Muito Bem Acompanhada
30 Sim e Não
Notas iniciais
Resumo do Capítulo: Marlene faz um sutil e desesperado lembrete a Severus, sobre as consequências que as palavras "Sim" e "Não" podem ter na vida deles.
– CAPÍTULO TRINTA –
SIM E NÃO
Algumas semanas haviam se passado e o distanciamento entre Marlene e Severus por causa do Quadribol e da proximidade dos últimos exames, havia sido de certa forma bom. Marlene passara a apreciar a ausência de seu namorado, e não era como da outra vez que o afastamento foi insuportável porque estavam brigados. Tinham se distanciado porque uma parede invisível com base concreta e rígida feita de desconfiança havia se erguido entre ambos desde aquele "acidente" que tinha acontecido com Benjamin Fenwick. A atitude de Severus, que teve a obrigação de ficar ao lado de Mulciber – que graças aos parentes que tinha no Ministério, conseguiu ser responsabilizado apenas pela apologia ao uso de Artes das Trevas –, mesmo que fosse para se proteger, ainda dilacerava Marlene em dúvidas. No fundo, ela ainda não tinha conseguido perdoá-lo.
A dedicação exclusiva ao Quadribol e aos N.I.E.M.s passaram a fazer parte única e exclusiva da vida de Marlene nas últimas semanas. Além dos treinos, estava atarefada como nunca estudando com os amigos, tentando recuperar o tempo perdido, tão negligenciado por ela durante o ano e isso era bom; diminuíra quase que por completo o tempo que lhe restava para passar com Severus. E ele também não insistia em forçar alguma situação, pois sabia que ela tinha motivos de sobra e principalmente: quais eram os motivos para agir assim. Em resumo, aquela relação que era puro desejo e paixão, havia se extinguido a uma chama quase sem força e ao ponto de tornar-se cinza.
Mas a verdade era que ela se sentia como um verdadeiro vulcão, carregada de emoções que queriam a todo custo entrar em erupção, mas tentava se controlar por mais difícil que aquilo fosse. Marlene temia estar perdendo aquele que amava para as Artes das Trevas e ao mesmo tempo temia que o seu amor por Severus não fosse forte o bastante para fazê-lo desistir dessa filosofia, a qual parecia estar fortemente enraizada na vida dele, e de uma forma que ele jamais pudesse retirar.
Marlene queria mudar aquela situação, esquecer aquilo, mas não conseguia. O fantasma das Artes das Trevas insistia em permear entre ambos e tampouco Severus fazia alguma coisa para remediar aquela situação: jamais sequer tocara no assunto desde o "acidente", para ele parecia mais fácil fingir que nada acontecera. E para ela não estava sendo nada fácil, mas pior seria o dia de hoje, quando, depois de longas semanas se recuperando dos ferimentos, Benjy retornaria aos treinos de Quadribol.
Os olhos castanhos fitaram o teto por mais alguns longos minutos, até que ela se levantou da cama e desceu até a sala comunal para encontrar seus companheiros de time. E qual não foi a sua surpresa quando viu que somente Benjy estava lá e detalhe: sem as vestes de Quadribol, trajando somente o uniforme habitual da escola.
– Cadê os outros? – a pergunta dela foi inevitável.
– Eu tomei a liberdade de dispensar todo mundo – Benjy respondeu. – Ainda não me sinto totalmente recuperado...
Marlene o olhou desconfiada.
– Benjy... Isso não é verdade! – ela disse, sem entender. – O que aconteceu?
Benjy suspirou fundo e decidiu contar a verdade.
– O seu namorado me pediu pra dar um jeito de não treinarmos hoje... – ele disse timidamente.
Ela sentiu raiva ao pensar que Severus e Benjy haviam combinado aquilo.
– E desde quando ele manda nos nossos treinos de Quadribol? – Marlene indagou, sem disfarçar a contrariedade.
– Desculpa – Benjy pediu constrangido, recuando um passo. – Snape só me disse que queria te fazer uma surpresa hoje à tarde e eu realmente pensei que você fosse gostar, mas se você acha que isso vai prejudicar a Corvinal...
A última coisa que Marlene queria era que Benjy se sentisse mal e então o interrompeu:
– Não, claro que não – ela disse com calma, diante do constrangimento dele. – Está tudo bem, você sabe que eu ando meio exagerada, com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo...!
– Ah... – foi o que Benjy conseguiu dizer. – Espero que valha a pena então... a surpresa. Até mais tarde.
– Até.
Ele se virou em direção as escadas, mas Marlene o chamou.
– Benjy?
– Sim? – ele voltou-se a ela novamente.
– Sobre aquele jogo... – Marlene começou, mas ele desviou o olhar.
Benjy já sabia o que ela queria perguntar, o que ela vinha perguntando desde que ele recuperara a consciência após o acidente. O que ele gostaria de esquecer.
– Não – ele disfarçou, respondendo com simplicidade. – Eu já lhe disse, realmente não me lembro de nada.
– Tudo bem – ela concordou sem emoção, mas percebeu que aquilo o incomodava.
E na tentativa de arrancar um meio sorriso de seu colega, Marlene mudou as vestes de Quadribol com um movimento de varinha e brincou:
– Com certeza, essa foi a troca de roupa mais rápida da minha vida! – e riu.
– É, foi mesmo – concordou Benjy, e assim que ouviu o barulho na porta, ele concluiu: – Acho que Snape chegou, eu passei a nossa senha do dia a ele. Até mais – e dessa vez, ele conseguiu completar o caminho de volta ao seu dormitório.
Marlene suspirou aliviada ao ver que Benjy já havia subido. E ainda bem que não havia mais ninguém lá, ninguém para presenciar a sua expressão de alguém que parecia que estava sendo obrigada a falar com o namorado.
Assim que Severus entrou, foi diretamente até ela e ainda sem dizer uma palavra, a beijou no rosto.
– Espero que não tenha se aborrecido com Fenwick – ele disse, quando percebeu que Marlene parecia contrariada.
– Não me aborreci – Marlene respondeu. – A culpa não foi dele. Ele disse que você ia me fazer uma surpresa, o que é? – ela perguntou, fingindo animação na voz.
– Se eu contar, deixa de ser surpresa – anunciou ele, e lhe estendeu a mão. – Vamos?
Marlene não sabia ainda o que ele havia planejado, mas concordou e, zombeteira, deu de ombros antes de estender a mão a Severus e entrelaçar seus dedos.
Eles logo saíram da Torre Corvinal e começaram a andar em silêncio, até que ela notou que eles se aproximavam da Sala Precisa e ficou um tanto perturbada. Ai dele se estivesse tentando forçar uma situação, ela pensou. Mas decidiu ir até o fim, queria muito saber qual seria a tal surpresa.
Quando pararam em frente à entrada, Severus fez um pedido estranho.
– Tente não pensar em nada agora, por favor.
Marlene concordou com a cabeça e fez o que ele lhe pedira, apenas observando-o buscar concentração e então a porta se abriu para eles entrarem.
Logo nos primeiros passos, Marlene realmente ficou surpresa com o que vira. A Sala Precisa estava completamente vazia de móveis, parecendo muito ampla e clara, e havia janelas próximas ao teto, permitindo que a luz do sol se filtrasse por elas. Ela reparou no chão, a madeira cor de ébano milimetricamente encerada fazia o tablado parecer um espelho de tão brilhante. E então observou a grande mesa no canto, era redonda de cor mogno e em cima dela havia um equipamento que ela imaginou ser um gramofone.
– O que significa essa coisa? – Marlene apontou o gramofone, agitando o braço displicente. – Esse chão, pra quê isso?
Severus respondeu com simplicidade.
– Estamos a pouco mais de um mês da Formatura e... – ele fez uma ligeira pausa antes de concluir: – ... eu observei que você não sabe dançar.
Ela franziu o cenho, contrariada.
– E por acaso você sabe? – Marlene perguntou de má vontade.
Ele deu um meio sorriso.
– Permita-me mostrar – disse Severus, puxando-a pela mão até o centro da sala.
Marlene o olhou com horror quando o viu apontar a varinha para o gramofone.
– O que está fazendo? – perguntou ela num grito alarmado. – Eu realmente não sei dançar...!
– Não se preocupe – pediu ele. – Eu sei.
Naquele momento, um som preencheu o ambiente; Marlene esperava uma valsa, ou algo do tipo clássico, mas a música que começou a tocar era bem mais... animada.
When marimba rhythms start to play
(Quando ritmos de marimba começarem a tocar)
Dance with me, make me sway
(Dance comigo, me faça balançar)
Like a lazy ocean hugs the shore
(Como um oceano preguiçoso abraça a praia)
Hold me close, sway me more
(Me abrace apertado, me balance mais)
– Severus...! – Marlene ainda tentou argumentar.
– Seu problema é nunca ter dançado antes com a pessoa certa – Severus respondeu. – Você não precisa nem prestar atenção à música, basta relaxar em meus braços e me acompanhar.
E antes que mais alguma palavra fosse dita em protesto, ele colocou os braços de Marlene em volta do seu pescoço e a ergueu, para que pudesse passar os pés embaixo dos dela. Um momento depois, eles começavam a girar.
Like a flower bending in the breeze
(Como uma flor curvando-se na brisa)
Bend with me, sway with ease
(Curve-se comigo, balance facilmente)
When we dance you have a way with me
(Quando dançamos você tem um jeito comigo)
Stay with me, sway with me
(Fique comigo, balance comigo)
– Severus, isso é ridículo... Eu me sinto ridícula... – reclamou Marlene com falsa raiva, depois de alguns minutos "dançando" sem esforço.
– Ora, não é tão ruim – Severus devolveu o deboche, puxando-a para mais perto por um segundo, para que os pés dela ficassem brevemente afastados do chão.
Marlene ficou surpresa ao sentir que realmente estava gostando de "dançar"... Mas também... Como não gostaria?
– Tudo bem. Não é tão ruim – ela admitiu num sorriso.
Other dancers may be on the floor
(Outros dançarinos podem estar na pista)
Dear, but my eyes will see only you
(Querida, mas meus olhos vão ver somente você)
Only you have that magic technique
(Só você tem aquela técnica mágica)
When we sway I go weak
(Quando balançamos, eu enfraqueço)
Severus a fez firmar os pés no chão pela primeira vez. Marlene entrelaçou uma das mãos a dele e apoiou a outra em seu ombro. Ela fechou os olhos, e, ao ritmo da música, deixou-se ser levada por ele, que com suavidade envolveu-a mais entre os braços. Ela suspirou encostando a cabeça em seu peito, sentindo-o guiá-la com leveza. Parecia flutuar e se não fosse a mão dele presa em sua cintura, facilmente voaria até os céus, embalada pela melodia doce da música que tocava e das batidas de seu coração.
I can hear the sounds of violins
(Eu posso ouvir o som dos violinos)
Long before it begins
(Muito antes de eles começarem)
Make me thrill as only you know how
(Me faça vibrar como só você sabe)
Sway me smooth, sway me now
(Me balance suavemente, me balance agora)
Marlene sentia-se... tão... bem. E era só isso que conseguia fazer: sentir. Sim, só aquilo já era prazer puro: sentir os braços dele envolvendo-a, peito e barriga de ambos unidos, a firmeza dos seus corpos enquanto se moviam juntos ao som da música.
Like a flower bending in the breeze
(Como uma flor curvando-se na brisa)
Bend with me, sway with ease
(Curve-se comigo, balance facilmente)
When we dance you have a way with me
(Quando dançamos você tem um jeito comigo)
Stay with me, sway with me
(Fique comigo, balance comigo)
Enquanto dançavam, Severus puxou-a de encontro ao seu corpo, tão sutilmente a princípio, que Marlene mal notou em meio ao excitamento que sentia. Mas depois, houve uma convicção maior, com as pressões aqui e ali sendo sentidas: as coxas dele encontravam as dela, seus pés se roçavam e algumas vezes ela sentia o volume embaixo das calças dele, mesmo percebendo que ele estava sendo um pouco cuidadoso em relação a isso. Ela podia sentir o seu calor e logo, sua própria excitação também; ela sabia exatamente como seu corpo reagiria no segundo em que entrou em contato com o dele, mas nem se preocupou em sentir raiva e tampouco se afastou, pelo contrário: se aproximou ainda mais, e viu-se apertando o corpo contra o dele quando sentiu a mão dele percorrendo-lhe as costas e parando sobre sua nuca.
A mão dele em sua nuca a estava levando Marlene à loucura; ela voltou os olhos castanhos para cima, despertando daquele doce sonho que a embalava, deparando-se com os olhos negros de Severus. Ela mordeu o lábio inferior com força quando notou que ele olhava de seus olhos para sua boca, e então fez o mesmo. Havia tantas coisas que ainda desconhecia, que desconfiava, porém tudo o que desejava naquele momento era sentir os lábios dele sobre os seus. Algo dentro de si, uma força inexplicável a fazia desejar aqueles lábios quentes e urgentes nos seus, mas não era somente desejo ou instinto; sua consciência estava lhe dizendo que aquilo era o certo.
Marlene encarou novamente aqueles olhos tão negros e foi se aproximando de Severus sutilmente, tornando ainda menor a distância que havia entre seus rostos; quando não havia mais distância alguma, ela aproximou seus lábios dos dele, roçando-os suavemente. Os lábios dele eram macios, moldando os dela sem usar a língua. Mas ela quis mais, queria sentir a língua dele, queria senti-lo por inteiro. Gostava do que estava recebendo, era o melhor beijo da sua vida, sempre fora, e então ficou na ponta dos pés para alcançá-lo, aprofundando o contato. Ela sorriu contra os lábios dele e aprofundou o beijo num beijo terno e carregado de saudade. Era um beijo terno e suave, mas ao mesmo tempo era profundo e cheio de desejo. E aquele era, sem dúvidas, o primeiro beijo real que trocavam em tantas semanas de frieza e incerteza.
Marlene fechou os olhos e as sensações outrora adormecidas afloraram; rapidamente as mãos dela se moviam como que por vontade própria: uma avançou entre os cabelos dele, descendo em sua nuca, enterrando os dedos pequenos nos fios negros numa tentativa de trazê-lo mais próximo a si, enquanto a outra apertava seus ombros; ela conseguia sentir os músculos do braço de Severus se movimentando enquanto a mão dele subia pelas suas costas e o puxou, pressionando seu quadril contra o dele.
Severus ficara um tanto imóvel diante da investida dela, e num reflexo se afastou alguns centímetros para encará-la com surpresa. Ele estava respeitando o limite dela, mesmo que nenhuma palavra sobre isso tivesse sido dita. Ele a olhava incerto, num misto de choque e surpresa, provavelmente imaginando que Marlene não se entregaria novamente a ele daquela forma, que ela ainda estava abalada – e ainda estava um pouco –, mas aquele beijo tinha sido o estopim inicial da mudança.
– Se eu beijá-la de novo, não vou conseguir mais parar – murmurou ele, a voz rouca.
– E todo o seu autocontrole? – ela o provocou, aproximando seus lábios dos dele novamente.
O olhar surpreso de Severus aumentou por um segundo.
– Com você, ele não existe.
Marlene viu a curva sensual nos lábios dele e inclinou o rosto para beijá-lo, mas Severus tomou a iniciativa: beijou-a de novo, agora por um ângulo diferente. Seus lábios tomaram os dela num beijo ávido e cheio de desejo, e ele parecia tão emocionado quanto ela; suas línguas se acariciavam numa dança sensual e singela: ele mordiscava delicadamente o lábio inferior dela e ela o repetia, trazendo-o ainda mais junto de si.
O beijo ganhou força e as respirações ficaram escassas; logo Severus afastou seus lábios dos de Marlene, e passou a explorar com beijos suaves o queixo, o pescoço, a orelha... Eles ficaram trocando carícias suaves por um longo tempo, mas não demorou para que Marlene notasse que sua razão havia sumido e já não importava mais porque estava ali com ele; apenas sentia a pele queimar e seu corpo responder com arrepios aos mínimos toques dele. Sentir a boca dele em seu corpo a enlouquecia, mas ela queria mais daqueles lábios nos seus, então se aproximou dos lábios dele novamente, até que foi pega de surpresa por mais um beijo.
Dessa vez, o prazer foi agudo, explosivo, e Marlene gemeu alto quando a língua dele entrou com vontade no beijo. Ela gemeu ao sentir a mão de Severus correndo pela sua nuca, pelos seus ombros e suas costas e a outra estava firme em sua cintura, apertando-a contra si; um segundo gemido surgiu quando ela sentiu as costas batendo contra a mesa atrás de si. Sem perceber, ele havia a empurrado contra a mesa e colado o corpo ao dela, então a segurou com firmeza pelos quadris e a colocou sentada em cima da mesa; ela manteve os braços seguros em volta do pescoço dele enquanto ele enganchava as pernas dela em sua cintura.
Enquanto a beijava, Severus introduziu a mão pela abertura lateral da saia, alisando e apertando as coxas sedosas; depois suas mãos subiram novamente, arrancando o suéter dela por cima da cabeça. Marlene já não estava quente, estava febril, com a pele sensível, as roupas apertadas. Ele entranhou as mãos por dentro de sua camisa, parando em sua cintura, onde, com um apertão, ele a puxou ainda mais contra si. Ela retribuiu aquele aperto com vontade, envolvendo o pescoço dele entre seus braços, fazendo com que ele afundasse o rosto em seu pescoço; ele depositou beijos úmidos ali, alternando sempre com mordidinhas e beijos leves, sentindo no mesmo instante as mãos dela se agarrarem aos seus cabelos.
Marlene mordiscava o lábio inferior dele, sugando lentamente; Severus então a beijou com força, e suas mãos agilmente lhe livraram da gravata. Ele começou a abrir lentamente a camisa dela e voltou a atacar o pescoço delicado: seus lábios desciam aos poucos do pescoço para o colo que ia sendo exposto a cada botão da camisa dela que ele abria. O corpo dela arqueou-se involuntariamente no momento em que o sentiu afastar delicadamente o tecido do sutiã com os dentes para então sugar a pele recém-exposta.
Severus a contemplou com um olhar e Marlene sentiu os seios enrijecendo cada vez mais; ele abaixou o rosto para sua boca capturar um seio e envolveu o outro com a mão. Completamente sensível ali, ela mordeu os lábios; ele massageava, mordiscava, acariciava, apertava os seios com ambas as mãos e depois tornou a beijá-la na boca. Seus lábios tomaram os dela, suas línguas novamente dançavam juntas, numa sincronia inexplicável. Quando finalmente o ar começou a lhes faltar, eles se afastaram brevemente.
Ainda ofegando, Marlene retribuiu o que Severus lhe fizera anteriormente: retirou-lhe a gravata e fez o mesmo com seu suéter. Ela abriu a camisa dele com ardor, arrastando suas unhas em seu abdômen, até alcançar os ombros. Ele então desceu as mãos pelas costas dela, do pescoço até os quadris; encontrou a saia dela e a levantou, enrolando-a na altura da cintura e voltou a deslizar a mão entre suas pernas, escorregando os dedos por baixo do elástico da calcinha para tocar a pele diretamente. Ele fez uma pausa, puxando a calcinha dela para baixo e ela se retorceu para que a peça escorregasse com mais facilidade pelas suas coxas, deslizando para fora de seus tornozelos por fim.
Severus passou a mão novamente pelos seios de Marlene, os dedos dele deslizavam pela pele macia, descendo pelo ventre, coxas e subiram de novo entre as pernas dela até encontrar o clitóris latejante. E quando alcançou o seu objetivo, os dedos dele começaram a explorar a feminilidade dela com precisão; logo, ela estava completamente excitada, a agilidade dele quanto a isso era impressionante. Ela prendeu a respiração quando ele a tocou ali e outra vez quando a carícia se aprofundou. Seus dedos ainda estavam dentro dela, ela estava mais molhada, e abriu mais as pernas para ele. Ela soltou um suspiro alto quando ele tirou os dedos de dentro dela e sua respiração ainda era descompassada quando o puxou novamente para si.
Marlene puxou Severus pelo pescoço e sem demora foi distribuindo-lhe beijos úmidos; lambeu a orelha dele, mordiscando e acariciou seu rosto com os dedos. As mãos dela desceram desesperadas pelo peito dele até parar no cós de sua calça. Ela jogou o cinto dele longe e o ajudou a abrir a calça; ao libertar o membro túrgido, ela não conseguiu evitar olhá-lo com desejo e instantaneamente, era só isso o que importava: somente o seu desejo passou a existir, quente e quase raivoso.
Severus a trouxe de encontro a si enquanto comprimia o rosto contra os seios dela; ela moveu os quadris um pouco, encontrando o membro rígido e esfregou-se contra ele, procurando o alívio, então apoiou as mãos em seus ombros e prendeu as pernas em torno de sua cintura. Ele a penetrou forte, com urgência. Marlene gemia e mordia os lábios com força, sentindo-o se movimentar dentro dela, ora rápido, ora devagar. Ele sentiu que ela ia se tornando cada vez mais apertada em torno de seu membro e ela percebia que as respirações deles estavam entrecortadas; o suor já os inundava e ambos tinham a pulsação e os batimentos cardíacos irregulares.
Não demorou muito para que o grito de Marlene explodisse e quando Severus percebeu que ela estava gozando, experimentou novamente aquele orgulho profundo por sempre levá-la ao clímax. Os espasmos dela ainda massageavam seu membro, convidando-o a segui-la. O convite era irrecusável e ele o aceitou: com um tremor único, ele a acompanhou quando ela teve outro orgasmo, e assim eles chegaram juntos ao ápice. Ele se despejou dentro dela sentindo seu prazer se misturando ao dela enquanto ela ainda se contorcia, tomada pela sensação de entrega.
Severus saiu de dentro dela e permaneceu em pé, sentindo os músculos de seu braço tremerem um pouco; então abraçou-a, acomodando-a em seus braços de modo que Marlene pudesse olhá-lo nos olhos. Ela o encarava com um olhar aturdido, o resultado de todas as sensações de prazer que ele havia lhe proporcionado. Ele depositou um beijo suave em seus lábios e sua mão acariciava os cabelos dela, assim como o seu rosto.
Severus percebeu que Marlene estava distante. Ele beijou a curva do seu pescoço e com a ponta dos dedos lhe afagava as costas.
– Lene? – ele chamou, com o sutil intuito de trazê-la de volta a realidade.
Marlene sorriu.
– Por que tudo que fazemos juntos acaba desse jeito? – ela perguntou com graça.
– Porque o nosso a... – ele se refreou depressa: – ... nosso sentimento é muito intenso, muito... verdadeiro.
Imediatamente, a expressão de Marlene mudou.
"... nosso sentimento..." – ela só ouvira até ali.
Ela suspirou, parecendo indignada. Será que Severus não percebia que aquilo era o que ela menos gostaria de ouvir no seguinte momento? Quanta... relutância, por que ele não dizia que era amor?, Marlene se perguntava. Talvez, ele nunca admitisse que fosse amor. E estava cansada disso.
Marlene podia não ter sentido raiva antes, mas em compensação, sentia toda a raiva acumulada de antes e mais a de agora. Abaixou a cabeça e não olhou mais para Severus. Ela o afastou de si com as duas mãos espalmadas. Ajeitou o sutiã, fechou a camisa, colocou a gravata e o suéter com uma espécie de fúria e da mesma forma, desceu da mesa para pegar a calcinha e a vestiu depressa, como se sentisse vergonha do que tinha acontecido.
Severus percebeu isso, e, sem entender a repentina mudança de humor dela, ele também se recompôs rapidamente em suas vestes.
– Marlene, o que houve? – ele perguntou, estava ficando preocupado com aquela atitude.
– Comigo? Nada – ela respondeu ríspida, encarando-o de frente agora. – Eu continuo preocupada é com você.
Ele suspirou pesadamente. Sabia do que Marlene estava falando, mas não sabia nem como tocar naquele assunto novamente. Todo o acontecido envolvendo Artes das Trevas, desde a chantagem e as ameaças de Mulciber até a quase morte de Benjy, chegava a ser uma espécie de "assunto proibido" entre os dois.
– Eu sei que depois do que aconteceu – Severus começou –, você não confia tão plenamente em mim, mas... – era como se ele não encontrasse as palavras certas e tentou encerrar o assunto: – Marlene, a gente já conversou sobre isso...
Enquanto Severus falava, duas vozes brigavam dentro da cabeça de Marlene. Uma, que queria ser boa e corajosa, lhe incitava a dizer a ele tudo o que pensava a respeito das Artes das Trevas na vida dele. Outra, dizia à boa que ela deveria era calar a boca, para evitar mais um possível desentendimento.
Num reflexo, Marlene optou pela primeira.
– Não! A gente não conversou, Severus! – interpôs ela, com raiva. – Mas não é isso que importa agora. Eu quero... – ela ponderou – Eu quero que você me escolha!
Severus a olhou sem entender.
– Eu quero que você me escolha – ela repetiu, e ficou esperando a resposta dele.
– Eu já escolhi você – argumentou ele. – Se depois de tudo que aconteceu, me diga se isso não ficou claro e eu lhe provo – ele disse firme, presumindo que ela ainda falava do sentimento que ele tivera por Lily.
Como se Marlene tivesse entendido, lido sua expressão, ela respondeu:
– Não é uma escolha entre mim e Lily, eu sei, essa escolha você nem poderia mais fazer – ela disse com simplicidade. – Eu estou falando do futuro.
– Futuro? – repetiu Severus, indagando.
– É – Marlene disse, buscando firmeza na voz para poder continuar: – Eu imagino que antes de tudo, antes da gente ficar junto, você já tinha planejado sua vida inteira e como ia ser quando você juntasse a esse Lorde não sei das quantas...
Severus ficou mudo, apenas a olhava, perplexo. Marlene tinha total razão, além de ter plena certeza do que falava. Ela continuou:
– Mas eu quero que você esqueça tudo isso e me escolha – ela fez o seu pedido, dizendo alto e claro: – Quero que você me escolha ao invés de... Voldemort.
Ao final da frase, ela até suspirou aliviada, pois finalmente havia dito tudo que estava entalado em sua garganta, o que ela queria e precisava dizer.
– Eu... Marlene... eu... – Severus hesitou, sem saber o que responder.
Diante da hesitação dele, ela o interrompeu:
– Não tem nem o que pensar, Severus! – Marlene disse firme, impondo sua condição: – Se você disser "sim" a aquele homem, você vai estar dizendo "não" pra mim.
Severus voltou-se a ela com um olhar brando.
– É, não tem mesmo o que pensar – respondeu ele por fim, numa voz artificialmente tranquila. – Você tem razão – e finalizou a conversa depositando um beijo sereno nos lábios dela.
Era estranho quando ele concordava rápido demais, porém Marlene sorriu verdadeiramente emocionada. Esperava que dessa vez Severus estivesse falando a verdade e que ela pudesse considerar o "sim" que iria ouvir futuramente.
SSMMSSMMSSMM
Notas finais
A música desse capítulo é a mesma do filme (que também usamos na MBA AJ), se chama "Sway", de Michael Bublé. Para quem tiver interesse, aqui vai o link do youtube, basta retirar os colchetes: http:/www[.]youtube[.]com/watch?v=dG8giVJKQPI
Mais uma vez agradeço a todos que comentaram o capítulo anterior! Isso motiva muito, incentiva muito a gente, de verdade!
Beijos a todos os que leram, e um super obrigado adiantado a todos os que além de ler vão clicar no botãozinho para comentar! Só que o pessoal que não comenta, bem, esses nós nunca vamos saber o que estão achando da fic, suas sugestões, enfim... É para vocês leitoras e leitores que nós escrevemos, então nós queremos muito saber o que vocês estão achando! Qualquer que seja a opinião de vocês sobre a fic, nós vamos adorar ler!
Fale com o autor