Muito Bem Acompanhada
31 Segredo Revelado
Notas iniciais
Resumo do Capítulo: Finalmente, o segredo de Dorcas e Sirius é revelado.
– CAPÍTULO TRINTA E UM –
SEGREDO REVELADO
Um mês depois...
A euforia dos alunos do Sétimo Ano era geral naquela semana. Depois dos últimos e exaustivos exames dos N.I.E.M.s, todos contavam os minutos para o tão esperado "Jantar de Ensaio" que aconteceria naquela noite, uma festa especial que sempre acontecia alguns dias antes da Formatura.
Já passava pouco mais das sete da noite. Na Sala Comunal da Corvinal, Severus conversava com Benjy; ambos aguardavam suas namoradas e de lá, iriam direto até o Salão Principal, onde estava acontecendo o Jantar de Ensaio.
– Severus?
O sonserino ouviu seu nome ser pronunciado, então se voltou para a direção de onde vinha o chamado e viu Marlene descendo as escadas. Quase perdeu a respiração.
Linda.
Essa palavra definiria aquela que via descer as escadas, Severus pensou. Com passos leves e comedidos, Marlene vinha em sua direção. Parte dos cabelos castanhos estava preso para trás num estilo pouco formal, despojado. Os olhos castanhos, quase amendoados, estavam muito bem delineados e os lábios rosados cintilavam; uma beleza natural que havia sido apenas realçada.
A cada passo que Marlene dava, o leve vestido azul e prata, amarrado ao pescoço deslizava pelas curvas do corpo pequeno e delicado, porém não menos sensual aquela noite. O decote não tão habitual de sua personalidade era ousado e expunha parte dos seios bonitos, onde um pequeno e reluzente pingente prateado repousava.
Quando por fim desceu as escadas, Marlene parou a alguns passos de seu namorado, que apenas a observava em silêncio, os olhos negros fixos em si. Ela sentiu um arrepio intenso percorrer suas costas ao ver que Severus se aproximava, porém sem desviar aquele olhar intenso de cima de si. E, sem dúvida alguma, aquela sensação não devia ser por conta do corte do vestido que expunha suas costas quase que por completo, ela pensou.
Severus então se aproximou dela; Marlene reparou que ele estava muito bem vestido, as vestes negras de gala impecáveis, e sentiu-se momentaneamente excitada tendo aqueles olhos intensos sobre si.
– Está linda – foi a única coisa que ele conseguiu dizer, ainda estava literalmente sem palavras.
– Obrigada – Marlene respondeu num sorriso, depositando um beijo rápido nos lábios dele, quando outra voz se fez presente.
– Emmeline! – exclamou Benjy.
Marlene olhou para trás, vendo Emmeline parar logo ao seu lado. Benjy passou por ela e Severus e Marlene notou que, tal qual seu namorado, o loiro estava impecavelmente bem vestido. Benjy então contemplou sua namorada: Emmeline tinha os cabelos soltos em fartos cachos loiros que lhe caíam displicentes sobre os ombros nus, bem natural, assim como sua maquiagem, isso sem contar o vestido azul claro com bordados em fios prateados, até um pouco abaixo dos joelhos. O decote era discreto, porém suas curvas delicadas eram ressaltadas ainda mais sob aquele tecido quase transparente.
– Emme... Está linda... – Benjy falou de forma galante e então levou a mão da namorada até os lábios, onde repousou um beijo delicado e casto, porém que fez o rosto da loira pegar fogo.
Sem mais palavras, os quatro saíram da Torre Corvinal; Emmeline e Benjy andavam mais a frente pelos corredores enquanto Marlene e Severus também os seguiam, porém alguns metros em recuo do outro casal.
Durante o caminho, Marlene olhava intrigada para as vestes do namorado; Severus estava bem vestido, mas o que estava a intrigando, era que as vestes dele eram completamente negras, enquanto o tema do Jantar de Ensaio e também da Formatura, se referia as cores das quatro Casas de Hogwarts, o que deveria ser representado nas vestes e/ou acessórios de cada um.
– O que foi? – Severus perguntou de repente, percebendo que ela o olhava especulativa.
– Hm... – Marlene começou sem graça. – As suas... vestes! – explicou ela. – São perfeitas, mas... Esqueceu que o tema do Jantar e da Formatura são as "cores" – ela abriu aspas com os dedos – das quatro Casas de Hogwarts?
Severus não suprimiu um sorrisinho de deboche.
– Devo lembrá-la – ele disse em tom malicioso –, que você ainda não viu todas as minhas vestes...
– Ah...! – exclamou Marlene, num olhar de quem tinha entendido tudo. Mal podia esperar para ver onde ele estava representando as cores da Sonserina.
Não demorou muito para que eles chegassem ao Salão Principal, que estava muito diferente naquela noite: próximo da entrada havia uma antessala com bebidas e comidas para recepcionar os convidados, e ao fundo, via-se o interior do Salão, que havia sido magicamente decorado com o tema das quatro Casas, quase transformando-se numa boate muito elegante e refinada diante das luzes que pulsavam em azul, verde, vermelho e amarelo.
Sempre juntos, os quatro circularam pelo salão, cumprimentando alguns conhecidos, mas quando chegaram próximo à mesa onde estavam os alunos da Grifinória, Marlene e Severus recuaram, deixando que Emmeline e Benjy fossem sozinhos cumprimentar os amigos.
Enquanto Emmeline e Benjy conversavam com Lily, James, Sirius e Peter, Severus puxou Marlene para si, mantendo a mão firme em sua cintura enquanto se deslocavam para o fundo do salão – bem longe da mesa grifinória.
– Não sei porque eles me olham desse jeito... – Severus debochou enquanto se sentavam à mesa. Marlene então olhou de relance para a outra mesa, a tempo de ver Sirius olhando para os dois com uma expressão indignada e o sonserino completou: – Eu não sou tão mal-humorado... Eu sou feio...
Marlene sorriu, tocando-lhe a face com carinho.
– Ah, não é não...! – murmurou ela, aproximando o rosto para beijá-lo.
Enquanto tinha os lábios de Severus se movendo sedutoramente sobre os seus, um som ínfimo chegava aos ouvidos de Marlene: parecia um vidro quebrando. Ela não podia ver, mas parecia que Sirius havia acabado de quebrar um copo na mesa da Grifinória...
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Meia hora depois, a festa estava sendo um sucesso evidente: o salão parecia cada vez mais abarrotado, muitos alunos e convidados se agitando na batida animada das músicas contagiantes e das luzes hipnóticas. Todos estavam se divertindo.
Todos, menos Sirius Black. E não apenas pelo fato de que suas "acompanhantes" não haviam chegado ainda, mas sim pelo que ele via acontecer na mesa onde Emmeline, Benjy, Marlene e Severus estavam. Ver aquela troca de olhares apaixonados entre Marlene e Severus estava o deixando indignado.
– Qual é o problema dele, hein? – Sirius indagou irritado, apontando para onde estavam Severus e Marlene e os outros grifinórios também se viraram para ver. – Ele fica ali, todo sonserino, se achando o rei do pedaço só porque está com a Lene...
James riu enquanto respondia o amigo.
– Primeira coisa, Padfoot: eleé um sonserino. Dois: ele está com a sua ex-namorada. E terceiro: ele só está com a Lene porque ela quis assim...
Sirius então cerrou os punhos com raiva.
– Ele age como se fosse digno dela...! – esbravejou ele.
Lily então se voltou a ele incrédula.
– E por acaso você é mais digno do que ele? – a ruiva lhe perguntou inquisidora, com um fio de mágoa na voz. – Reveja seus antecedentes com a Lene, Sirius!
– Eu não vou deixar isso continuar assim! – ele disse, e decidido, se levantou.
– Onde é que você vai? – James perguntou.
– Fazer o que já deveria ter feito há muito tempo, Prongs – foi o que Sirius respondeu antes de dar as costas ao grupo e se afastar.
James e Lily se entreolharam preocupados ao ver a direção em que Sirius ia: na direção de Marlene e Severus.
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Marlene nem percebeu a movimentação de seu ex-namorado. Emmeline e Benjy tinham acabado de sair da mesa e também da festa. Ela deixou que um meio sorriso brincasse em seus lábios; sabia que não ia poder voltar para o seu dormitório naquela noite, pois Emmeline já a avisara que ela e Benjy planejavam passar a noite juntos pela primeira vez. Não que ela se importasse com isso, pelo contrário: estava feliz pela amiga e também tinha grandes planos para o fim da noite.
Ela voltou-se a Severus com um olhar insinuante.
– Eu também não vejo a hora dessa festa acabar, sabia? – Marlene perguntou maliciosamente.
– Será porque talvez você queira...?
– Dançar? – uma segunda voz se fez presente interrompendo Severus.
Marlene desviou o olhar do namorado ao seu lado para frente. Era Sirius.
– Dança comigo? – ele indagou, estendendo-lhe a mão livre, já que a outra segurava uma capa sobre o ombro. – Claro, se o Snape permitir... – ele acrescentou num sorriso desafiador.
– Sirius, eu acho melhor... – começou Marlene, olhando de Severus para Sirius e de Sirius para Severus. O que era aquilo? Que atrevimento...!
– Vá com ele – Severus lhe tomou a palavra, e ela se voltou para ele sem acreditar. – Eu acho que ele não vai pisar no seu pé – ele concluiu debochado.
– Severus? – Marlene perguntou completamente chocada.
– Eu ia mesmo buscar uma bebida para nós – ele lhe respondeu, fazendo menção de se levantar.
– Mas... – ela ainda tentou argumentar.
– Acredito que não haverá problema em apenas uma taça... – Severus sussurrou em seu ouvido, por fim depositando um beijo delicado em seus lábios e então se levantou, deixando-a no vácuo e na presença do ex.
Assim que se certificou de que Severus já estava longe, Sirius sentou no mesmo lugar que o rival estava ocupando e se dirigiu a Marlene novamente.
– Então ele sabe que você pira quando bebe? – e meneou com a cabeça na direção da porta.
Ela lhe dirigiu um olhar mortal.
– Obrigada por me fazer lembrar dos meus tropeços...! – ela respondeu com sarcasmo.
– Me desculpe – Sirius pediu sem jeito e tornou a ficar em pé, estendendo-lhe a mão – Bem, vamos dançar? Pelos velhos tempos? – perguntou ele e apesar de tudo, ainda conseguiu dar um sorriso.
Marlene então sorriu de volta.
– Pelos "velhos tempos", então – ela concordou, levantando-se também, e, meio sem jeito, estendeu a mão a Sirius, que depositou a capa sobre a cadeira ao lado e então rumou para o centro do salão levando-a consigo.
Ex-namorados de mãos dadas... Aquilo era no mínimo estranho, pensou ela, enquanto eles tentavam entrar no ritmo da música que tocava.
Alguns minutos depois, na pista de dança, Marlene e Sirius não estavam realmente dançando; apenas se balançavam desajeitadamente de um lado para o outro tentando, ainda sem sucesso, acompanhar o ritmo da música.
– Lene, eu... – Sirius começou, pela enésima vez enquanto "dançavam".
Ela já tinha até perdido a conta. Quantas vezes em meio à música alta ele já havia começado a frase sem mencionar outra coisa que não fossem pronomes?
– Está tudo bem? – Marlene perguntou finalmente, e Sirius pareceu ter achado uma brecha para o que queria contar.
– Não importa o quão certo alguém esteja do que o outro é... – ele disse, tentando encontrar as palavras certas. – Ou do que é certo ou errado, às vezes a gente descobre que esse alguém não é exatamente o que a gente esperava que essa pessoa fosse...
Marlene rolou os olhos impaciente. Então era isso? Com o pretexto da "dança", Sirius queria na verdade uma última oportunidade de tentar denegrir a imagem de Severus? Estava perdendo tempo, então!, ela pensou. Aliás, ela não via a hora que Severus voltasse e a livrasse daquele infortúnio.
A voz insistente de Sirius cortou seu devaneio.
– Por Merlin, você não está nem me escutando...!
– É a música, está muito alta – Marlene disfarçou, gesticulando displicente. – Mas, por favor, continue – pediu ela; talvez fosse mais fácil ouvir o que Sirius tinha a dizer e então ele a deixaria em paz logo em seguida.
– Eu fiquei pensando que talvez você... – Sirius hesitou – ... deixa pra lá... É que eu não sabia que isso ia ser tão difícil... Eu só acho que eu lhe devo uma explicação...
– Olha, Sirius, relaxa, relaxa! – ela pediu, segurando as mãos dele. – Está tudo bem, eu juro!
– Não está não – respondeu ele, sério. – Não desde que você começou a namorar o Snivellus...
Por um momento, Marlene ficou preocupada com a seriedade daquelas palavras. Sirius não era assim.
– Ai Sirius... Às vezes você é tão idiota, sabia? – ela perguntou calma, rindo baixo.
– Por que está dizendo isso? – ele devolveu a pergunta, parecendo confuso.
Marlene sorriu.
– Eu acho... – começou ela em tom jocoso – ... que eu devo admitir... que eu só comecei a namorar o Severus pra te provocar...!
– Mesmo? – ele retribuiu o sorriso dela.
– Mesmo – ela confirmou. – Eu queria que você visse que eu estava muito feliz com ele, e muito bem sem você, pra isso te torturar lentamente... Mas aí, não sei, alguma coisa aconteceu... Eu me apaixonei por ele...
O sorriso dele murchou naquele momento.
– E espero sinceramente que isso não te magoe – Marlene prosseguiu, ainda sorrindo –, mas eu não aguento mais você e eu, essa nossa história... Passado é passado. Então que tal a gente colocar uma pedra nesse assunto e tentar aproveitar a festa?
Sirius não sabia o que responder. E num rompante, a verdade lhe escapou pelos lábios.
– É... Eu dormi com a sua prima.
Marlene riu, descrente.
– Desculpe, eu acho que não entendi direito. O que você disse? – ela perguntou.
Sirius respirou fundo, e não estava mais sorrindo.
– É, eu comi a Dorcas – afirmou ele, sério, e talvez nunca tivesse falado tão sério antes. – Ano passado, no último jogo da temporada...
Marlene ficou estarrecida. Foi como se um filme estivesse passando involuntariamente em sua cabeça. O jogo, era Corvinal contra Sonserina, houve uma derrota por poucos pontos. Agora ela percebia que eram duas derrotas juntas: enquanto ela dava o melhor de si jogando, Sirius e Dorcas davam uma...?
Foi como se tivesse parado de respirar. O que havia acabado de ouvir parecia ter remexido em algo que julgava ter enterrado, mas que talvez não tivesse sido cem por cento superado. Ela se sentiu horrível, mas tão horrível, que não tinha palavras para expressar o que sentia, apenas continuou ouvindo as palavras de Sirius como se ecoassem num vazio.
"E nós nos encontramos durante o verão inteiro, parecíamos dois coelhinhos, mesmo sabendo que aquilo era uma loucura e obviamente imoral. Eu cheguei a pensar que estava apaixonado por ela, e foi por isso que naquela época eu te pedi um tempo..."
– Mas depois, quando você fez questão de mostrar pra todo mundo que estava com Snape, eu... – ele concluía com dificuldade. – Eu percebi que eu te amava... Eu ainda te amo!
Marlene nada respondeu, ainda seguia chocada demais para falar e continuou apenas encarando inexpressivamente as luzes coloridas se intercalando entre verde, vermelho, azul e amarelo, refletindo no rosto de Sirius.
– Por favor, diz alguma coisa! – ele exasperou, diante do estado atônito dela.
Marlene piscou repetidamente, como se finalmente acabasse de sair de um transe.
– Você... – começou ela, apontando-lhe o dedo em riste. – Você... é a segunda pessoa mais desprezível que eu conheço!
– Lene, por favor! – Sirius tentou argumentar. Sem sucesso.
– Porque a primeira é a Dorcas! Sai da minha frente! – ela concluiu furiosa e então lhe deu as costas, afastando-se depressa.
Marlene olhou desesperada em direção à porta e começou a correr até lá. Lily e James se levantaram preocupados quando a viram correr e a ruiva a alcançou a poucos metros da porta.
– Lene! – Lily chamou, puxando Marlene pelo braço.
– O que você quer? – Marlene perguntou grosseiramente, e Lily até se assustou com a expressão furiosa da morena.
– Ah, meu Merlin! – a ruiva exclamou, levando as mãos a boca. – Sirius te contou, não foi?
Marlene a olhou sem acreditar.
– Você... – ela murmurou, olhando para James por cima do ombro da amiga. – Vocês sabiam?
– Lene, eu sinto muito... – Lily começou, mas foi só o que conseguiu dizer. Tal qual fizera com Sirius, Marlene lhe virou as costas e a deixou falando sozinha.
A corvinal andou de cabeça baixa, as palavras retumbando em sua mente.
"Os meus amigosnão têm e nunca tiveram MEDO de dizer a verdade..."
Então era essa a sinceridade que seus amigos tinham com ela? Grande engano. Ela chegou à antessala, mas assim que pisou ali, sentiu o coração dar um salto. À sua frente, Dorcas estava chegando com Remus, e sorriu largamente para si, porém, o sorriso desapareceu do rosto da grifinória quando Marlene lhe dirigiu apenas um olhar cheio de repulsa, antes de sair dali a passos rápidos.
– Prima...! – Dorcas chamou desesperada. – Eu vou falar com ela! – anunciou ela e afastou-se de Remus bruscamente para correr atrás de Marlene.
Naquele momento, Sirius acabava de alcançar Remus na porta; Lily e James vinham logo atrás dele.
– O que aconteceu com a Lene? – Remus perguntou ao grupo. – Ela não parecia nada bem.
– E como ela poderia estar bem namorando Snivellus? – Sirius brincou.
– Sirius...! – respondeu Remus em tom de reprimenda.
– Deixa pra lá – pediu Sirius –, não é hora de pegar esse bonde, meu amigo...
Remus o olhou meio desconfiado, mas foi praticamente arrastado pelos amigos para dentro do salão.
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Marlene passou correndo pela antessala onde ficavam as bebidas sem nem mesmo notar que Severus ainda deveria estar ali. Ela não parou de correr de cabeça baixa rumo aos corredores, sentindo o peito doer alucinadamente, sua cabeça dar voltas e mais voltas. Alguns alunos que ali passavam a fitavam sem entender nada e ela só parou de correr quando uma mão em seu ombro a deteve pouco depois de se distanciar alguns metros do Salão Principal.
– Prima! – Dorcas gritou. – Não conta nada pro Remus!
A corvinal se desvencilhou da prima, emitindo uma risada debochada.
– Você dormiu com o meu namorado e agora me pede pra não contar nada pro seu? – Marlene indagou sarcasticamente. – Você é mesmo a pessoa mais desprezível que eu conheço!
– Eu não queria isso, eu juro...! – a grifinória tentou explicar, mas Marlene voltou a interrompê-la grosseiramente:
– É mesmo? – ela perguntou cínica. – Que eu saiba, quando um não quer, dois não fazem! – e também lhe virou as costas.
– Lene, olha pra mim! – Dorcas pediu, puxando-a novamente, porém Marlene se afastou como um bicho ferido.
– Não – toque – em – mim! – ela vociferou entre dentes e Dorcas recuou um passo.
– Não teve importância nenhuma Lene, eu juro! – argumentou a grifinória. – Muitas vezes, era o seu nome que ele gemia quando...
Marlene sentiu o sangue lhe subir a cabeça. Estava cansada de tanta mentira, tanto cinismo, tanta falsidade e não conseguiu mais se conter: esbofeteou Dorcas com toda a força que tinha e as marcas de suas unhas ficaram no rosto da grifinória.
– Não – ouse – falar – do – meu – nome! – Marlene gritou e a cada palavra proferida era um tapa que Dorcas levava. – NÃO – OUSE!
Sem pensar no que fazia, ela fechou firmemente o punho direito e então socou literalmente a cara da prima, com tanta força que chegou a sentir dor também. Dorcas se desequilibrou caindo no chão e o seu vestido tomara-que-caia vermelho de seda se rasgou na lateral. A grifinória tapou o rosto com as mãos num urro de dor quando a corvinal pulou em cima dela e continuou socando seu rosto.
Quando Marlene percebeu que não teria muito mais força nos dedos para continuar batendo na prima, numa atitude extrema puxara até sua varinha, apontando-a diretamente para o rosto da grifinória. Mas a corvinal não teve nem tempo de pensar em alguma maldição, pois sentiu braços envolvendo fortemente a sua cintura e puxando-a, tirando-a de cima de Dorcas.
Por um instante, Marlene ainda se debateu esperneando, mas a raiva cessou quando ela viu que era Severus quem estava ali.
– Severus! – ela exclamou, agarrando-se a ele desesperada.
– Marlene... – ele murmurou, segurando e observando as mãos vermelhas dela. – O que houve?
Foi o que Severus perguntou, embora já tivesse quase certeza da resposta. Era como se Marlene tivesse ido do céu ao inferno em questão de poucos minutos. Ela estava radiante no salão, pelo menos até Sirius aparecer, e de repente tudo mudara. Ele a vira passar pela antessala como um furacão, então largou de qualquer jeito sobre a bancada as taças que havia providenciado e, atraído pelos gritos raivosos de Marlene, logo chegou onde ela e Dorcas estavam. Ao ver Dorcas no chão sendo socada por ela, tudo fez sentido: o segredo havia sido revelado.
– Eu... eu quero que você me tire daqui – ela pediu a ele num sussurro alucinado –, que faça amor comigo até que eu esqueça aquelas coisas horríveis que ela – Marlene apontou para Dorcas – e Sirius fizeram!
Mas antes que Severus pudesse responder, Dorcas havia se erguido do chão, tentando se recompor com dificuldade; a grifinória então apontou para ele quando gritou:
– Foi você que contou pra ela, não foi? Seu MALDITO! – ela disse e logo em seguida voltou a se desequilibrar, caindo de novo no chão.
Marlene sentiu seu coração falhar uma batida quando ouviu aquilo. Mais uma decepção para completar a noite. Ela afastou Severus de si imediatamente, sentindo ânsia.
– Então você já sabia disso? – ela exclamou de repente, agora o encarando com uma fúria incontida. – Como sempre...
SSMMSSMMSSMM
Notas finais
Mais uma vez agradeço a todos que comentaram o capítulo anterior! Isso motiva muito, incentiva muito a gente, de verdade!
Beijos a todos os que leram, e um super obrigado adiantado a todos os que além de ler vão clicar no botãozinho para comentar! Só que o pessoal que não comenta, bem, esses nós nunca vamos saber o que estão achando da fic, suas sugestões, enfim... É para vocês leitoras e leitores que nós escrevemos, então nós queremos muito saber o que vocês estão achando! Qualquer que seja a opinião de vocês sobre a fic, nós vamos adorar ler!
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