Muito Bem Acompanhada
19 Capítulo Dezenove
Notas iniciais
“Muito Bem Acompanhada”
CAPÍTULO DEZENOVE
***
No capítulo anterior:
— Olá querida, Sasuke! – A fala mansa do Haruno pegou Sasuke desprevenido, fazendo-o esquecer que estava retirando as malas. – Querida, será que poderia levar as malas, gostaria de trocar algumas palavras com seu namorado.
Surpresa era a única coisa estampado nos rostos de Sasuke e Sakura. O receio tomou conta de Sakura, com medo de seu pai a humilhar mais do que já havia humilhado. Já Sasuke sentia seu corpo gelar, será que aquele era o momento que seu suposto sogro o mataria e sumiria com o seu corpo para nunca ser encontrado?
— Mas…— Sakura começou tentando se aproximar do patriarca.
— Não se preocupe, vamos apenas trocar algumas palavras. – Kizashi falou manso, encarando o rapaz, que agora já tinha as malas fora do carro.
— Porque você não entra, Sakura! – Rebateu, encarando o velho Haruno, se ele estava planejando algo, ele estava curioso. Virou-se para a rosada e deu um sorriso. – Eu e seu pai vamos conversar.
Sentiu seu chão sumir diante das palavras do Uchiha, mordeu o canto dos lábios e o encarou. Estava com medo do que poderia acontecer, mas sabia que uma hora ou outra, aqueles dois precisariam conversar, então apenas acenou com a cabeça concordando.
Ficaram encarando Sakura entrar arrastando as malas portas adentro, para então se encararem.
— Então, o que quer? – Sasuke perguntou curto e grosso.
***
— Você me lembra muito o seu pai. – Kizashi começou, encarando o Uchiha que agora o olhava curioso. – Sim, eu o conheci. Tem muitas coisas sobre mim que você e Sakura não sabem, Sasuke!
Encarou o homem de meia idade com atenção, ao observá-los assim pode perceber a proximidade de idades entre ele e o falecido pai. Era difícil de acreditar que aquele homem havia conhecido Uchiha Fugaku, conhecia a história, ou melhor, a pouca história de seu pai antes de herdar a empresa falida do seu pai, mas sabia que ele morava em uma cidade pequena com a mãe, enquanto o pai tentava ganhar dinheiro para sustentar a casa.
— Eu e seu pai crescemos juntos, praticamente, éramos amigos inseparáveis até nos apaixonarmos pela mesma garota, que não ficou com nenhum dos dois. – Kizashi riu diante da lembrança – Seu pai era um homem ganancioso, mas de bom coração, por mais que brigássemos, éramos grandes amigos, quando soube da morte dele e de Mikoto, senti meu chão ruir, até porquê, meu rival havia me deixado sem termos uma batalha digna.
O homem devaneava sobre o passado, fazendo o Uchiha recordar-se dos poucos momentos que viveu feliz ao lado dos pais, fazendo sentir saudade daqueles momentos tão mal vivido, talvez fosse por esse motivo que ele acabou aceitando ir naquela viagem com Sakura, sentia falta de um contato familiar que pouco tinha com seu irmão e sua esposa, ou até mesmo com Madara e Obito.
— Quando Sakura me apareceu com um Uchiha, senti como se aquele tempo tivesse voltado, fiquei com medo de minha filha se magoar, quando na verdade a pessoa que a mais magoou, fui eu. – Não falava, apenas escutava o Haruno desabafar, parecia que ele precisava daquilo. – Eu me sinto péssimo, disse coisas horríveis a minha filha quando queria dizer o quanto a amava e que estava orgulho de seus feitos, foi quando eu me toquei que eu havia me tornado um péssimo pai.
Era nítido que o homem estava perdido em seus pensamentos, mas Sasuke não tinha forças para interrompê-lo, se tinha observado bem nos poucos dias que esteve dentro da casa da família Haruno, Sakura e Kizashi eram muito parecidos naquele quesito. Nenhum dos dois eram bons em falar tudo que estava entalado na hora, eles guardavam tudo para si, até chegar o momento que não conseguiam mais e explodiam.
— Senhor Haruno… Acho que deveria falar isso para a sua filha. – Começou receoso.
— Eu sei, só não sei como falar isso, estou errando tanto com minha filha, Sasuke. – Kizashi falou passando as mãos nos rostos. – Eu tentei tomar as rédeas de sua vida, eu tentei tomar decisões por ela e… Eu a afastei de mim.
— Sua filha o ama, senhor Haruno. – Sasuke contou com um pequeno sorriso, pois ele sabia que Sakura era louca para deixar o pai orgulhoso e o amava tanto. – Vocês só precisam conversar. – Aconselhou.
Era estranho para o Uchiha ter aquele tipo de conversa com Kizashi, era mais estranho ainda eles não estarem discutindo.
— Você me ajudou rapaz, você me ajudou a perceber a filha incrível que eu tenho e nunca tinha me dado conta. – O patriarca Haruno o olhou e tocou-lhe o ombro, fazendo Sasuke o olhar espantado com tal atitude. – Obrigado, agora eu sei por que minha filha o ama tanto.
Sentiu seu interior se contrair, sentia-se mal por enganar aquele homem daquela maneira, até porque, ele e Sakura ainda não haviam sentado e conversado seriamente sobre a relação deles, se dependesse de Sasuke, eles namorariam e em um ano, no máximo, já estavam se casando, porém, ele não tinha como decidir isso por Sakura.
— Senhor Haruno…— Começou receoso, não tinha certeza se estragaria os planos de Sakura, apenas queria tirar aquele peso de suas costas, queria formalizar seu relacionamento com Sakura, mesmo não sabendo se estavam ou não em um. – Gostaria de pedir sua permissão para namorar e quem sabe, casar-me com sua filha!
O olhar de Kizashi era instigante, parecia que ele conseguia ler a sua alma, não tão diferente do olhar de Sakura, sentiu-se nervoso e engoliu seco, tentando manter-se calmo e controlado, o que era difícil com o olhar inquisidor de Kizashi sobre si, fazendo-o se sentir um adolescente pedido ao pai para levar sua filha ao baile.
— Eu pensei que vocês já estavam namorando, meu filho! – Kizashi falou manso, mas sorridente, foi quando Sasuke percebeu.
Kizashi já sabia, ele sempre soube que entre ele e Sakura não acontecia nada além de uma amizade, entretanto, manteve-se discreto nesse quesito, seja para não expor a filha, ou até mesmo ele. Deu um sorriso de canto e olhou para o chão ao sentir o toque do homem em seu ombro mais uma vez.
— Sinto que a minha benção é importante, por isso, esta concedida, Sasuke. – O patriarca Haruno falou com a voz leve, como Sasuke não havia visto desde que chegará para aqueles dias desastrosos. – Conto com você para fazer Sakura feliz.
***
Sentia-se ansiosa e apreensiva, não sabia o que seu pai conversava com Sasuke e muito menos se eles sairiam aos socos, já que o clima entre os dois não era um dos mais amistosos. Suspirou e se jogou na cama de casal no quarto onde ficaria com Sasuke.
Aquela fazenda trazia-lhe lembranças boas da época da escola e de quando namorava com Gaara, que sempre a tratou muito bem e com muito carinho e respeito. Na época que namorava com o Sabaku No, ele era considerado o namorado perfeito e Sakura se orgulhava disso. O término antes de sua partida ainda não teve um motivo forte para acontecer, pois ela nunca aceitou o fato dele dizer que eles tinham caminhos diferentes que não se cruzavam, agora ela entendia um pouco do que ele falava.
Demorou, mas agora ela conseguia ver claramente sua realidade. Ela não conseguia se ver ao lado de Gaara, nem namorando e muito menos casando, por mais difícil que fosse aceitar, ela se via fazendo tudo isso ao lado de Uchiha Sasuke, o homem que no momento não queria ver nem pintado de ouro, por mais que ele fizesse seu coração palpitar de ansiedade.
— Sakura…— A voz de Naruto atraiu sua atenção para a porta, onde o primo a olhava. – Está bem?
Ficou encarando o Uzumaki por alguns segundos em silêncio, era difícil para ela se apoiar tanto em uma pessoa como ela estava se apoiando no loiro, mais difícil ainda era se manter firme diante de todos quando na verdade queria jogar tudo para o ar e mandar todos a “puta que os pariu”, porém, não poderia fazer algo assim, ou melhor, não conseguia.
O seu problema sempre foi colocar os outros a frente de suas prioridades e sentimentos, esquecendo-se que ela também sofria, se decepcionava e chorava.
— Estou…— Respondeu cautelosa, tentando manter a voz o mais normal possível.
— Entendi. – Naruto não lhe deu tempo de resposta, apenas entrou no quarto e a abraçou. – Ainda não conversaram, certo?
Abraçou o Uzumaki de volta com força, tentando achar naquele abraço a coragem que lhe faltava, mas quanto mais procurava essa coragem, mais se recordava de Sasuke entrando no elevador com Tayuya. A sua bile fechou e a vontade de chorar apareceu novamente, apertou os braços envolta de Naruto para se manter forte, mas a vontade de chorar estava mais forte que sua vontade de não chorar.
— Pode chorar. – As palavras do Uzumaki só lhe deu o gatilho para as lágrimas escorrerem. – Você sabia que não precisa ser forte o tempo todo, não é?
Naruto falava enquanto ela chorava como uma criancinha que perdeu seu brinquedo favorito.
— Sakura, algumas vezes nossos olhos veem coisas que não são verdades e estamos tão acostumados com esse tipo de situação, que interpretamos de maneiras erradas. – Suas palavras eram doces. – Nem tudo que parece ser, é; por isso, não sinta-se com medo de desabafar com quem que seja, seja você, lute por você, desabafe por você, não acumule nada.
Ainda tentava se lembrar de quando Naruto ficou tão inteligente, já que de todos os primos, Naruto era o mais burro, a Ino era a mais ou menos inteligente e ela a mais expert em relação a tudo, isso a fazia se sentir patética, mas não de um jeito ruim, claro.
— Hinata me ensinou que nem tudo pode ser guardado, que quanto antes falarmos sobre, mais rápido passa o sofrimento e a dor. – Naruto falava acariciando sua cabeça num cafuné gostoso. – E que muitas vezes sofremos sem motivo.
Talvez o primo estivesse certo. Ela precisava colocar a cabeça no lugar e resolver aquela situação como uma mulher bem resolvida de vinte e seis anos que era e sempre foi.
— E não é que você está certo. – Limpou as lágrimas e soltou-se do primo indo decidida para a porta. – Vou resolver isso e agora.
Antes mesmo de abrir a porta, ela se abriu e por sorte ela não foi a chão, sentiu seu rosto bater sobre o peito firme de alguém que logo reconheceu o perfume, que era delicioso por sinal.
— Você está bem? – A voz grave de Sasuke invadiu seus ouvidos, arrepiando-a por completo.
A proximidade com Sasuke após o momento intenso que tiveram juntos ainda mexiam com a cabeça e ações de Sakura, mas isso não a fazia esquecer do que virá ou sentirá ao presenciar Sasuke com Tayuya ou na foto com Ino, isso só a deixava com raiva por ele mexer tanto com ela.
— Quem? Eu? – Perguntou atordoada, mas logo se recompôs e se endireitou. – Eu estou ótima.
— Tem certeza? – Sasuke questionou estranhando a atitude da Haruno, que parecia nervosa e raivosa.
Enquanto os dois ficavam brigando para saber se estavam bem ou não, Naruto os observava com um sorriso. Era notável que Sasuke e Sakura eram loucos um pelo outro, entretanto, o que faltava ali era iniciativa, o primeiro passo para que houvesse a tão esperada declaração onde nenhum medo ou mal entendido tivesse vez, a não ser o amor dos dois. Suspirou e negou com cabeça, dois grandes cabeças-duras, ele teria muito trabalho para fazer aqueles dois se assumirem de verdade.
— Acho que vocês precisam conversar. – Naruto falou alto, fazendo os dois se calarem, enquanto Sakura lhe olhava raivosa, Sasuke lhe encarava compreendendo a indireta.
Naruto saiu sorrateiro e rápido, pois sabia que se ficasse mais tempo ali Sakura amarelaria e não falaria tudo o que estava entalado para Sasuke e eles precisavam daquela conversa o mais rápido possível, antes que as coisas se complicassem mais.
— Porque você não toma um banho e depois conversamos, hun? – Sugeriu, sentindo a coragem ir embora aos poucos de seu corpo.
— Porque você não fala o que esta te incomodando desde a hora que eu fui te buscar, Sakura? – Sasuke foi direto, fazendo com que ela recuasse.
— Qual o seu problema? – Perguntou vendo que o Uchiha estava irritado.
Irritado sem motivo, alias, a única pessoa que poderia se sentir irritada dentro daquele quarto era ela, já que ele fora flagrado com duas mulheres que ela odiava, Ino nem tanto, e não falou uma palavra se quer, como se quisesse esconder tal fato dela, isso era o que a deixava mais indignada com o Uchiha. Não se importava do Uchiha ter contato com outras mulheres, isso era fato, mas ele poderia ter falado a ela que havia se encontrado com Ino e Tayuya, ela não era nenhuma louca ciumenta, alias, estava longe de ser isto.
— Eu não tenho nenhum problema, a única pessoa que parece ter alguma coisa aqui é você, que desde que a busquei essa manhã vem me tratando com frieza, como se eu fosse um nada. – Sasuke desabafava pegando sua mala e a abrindo de supetão, tentando canalizar a sua raiva para outras coisas sem ser Sakura. – Por isso que eu pergunto, qual o seu problema, Haruno?
O clima do quarto pesou, Sasuke a encarava com irritabilidade, como se tudo o que tivesse conversado com o pai da rosada tivesse ido por água abaixo. Ele sabia e sentia que tinha algo estranho com Sakura, mas não poderia forçá-la a lhe contar, ou melhor, era isso que ele imaginava ao perceber que aquilo afetava seu relacionamento com a Haruno.
Parecia que o momento que eles tiveram há pouco tempo tinha se tornado um nada para ela, e isso o incomodava. Ele queria ficar com ela, queria construir uma vida ao lado daquela mulher de personalidade espontânea e estranhamente maluca, mas ele a amava, e isso o fez recordar-se das palavras do pai da mulher.
Flash Back
— Responda-me rapaz…— Kizashi começou após um bom tempo em silêncio apreciando os cavalos pastando. – O que viu em minha filha?
Aquela era uma pergunta curiosa e até mesmo enigmática, até porque, havia tantas coisas que o atraiam em Sakura, que era difícil escolher as melhores. Com tempo de amizade conheceu Sakura mais do que ela se conhecia, e isso era bom, mas, ao mesmo tempo, o deixava inseguro.
Haruno Sakura era o tipo de mulher que sabia o que queria para a sua vida, mas, ao mesmo tempo, mudava de vontades, decisões e desejos em um piscar de olhos. Ao mesmo tempo que ela poderia lhe querer, ela poderia não lhe querer e isso o deixava receoso. Nunca fora um homem de se entregar inteiramente para uma mulher, por tal motivo seu relacionamento com Karin havia chegado ao fim.
Não se sentia seguro o suficiente para taxar qualquer mulher como a de sua vida, isso até conhecer Sakura. O espírito da Haruno o conquistou aos poucos, não foi nada a primeira vista, ele foi sentindo-se apaixonado aos poucos, quando viu, não conseguia viver sem aquela mulher ao seu lado, por isso se contentava em ser apenas seu amigo. Bem, era isso que ele achava até tê-la em seus braços.
Foi quando ele teve a certeza, queria ser mais que um amigo, queria amá-la, mimá-la e cuidar daquela mulher tão menina. Queria fazê-la feliz, e estaria disposto a tudo, até mesmo passar por aqueles momentos de provação, só a queria ao seu lado, será que isso era pedir demais?
— Eu vi suas qualidades e seus defeitos, ela é a pessoa que me completa e que me faria feliz a todo custo. – Respondeu divagando em seus pensamentos. – Não tenho um motivo, simplesmente sinto isso.
Era difícil falar de seus sentimentos, quando a outra pessoa não estava certa dos seus, por mais que eles tenham se “confessado”, ainda existiam muitas coisas a serem resolvidas entre eles, e os seus sentimentos era um deles, isso era o que o deixava muito inseguro, coisa que ele jamais foi em sua vida.
Sempre fora um homem tão seguro de si, mas quando se tratava de Sakura se tornava um adolescente, o que era mais difícil, já que ele sempre quis ser o pé no chão para ela.
**
— O que você quer de mim, Sasuke? – Sakura perguntou num rompante após um longo intervalo de silêncio.
Era sufocante para ela ver tudo e não falar nada, ainda mais que envolvesse Sasuke, mas ela não conseguia, nem mesmo se quisesse ou se forçasse. Sentia-se frustrada e despedaçada. Ela o amava mais do que a si mesma, mas isso não significava passar por cima de seu orgulho ou amor-próprio. Entretanto, era difícil jogar as cartas na mesa e falar sobre Ino e Tayuya quando ela se sentia tão traída por ele.
— Eu quero que me diga o que está acontecendo, que se abra comigo sem medo, que fale, Sakura. – Falou passando as mãos no rosto nervoso. – Não que você se retraia, se esconda e guarde tudo para si, quero que você se abra, sem medo de julgamentos.
Fácil era ouvir aquilo tudo, o difícil era fazer, se achava tão segura e firme, tão mulher madura, mas, ao mesmo tempo, era só uma menina querendo colo e cuidados, sempre com receio de fazer algo que os outros não aprovem e acabem julgando-a.
— Eu quero que você se abra comigo, que você fique comigo e ao meu lado, que você me ame como eu a amo, Sakura.
As palavras de Sasuke a pegou desprevenida, por mais que na vez que ficaram juntos pela primeira vez ele tenha se “confessado”, ela não levou a sério, porque achou que ele tivesse falado tais palavras apenas para conseguir lhe levar para a cama, como muitos fizeram, deixou seu medo falar mais alto que seus sentimentos e fingiu acreditar, quando na verdade o receio estava presente sempre. Mas ouvindo-o falar daquela forma, mexeu com seus sentimentos.
— Se você quer que eu fique com você, porque mentiu? – Quando sua voz saiu falhar, foi quando percebeu que chorava. – Se você me ama tanto, porque não me atendeu e mentiu dizendo que estavam numa reunião de negócios enquanto jantava com a Tayuya?
As palavras escapavam de seus lábios antes que conseguisse freá-las, a cada respirada era mais lágrimas descendo por seus olhos verdes, mal conseguia ver Sasuke, ou melhor, não queria vê-lo, mesmo estando a sua frente. Sentia-se enganada, vê-lo em uma foto abraçado com Ino não era nada comparada ao vê-lo entrar num elevador com Tayuya e a mentira dele dizendo que estava num jantar de negócios magoava-a demais.
— No momento que eu mais precisei de você, Sasuke, você não estava lá, estava num jantar com outra mulher, que eu tenho certeza que você levou para a cama. – Desabafava soluçando, ficando difícil para o Uchiha entender algumas palavras. – Eu confiei em você, e como sempre, fui magoada, e você ainda vem dizer que me ama? Francamente.
Era difícil para ele entender as palavras enroladas de Sakura, mas estava pegando a sua linha de raciocínio, em nenhum momento ele brincou com os sentimentos de Sakura ou a enganou, isso era a última coisa que queria ou planejava, ela apenas estava tirando conclusões precipitadas.
Seu jantar com Tayuya havia sido estritamente profissional, não via a mulher de cabelos vermelhos como uma possível paquera quando se tinha Haruno Sakura em sua vida. Desde que a Haruno havia entrado em sua vida, todas as mulheres haviam perdido o encanto para ele, ele se envolvia para matar a carência, já que a única mulher com quem ele queria construir uma família, era a rosada.
— Eu não te trair com a Tayuya. – Declarou vendo Sakura resmungar baixo consigo mesma. – Eu não tenho motivos para fazer isso.
— Então porque mentiu que estava em reunião enquanto jantava com ela? – Questionou mão conseguindo acreditar nas palavras do Uchiha.
— Eu estava em uma reunião com ela. – Confessou passando as mãos nos cabelos, não poderia deixar escapar os negócios envolvendo a casa, não ainda. – Estamos tentando fechar um negócio comercial com sua família, e ela, infelizmente, é a responsável por isso.
Por mais que não quisesse, as palavras de Sasuke eram convincentes, sem falar que não tinha motivos para desconfiar de suas palavras quando o Uchiha sempre fora tão sincero com ela. Suspirou, precisava tirar mais de Sasuke, sua sede por respostas ainda não estava saciada, por mais que Sasuke se mostrasse verdadeiro em suas respostas.
— E porque você subiu abraçada a ela? – Perguntou mais calma.
— Eu apenas a ajudei a entrar no elevador, pois ela bebeu mais do que podia. – Sentou-se na cama e respirou fundo, pois sabia que o interrogatório seria longo.
Mordeu o canto dos lábios e fungou enquanto limpava as lágrimas, sabia que não poderia perdoar o Uchiha tão fácil, mas algo em seu íntimo a alertava que o moreno estava falando a verdade, para ela parar de ser desconfiada e confiar pelo menos uma vez no que Sasuke lhe dizia, que nem todos os homens eram iguais aos que ela estava acostumada.
— E ela bebeu demais por quê? – A curiosidade estava batendo a porta, queria ouvir da boca do Uchiha à verdade.
— Por que eu disse que eu não teria nada com ela…— Sasuke se levantou, indo em sua direção sorrateiramente e lhe abraçou. – Porque sou louco por você e só quero você.
Era difícil de resistir, ainda mais com Sasuke sendo manhoso e carinhoso daquela maneira. Aquele era um lado que jamais imaginou que veria em Sasuke, que sempre se mostrou tão centrado e na dele, sempre se mostrando frio em relação as mulheres e relacionamentos. Com ela, o Uchiha sempre se mostrava um homem com quem ela adoraria firmar um relacionamento de longa data.
Sorriu e o abraçou de volta. Droga, não era para ela se derreter tão facilmente diante daquelas palavras. Cadê a mulher que disse que se manteria firme diante das palavras e gestos do namorado? Pois é, não existia, pois ele confiava nele, mais do que poderia imaginar e já estava ficando de saco cheio de não poder abraçá-lo como naquele momento.
— Quer falar sobre o que aconteceu com o seu pai? – Sasuke perguntou, após ficarem um bom tempo abraçados.
Mordeu o canto dos lábios e o encarou, no momento, a última coisa que ela queria fazer era conversar. Tinha algum tempo que não o via e naquele momento a única coisa que queria era usufruir do corpo do Uchiha, o famoso usar e abusar.
— Que tal, antes de falarmos sobre esse assunto, tomarmos um banho? – Sugeriu dando um singelo beijo do queixo do Uchiha.
— Nos dois? – Sasuke perguntou só para garantir que não havia ouvido demais.
— Claro, a não ser que não queira. – Se afastou do Uchiha abrindo os primeiros botões de seu vestido.
Sasuke não esperou, apenas a abraçou e a beijou. Como sentiu falta daqueles lábios sobre os seus, talvez já estivesse tão viciado na Haruno que até mesmo um dia sem seus beijos o deixava em abstinência. Suas mãos subiram pelo peito de Sasuke e começou a desabotoar os botões de sua camisa, para poder tocar sua pele quente. Seus lábios beijavam a pescoço claro de Sasuke enquanto era arrastada para o pequeno banheiro.
Eles tinham pressa, as roupas foram tiradas com rapidez, eles não tinham tempo a perder. Quando o primeiro jato de água do chuveiro bateu sobre suas costas, o gemido escapou dos lábios de Sakura, mas logo Sasuke o abafou com seus lábios, em um beijo intenso.
Encostou Sakura na parede do boxe e passou a beijar-lhe no pescoço, sugando a região deixando-a avermelhada, suas mãos percorriam o corpo da rosada, tocando-lhe e dando-lhe prazer. Suas unhas arranharam as costas e os ombros com força, tentando diminuir os gemidos, mas era quase impossível quando Sasuke a tocava.
Suas mãos desceram pelo peitoral e abdômen do Uchiha, chegando a sua masculinidade já ereta, aguardando seu toque. O gemido de satisfação de Sasuke chegou aos seus ouvidos quando ela o tocou, movendo a mão lentamente, do início ao fim. Seus movimentos eram firmes e delicados, não aguentaria muito, então a beijou e em um movimento rápido, a suspendeu pelas coxas, fazendo-a se encaixar perfeitamente.
Os gemidos foram abafados pelos beijos, os momentos eram lentos e intensos, as bocas quase não se desgrudavam, quando acontecia, eles ficavam se encarando, gravando cada reação com o olhar, guardando na memória aquele momento. Não se importavam se os outros os ouviriam, apenas queria se amar, pois não sabiam quanto tempo aquela harmonia duraria, eles apenas queriam aproveitar.
— Eu amo você. – A voz rouca sussurrada de Sasuke em seu ouvido a fez sorrir.
Tinha medo das palavras de Sasuke serem vazias, mas, ao mesmo tempo, queria se jogar naquele amor sem medir ou pensar muito no futuro, apenas queria aquele homem para si, e teria, por mais que fosse por pouco tempo, já que o amor que sentia pelo Uchiha já estava impossível de ser freado.
— Eu amo você… Também. – Confessou.
***
Extra:
Acordou de madrugada com Sakura enrolada em seus braços, apertando-se contra ele, sorriu e beijou sua testa com carinho. Ele queria acordar todos os dias com ela em seus braços, abraçados, para poder beijá-la a qualquer momento que quisesse.
Alisou as costas da Haruno e ficou aproveitando a respiração leve da mesma, que estava tão relaxada em seus braços.
— Eu amo você, Sasuke-kun! — A voz mansa de Sakura chegou aos seus ouvidos quando estava prestes a adormecer novamente. — Não me deixe. — Pediu.
— Eu não a deixarei jamais. — Prometeu, abraçando-a fortemente.
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