Muito Bem Acompanhada
4 Reforço Em Poções
Notas iniciais
— CAPÍTULO QUATRO –
REFORÇO EM POÇÕES
Um acordo com o maior inimigo de seu ex-namorado e uma forma de parecer inabalável diante da pessoa que mais lhe proporcionou dor. Marlene sorriu satisfeita com a resposta de Severus. Realmente, ele era a sua melhor alternativa de se mostrar forte. Mal podia esperar para saber como Sirius reagiria diante de tudo isso...
A voz de Emmeline interrompeu seu devaneio.
— Eu não acredito que vocês vão mesmo fazer isso! – exclamou a loira, indignada.
Mas Marlene ignorou e então pulou para o lado de Severus.
— Ele já aceitou! – ela respondeu contente e se dirigiu a ele, ligeiramente ansiosa: – É... acho que já podemos começar...!
— O que vai fazer? – ele quis saber.
— Eu vou dizer a todos, quero dizer, por enquanto eu vou dizer só para quem me perguntar — explicou ela –, que você vai me ajudar, que você está me dando um "reforço" em Poções... A gente pode marcar um horário depois das aulas... Pode ser amanhã?
A resposta dele a surpreendeu:
— Por que não agora? – Severus a indagou.
— Agora...? – perguntou Marlene, respondendo depois: – Não, agora não dá! Eu marquei um treino de Quadribol com a minha equipe, eles estão me esperando...!
— O maldito Quadribol— ele rosnou baixo, acrescentando em voz alta: – Você não vai.
Marlene não entendeu.
— Eu já estou indo, Snape – respondeu ela. – Aliás, eu já deveria estar lá! – e voltou para o lado da amiga quando disse: – Vamos, Emme!
A voz de Severus a impediu de sair.
— Você não vai – ele repetiu com tranquilidade.
Marlene se virou para ele novamente.
— Como assim, não vou? – ela perguntou, ainda sem entender.
— Nós vamos fazer a poção agora, McKinnon – ele respondeu firme. – Eu farei a minha, você fará a sua e não vamos sair dessa sala enquanto não terminarmos.
Ela se irritou:
— Olha aqui! – e apontou-lhe o dedo em riste. – Quem você pensa que é pra dizer se eu vou ou não...?
Severus segurou o dedo dela, abaixando-o; Marlene se soltou dele na mesma hora, como se tivesse levado um choque. Impassível, ele apenas perguntou cínico:
— Devo pensar que a senhorita não precisa mais da minha ajuda? – ele ameaçou.
— Não! – Marlene gritou, respondendo impaciente. – Mas... é que o jogo e... – e comentou meio indecisa, mas depois se resolveu: – Espere!
Ela andou até a amiga que já estava na porta.
— Emme, você me faz um favor? – perguntou Marlene e quando a amiga concordou com a cabeça, ela disse: – Vá ao campo e avise ao Benjy Fenwick que o treino foi cancelado. Não! Cancelado, não; adiado, senão ele vai reclamar pela milésima vez que ele deveria ser o capitão do time... Você vai lá, então?
— Vou – a loira respondeu e depois perguntou num sussurro: – Lene, você tem certeza que quer ficar aqui... com ele? – e apontou para Severus com a cabeça.
Rapidamente, Marlene relanceou meio temerosa para onde Severus estava; e depois respondeu a amiga:
— Eu acho que isso vai ser necessário... – disse ela – ... se eu quiser que Snape me ajude...
— Está bem – concordou Emmeline, a contragosto. – Mas depois que eu falar com o Fenwick, eu volto correndo pra cá; não vou te deixar tanto tempo sozinha com Snape – e deixou evidente sua preocupação: – Eu não confio nele.
— Até depois então – disse Marlene e viu Emmeline saindo rapidamente pela porta.
Marlene deu de ombros enquanto voltava para a bancada e viu que Severus já começava a arrumar o caldeirão sobre a mesma.
— O que sua amiga tem contra mim? – ele perguntou direto.
— Tudo! – respondeu Marlene, corrigindo depois: – Quero dizer, nada! São só as coisas que falam sobre você... Sabe, a gente não suporta essas pessoas que querem se juntar ao Lorde não sei das quantas só pra ostentar uma pureza de sangue que na verdade nem tem...
Ela parou de falar quando recebeu dele um olhar hostil.
— Ah, me desculpe! – foi o que ela conseguiu dizer. – Não se ofenda, por favor! Eu não falei isso por você ser mestiço...
E Marlene travou de novo depois de mais um olhar hostil.
— Ah, me desculpe! – ela ainda tentava explicar. – Nada disso é porque é você, mas é que... sabe, é que eu não sei e nem quero saber de Artes da Trevas!
— Me faz um favor, McKinnon? – Severus finalmente respondeu. – Pare de pedir desculpas. Se encararmos isso apenas como um plano de vingança, você não vai sentir tanta vontade de pedir desculpas.
— Ah, me desculpe – ela repetiu, sem se conter.
— E além de tudo, é chato – disse ele, por fim, antes de colocar as balanças sobre a mesa.
Meio sem jeito, Marlene tentou reiniciar a conversa com Severus.
— Bom, eu te falei que não sabia nem por onde começar essa poção... – ela disse sem graça.
— Abra o seu livro na página dez – ele apenas pediu.
Ótimo. Ele queria que ela abrisse o livro. E Marlene nem tinha um "livro".
— Eu não tenho livro – ela respondeu com sinceridade. – Acho que eu vou a biblioteca pegar com Madame Pince então...
Ela ia se afastar, mas Severus segurou seu braço bruscamente.
— Não precisa – ele disse impassível, e diante do olhar surpreso de Marlene, soltou o braço dela. – Eu lhe direi o que fazer...
Marlene não disse nada, ainda surpresa com aquele contato inesperado. Ela olhou para ele de novo, mas Severus já não estava mais ao seu lado; tinha se dirigido até o armário para pegar os ingredientes. Ele voltou trazendo raízes de valeriana e as colocou entre as balanças e o caldeirão na frente de Marlene. Logo, ele dividiu as raízes, pegando metade da quantidade e começou a trabalhar no processo, ainda em silêncio e ela observou atentamente enquanto os dedos dele mexiam com habilidade nos materiais que estavam a sua frente.
A destreza de Severus com as mãos era fascinante; elas pareciam grandes demais para realizar com facilidade e precisão a tarefa delicada de cortar as raízes. Marlene se perguntava quando e se algum dia conseguiria fazer igual e então percebeu que trabalhando ele era quase gracioso, ao contrário do resto do tempo, quando parecia ser tão ameaçador.
De repente, ele a encarou de cima, percebendo que ela o observava.
— Agora McKinnon, faça o mesmo com as suas raízes – ele simplesmente comandou antes de se dirigir ao outro lado da bancada, de frente a ela e jogar as raízes cortadas no próprio caldeirão.
"Faça?" – Marlene se perguntou.
Ela apenas sufocou uma exclamação quando percebeu o que estava acontecendo. Duas vezes ótimo. Além de tudo, ela ia ter que fazer a sua poção sozinha, e pelo visto Severus ficaria apenas supervisionando o preparo. Isso não havia passado pela sua cabeça. Quer dizer, ele já tinha falado isso antes de Emmeline sair, mas Marlene ainda tinha uma esperança que ele fizesse a poção para ela. Porém, ter que preparar a poção com o auxílio dele ainda era algo suportável; ela pensou que poderia ser pior se ele não estivesse ali e totalmente sem jeito, começou a cortar as raízes.
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Enquanto isso, Emmeline se apressava para chegar ao campo; realmente, ela queria voltar para as Masmorras o mais rápido possível e salvar sua amiga daquela loucura toda.
Logo que Emmeline chegou ao campo, foi recebida por um loiro alto e corpulento, já vestido com o uniforme de Quadribol de sua casa. Benjy Fenwick estava no sétimo ano como ela, e parecia bem impaciente:
— Vance? — ele a indagou, sem entender. – Onde está McKinnon?
— Ela não vem – Emmeline disse a verdade, fitando os olhos azuis do batedor. – Ela vai ficar até mais tarde na sala do Slughorn para fazer uma poção, então ela me pediu para avisar vocês – ela apontou para os outros jogadores – que o treino de hoje foi adiado...
— Ah... – Benjy disse num muxoxo. – Bom, é justificável que ela não tenha vindo treinar para dar prioridade aos estudos... – e meio sem jeito, ele acrescentou: – Vocês têm um grupo de estudos, não é, Vance?
— É, nós temos sim, mas a Lene não participa muito... – respondeu a loira, perguntando depois: – Por quê?
— Será que nesse grupo de estudos tem lugar pra mais um aluno desesperado com os N.I.E.M.s no final do ano? – ele indagou, se convidando: – Pra mim?
Pega de surpresa, Emmeline respondeu:
— Ah, mas é claro, Fenwick – ela disse. – Qual matéria você tem interesse? Porque nós temos um cronograma durante a semana, cada dia estudamos uma disciplina...
— Transfiguração – ele respondeu direto. – Posso te confessar uma coisa, Vance? Não levo o menor jeito com animagia.
Ela sorriu.
— Você não é o único. Eu também não – disse, fitando outra vez os olhos azuis dele, mais azuis do que seus próprios olhos.
Depois daquele breve minuto que ficaram encarando-se sem palavras, Benjy se manifestou:
— E então?
— E então o quê?
— Quando podemos estudar Transfiguração?
— Ah, claro... – Emmeline disse, ruborizando de repente. – Hoje! Hoje nos reuniremos depois do jantar. Como são poucas pessoas, estamos nos encontrando na sala comunal da Grifinória mesmo...
— Certo – concordou ele. – Então depois eu passo no seu dormitório pra te pegar! – e diante do olhar surpreso dela, ele explicou: – Pra irmos juntos, Vance.
— Ah, está bem – disse ela, por fim. – Eu vou te esperar então. Até depois.
Emmeline deixou o campo sorrindo, e, pela primeira vez naquele dia, nem lembrou que Remus Lupin existia; apenas que o garoto mais bonito da sua casa estava interessado em participar de seu grupo de estudos... Pensando nisso, ela fez seu caminho de volta para as Masmorras, mas sem pressa, lembrando-se de cada palavra que aquele loiro lindo e simpático havia lhe dito...
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De volta à sala de Poções, Severus até se divertia ao observar Marlene olhando confusa para os ingredientes sobre a bancada. Ele estava parado, ainda não tinha feito nem falado nada sobre a próxima etapa da poção e percebeu que a corvinal não sabia mesmo o que fazer com a Vagem Soporífera. Mas ele não a ajudaria até ela pedir, o que não demorou a acontecer; depois daquele longo silêncio, ela perguntou:
— Hm... Hã... É... O que eu faço agora, Snape?
— O que você vai fazer se essa for a poção do seu N.I.E.M.? – ele perguntou debochado.
— Ai... estúpido! — ela se impacientou. – Primeiro: eu avisei você que eu não sabia preparar. Segundo: eu não tenho um livro de Poções para consultar. Terceiro: será que você poderia vir aqui me ajudar?
Então Severus olhou para Marlene com uma cara de impaciência e saiu de onde estava; ela nem percebeu quando ele jogou o livro aberto sobre a bancada, apenas que no instante seguinte, ele estava posicionado atrás dela.
— Pegue a vagem e amasse – a voz de Severus soou próximo ao seu ouvido.
Um arrepio cruzou o corpo de Marlene ao sentir o calor do corpo dele repercutindo em suas costas; sentindo o rosto esquentar, ela desviou rapidamente os olhos para o livro aberto a seu lado, procurando outra coisa para se concentrar senão ele. Ela então viu que a instrução do livro dizia para cortar a vagem, mas que em cima estava rabiscado o que Severus lhe dissera para fazer, amassar. Sem encará-lo, ela questionou:
— Mas no livro está escrito que é para cortar e não...!
Mas ela não conseguiu terminar a frase, algo inesperado aconteceu. Severus se aproximou mais, passando os braços em volta dela; ele mesmo tomou as mãos pequenas e trêmulas de Marlene em baixo das suas e a fez amassar a vagem com a lateral da adaga.
— Amassar, McKinnon, produz mais seiva do que cortar – explicou Severus, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
— Eu não... eu não sabia... – ela murmurou, sentindo as pernas tremerem.
Enquanto eles amassavam juntos as vagens, Marlene sentia de novo aquele calor que estava lhe entorpecendo; as mãos de Severus estavam em cima das suas e ela sentia a respiração dele em seu pescoço, os lábios macios roçando-lhe a pele causando um arrepio gostoso, de uma forma irresistível, tão perto, tão... lascivo? Exatamente assim. Parecia uma loucura, mas sua vontade naquele momento foi de se virar para trás e beijá-lo. Mas talvez, ela tivesse demorado tempo demais para fazer isso, pois antes que pudesse se virar, ela o sentiu liberando suas mãos da adaga e se afastando de si.
— Pronto – foi o que ele disse quando terminou o processo, numa voz seca que trouxe Marlene de volta a realidade.
Enquanto Severus jogava a seiva no caldeirão dela, Marlene pensava confusa.
"Por Merlin, o que eu estava pensando?" – ela se perguntou, surpresa consigo mesma. – "Então eu ia beijar Snape assim, sem mais nem menos, só porque ele estava amassando essas vagens de um jeito tão... Ah, o que é isso, Marlene? Você não está tão desesperada assim!"
— É... o que você disse? – ela decidiu perguntar, para se livrar daquele silêncio constrangedor.
— Acabou. Agora esperamos — Severus respondeu num suspiro impaciente, voltando para o outro lado da bancada novamente e começou a amassar as suas próprias vagens.
E quando Marlene voltou a encará-lo, eis a sua surpresa: viu no rosto de Severus a mesma expressão de nojo que vira anteriormente na aula. Incomodada com aquilo, ela caminhou rápida e desajeitadamente, parando ao lado de onde ele estava; ele então se virou para ela impaciente e quando ficaram frente a frente, ela o encarou firme nos olhos e resolveu perguntar:
— Por acaso eu estou fedendo?
— Por que estaria? – ele perguntou cínico.
— Porque toda vez que você sente o cheiro do meu cabelo, você se afasta, vira a cara – ela disse séria. – Então, por favor, me responda sinceramente: eu estou fedendo, Snape? Estou?
— Não necessariamente – respondeu ele. – Mas esse seu perfume... é doce e enjoativo demais para o meu gosto. Amêndoas — disse ele, contorcendo o rosto com nojo enquanto jogava a seiva no próprio caldeirão.
Marlene se ofendeu.
— Sirius gosta! – ela respondeu com raiva, corrigindo: – Gostava, tá?
— Então essa é mais uma coisa que você vai ter que mudar – Severus disse impassível. – Porque eu não sou Black.
— Ah, mas disso eu tenho certeza! – ela respondeu com sarcasmo. – Ele nunca falou assim comigo e nem reclamou do meu perfume!
— Sim, ele apenas traiu você – ele disse suavemente e sem piedade. – Motivo pelo qual você veio aqui hoje, implorar pela minha ajuda.
— Você não sabe do que está falando! – Marlene gritou.
— Agora vejo que você parece ter ficado perturbada demais com tal fato... – Severus respondeu cínico. – É realmente muito difícil ser traído, não é mesmo?
— O que você sabe sobre isso? – perguntou ela, estreitando os olhos castanhos num tom perigoso. – Alguém por acaso já te traiu? Duvido! As garotas devem te rejeitar logo de cara!
E então, sem esperar, Marlene se sentiu sendo empurrada contra a parede.
— Vamos, me convença – ele comandou.
E antes que Marlene pudesse responder, Severus chegou ainda mais perto, o rosto a centímetros do dela. Ela não tinha nenhuma opção para escapar, as mãos hábeis dele acariciaram-na de forma provocante, porém sutil, deslizando pela lateral de seu corpo e depois apertando suas costas, trazendo-a mais junto de si antes de ir deter-se na curva de seu pescoço.
— Vamos, faça alguma coisa, me convença – ele murmurou, perturbando o processo de raciocínio de Marlene. – Antes que eu desista desse seu plano de vingança...
Ela se sentiu escorregando, mas segurou-se na parede; não era nenhuma criança, e estava perfeitamente ciente do que estava acontecendo. Pelo menos por enquanto.
— Não, você não faria isso – ela engoliu em seco –, você já disse que sim...
Ele reprimiu um sorrisinho de deboche; depois, baixou a cabeça e tocou com os lábios a base do pescoço dela. Naquele momento, Marlene pensou que ele ia beijar o seu pescoço, mas Severus não fez isso.
— Posso perfeitamente reconsiderar – ele disse, contra a pele dela. – A não ser que você me mostre o que eu tenho a ganhar com isso...
— Mas... mas... – ela lutava para se concentrar – ... eu já disse, Sirius vai ser humilhado...
Então, Marlene sentiu o nariz dele traçando uma linha do pescoço até a ponta de seu queixo.
— E não faça essa cara... – ele sussurrou com a voz mais sexy que ela já tinha ouvido. – Você estava quase sentando no meu colo, ali na bancada!
Ela arfou; aquilo ela não podia aceitar calada.
— O QUÊ? – ela gritou. – Não! Eu não estava não...! Isso não é verdade!
Severus ergueu o rosto e estava agora aprofundando o toque, passando a mão em sua cintura, deixando Marlene arrepiada.
— Não foi o que pareceu – ele afirmou, e sua mão foi subindo.
Marlene sentiu a boca dele perto, cada vez mais perto da sua.
— Então você achou que eu ia fazer o quê? – ela gritou de novo. – Pular em cima de você feito uma fera no cio? Eu posso ter falado, mas nunca nem sequer pensei nisso!
Não havia confiança nenhuma no que ela estava dizendo e Severus farejou uma vitória fácil.
— Mais um pouco – ele debochou –, e eu poderia sentir o seu tesão do outro lado do castelo...
Ela tirou forças não sabia de onde e ergueu a mão, de novo apontando-lhe o dedo em riste.
— Olha aqui seu... sonserino sem respeito! Eu...!
Severus ignorou o movimento dela e beijou lentamente o seu pescoço, depois ergueu o rosto parou de novo perto do canto de sua boca. Marlene podia sentir o hálito quente dele, os lábios dele mal encostavam em seu lábio inferior, trêmulo, e aquela mão passando em seu pescoço... Ela sabia que havia uma segunda parte em sua defesa brilhante, mas naquele momento ela não conseguiu resgatá-la. Ela ia mesmo ter que beijá-lo mais cedo ou mais tarde, não ia? Então talvez não importasse muito se ia ser agora e ela suspirou desistindo, esperando pelo beijo intenso que viria.
E então se surpreendeu completamente quando isso não aconteceu, e tudo que ele fez foi pegar o rosto dela com as mãos, quase com indelicadeza.
— Eu não vou te beijar – Severus disse firme, os lábios inflexíveis ainda sobre os dela.
Naquele momento, Marlene pensou que iria cair e respirou fundo, permanecendo imóvel quando Severus afastou-se bruscamente, recuando. Ela não entendeu nada.
— O que está... dizendo? – ela forçou-se a perguntar.
— Estou sendo sincero como você me pediu – ele respondeu com sarcasmo. – Não vou te beijar agora. Talvez depois.
— Depois? – ela ainda não entendia. – Se você vai ser o meu namorado, que diferença vai fazer se você me beijar agora ou depois?
— Eu prefiro depois – ele respondeu cínico.
Marlene percebeu que ele tinha um meio sorriso debochado nos lábios e insistiu na questão:
— Se você não está nem um pouco a fim, então por que esse arroubo de momentos atrás? – ela perguntou, e parecia muito brava agora.
Severus finalmente respondeu.
— Calma. Eu só estava te sacaneando, McKinnon – explicou ele, por fim, numa voz animada que Marlene nunca imaginara.
E então, como se tudo tivesse feito sentido, ela começou a rir.
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