Muito Bem Acompanhada
7 Aniversário Bombástico
Notas iniciais
Resumo do Capítulo: O aniversário de Marlene chegou; um dia fatal para pôr em prática a sua vingança...
– CAPÍTULO SETE –
ANIVERSÁRIO BOMBÁSTICO
Marlene afundou a cabeça no travesseiro, emitindo um suspiro fraco. Não tinha dormido quase nada, só imaginando como seria o dia de hoje, o dia que, num primeiro momento, ela quis riscar do calendário, mas que agora iria ser um aniversário bombástico, um tapa na cara de determinada pessoa. Aliás, ela mal podia esperar para ver a reação de certa pessoa, estava louca para saber como Sirius reagiria ao novo fato... Queria muito ver o golpe fatal na autoestima dele, assim que a visse com Severus...
Devaneios à parte, ela foi "acordada" por uma voz musical e indócil:
– Parabéns pra você! – Emmeline cantava e batia palmas. – Nesta data querida! Muitas felicidades...!
Mas Emmeline não terminou de cantar. Um travesseiro voou em cima dela e Marlene gritou irritada:
– Cala a boca, Emme! – e se virou para o lado da parede.
– Como você é chata, Lene! – a loira exclamou, parecendo magoada. – É oseuaniversário, você querendo ou não!
Marlene bufou e então sentou empertigando-se na cama, percebendo que Emmeline já havia se arrumado.
– E não ficou claro que eu não querianenhumacomemoração? – ela perguntou séria, mas depois disse com sarcasmo: – O dia de hoje seráemocionantepor si só, não precisa me lembrar de mais essa lástima!
– Ah, claro – Emmeline deu de ombros de repente. – Esqueci que daqui a pouco Snape vem te buscar, pra vocêsarrasaremcom Sirius... É isso que você chama deemocionante?
Mas Marlene nem prestou atenção às últimas palavras: levantou-se da cama num salto só. Era muito cedo ainda, mas Severus chegaria a qualquer momento e ela tinha que ir se arrumar. Não ia bancar a femme-fatale, mas precisava ao menos demonstrar que estava apaixonada e feliz.Muitofeliz. Então se apressou para tomar um banho e deu as costas a amiga, que ainda murmurava alguma coisa indignada.
Ela se arrumou de modo caprichado e perfeito, mas nada de exageros: prendeu os longos cabelos castanhos num rabo-de-cavalo simples e deixou as vestes da escola bem comportadas como de costume. Fechou todos os botões de sua camisa e pegava agora a gravata listrada de azul, que iria manter tudo bem atado; o figurino estava em ordem.
"É, o desejo de vingança faz milagres." – pensou ela, abrindo um sorriso enquanto analisava sua imagem frente ao espelho.
De repente, Marlene ouviu Emmeline batendo à porta do banheiro.
– Lene, você está pronta? – a loira indagou.
– Quase – respondeu ela, atrapalhando-se para dar o nó na gravata.
– É que o Snape está te esperando lá embaixo na sala comunal... – Emmeline comunicou sem emoção.
Marlene então abriu a porta desesperada.
– Então pede para ele vir aqui, Emme! – ela pediu exaltada. – O Flitwick não pode ver Snape lá em baixo!
Emmeline arregalou os olhos.
– E o que acha que vai acontecer se Flitwick ver Snape dentro donossoquarto? – ela indagou chocada.
– Ele não vai ver, a gente espera até ele sair para o café! – garantiu Marlene. – É cedo ainda, e eu só não quero que Snape fique sozinho lá embaixo, podem comentar alguma coisa! Por favor, Emme...
– Tá bom! – Emmeline concordou a contragosto. – Já volto então!
Enquanto via a amiga girar nos calcanhares, Marlene voltou para o banheiro, para tentar dar um jeito em sua gravata. Nunca tivera problema, por que justo hoje não conseguia dar o nó corretamente? Estava até pensando em usar magia, mas desastrada que era, não lhe pareceu uma boa ideia. Ela ainda teve mais algumas tentativas frustradas e estava quase conseguindo quando uma voz diferente soou na porta.
– Paciência,querida, é uma virtude... – Severus disse debochado, encostando-se ao batente da porta.
Marlene olhou para ele através do reflexo no espelho.
– Não se preocupe,amor... –ela devolveu o deboche. – Eu sou persistente, vou conseguir!
E depois de alguns segundos que pareciam ter sido uma eternidade, ela finalmente deu o nó corretamente na gravata. Ela suspirou fundo antes de se virar para Severus e encará-lo de frente. Ele mesmo reiniciou a conversa.
– E então, como discutimos ontem, eu não tenho permissão para lhe desejarfeliz aniversário? – ele perguntou cínico, do mesmo modo de instantes atrás. – É isso mesmo?
– É isso mesmosim– Marlene tentou imitar o tom de cinismo, mas não conseguiu porque, no fundo, era verdade e andou com pressa até onde ele estava parado. – Como eu te disse ontem, não há motivos pra...
Marlene não terminou a frase; quase tropeçou quando passou por Severus e cairia de cara no chão se não fosse a agilidade dos braços dele, quando num reflexo, ele a puxou para si.
– Está tudo bem? – perguntou ele.
– Ah, está sim... – ela respondeu sem graça, sem perceber que se agarrara a ele. – Cair de cara no chão é sempre digno de mim...
Severus não se convenceu.
– Você não se machucou, não torceu o pé? – ele insistiu.
Ela não respondeu de imediato; houve um segundo de constrangimento e Marlene firmou os pés no chão para poder se afastar de Severus. Ele viu que ela estava bem aparentemente, e então, outra voz respondeu por ela.
– É muito difícil a Lene se machucar porqualquer coisa– Emmeline respondeu cética, e Marlene se virou para ver que a amiga estava sentada na cama balançando a perna impaciente, mas que logo se levantou num pulo dizendo: – Eu vou encontrar Benjy na sala comunal – e sem esperar qualquer resposta, a loira saiu batendo a porta do quarto.
Percebendo a hostilidade, Severus comentou:
– Depois, eu que sou o mal-humorado aqui...
Marlene riu.
– Ela não concorda com o que estamos fazendo – disse ela com sinceridade.
– Sei que são amigas, e que vocêgostadela – Severus respondeu –, mas Vance não tem que concordar ou não. Isso só diz respeito a nós – garantiu ele. – Podemos descer então?
– Claro – respondeu Marlene, pegando a bolsa de cima da cama. Ela andou na direção de Severus, eles foram juntos até a porta, mas ela parou de repente, antes de tocar na maçaneta.
– O que houve? – ele indagou, diante daquela hesitação repentina.
– E se... – Marlene começou, voltando-se para Severus – ... e se eles perceberem o nosso plano? E se... – ela balançou a cabeça, de repente parecia uma loucura querer encenar aquilo e ela disse isso a ele: – Enfim, isso tudo é uma loucura e...
– Ninguém vai perceber, eu garanto – ele disse seguro, tentando acalmá-la. – Quer repassar o que discutimos ontem? Vai se sentir mais confiante.
– Ótima ideia... – ela concordou, mas ainda não estava completamente segura.
Enquanto Marlene e Severus discutiam os últimos detalhes do "plano", Emmeline teve uma grande surpresa ao chegar até a sala comunal: Benjy conversava animadamente com ninguém menos do que Sirius Black.
– ... é, e eu vou tentar dizer isso a ela – Sirius parecia explicar alguma coisa a Benjy, pelo que Emmeline percebeu.
– Boa sorte, cara – disse Benjy a ele em incentivo e se virou para falar com Emmeline: – Bom dia, Emmeline!
Os olhos de Sirius percorreram a sala à procura de Marlene e como não a viu, ele se intrometeu na conversa antes que Emmeline falasse com Benjy.
– Cadê a Lene? – ele perguntou.
Instalou-se o pânico. Emmeline sabia que não importava o que dissesse, com Sirius ali aquela história não ia acabar bem... Poderia dizer a verdade: "Olha, o Snape está lá no quarto com a Lene, mas não é nada do que você está pensando...", e poderia mentir também. Foi o que ela fez:
– A Lene... – Emmeline começou, dando a volta para ficar ao lado de Benjy –, ela não está se sentindo muito bem... Como a gente não tem aula agora, acho que ela vai ficar deitada até mais tarde...
A mentira, entretanto, não convenceu Sirius.
– Não acredito em você, Emme – ele disse com uma veracidade cortante. – Eu vou lá falar com ela! – e quando ele virou-se para as escadas, ela se desesperou.
Vendo o pânico no rosto de Emmeline, Benjy interferiu rapidamente.
– Deixe a Emmeline falar, Black. Deixe ela nos contar o que houve primeiro.
Sirius virou-se para eles novamente e Emmeline explicou:
– Não é nada de mais... – disse a loira. – A Lene só estava um pouco cansada, só isso! Espere um pouco, Sirius! Daqui a pouco ela já vai descer, acho que ela só queria ficar um pouco sozinha agora, entende?
O grifinório ponderou por um momento.
– Entendo – murmurou ele, entendendo a deixa escondida por detrás das palavras de Emmeline. Havia decepcionado muito Marlene, antes e nas últimas semanas, tratando-a friamente. – Vou esperar, mas se em cinco minutos ela não descer, eu vou atrás dela e aquelas águias de bronze do dormitório de vocês não vão me impedir de entrar – ele completou olhando para o relógio na parede e se sentou num sofá próximo da escada.
"Cinco minutos." – Emmeline pensou preocupada. Era o tempo necessário para que uma desgraça acontecesse. Mas ela se viu de mãos atadas: não havia tempo de voltar ao dormitório para avisar a amiga; não podia pedir ajuda a Benjy, já que ele não sabia de nada; e não podia inventar mais nenhuma desculpa para que Sirius não subisse ao seu dormitório. Ela apenas esperaria.
Os cinco minutos passaram rápido e Marlene ainda conversava com Severus quando ouviu a voz de Sirius impaciente no corredor:
–Não adianta, Emmeline!– ele reclamava. –Eu já esperei demais! Sei que agi como um boçal nas últimas semanas, mas hoje é aniversário da Lene e eu não vou sair daqui sem falar com ela, eu preciso pedir desculpa!
– Ai meu Merlin... – Marlene então murmurou aflita, encostando a cabeça na porta para ouvir melhor e olhou para Severus: – O queSiriusestá fazendo aqui...?
– Acho que ele veiopedir desculpa– Severus debochou –, não ouviu?
– Como você pode ser tão frio numa situação dessas? – ela o indagou, voltando-se para ele. – Por Merlin, o que a gente faz agora? – Marlene arregalou os olhos, encostando a cabeça na porta novamente. – Ele vai entrar...!
Ela podia ouvir os passos do ex, cada vez mais próximos da porta.
– O que a gente vai fazer? – Marlene repetiu. Sentia o coração saltando fora do peito, tamanha ansiedade por não ter a mínima ideia do que aconteceria depois que aquela porta fosse aberta. Aquilo sem dúvidas era loucura, a maior loucura que já havia feito na vida, pensou desesperada.
– Deixe – Severus pediu, afastando-a da porta. – Black vai saber mesmo, e é até melhor que seja agora.
Marlene ignorou as palavras dele.
– Eu perguntei o que a gente vai fazer! – ela disse nervosa, repetindo: – O que a gente vai fazer?
– Improvisar – Severus respondeu fitando a face aterrorizada de Marlene. Ele ouviu o barulho da porta rangendo e então "improvisou", unindo seus lábios aos dela.
Inesperado como uma tempestade numa tarde quente de verão, Marlene sentiu Severus enlaçar os dedos em seus cabelos próximos à nuca e então tomar seus lábios com os dele. Surpresa de início, ela tentou reagir de forma contrária, mas aqueles lábios cálidos e macios eram tentadores demais... Ela entreabriu os lábios e aquilo não era mais um beijo, era uma invasão... Uma invasão que parecia uma labareda e que aos poucos a consumia por inteira. Ela se apoiou nos ombros de Severus, afundando ambas as mãos em sua capa, agarrando-se a ele como se precisasse de apoio.
Era como se o mundo tivesse parado naquele momento e sem dúvidas beijar Severus era bom, mas muito bom mesmo. Tanto, que Marlene sequer percebeu que a porta, a tão temida porta, que estava prestes a se abrir instantes atrás, já estava aberta e diante dela, um par de olhos cinzas observava aquela cena com uma expressão atônita, tamanha surpresa.
– Lene...? – Sirius indagou incerto, como se não pudesse acreditar que era mesmo a amiga, a sua ex-namorada que estava ali, e justamente aos beijos com o seu maior inimigo.
Marlene afastou-se de Severus quase que na velocidade da luz, sentindo um arrepio correr por todo o seu corpo. Seus lábios estavam levemente inchados e sua mente parecia vagar num universo à parte. Ela não estava conseguindo pensar ou formular qualquer coisa naquele momento, entre seus dois... "amores". Olhou de um para o outro sem saber o que dizer.
– Hm... Hã... Sirius? – ela indagou completamente desconcertada, sem ter nada mais o que dizer naquele momento.
– Emmeline disse que você estava passando mal... – Sirius disse, num tom que Marlene não soube decifrar qual era. – Acho que agora já sei por quê...
Uma hostilidade fria invadiu o ambiente.
– É, bem, eu... – Marlene começou, porém os olhares curiosos atrás do ex a estavam deixando ainda mais confusa e desconcertada.
Benjy e Emmeline fitavam a cena ainda no corredor, sem dizer uma só palavra que ajudasse a quebrar aquele silêncio constrangedor – Benjy com a sobrancelha levemente arqueada e um sorriso maroto nos lábios e Emmeline boquiaberta.
Sirius continuou parado, franzindo o nariz de nojo de repente, apesar de manter o rosto tranquilo – como uma máscara. Mas Marlene logo percebeu que ele não estava sendo autêntico no momento, ela pôde até perceber o leve tremor de suas mãos quando Benjy interferiu mais uma vez:
– Vocês estão...? – perguntou o loiro.
Naquele momento, Sirius olhou de Marlene para Severus como se aquilo que tivesse presenciado e o que estava pensando, fosse algo tão absurdo que não pudesse acreditar.
– Namorando – Severus completou com firmeza e num gesto inesperado puxou Marlene para si, enlaçando-a num meio abraço.
Marlene se limitou a sorrir, um meio sorriso sem jeito. Aquela aproximação, depois daquele beijo, e aquela mão presa em sua cintura eram perturbadoras demais para que ela conseguisse pensar. Isso sem contar aqueles olhos cinzas fixos sobre si, como se ainda aguardassem por uma resposta.
– Meusparabéns –Sirius murmurou sem emoção depois daquele breve silêncio, e ainda olhando fixamente para Marlene, pediu: – Será que podemos conversar?
– É... – Marlene começou – ... mas é claro...
– ... que não! – Severus a interrompeu, puxando Marlene para trás numa atitude defensiva quando Sirius deu mais um passo à frente. – Qual é o seu problema, Black? Não vê que ela estáacompanhada?
Isso fez com que Sirius descartasse rapidamente a máscara que utilizava. A hostilidade, outrora fria, agora era quente, e irradiava dele em ondas. Ele e Severus se encararam perigosamente.
– Muitomalacompanhada – o grifinório acrescentou com desgosto. – Não me agrada nem um pouco vervocêno quarto da minha...amiga– e voltou-se para Marlene novamente: – Lene, pede para o seu namoradosair, que nós vamos conversar melhor, então você me explica direito o que está acontecendo aqui...
Antes que ela pudesse responder, Severus assumiu a palavra de novo:
– Ela não tem que explicar nada! Além de burro, você também é cego? Incapaz de enxergar o óbvio? Eu estou no quarto daminha namorada– ele deu ênfase às palavras –, então se tem alguém sobrando aqui, esse alguém évocê.Retire-se – e com a mão livre indicou a saída a Sirius.
Sirius deu um riso forçado e respondeu com o mesmo nível de acidez do sonserino:
–Você– ele apontou para Severus – está me mandando sair? Essa é boa...!
A expressão de Severus não mudou.
– Tudo bem – ele disse num tom frio e tranquilo. – Vamos resolver isso de outra maneira, então.
SSMMSSMMSSMM
Notas finais
Beijos a todos os que leram, e um super obrigado adiantado a todos os que além de ler vão clicar no botãozinho para comentar! Só que o pessoal que não comenta, bem, esses nós nunca vamos saber o que estão achando da fic, suas sugestões, enfim... É para vocês leitoras e leitores que nós escrevemos, então nós queremos muito saber o que vocês estão achando! Qualquer que seja a opinião de vocês sobre a fic, nós vamos adorar ler!
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