Muito Bem Acompanhada
2 Previsões
Notas iniciais
Resumo do Capítulo: Marlene apenas seguiu algumas previsões de maneira errônea. E encontrou a solução para o seu "problema".
– CAPÍTULO DOIS –
PREVISÕES
Na manhã do dia seguinte, Marlene acordou e encontrou Emmeline já fora do chuveiro – ela sempre fazia a loira ir tomar banho primeiro, pois sua amiga demorava bastante.
– Você está em cima da hora, Lene! – disse Emmeline, ajeitando seu longo cabelo cacheado num coque bagunçado. – Apresse-se e tome banho para podermos ir comer!
Emmeline estava muito impaciente, mas Marlene sabia o motivo – a loira queria tomar o café da manhã o mais rápido possível, para evitar Dorcas e Remus a todo custo – e então pegou suas coisas silenciosamente para ir tomar uma ducha rápida. Sem querer perder tempo fazendo o cabelo, secou-o instantaneamente com a varinha e decidiu deixá-lo solto naquele dia.
Marlene ainda se demorou um pouco pegando o seu material para a aula de Feitiços; não se atreveria a faltar à aula de Flitwick e correr o risco que ele mesmo a expulsasse da Corvinal.
– Você está pronta aí? – chamou Emmeline, de novo impaciente.
– Pronta – Marlene respondeu e correu para encontrar a amiga na sala comunal.
E de lá, elas desceram até o Salão Principal. O teto mágico estava coberto por nuvens acinzentadas, escondendo um tímido sol de outono. Embaixo daquele pseudo-céu, as mesas das quatro casas de Hogwarts abrigavam seus alunos durante o café da manhã.
As garotas sentaram-se à mesa da Corvinal e começaram a colocar comida em seus pratos. Marlene bocejou enquanto se servia de café. Emmeline serviu-se de suco de abóbora e, ao olhar para um jovem ruivo que estava sentado à mesa da Grifinória, voltou a tocar no assunto da noite anterior: ajudar Marlene a arrumar outro namorado.
– Lene... hum... – ela começou sem jeito – ... acho que o Fabian está olhando pra você...!
Marlene levantou a cabeça e virou-se para trás, para olhar na mesma direção de Emmeline e lançou ao ruivo um olhar educado, porém desinteressado e ele logo voltou a atenção à sua comida outra vez. E, já sabendo que a loira ia reclamar pela sua falta de "interesse", Marlene se antecipou dizendo:
– Eu sei o que você vai dizer, Emme. Mas eu não vou fingir que estou interessada no Fabian...
– Ah, Lene... – Emmeline disse num muxoxo. – Não acredito que vamos deixar o Fabian Prewett de lado!
– Sabe, ele é amigo demais, irmão demais – respondeu Marlene com sinceridade. – Acho que não ia dar certo, com certeza ele iria perceber que o motivo dessa história é Sirius. Fabian sempre foi legal comigo, e se ele gosta de mim como você pensa – ela deu ênfase à palavra, já que isso era mais uma suposição da loira –, acho que não tem nada a ver dar falsas esperanças a ele...
– O que eu sei é que Fabian é bonito, legal, inteligente, se derrete todo por você, te trata bem, te respeita... – Emmeline ainda insistia. – E é um dos poucos nessa escola que não tem Dorcas Meadowes na cabeça!
Marlene percebeu onde Emmeline queria chegar.
– Sendo assim... acho que você poderia investir nele, não é, Emme? – ela debochou.
– Não fuja do assunto, Lene! – a loira retorquiu. – Não estamos falando de arrumar um namorado pra mim, e sim pra você! Depois que você arrumar alguém, eu vejo alguém pra mim...
– Huhum – disse ela, incrédula.
Mas não houve tempo para que Marlene recebesse uma resposta: pouco depois de dar uma mordida em seu bolinho de amora, Emmeline exclamou de repente:
– O correio-coruja!
Marlene olhou em volta: ouviu-se um rumorejo de asas no alto e uma centena de corujas entrou, descrevendo círculos pelo salão e deixando cair cartas e pacotes entre os alunos que tagarelavam. Emmeline logo esticou os braços para a coruja que parara à sua frente e retirou de sua pata o exemplar do "Profeta Diário", colocando no lugar uma moeda. Avidamente, a loira começou a folhear o jornal.
Era estranho, porque Emmeline não mantinha assinatura do jornal. E percebendo a atitude da amiga, Marlene não conseguiu evitar a curiosidade.
– O que é que tem de tão interessante no Profeta Diário? – perguntou ela.
– Hã? – Emmeline devolveu a pergunta, já que não tinha nem ouvido o que a morena havia dito.
– O que tem de interessante aí? – repetiu Marlene, apontando o jornal. – Você nunca recebe o Profeta Diário, e agora fez até assinatura?
– Ah – respondeu Emmeline, voltando a si. – É que a Mãe Dinah passou a escrever a coluna diária de Astrologia do Profeta!
Marlene ergueu as sobrancelhas.
– Mãe Dinah? – indagou ela.
– Mãe Dinah! – respondeu a loira, ao mesmo tempo em que achava a página de Astrologia. – Uma astróloga brasileira poderosíssima! As previsões dela são infalíveis, ela sempre acerta o meu horóscopo!
– Horóscopo...! – Marlene disse, revirando os olhos com desinteresse. – Não sei como você, tão inteligente, acredita nisso, Emme! É um monte de bobagem!
– Não é não! – replicou Emmeline, e voltando os olhos para o jornal, exclamou: – Nossa, Lene! A Mãe Dinah acertou em cheio hoje!
– É? E o que a Mãe Dinah disse? – debochou ela. – O patinho feio vai virar cisne?
– Humpf! – a loira bufou e em seguida leu: – Segunda-feira, 10 de Novembro. "Peixes: A semana começa difícil, rivalidade na vida sentimental. Com os astros atrapalhando os assuntos do coração, você poderá perder algumas amizades. Procure desfazer os mal-entendidos com os amigos e evite tantas cobranças"! É isso mesmo, Lene: rivalidade com a Dorcas, perder a amizade com o Remus, mal-entendidos como você me disse ontem, e... – ela hesitou – ... essa minha cobrança para você arrumar um namorado. Mãe Dinah é poderosa!
Marlene deu de ombros.
– Eu já disse, Emme! É um monte de bobagem! – disse ela, mantendo sua posição. – Já pensou nos milhões de bruxos que vão ler o Profeta? Que pode ter sido para outra pessoa de Peixes que a Mãe Dinah escreveu isso?
– Foi pra mim, Lene. Eu sei que foi – respondeu Emmeline. – Agora vou ler o seu.
– Ah, não! – replicou Marlene. – Eu não quero saber disso.
– Ah, Lene! – a loira reclamou, novamente passeando os olhos pelo jornal. – Ela acertou o seu também!
Visivelmente contrariada, Marlene respondeu:
– Leia então.
Emmeline pigarreou.
– "Sagitário: A lua em marte traz à tona o seu lado indiferente, possessivo e inseguro. Não se prenda ao passado, olhe pra frente..."
"Olhe pra frente!" – pensou Marlene, com deboche. E num movimento que parecia até planejado, ela ergueu os olhos de seu prato e a voz de Emmeline de repente sumiu.
E foi ali, sentado à mesa da sua frente – a mesa da Sonserina – que Marlene viu alguém que lhe chamou a atenção: o maior inimigo de seu ex-namorado.
Ela percebeu que Severus Snape parecia distante. Distante de cada sonserino ali naquela mesa, distante dos outros alunos, distante de qualquer coisa em particular; sua atenção estava inteiramente voltada para um livro que ele segurava com a mão esquerda, e pelo que Marlene pôde ver, era de Defesa Contra as Artes das Trevas.
Ele não pareceu notar os alunos que passavam por entre as mesas, alguns se levantando, outros se sentando, e Marlene também não prestou atenção ao movimento; a voz de Emmeline, mesmo a seu lado ainda era imperceptível e ela só conseguia se concentrar no sonserino a sua frente.
Marlene reparou nos longos cabelos negros que escondiam os olhos também negros dele. Mas ela bem sabia que Severus não estava ali para ser visto. E não era uma questão de aparência; fazia parte do seu comportamento recluso, meio antissocial, como ela. Ela desceu um pouco os olhos, observando seu nariz. Combinava perfeitamente com o rosto pálido dele, com sua personalidade. Seu olhar desceu mais um pouco e ela o viu deixar o livro por um momento, apenas para desfazer um pão, partindo-o em pedaços com seus dedos pálidos e longos.
Uma cotovelada, seguida de um chamado, fez Marlene voltar a si.
– Lene? – Emmeline perguntou irritada, e a morena teve a impressão que não era a primeira vez que a loira havia lhe chamado.
– Quê? – indagou ela em resposta, mas ainda sem desviar os olhos da mesa da frente.
– Eu estava lendo o seu horóscopo! – Emmeline disse. – Você me ouviu?
– Ouvi sim, muito bom – disse Marlene, finalmente olhando para a amiga. – Fale mais.
Surpresa com o comentário positivo, Emmeline então prosseguiu:
– Continuando: "Aproveite que o seu poder de sedução está em alta, será muito atraente para alguém de Capricórnio..."
Um momento depois, Marlene já não estava mais escutando e voltou a olhar para frente. Ela simplesmente não conseguia tirar os olhos de Severus. Mas ela não estava admirando-o, não o achava bonito. Apenas estava pensando que talvez fosse ele quem ela estivesse procurando. As palavras de Emmeline na noite anterior imediatamente lhe voltaram à mente: "Não precisa ser bem um namorado... Só acho que você deveria sair com alguém, nem que seja só pra afrontar Sirius!"
A palavra "afrontar" acima de tudo, trazia claramente a ideia de vingança que Marlene queria e combinava perfeitamente com o momento, com ela mesma e com Severus. Quem melhor para "afrontar" Sirius Black senão Severus Snape? Satisfeita com o raciocínio, ela pensou que deveria agradecer a Emmeline pela ideia. E pelas previsões da tal Mãe Dinah. Mal podia esperar para falar com Severus e contar a ele seus planos maléficos em relação a Sirius...
De repente, a voz indócil de Emmeline interrompeu seu devaneio.
– Lene? Por acaso você está me escutando?
– Estou sim – mentiu ela, e mudou de assunto. – Escuta... a gente vai dividir alguma aula com a Sonserina hoje?
– Bom, se você resolver ir comigo para a aula de Poções depois do almoço – Emmeline assinalou, devido as frequentes ausências de Marlene na disciplina –, talvez a gente encontre alguns sonserinos por lá...
– Ótimo – Marlene disse satisfeita. – Então Snape vai estar lá.
– É, com certeza Snape vai estar lá, ele é o aluno favorito do Slughorn... – concordou Emmeline, mas sem entender porque Marlene havia dito aquilo, quis saber: – Por quê?
– Sabe, Emme... – hesitou Marlene – Eu estava aqui pensando... De repente... assim... podia ser o Snape...! – ela disse e a última frase saiu num sussurro.
– Não entendi – Emmeline respondeu, realmente sem entender. – O que Snape podia ser?
E então Marlene explicou em voz baixa:
– O meu novo namorado...
Emmeline não disse nada, apenas piscou, chocada. Ela olhou para Marlene, depois para Severus à sua frente, tornou a olhar a amiga e depois para ele de novo, num estado de confusão mental. Quando finalmente pareceu conseguir pensar para articular uma frase, a loira disse:
– Mas Lene, você não... Como assim? Snape? Por quê? – ela perguntou, atropelando-se nas palavras. – Isso nem faz sentido...!
– Faz todo o sentido do mundo, Emme – respondeu Marlene, decidida. – E foi você quem me fez enxergar isso, quando disse que eu podia sair com alguém nem que fosse só pra afrontar Sirius...
– Sim, mas nem de longe eu estava sugerindo que você saísse com alguém como... Snape! – disse Emmeline, agora preocupada. – Ai, ele é tão...
– ... tão o quê, Emme? – Marlene a interrompeu, zombeteira. – Eu acho Snape um tesão!
Os olhos azuis de Emmeline se arregalaram de susto.
– É... é sério isso, Lene? – foi o que ela conseguiu perguntar.
– Não, Emme – respondeu a morena, debochada. – Mas para o que eu preciso, ele é perfeito.
– Olha, eu não sei como você chegou a essa conclusão – disse a loira, ainda tentando persuadir a amiga –, mas a gente pode esperar um pouco, falar com outras pessoas e... sei lá, você não vai precisar envolver Snape nisso!
Em meio a toda a conversa, os olhos de Marlene se viravam para Severus constantemente, temendo que ele se virasse para elas e percebesse o teor da conversa. Para seu alívio, ele continuava olhando para seu livro, fixamente.
– "Não se prenda ao passado, olhe pra frente..." – Marlene então respondeu em falsete, imitando a voz de Emmeline. – Eu só fiz o que a Mãe Dinah disse, Emme!
A loira sacudiu o jornal na frente de Marlene.
– E Mãe Dinah continua dizendo: "Mas tenha cuidado: a impulsividade não lhe levará a nada"! – interpôs Emmeline, pedindo: – Em nome de Merlin, escute o que a Mãe Dinah diz, Lene!
Marlene riu.
– A Mãe Dinah não disse que era para olhar pra frente? – perguntou debochada. – Eu olhei! Satisfeita?
– Mas não era "olhar pra frente" aqui! – replicou Emmeline, séria e exaltada. – Era para você olhar pro futuro e não pro SNAPE!
Emmeline não conseguira manter a voz baixa e de repente, Severus olhou para ela, apenas por uma fração de segundo e depois foi Marlene quem se viu como alvo daqueles olhos tão negros. Ele desviou os olhos rapidamente, embora ela tivesse baixado os olhos de imediato, num súbito ataque de constrangimento. Naquele breve olhar que trocaram, não havia sinais de interesse: era apenas como se Severus tivesse as ouvido chamar o seu nome – isso se ele não tivesse ouvido mesmo, já que Emmeline quase berrara o nome dele – e as olhasse numa reação involuntária, decidido a não responder.
– Não podia falar isso mais alto, Emme? – Marlene ralhou baixo com Emmeline.
– Ai, desculpa...! – disse Emmeline. – Mas é que... Ah, que droga!
– O que foi? – perguntou Marlene, sem virar o rosto para frente outra vez. – O Snape está olhando pra gente de novo?
– Não – respondeu a loira, agora olhando para o lado oposto, em direção à porta. – A Dorcas está vindo!
Marlene virou o rosto e então viu sua prima chegando com os demais grifinórios: Dorcas Meadowes vinha chiquérrima com as vestes da Grifinória, fazendo questão de ofuscar os olhares de todos que estavam naquele salão com seus brincos de ouro que balançavam entre seus cabelos castanho-escuros e perfeitos em forma de chanel curto. Ela estava aos risos, assim como o resto do grupo. Sirius estava lá também, mas Marlene não olhou diretamente para ele, pois Dorcas continuou rindo abertamente, chamando a atenção.
– Ou alguém contou uma piada muito engraçada ou a minha prima está rindo assim de felicidade... – Marlene comentou. – O que será que aconteceu?
– Eu não sei e nem quero saber o que aconteceu! – disse Emmeline, ríspida; agarrando a amiga pelo pulso, implorou: – Vamos embora, Lene?
Sabendo o quanto estava sendo difícil para Emmeline conviver com aquela situação, Marlene apenas concordou:
– Vamos, sim – disse, enquanto se colocava de pé. Emmeline, agoniada para sair dali o mais rápido possível, já parecia estar com a alma fora do salão.
Enquanto fazia a volta com Emmeline, Marlene olhou para Severus pelo canto do olho num movimento arriscado e viu que agora ele a olhava. Ela tornou a olhar para baixo e mordeu os lábios para esconder um sorriso. Já havia se decidido e falaria com Severus depois da aula de Poções. Se ele concordasse com a sua "proposta", seria a vingança perfeita contra Sirius Black. E se as previsões de Mãe Dinah estivessem corretas, então havia uma grande possibilidade disso acontecer.
SSMMSSMMSSMM
Notas finais
Beijos a todos os que leram, e um super obrigado adiantado a todos os que além de ler vão clicar no botãozinho para comentar! Só que o pessoal que não comenta, bem, esses nós nunca vamos saber o que estão achando da fic, suas sugestões, enfim... É para vocês leitoras e leitores que nós escrevemos, então nós queremos muito saber o que vocês estão achando! Qualquer que seja a opinião de vocês sobre a fic, nós vamos adorar ler!
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