Muito Bem Acompanhada

17 Véspera de Natal - Parte 1


Notas iniciais
- Pessoal, desculpem a demora na postagem, achei mais seguro postar quando o Nyah! voltasse ao normal! -
Agradecimentos: À Tom Riddle que fez uma super-recomendação da fic e à Patti, Tom Riddle, Lissa Santos, kb_gsr e Gisele_Potter, que comentaram o Capítulo 16! Obrigada! Os comentários de vocês e as recomendações significam muito pra gente, de verdade!
Resumo do Capítulo: Desde o amanhecer, a véspera de Natal na casa de praia dos McKinnons é um tanto conturbada...

– CAPÍTULO DEZESSETE –

VÉSPERA DE NATAL

*Parte 1*

Já passava das cinco horas da manhã, mas Severus nem ligou para o horário. Não sabia há quanto tempo estava ali, pensando em tudo o que havia escutado.

Agora Severus entendia porque Marlene julgara o anel que ele lhe dera eraigual ao da mãe dela. Agora, todas as coisas que ela havia dito, e que a primeiro momento ele julgara absurdas, encaixavam-se perfeitamente na história que ouvira. Obviamente seriam anéis iguais, se o Sr. McKinnon havia dado as mesmas joias para a noiva e para a...amante.

Ele sentiu um nó no estômago só de pensar que a sua mãe tinha sidoamantede alguém, e mais ainda de alguém que, por infeliz coincidência, vinha a sero paida sua namorada. Se fosse outra pessoa, será que ele se importaria tanto? Por que tinha que ser justamente o pai de Marlene?, Severus se perguntava.

Mas ele também não tinha como prever; talvez, se ele tivesse dito à sua mãe que o nome de sua namorada era Marlene McKinnon, certamente Eileen teria evitado o incidente do anel. Severus então se lembrou do papel ridículo que fizera, quando, à mesa do jantar, dissera que aquele anel estava há muito tempo na família de sua mãe, e de como Lorraine respondeu entre dentes queacreditava, sendo que no fundo, ela já sabiamuito bemde onde aquele anel tinha vindo.

As palavras do Sr. McKinnon então lhe voltaram à mente:"Não vamos estragar a felicidade deles por coisas que não valem a pena."Ele não tinha certeza do que realmente havia acontecido entre sua mãe e Mark, mas era assim que o pai de Marlene se referia ao suposto relacionamento que tiveram:coisas que não valem a pena. Ou seja,a sua mãe não valia a pena e, pelo visto, nunca tinha valido nada para o Sr. McKinnon. Ela era somente amelhor amiga, de quem ele certamente só se aproveitou, epor um bom tempo,como dissera Lorraine.

Diante de tudo que estava pensando, Severus teve vontade de ir embora daquela casa imediatamente e ir até Spinner's End para falar com Eileen; queria saber o que sua mãe tinha a dizer sobre isso. Mas ele sabia que não podia ir embora assim, o que diria para Marlene? Ela talvez fosse se sentir ainda pior, se pensasse que ele estava indo embora por causa do que havia acontecido, ou melhor, do quenão havia acontecido no começo da noite.

Mesmo assim, Severus decidiu ficar, não iria investigar sobre issoagora. Fosse como fosse, isso tinha acontecidohá mais de vinte anos, como Mark fizera questão de ressaltar. Ao final dessa conclusão, ele até deu um suspiro de alívio; se isso tinha acontecido muito antes de ele e Marlene nascerem, então eles não eram e nem poderiam serirmãos. Por um momento, ele sentiu como se tivesse parado de respirar, só de imaginar que, por pouco, isso poderia ser verdade.

Apesar de ainda estar um tanto estarrecido com as revelações confusas da noite, Severus resolveu voltar para o quarto, desejando que Marlene já estivesse dormindo. Além da raiva que estava sentindo por tudo que o pai dela deveria ter feito de mal a sua mãe, ele realmente não queria receber de Marlene um olhar carregado de frustração, que ele tinha certeza, era exatamente o que ela sentira quando ele intempestivamente interrompeu seus carinhos e saiu do quarto.

Sem pressa, ele desceu o lance de escadas e ao entrar no quarto, constatou o que queria: Marlene já estava dormindo e ele suspirou aliviado quando se deitou ao lado dela. Porém, esse alívio durou pouco.

– Severus...! – Marlene disse num gemido, e ele pensou que ela estava o chamando, tanto que até respondeu:

– O quê? – perguntou ele.

Mas ela não respondeu e continuou chamando o nome dele entre murmúrios e gemidos...gemidos de prazer, Severus constatou, e só então percebeu o que estava acontecendo: Marlene não estava dormindo; ela se revirava na cama, e contorcia o corpo exatamente como se estivesse fazendo sexo... comele.

Severus deixou que um meio sorriso brincasse em seus lábios; ele sorria, meio irônico e um tanto comovido ao pensar que, acima de qualquer coisa, acima de ser um sonhoerótico, Marlene sonhava com ele. Será que ela sonhava com ele porque... não. Não podia ser o que ele estava pensando, o que ele gostaria que fosse. Elesabia que Marlene não gostava realmente dele. Mas ainda assim, ao vê-la reagindo daquela maneira tão espontânea enquanto sonhava comele, Severus sentiu um orgulho primitivo por pensar que, até nos sonhosdela, ele a fazia atingir o orgasmo. Ele a observou por mais alguns minutos ainda, mas logo decidiu sair do quarto novamente, antes que ele mesmo chegasse ao auge da sua excitação e gozasse só por ver aquela cena.

Severus se levantou da cama sem movimentos bruscos – para não despertar Marlene – e então saiu do quarto. Ele olhou pela imensa parede de vidro que ficava ao fundo do corredor, observando a calmaria na orla da praia, pensando que poderia ser uma boa ideia dar uma volta ali para relaxar. O dia ainda estava amanhecendo, e o lugar estava muito tranquilo.

Ou talvez, não tão tranquilo assim, Severus pensou, ao ver a movimentação na orla da praia. Ele não conseguiu ver direito, talvez pela distância, mas ele teve a impressão de ter visto Tanya correndo por ali, como se estivesse caçando. Ele não tinha certeza do que vira, mas de qualquer forma não entendia o que aquela garota trouxa estaria fazendo por ali.

– Insônia também, Snape? – uma voz aguda soou as suas costas e ele sentiu o toque gelado em seus ombros.

Severus então se virou para ver: Tanya, a mesma Tanya que ele acabara de ver correndo na praia, estava ali, atrás dele.

– Talvez – respondeu ele educadamente, mas ainda intrigado com o fato de ela ter chegado ali tão rápido, e mais ainda com a situação da garota à sua frente. O que era aquilo que escorria pelo canto dos lábios dela?Sangue?

Percebendo que Severus olhava para a sua boca, rapidamente Tanya enxugou os lábios com o tecido do robe vinho que vestia por cima da camisola.

– Eu fui pegar um pouco de água na cozinha – explicou ela, depressa. – E eu estava com tanta sede, mas tantasede,que acabei quebrando o copo na minha boca... – e disfarçando, ela perguntou: – E então, o que você está achando deles? Dos McKinnons? Porque, tecnicamente,nós somos os estranhos aqui...

"Estranhos mesmo." – Severus concordou em pensamento, observando melhor os grandes olhos amarelos da garota. Ele ia responder, mas algo inesperado aconteceu: os primeiros raios de sol ultrapassaram a parede de vidro onde eles estavam, e Severus viu o rosto de Tanya brilhando, um brilho estranho e forte, como se a pele da garota fosse feita de milhares de diamantes minúsculos agregados, e cada um deles fosse capaz de refletir mil cores com apenas um raio de sol.

Mas antes que Severus pudesse falar qualquer coisa, talvez a própria Tanya tivesse percebido que estava brilhando e então se afastou dele depressa, sem dizer uma palavra, entrando no quarto de Mike.

Severus continuou parado ali, observando inexpressivamente a porta bater. A visão que tivera não durara mais do que dois segundos, mas aquilo definitivamente não era normal, ele pensava. Tanya estava escondendo alguma coisa, ele tinha certeza, mas não conseguia se concentrar no que seria: a pele dela era gelada, olhos amarelos, velocidade, o sangue escorrendo de sua boca... aquela garota tampouco parecia serhumana.Parecia mais uma vampira...

Bem que Marlene o avisara que aquela família não era normal. Ele tentou rir do pensamento, mas não conseguiu. Era loucura demais para uma noite só: descobrir que a sua mãe tinha um envolvimento com o pai de Marlene, que a própria Marlene tinha sonhos eróticos com ele e que a namorada do irmão dela, na verdade, não passava de uma sanguessuga. Sem nem ter mais certeza do que pensar, Severus decidiu sair dali e aproveitou para dar uma volta na praia, com a tentativa inútil de relaxar, pois, quanto mais pensava, mais dúvidas surgiam.

Depois de andar bastante, sentindo o corpo cansar, Severus voltou para o quarto, e dessa vez teve certeza: Marlene estava dormindo, eapenas dormindo. Ele não resistiu ao desejo de contemplá-la, era uma visão que guardaria por toda a vida, e talvez não tivesse outra de igual fascínio: os cabelos castanho-escuros contrastavam com a pele clara, as linhas perfeitas do rosto, o nariz um pouquinho arrebitado, os lábios rosados e sensuais, o pescoço delicado. Ele fixou seu olhar nos seios dela, visíveis pelo decote da camisola; a cintura delicada, a linha arredondada dos quadris e as pernas nuas bem torneadas... tudo era uma visão de beleza quase insuportável, tanto que, só por precaução, ele não voltou para a cama; se acomodou numa poltrona perto da cômoda e ali ficou.

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Marlene acordou exausta naquela manhã. Passara a noite toda sonhando com Severus e com cada espasmo de prazer que ele havia lhe proporcionado; a lembrança dele gozando junto com ela, mesmo em sonho, a fez estremecer. Ainda invadida por aquela sensação maravilhosa, ela foi abrindo os olhos lentamente, espreguiçando-se na cama e então se sobressaltou; seu coração deu um salto quando viu que Severus a observava da poltrona.

– Há quanto tempo você está aí me olhando? – Marlene perguntou nervosa, desesperada com a possibilidade de Severus ter presenciado mais do que a sua expressão de êxtase.

– Acabei de chegar – ele disse impassível, perguntando cínico: – Dormiu bem?

– Muito bem – disse ela enrubescida, e levantou da cama num pulo, entrando rapidamente no banheiro para tomar um banho.

Mais tarde, ao sair do banheiro ainda enrolada no roupão, Marlene encontrou Severus já vestido, sentado na cama. Ela então se sentou ao lado dele, percebendo que ele estava pensativo e o chamou:

– Severus?

– O quê? – ele se voltou a ela.

– Você estava longe... – comentou Marlene.

– Eu estava pensando na minha mãe – respondeu Severus, e essa parte era verdade. Nos últimos minutos, ele só conseguiu pensar na história de Eileen com o pai dela.

Marlene deu um tapa na própria testa, como se só agora se lembrasse de algo importante.

– Severus! A sua mãe vai passar o Natal sozinha? – ela perguntou de repente, parecendo indignada também.

– Acho que vai – respondeu ele, sem emoção. – Por quê?

– Então por que você não traz a sua mãe para passar o Natal com a gente? – convidou Marlene.

– Claro que não – ele respondeu direto. Mas ela não se convenceu:

– Epor que não? – ela quis saber. – Eu estou convidando!

Severus então percebeu o erro ao dizer "não" com veemência. Se continuasse dizendo que não, que não queria que sua mãe viesse passar o Natal na casa de Marlene, obviamente ela desconfiaria que havia algo errado.

– Vou pensar – respondeu ele, disfarçando, e vendo que Marlene ainda precisava se vestir, apenas se levantou lentamente da cama, indo em direção à porta e comunicou: – Estou descendo.

Marlene pareceu surpresa com a reação de Severus e não aguentou vê-lo lhe virar as costas pela segunda vez; então, antes que ele chegasse à porta, ela saltou da cama e deixou-se dizer num grito:

– Você estragou tudo ontem, sabia?

Severus então se virou para ela novamente, e respondeu com uma calma inabalável:

– Se você está insinuando que fuieuquem começou tudo ontem à noite...

Ela o interrompeu:

– Não, você não começou nada! – ela disse séria. – Você terminou antes mesmo de começar! E até agora, eu não consegui entender do que é que você estava com medo...!

Ele então se aproximou mais dela, enquanto seu rosto assumia uma expressão ameaçadora.

– Medo? – ele a indagou, sério. – Apenas me responda: vocêqueria isso? Acho que não.

– E agora você sabe o que eu quero ou deixo de querer? – Marlene o questionou. – E, mesmo assim; será que esse é o verdadeiro motivo que o levou a parar?

– Acha que eu não sou forte o suficiente para simplesmente impedir você de fazer algo de que se arrependeria depois?

– Você é? – insistiu ela.

– Sim, eu sou. Issoresponde a sua pergunta? – ele debochou.

Marlene cruzou os braços; por algum motivo, sentia-se um pouco mais encorajada a levar aquela conversa adiante.

– Eu quero saber:por que você parou os seus carinhos, de verdade? – ela indagou. – Você está dizendo que fez isso pormim, mas eu não acredito...

– O que está insinuando? – Severus quis saber.

Ela então sorriu má.

– Eu cheguei a pensar que você estava comoutra pessoa na cabeça – disparou ela, acrescentando depois: – Mas se fosse isso, eu juro que não ia ligar... porque eu também estava!

Severus riu, descrente. Por que ela tentava mentir daquele jeito? Afinal, não foi o nome de "outra pessoa" que ele a ouvira gemer em meio a um sonho erótico.

Marlene percebeu o sorrisinho de deboche que ele tinha nos lábios e insistiu na questão:

– Por que você está rindo?

– Por quevocê está mentindo? – ele devolveu a pergunta com deboche.

– Não estou não! Eu sonhei comSirius a noite inteira! – Marlene tentou disfarçar, mas foi em vão.

– É mesmo? – Severus continuou cínico. – Pois em nenhum momento pareceu isso...

– Como não? – ela não entendeu. Será que Severus sabia que ela tinha sonhado comele? E a resposta veio:

– Não acho que foi por causa deBlack que você ficou dizendo o meu nome gemendo, me excitando mais do que se estivessecom a boca no meu pau... – ele concluiu num sussurro, que fez o rosto dela corar violentamente.

Marlene ficou sem palavras naquele momento e se amaldiçoou mentalmente por não calar a boca no sonho. E um segundo depois, quando teve forças para falar novamente, ela disse:

– E se eu disser que, além disso, eu me masturbo pensando em você? – ela o provocou. – Será que finalmente você vai querer participar maisativamente dos meus sonhos?

"Ela está me testando..." – pensou Severus, com raiva. Poderia resolver aquilo agora mesmo, arrastando Marlene até a cama e obrigando-a fazer amor com ele até que ela perdesse os sentidos. Mas não. Suprimiu a raiva e então, com mais um sorrisinho debochado, ele ignorou a provocação e, enquanto passava a mão suavemente pelo laço do roupão dela, respondeu:

– Você é tão...absurda! Mas sabe o que você disse, sobre estar com outra pessoa na cabeça? – ele indagou cínico, respondendo depois: – Era exatamente isso, de minha parte – Severus disse por fim, em tom frio. – Acho melhor eu deixar você se vestir agora – e se afastou bruscamente.

Marlene suspirou indignada, por que ele sempre fazia pouco caso de tudo que ela falava? Vendo Severus caminhar até a porta, ela correu até ele, impedindo-o de sair.

– E se eu não deixasse você fazer isso comigo, hein? – ela reclamou nervosa. – Eu devia contar pra todo mundo que o nossonamoro, na verdade não passa de uma mentira deslavada!

– Faça isso – ele respondeu sem se intimidar. – A sua mãe vai adorar – e finalmente abriu a porta, dando-lhe as costas novamente e sumiu enquanto descia as escadas.

Marlene ficou parada ali, encostada a porta numa espécie de torpor, agoniada com as lágrimas de humilhação que escapavam de seus olhos. Ela se recriminava: como pôde ter descido tão baixo? Ela desprezava esse tipo de atitude, e de repente, era exatamente isso o que acabara de fazer. Ela tirou o roupão largando-o em um canto qualquer, não ficaria ali se lamentando. Jamais deixaria Severus pensar queela se culpava pelo quenão havia acontecido na noite anterior.

Decidida, ela escolheu um shorts jeans curto e uma bata muito decotada em tons de azul claro e escuro. Ela começou a se vestir, e, quando estivesse à mesa do café com sua família, se comportaria como se a última meia hora, e também a noite anterior, sequer tivessem existido em toda a sua vida.

Marlene desceu sozinha, mas logo encontrou o irmão e a namorada no corredor. Ela estranhou a maneira ligeiramente ansiosa que Tanya a olhava, mas não deu importância a isso. A contraponto, Tanya respirou aliviada; aparentemente, Severus não havia contado nada a Marlene sobre ter visto o seu rosto brilhar.

Quando chegaram à mesa, Marlene se sentou ao lado de Severus. No fundo, ela estava apavorada, temendo o momento em que ficariam completamente sozinhos outra vez e não tivessem mais que "fingir". Ela não sabia se conseguiria suportar de novo o desprezo dele. E durante todo o café da manhã, ela sentia o olhar dele constantemente em cima dela, revelando uma expressão pensativa e curiosa. Só não imaginava que Severus estava pensando no convite que ela fizera, e que talvez fossebom ter sua mãe frente a frente com Mark e Lorraine.

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O resto da manhã correu tranquilo, e logo depois do almoço, Lorraine mandou os filhos irem aproveitar a piscina e a praia; na verdade, tudo o que ela não queria era que Mike e Marlene ficassem rodeando a cozinha em volta dela e dos elfos domésticos, como sempre faziam na véspera de Natal.

Tanya foi a primeira a deixar a mesa do almoço para subir e se trocar. Mark, Mike e Severus continuaram conversando enquanto Lorraine e Marlene também saíam da mesa.

Marlene chegou logo ao quarto e foi direto ao banheiro, trocar de roupa. Escolheu um biquíni azul minúsculo, o menor dentre todos que trouxera, pois, aquele pedacinho de tecido, parecia ainda menor em seu corpo, ela pensou, quando se viu usando aquilo. Ela mesma corou ao se ver assim, mas antes que desistisse, saiu daquele banheiro.

Naquele momento, Severus acabava de entrar no quarto. Obviamente ele sobressaltou-se ao vê-la naquele biquíni tão ousado, mas como não sabia se isso era mais uma provocação da parte de Marlene, ele resolveu perguntar:

– Aonde você pensa que vai, vestida desse jeito?

– À praia, onde mais? – ela debochou.

Ele então fechou a porta.

– Você não vai – anunciou ele, mais ríspido do que pretendia.

– Posso saber qual é o problema? – Marlene indagou, embora já desconfiasse de que ele não tinhagostado do seu biquíni.

– Como se você não soubesse que esse seu biquíni enada é a mesma coisa... – Severus respondeu azedo.

– Mas ficou tão bem em mim... – ela reclamou, correndo as mãos pelos quadris, realçando a curva suave de seu corpo. – Diga: você não acha que ficou bem em mim?

– Não, eu não achei – respondeu ele, sério, advertindo: – E eu já disse: você só vai sair desse quarto quando estiver usando algo decente; algo que cubra mais do que os cinco centímetros que vocênão está mostrando!

Marlene percebeu que Severus falava sério e então, contra a sua vontade, vestiu por cima do biquíni o short que usara de manhã.

– Para quem está comoutra pessoa na cabeça, até que você tem reparadomuito em mim... – ela debochou, dando um sorriso ligeiramente zombeteiro, e isso foi o suficiente para exasperar o seu "namorado".

– Você é muito absurda mesmo! – ele disse exaltado, livrando-se de qualquer máscara de frieza que estivesse utilizando. – Tão absurda, que não consegue nem fazer distinção entre o que é mesmo verdade e todas as mentiraspobres que dissemos de manhã!

Marlene parou por um segundo, pensando em tudo o que Severus dissera. Então, se tudo aquilo que foi dito no calor do momento era mentira, se nenhum deles tinha outra pessoa na cabeça e que na verdade ele queria aquilo tanto quanto ela queria, então por que ele havia os impedido na noite passada? Ela se perguntou e tentou perguntar isso a ele:

– Mas... então... por quê...?

– Não importa – Severus respondeu sério, e Marlene viu que ele começou a pegar da mala a capa que havia trazido e mais algumas roupas de inverno.

Ela se aproximou mais de Severus e começou a jogar de volta na mala dele tudo que ele tirava.

– Por que você está fazendo isso? – ela perguntou, desesperada com a possibilidade de ele estar indo embora. – O que você pretende com essas roupas de inverno?

Severus segurou os pulsos de Marlene com firmeza, fazendo-a parar.

– Eu estou indo para a minha casa! – respondeu ele. – E em Spinner's Endnão é verão, se não se lembra.

Marlene então se desesperou completamente.

– Mas... não! – ela gritou, agarrando-se a ele. – Você não pode fazer isso! O que eu vou dizer para os meus pais? Não, você não pode ir embora! Por favor, Severus, não vá!

Severus então ergueu a mão, e segurou o rosto dela, obrigando-a a encará-lo enquanto respondia:

– Marlene – ele suspirou, como se estivesse novamente explicando o óbvio a uma criança de cinco anos. – Eunão vou embora. Eu vou até aminha casa, falar com aminha mãe, perguntar se ela quer vir passar o Natal aqui...

Ela finalmente suspirou aliviada.

– Ah... então é isso? – Marlene sorriu. – Por que não me disse logo?

– Eu tentei – respondeu Severus, e, para que Marlene não desconfiasse de suas verdadeiras intenções em relação a isso, perguntou: – Acha mesmo que os seus pais não vão se importar se a minha mãe vier?

– Não, claro que não! – garantiu ela. – A casa é minha também! Eles sempre disseram que eu e o Mike poderíamos trazer quem a gente quisesse!

– Que bom – concordou ele, acrescentando: – Posso usar a rede de flu do escritório do seu pai?

– Claro – ela disse, e perguntou: – Você... vai demorar?

– Não sei – respondeu ele. – Mas estaremos de volta até a noite, não se preocupe.

– Você vai mesmo voltar, não vai? – ela insistiu.

– Vou, Marlene. Claro que vou – ele garantiu e ela não teve mais dúvidas, mas ainda assim, ela sentiu a necessidade de reafirmar aquele pedido. Com um beijo.

Aproveitando a proximidade, Marlene ergueu o rosto, encontrando a boca dele e o beijou. Pego não tão de surpresa assim, Severus retribuiu o beijo com paixão, dando passagem para que a sua língua brincasse com a dele, contornando seus dentes, mordiscando levemente seus lábios. Um beijo verdadeiro, apaixonado, em que Marlene tirou coragem não sabia de onde e levou uma das mãos as costas, para desamarrar a parte de cima do biquíni; porém, ele segurou suavemente seu pulso e a impediu de fazer isso, limitando-se a lhe acariciar as costas nuas. Ela então aproveitou que ele estava correspondendo aos seus carinhos e tentou abrir a calça dele; percebendo o que ela queria, ele afastou as mãos dela de onde estavam e parou o beijo de imediato.

– Faz amor comigo... – ela murmurou quase numa súplica.

Não que Severus não quisesse, mas definitivamente iria se atrasarmuito se resolvesse fazer amor com elaagora. Afastando-se dela, um pouco ofegante, ele disse:

– Não posso – e diante do olhar decepcionado dela, ele acrescentou: – Nãoagora.

Marlene afundou o rosto no peito dele.

– E quando você vaipoder...? – ela perguntou com graça.

– Depois. Agora eu tenho que ir – disse ele, e quando ela voltou a sorrir, deu-lhe um beijo delicado no rosto e sem mais palavras saiu do quarto.

SSMMSSMMSSMM

Notas finais
Oi pessoal! Só tenho uma coisa a dizer: finalmente, algum "entendimento" nesse capítulo, mas aguardem, que nada será assim tão fácil! RSRSRS
Mais uma vez, agradeço a recomendação de Tom Riddle e a todos que comentaram no capítulo anterior, significa muito, incentiva muito, de verdade!
Beijos a todos os que leram, e um super obrigado adiantado a todos os que além de ler vão clicar no botãozinho para comentar! Só que o pessoal que não comenta, bem, esses nós nunca vamos saber o que estão achando da fic, suas sugestões, enfim... É para vocês leitoras e leitores que nós escrevemos, então nós queremos muito saber o que vocês estão achando! Qualquer que seja a opinião de vocês sobre a fic, nós vamos adorar ler!