Muito Bem Acompanhada
16 Paixão, Frustração, Revelação
Notas iniciais
Disclaimer (2): Alguns fatos citados e os nomes utilizados para a Família McKinnon fazem referência a fic "1977", escrita por N. Black Blackie
Resumo do Capítulo: A primeira noite dos visitantes na casa dos McKinnons é cheia de paixões, frustrações e revelações...
– CAPÍTULO DEZESSEIS –
PAIXÃO, FRUSTRAÇÃO, REVELAÇÃO
Marlene piscou chocada com a resposta da mãe, mas tentando disfarçar uma pontada de desespero, ainda tentou argumentar:
– Mas mãe, eu pensei que houvesseregrassobre isso, e que a Tanya ia dormir no meu quarto e o Severus no quarto do Mike...!
– Eu não me importo, Lene – Tanya disse e Mike riu discretamente.
– Você ouviu, aTanyavai dormir no quarto do Mike, está decidido – disse Lorraine em ultimato, e voltou-se a Severus, falando ainda em tom seco: – Desculpe a minha filha, Severus; eu não sou tão antiquada quanto Marlene me faz parecer – concluiu ela.
– Eujamaispensaria isso de uma senhora que nem ao menos parece ser mãe dela – disse Severus, e Marlene interpretou aquela frase com dúvidas.
"Nossa, como ele é falso!" – pensou ela.
– Obrigada – disse Lorraine e então abraçou a filha: – Boa noite, querida – e num sussurro quase inaudível, avisou: –Tem poção anticoncepcional no armário, use-a bem...
– Mãe! – ruborizada, Marlene se exasperou outra vez, chamando a atenção da mãe, que se virou para Severus novamente:
– Boa noite – Lorraine disse a ele.
– Boa noite – Mark, Tanya e Mike também disseram, e logo, todos se afastaram, indo em direção ao outro quarto.
Sem ação diante da decisão de sua mãe, Marlene abriu a porta e entrou, acendendo as luzes; só conseguia pensar numa coisa: ela e Severus iam dormir no mesmo quarto, e pior, na mesmacama.O sorrisinho debochado que ele deu ao entrar, parando ao lado dela, a fez chegar à conclusão de que no fundo, ele estava se divertindo com aquela situação.
Ela sentiu raiva, mas parou de pensar nisso por um instante para observar melhor o quarto, e as mudanças de última hora que Lorraine havia feito nele: a cor azul dominava a decoração, e uma enorme cama de casal se encontrava no meio do quarto. A cama parecia gritar por ela e tudo que Marlene fez foi correr e jogar-se nela num pulo; ela suspirou, esparramando-se na cama e logo Severus veio até ali, sentando-se na beira da cama. Ele ia falar, mas Marlene o interrompeu:
– Você me desculpa? – ela pediu inesperadamente.
– O que eu disse sobre pedir desculpas? – reclamou ele.
– Ah, é sério – insistiu Marlene. – Você me desculpa?
– Pelo quê? – Severus não entendeu.
– Pelas coisas que a minha mãe falou sobre a sua – ela disse séria. – Desculpe se isso te ofendeu.
– Não ofendeu – garantiu ele, embora ainda estivesse intrigado com o fato. – Eu sei que não fui o único de quem sua mãe não gostou...
– Se fala da Tanya... – Marlene comentou. – Eu gostei dela, mas confesso que achei essa garota bem esquisitinha também... – e voltando ao sério, concluiu: – Mas que bom que isso não te ofendeu... Porqueeu fiquei com raiva de você agora a pouco...
– Quando? – Severus quis saber, e também deitou na cama, ao lado dela.
– Quando a minha mãe disse que você ia dormir no meu quarto e você nem recusou! – ela disse, fingindo estar com raiva ainda.
A sobrancelha dele se ergueu.
– Ora, Marlene, foivocêquem nos colocou nessa situação – assinalou ele, debochado. – É obrigação sua enfrentar isso da melhor maneira possível. Além do quê, foi exatamente por termos sido tão convincentesque a sua mãe sequer pensou em nosseparar...
– É verdade, fuieuque convidei você pra vir... Mas sabe do que eu estou com raiva mesmo? – ela indagou num tom divertido agora. – Você já sabia disso, não sabia? Que a minha mãe ia inventar uma coisa dessas...
– É lógico que eu sabia – Severus admitiu. – E se você tivesse juízo, deveria ter pensado nisso também – e perguntou debochado: – Ou você realmente pensou que a sua mãe ia querer parecer... qual era mesmo o termo...antiquada?
– Eu devia mesmo ter imaginado isso – Marlene concordou, por fim rindo e se levantou da cama comunicando: – Eu vou tomar um banho; essa viagem, seguida dos interrogatórios da família, acabou comigo!
– Como lhe disse, ao menos cumprimos bem o nosso papel – disse ele num sorrisinho cínico.
"Bem até demais..." – Severus pensou, enquanto via Marlene fechar a porta do banheiro. Por um momento, até ele acreditou no que ela dissera sobre estar muito feliz comele,mesmo que fosse para responder o interrogatório cansativo da família. E embora ele também estivesse cansado, não tinha sono, e teve dúvidas de que realmente iria ter sono em algum momento daquela noite. Levantando-se, ele foi até sua mala e pegou um pijama verde-escuro e curto que pretendia usar e também um livro.
Severus se deitou na cama ainda vestido, porém mesmo com as janelas abertas, o calor insuportável que fazia no quarto não o permitiu ficar vestido por muito tempo e logo ele se livrou de suas vestes; quase todas, permanecendo somente coma sua boxer e só não ficou nu temendo que Marlene tivesse um colapso nervoso ao sair do banheiro. Estando um pouco mais confortável, ele começou a ler o livro.
Enquanto isso, Marlene tentava relaxar embaixo da água quente. Estava cansada, e foi revigorante a sensação da água quente percorrendo sua nuca e descendo pelas costas. Na verdade, ela queria aproveitar esses poucos minutos de tranquilidade que estava tendo, pois tinha certeza de que assim que saísse daquele banheiro, a última coisa que conseguiria fazer seria dormir e relaxar. Talvez, até conseguisse dormir, e se assim o fizesse, pediria a Merlin para que não tivesse os mesmos sonhos eróticos que tivera nos últimos dias, ainda por cima com o protagonista desses sonhos dormindo próximo, muito próximo a ela.
Ao final do banho e depois de terminar todo o ritual que sempre fazia antes de dormir, Marlene enrolou-se num roupão e saiu do banheiro, direcionando-se ao quarto novamente.
Mas ela não precisou dar nem dois passos para sobressaltar-se, não esperava ver o que viu: Severus estava deitado na sua cama, mas o que a assustou realmente, não foi o fato de ele estar deitado nasua cama, mas sim, o fato de ele estar vestindo somente uma boxer negra, que deixava à mostra suas longas coxas brancas, e um volume bem agregado no meio delas.
"Respira, Marlene!" – ela entoava em pensamentos. – "Tenha calma, você ainda vai tocar nele um dia, mas não agora e..."
Marlene perdeu a linha de seu pensamento quando Severus abaixou o livro para encará-la.
Ele estava tão concentrado na leitura – para ele, Artes das Trevas eram interessantes sempre – que não percebeu quando Marlene saiu do banheiro; e realmente não queria chocá-la, mas viu que foi exatamente isso o que acontecera.
"Por Merlin, o que eu estava pensando?" – ela se repreendeu. – "Não acredito que eu olhei pro negócio dele e... Nossa, como pode ser assim tão... grande?"
Imediatamente, Marlene tirou seus olhos cobiçosos de onde estavam e corou violentamente quando disse:
– O que você está fazendo aí... eassim?–reclamou ela, atropelando-se nas palavras: – Quero dizer, euseio que você está fazendo, mas por que só está vestindo...isso? – e apontou para a cueca dele.
– Seissoa incomoda – Severus respondeu debochado, deixando o livro de lado –, reclame com o idiota que enfeitiçou a casa para ter temperatura de verão o ano inteiro...
– A ideia foi domeu pai...! – ela disse séria, estreitando os olhos castanhos perigosamente.
– Sinto muito peloseu pai,mas continua sendo uma idiotice – ele continuou com o deboche.
Marlene bufou impaciente, revirando os olhos; sabia que não adiantava começar uma discussão, caso contrário, eles trocariam farpas a noite inteira. Mas fez questão de frisar sua indignação:
– Você bem que poderia ter trazido um pijama ou pelo menos ter se coberto!
Severus se ergueu, sentando-se na cama para pegar o pijama que estava ao seu lado e o mostrou para Marlene:
– E o que você acha que é isso aqui?
Enquanto ele falava, Marlene se perdeu em pensamentos ao observar o tórax magro dele; nunca o havia visto sem camisa e então afastou os olhos enrubescida, reunindo forças para poder dizer:
– Por favor, Severus! Vista esse pijama! – pediu ela, quase com desespero.
– Eu vou tomar um banho primeiro – comunicou ele, levantando-se da cama; dando as costas a ela, ele pegou o pijama e entrou no banheiro.
Marlene encarou inexpressivamente as costas angulosas dele, e esperou até que ele fechasse a porta para só então se dirigir até a sua mala e pegar uma camisola. Não podia ignorar quesomentena sua casa era verão, e então optou por uma camisola azul-clara de seda. Apressadamente, ela tirou o roupão e vestiu a camisola, para logo depois olhar-se no espelho: o decote rendado em "v" ressaltava seus seios e além do comprimento ir somente até metade das coxas, deixando-as expostas, a camisola marcava também as suas curvas. Ela tinha consciência do que vestia, e ainda assim tinha impressão de que estava vestindo muito pano para o calor que ali fazia, mas definitivamente não iria dormir só de calcinha ao lado do protagonista de seus sonhos eróticos – sonhos que, dependendo da bondade de Merlin, ela estaria livre essa noite.
Ela já estava embaixo dos lençóis daquela cama enorme quando Severus saiu do banheiro momentos mais tarde, vestindo o pijama exatamente como Marlene queria. Ela viu quando ele se aproximou da cama e fechou os olhos, ficando imóvel. E sem esperar qualquer permissão, ele entrou embaixo dos lençóis, chegando com seu corpo quente bem próximo a ela.
Marlene entrou em pânico ao senti-lo tão perto e literalmente saltou da cama, fugindo pelo outro lado.
– O que você...? – sem entender a atitude dela, Severus tentou perguntar, mas foi só isso que conseguiu dizer.
Como estava em pé, sem querer Marlene permitiu que Severus visse a camisola que ela vestia. Ele reparou em suas pernas sedosas, na sua pele incrivelmente clara e lisa, e nos seios bonitos e firmes marcados sob o tecido; ele havia perdido a fala e por pouco estaria de boca aberta: estava admirado, tinha visto-a quase nua numa certa noite, massóbria,ela era muito mais bonita.
Percebendo que ele estava sem palavras, ela sorriu má:
– Gostou da minha camisola? – perguntou ela, maliciosa.
Severus então se recompôs, e com um olhar desdenhoso, respondeu:
– Issorealmenteé uma camisola? – debochou ele. – Parece mais uma camiseta, de tão curta que é.
E quando ele a olhou sério, inexpressivamente e sem mais nenhuma admiração aparente, Marlene resolveu perguntar:
– Você...realmentepretende dormir na cama?
Severus se voltou a ela, e se ergueu ajeitando o travesseiro para encostar as costas.
– Só temosumacama aqui, enão,eunãopretendo dormir no chão – respondeu ele, cínico diante da expressão levemente assustada de Marlene.
– Eupensei– ela começou sem graça, na tentativa inútil de persuadi-lo – que você iria transfigurar um colchonete, ou algo assim para dormir e...
Marlene subitamente perdeu a fala quando viu Severus se levantar e caminhar em sua direção. Ele não gostou muito daquela ideia que ela tivera sobre o colchonete, e só para provocá-la, ele se aproximou de Marlene, que instintivamente se encolhia contra a cômoda, a cada passo que ele dava na direção dela. Ela abaixou a cabeça e quase perdeu a respiração quando o sentiu extremamente perto de si, perto o suficiente para sentir o calor do corpo dele se misturar com o seu, ultrapassando a fina barreira de sua camisola e o hálito quente dele no seu pescoço; sem coragem de encarar aqueles olhos negros fixos sobre os seus, Marlene baixou o olhar.
– Você está commedode dormir ao meu lado? – Severus debochou, fazendo-a tremer com sua habitual voz arrastada. – Medo de não se controlar e me agarrar?
Marlene voltou a erguer os olhos para ele, e o encarou, sabendo o que Severus pretendia com aquilo. Sem entrar no jogo dele, ela respondeu firme:
– Mas é claro... quenão –disse ela, com um pouco de deboche também. – Eu não confio é emvocê.
Severus se aproximou mais ainda dela, se é que isso era possível, e olhando diretamente nos olhos de Marlene, perguntou:
– Tem certeza de que é emmimque você não confia? – insistiu ele, com um brilho diferente nos olhos que ela não soube decifrar qual era. Seria de...desejo?
Porém, balançando a cabeça e por fim conseguindo se afastar dele pelo outro lado, Marlene voltou para a cama, sentando-se nela, e respondeu:
– Para provar que eu não estou nem aí, eudeixovocê dormir na cama ao meu lado, já que faz tanta questão – e se enfiou embaixo dos lençóis outra vez, acrescentando cínica: – E eu também nem tenho porque ter medo; se eu já dormi na sua cama uma vez e não aconteceu nada, não éagoraque vai acontecer, não é?
–Claro –Severus também respondeu cínico, e dando aquele assunto como encerrado, também voltou para cama, ajeitando-se ao lado dela, dando-lhe as costas.
A cama era enorme, mas só por precaução, Marlene se afastou de Severus o máximo que pôde, espremendo-se num lado da cama, com o corpo rígido e contraído, ficando de costas para ele também. Momentos mais tarde, quando ela percebeu que a respiração dele tinha se tornado mais regular, ela chamou:
– Severus...! – Marlene chamou incerta, tentando enxergar o sonserino que estava deitado de lado, dando as costas para ela. – Você está dormindo? – indagou mais uma vez.
–Estou –Severus respondeu rispidamente. – Ou melhor,estava,até você me acordar bruscamente – e virando-se para deitar de costas, ele perguntou ao analisar o teto: – O que você quer?
Marlene mordeu os lábios num meio sorriso, sabendo que era loucura o que ia pedir, mas precisava fazer isso.
– Eu estava pensando... – começou ela, extremamente envergonhada – ... se eu poderia assim... te abraçar...
Severus bufou incrédulo.
"Essas mudanças de humor estão acabando comigo!" – pensou ele, sem entender aquele repentino pedido; ora Marlene até pulava da cama para se afastar dele, e agora lhe pediaisso?
– Por quê? – foi o que ele se limitou a perguntar.
– Só por alguns minutos...! – ela interpôs depressa, e com medo de que ele entendesse aquilo de forma errada, explicou: – E eu não fiquei louca não! É que eu tenho quase certeza de que daqui a pouco o meu pai vai passar aqui pra ver se está tudo bem, tudo bemmesmo,e eu pensei que serialegalse ele me visse abraçada com você...
– É só isso mesmo? – insistiu Severus, ainda desconfiado do jeito dela.
– Claro que é! – assegurou Marlene. – O que mais poderia ser?
E diante daquela insistência, Severus teve que concordar:
– Tudo bem, então – disse ele, levantando o lençol para que Marlene chegasse mais perto dele.
– Obrigada – respondeu ela, virando-se para ele, e aconchegou-se ao seu peito, ao passo que o sentia envolvê-la em seus braços.
Severus a tinha em seus braços agora, por vontade e iniciativadela.E embora Marlene estivesse tecnicamente vestida, logo ele começou a imaginá-la sem a camisola, e depois sem... Percebendo a excitação que o tomava de assalto, Severus assumiu sua máscara de frieza para tentar disfarçar o que sentia.
– Mas não se acostume com isso – advertiu ele, tentando ser o mais frio que conseguia. – É só até o seu pai aparecer por aqui...
– Tá bom... – concordou Marlene, fingindo não se importar com aquele comentário. Ela fechou os olhos, desejando que apenas naquela noite seu pai não resolvesse aparecer, para que ela pudesse dormir ali, aconchegada nos braços de Severus.
Mas Merlin não estava sendo tão bondoso naquela noite, pensou Marlene, assim que ouviu o barulho da maçaneta e a porta do quarto ser aberta; nem ela nem Severus se mexeram, pois não precisavam nem abrir os olhos para saber que o Sr. McKinnon havia mesmo passado por ali. E quando a porta fechou novamente, o momento pelo qual Marlene já esperava, aconteceu:
– Marlene? – Severus a chamou, mas ela não respondeu de propósito. – O seu pai já foi – ele insistiu.
– Hmm...? – murmurou ela, fingindo estar sonolenta; então fez que ia se afastar dele, mas como se não tivesse forças para isso, deixou que seu corpo pendesse sobre o dele mais uma vez e então sentiu os lábios dele nos seus.
Por um momento, Marlene pensou que ele se afastaria, mas Severus não fez isso e ela então o beijou com carinho, sentindo mais uma vez aquela forte onda de desejo se formar dentro de si. O beijo dele tinha paixão, a mesma paixão que a consumia; ela desceu a mão por dentro do pijama dele, passando-a em seu peito, ao mesmo tempo em que ele passava a mão pelo cabelo dela e apoiava a outra em sua cintura. Inclinando-se para ela, ele beijou-lhe o pescoço e a puxou com firmeza para si, levando as mãos para debaixo da camisola que ela vestia e levantou o tecido até a altura da cintura dela, onde acariciou a pele arrepiada, sentindo o corpo delicado tremer sob o seu toque.
A pele macia dela o instigava e o suspiro baixo que escapou dos lábios de Marlene aumentou ainda mais a excitação dele, provocando-lhe também a mesma forte onda de desejo que a dominava por inteira. Severus então voltou a beijá-la, e descendo os beijos pelo pescoço e colo, ele sentia a respiração dela cada vez mais forte. As mãos pequenas dela buscaram os seus ombros e depois se entranharam carinhosamente nos seus cabelos. Todo esse carinho dela só tornava ainda mais urgente a sua excitação, tanto que, dessa vez, ele pensou que seria impossível resistir, principalmente ao ouvi-la suspirar cada vez mais alto. Enquanto ela desabotoava a camisa de seu pijama com calma, ele continuou acariciando-a gentilmente, até que se deteve para olhá-la nos olhos, pairando em cada uma das suas feições delicadas.
Marlene viu que Severus a observava, e faminta pelos beijos dele, ela tomou a iniciativa de beijá-lo. Em meio a mais um beijo apaixonado, outro suspiro baixo escapou de seus lábios; ela sentiu o coração acelerado, e a umidade por entre suas pernas aumentava; ela estava pronta e ansiava se entregar a ele. Ela gemeu de novo, sem opor a menor resistência; ela o queria, o desejava mais que tudo. Pensou que ele a desejava também, e tinha quase certeza disso, porém, quando os carinhos dele se tornaram mais calmos, ela percebeu que toda aquela urgência e o desejo dos últimos instantes começavam a serenar. Ele estava hesitando, e como prova disso, passou somente os lábios com suavidade sobre os lábios entreabertos dela e depois colocou a ponta dos dedos sobre sua boca, antes que ela pudesse dizer qualquer palavra.
– Shh – Severus disse num murmúrio e então se afastou de Marlene bruscamente, sentando-se na cama.
– Eu... eu não entendo... – ela também murmurou, ainda deitada e sem encará-lo.
Enquanto fechava os botões da camisa do pijama, Severus respondeu:
– Eu também não – e sem mais palavras, passou a mão na testa, levantando-se da cama com fluidez e caminhou para fora do quarto.
Marlene observou a porta bater e continuou deitada ali, já que não conseguia nem se mexer diante da sensação gelada de abandono que a estremecia. Ela estava completamente decepcionada, todas as emoções que tinha experimentado se transformaram em frustração. Não sabia nem o que pensar: será que, como sempre, tinha feito alguma coisa errada? Algo que oofendesse? Realmente, ela não fazia ideia do porquê daquela atitude de Severus. Ele tinha correspondido, estava gostando, fervendo de desejo, e de repente, lhe virava as costas com tanta facilidade. Ela fechou os olhos e então recostou a cabeça no travesseiro para tentar dormir, agora desejando sonhar com ele; ao menos nos seus sonhos, ele não tinha medo de se entregar aos seus desejos.
Ao lado de fora, no corredor, Severus travava uma batalha consigo mesmo. Por que tivera de agir com tamanhanobrezade uma hora para outra? Eles não compartilhavam das mesmas ideias, não dividiam um passado e tampouco dividiriam um futuro. Logo, ele não tinha nada a perder fazendo amor com ela, se apaixonando cada vez mais... Só que era exatamente essa certeza de não ter o que perder que o fizera tomar aquela decisão e se afastar. Se ser firme com Marlene era a atitude mais sensata, então ele o seria. Aquilo lhe doía, mas, ao contrário do que Marlene poderia estar pensando, ele tinha sidoforteo suficiente para impedi-la de fazer algo que ela certamente iria se arrepender depois, era o que Severus pensava. Só não sabia queelanão pensava assim.
Ele ficou alguns instantes parado ali, não queria voltar para o quarto e ver o tamanho do estrago emocional que deveria ter causado em Marlene com aquela atitude. Então decidiu subir o lance de escada que levava para o terceiro andar da casa, ambiente esse que Severus não tinha visto ainda, mas que vendo agora, ele pôde notar que havia mais um quarto de hóspedes, além do quarto de Lorraine e Mark. Mais ao fundo do corredor, havia uma sala que parecia ser um escritório particular. E talvez nesse escritório, poderia encontrar algo interessante, ele pensou. Algo que os McKinnons não pudessem guardar na casa de Londres.
Severus andou sorrateiramente pelo corredor, mas parou quando ouviu as vozes que conversavam no quarto à sua frente. E passou a prestar atenção à conversa de Lorraine e Mark:
–Os dois, Mark!– reclamava Lorraine. –Nossosdois filhosnão podiam ter feito escolhapior!
–Está tudo bem, Lola– argumentava Mark.
–Como pode estartudo bem, se o meu filho está namorando uma garota que é maisgeladado que um Inferi?
–Lorraine!
–Merlin sabe quenão épor ela ser trouxa, mas... você viu adesfeitaque ela nos fez?Eu viaTanyacuspindo tudo que comia no guardanapo! Acha que ela tem algum distúrbio alimentar desses que os trouxas falam?
–Não implique com ela, Lola. Tanya é adorável, você que é exigente demais! Não pode simplesmente aceitar que nossos filhos estão namorando, e estão felizes?
–Ah, claro– Lorraine disse sarcástica. –Eu havia me esquecido donamoradoda nossa filha.Realmente, conhecer a tal Tanya foi uma decepção, mas a maior decepção da noite, sem dúvida, foi esse rapaz que Marlene trouxe!
Severus então passou a prestar mais atenção após ouvir seu nome na conversa; chegou com o corpo mais próximo da porta fechada, quase se encostando nela.
–Não vi nada de errado com ele– Mark defendeu.
–Claro que você não viu, sendo ele filho de quem é... Como poderia haver alguma coisa errada com o filho da suapreciosaEileen?
Um silêncio se fez. E agora, era o nome de sua mãe que entrara na conversa, pensou Severus, esperando que a partir daquele momento, algo sobre as reações negativas de Lorraine a aquele nome viesse à tona. E veio.
–Ela era a nossa melhor amiga– Mark ressaltou.
–Você disse bem, Mark.Era – falou Lorraine, cheia de ressentimento. –Mas acho que, como típica sonserina que era, ela nunca foiminhaamiga: ela se fez de boazinha o tempo todo, para no final me apunhalar daquela maneira! Porqueeu seique enquanto nós éramos namorados, você já me traía com ela!
–Isso não é verdade! Até metade do sétimo ano, nós éramosapenas amigos.E eu só fiquei com ela...
–... porque ela simplesmente se deu o trabalho de contar a Walburga que Orion gostava de mim! E claro, depois disso, quando a Walburga ficou furiosa e te chamou para ver quando Orion me beijou, Eileen ficou morrendo de felicidade! Ela nem era amiga da Walburga e só fez tudo aquilo pra deixarvocêarrasado, pra teconsolardepois! E ela conseguiu fazer isso, não apenas naquela noite, mas por um bom tempo!
–Por Merlin, Lola!– Mark tentava se justificar. –Eu nunca mais a vi depois que deixamos Hogwarts! E o que aconteceu naquela noite, não teve nenhuma importância!
–Não teve importância?– Lorraine parecia sequer ouvir as explicações dele. –Entãoem que momentovocê deu a ela as mesmas joias que dava pra mim? Porque o anel que a nossa filha tem no dedo é a maior prova da sua canalhice!
–Eu encontrei Eileenalgumas vezes, quando elanão sabiaque eu e você tínhamos reatado o namoro e que íamos ficar noivos... E depois, quando ela soube do nosso casamento, foielaquem me deixou...
–Então você admite que, se pudesse, teria levado nós duas na conversa? É muita canalhice sua mesmo! Corrijo: sua, edela,porque eu não duvidonadaque essa mulher tenha mandado o próprio filho seduzir Marlene com o único propósito de se vingar de nós!
Mark suspirou cansado.
– Vingança?Acha mesmo que Eileen iria querer se vingar do que aconteceu há mais de vinte anos?
–Pois pra mim isso foi ontem!– Lorraine respondeu colérica. E depois de uma longa pausa, em que ela parecia chorar, Mark concluiu:
–Eu tenho certeza de que Eileenjamaisfaria uma coisa dessas.
–Claro. Como sempre,elaestá certa eeuestou errada. Sempre foi assim, não é? Mesmo quando nós éramosamigos,você sempre acreditavanelaantes de acreditar em mim!
–Pare com isso, Lola! Por acaso é Eileen quem está casada comigo?Não.Admito, ela foi uma grande paixão na minha vida, mas eunãoa amava, nunca amei e você sabe disso! Esqueça isso, em nome de Merlin, esqueça essa história...
–Nem se eu vivessemil anos,eu não esquecerianuncatudo o que aquela mulher me fez!
–Se você achaimpossívelesquecer, ao menos não permita que isso se reflita na Marlene! Não implique mais com o Severus! E eu peço o mesmo para com a Tanya, o Mikeamaessa moça! Eu não quero que os nossos filhos se magoem, e tenho certeza que você também não. Não vamos estragar a felicidade deles por coisas que não valem a pena.
Outro silêncio se fez, e dessa vez pareceu definitivo. As luzes do quarto se apagaram.
Severus ficou ali parado, encostado à porta, digerindo tudo que ouvira. Mas logo saiu dali e refugiou-se no escritório, o qual ele desejava revirar em busca de informações, mas que agora havia até se esquecido disso. Não tinha muita escolha: era voltar para o quarto e encarar a frustração de Marlene, ou ficar ali, refletindo parte da história contada por Lorraine e Mark. Preferiu a segunda opção, amaldiçoando-se ao mesmo tempo: talvez, teria sido melhor se tivesse continuado na cama de Marlene, fazendo coisas melhores do que ouvir que asua mãetinha sidoamantedo pai dela e feito sabe-se lá o que mais, digno do ódio mortal de Lorraine McKinnon.
SSMMSSMMSSMM
Notas finais
Aqui, fazemos mais um agradecimento especial a N. Black - Blackie, que além dos nomes, muito gentilmente nos emprestou o "romance" de Lorraine McKinnon e Orion Black. Originalmente, esse fato faz referência a fic "1977". E claro, não poderíamos deixar o Sr. McKinnon por baixo, por isso surgiu essa loucura do "romance" de Mark McKinnon e Eileen Prince! RSRSR. Esperamos que tenham gostado! RSRSRS.
Mais uma vez, agradeço a todos que comentaram no capítulo anterior, significa muito, de verdade!
Beijos a todos os que leram, e um super obrigado adiantado a todos os que além de ler vão clicar no botãozinho para comentar! Só que o pessoal que não comenta, bem, esses nós nunca vamos saber o que estão achando da fic, suas sugestões, enfim... É para vocês leitoras e leitores que nós escrevemos, então nós queremos muito saber o que vocês estão achando! Qualquer que seja a opinião de vocês sobre a fic, nós vamos adorar ler!
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