Muito Bem Acompanhada
14 Convites
Notas iniciais
Disclaimer (2): Os nomes utilizados para a Família McKinnon fazem referência a fic "1977", escrita por N. Black - Blackie.
Resumo do Capítulo: Depois de falar mais do que devia, Marlene tem que convidar Severus para passar as festas de fim de ano em sua casa.
– CAPÍTULO QUATORZE –
CONVITES
– Mas é claro que não! – vociferou uma voz atrás de Marlene, respondendo por ela; ela se virou e reconheceu sua prima Dorcas, que chegava esbaforida.
– Dorcas? – ela e Sirius indagaram ao mesmo tempo.
A grifinória se voltou apenas a Sirius e continuou falando:
– Deixa ver se eu entendi bem: você rouba um ano da vida da minha prima com a sua malandragem e o seu charme e agora quer uma palavrinha? – Dorcas indagou cínica, enganchando o braço ao de Marlene. – Acho que não vai se importar se eu roubá-la um pouquinho então, não vai? Obrigada!
Dizendo isso, Dorcas sequer esperou pela resposta e seguiu para outro corredor, puxando a prima consigo. Sirius passou irritado pela saída e logo que ele saiu, Marlene reclamou:
– Não precisava ter feito isso, Dorcas! – ela disse séria.
– Na verdade – a grifinória explicou –, eu não estava te salvandodele, mas de você mesma; dessa sua mania ingênua de acreditar nas pessoas, mesmo quando elas não merecem!
Marlene suspirou.
– O que quer que fosse que Sirius queria me dizer, não ia mudar em nada o meu relacionamento com Severus!
– Você minha prima, é boa demais! – exclamou Dorcas, dando um forte abraço na prima. – Eu te amo, eu só quero te ver bem! Imagina só se o seunamoradofica sabendo do que aconteceu aqui?
– Não aconteceunadaaqui, Dorcas – Marlene disse irritada.
A grifinória então expôs a sua preocupação:
– Mesmo assim, eu não quero que Snape seaborreçacom você outra vez... – e discretamente, apontou para a cabeça, como se falasse de um corte.
A corvinal se irritou ainda mais e ergueu a voz:
– Vocêtambémacha que Severus bateu em mim, Dorcas? – ela perguntou nervosa. –Acha?
– Olhe, eu entendo que se você gosta mesmo dele, você vai tentar protegê-lo, mas...
Marlene a interrompeu grosseiramente:
– Eu juro que não entendo toda essa sua implicância com ele! – ela se exaltou, deixando-se dizer: – E não, elenão bateuem mim, pelo contrário! Severus foi oúnicoque se preocupou comigo ontem! Quando vocês estavam sabe-se lá onde,eleficou comigo,elecuidou de mim!
Mas Dorcas ainda não tinha se convencido.
– Mas será que isso foi sincero, prima? – indagou ela, venenosa, acrescentando: – Pense nisso. Bom, de qualquer forma, eu só queria te entregar a carta que a tia Lorraine mandou – e tirou o envelope do bolso, estendendo-o para a prima, que pegou. – A coruja dela não conseguiu passar pelas Masmorras, e como você não estava no café da manhã, a bichinha acabou deixando comigo!
Tomando o envelope das mãos de Dorcas, Marlene o abriu ali mesmo e começou a ler a carta de sua mãe:
Querida,
Este ano, iremos passar as festas de fim de ano na casa de praia em Dover.
Sei que você deve estar se perguntando o "porquê" dessa mudança agora, em pleno inverno, mas é que o seu irmão vai trazer a namorada trouxa que ele conheceu no Alasca. Por isso, achei que ficaria melhor estarmos todos numa casa mais "simples". Eu não a conheço, mas segundo Mike, a garota é um amor...
Falando nisso, você vem sozinha como no ano passado? Ou vai deixar a vergonha de lado e permitir que o "namorado" venha junto? Se a resposta for sim, me avise, que eu dou um jeito no seu pai.
PS: Apesar do inverno, acho melhor você trazer roupas de verão.
Muitos beijos,
Lorraine.
Marlene então olhou para Dorcas.
– Nós vamos passar o Natal na casa de praia, em Dover – comunicou ela, perguntando: – Vocês também?
– Não – Dorcas respondeu contrariada. – Papai quer ir para o Brasil! Eca! Só porque disseram a ele que o Réveillon de Copacabana é lindo...!
– Ah, que pena, então... – lamentou Marlene. – Mike vai levar a namorada dele para passar as festas com a gente...
Neste momento, Emmeline e Benjy apareceram correndo para alcançar Marlene e Dorcas.
– Ainda bem que eu achei você! – Emmeline se dirigiu a Marlene, e depois a Dorcas: – Oi Dorcas.
– Oi – respondeu a grifinória, tão surpresa quanto a prima.
– Aconteceu alguma coisa? – Marlene perguntou preocupada.
– Eu é que pergunto – respondeu Emmeline, olhando de Marlene para Dorcas.
Benjy então tomou a palavra:
– Black passou por nós feito um tufão e... – ele hesitou. – Tivemos a impressão de ter visto vocês discutindo...
– Assuntos de família, Benjy – disse Marlene, um pouco constrangida.
– É,assuntos de família– repetiu Dorcas, e percebendo o clima estranho que ficara, decidiu ir embora: – Mas eu já estava de saída – e advertiu Marlene: – Só que a gente vai ficar de olho, pra que você não se machuquede novo, prima!
– Dorcas! – Marlene a repreendeu.
– A gente se vê – disse a grifinória, dando as costas aos corvinais e tomando o rumo da saída.
No mesmo instante em que Dorcas se afastou, Emmeline questionou a amiga:
–Machucar? Quando foi que você se machucou, Lene? Do que a Dorcas estava falando?
– Nada não – disse Marlene, e a loira entendeu que a amiga não queria falar nada na presença de Benjy. – A Dorcas que está preocupada demais...
Elas se encararam sem palavras, e Benjy assumiu a palavra de novo:
– Bem, eu não sei se vocês ainda querem ver mais livros, mas Madame Pince já está fechando a biblioteca...
– Não, Benjy – Emmeline respondeu, tomando as mãos do namorado. – Nós também já estamos indo, não é, Lene?
– É. Estamos sim – Marlene concordou.
Momentos depois, quando já estava em seu dormitório, Marlene esperou que a amiga se despedisse longamente de Benjy à porta do quarto. E quando Emmeline finalmente resolveu entrar, logo iniciou os seus questionamentos:
– Será que agora você pode me dizer o que realmente aconteceu na biblioteca? – indagou ela, preocupada. – Porque eu não entendi nada! Primeiro Sirius, depois a Dorcas... E o que ela quis dizer sobre se você semachucar?
– Calma! – pediu Marlene, fazendo a amiga sentar-se em sua cama e depois se sentando ao seu lado. – Eu vou responder uma pergunta de cada vez, ok? – Emmeline concordou com a cabeça e Marlene e começou a contar: – Não foi nada de mais; Sirius só repetiu o que tinha pedido para Remus me dizer agora a pouco – explicou ela, depois disse contrariada: – E eu quis tanto pôr um fim naquela conversa que acabei metendo os pés pelas mãos!
– Como assim? – Emmeline continuava sem entender.
– Eu disse a ele que Severus ia falar com o meu pai no Natal! – Marlene repetiu contrariada.
– O quê? – a loira não acreditou. – Mas espera um pouco... Por acaso Snapevaifazer isso?
Marlene fez que não com um movimento de cabeça.
– Entendi... – disse Emmeline, cética. – Você disse a Sirius que Snape vai falar com o seu pai no Natal... Só que ele ainda nem sabe disso! Marlene...?
– Eu sei – a morena concordou –, foi totalmente ridículo dizer isso a Sirius, mas a questão agora nem é mais essa...
– Você vai tentar dar um jeito de convencer Snape a passar o Natal na sua casa?
– Caso contrário, o meunamoro de mentiracai por terra! – afirmou Marlene.
– Mas você não pode pedirissoa ele! – a loira advertiu. – Quero dizer, acho que Snape não vai concordar se souber que você só está fazendo isso porque teve a infeliz ideia de dizer a Sirius que ele ia falar com o seu pai!
– É. Mas se bem que... – a morena disse pensativa.
– Se bem que o quê? – Emmeline quis saber. – Alguma ideia?
Marlene então tirou rapidamente do bolso a carta de sua mãe e estendeu para Emmeline. Enquanto a loira lia, ela explicou sua ideia:
– Eu posso dizer que aminha mãeo convidou, como está escrito aí! – disse ela. – Acha que é um bom argumento?
– Acho – garantiu a loira, devolvendo a carta para a amiga. – Mas, e se mesmo assim Snape não quiser ir?
– Aí eu vou ter que contar a verdade a ele... – concluiu Marlene, torcendo para que isso não fosse necessário. – Para que ainda haja uma pequena possibilidade de Severus concordar...
– Bom, parece que metade do problema está resolvido! – Emmeline brincou, mas logo voltou a ficar séria: – Mas enfim, o que a Dorcas quis dizer sobre você ter se machucado?
Marlene então achou melhor contar a verdade:
– Ela acha, na verdade todos eles, com exceção do Remus, acham que Severus bateu em mim! – e diante da cara horrorizada da amiga, acrescentou: – Mas não foi assim que aconteceu; quando eu estava lá no quarto dele, eu caí de cabeça em cima do criado-mudo... Você acredita em mim, não acredita, Emme?
– Claro – afirmou a loira. – Eu sei o quanto você é estabanada, e um tombo desses é bem digno de você! Só não entendo uma coisa: como eles ficaramsabendodisso?
– Isso é outra coisa que eu também não entendo – disse Marlene. –Regulusme viu saindo do quarto do Severus com a cabeça sangrando e foi correndo contar a Sirius!
– Se ele contou... – Emmeline também não entendia. – Acha que Sirius pediu para oirmão deleespionar você?
– Não acredito que seja isso, pois até onde eu sei, eles se odeiam – a morena disse com sinceridade. – Enfim, depois eu vou me preocupar em saberporqueRegulus fez isso.Agora– ela disse, levantando-se da cama – eu vou falar com Severus!
– Tomara que ele concorde então! – disse Emmeline. – Boa sorte!
– Obrigada – respondeu Marlene, atravessando a porta novamente.
Ela andou até as Masmorras apressadamente, pois precisava falar com seu "namorado" e dar uma resposta a sua mãe o quanto antes. Mas havia algo mais na rapidez dos seus passos. Seria... saudade?
Marlene então se sobressaltou ao chegar à entrada da Sonserina; por sorte – ou azar – ela encontrou ninguém menos do que Regulus Black ali e o ouviu murmurar a senha do dia em língua de cobra.
– Oi, McKinnon – disse ele, convidando-a a entrar na sala comunal.
– Oi – respondeu ela secamente, entrando na sala. – Sabe se o Severus está aí?
– Acho que sim – disse Regulus, com os olhos fixos em Marlene.
– Então você poderia chamá-lo, por favor? – ela pediu sem graça, já estava ficando incomodada com aqueles olhares do outro.
– Ele deve estar sozinho – comunicou o sonserino, e indicando-lhe o fundo do salão, disse: – Vai nessa! Você já conhece o caminho...
Marlene chegou a dar um passo para atravessar a sala comunal, porém recuou; não gostara daquela provocação. Não tinha nenhuma intenção de prolongar a conversa com Regulus, mas quis saber:
– Você tem algum problema comigo? – ela perguntou, voltando-se a ele. – Porque você contou uma grande mentira a meu respeito para o seu irmão hoje de manhã!
– Eu apenas contei a Sirius o que vi, nada mais – Regulus respondeu despreocupado, aproximando-se dela. – O que ele imaginou depois, não é responsabilidade minha.
– Pois se você queria deixar todo mundo preocupado, você conseguiu – rebateu ela. – Por que fez isso, afinal?
– Por nada – respondeu ele, recuando um pouco. – Eu só acho que você está com o sonserino errado...
Marlene riu.
– Ah, é? – ela indagou debochada, encarando-o firme nos olhos. – E qual seria ocerto? Não estaria falando devocê,estaria?
– Não, claro que não. Eu só queria que você fosse assim... – Regulus se reaproximou dela – ... mais legal comigo! – e ergueu a mão, na tentativa de passá-la nos cabelos castanhos da corvinal.
Porém, Marlene esquivou-se na mesma hora.
– Tire as mãos de mim! – gritou ela, tomada de raiva, e puxou a varinha: –Estupefaça! – ela bradou, e Regulus foi arremessado contra a parede, ao outro canto da sala.
Logo, o sonserino ficou em pé novamente, e um sorriso cínico brincava em seus lábios, ao ver que Marlene continuava com a varinha em punho, apontada na sua direção. Mas antes que pudesse falar alguma coisa, uma voz vinda do fundo da sala os interrompeu:
– Marlene? – Severus a chamou, enquanto atravessava a sala; encarando Regulus, ele perguntou a ela: – Está tudo bem?
Ela nem respondeu; tudo o que Marlene fez foi correr até onde Severus estava e atirou-se a ele num abraço apertado. Ali, nos braços dele, de repente parecia ser o único lugar onde ela se sentia segura; ainda nervosa e ofegando, ela ergueu o rosto para ele e apenas sussurrou:
– Os seus amigos não gostam de mim, definitivamente...
– Eu sei – sussurrou ele, relaxando-a do abraço; olhando por cima do ombro de Marlene, ele lançou a Regulus um olhar mortal. Voltando-se a ela novamente, perguntou: – Por que veio aqui?
– Eu preciso falar com você – respondeu ela. –Sozinha.
Severus ponderou a expressão dela, parecia algo sério o que Marlene queria falar.
– Venha comigo – ele disse, conduzindo-a até os dormitórios. Enquanto andavam, Marlene ainda conseguiu ver Regulus saindo. Quem sabe, para fazer mais uma intriga ao irmão, pensou ela.
Assim que chegaram ao quarto, Marlene foi se sentando na cama de Severus, sem nenhuma cerimônia.
– Eu disse, eles não gostam de mim, eu percebi isso no primeiro dia...! – ela resmungou baixinho, enquanto Severus se sentava ao lado dela.
– O que aconteceu na sala comunal? – perguntou ele, percebendo que Marlene ainda estava nervosa.
Ela não tinha essa intenção, mas achou melhor contar a Severus sobre as intrigas de Regulus:
– Regulus viu o momento em que saímos daqui de manhã, quando me machuquei e... – ela hesitou – ... e ele se deu o trabalho de ir até a Grifinória dizer pra todo mundo que você tinha batido em mim! – e disse indignada: – ADorcasficou morrendo de preocupação!
– Só a sua prima? – Severus indagou.
– Só – Marlene afirmou; achava melhor omitir o detalhe de que Sirius também, e toda a conversa na biblioteca.
– E então você oestuporou,quando ele deu em cima de você? – ele voltou a indagar, mas aquilo era quase uma afirmação.
– É – ela respondeu surpresa, e preocupada com a reação dele. – Mas eu já estava com raiva deleantes...
Severus então se levantou da cama com fluidez.
– Não se preocupe – disse ele enquanto andava até a porta, num tom sombrio que a fez se preocupar ainda mais. – Eu vou resolver isso.
Marlene também se levantou e correu até ele, impedindo-o de sair.
– Não faça nada, por favor! – ela pediu. – Foi só um mal-entendido e eu já expliquei pra minha prima que você não bateu em mim!
Severus voltou-se a ela novamente.
– Do que está falando? – indagou ele, disfarçando. – Eu vou apenasfechar a porta– ele disse, enquanto fechava a mesma. – Você disse que queria falar comigo, lembra?
Marlene suspirou aliviada; por um momento, acreditou que Severus ia "resolver" aquilo à sua maneira, que ela já sabia qual era. Ela deu mais um suspiro e começou o assunto que a trouxera ali.
– O que você vai fazer no Natal? E no Ano Novo? – ela perguntou rápido.
A sobrancelha dele se ergueu.
– Por quê? – Severus perguntou desconfiado.
– É que... hm... – ela começou sem jeito – ... é que eu tenho um convite para te fazer!
– Convite... para passar as festas na sua casa? – ele indagou direto.
– É. A minha mãe convidou e... – Marlene hesitou antes de completar num meio sorriso: – Eu pensei que serialegalse você fosse...
– Quem vai estar lá? – Severus quis saber.
O meio sorriso dela se desfez com a aparente desconfiança dele.
– Você acha mesmo queSiriusfoi convidado? – Marlene perguntou, e Severus percebeu que ela ficara chateada.
– Eu não perguntei seBlackvai estar lá – explicou ele. – Eu quero saberquemestará lá; todos, sem distinções.
– Os meus pais, o meu irmão, a namorada trouxa dele que vem do Alasca, etalvez– ela disse, dando ênfase à palavra –,alguns amigos do meu pai, do Ministério...
Ministério.Severus ponderou o convite de Marlene. Essa era uma oportunidade que ele não deveria perder. Além disso, ela também parecia muito sincera em querer que ele conhecesse a família dela.
– Mas se você não quiser ir – ela comentou, já apelando –, eu peço desculpas pra minha mãe e...
– Eu vou – a resposta dele a fez sorrir involuntariamente. – Mas com uma condição.
– Qualquer uma! – Marlene respondeu contente, sem se importar com qual seria a "condição" dele.
– Qualquer uma...mesmo? – Severus indagou cínico, aproximando-se mais de Marlene, fazendo-a se encostar à porta devido à proximidade; o sorriso dela murchou um pouco.
– Q-qualquer uma, sim – ela conseguiu responder.
Severus então disse a sua "condição":
– Vai ficar longe das bebidas alcoólicas?
Marlene suspirou aliviada mais uma vez.
– Vou – respondeu ela, e seu sorriso se refez. – Prometo!
– Ótimo – concordou ele. – Pode dizer a sua mãe queo seu namoradovai com você.
O sorriso dela se alargou ainda mais.
– Obrigada! Obrigada! Obrigada! – Marlene agradeceu, unindo ambas as mãos como se fizesse uma prece, sem conseguir conter o sorriso aliviado nos lábios, entre outras coisas...
Sem pensar duas vezes, Marlene se jogou nos braços de Severus mais uma vez, agarrando-se ao seu pescoço. Uma magia inexplicável pareceu tomar conta deles e foi impossível dizer uma só palavra; lentamente, ela ergueu o rosto para ele e seus lábios se encontraram em mais um beijo. Quando ele a puxou pela cintura, trazendo-a mais junto de si, ela prometeu a si mesma que não faria nada nessa viagem para que ele sequer pensasse em deixá-la outra vez. Mas era difícil pensar direito, enquanto tinha os lábios dele nos seus e quando ela sentiu a mão dele aprofundar o toque em sua cintura, correspondendo com a mesma intensidade do seu desejo, os beijos se tornaram mais possessivos e exigentes. Foi com relutância que eles se afastaram um do outro, ainda sentindo o desejo pulsar entre eles.
– Você... – Severus disse ofegante – ... você precisa avisar a sua mãe... que eu vou...
Marlene fez que sim com um movimento de cabeça e depois disse:
– Eu... eu vou ao corujal mais tarde... Até depois... – foi o que ela conseguiu responder; ainda estava emocionada com aquele beijo. Então abriu a porta e saiu.
Severus observou o movimento de Marlene por um longo momento e assim que ela saiu, teve a impressão de que até o mundo estava diferente. Mal podia acreditar no que estava sentindo; simplesmente não se reconhecia mais naquelas atitudes, nem nas emoções que o dominavam de tal maneira que nem um "não" ele não conseguia mais dizer a ela. Ainda perdido em suas reflexões, ele sobressaltou-se quando a viu retornar à porta.
– Posso te fazer mais um convite? – Marlene perguntou, um pouco animada agora, ao mesmo tempo em que sentia o rosto ficar vermelho.
– Faça – Severus respondeu, advertindo: – Mas não prometo nada.
Marlene então pediu:
– Janta com a gente hoje? – convidou ela. – Quero dizer, comigo, com a Emme e o Benjy... Sabe, é que eles estão namorando...
– É mesmo? – indagou ele, parecendo surpreso.
– É – confirmou ela. – E eu não quero parecer inconveniente ao lado deles...
–Entendi –Severus respondeu debochado, mas concordou: – Certo, vamos sim. Já está na hora.
Ela sorriu mais uma vez em agradecimento e então deixou que Severus tomasse sua mão, para que atravessassem o corredor de pedras que levava ao salão comunal. Enquanto eles andavam, Marlene voltou-se a ele e disse baixinho:
– Ainda bem que você está aqui – murmurou ela. – Eu não queria mais andar sozinha nesse corredor... – e admitiu: – Na verdade, tive medo de encontrar os seusamigos...
– Não precisa ter medo – garantiu ele, acrescentando cínico: – Como você mesma disse,euestou aqui...
Marlene apenas riu descrente daquele comentário; eles então atravessaram as Masmorras e seguiram até o Salão Principal.
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Três dias depois, na manhã do dia 23, Marlene voltava a acordar num estado deplorável. Mas dessa vez, não era culpa de Absyntho. Era a terceira manhã consecutiva que acordava assim: totalmente suada e louca de desejo. O motivo de tudo isso era apenas um: ela tinha sonhos nos quais ela e Severus começavam a se agarrar num chuveiro, depois faziam sexo selvagem, durante o qual ele a tomava em seus braços violentamente e a fazia gemer altíssimo de prazer, pedindo sempre mais e mais.
"Ainda bem que foi um sonho!" – pensou Marlene. No fundo, achava que estava ficando louca.
Desde quando aquilo estava acontecendo? A resposta era simples: desde a maldita festa, em que ela acordara na cama de Severus sem ter certeza do que havia acontecido. E se Marlene tinha dúvidas antes, depois desses sonhos tinha ainda mais.
Ela ainda estava estarrecida de prazer quando Emmeline a despertou:
– Vamos, Lene! – a loira a chamava numa voz indócil. – Levante-se ou vamos perder o trem!
Havia isso ainda: a viagem. Por um momento, Marlene até havia se esquecido disso. Ia passar o Natal com sua família, como sempre. Não. Definitivamente não seriacomo sempre. Ela só esperava que tudo desse certo, e que pelo menos os seus pais não desconfiassem do seu "namoro de mentira" – que na verdade, ela já aceitava que poderia não ser tãomentiraassim.
Marlene se espreguiçou e se levantou, andando até o banheiro para tomar um banho. Quando saiu de lá já arrumada, encontrou Emmeline também pronta. Ambas desceram para tomar café; depois disso, verificaram suas malas, e então se encontraram com Dorcas próximo ao Salão Principal e de lá, as três foram juntas para o trem.
Enquanto as três andavam pelos corredores, a procura de um compartimento vazio naqueles vagões, Marlene notou que Severus já estava lá; ela o vislumbrou rapidamente na companhia dosamigos, então parou e acenou para ele, que respondeu com um aceno de cabeça. Mas logo ela sentiu a prima empurrando-a às suas costas e forçadamente teve que continuar andando, até que por fim acabaram se acomodando num vagão bem longe dali.
Marlene não sabia se era impressão sua, mas a viagem pareceu curta, e pouco antes do trem chegar a King's Cross, ela, a amiga e a prima foram trocar suas vestes. Assim que o trem parou, elas desceram. A família de Emmeline já a esperava, assim como seus tios esperavam por Dorcas. Ela falou rapidamente com seus tios e se despediu da prima, mas não ficou sozinha por muito tempo: logo, Severus veio ao seu encontro; aparentemente, ele estava esperando que Dorcas saísse para só então se aproximar dela, assumido sua postura de "namorado".
– Oi – disse ele, dando-lhe um beijo rápido nos lábios e enlaçando a cintura dela num meio abraço.
– Oi – respondeu Marlene, ruborizando outra vez. – Eu ia falar com você, mas os seus amigos estavam lá e...
– Isso não tem importância – assegurou Severus, interrompendo-a; relanceando pela plataforma, perguntou: – Você disse que o seuirmãovinha nos buscar?
– É. O Mike – concordou ela, sem evitar um risinho. – Sabe aquelas famílias cheias de gente maluca, mas que no final do dia você continua amando do mesmo jeito?
– Hm? – indagou ele.
– A minhanão éassim! – respondeu ela, rindo.
Ainda rindo, Marlene também relanceou pela plataforma, a tempo de ver o ex-namorado com James e a família dele. Ela viu que Severus percebeu para onde ela olhava e então mudou de assunto:
– É... – começou ela, apontando para a pequena mala dele. – A minha mãe pediu para trazer roupas de verão... Você trouxe?
– Apesar de não entender a necessidade disso, eu trouxe sim – respondeu ele.
– Eu também não sei... é inverno, mas a minha mãe pediu então...
– Tudo bem, eu trouxe, ponto final – disse ele em ultimato.
Marlene mudou de assunto outra vez:
– E-eu não vi Regulus com vocês... No trem...
– Ele não veio mesmo – Severus respondeu sem emoção. – Acho que ele não vai conseguir sair daquela Enfermaria por um bom tempo...
Marlene arregalou os olhos, só de pensar que Severus tinha mesmo "resolvido" aquela situação.
– Você não falou com Regulus depois daquele dia...falou? – ela perguntou preocupada.
– Não. Nem tive oportunidade – disse ele, secamente.
– Como assim? – ela não entendeu.
– Ouvi dizer que ele atravessou uma janela – respondeu Severus, cínico. – E que ele está correndo risco de vida...
Além dos olhos arregalados, Marlene ficara boquiaberta. Mas ela nem teve tempo de perguntar mais nada: à sua frente, parou um rapaz grande que ela reconheceu na hora.
– Mike! – Marlene exclamou, soltando-se de Severus naquele momento; de um salto, ela se pendurou no irmão num abraço.
Michael McKinnon era um rapaz alto e forte, com seus músculos marcados embaixo das vestes de trouxa; seu cabelo era bem curto, castanho-escuro e seus olhos eram do mesmo tom do da irmã.
– E aí, maninha? – perguntou o rapaz todo sorrisos, colocando a irmã no chão. – Louca pra deixar Hogwarts de uma vez?
– Ah, Mike! – Marlene riu, olhando melhor para o irmão: – Você sempre foi assim...tão grande? – e riu de novo.
Mike também riu, apoiando a irmã. E então observou o anel que ela tinha no dedo.
– E você? Está usando o anel da mamãe agora? – ele perguntou curioso.
– Não – explicou ela. – É parecido, eu sei, masesse anelfoi o Severus que me deu...
Só então o rapaz voltou sua atenção para a estranha figura que acompanhava Marlene.
– Eu me lembro de você... – ele começou, olhando para o sonserino. Mike tinha sido corvinal como sua irmã, e chegara a ser Monitor-Chefe em Hogwarts há dois anos. Lembrava-se vagamente de Snape, e de suaganguesonserina. Seu olhar pareceu ter esfriado na mesma hora.
Marlene percebeu a hostilidade e interferiu.
– Mike, então, esse é o Severus, meunamorado –disse ela rapidamente.
O rapaz então estendeu a mão ao sonserino, em cumprimento, ainda que de má vontade.
– Prazer em revê-lo – disse Mike, sem sinceridade.
– O prazer é meu – disse Severus, igualmente insincero.
Assim, eles atravessaram a passagem que dava acesso à parte trouxa da estação e logo Marlene questionou o irmão, ao perceber que ele estava sozinho.
– Mike? – ela chamou o irmão outra vez. – A sua namorada não veio com você?
– Calma, Lene. A Tanya já está chegando – disse ele, relanceando para a avenida. – Você vai adorá-la.
– Bem... – ela tentou responder, mas essa foi a única coisa que conseguiu dizer, pois naquele exato momento, um conversível prata cantou pneu, estacionando a poucos metros de onde ela, seu irmão e Severus estavam. Imediatamente, todos os trouxas que estavam por perto se viraram para olhar a loira que descia do carro.
Marlene observou melhor aquela que deveria ser a namorada de seu irmão. Sem dúvida, Tanya era a garota mais linda que já tinha visto na vida, mesmo sendo trouxa: era alta, seu cabelo loiro e liso lhe descia pelas suas costas; a pele dela era extremamente clara, e seus olhos eram do tom de um caramelo brilhante, como topázios. Ela vestia um cafetã vermelho que delineava suas curvas, e usava botas de veludo preto até os joelhos. Marlene continuou observando-a, até que uma voz melodiosa e aguda a despertou:
– Mike! – disse a loira, a dona da voz, aproximando-se do rapaz, avançando sobre ele com um caloroso beijo.
Para muitos, era só um beijo comum entre um casal apaixonado, mas de algum modo, tinha sido tão íntimo que Marlene sentiu a necessidade de desviar o olhar. E quando eles finalmente terminaram de se beijar, a loira voltou seu olhar para Marlene:
– Oi Lene, tudo bom? Eu sou Tanya – ela foi dizendo, com certeza Mike deveria ter dito que Marlene preferia ser chamada de "Lene".
– Oi Tanya! Tudo bem e você? – Marlene disse.
– Bem também! – Tanya respondeu. – Mike disse que você é a irmã preferida dele.
– Na verdade, eu sou aúnicairmã dele – Marlene respondeu com graça e então se aproximou da garota para abraçá-la.
– Por isso a preferência! – brincou Tanya, correspondendo o abraço.
A corvinal estranhou que a pele dela fosse tão fria. Mas não deu importância a isso; imaginou que a garota deveria estar com frio, já que estavam em pleno inverno. Afastando-se um pouco, ela apresentou Severus a Tanya:
– E esse aqui – ela trouxe o "namorado" mais próximo delas – é o Severus, meu...
– ...namorado –Tanya completou num sorriso. – Eu sei!
– Prazer em conhecê-la, Tanya – respondeu Severus, com uma voz mais doce e Marlene teve a impressão de ter visto o irmão torcer os lábios, contrariado.
– Bom, vamos nos apressar que ainda temos uma longa viagem até a casa de praia! – Mike falou sério de repente.
–Praia?–Tanya perguntou, e não havia mais animação em sua voz. – Mas Mike, você sabe que eu...
– Mas é inverno, Tan – Mike respondeu. – Não hásol...
– Ah, que bom – Tanya respirou aliviada.
Marlene não estava entendendo muito bem aquela conversa, já que sua mãe insistira em dizer que era para levarem roupas de verão... E agora Mike dissera que não faria sol... Será que Tanyaodiavasol? Ela não conseguiu se concentrar numa resposta; logo Tanya voltou-se a ela e a Severus novamente.
– Podem se acomodar aí atrás – ela apontou para o banco traseiro do conversível, enquanto Mike jogava as malas deles no porta-malas. Assim que Mike fechou o mesmo, retornou à frente do carro, sentando-se no banco do carona.
Marlene e Severus só se entreolharam, desconfiados. Então era agarota trouxaque ia dirigir? Curiosa, ela teve que perguntar a Tanya:
–Vocêvai dirigir?
Tanya sorriu.
– Vou, claro – e perguntou com graça: – Por quê? Vocês têm medo de entrar num carro dirigido por uma... como é mesmo que vocês dizem...trouxa?
Mike riu baixinho.
– N-não, claro que não – disse Marlene, sem jeito. – É, só, que...
– Relaxa – Tanya pediu. – Eu adoro dirigir, e dirijo muito bem! Um dia eu te ensino, ok?
– Ah... obrigada – Marlene disse, ainda sem graça e assim que a loira entrou no carro, ela e Severus também pularam para o banco de trás.
Mike tomou carinhosamente a mão da namorada e na tentativa de imitar ou até mesmo competir com o casal à sua frente, Marlene encostou a cabeça no ombro de Severus, e deixou que ele passasse o braço em volta dela. Logo, Tanya arrancou com o conversível e quando Marlene percebeu, o carro já costurava rápido demais o trânsito complicado, deixando a via expressa e entrando a toda velocidade na estrada sinuosa que levava para o litoral da Inglaterra. Tanya realmente dirigia muito bem.
A viagem foi rápida e logo as luzes da esplêndida Dover começavam a enfeitar o pôr-do-sol. Marlene passava todos os verões de sua vida naquela cidade, e se sentia feliz por estar de volta. Até Severus, que não falara nada durante toda a viagem, parecia fascinado com a qualidade especial daquelas rochas nuas que cercavam o mar.
O clima era frio, o vento gelado cortava impiedosamente os rostos deles, mas assim que o conversível atravessou os portões da casa de praia dos McKinnon, uma onda de calor insuportável invadiu o veículo; imediatamente, todos se livraram de suas capas e casacos.
– Ah, que droga! – Mike exclamou de repente, incomodado com aquele calor, assim como todos.
– O que houve, Mike? – Tanya perguntou ao namorado, sem entender.
Mike virou a cabeça no banco e olhou para Marlene.
– Ah, não! – Marlene exclamou, compreendendo o irmão na hora. – Por isso... roupas de verão!
– Eu não acredito que papai fez isso de novo! – Mike disse inconformado.
Nem Tanya, nem Severus estavam entendendo parte alguma daquele diálogo. E foi o sonserino quem resolveu perguntar a Marlene:
– O que seu pai fez, afinal?
Mike e Marlene responderam em uníssono:
– Enfeitiçou a casa para que seja verão o ano inteiro!
Ao ouvir aquilo, Tanya freou o carro bruscamente, parando exatamente à entrada da casa.
– Como assim, Mike? – ela perguntou nervosa. – Você disse que não haveria sol e...
– Calma, Tan! – pediu ele. – Está tudo bem, acho que não vai fazer sol por esses dias... espero.
– Eu estou com fome! – Tanya exclamou, mudando de assunto completamente. –Aquelafome, Mike!
– Eu vou dar um jeito nisso – disse Mike, saindo do carro. – Vem comigo!
Tanya literalmente saltou do carro e o momento seguinte passou como um borrão: Marlene só teve tempo de perceber que ela e Mike correram em direção à orla da praia, desaparecendo com uma velocidade impressionante. Ela só olhou para Severus com o canto do olho, e viu que ele continuava estático como ela, depois de ter presenciado a mesma cena do comportamento estranho de seu irmão e a namorada.
– Agora eu entendi o que você disse sobrefamílias cheias de gente maluca... – Severus murmurou, parecendo surpreso.
– E eu não entendi nada – Marlene disse, realmente sem entender. O que seriaaquela fomeque Tanya se referiu? Será que ela e Mike não podiam nem esperar entrar em casa para fazer amor e por isso correram até o meio do nada?
Ela não conseguiu formular uma resposta. Logo, a voz de Severus cortou seu devaneio.
– Quanto ao seu irmão eu não sei – disse ele, olhando para a frente da casa –, mas acho melhor nós entrarmos...
– NÃO! – Marlene respondeu num grito, e quando ele voltou-se a ela, explicou: – Quero dizer, acho melhor a gente não entrar láagora...
– Por quê? – Severus quis saber.
– Porque Mike e Tanya foram sabe-se lá onde e... – ela hesitou, morrendo de medo das perguntas infinitas que os pais fariam e disse isso a Severus: – E eu não quero que meus pais fiquem enchendo a gente de perguntas...
A expressão de Severus não mudou.
– Eu não vou ficar aqui esperando que o seu irmão e a namorada dele...
Mas Marlene o interrompeu antes que completasse a frase:
– Não precisa! – exclamou ela, convidando: – Por que a gente não dá uma volta primeiro? Aí eu posso te mostrar o lugar que eu mais gosto nessa casa: a casa de barcos do meu pai!
SSMMSSMMSSMM
Notas finais
Mais uma vez, agradeço a todos que comentaram no capítulo anterior, significa muito, de verdade!
Beijos a todos os que leram, e um super obrigado adiantado a todos os que além de ler vão clicar no botãozinho para comentar! Só que o pessoal que não comenta, bem, esses nós nunca vamos saber o que estão achando da fic, suas sugestões, enfim... É para vocês leitoras e leitores que nós escrevemos, então nós queremos muito saber o que vocês estão achando! Qualquer que seja a opinião de vocês sobre a fic, nós vamos adorar ler!
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