Muito Bem Acompanhada

3 Proposta Quase Indecente


Notas iniciais
Agradecimentos: À Gisele_Potter que revisou o Capítulo 2 e nos presenteou com sua review. Obrigada!
Resumo do Capítulo: Marlene faz uma proposta "quase" indecente a Severus. E se surpreende com a resposta dele...

– CAPÍTULO TRÊS –

PROPOSTA QUASE INDECENTE

Enquanto refletia o acontecido de momentos atrás, Marlene percebeu que Emmeline acelerava cada vez mais o passo pelos corredores.

– Emme, espere! – pediu Marlene.

Mas a loira não quis escutar e começou a correr. Marlene correu atrás da amiga, insistindo:

– Emmeline, PARE! – ela gritou de novo, antes de tropeçar e cair no chão.

O baque surdo de Marlene indo ao chão foi a única coisa que fez Emmeline parar. Preocupada e arrependida por ter saído correndo e feito a morena cair, ela voltou correndo e se abaixou ao lado da amiga, puxando-a para cima.

– Desculpa, Lene! Desculpa! – ela disse, realmente nervosa. – Você se machucou?

– Estou bem, Emme – respondeu Marlene, levantando-se rapidamente. – Eu só esfolei o joelho – disse, apontando para a meia rasgada no joelho esquerdo. – Mas e você?ela não perdeu a oportunidade de indagar. – Será que você está bem?

Emmeline baixou os olhos antes de responder:

– Eu só estava com pressa pra... – ela não chegou a concluir a frase insincera ao ver o olhar sério da amiga parada à sua frente.

– Emme – disse Marlene, suspirando –, você não vai conseguir fugir deles a vida toda! – ela apelou para o bom senso que sabia que a amiga tinha. – O que adianta sair correndo da mesa do café, se você vai esbarrar com a minha prima e com Remus a qualquer instante durante as aulas, ou em qualquer outro lugar desse castelo?

– É que eu não quero olhar pra ela, olhar pra ele e... – de novo, a loira não concluiu a frase. – Não me peça pra voltar lá e fingir que está tudo bem! Você sabe que não está, Lene! Você é a única que me entende!

– É claro que eu entendo, Emme! – Marlene garantiu, abraçando a amiga com ternura. – E não estou pedindo para que você trate a minha prima com beijos e abraços! Só não quero que você transforme essa situação num tormento maior do que já é! É evidente demais o quanto isso está te fazendo mal, acredite em mim!

– Eu acredito sim – concordou ela, acrescentando uma frase sem ênfase: – Vai passar, Lene. Vai passar...

– Eu sei que vai – disse Marlene, tentando demonstrar uma confiança que nem tinha; realmente ela queria acreditar que tudo ficaria bem com a amiga.

Emmeline olhou no relógio e deu um salto de repente.

– Lene, acho que agora nós vamos ter que correr! – exclamou ela. – A aula do Flitwick começa em cinco minutos!

E elas ainda estavam perto do Salão Principal; imediatamente, as duas correram pelo castelo para a sala de Feitiços. No momento em que entraram na sala, a sineta tocou.

– Acalmem-se! Acalmem-se! – guinchou o Professor Flitwick, quando as garotas chegaram esbaforidas. – Sentem-se nos seus lugares, Srta. Vance, Srta. McKinnon!

Quando as duas amigas se aquietaram em seus lugares, o professor iniciou a aula, e assim o restante daquela manhã passou depressa. Porém, foi na hora do almoço que Emmeline ressuscitou com Marlene o assunto do café da manhã – mas só depois de relancear a sua volta e se certificar que o "assunto" em questão não estava presente à mesa da Sonserina.

– Apesar do meu ataque de pânico de manhã – começou ela –, eu não me esqueci do que você falou...

– Sobre o quê? – Marlene indagou.

– Sobre Snape – disse Emmeline, sem rodeios.

– Eu sei exatamente o que você vai dizer, Emme – Marlene disse cética. – Mas Snape é o único que pode me ajudar nessa vingança...

– Não, Lene, ele não é o único! – reclamou Emmeline, sem sucesso. – Opções é o que não faltam! Não sei por que de repente você acha que tem que ser Snape...!

– Você não entendeu – disse Marlene. – Tem que ser Snape sim!

– Mas Lene, logo ele...!a loira ainda insistia. – Você sabe as coisas que falam sobre ele e...

Marlene a interrompeu:

– A implicância dos meninos com Snape não se estende a mim – ela respondeu séria. – Ele é diferente, diferente de todos!

– Diferente de Sirius, você quer dizer – disse a loira sem se convencer. – Olhe só pra você, tudo o que quer, é alguém diferente de Sirius! Só que Snape...

A morena voltou a interromper a amiga:

– É, Snape – disse, com ênfase. – E eu nunca vi nada de errado com ele. Ele é monitor da Sonserina, inteligente, esforçado, e não precisa ficar se provando para todas as pessoas... Eu sei que ele não é o crápula que todos dizem...

– Mas tem as... – Emmeline não sabia nem quais palavras usar. – Snape não esconde de ninguém que... Artes da Trevas...

A resposta de Marlene a deixou perplexa:

– E também – acrescentou ela, quase mordendo a língua depois –, ele poderia ser o próprio Você-Sabe-Quem; eu não me importaria.

Emmeline suspirou aborrecida, percebendo que a amiga não mudaria de ideia mesmo.

– Você tem certeza, Lene? – perguntou ela. – Tem certeza que isso vale a pena?

– Bom, certeza certeza, não, né... – disse a morena, indiferente. – Mas é que se for outra pessoa, Sirius não vai se sentir tão diminuído, tão humilhado como eu quero que ele se sinta! É por isso que tem que ser Snape! E eu já me decidi: vou falar com ele depois da aula.

– Mas eu ainda tenho uma esperança, Lene – retrucou a loira. – Que Snape tenha um pouco de bom senso e diga não pra você e essa sua proposta maluca!

Marlene sorriu má.

– Se a Mãe Dinah estiver certa – disse confiante –, então ele já aceitou.

– O que te faz ter tanta certeza disso? – indagou Emmeline. – As previsões que eu li?

– Digamos que as previsões ajudaram, Emme – Marlene explicou. – Mas eu estou falando de algo maior. Snape deve ter a mesma vontade que eu tenho de humilhar Sirius, talvez até mais depois de tanto tempo sendo alvo de brincadeiras e humilhações... Isso não parece um bom motivo?

Emmeline refletiu por um momento: Marlene parecia bem segura do que dizia, e aquilo realmente parecia fazer sentido. Mesmo assim, ela debochou:

– Talvez. Mas eu ainda acho que Snape vai te dizer não...

– É o que veremos! – Marlene a desafiou.

Levantando-se, elas pegaram suas mochilas e deixaram a mesa. Rapidamente, elas voltaram para a Torre Corvinal para pegar o material para a aula de Poções e detalhe: Marlene era tão desorganizada que não sabia nem onde estava o seu exemplar de "Estudos Avançados no Preparo de Poções". Nem um "Accio!" resolveu o problema, e ela decidiu ir à aula de Poções com Emmeline mesmo sem o livro: tinha coisas mais urgentes para resolver depois da aula.

Elas chegaram cedo e as masmorras ainda estavam vazias. Não havia nenhum aluno nos corredores, apenas alguns dentro da sala, e assim, elas ficaram à vontade por lá. Não se atreveriam a entrar na sala de Slughorn; com certeza ele iria enchê-las com histórias chatas de pessoas famosas de quem ele fazia questão de se dizer amigo íntimo.

– Você tem mesmo certeza que quer fazer isso? – Emmeline começou de novo.

– Eu estou aqui, não estou? – debochou Marlene.

– Mas você sabe muito bem o que eu penso – disse Emmeline. – Não concordo.

– Eu também não concordo que você fique arrastando corrente pelo Remus! – Marlene disse ríspida, mudando de assunto. – Mesmo assim, eu respeito as suas decisões; respeite as minhas também!

Então a loira ficou séria. Baixou a cabeça, num sinal de tristeza e vergonha. Marlene percebeu o que havia dito e interrompeu a amiga antes que ela falasse qualquer coisa.

– Me desculpe – ela pediu, sinceramente arrependida. – Eu não quis dizer... Eu nem sei por que eu toquei no nome do Remus...

– Deixa pra lá – respondeu Emmeline, triste. – Você tem razão. Talvez seja melhor se eu...

Emmeline parou de falar quando ouviu as gargalhadas de sua eterna rival novamente. Dorcas estava chegando e dessa vez, acompanhada. Ela gargalhava, agarrada a ninguém menos do que Remus Lupin, que tentava sem sucesso, roubar-lhe beijos.

Marlene ficou sem palavras com a cena, e como já era de se esperar, viu os olhos da amiga enchendo-se de lágrimas. Elas se olharam com uma tristeza muda e Marlene até tentou levar Emmeline para dentro da sala, mas não adiantou porque Dorcas e Remus chegaram perto delas, perto demais.

– Boa tarde! – anunciou Dorcas.

– Oi prima! – respondeu Marlene; Emmeline ficou de costas para Dorcas. – O que vocês...? – perguntou, apontando para ela e Remus.

Dorcas olhou para Remus antes de dizer:

– Ah, explica você, amor...

"Amor?" – Marlene se perguntou; até podia ver a amiga desmontando a seu lado de tanta decepção.

E então Remus assumiu a palavra:

– Nós estamos namorando – ele respondeu feliz. – Eu a pedi, ontem! Ainda não acredito que ela aceitou! – e percebendo que Emmeline estava de costas, ele a puxou pelo ombro, obrigando-a a encará-lo quando disse: – E eu devo tudo isso a você, Emme! Obrigado.

– Obrigado? – Emmeline perguntou, disfarçando. – Pelo quê?

– Pelas coisas que você me disse ontem! – ele respondeu sereno. – Eu pensei em tudo que você me disse e me declarei a Dorcas!

Dorcas olhou zombeteira para Emmeline e depois a abraçou, exclamando:

– Emme querida, você ainda vai ser madrinha do nosso casamento!

– Desculpe! – disse Emmeline, soltando-se do abraço de Dorcas. – Eu não estou me sentindo bem – e correu para dentro da sala de Slughorn.

– O que ela tem? – Dorcas indagou a Marlene, sem entender.

– Ela está um pouco cansada, só isso – Marlene mentiu. – Bom, felicidades!

– Lene, espere! – Dorcas pediu. – Sirius já está chegando... Por que não fica com ele na aula de hoje? Assim ficaremos em três casais...

Marlene deu um sorriso fino. Ela não tinha nenhuma intenção de ficar perto de Sirius naquele momento.

– Desculpe, mas não vou deixar a Emme sozinha – foi o que ela respondeu.

– Ora ora, o que vocês ainda estão fazendo aqui fora? – a voz do professor Slughorn soou atrás deles, convidando-os a interromper a conversa. – Vocês não querem me ajudar nas poções da aula de hoje?

– Acho que não, professor... – respondeu Marlene, sem encará-lo. Ele, por sua vez, pareceu muito surpreso.

– Srta. McKinnon? – ele indagou; enquanto isso, Remus e Dorcas aproveitaram para entrar na sala discretamente. – É você mesma? A que devo a honra da sua presença em minha aula?

Marlene enrubesceu.

– Eu... eu resolvi voltar, professor – mentiu ela. – Sei que perdi muitas aulas, mas eu estou disposta a me esforçar muito para recuperar o conteúdo perdido.

Antes de receber uma resposta de Slughorn e sem que Marlene pudesse perceber, o professor a conduzia para dentro da sala, quando disse em voz alta para que todos que estavam lá pudessem ouvir:

– Seus pais vão ficar muito orgulhosos, senhorita. Como sabe, Poções são fundamentais caso queira seguir a mesma carreira de Auror deles!

Marlene não sabia onde enfiar a cara; odiava quando alguém se referia a ela como filha de Aurores. Um minuto depois, quando os alunos pareciam não mais olhar para ela, ela ouviu o professor dizer:

– Fique a vontade, Srta. McKinnon. Acho que ainda temos lugares ali no meio – dizendo isso, ele voltou para a porta.

Quando ela relanceou a sua volta para se localizar, percebeu que Emmeline tinha ido sentar-se na ponta da bancada, o mais distante possível com uma conhecida delas, Hestia Jones, da Lufa-Lufa. Ou seja, ela já tinha uma parceira se a aula fosse em dupla. Na verdade, todos os lugares em torno da bancada estavam ocupados: Dorcas e Remus guardavam lugares espaçados para Lily Evans e James Potter, que chegariam com Sirius Black e Peter Pettigrew. Mas ainda havia um lugar. Exatamente no centro, ela reconheceu Severus Snape por seus longos cabelos negros, sentado ao lado direito de um lugar vago.

"Estou com sorte, então." – ela pensou animada e começou a fazer a volta para chegar ao lugar vago na bancada, trocando um olhar rápido com Emmeline, que ainda demonstrava tristeza.

Enquanto Marlene contornava a bancada, ela observou Severus furtivamente e assim que ela passou, percebeu que ele ficara rígido em seu lugar, mais rígido do que já era normalmente. Ele a encarou novamente, agora com a expressão mais estranha do mundo, cheia de hostilidade. Marlene desviou os olhos rapidamente e enrubesceu de novo. Chocada com aquele olhar hostil que recebera, ela tropeçou quando foi se sentar, tendo que se apoiar na mesa para não cair; ao longe, podia ouvir sua prima rindo da sua falta de jeito.

Marlene pensara anteriormente que estava com sorte, pois Slughorn não tivera alternativa senão mandá-la para o lugar vago no meio da bancada, ao lado de Severus. Porém agora, ela preferiu manter o olhar longe de Severus enquanto se sentava ao lado dele, ainda desconcertada pelo olhar hostil que ele lhe lançara.

Ela percebeu que todos começaram a colocar seus livros em cima da mesa, e que ela não tinha livro nenhum. Imediatamente olhou para Emmeline, fazendo um gesto com a mão, indicando que precisaria de um livro. Ela viu Emmeline cochichar alguma coisa com Hestia; elas pareciam ter concordado em dividir o livro durante a aula e então Emmeline jogou o próprio livro pela bancada em direção à amiga; mas talvez tivesse jogado com muita força, já que o livro passou por Marlene e acabou batendo na mão de Severus, fazendo-o borrar o que ele escrevia em seu próprio livro.

– Ah, me desculpe! – foi a única coisa que Marlene conseguiu dizer a ele, já que não tinha feito aquilo de propósito.

Severus fechou o livro, num movimento disciplinado e em seguida olhou para Marlene. Ela esperava um olhar de fúria, mas só o que encontrou foi uma expressão vazia e percebeu que os olhos dele eram negros como carvão.

– Não; desculpe a mim – ele respondeu indiferente, enquanto empurrava a ela o livro de Emmeline.

Marlene ficou ainda mais vermelha. Será que isso significava que eles iam se dar bem? Ela já não tinha tanta certeza.

Quando ela olhou para o outro lado, pôde ver que Sirius Black chegava para a aula. Ele parou na porta e sacudiu a cabeça para tirar seus cabelos negros de cima dos olhos. Essa era a coisa mais atraente em Sirius Black: seu cabelo. Caía sobre seus olhos cinzentos com uma elegância casual. Eles se olharam por um breve momento, mas logo ele saiu de seu campo de visão quando James, Lily e Peter surgiram por detrás dele.

Marlene só pôde observar enquanto os amigos se sentavam e não olhou mais para eles; ela olhou pelo canto do olho para Severus, vendo-o inclinar-se para trás, desviando o rosto como se estivesse sentindo algum fedor. Sem coragem de olhar novamente para o sonserino ao seu lado, ela tentou prestar atenção a Slughorn, que começava a aula naquele momento.

Infelizmente, a aula era sobre a Poção "Felix Felicis". Uma chatice, coisa que todos ali já tinham estudado provavelmente e que Marlene, que nem era fã de Poções, se lembrava de ter lido em Quadribol Hoje. De qualquer modo, ela fez suas anotações cuidadosamente, sempre olhando para baixo.

Marlene teve a impressão que aquela aula parecia se arrastar mais do que as outras. Seria porque o dia finalmente estava chegando ao fim, ou porque ela esperava que Severus relaxasse a postura rígida do início da aula? Mas isso não aconteceu: ele continuou sentado tão imóvel que nem parecia respirar. Talvez, ele estivesse se sentindo enjoado com o seu perfume de Amêndoas, ela pensou. E então se perguntou: qual era o problema dele? Será que esse era o seu comportamento normal? Ou será que ele já sabia o que ela ia pedir, e então se forçou a tomar aquela postura, desencorajando qualquer aproximação, mostrando que ela não era bem-vinda?

"Não!" – ela concluiu.

Isso não podia ter nada a ver com ela, ele não poderia saber. Então, ela arriscou uma espiada rápida para o lado e se arrependeu: Severus agora a encarava de cima, como se realmente estivesse enojado pela presença dela. Marlene sentiu um frio na barriga e encolheu-se ao seu canto, mas de repente deu um pulo quando o sinal tocou alto.

Enquanto todos já estavam fora de seus lugares, Marlene observou Severus se levantar com fluidez, de costas para ela e notou que ele era muito mais alto do que ela pensava; logo, ele estava parado ao fundo da sala, ainda de costas, como se esperasse alguma coisa.

Ela ficou parada em seu lugar, encarando inexpressivamente as costas dele, até que a sala ficou vazia, exceto por eles três: ela, Severus e Emmeline, que logo apareceu a seu lado, vindo em seu socorro.

– Oi – disse a loira, sentando-se no mesmo lugar que antes fora ocupado por Severus.

– Oi – respondeu Marlene, devolvendo-lhe o livro. – Você está bem?

Emmeline deu um riso triste.

– Na medida do impossível, estou – ela respondeu com lágrimas nos olhos. – Sério. Estou me esforçando ao máximo para não ficar com raiva do que eu vi mais cedo... Porque se eu ficar com raiva, não sei o que pode acontecer... – e voltando os olhos para onde Severus estava, ela acrescentou baixinho: – O que Snape falou pra você? Quando eu acertei a mão dele com o meu livro?

– Ele pediu desculpa – respondeu Marlene, incrédula como a expressão da amiga.

– Nossa...! – disse Emmeline, admirada. – Ele é um cara muito estranho...

– E eu vou lá falar com ele! – Marlene disse antes que a amiga pudesse pestanejar, levantando-se da mesa.

– Lene, não! – chamou Emmeline, em vão, indo atrás da amiga.

Marlene andou decidida até onde Severus estava parado, ainda de costas. Ela sabia que Emmeline estava ao seu lado e tirou coragem não sabia de onde para chamá-lo:

– Snape?

Severus então se virou e olhou para elas; depois, concentrou seu olhar em Marlene, sem nenhuma hostilidade, apenas cauteloso. Diante da postura mais amistosa dele, ela prosseguiu com mais uma frase:

– Você tem um minuto?

– Na verdade, não – respondeu ele e depois perguntou com educação: – O que vocês querem?

Emmeline levou as mãos ao rosto, indignada. Ela não queria nada, só impedir que a amiga fizesse uma bobagem. E Marlene pareceu confusa; ele estava sendo perfeitamente educado agora, bem diferente de momentos atrás. Será que ela tivera uma alucinação no meio da aula sobre o comportamento dele? E então, Emmeline cortou o silêncio:

Eu não quero nada – disse a loira, séria. – Ela que quer...!

Severus só olhou para Marlene, esperando uma resposta. Ela precisava falar, ele estava esperando, mas não conseguia pensar em nada convencional para dizer. Então se lembrou da tarefa dada por Slughorn para a próxima aula:

– Eu... eu... – ela começou gaguejando – ... eu quero saber com quem você vai fazer a poção que Slughorn pediu!

A sobrancelha dele se ergueu.

– Por quê? – ele perguntou.

Marlene improvisou:

– É que, não sei se você sabe, mas eu voltei a frequentar as aulas de Poções e não sei nem por onde começar a preparar aquela poção lá...

– A Poção do Morto-Vivo? – indagou ele, percebendo que ela nem sabia do que estava falando.

– Essa mesma! – concordou Marlene, sem perder o bom humor. – Então... eu queria saber... assim... se você poderia me ajudar...

Enquanto ele parecia pensar numa resposta, ela olhou para Emmeline: a loira estava chocada, como se nunca tivesse se sentido tão traída.

Severus não respondeu nem que sim nem que não; fez outra pergunta:

– Apenas isso?

Marlene então aproveitou a oportunidade:

– Na verdade, não – ela disse, repetindo a frase dele. – Eu vou precisar da sua ajuda para uma outra coisa também... só que mais difícil...

– Que outra coisa? – ele quis saber.

– Será que a gente podia sair um dia desses? – o convite escapou da boca de Marlene; Emmeline gemeu.

Agora Severus pareceu confuso.

– Está me convidando para sair, McKinnon? – ele voltou a questionar.

– É... não é sair sair... – ela tentou explicar. – Mas é sair para sair mesmo, entende?

– Isso não me parece muito um convite – respondeu ele, cético. – Qual o motivo da proposta?

– Ah, o motivo... – Marlene hesitou, sem saber o que responder; olhou para a amiga: – Emme, o motivo...?

– O motivo, né? – a loira respondeu. – Diz que o motivo é aquele mesmo... que...

Diante da hesitação de Marlene e do cochicho com Emmeline, Severus assumiu a palavra outra vez:

– Não há motivo nenhum, certo?

As duas amigas olharam para Severus, ambas intimidadas com a pergunta. Ele voltou a falar:

– Eu vi vocês olhando pra mim de manhã. Falando de mim – e quando ele disse isso com plena certeza, Marlene enrubesceu. – É alguma aposta, pra ver qual de vocês teria coragem de me convidar pra sair? – ele então olhou para Marlene e concluiu: – Se for isso, creio que não posso ajudá-la. Com licença.

Ele deu meia-volta. Marlene ficou desesperada.

– Eu quero vingança! – ela gritou, por fim, antes que ele saísse.

Aquilo fez Severus parar. Ele virou-se para elas novamente e voltou a questionar Marlene:

– O que disse?

– Vingança! – ela repetiu com uma firmeza impressionante. – Eu quero me vingar de Sirius Black!

Quando a palavra "vingança", seguida do nome do grifinório surgiram, a conversa pareceu ter se tornado mais interessante para Severus.

– Você me convidou para sair com o propósito de se vingar de Black... – ele disse. – Por que eu?

– Porque eu tenho certeza que se ele me vir com você, ele não vai aguentar – explicou Marlene, com sinceridade. – Eu quero ver Sirius humilhado, pisado, destruído! – e apelou: – Você também não gostaria de vê-lo dessa maneira?

– Admito que sim – respondeu ele, e disse cínico: – Mas eu não tenho nenhuma intenção de sair com você, então é melhor haver uma boa razão para que eu faça isso...

Boa razão? – Marlene o indagou. – Não pode simplesmente me ajudar a me vingar de Sirius?

A surpresa passou rapidamente pelo rosto de Severus. Ela realmente queria vingança, ele não duvidava. Então se aproximou mais de Marlene, estava curioso; queria saber mais sobre aquele ardil que ela parecia estar elaborando.

– O que você tem em mente? – perguntou ele.

– Bom, todo mundo sabe que agora que eu voltei, eu vou precisar de ajuda em Poções – ela tornou a explicar. – E não é uma ajuda qualquer, é a sua ajuda; então, a gente pode andar um pouco juntos depois das aulas e depois de um tempo, a gente diz que está namorando...

– Depois de um tempo... – ele analisou. – Quanto tempo?

– Um tempo legal, suficiente para Sirius imaginar a gente fazendo sexo em pé, deitado, de quatro, de lado...

Emmeline gemeu de novo com as palavras de Marlene e Severus deu um meio sorriso infame.

– Tudo isso? – ele indagou debochado.

– Claro! Quanto mais a gente fizer, melhor! – respondeu Marlene, animada; porém, assim que percebeu o que disse, ela corrigiu: – Quero dizer, quanto mais a gente fizer Sirius imaginar... p-porque é claro que isso não vai acontecer... É tudo fingimento e nós só iríamos fingir... apenas fingir...!

– Eu nem havia pensado diferente – ele disse por fim, tranquilizando-a, embora não fosse verdade.

– Ok! – concordou ela. – Então, o que me diz?

Severus pareceu pensar por um momento, analisando a proposta quase indecente de Marlene. Realmente, talvez não houvesse uma maneira melhor de se vingar de Black senão fazê-lo acreditar que ele estava fodendo a ex-namorada do imbecil, por quem o grifinório ainda demonstrava ter algum sentimento. E também havia mais um agravante: os pais dela eram Aurores, ou seja, ali ele poderia encontrar uma fonte explícita de informações para se sobressair aos olhos do Lorde das Trevas...

Ele suspirou fundo antes de responder:

– Quando podemos começar?

Marlene não acreditou.

– Espere: você disse podemos? – ela indagou surpresa. – Assim, podemos, eu e você?

– Ao que me parece, sim – respondeu ele.

– Então isso é um sim?ela perguntou de novo.

– É o que eu estou tentando dizer, Marlene... – foi o que ele explicou, acrescentando o nome dela com deboche.

SSMMSSMMSSMM

Notas finais
Oi pessoal! Eu sei que o título deveria ser "Proposta Indecente", mas nós decidimos colocar um "Quase" no meio, afinal, Sev e Lene decidiram que tudo seria fingimento, e apenas fingimento, assim, sem sexo sem nada... Mas, para tranquilizar a todos, já adianto que eles não vão seguir fielmente o "acordo" deles, portanto teremos sim os momentos de NCs, não se preocupem... RSRSRSR.
Beijos a todos os que leram, e um super obrigado adiantado a todos os que além de ler vão clicar no botãozinho para comentar! Só que o pessoal que não comenta, bem, esses nós nunca vamos saber o que estão achando da fic, suas sugestões, enfim... É para vocês leitoras e leitores que nós escrevemos, então nós queremos muito saber o que vocês estão achando! Qualquer que seja a opinião de vocês sobre a fic, nós vamos adorar ler!