palavras saltaram de seus lábios antes mesmo de conseguir se policiar, quando viu, cada conotação saia sem esforço, por mais que sua vontade de dizer aquilo era zero, entretanto, queria manter Sakura ao seu lado, mesmo que para isso, ele tivesse que ficar ao seu lado como amigo para sempre. Queria tanto gritar ao mundo que queria aquela mulher ao seu lado para sempre, mas sabia que a mesma não se sentia da mesma forma que ele.

O receio de Sakura estava evidente em seus olhos verdes, mas tinha algo a mais brilhando naquelas duas esmeraldas. Viu-a sorrir e relaxar a expressão facial, como se quisesse dizer algo que não podia, mas resolveu ignorar e prestar atenção apenas nas palavras que agora começavam a sair dos lábios da rosada.

— Você está certo, Sasuke! – Ela lhe sorriu e arrumar sua postura sobre a cadeira, como se estivesse se preparando para dar um ultimato. – Não podemos deixar uma besteira desta acabar com nossa amizade, então vamos apenas… Esquecer.

Esquecer… Esquecer”, a palavra quase sussurrada por Sakura martelava em sua cabeça, ele não conseguiria esquecer o momento que eles tiveram, ou melhor, ele não queria esquecer. Suspirou e concordou, era o melhor a se fazer no momento.

— E cá entre nos, Sasuke, esse beijo não foi lá essas coisas, né? – Sakura comentou, tentando dissipar o pequeno clima incomodo que havia se instalado na mesa.

— Qual é Haruno, eu sou muito bom no que faço. – Defendeu-se, entendendo a intenção da mulher que gargalhava a sua frente.

— Não teria tanta certeza assim, Uchiha. – Sakura comentou, rindo da cara de indignação do homem emburrado a sua frente.

De acordo que a conversa ia progredindo, o clima antes incomodo foi se dissipando cada vez mais, voltando a se tornar o clima agradável e amistoso que eles sempre tiveram, era como se nada tivesse acontecido, o beijo trocado e os desejos ocultos não eram assuntos incômodos, acabou por se tornar um assunto frequente entre eles.

Ficou mais claro qual era o real motivo deles se tornarem tão amigos, eles nasceram um para o outro, apenas não tinham se dado conta disso ainda. Pelo menos não naquela época e momento.

***

Até tentou pregar os olhos por um tempo, mas isso acabou por se tornar uma difícil missão quando sua cabeça trabalhava intensamente relembrando os últimos acontecimentos daquela viagem. A foto de Sasuke abraçado com Ino estava tão nítido em sua mente quanto a discussão com seu pai ou quando o viu entrar no elevador abraçado com Tayuya.

Respirou fundo e afundou o rosto no travesseiro para abafar o seu grito raivoso. Que vontade que estava de arrebentar não só a cara de Sasuke, mas de Ino e Tayuya, principalmente da mulher de cabelos vermelhos. Sabia bem que nenhum dos três valia nada, mas o que poderia fazer, dois deles, por mais que Ino ainda fosse suspeita e bem vaca em sua concepção, eram pessoas importantes para ela. Levantou de supetão e pegou o celular, necessitava se distrair.

Jogou, curtiu fotos de pessoas Nice no Instagram, viu as fofocas sobre os famosos no Facebook, leu notícias sobre seu campo de estudo no hospital, mas nada parecia ser o suficiente para que ela se distraísse. Respirou fundo outra vez e jogou o celular para o lado enquanto encarava o teto claro. Ela precisava desabafar, tirar aquilo do seu peito, mas não sabia com quem, já que tinha certeza que Naruto já estava de saco cheio dela e de suas lamurias.

Fechou os olhos e deixou sua mente viajar. Estava confusa, queria confiar em Sasuke, entretanto, não conseguia. As experiências passadas, onde só havia se envolvido com homens que não prestavam, batiam a porta, alertando-a para não confiar demais em Sasuke, pois sempre tinha em mente que todos os homens era iguais, só mudavam de endereço, por mais que não quisesse seguir essa filosofia, os homens com quem se envolviam, a faziam seguir.

Mordeu o canto dos lábios e relembrou todos os momentos que passou ao lado de Sasuke, ele sempre se mostrou totalmente diferente dos homens que havia se envolvido, mas claro, ela ainda não havia ido para a cama com ele, eles eram apenas bons amigos que para matar os momentos de carência, davam alguns beijos e amassos. Beijos e amassos esses que ela nunca poderia reclamar, ou melhor, ela tinha que dar o braço a torcer, Sasuke era bom em tudo. Em todos os sentidos. Era até difícil achar um defeito no Uchiha, para seu azar.

Antes que sua mente pudesse viajar mais, seu celular começou a tocar, atraindo sua atenção. De forma preguiçosa pegou o aparelho e olhou a tela piscando, fazendo-a suspirar. “Chefe Tsu”, nem mesmo longe de Tóquio, Tsunade não lhe dava sossego. Arrastou o dedo sobre a tela e atendeu a ligação, por mais que não estivesse com vontade.

— Sim, Tsunade! – Falou ao ouvir a voz esganiçada e eufórica da chefe do outro lado.

Tenho novidades, esta sentada, Haruno? – Tsunade questionou do outro lado da linha.

***

Pegou as chaves do carro e suas malas e saiu porta afora, estava na hora, finalmente. Ele nunca fora bom em esperar, ainda mais quando se sentia ansioso para algo. Entrou no elevador e respirou fundo, seu corpo vibrava de ansiedade e essa era uma sensação nova, ou melhor, não tão nova quando se tratava de Sakura, mas agora ele se encontraria com ela não como amigo, mas como algo mais, ainda era indefinido, mas com certeza, era algo a mais.

Cumprimentou o porteiro e entregou as chaves ao manobrista, que buscaria seu carro, verificou a hora, pela terceira vez desde que sairá do quarto, e viu, novamente, que não estava atrasado, sorriu discretamente e colocou a mão no bolso da calça jeans, onde sentiu a pequena caixa entre seus dedos, esperava que nada atrapalhasse os seus planos para aquele dia.

Quando o carro chegou, a primeira coisa que fez foi retirar o pequeno presente de dentro do bolso e guardar no porta-luvas, pois sabia que a última coisa que Sakura faria era mexer naquele compartimento, ainda mais em um carro alugado. Por mais que tentasse, era difícil não sorrir. Estava gostando de sentir aquela sensação tão nova. Sentia-se um adolescente novamente.

Sakura era a pessoa certa, ele tinha certeza, ou melhor, ele tinha mais do que certeza, ele tinha convicção. Fora ela que ele esperou por tanto tempo e por isso, não a deixaria escapar tão facilmente de seus braços. Ela era a mulher dos seus sonhos. Era com ela que ele queria construir sua família.

Estacionou rente ao meio-fio e desceu do carro enquanto mandava a mensagem de aviso à mulher que havia chegado, que logo respondeu que estava saindo.

**

Quando a mensagem de Sasuke apitou em seu celular, Sakura ainda encarava o aparelho fixamente desde que desligara com Tsunade. Não sabia se estava em choque ou feliz, alias, ela não estava sabendo como reagir a notícia que recebera. Forçou-se a sair do transe e pegar suas malas e se encontrar com Sasuke, com quem não estava nem um pouco a fim de conversar.

Mesmo com vontade de desistir, pegou as malas e desceu, abriu a porta e o viu, de camisa social azul dobrada até os cotovelos, calça jeans, tênis, de óculos escuros, cabelos levemente bagunçados e barba por fazer, foi naquele momento que Sakura sentiu seu corpo fraquejar um pouco diante da visão que era Sasuke, mas manteve-se forte.

Sorriu quando seus olhos caíram sobre a mulher de vestido azulado e de sapatilha, condizendo à delicadeza que não existia em Sakura. Pegou as malas da mesma e a viu sorrir, agradecida.

— Oi! – A voz baixa de Sakura mexeu com ele, pois era uma voz mansa e calma, diferente de seu habitual.

— Oi, você está bem? – Perguntou encarando-a nos olhos, sentia que ela estava estranha, mas sabia que ela não lhe diria facilmente.

— Estou sim… – Respondeu sabendo que ele lhe observava de perto, esperava e torcia para não fraquejar diante daquele olhar. – E você?

O olhar de Sakura fraquejou diante do seu por mais que ela mantivesse o sorriso estampado em seu rosto, seus olhos não negavam que ela não estava bem. Aproximou-se e a abraçou sem aviso, sentindo-a travar em seus braços, o que achou ainda mais estranho, suspirou e beijou o topo da cabeça cor-de-rosa, fazendo-a se tencionar mais ainda em seus braços.

Queria, mas não estava conseguindo, quando Sasuke a tocou as lembranças da fotografia dele com Ino e as cenas dele entrando no elevador com Tayuya vieram com tudo em sua cabeça, sentiu vontade de afastá-lo com um empurrão e lhe xingar até a quinta geração, mas ao mesmo tempo em que teve essa vontade, teve a de se aconchegar em seus braços e chorar, desabafar.

Sutilmente, o abraçou e o soltou na mesma rapidez, não queria que seu corpo a traísse e ela sabia que isso aconteceria se ela demorasse um pouco abraçada a Sasuke, já que até o perfume do Uchiha tinha poder sobre seus hormônios. Apesar de tentar ser o mais sutil possível em seu afastamento do homem, foi inevitável ele não notar a sua recusa diante de seu abraço.

— Vamos, são duas longas horas de viagem! – Comentou trancando a porta, precisava manter a cabeça no lugar.

Ele sabia que Sakura estava distante, ainda mais depois de sua atitude, mas ele também compreendia que se tentasse insistir para que ela lhe falasse o que estava havendo só complicaria a situação e ela se fecharia ainda mais diante da pressão. Suspirou e pegou as malas da Haruno e as puxou em direção ao carro, não a forçaria a nada, como sempre fizera. Daria o tempo que Sakura precisasse para ela voltar a se abrir, mesmo sem saber que o real motivo dela se fechar era ele.

— Vamos.

O clima do carro, apesar de tenso, estava descontraído graças a música que tocava, entretanto, nem Sasuke e nem Sakura prestavam atenção tanto na melodia quanto na letra da música. Cada um estava perdido em sua própria consciência, O Uchiha tentando decifrar o que havia acontecido com a mulher ao seu lado desde a última vez que se falaram até aquele exato momento, e a Haruno tentando se manter firme para não jogar tudo que estava entalado em sua garganta na cara do moreno ao seu lado, pois sabia que não era hora.

O GPS apontava o caminho, então Sasuke concentrava-se apenas em dirigir enquanto Sakura concentrava-se na paisagem que se passava rapidamente. Tinha muita coisa que eles queriam falar um para o outro, porém, nenhum dos dois sabia como começar ou como falar, o que complicava a situação.

Foram às duas horas mais longas de sua vida, principalmente para uma pessoa hiperativa como Sakura. Hora ou outra, ela abria a boca para fazer qualquer comentário com Sasuke, mas fechava logo em seguida ao recordar-se que estava “receosa” com o mesmo, então voltava a olha para a paisagem sem graça de árvores e pastos ao lado da rodovia. Ela tinha que confessar, odiava aquele tipo de situação, ainda mais com Sasuke.

Ele seguia cada movimento de Sakura com os cantos dos olhos, mas não ousava falar ou tomar a iniciativa na conversa, ainda mais ao notar as expressões frustradas da Haruno. Sempre fora mais solto quando estava com a rosada, entretanto, estava se contendo o máximo possível, ela precisava se abrir primeiro para que pudessem resolver qualquer impasse.

Suspirou de alívio quando viu o casarão de madeira rústica e telhas vermelhas ao final do caminho cheio de árvores ao redor. Sorriu ao recordar-se de tantos momentos que viveu no local. Os avós de Gaara sempre a trataram com muito carinho e amor e ela só tinha que agradecer. Nostálgica, era assim que ela se sentia.

Quando Sasuke encostou o carro no local reservado próximo a casa, saiu rapidamente para respirar o ar do local, que era o mais puro do que se lembrava, apesar do odor de fezes dos animais pastando próximo dali, o cheiro de carvalho e eucalipto recendia pelo ambiente, fazendo-a se sentir mais uma vez em casa.

— Você está bem? – Sasuke questionou ao vê-la alegre e de olhos fechados.

— Sim. Ótima. – Respondeu, olhando-o com um sorriso. – Vamos pegar as malas. – Pediu.

Antes que pudesse se aproximar do carro, uma presença atraiu sua atenção. Sentiu seu coração se apertar ao ver o velho pai se aproximando lentamente de onde estavam. Respirou fundo e engoliu seco, não sabia se estava preparada para encarar o patriarca depois da noite anterior, onde cada um falou o que queria e acabou por magoar um ao outro.

— Olá querida, Sasuke! – A fala mansa do Haruno pegou Sasuke desprevenido, fazendo-o esquecer que estava retirando as malas. – Querida, será que poderia levar as malas, gostaria de trocar algumas palavras com seu namorado.

Surpresa era a única coisa estampado nos rostos de Sasuke e Sakura. O receio tomou conta de Sakura, com medo de seu pai a humilhar mais do que já havia humilhado. Já Sasuke sentia seu corpo gelar, será que aquele era o momento que seu suposto sogro o mataria e sumiria com o seu corpo para nunca ser encontrado?

— Mas… – Sakura começou tentando se aproximar do patriarca.

— Não se preocupe, vamos apenas trocar algumas palavras. – Kizashi falou manso, encarando o rapaz, que agora já tinha as malas fora do carro.

— Porque você não entra, Sakura? – Rebateu, encarando o velho Haruno, se ele estava planejando algo, ele estava curioso. Virou-se para a rosada e deu um sorriso. – Eu e seu pai vamos apenas conversar.

Sentiu seu chão sumir diante das palavras do Uchiha, mordeu o canto dos lábios e o encarou. Estava com medo do que poderia acontecer, mas sabia que uma hora ou outra, aqueles dois precisariam conversar, então apenas acenou com a cabeça concordando.

Ficaram encarando Sakura entrar arrastando as malas portas a dentro, para então se encararem.

— Então, o que quer? – Sasuke perguntou curto e grosso.

***

Extra:

Acordou sentindo sua cabeça latejar forte, abriu os olhos e olhou envolta tentando reconhecer onde estava, foi onde percebeu que estava em seu quarto, sentou-se na cama e coçou a cabeça enquanto relembrava a noite anterior.

Flash Back

— O senhor é um homem muito sério. – Tayuya falou risonha.

Quando viu que não conseguiria arrancar nem mesmo um gracejo por parte de Sasuke, desandou a beber, querendo assim, desligar-se do vexame que passou durante o jantar inteiro, agora lá estavam eles, em frente ao elevador, ou melhor, Sasuke estava ali, apenas para certificar-se que ela entraria no mesmo.

O revirar de olhos de Sasuke ficou mais do que evidente, ainda mais quando ele a ajudou a entrar no elevador e perguntou o andar de seu quarto.

— O seu, querido! – Respondeu embolado, gargalhando em seguida.

— Senhorita Kaguya, peço por gentileza, que se contenha. – Sasuke alertou, mantendo seu corpo afastado dos toques da ruiva.

— Por quê? – Debochou tentando debruçar-se sobre o Uchiha. – Você não precisa se conter, querido, ninguém saberá o que acontecerá entre nos.

Sentiu seu corpo ser largado bruscamente e teve que se segurar no pequeno corrimão que tinha próximo ao espelho para não cair no chão, o moreno a sua frente a olhava friamente, fazendo seu corpo se arrepiar, mas não de tesão.

— Entenda senhorita Kaguya, eu não me envolveria com a senhorita, nem hoje e nem nunca, as pessoas podem não saber, mas eu saberia e acredite, não é de meu feitio trair a mulher que eu amo. – O Uchiha falava calmamente, a encarando. – Não adianta tentar me seduzir ou o que quer que esteja fazendo, não dará certo, eu conheço essas artimanhas e nenhuma funcionaria comigo, entenda de uma vez, eu sou louco pela Sakura e não será você que me fara mudar de ideia.

— Sasuke… – Tentou, mas ele a interrompeu.

— Eu me encontrei com a senhorita por conta de um negócio que estamos fechando, não por outros motivos, eu não tenho interesse de encontrar a senhorita se não for estritamente a trabalho, estamos entendidos? – A seriedade de Sasuke era intensa, deixando-a assustada.- E por favor, respeite o relacionamento das outras pessoas.

Nunca havia sentido tanta vergonha em sua vida, seu rosto corou e teve que segurar-se mais forte na barra de metal, queria fugir dali, agora sabia o motivo de Sakura ser louca por aquele homem, ele era intenso em tudo, desde nos negócios, quanto em seus sentimentos.

— Eu… – Tentou, mais uma vez falar, mas faltou-lhe palavras.

— Vejo que consegue chegar ao seu quarto sozinha. – Sasuke falou apertando o botão de seu andar, olhando-a. – Passar bem, senhorita Kaguya, foi ótimo fazer negócios com a senhorita.

Não teve tempo de responder, quando as portas se abriram Sasuke passou por elas sem ao menos olhar para trás. Seu corpo escorregou na parede de alumínio quando seus joelhos cederam, as lágrimas escorriam por seu rosto sem ao menos perceber, nunca em toda a sua vida alguém havia falado daquela maneira com ela.

Estava acostumada a roubar o namorado de outras garotas e não se importava nenhum pouco com isso, mas daquela vez, pela primeira vez em sua vida, havia se incomodado e estava se importando.

**

Suspirou ao sentir sua cabeça latejar e as lágrimas voltarem a ameaçarem a cair, sentia-se uma pessoa horrível por tentar roubar Sasuke de Sakura. Era nítido que o Uchiha amava a Haruno, por mais que ela não suportasse a rosada, ele a amava, e ela sentiu inveja de não ser a pessoa a receber esse amor, não por ser Sasuke, mas por ela nunca ter sentido isso na vida.

Ela não tinha mais certezas na vida, estava confusa, mas uma coisa ela estava certa, ela precisava se desculpar tanto com Sasuke quanto com Sakura, para poder viver melhor. Tayuya queria uma vida nova e precisaria passar por isso para conseguir.

Notas finais
Ola meus amores. Então, eu andei afastada porque tive vários problemas, desde de saúde a acadêmicos, mas graças a Deus, consegui resolver. Minha saúde já esta boa e melhor, graças a Deus, e finalmente, eu ME FORMEI. Minha colação de grau é dia 31 agora, e acredite, estou imensamente ansiosa por isso, nem estou acreditando que estou me formando, depois de tanto tempo. Enfim, estou voltando a postar aos poucos, para quem acompanha minha pagina oficial no facebook já esta sabendo das novidades, e eu pretendo, finalmente, finalizar "Muito Bem Acompanhada", já tenho alguns capitulos a mais escritos, e esta caminhando para os capitulos finais, por isso, fé no pai que essa historia acaba, ahahah. Ao finalizar essa, focarei nas outras postadas e nos projetos novos, por isso, vem coisa boa por ai. Obrigada a todas que continuaram firmes e fortes a minha espera, pelos incentivos e palavras de apoio, sem elas eu não teria continuado, obrigada por tudo. Beijos, até breve. Atenciosamente, Sakuu-chan!