Muito Bem Acompanhada

38 Tudo Será Perdoado


Notas iniciais
Agradecimentos: Haly Snape, annalimaa_, maakele, Gisele_Potter e kb_gsr que comentaram o Capítulo 37! Obrigada! Os comentários de vocês e as recomendações significam muito pra gente, de verdade!
Resumo do Capítulo: É o noivado de Mike e Tanya. E tudo será perdoado.

– CAPÍTULO TRINTA E OITO –

TUDO SERÁ PERDOADO

Inevitavelmente, os últimos dias que faltavam para o noivado de Mike e Tanya passaram num piscar de olhos, já que Lorraine, Tanya e Eileen não davam trégua nenhuma a Marlene, arrastando-a quase a todo momento para ajudá-las em alguma coisa do noivado. Assim, Marlene não teve muito tempo para pensar em Severus e na história absurda contada por Tanya. Mas agora, minutos antes do noivado de seu irmão, a mesma conversa que tivera com Tanya não saía da sua cabeça.

– Lembrança –

Você acha mesmo que eu vou acreditar nisso, Tanya? – ela perguntava indignada. – É mais uma mentira, como todas as outras!

Mas Lene...

Não sei comovocêacreditou nisso!

Quer me escutar um minuto?

Não, Tanya! Isso é mais uma mentira dele, aliás, é mais uma desculpa esfarrapada! Pense comigo: é muitocômodopra ele vir falar issoagora,dizer que fez tudo isso pormim!Sei que você tinha boas intenções, mas pra mim, você só perdeu o seu tempo. Nada vai mudar o que aconteceu!

Se a sua decisão é essa, Lene, eu só posso lamentar – Tanya disse num suspiro resignado. – Porque da primeira vez que o Severus resolveu falar a verdade, você resolveu não acreditar.

E sem dizer mais nenhuma palavra, Tanya saiu do quarto.

– Lembrança –

Marlene refletia as últimas palavras de Tanya "...você resolveu não acreditar." E não era bem assim. Ela queria acreditar, e queria muito. Mas haviam tantas dúvidas que ainda a atormentavam... Se fosse mesmo verdade tudo o que Severus dissera a Tanya, e se ele tivesse feito tudo aquilo porque a amava mesmo? Se sim, então por que ele não havia confiado nela? Quem ama não tem segredos, não mente, não... simplesmente não deixa a pessoa que ama para se juntar ao Lorde das Trevas. E, realmente, nada ia mudar isso. Tanto, que os dias haviam se passado e Severus ainda não haviatomado uma atitude, como Tanya lhe garantira. Certamente, a namorada de seu irmão havia se enganado também, assim como ela se enganou quando pensou queeleseria capaz de amá-la...

Amor. Amar. Do que havia lhe adiantado amá-lo? Porque sim, o havia amado e talvez ainda amasse, mesmo sabendo de toda a suposta verdade. Mas também, agora isso já não devia mais fazer diferença.

"A essa hora, ele já deve ser um... Um deles!" – ela concluiu frustrada.

Ao final de suas conclusões, Marlene suspirou e se olhou no espelho, terminando de amarrar o vestido ao seu pescoço. O longo vestido azul royal de seda formava um laço em sua nuca, com as pontas descendo suavemente pelas costas. Bem marcado em sua cintura, o tecido plissado descia solto até os seus pés, onde uma sandália alta conferia requinte ao traje. Com um movimento de varinha ela arrumou o cabelo castanho num coque com fios soltos nas laterais, dando mais suavidade ao seu rosto.

– Você está linda – disse Mark à porta do quarto. – Definitivamente uma princesa.

– Obrigada, pai – Marlene respondeu timidamente ao elogio de seu pai, observando como ele estava maravilhosamente lindo em suas vestes de gala.

– Está tudo bem? – ele perguntou, adentrando o quarto e parando atrás da filha, fitando-a através do espelho.

– Está sim – ela disse de uma forma que não o convenceu. E Mark disse isso a ela.

– Não acredito em você.

– Não é nada, pai – Marlene se virou para encará-lo. – Quero dizer, nada que um Firewhisky e uma Avada não resolvam – ela disse com sarcasmo.

Mark desviou o olhar.

– Certo. Bem, eu já disse que a minha princesa está muito linda, mas... – ele fez uma pausa e acrescentou em tom jocoso: – Eu acho que falta algo no seu pescoço.

– O quê? – Marlene perguntou curiosa e então viu seu pai retirar do bolso uma caixinha prateada e comprida.

Mark estendeu a caixinha para a filha.

– É seu – ele disse, enquanto Marlene tomava a caixa de suas mãos.

Apressada e um tanto desajeitada, ela abriu a caixa, vendo um belíssimo colar em ouro branco cravejado de diamantes.

– É lindo, pai. Obrigada – ela não sabia nem o que dizer, não esperava ganhar um presente assim, principalmente num dia que era "o dia do seu irmão".

Mark então tirou o colar da caixa e puxou Marlene pela mão, virando-a de costas para colocar o colar.

– É o seu presente de Formatura – explicou ele –, mas como ela não aconteceu, sua mãe achou que deveríamos lhe dar numa ocasião especial. Espero que não se importe por ser o noivado do seu irmão – e terminou de colocar delicadamente o colar no pescoço da filha.

– Claro que não–Marlene garantiu, e quando se olhou no espelho, teve que concordar com seu pai: aquela joia fez toda a diferença, pelo menos no que dizia respeito às aparências.

Ela sorriu para o reflexo de seu pai, ele fez o mesmo e então os dois desceram juntos até o jardim, onde ia ser realizada a cerimônia e o jantar de noivado.

Marlene reparou no quão lindo o jardim estava: magicamente ampliado, a área verde da grama e das árvores contrastava perfeitamente com a decoração clara. Várias flores do campo de todas as cores deixavam o lugar ainda mais magnífico.

Ela e o pai logo se juntaram a Lorraine, Eileen, Mike e Tanya. A Sra. McKinnon vestia um espetacular vestido preto e muito bordado. Eileen sorriu para ela, linda, porém comedida com seu belíssimo vestido de alças largas cor chumbo com pequenas aplicações de brilho, contrastando com sua pele alva e seus cabelos negros. Tanya usava um longo tomara-que-caia vermelho com detalhes escuros. Estavam lindas. Mas quando Marlene viu o irmão, sorriu largamente para ele: Mike estava usando um smoking preto como o do pai, que fazia contraste com as vestes claras que ele vestia.

Todos se cumprimentaram, e Lorraine e Mark seguiram recepcionando os convidados e conversando. Tanya estava falando com Eileen quando Mike notou que Marlene havia ficado tensa de repente, olhando fixamente para algum ponto do jardim. Ele viu ódio e rancor, sentimentos estes que ele nunca havia visto nos olhos da irmã e então se virou para ver: seus tios e seus primos chegavam com Dorcas e com mais duas jovens que ele não reconheceu.

Sem esperar que seus tios e primos se aproximassemdemais, Marlene saiu dali a passos rápidos, deixando para seus pais e seu irmão a tarefa de cumprimentar a eles, a Dorcas e as garotas que ela nem fez questão de conhecer. Ela então andou pelas mesas dispostas no jardim, e reconheceu as duas famílias "loiras" que já estavam sentadas ali: os Vance e os Fenwick.

Quando viu a amiga se aproximando, Emmeline se levantou da mesa e correu até Marlene, dando-lhe um caloroso abraço.

– Lene! – a loira exclamou. – Que saudade!

– Eu também, Emme! – Marlene retribuiu, beijando a amiga no rosto. – Como você está?

– Bem, e você? – Emmeline respondeu animada.

– Levando – disse Marlene, mas não precisou de mais palavras para que a amiga entendesse do que ela falava.

Porém, antes que Emmeline respondesse, uma terceira voz se fez presente.

– Oi, Marlene – disse Benjy, se aproximando da namorada e abraçando-a pelas costas. – Bela festa! Parabéns!

– Tinha que ser, não é? – Marlene riu. – É o noivado do meu irmão!

Eles riram, e assim como nos tempos de Hogwarts, os três foram se sentar juntos, na mesma mesa em que estavam os familiares de Benjy e Emmeline. Logo, Marlene reconheceu as cabeças ruivas da família Prewett vindo se juntar a eles, Molly e Arthur Weasley fizeram questão de cumprimentar a todos. Mas Marlene ficou até sem graça quando percebeu que uma pessoa que estava com eles não parava de lhe lançar um olhar insistente: Fabian Prewett. Diante do fato, Emmeline também lhe lançou um olhar significativo a respeito daqueles olhares furtivos do ruivo ao seu lado.

"Não preciso de mais problemas!" – Marlene riu com o pensamento.

Os Potter chegaram logo depois, assim como os pais de Lily. Sirius e Remus estavam com o grupo, e Marlene se limitou a cumprimentá-los com um educado aceno de cabeça. Momentos depois, toda a área que tinha sido reservada para a cerimônia parecia abarrotada de gente.

A festa de noivado corria lindamente e incrível, as mesas à luz de velas, elfos servindo comidas e bebidas, pessoas conversando ao som de violinos. Quando finalmente a última nota do violino soou, um silêncio especulativo se instaurou entre os muitos convidados. Mark andou até o centro, até a mesa onde estavam Mike e Tanya e pediu para que eles ficassem em pé, gesto que foi acompanhado por centenas de olhares curiosos.

Mark então começou a falar as primeiras palavras sobre amor, respeito, confiança e companheirismo. Tanya lançava olhares apaixonados a Mike, que retribuía a ela na mesma intensidade, com os olhos marejados. E várias outras pessoas também não seguraram as lágrimas quando Mark fez a declaração de seus votos perante Mike e Tanya.

– Por isso eu os saúdo, hoje ainda não é o dia que vocês vão ouvir o famoso "até que a morte os separe", mas hoje é o início da eternidade, onde quer que seja que vocês a irão compartilhar. Desejo a você meu filho Michael, e a você, agora minha filha Tanya, toda a felicidade que vocês merecem!

Assim que o Sr. McKinnon disse estas palavras, todos o aplaudiram. Mike então se ajoelhou a frente de Tanya que murmurou algo como "amo você" enquanto ele colocava o anel delicadamente no dedo anelar direito dela.

Foi um momento literalmente mágico quando Mike e Tanya se beijaram, mais uma salva de palmas foi ouvida, assim como o choro emocionado de grande parte dos presentes, e muitos começaram a se aproximar para desejar congratulações aos noivos. Num momento de distração, Marlene nem percebeu que a mão de Fabian estava em cima da sua, só se deu conta disso quando foi aplaudir seu pai outra vez. Sem ser indelicada, ela retirou a mão dali com cautela e então se levantou, chamando a atenção de Emmeline que a olhou interrogativa. Ela apenas fez um gesto com as mãos, como se explicasse que voltaria logo e depois se afastou, aproveitando que todas as atenções estavam em cima dos noivos agora.

Ela caminhou de cabeça baixa até a casa, evitando chamar alguma atenção, por menor que fosse. Ela logo chegou ao escritório de seu pai, da imensa janela ainda podia ver a festa.O noivado do seu irmão... Fizera de tudo para disfarçar sua tristeza, mas já nas palavras de seu pai, a máscara de felicidade caiu e ela não aguentou mais.

Marlene continuou observando a festa da janela, a felicidade palpável de seu irmão e de Tanya chegava a despertar nela uma certa inveja, e ela se repreendeu por se sentir assim. Mas não parou de pensar nas seguintes questões: Será que um dia ela iria ter uma festa de noivado tão linda quanto esta? Será que iria encarar o olhar apaixonado de seu noivo e futuro marido? Se sim, quem seria onoivo? Ela achou melhor não pensar na resposta e antes que as lágrimas pudessem cair, ela desviou os olhos na janela, se concentrando nos móveis do escritório.

O armário de madeira e vidro lhe chamou a atenção. Ela sabia que naquele armário seu pai guardava algumas "bebidas especiais para ocasiões especiais". Andou até ao armário, atraída pelo Vinho dos Elfos, salivando apenas ao relembrar do seu aroma e do seu gosto. Há quanto tempo não fazia isso, há quanto tempo não bebia uma taça daquele vinho? Vinho dos Elfos era gostoso. Na verdade, qualquer coisa que a fizesse esquecer da mágoa em seu coração seria bem-vinda. E pelo menos agora, ela não tinha mais ninguém para prometer que "não ia beber", foi o que ela pensou enquanto abria o armário e tirava a almejada garrafa de vinho dali.

– O que é isso? O último porre antes da imortalidade? – Severus perguntou num tom que era a mescla de preocupação com deboche.

Ao ouvir aquela voz, Marlene deixou a garrafa cair, ouvindo o barulho dos cacos de vidro se espatifando no chão e sentindo algo molhado respingar em seus pés. Ela se virou com a varinha em punho e no momento em que seu olhar encontrou o de Severus, sentiu o coração acelerar, bater disparado, simplesmente não conseguia acreditar que estava vendo-o ali, parado a porta do escritório de seu pai. Num primeiro momento achou que era uma alucinação, mas como, se nem chegara a beber o Vinho dos Elfos? Ela apenas ficou olhando para ele, e quando não conseguiu mais aguentar o olhar fixo dele no seu, ela resolveu falar.

– O quevocêestá fazendo aqui? – perguntou ela, nervosa.

– Impedindovocêde fazer uma loucura – ele respondeu enquanto se aproximava dela.

E Marlene até pensou que podia ser uma alucinação, mas percebeu que era verdade quando Severus aproveitou aquele meio segundo de distração dela para se aproximar mais e segurar seu braço. Porém, ela se desvencilhou dele bruscamente. O que era aquilo, por que tanta irritação por causa de um simples Vinho dos Elfos? E que direitoeletinha de questionar isso? Ela não quis nem saber disso, tinha outra preocupação agora.

– Como vocêentrouaqui, hein? – ela insistiu, tentando desesperadamente manter-se insensível a presença dele.

Marlene queria se mostrar indiferente e rude, mas era difícil, mesmo depois de tudo que havia acontecido. Severus então respondeu:

– Dia de festa, seus pais consequentemente se descuidaram com as proteções da casa – ele disse como se fosse óbvio.

– Mas é muita falta de respeito, não, deeducaçãovocê aparecer aqui no noivado domeu irmãopra dizer o que eu devo ou não devo fazer! – Marlene disse, lutando para manter a firmeza em suas palavras. – Eu vou chamar o meu irmão agora! – ela então se aproximou da janela. – MIK...!

Num movimento ágil, Severus a segurou pelas costas com firmeza, e uma de suas mãos lhe tapava a boca. Como resposta, Marlene mordeu com força os dedos dele que conseguia alcançar e ele a soltou imediatamente.

– Argh! – ele disse, segurando a mão onde ela o mordera. – Parece que você está mesmo disposta a ser como a sua cunhada vampira!

Porém, Marlene não prestou atenção às palavras dele. A raiva que estava sentindo era maior.

– Eu não estou entendendo! – ela gritou, realmente nervosa. – Não basta tudo que você já fez comigo, agora você vem naminha casa, no dia do noivado domeu irmãopra ofender a Tanya, já que pelo visto ela não foi muito útil pro que você pretendia? Ou melhor, eu já sei, eu já entendi TUDO, o que você pretendeagora! – e começou a falar rápido e sem pausas: – Isso tudo é mais um plano seu, você está aqui tentando me distrair... É, você mencionou que a casa está desprotegida e isso era tudo que você precisava pra poder chamar seus amiguinhos Comensais da Morte e acabar com a minha família! É isso, não é?

Severus não respondeu de imediato, apenas fechou os olhos e suspirou fundo, nunca tinha ouvido tantos absurdos em tão poucos segundos.

Raivosa pela falta de resposta, Marlene voltou a insistir.

– VAMOS, DIGA QUE É ISSO QUE VOCÊ VEIO FAZER AQUI, QUE EU NÃO ESTOU ERRADA!

Ele finalmente se manifestou: abriu os olhos e a encarou firme antes de responder.

– Não é nada disso e você está errada, estámuitoerrada! – ele disse sem erguer a voz, porém, no mesmo nível de exaltação. – E saiba que é pra salvar asua famíliaque eu ...

Ouvi-lo tocar no nome da sua família a deixou mais colérica ainda e Marlene voltou a interrompê-lo.

– ... que você O QUÊ? Me poupe! – ela respondeu com desprezo. – Você não vai me convencer com as mesmas mentiras que convenceram a Tanya! Você não vai me convencer que a culpa disso é minha, que você fez...

– Que eu fizissopor você? – ele a interrompeu, erguendo a manga da camisa e mostrando a Marlene tudo o que ela não gostaria de ver.

Marlene não soube o que pensar, o que fazer ou dizer. Ver a Marca Negra ali no braço dele doeu como se tivesse levado umaCruciatusno meio da cara. Ela permaneceu calada por alguns segundos e Severus voltou a falar.

– Não. Eu não fizissopor você – ele disse abaixando a manga da camisa e começou a andar de um lado para o outro na sala. – Fiz isso porqueeunão suportaria vê-la morta.

As palavras dele também vieram como uma bofetada. Ela ficou desnorteada e pensou por um momento que poderia ser verdade o que ele havia dito a Tanya. Mas não quis demonstrar isso.

– Você já deixoubem claroque eu não significonadapra você... Por isso eu não entendo:por quevocê não ia "suportar"? – ela perguntou com descaso.

Ele lhe respondeu a verdade.

– Porque a única coisa que importa na minha vida, é que você esteja bem.

Marlene riu com descrença.

– Se você tivesse me dito isso há algum tempo atrás, talvez eu acreditasse, mas hoje eu não acredito – ela disse firme. – Não faz sentido algum você me dizer issoagora... A propósito, se você não sair da minha frenteagora, você vai sair daqui direto pra Azkaban... – e fez menção de sair.

Severus ignorou o último comentário dela e apressou-se a frente de Marlene.

– Marlene, por favor, me escute! – ele pediu com nervosismo. – Eu sei que agi como um imbecil, mas tudo o que eu fiz foi pra te proteger, você sabe que eusempretive um lado protetor em relação a você, e...

– É sempre assim! – Marlene rebateu nervosa. – Foi exatamente isso que você disse quando o Mulciber tentou me matar equasematou o Benjy! Você não admitiu seus erros e depois... – ela suspirou – ... depois você dissecoisas horríveisde mim... Vocêespionavaa minha família! – ela concluiu histérica.

– Quando tudo começou, eu realmente tive essa intenção, mas depois eu desisti de tudo, queria ficar com você independente dos motivos, eu gostava mesmo de você ... – ele admitiu. – E sobre as coisas que eu disse sobre você... foram as maiores mentiras que eu disse na vida, e nada daquilo teria sido dito se eu soubesse que você estava lá.

– Pior ainda! Isso significa que você diria coisas muito piores se soubesse! – ela gritou.–E mesmo assim, se você não espionava a minha família, se não queria ter dito aquelas coisas...Você nem tentou explicar!

– Eu não quis explicar – ele respondeu com sinceridade e Marlene o olhou sem acreditar. – Quis aproveitar aquele momento pra fazer com que você me odiasse. E então você estaria livre de mim, estaria segura, estaria bem... estariaviva. Por mais que eu não quisesse me afastar, naquele momento pensei que seria o melhor pra você.

Marlene se sentiu derrotada, e a situação agora era outra: além de tudo, Severus não tinhaconfiadonela.

– E em nenhum momento você pensou que seria melhor me dizer a verdade? – ela perguntou indignada. – Você nãoconfiouem mim, Severus! Se você tivesse me dito que tinha medo do quepoderiaacontecer comigo, é claro que eu não ia te deixar e a gente ia dar um jeito! Qualquer coisa pra você não ter que se sujeitar a isso! – e apontou para o braço dele, se referindo claramente a Marca Negra.

– Eu sei que deveria ter confiado em você – ele respondeu. – Mas eu já sabia exatamente o que você iria fazer e por isso não desmenti o que disse. E volto a dizer que só me afastei de você porque precisava te proteger, te proteger até de mim mesmo...

– Já reparou que é sempre assim? – ela o indagou contrariada. – Você quer resolver tudo sozinho, está sempre mentindo e fazendo tudo errado, sempre escondendo algo de mim, e sempre com a mesma desculpa!Me proteger... –ela disse com desdém. – O que você fez me magooumuito!

– Você não imagina o inferno que eu vivi esses últimos dias, toda vez que eu pensava naquela conversa que tivemos em Hogwarts, eu me lembrava desse maldito erro – ele exasperou, com um brilho alucinado em seu olhar. – Eu me puni por quase todo o tempo depois de magoar você com tudo que fiz e lhe falei...

– O que mais me magoou, não foram as coisas que vocêdisse,porque eu sabia que não era verdade – ela explicou o que sentia. – Mas sim, o fato de você ter dito tudo aquilo porque a sua vontade de seguir o Lorde das Trevasera maior do que o seusentimentopor mim... – e desviou o olhar do dele.

– Eu sei, e esse meu plano foi tão ridículo que obviamente acabou falhando – ele suspirou pesadamente, antes de voltar a encará-la. – E quando finalmente entendi que de todas as formas eu iria te perder, eu desisti de lutar contra o que eu sinto por você – ele fez uma pausa, respirando fundo. – Eu te amo, Marlene. Amo muito. Eu sei que eu errei quando omiti coisas de você, quando não confiei em você, e tudo o mais que você queira me acusar, mas eu assumo a culpa! E mesmo que você não acredite em mim, eu precisava te dizer queeu te amoe que eu não vou permitir que você morra! Seja pelo Lorde das Trevas ou pela sua própria cunhada!

No momento em que Severus terminou de falar, um silêncio fulminante pairou sobre eles. Marlene estava chocada com tudo o que ele disse. E ele parecia nervoso e apreensivo no aguardo da reação dela.

A verdade é que de novo, Marlene se viu sem reação diante do que Severus lhe dizia. O pior de tudo era que o que ele dissera era exatamente o que ela sempre havia desejado ouvir. Porém, não assim, naquela situação, jamais esperou ouvir aquele "Eu te amo" daquela forma. Involuntariamente ela fechou os olhos e as palavras de seu pai ecoaram em sua mente.

"... se você o ama, se você sabe dos problemas dele, e no final do dia você ainda prefere desistir ao invés de tentar, nada nunca vai valer a pena."

As lágrimas que outrora Marlene quis segurar, agora começavam fluir pelo seu rosto, num misto de amor, saudade, compaixão... Ela estava sentindo tantas emoções naquele momento que não sabia qual era a que predominava, mas de uma coisa ela tinha certeza: Severus aamava. Da mesma maneira que ela o amava, ele a amava. Ele a amava, e nada mais importava. A partir do momento em que ele disse que a amava, todos os erros que ele havia cometido, todas as diferenças, acusações, tudo o que fora dito e feito, foi deixado de lado, tudo foi perdoado, pois aquele sentimento incompreensível que havia os colocado frente a frente mais uma vez, era o amor que os trouxe de volta um para o outro, o amor que trouxe Severus de volta para ela.

A mente de Marlene ainda pensava em resistir. Sua alma magoada também. Só que o seu coração se entregou sem vacilar. Sem que nenhuma palavra fosse dita, ela simplesmente se aproximou de Severus e o beijou, sentindo seus lábios se moldarem aos dele de uma maneira mágica e suas línguas se acariciando como se dependessem uma da outra para viver. O sofrimento de antes foi rapidamente esquecido, importando somente o amor que sentiam um pelo outro.

Eu te amo– eles murmuraram juntos ao final do beijo.

E Marlene sentiu naquelas duas pequenas frases que eles disseram juntos, que se existia algo que ia ser para sempre, apesar dos pesares, era oamordeles.

– Eu te amo, e também não quero mais lutar contra o que eu sinto por você... – Marlene disse, sua voz tornando-se um tanto aflita agora. – Mas eisso?ela perguntou segurando a mão esquerda dele, outra vez se referindo a Marca Negra.

Severus desviou o olhar do dela por um instante e Marlene percebeu que ele se sentia muito mal a respeito daquilo. O silêncio dele confirmava essa suposição e o seu olhar perdido também. Ela mesma desistiu de encará-lo e então, outra vez ele respirou fundo e levando a outra mão ao rosto dela, ele o virou para si, a fim de fazê-la encará-lo.

– Eu só peço que você confie em mim – foi a resposta dele.

– Eu acredito nas suas palavras, eu confio em você – ela lhe respondeu num sorriso. – Mas você não me peça nunca pra que eu me... – ela hesitou, concluindo com dificuldade: – Eu não vou ser uma Comensal da Morte!

– Eu nunca permitiria isso – ele respondeu com firmeza. – Assim como não permitiria nunca que você fosse uma vampira que brilha.

Marlene gostou da determinação que havia na voz de Severus, mas ficou intrigada com outra coisa:vampira.

– É a segunda vez que você fala nisso... – ela comentou. – Que história é essa?

Severus pareceu surpreso.

– Tanya disse que se eu não fizesse nada atéhoje,ela ia te transformar em vampira, como você implorou a ela! E essa foi aloucuraque eu vim te impedir de fazer.

Marlene o encarou estarrecida. Como Tanya pôde ter dito uma coisa dessas a Severus?

– Eu realmente não sei do que você está falando – ela respondeu, pensando que Tanya tinha ido longe demais, dizer que ela queria servampira?E eu também não sei o que foi que a Tanya disse pra você, mas... Eu acho que ela se enganou. Eununcapedi isso a ela, nunca pediria pra ela fazer isso comigo!

– Nunca? – ele perguntou sem entender.

– Não – ela voltou a afirmar.

Eles trocaram um olhar de cumplicidade quando perceberam o que de fato Tanya havia feito: contado uma grande mentira.

– Que... mentirosa! – Marlene exclamou com falsa raiva. – Ela enganou você! Como pode?

– Pois eu acho que a Tanya foi muito... inteligente – Severus concluiu ao fim de tudo, afinal, era por causa dessa "mentira" de Tanya que eles estavam juntos agora. – E nós precisamos agradecer a ela – ele disse, puxando Marlene pela mão e fazendo menção de sair.

Porém Marlene o segurou pelas vestes, impedindo-o de sair.

– Você está louco? – ela o indagou séria. – O meu irmão te mata se vir você aqui... Sem contar que com todos esses Aurores aí fora, você corre um sério risco de ir pra Azkaban... Acho melhor não irmos a lugar nenhum...

Mal disse essas palavras, Marlene empurrou Severus para o sofá atrás deles, e o puxou para mais um beijo carregado de saudade, de carinho, de amor. Quando o ar ficou escasso em seus pulmões, Severus afastou os lábios dos de Marlene e passou a se dedicar ao seu pescoço e ao lóbulo da orelha. Instintivamente, ela começou fazer o mesmo que ele, explorando o lóbulo de sua orelha e seu pescoço.

Marlene sentiu as mãos de Severus se encaixando perfeitamente em sua nuca e em sua cintura, trazendo seu corpo mais próximo ao dele, fazendo sua pele quente encostar-se à dele. As mãos dela não ficaram atrás, enterrando-se entre os fios negros para trazê-lo mais junto de si, tentando ultrapassar os milímetros existentes entre eles, milímetros estes que eram ocupados pelas vestes que eles usavam. Suas mãos trêmulas de ousadia começaram a desabotoar os botões das vestes negras que ele usava, e no momento que Severus percebeu o que Marlene estava fazendo, se afastou alguns centímetros dela e lhe lançou um olhar confuso.

– O que você está fazendo, Marlene? – ele conseguiu perguntar numa voz rouca enquanto sentia os lábios dela no seu pescoço.

– Eu quero você Severus, quero que vocême ame– ela murmurou se afastando por um segundo de seu pescoço, notando que os olhos dele já brilhavam de desejo, excitação e também amor. – Eu não consigo mais ficar sem você... – e voltou a atacar o pescoço dele.

– Eu também não... – ele disse num murmúrio. – Masaqui? Aqui no escritório do seu pai? Isso não parece apropriado...

– Aqui sim – ela respondeu com a respiração arfante, olhando fixamente nos olhos dele. – Sev, todos estão lá fora, é onoivadodo meu irmão... E eu não aguento esperar até chegarmos ao meu quarto... – ela disse, corando violentamente ao final do comentário.

Marlene não conseguia entender de onde vinha toda essa coragem, mas com certeza poderia atribuir esse fato, a maior parte dele, a aquela protuberância que tinha na sua frente, vendo os olhos negros de Severus cheios de luxúria e sentindo o membro dele completamente rígido, mesmo embaixo das vestes. Um mês longe de Severus foi como se tivesse vivenciado um século sem vê-lo, sem tocá-lo, sem abraçá-lo, sem amá-lo.

E Severus nada respondeu; sem hesitar um segundo, ele voltou a explorar com veemência os lábios de Marlene enquanto a ajeitava melhor em seu colo: puxando-a de encontro a si e segurando-a firme pelas coxas, ele obrigou-a a abraçá-lo com as pernas, colocando-as em volta de sua cintura. Suas mãos alisavam todo o corpo dela, fazendo-a se incendiar de desejo.

Marlene realmente não se importava com o lugar em que estavam ou oporquêde estarem ali, e voltou-se novamente ao que fazia: arrancou a capa que Severus vestia e desabotoou os botões de sua camisa; assim que terminou de abri-los, puxou a camisa por seus ombros, revelando seu tórax magro e sua pele pálida. Motivado pela audácia dela, Severus desfez o nó do vestido de Marlene, permitindo que a seda azul royal escorregasse pelo seu colo e lhe revelasse os seios enrijecidos dela. Ele deu um meio sorriso presunçoso ao vê-los.

Antes que Marlene pudesse pensar na reação dele, ela sentiu as mãos dele massageando seus seios, e um gemido de prazer escapou de seus lábios, incentivando Severus a levar um deles a sua boca. Quando sentiu os lábios quentes e a língua dele acariciando o mamilo sensível, primeiro num seio e depois no outro, todo o seu corpo explodiu em luxúria, ela o queria naquele exato momento, explorando, possuindo, tomando todo o seu corpo, e em meio a beijos, lambidas e mordidas, ela conseguiu sussurrar:

– Euprecisode você me tomando toda como suaagora– ela sussurrou em seu ouvido.

– Seu desejo é uma ordem – ele respondeu carinhosamente antes de erguer o vestido dela, enrolando-o em sua cintura.

Sem esperar, Severus colocou a mão por dentro da calcinha rendada de Marlene e começou a explorar todo o seu sexo: seus dedos massageavam seu clitóris, arrancando gemidos altos dela e fazendo-a arfar. Ele mexia seus dedos dentro dela com vigor, a beijava violentamente enquanto as mãos dela puxavam seus cabelos com força, demonstrando que ela queria cada vez mais aquele toque que a levava ao paraíso. Os beijos violentos dele tornavam-se calmos, e depois profundos e amorosos; os dedos dele brincavam com o seu sexo e seu clitóris como se tivessem feito isso a vida toda. Sentir os lábios dele nos dela e depois deslizando no seu pescoço, no seu colo, nos seus seios, sentir o toque urgente dele em seu corpo e seus dedos dentro dela a faziam gritar de prazer.

Severus então levou uma das mãos até a lateral da calcinha de Marlene e rompeu a renda branca, reduzindo-a a restos de tecido em suas mãos. Assim que ele descartou aquela peça, ou melhor, o que sobrara dela, as mãos ágeis de Marlene foram rapidamente para a calça dele; notando o que ela queria, Severus se afastou um pouco, dando o espaço necessário para que ela pudesse fazer a sua calça e sua boxer escorregarem por suas pernas, o que depois de feito revelou seu membro extremamente rígido e pulsante.

Marlene observou toda aquela volúpia e mordeu os lábios, sentindo-o apertar ainda mais contra seu corpo. Involuntariamente, ela soltou um gemido de prazer quando suas intimidades se tocaram. Severus foi em direção ao lóbulo de sua orelha e a mordeu suavemente. Logo depois seus lábios tomaram os dela num beijo impetuoso, explorando-os com vontade e ele a penetrou lentamente, porém forte e intenso, como se não fizesse aquilo há anos. Ela não sentiu dor ou desconforto nenhum, somente o queria por inteiro dentro de si.

E a cada centímetro dele que tinha dentro de si, Marlene se sentia ainda mais feliz e realizada, tendo a certeza absoluta que ele era tudo o que ela queria. E quando Severus estava finalmente por inteiro dentro dela, ele começou a se movimentar lentamente, fazendo o corpo dela subir e descer sobre o dele. Ela começou a cavalgá-lo num ritmo convulsivo e inebriante, fazendo-o urrar de prazer, gesto esse que também era repetido por ela. Ele a ajudava a se movimentar em cima dele, apertando sua cintura, a empurrando para cima e para baixo, para frente e para trás. Os movimentos deles eram ritmados e excitantes devido à posição em que estavam, às vezes Severus tirava todo o seu membro de dentro dela, para em seguida colocá-lo a fundo, alcançando-a em lugares que faziam Marlene enlouquecer e gritar cada vez mais de prazer.

As mãos de Severus continuavam explorando cada pedaço de pele exposta e a pouca não exposta de Marlene, arrancando mais gemidos de prazer de sua boca. E as mãos dela se embrenhavam em meio aos cabelos dele, ela jogava a cabeça para trás expondo seu pescoço a ele, que o explorava sem piedade. Ela não saberia dizer em que momento ele a deitou no sofá, só sentia que dessa maneira ele a estocava mais forte e mais rápido, fazendo gemidos lascivos escaparem de seus lábios.

Depois de poucos minutos, Marlene jogou novamente a cabeça para trás, sentindo o aumento dos batimentos cardíacos e da pulsação; seus músculos se contraíam ao redor de Severus, e ela sentiu um tremor passar pelo seu corpo, a sensação de entrega se espalhando por todos os seus sentidos. E assim como sua pulsação e batimentos cardíacos estavam acelerados, Marlene pôde perceber que os de Severus também estavam. Eles gemiam palavras desconexas, ela sentiu um arrepio mais forte nascendo logo abaixo do seu ventre, acompanhado de um tremor ainda mais forte e a sensação dominou seu corpo quando ela atingiu o orgasmo. No mesmo instante em que ela gozou, ele se libertava dentro dela, ambos desfalecendo juntos em seu ápice.

Marlene o encarou atordoada, tentando controlar a respiração, ao passo que Severus também tentava controlar a dele. Ainda com as respirações entrecortadas e arfantes, ele saiu lentamente dentro dela e depois a acomodou em seu colo, apoiando a cabeça dela em seu ombro e involuntariamente os dedos dela encontraram seus cabelos.

O silêncio dominava todo o espaço do escritório dos McKinnons, os únicos sons ouvidos naquele espaço limitado eram das respirações que estavam se normalizando lentamente.

– Eu te amo – ele murmurou, levantando seu rosto e fitando os olhos castanhos com intensidade.

– Eu também te amo – ela disse com um sorriso bobo nos lábios. – Amo muito – e tornou a capturar os lábios dele num beijo avassalador.

Marlene e Severus voltaram a tomar os lábios um do outro com paixão, mas se separaram brevemente quando o ar tornou a lhes faltar. Ele colou sua testa na dela, mantendo o olhar fixo e apaixonado.

Porém, logo o olhar apaixonado deu lugar a um olhar assustado quando a porta se abriu num estrondo, e então uma voz grossa e forte gritou:

– Eu sei que é bom fazer amor, mas no escritório do MEU PAI, na MINHA festa de noivado, definitivamente NÃO É BOM!

SSMMSSMMSSMM

Notas finais
Oi pessoal! Bem, outro capitulo enorme, mas finalmente aqui está a reconciliação do nosso casal problemático, esperamos que gostem! RSRSR. Haverá mais uma parte ainda, e prometemos caprichar mais, se vocês me entendem... RSRSR
Mais uma vez agradeço a todos que comentaram o capítulo anterior! Isso motiva muito, incentiva muito a gente, de verdade!
Beijos a todos os que leram, e um super obrigado adiantado a todos os que além de ler vão clicar no botãozinho para comentar! Só que o pessoal que não comenta, bem, esses nós nunca vamos saber o que estão achando da fic, suas sugestões, enfim... É para vocês leitoras e leitores que nós escrevemos, então nós queremos muito saber o que vocês estão achando! Qualquer que seja a opinião de vocês sobre a fic, nós vamos adorar ler!