Muito Bem Acompanhada
6 Tudo Começa Amanhã
Notas iniciais
Resumo do Capítulo: O início da vingança de Marlene tem sua data marcada...
– CAPÍTULO SEIS –
TUDO COMEÇA AMANHÃ
Marlene não sabia há quanto tempo estava correndo. Não tinha mais fôlego quando se encostou a uma parede. Ela ficou parada ali, tentando acalmar a respiração quando ouviu passos rápidos; logo, os passos foram se aproximando e quando o som ficou mais nítido, Marlene reconheceu as silhuetas que surgiram à sua frente: Emmeline e Benjy.
– Você está bem, Lene? – a loira indagou preocupada, abraçando a amiga.
Marlene não respondeu: apenas fez que sim com a cabeça, uma expressão apática. Emmeline insistiu:
– Por Merlin, Lene! Por que você falou aquelas coisas e saiu daquele jeito? – ela tornou a perguntar, segurando o rosto de Marlene. – Ninguém entendeu nada!
– Eu fiquei com raiva... – Marlene admitiu. – E eu queria mesmo dizer a Sirius que... – ela parou de falar quando percebeu os olhos assustados de Benjy em cima dela.
– Eu posso fazer alguma coisa pra ajudar? – ele se manifestou cordialmente.
Marlene deu um sorriso fino. Que vergonha se permitir aquele surto de raiva na frente de um estranho. Ainda que aquele "estranho" fosse batedor do time de Quadribol de sua casa e pelo que ela sabia, era também muito discreto. Mesmo assim, ela achou melhor continuar a conversa com Emmeline no dormitório delas.
– Obrigada, Fenwick – ela respondeu sem graça. – Nós já estávamos voltando para a Corvinal mesmo, não é, Emme?
– Claro – Emmeline concordou rapidamente.
O loiro apenas assentiu com a cabeça.
– Eu acompanho vocês então.
O trio fez o caminho de volta para a Torre Corvinal, numa caminhada calada e tensa que pareceu demorar horas. Embora Benjy houvesse sido tão compreensivo, a todo o momento ele olhava pelo canto do olho para Emmeline e Marlene, percebendo que alguma coisa estranha, e mais estranha do que ele tinha visto acontecer na sala comunal da Grifinória, estava realmente acontecendo.
Marlene foi diretamente para o seu dormitório e jogou-se em sua cama, enquanto Emmeline ainda ficou alguns minutos conversando com Benjy na sala comunal. Quando a loira finalmente entrou no quarto, Marlene não conseguiu escapar dos questionamentos:
– Agora me explica essa história direito, Lene! – Emmeline começou, sentando-se na cama da amiga. – Onde é que estava a necessidade de falar tudo aquilo?
Marlene encarou a amiga firme nos olhos antes de responder:
– Eu só queria que Sirius soubesse que Snape está me ajudando! – ela disse nervosa. – Mas não pensei que ele fosse ficar tão revoltado assim...! – e diante do olhar de desaprovação de Emmeline, ela acrescentou: – Quero dizer, eu queria que ele soubesse, e que ele ficasse com raiva... Mas não tanto!
– Ah, Lene! – Emmeline exclamou de repente. – E você realmente esperava alguma reação do Sirius que não fosse aquela?
– Acho que não – disse Marlene, com sinceridade.
– E o pior não é só isso – a loira continuou. – Até o Fenwick que nem liga muito pra essas coisas percebeu o clima que ficou lá na Grifinória...
– O que ele te disse? – a morena indagou.
– Ele disse que por um momento até pensou que você e Sirius iam se atacar! – Emmeline respondeu indignada. – E eu também. Nunca vi vocês discutindo daquele jeito!
Marlene deu de ombros.
– Não posso fazer nada, Emme – ela disse indiferente. – É assim que vai ser daqui por diante!
– Você não percebe, Lene? – a loira indagou inconformada. – Se for assim, os nossos amigos vão acabar se afastando de você! Todos ficaram chateados quando você disse que não aguentava mais...!
– E o que eu aguentei, Emme? – Marlene perguntou ressentida. – E tudo que eu já aguentei de Sirius? Isso não vale nada? – e depois de um suspiro, ela mesma concluiu: – Eles têm que entender o meu lado também!
– Eu não vou falar de novo, porque você sabe o que eu penso – afirmou Emmeline. – Mas eu ainda acho que se você insistir nessa vingança, os nossos amigos vão se afastar de você e você sabe porquê...
Marlene a interrompeu:
– E eu acho que a gente deveria ir dormir agora – ela disse seca. – Boa noite, Emme.
Enquanto Marlene se dirigia ao banheiro, ela só teve tempo de ouvir a amiga sufocar uma exclamação. E embaixo da água quente, ela só conseguia pensar na reação de Sirius diante de tudo o que ela dissera: será que ele realmente ficara... magoado? Não era possível, não deveria ser motivo para tanto. De qualquer forma, ela já havia se decidido pela vingança, não podia mais voltar atrás, mesmo com algumas dúvidas se realmente valeria a pena. Mas não importava mais a causa. Só o que importava era o efeito e aquele incidente na sala comunal da Grifinória era só o começo.
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No outro dia, o café da manhã com Emmeline foi silencioso, mesmo à mesa da Corvinal. Marlene olhou várias vezes para a mesa da Sonserina e não viu Severus em nenhum momento. Ela pensou que talvez ele quisesse evitar os "olhares" do dia anterior. As duas amigas permaneciam em silêncio, mas o silêncio não durou por muito tempo, pois como se quisesse repetir a cena do jantar, Benjy logo veio se juntar a elas para tomar seu café. Ele foi muito discreto e não perguntou nada sobre o acontecido na sala comunal da Grifinória, nem mesmo se estava tudo bem. Marlene se perguntou se aquela nova companhia iria ser "permanente" daqui por diante. Mesmo que não, ela sorriu por dentro: com Benjy ali, a última coisa que ela iria ouvir eram as reclamações ou os conselhos preocupados de Emmeline.
Como os três tinham horário livre de aulas pela manhã, eles ficaram juntos a manhã toda, ora falavam sobre Quadribol – para infortúnio de Emmeline –, ora sobre as disciplinas; acabaram almoçando juntos também, quando Benjy conduziu as garotas para o grupo de seus outros amigos – muitos ali eram integrantes do time de Quadribol da Corvinal. Resultado: Emmeline adorou a atenção de Benjy e Marlene aproveitou para discutir à mesa mais estratégias de jogo com sua equipe.
Ainda conversando animadamente, o trio se dirigiu para a sala de Transfiguração, a aula da tarde. Além dos risos e das brincadeiras, Marlene percebeu que havia algo diferente acontecendo entre Emmeline e Benjy. Ela até chegou a pensar que eles estavam ficando interessados um no outro, mas não tinha certeza: só queria que a amiga superasse a mágoa recente causada pelo namoro de Remus e Dorcas e talvez Benjy... Talvez ele fosse esse bálsamo de que Emmeline tanto precisava.
A aula passou tranquilamente, as conversas em cochichos zunindo pela sala e enquanto McGonagall falava sem parar, Marlene fazia anotações preguiçosamente em seu caderno.
Na saída da aula, Benjy – que havia se revelado um tagarela brincalhão – planejava jantar com o mesmo grupo do almoço, iria se encontrar com eles naquele momento e insistiu para que Emmeline e Marlene fossem também. Emmeline concordou na hora, entusiasmada. E pelo modo que Marlene viu a amiga olhar para Benjy, teve poucas dúvidas de que a loira não concordaria com qualquer coisa que ele sugerisse. Ela então explicou brevemente que agora não seria possível, já que ela tinha marcado mais uma aula de "reforço" em Poções. Dito isso, ela se apressou a caminho das Masmorras, pensando que a amiga pareceu nem se importar com a sua ausência naquele fim de tarde.
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Chegando às Masmorras, Marlene sentiu o estômago dar um pulo. De medo. Um pânico esquisito se instalou de repente: e se Severus resolvesse agir da mesma forma que no dia anterior, mesmo que fosse só para sacaneá-la? Aquilo parecia incômodo de repente, e ela não sabia dizer porquê.
Depois de entrar na sala, foi com certo alívio que ela viu Severus encostado à bancada. Ele parecia indiferente.
– Está atrasada, McKinnon – ele disse e sua voz era tão seca que ela realmente pensou que não havia o quê e nem por que temer. – Dois minutos...
– Dois minutos não é exatamente um atraso, Snape – ela retrucou divertida e mentiu: – Não se você considerar que eu venho da Torre Norte...
– Torre Norte? – ele debochou. – A sala da McGonagall não fica na Torre Norte...
Marlene sorriu sem graça; a mentira não funcionou. E ela estava também surpresa, pois parecia que Severus sabia de cada passo que ela tinha dado nas últimas horas.
– É, eu estava na sala da McGonagall sim – ela admitiu e chegou mais perto dele para perguntar: – Como você sabe? Por acaso me seguiu até lá?
Severus ergueu uma sobrancelha antes de responder.
– Eu tenho que saber o que a minha futura namorada – ele disse a palavra com deboche – anda fazendo... – e acrescentou com hostilidade: – Aquele Fenwick não sai mais de perto, não é?
– Ele e a Emme são amigos de infância agora... – ela respondeu sem expressão.
A verdade é que Marlene nem prestou atenção ao que estava respondendo. Só pensava se teria entendido certo, ou se, de repente, fora mais uma alucinação sobre o comportamento de Severus, achar que ele estava se referindo a Benjy com... ciúme. Mas ela não teve muito tempo para pensar sobre isso, pois um clima estranho se instalou entre eles e Severus se afastou depressa, mudando totalmente de assunto.
– Como foi ontem à noite? – ele a indagou. – Contou a Black?
Marlene sorriu. Estava ansiosa para contar a Severus sobre a reação explosiva de Sirius. Ela respirou fundo e então começou:
– Contei sim – disse ela –, e confesso que fiquei um pouco assustada com a reação dele...
– O que aconteceu exatamente? – ele voltou a questionar.
– Remus me perguntou se eu voltaria lá na Grifinória hoje à noite – explicou ela –, para estudar Poções, e quando eu disse que já tinha feito a Poção do Morto-Vivo com a sua ajuda, Sirius ficou furioso e...
E Marlene contou tudo a Severus, em riqueza de detalhes, comas frases e expressões de cada grifinório naquela sala, assim como tudo que fora dito e feito por Sirius Black, especialmente. Em vários momentos a corvinal teve a impressão de ter visto o sonserino retorcendo os lábios várias vezes para não rir e chegou à conclusão de que ele deveria estar rindo por dentro, se divertindo com as reações de Sirius.
– ... e então – ela agora concluía –, ele disse que não deveria mais ser meu amigo, que não deveria mais se preocupar comigo e que se eu achava que seria melhor se você me ajudasse, era para eu "ir em frente"!
– Black disse isso? – Severus perguntou incrédulo.
– Disse – respondeu Marlene. – Exatamente com essas palavras.
– Excelente. Isso mostra que Black não está mais tão seguro em relação a você – comentou ele. – Obviamente ele ficou em dúvida... – e perguntou: – O que você respondeu depois?
– Nada – ela disse. – Eu saí correndo de lá!
Severus não entendeu.
– E por que fez isso? – perguntou ele.
Marlene baixou os olhos antes de responder.
– Eu não queria que ele me visse chorar – ela disse a verdade, e ergueu os olhos para Severus de novo; apenas para ficar surpresa com a reação dele.
– Quer... desistir? – ele perguntou de repente.
– NÃO! – ela respondeu num grito rápido, segura de que realmente queria aquela vingança. – Por quê? – e perguntou preocupada: – Você quer?
– Não – garantiu ele, e era verdade. – Mas você pareceu ter ficado tão abalada que...
– Acho que só fiquei meio triste por causa dos meus amigos... – ela interpôs depressa.
– Alguém te disse alguma coisa? Foi por isso que você chorou? – ele quis saber.
– Eu chorei de raiva – explicou Marlene, baixando a voz. – Eu fiquei triste por causa deles depois, bem depois, quando a Emme disse que eles iam se afastar de mim por causa de voc... – ela engoliu a palavra – ... por causa da ajuda que você está me dando...
– Essa sua amiga... – Severus disse com descrença, mas antes que ela entendesse mal, explicou: – Se eles se afastarem de você por esse motivo – ele deu ênfase, não queria se referir a si mesmo – então não são seus amigos...
– Que filosofia é essa, Snape? – ela perguntou sem entender.
– Filosofia nenhuma, McKinnon – ele respondeu sério. – Apenas a verdade.
Ela nada respondeu, estava pensando no que Severus havia dito. Ele percebeu que Marlene ficara pensativa e assumiu a palavra novamente:
– Você trouxe um livro de Poções hoje? – perguntou ele.
Despertada do pequeno devaneio, Marlene levou uma das mãos à testa, como se só agora se lembrasse do livro – o que realmente estava acontecendo, já que ela esquecera completamente de passar na biblioteca.
– Hm... – ela disse constrangida. – Eu esqueci...! Me desc... – e engoliu a palavra novamente, lembrando que ele odiava seus pedidos repetitivos de desculpa. – Se você não se importar, eu posso ir à biblioteca agora e...
Marlene não terminou de falar; foi interrompida pelo som de Severus jogando um livro sobre a bancada.
– Use-o – ele disse.
Antes de pegar o livro, ela indagou:
– Mas... mas eu não posso usar o seu livro... e você?
A primeira resposta de Severus não foi verbal; ele retirou outro livro da mochila, seu próprio livro, pelo que Marlene percebeu, antes que ele explicasse:
– Eu peguei esse livro – e apontou para o livro que ela pegava agora – na biblioteca hoje à tarde. – e acrescentou cínico: – Imaginei mesmo que você fosse esquecer...
Ela retribuiu o deboche:
– Prestativo, Snape? – Marlene indagou.
– Precaução não tem nada a ver com ser prestativo, McKinnon – Severus respondeu debochado. – Agora abra o livro na página 54.
Ela suspirou aliviada; até o momento, isso significava que o incidente das vagens não se repetiria, já que hoje ela também tinha um livro. Ao abrir na página que ele dissera, ela torceu o nariz.
– Poção Polissuco? – ela exclamou sem acreditar.
Severus se virou para ela.
– É a primeira poção da lista que Slughorn nos deu ontem... – disse ele, e embora já soubesse a resposta, perguntou: – Você não leu?
– Não é isso! – ela desconversou. – Mas é que essa poção... parece lama! Pra não dizer outra coisa...
– Essa lama – ele debochou – vai levar um mês para ficar pronta. Melhor começarmos o quanto antes.
– Está bem! – Marlene quase grunhiu, a contragosto. – Mas temos mesmo que começar por essa? Você bem que podia escolher uma mais fácil... – e olhou de relance para a lista que ele havia colocado sobre a bancada. – Mata-Cão, talvez?
Severus ignorou.
– Não existe fácil ou difícil, McKinnon – ele explicou impaciente. – A única coisa que a impede aqui é a sua preguiça... É melhor você mudar esse aspecto também...
Ela não conseguiu responder, indignada. Ainda inconformada, Marlene apenas tratou de seguir à risca as instruções do livro para começar a poção, e de vez em quando – quase a todo o momento – pedia a opinião de seu parceiro de laboratório.
Aquele fim de tarde passou rápido e tranquilo para Marlene, já que nenhum incidente semelhante ao dia anterior se repetiu e eles só se deram conta disso quando a voz de Slughorn veio tirá-los daquele torpor chamado "Poções", convidando-os gentilmente a deixarem o laboratório devido ao avançado da hora. Marlene ficou de pé num salto, e depois que o professor saiu, ela olhou hesitante para Severus, pois queria guardar os materiais, mas não sabia exatamente no que podia mexer.
– Deixe tudo como está – Severus disse. – Vamos continuar trabalhando nisso amanhã.
Marlene apenas assentiu com a cabeça, já que não tinha nenhuma autoridade sobre o assunto para discutir com ele.
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Nas duas semanas seguintes, Marlene enfrentou diariamente as opiniões negativas de seus amigos grifinórios. Sim, até James estava se aproveitando do cargo de Monitor-Chefe para apoiar Sirius, modificando as escalas de rondas noturnas dos monitores, colocando a amiga sempre com Emmeline, nunca com Severus. Mesmo assim, Marlene voltava todos os dias ao laboratório de Slughorn, sempre no fim de tarde depois das aulas. Esse era o horário escolhido por ela por Severus para o "reforço" em Poções. O Quadribol lhe ocupava somente os fins de semana e até Benjy havia concordado sem discussão com os novos horários estipulados pela capitã; em vez de discordar, ele e Emmeline foram algumas vezes para as aulas de "reforço", acompanhando Marlene.
Às vezes, ela não via o menor sentido de estar ali se não fosse a vingança. Mas era preciso fingir interesse naquelas poções horríveis, fingir que se interessava e que até gostava daquele universo, pois aquilo tudo fazia parte do universo de seu futuro "namorado de mentira", então deveria fazer parte do dela também. Era pensando nisso que ela conseguia manter longas conversas com Severus; ele parecia ter uma curiosidade muito sincera sobre tudo que ela falava sobre sua família e fazia infinitas perguntas sobre seu pai e sua mãe, alegando que queria e deveria saber de tudo sobre a família de sua "falsa namorada". Porém, a contraponto, ele nunca falava nada sobre a família dele e ela também não tinha coragem de tocar no assunto, pois das raras vezes que o fizera, percebeu que aquilo o incomodava.
Havia também os momentos que se tornaram uma rotina, como, por exemplo, todas as vezes em que Severus ficava olhando-a de cima, esperando que ela tivesse algum rompante e que pudesse rotulá-la de louca ou desequilibrada. Mas até ele acabou se acostumando com aquilo, pois os surtos de raiva de Marlene eram tão normais que já faziam parte da personalidade dela.
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Três dias depois, Marlene quase não saiu para aula nenhuma de tanto Emmeline insistir que no dia seguinte, 29 de Novembro – o dia do aniversário dela –, deveria haver alguma comemoração. Ela havia dito à amiga que não queria nada, nada mesmo, nenhum presente, nem mesmo atenção alguma pelo aniversário e se preciso ficaria distante dos amigos, mais do que já tinha se distanciado nas últimas semanas. Na verdade, estava morrendo de medo que alguém se lembrasse da terrível data. Afinal, o dia seguinte era o dia em que ela faria 18 anos... O que a tornava mais velha do que todos os seus amigos.
Mas o seu desejo de passar o aniversário em branco estava sendo fortemente ignorado. Naquela manhã, foi com um esforço fenomenal que Marlene saiu da cama para ouvir a mesma súplica que Emmeline vinha fazendo há quase uma semana:
– Nem um bolo, Lene? – a loira a indagou, saindo do banho.
– Nada – a morena respondeu, enquanto pegava as coisas para entrar no banheiro.
– Nem um presente? – Emmeline insistia.
– Nada, Emme – Marlene repetiu. – Nada de nada.
– Ano passado foi tão diferente... – a loira ainda murmurou inconformada. Como resposta, ouviu a porta do banheiro batendo forte.
Marlene refletiu as palavras da amiga por um momento. O seu aniversário no ano passado fora realmente diferente: havia Sirius, seus amigos não estavam ressentidos e ela estava aparentemente feliz. E agora, nesse aniversário, tudo estava ainda mais diferente e seria um aniversário melhor, ela acreditava.
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O café da manhã foi tranquilo; Benjy que agora era presença certa em todas as ocasiões, logo veio se juntar a Marlene e Emmeline à mesa. Graças a isso, Marlene não ouviu mais a amiga tocar no assunto de seu aniversário, pelo menos até o final da aula de Poções na parte da tarde.
A aula de Slughorn passara rápido; Marlene não havia mais sentado ao lado de Severus, preferindo ficar com Emmeline e Benjy o tempo todo; aproximava-se dele apenas depois das aulas, para o "reforço". Como Emmeline ainda não havia se levantado da bancada, mesmo depois da aula, e tampouco parecia querer ir embora, Marlene então se manifestou:
– Vai ficar com a gente hoje? – perguntou ela, depois de menear a cabeça na direção de onde Severus se encontrava.
Emmeline ignorou.
– Desculpa, Lene... – começou ela. – Mas... eu contei ao Benjy!
Marlene só olhou para Benjy.
– Contou o quê? – e perguntou à amiga levemente irritada.
Foi o próprio Benjy quem respondeu:
– Esse negócio de você não querer comemorar o seu aniversário... – e quando ele disse a palavra, Marlene se agitou:
– Shhhh! – ela sibilou impaciente, olhando feio para Emmeline. – A última coisa que eu quero é uma comemoração para esse evento melancólico...
– Evento melancólico? – Emmeline debochou. – A gente pode falar com o James então, para ele fazer uma reunião de monitores bem animada!
– Não! – Marlene retorquiu. – Não vou pedir nada ao James, ele nem está falando comigo direito! E você está proibida de pedir também, ok? – ela disse em ultimato.
– Até o Benjy acha que é um desperdício! – a loira disse exaltada, e antes que Marlene pudesse responder, uma voz soou acima de suas cabeças.
– O que é um desperdício? – Severus perguntou, e quando Marlene se virou para ver, ele estava atrás delas.
Ninguém respondeu e Marlene achou melhor dizer a verdade:
– O meu aniversário – ela murmurou. – Droga!
– O aniversário dela é amanhã... – Emmeline escancarou, logo todos ficariam sabendo.
– E ela não quer saber de festa nenhuma – disse Benjy espontaneamente.
– Ahhhh! – Marlene se impacientou. – Será que vocês podem parar de falar de mim como se eu não estivesse aqui? Eu não quero festa nenhuma, ponto final! É tão difícil entender isso?
Ela reparou nos dois pares de olhos azuis que a fitavam arregalados e a voz de Severus chamou sua atenção outra vez.
– Isso é verdade? – ele voltou a questionar.
Marlene se levantou da bancada antes de responder.
– Será que a gente pode conversar sobre isso depois? Agora eu quero ver como a Poção Polissuco está! – ela disse séria, e não foi preciso mais palavras para que Severus entendesse; Benjy ainda estava lá e ele naturalmente não sabia da farsa por trás do "reforço" em Poções.
Emmeline também pareceu entender o recado e se levantou da mesa com Benjy.
– Vem, Benjy – pediu ela. – Eu quero ir à biblioteca agora, pra te mostrar aqueles livros...
– Livros? – ele perguntou, ainda não tinha entendido.
– Os livros de Transfiguração – explicou a loira –, Animagia...
– Ah, claro... – finalmente Benjy concordou, embora não parecesse entender o motivo da saída repentina. – Nos vemos depois então – ele concluiu.
– Até depois, Lene! – Emmeline disse sarcástica e logo depois saiu da sala com Benjy.
Quando ficaram sozinhos de novo, Severus insistiu na questão:
– O seu aniversário é amanhã? – ele voltou a perguntar.
– Infelizmente...!– Marlene grunhiu em resposta.
– E você não ia me contar? – ele perguntou com desaprovação na voz.
– Por quê? – ela indagou cínica. – Vai me dar presente? Porque não há nada pra comemorar...
Severus ignorou.
– Que tipo de namorado eu seria se não soubesse? – e a interpelou, sério.
Marlene não entendeu.
– Namorado? – ela perguntou. – Você nem é meu namorado ainda!
– E se eu for seu namorado amanhã? – ele sugeriu de repente.
De novo, Marlene pareceu confusa.
– Amanhã? – ela tornou a perguntar.
Severus suspirou impaciente.
– Sim, amanhã – repetiu ele, e perguntou: – Me responda: Black ligava para datas? Digo, as datas com que você se importava...
– Não muito – ela respondeu de imediato. – Sirius sempre se esquecia de tudo...
– Foi o que pensei – disse ele, explicando: – Acho que podemos então aproveitar a data de amanhã – e quando ela tornou a olhá-lo confusa, acrescentou: – para começarmos de uma vez esse namoro de mentira...
Marlene ficou um tempo pensando sobre o que Severus havia dito. E ele tinha razão. O seu aniversário de repente parecia um dia perfeito para se colocar em prática toda a vingança que eles vinham preparando nas últimas semanas. Mas amanhã... Parecia algo tão intangível, e ao mesmo tempo tão próximo.
A voz dele a despertou novamente.
– O que acha? – ele perguntou, queria saber a resposta dela. – Começamos amanhã?
Marlene suspirou, ainda um pouco confusa.
– Acho que eu não estou pronta pra isso ainda... – foi o que ela conseguiu responder.
Severus não conseguiu suprimir um sorrisinho de deboche.
– Essa foi a primeira coisa que você sugeriu quando me procurou para falar da vingança, McKinnon – ele disse, acrescentando com sarcasmo: – Mudou de ideia? Ou quer deixar para depois da Formatura?
– Claro que não! – ela respondeu nervosa. – Não ia levar tanto tempo assim! – e depois deu um suspiro antes de concluir: – É bom que a gente comece isso logo, mas nós temos alguns detalhes para resolver antes, não é?
– Certo – concordou ele e decidiu: – Sem poções por hoje. Vamos discutir esses detalhes. O que quer resolver primeiro?
– Uma forma de não parecermos falsos – disse Marlene. – Eu não posso chegar para os meus amigos e simplesmente dizer: eu estou namorando Snape...
– Realmente, se você disser "eu estou namorando Snape", não irá convencer ninguém – Severus debochou. – Não podemos mais ficar nos tratando por sobrenomes, é muito impessoal.
– O que sugere então? – ela quis saber. – Eu chamava Sirius de "Six" e...
– Nada disso – ele a cortou, irritado. – Nada desses apelidos apelativos, ridículos.
– Bom, a minha prima chama Remus de "amor"... – Marlene sugeriu. – E ele a chama de "querida"... Não é apelativo, só parece um pouco...
– ... simples, eu sei – respondeu Severus. – Mas eu gosto – ele admitiu. – Não é ridículo e soa elegante. Nós não precisamos mais do que isso...
E não precisavam mesmo, Marlene concordou em pensamento. Não precisavam apelar tanto para um relacionamento que tecnicamente não existia. Eles ficaram ali no laboratório, decidindo exatamente como iriam agir no dia seguinte, como responderiam eventuais perguntas – que seriam muitas –, e como iriam lidar frente a algumas possíveis – e certas – reações negativas. O combinado foi de que, na manhã do dia seguinte, Severus passaria na Torre Corvinal para buscar Marlene e de lá, eles desceriam para tomar o café da manhã juntos, à mesa da Sonserina.
"E Sirius morreria de raiva" – ela repetia para si mesma.
Eles só saíram da sala depois de rever todo o plano para o dia seguinte, e enquanto Marlene fazia o caminho de voltava para a Torre Corvinal, ela observou que Severus se dirigiu ao Corujal; não entendeu porque ele tinha feito isso, mas também nem perguntou; estava satisfeita demais quando chegou ao dormitório pouco antes do jantar e contou a Emmeline tudo o que estava planejado para o dia seguinte.
Seu aniversário, amanhã. Marlene mal conseguia esperar.
SSMMSSMMSSMM
Notas finais
Beijos a todos os que leram, e um super obrigado adiantado a todos os que além de ler vão clicar no botãozinho para comentar! Só que o pessoal que não comenta, bem, esses nós nunca vamos saber o que estão achando da fic, suas sugestões, enfim... É para vocês leitoras e leitores que nós escrevemos, então nós queremos muito saber o que vocês estão achando! Qualquer que seja a opinião de vocês sobre a fic, nós vamos adorar ler!
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